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sexta-feira, 28 de junho de 2024

O CHAMADO DE CTHULHU (H.P. Lovecraft).

 

NOTA: 10


O CHAMADO DE CTHULHU é o trabalho mais famoso de H.P. Lovecraft, e um de seus melhores, sem sombra de dúvida.

 

Para quem já conhece o trabalho do autor, Cthulhu deve ser a história que todos se lembram quando pensam em Lovecraft, principalmente porque é um texto excepcional, escrito de uma maneira única, e além disso, é uma trama absolutamente original, que originou aquilo que se tornou conhecido como “ Os Mitos de Cthulhu”.

 

O termo foi criado por um amigo de Lovecraft para designar uma série de histórias compartilhadas, tendo O Chamado como peça principal.

 

Na trama, um homem decide investigar a vida de seu tio após sua morte súbita. Ele então se depara com uma série de documentos que relatam acontecimentos estranhos ao redor do mundo, envolvendo um culto à uma criatura conhecida como Cthulhu. Ele então decide investigar por conta própria o que é esse culto, e acaba descobrindo coisas muito mais sinistras.

 

Parece ser uma trama simples, não é?

 

Mas, em se tratando de Lovecraft, há sempre algo a mais, porque o autor é conhecido por sempre dar um toque quase filosófico em suas obras, além de escrevê-las sempre com as suas características, ou seja, em primeira pessoa, sem muitos diálogos, e, o mais importante, nunca descrevendo a ameaça. Nos textos de Lovecraft, a ameaça é sempre indefinida, inominável.

 

Mas, em Cthulhu, o autor muda essa regra, e resolve descrever o seu monstro, e o faz de duas maneiras bem distintas. Na primeira, ele faz uma descrição rápida, apresentando detalhes da criatura; já na segunda, a descrição é bem mais profunda, com as formas sendo detalhadas para o leitor, e assim, facilitando a visualização.

 

Essa é uma das grandes características da narrativa lovecraftiana. O autor descreve seus monstros de maneira única, com detalhes pequenos, deixando tudo para o leitor imaginar como é aquela criatura. Lovecraft faz uso de muitos adjetivos para descrever suas criaturas, e não se enganem, isso não é um defeito.

 

No entanto, para quem não conhece as obras do autor, deve ser muito estranho ler qualquer texto dele, principalmente por causa de suas características e seu estilo, portanto, eu aconselho aqueles que estão curiosos para ler Lovecraft, começar por algumas histórias mais curtas e simples.

 

Mas, voltando a Cthulhu, este é um texto excelente, que faz o leitor mergulhar em sua trama de mistério, que parece se misturar com outros gêneros, como por exemplo, o de investigação policial, passando por história de antropologia, e por fim, chegando ao horror cósmico, gênero muito presente nas narrativas de Lovecraft.

 

O autor combina todos esses temas com maestria, e faz isso na medida certa, começando por uma trama de assassinato misterioso, até chegar ao ponto principal, que é a trama de horror cósmico, desencadeado pelo surgimento do Grande Cthulhu, que traz o caos e a loucura.

 


A trama de Cthulhu tem muito a ver também com a presença dos Antigos, entidades cósmicas, que, segundo o próprio autor, existem desde o início dos tempos e foram os responsáveis pela criação da vida, mas que agora, querem o seu lugar de direito no universo, e não se importam conosco. Lovecraft viria a explorar mais sobre os Antigos em seus textos posteriores, principalmente em Nas Montanhas da Loucura.

 


Além de explorar a questão dos Antigos, Lovecraft também explora aqui a questão do caos e da loucura, que seriam as consequências da vinda dos próprios Antigos à Terra.

 

Ao longo da narrativa, vamos acompanhando o narrador – algo bem comum nas narrativas de Lovecraft – em sua jornada para descobrir o que de fato aconteceu com seu tio nas ruas de Providence. À primeira vista, parece ter sido uma morte acidental, mas, conforme vamos lendo, acabamos descobrindo que o professor estava investigando detalhes a respeito de um culto à Cthulhu, que age principalmente no estado da Louisiana.

 

O narrador também que um inspetor da polícia estava investigando fenômenos estranhos, como pessoas tendo ataques de loucura em outros lugares do mundo, e tudo pode estar relacionado à uma estátua de argila que ele confiscou de um culto que testemunhou.

 

Além de uma trama de culto, e de horror cósmico, também temos uma trama de monstro marinho, visto que Cthulhu é uma entidade que vive em uma cidade misteriosa que foi varrida da Terra pelas ondas do mar e agora se encontra nas profundezas. Lovecraft nos conta que a cidade foi varrida para as profundezas, e que Cthulhu aguarda seu momento de despertar, e quando isso acontece, é o grande momento do conto, porque finalmente, podemos quem é o Grande Cthulhu, e quais são suas habilidades.

 

Eu também enxerguei um toque de trama de conspiração, porque o narrador fica intrigado e começa a suspeitar que seu tio foi na verdade, assassinado, porque sabia demais sobre o culto, e no fim, ele próprio acaba temendo por sua vida, pois acredita que os servos de Cthulhu virão busca-lo.

 

Eu já li esse conto algumas vezes, e sempre me impressionei, e, na última leitura, não foi diferente. É um conto muito bem escrito, sem dúvida.

 

Enfim, O Chamado de Cthulhu é um conto excelente. Uma narrativa intrigante, que chama a atenção do leitor aos poucos, e o convida a mergulhar em sua trama de conspiração, aliada ao terror cósmico característico de H.P. Lovecraft. Uma trama onde o mistério vai sendo apresentado lentamente, até chegar ao grande ápice. Lovecraft faz o leitor acompanhar o narrador ao longo de sua investigação, e o faz de forma brilhante, com os elementos aparecendo devagar, até não haver mais caminho de volta. Um conto excepcional, muito bem escrito, que mostra toda a capacidade de autor de H.P. Lovecraft. Altamente recomendado.


H.P. LOVECRAFT.


quinta-feira, 9 de maio de 2024

DAGON (H.P. Lovecraft).

 

NOTA: 9.5


DAGON é um dos contos mais conhecidos de H.P. Lovecraft.

 

Escrito e publicado no início de carreira do autor, já apresenta uma característica que se tornaria comum em sua bibliografia: a presença de criaturas marinhas ancestrais.

 

É um conto rápido, cuja leitura flui com naturalidade, e não cansa.

 

As descrições que Lovecraft faz do ambiente onde o protagonista está inserido – uma ilha inabitada – são o ponto alto da narrativa, porque fazem com que o leitor mergulhe naquele ambiente sinistro; além disso, a descrição do obelisco que o protagonista encontra na ilha também é muito boa, e fácil de visualizar.

 

Essa é uma das grandes características da obra de Lovecraft; a descrição do ambiente – ou personagem – fica bem melhor no papel, porque, assim, nós podemos dar a imagem que quisermos. Claro, às vezes isso não funciona muito, como foi no caso da leitura de A Sombra Vinda do Tempo, mas, por exemplo, em Cthulhu, isso não atrapalha; e aqui não atrapalhou também, principalmente no final.

 

O fato é que Lovecraft era um escritor de mão cheia, e sabia muito bem apresentar o terror quando achava necessário, utilizando técnicas impares, e aqui não é diferente.

 

O autor passa boa parte da narrativa preparando o terreno, descrevendo o dia-a-dia do protagonista na ilha inabitada, sua rotina pelo local, até que finalmente, ele encontra o obelisco ancestral, e se vê frente à frente com uma criatura tão antiga quanto o próprio homem.

 

Além disso, Lovecraft faz uso de Mitologia, uma vez que seu monstro é inspirado no deus-peixe dos Filisteus. Eu achava que Dagon era uma criação do autor, mas, de acordo com a nota de rodapé presente na edição da DarkSide Books, Dagon faz parte da cultura dos Filisteus. Agora, eu, pessoalmente, quando penso em Dagon, penso nesse conto de Lovecraft.

 

Enfim, Dagon é um conto excelente. Uma narrativa rápida, mas brilhante, escrita com o toque ímpar de Lovecraft, apresentando algumas características que se tornariam clássicas em sua obra. Um conto muito bem escrito, inspirado em Mitologia, além de servir como uma espécie de precursor de seu trabalho mais famoso. Um conto excelente.


H.P. LOVECRAFT

 

terça-feira, 14 de novembro de 2023

FRANKENSTEIN (Mary Shelley).

 

NOTA: 9



Desde sua publicação, no século XIX, Frankenstein, de Mary Shelley, tornou-se um clássico da literatura e um dos maiores expoentes da literatura de horror e ficção cientifica. E como todo sucesso literário, ganhou diversas adaptações para diversas mídias, principalmente para o cinema.

 

Mas hoje não vou falar sobre as adaptações, e sim, sobre o livro que deu origem a todas elas: FRANKENSTEIN, também conhecido pelo subtítulo O Prometeu Moderno.

 

De inicio, vou logo avisando. Se você espera encontrar algo semelhante ao que a Universal fez em 1931, com o Clássico de James Whale, esqueça, porque aqui temos algo completamente diferente, no que se refere à criação do Monstro, mas vamos por partes.

 

Primeiro, devo dizer que este é um livro escrito em primeira pessoa, nesse caso, pelo próprio Victor Frankenstein, que decide contar sua história a um homem que conheceu em um navio.

 

Primeiramente, Frankenstein nos conta como foi sua vida em Genebra, desde seu nascimento até a entrada para a Universidade. Tanto a autora como o personagem contam tudo nos mínimos detalhes, não deixando escapar os pontos principais, entre eles, como Victor conheceu sua prima Elizabeth e seu amigo Henry.

 

Em seguida, somos apresentados à vida universitária do protagonista, quando ingressou na Universidade de Ingolstadt, uma das mais prestigiadas da Alemanha, onde conhece dois professores, e fica amigo de um deles, do Professor Waldman. E justamente nessa parte, temos o relato do narrador a respeito de suas pesquisas a respeito da vida e da morte, e o momento em que resolve dar vida à sua maior criação.

 

Esse trecho em particular é narrado em um único parágrafo, onde a autora nos conta como o personagem deu vida à sua criação, mesmo que seja de maneira realmente vaga. Como eu disse no início, não espere encontrar um laboratório com aparelhos movidos a raios e tempestades, porque o que a autora faz é um mistério, mesmo. Ela descreve como a criatura ganha vida, todo o processo até os primeiros movimentos da mesma, mas não diz em momento nenhum como ele fez isso.

 

Nos próximos capítulos, a autora nos conta como Frankenstein sobreviveu à criação de seu monstro, logo após abandoná-lo. Ela descreve as dificuldades e os problemas de saúde do protagonista, visto que ele passou anos envolvido em seu projeto. No entanto, as coisas melhoram – até certo ponto – quando Henry o visita com cartas de seus familiares, obrigando-o a voltar para casa. No entanto, as coisas não são nada animadoras, porque Frankenstein recebe uma noticia devastadora, que culmina em um julgamento e condenação de uma mulher inocente.

 

Mais adiante, Frankenstein chega a encontrar o Monstro, mas as consequências são devastadoras. Não entrarei em mais detalhes para não dar spoilers.

 

Deixe-me falar a respeito do livro.

 

A escrita da autora é muito boa, apelando para o texto em primeira pessoa, narrada pelo protagonista ao marinheiro Walton. Apesar de ter adotado essa técnica de escrita, eu às vezes gostaria que o livro fosse escrito em terceira pessoa, principalmente por causa de acontecimentos importantes da trama.

 

Muitas pessoas consideram Frankenstein um livro de horror, e não deixa de ser, mas eu também vejo como uma historia dramática, visto que os acontecimentos navegam mais para o drama do que para o terror, como foi mostrado nas adaptações. A história é dramática porque somos apresentados a fatos verdadeiramente dramáticos, principalmente quando envolvem o protagonista e também quando são narrados pela Criatura.

 

E como é narrado em primeira pessoa, o livro é focado totalmente no personagem principal; na verdade, o livro é focado em dois personagens, basicamente: o protagonista, e a Criatura, visto que eles são os principais narradores, e contam eventos importantes.

 

Acima de tudo, o livro é sobre arrependimento e angustia, simplesmente porque Frankenstein se arrepende amargamente de ter criado seu monstro, desde que o vê abrindo os olhos pela primeira vez; a partir daí a autora nos conta como o protagonista se sente em relação ao seu experimento, relatando principalmente o medo que ele tem dos atos da Criatura. Eu gostei dessa relação de angustia do personagem, mas ao mesmo tempo, achei alguns diálogos dramáticos demais, mas isso não me fez parar a leitura.

 

Provavelmente, uma questão de faz desse livro um produto de seu tempo, sejam os diálogos, que são muito grandes e até filosóficos. Existem trechos de diálogos que tomam até uma pagina inteira – ou meia pagina, dependendo da edição – e, às vezes atrapalham um pouco a leitura, mas deve ser uma técnica de escrita comum para livros dessa época, principalmente se são narrados em primeira pessoa.

 

Mas como eu disse, nada disso me atrapalhou a leitura, e aconselho você que ainda não leu, que dê uma chance à historia.

 

Deixe-me falar também sobre a criação do Monstro. Ao contrario do que foi mostrado no cinema, aqui temos um certo mistério em volta da criação, porque a autora nunca deixa claro para nós como aconteceu; a única pista são os olhos da Criatura se abrindo e é isso. A descrição também é muito diferente; aqui, o Monstro é apresentado como um ser humano com pedaços de pele faltando em diversas partes do corpo, com a pele amarelada.

 

E também temos aqui um Monstro falante, que exige a criação de uma companheira. Então, mais uma vez, ao contrario do que foi mostrado no cinema – com exceções – o Monstro é muito inteligente e articulado com o protagonista, mas não deixa de ser um assassino.

 

Enfim, Frankenstein é um livro excelente. Uma história dramática com toques de horror e ficção cientifica, contada de forma inteligente, que não atrapalha a leitura, e às vezes, a deixa mais fluída. Os dois personagens principais são o grande destaque da trama, cada um com suas características e drama peculiares. Um verdadeiro clássico da Literatura de horror e um dos maiores livros de todos os tempos.


MARY SHELLEY.

 

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

A SOMBRA VINDA DO TEMPO (H.P. Lovecraft).

 

NOTA: 8.5


O escritor H.P. Lovecraft é um dos maiores autores de horror e ficção cientifica de todos os tempos, graças às suas histórias focadas no chamado horror cósmico, e nos Mitos de Cthulhu, que se tornaram um marco em sua bibliografia.

 

A SOMBRA VINDA DO TEMPO, novela escrita pelo autor e publicada em 1936, parece fazer parte dos Mitos de Cthulhu, mas não tenho certeza porque, de acordo com cada fonte, as historias presentes nesse universo são diferentes.

 

Mesmo não tendo certeza se faz parte dos Mitos, A Sombra faz parte da fase do Terror Cósmico, que se tornou muito famoso na bibliografia do autor. Mas o que é o Terror Cósmico?

 

Bem, eu pessoalmente acho um pouco difícil de definir, visto que existem diversas definições e exemplos visuais, mas ao que parece, o conceito surgiu nas obras de Lovecraft.

 

A história é sobre um professor da Universidade Miskatonic, também presente nas obras do autor, que sofreu um período de anos de amnesia, enquanto sua mente era possuída por criaturas de outra dimensão, conhecidos aqui como a Grande Raça. Parece um resumo bem simples, não? Bem, na verdade é um pouco mais complexo que isso, porque a trama também aborda questões de viagem no tempo e no espaço.

 

Eu pessoalmente gostei bastante dessa historia, pois tenho curiosidade de saber sobre o que se trata o Terror Cósmico de Lovecraft, e com essa leitura, tive uma amostra.

 

O texto do autor – descrito em primeira pessoa, como de costume – é muito bem escrito, e Lovecraft faz uso de descrições detalhadas para dar vida às suas criaturas e ambientes, principalmente os membros da Grande Raça, aqui descritos como uma espécie de vida capaz de viajar no tempo e espaço através da possessão de corpos.

 

Mas não estamos falando de possessão no sentido normal da palavra, visto que as criaturas se apossam do corpo e da mente do protagonista, e o fazem sofrer de amnesia e ter visões horríveis, durante muito tempo, o que culmina no fim do seu casamento e da relação com dois de seus três filhos.

 

Mas vamos falar das criaturas e do lugar de onde elas vêm. Novamente, tudo está na descrição de Lovecraft, principalmente das criaturas, que foge completamente do padrão. O autor os descreve como seres alienígenas em forma de cone, com tentáculos e tenazes e três olhos. Eu já havia ouvido falar que as criaturas de Lovecraft são incapazes de serem reproduzidas visualmente, mas aqui confesso que precisei de um pouco de ajuda, pois não tinha certeza de qual seria sua aparência. E pelo que vi, as criaturas são de fato assustadoras.

 

A respeito do lugar de onde vêm, Lovecraft o descreve como um deserto composto por altas torres escuras, além de bibliotecas, remetendo, talvez, à sua fase conhecida como Ciclo dos Sonhos, onde suas tramas eram ambientadas nos desertos da Arábia. Mesmo não tendo lido nenhuma historia dessa fase, foi essa a impressão que eu tive.

 

O personagem principal também é muito bem escrito. Lovecraft o descreve como um professor da renomada Universidade Miskatonic, especializado em Política Econômica. Segundo informações da internet, existem laços autobiográficos no personagem, principalmente no que diz respeito à sua amnesia, que se assemelha ao colapso nervoso que o autor sofreu em sua juventude. Se é verdade ou não, não sei.

 

O fato é que é possível simpatizar com esse personagem, e conforme a leitura avança, vemos que ele é genuinamente preocupado com o que lhe aconteceu, além de ser determinado em encontrar a origem das criaturas que o assombram, algo que acontece durante uma expedição ao deserto da Austrália. Quando li que ele estava retornando de uma expedição, eu rapidamente fiz uma associação com Nas Montanhas da Loucura, a grande obra-prima do autor.

 

Aliás, falando em Nas Montanhas da Loucura, devo destacar que, mais uma vez, Lovecraft cria uma espécie de multiverso, onde todas suas historias estão conectadas. Isso porque temos menção às criaturas de Nas Montanhas; à terrível cidade de Arkham; e ao terrível Necronomicon. Lovecraft já fez isso em outras de suas obras, e é sempre um prazer ler sobre essas ligações e esse multiverso.

 

E no final, Lovecraft entrega algo que parece ter sido de um filme de Indiana Jones, onde o nosso protagonista se aventura pelas ruinas de uma das torres das cidades da Grande Raça, e encontra um livro que pode conter a resposta para tudo. Contudo, as coisas não saem como planejado, e a conclusão da novela é de cair o queixo.

 

Então temos aqui mais um exemplo da maestria de Lovecraft em contar histórias, visto que o autor faz tudo com seu estilo clássico de descrever demais, tanto as coisas quanto as sensações, e confesso que é um pouco cansativo de ser ler, mas, acredito que se você fizer um esforço, pode acabar gostando, como foi o meu caso.

 

Enfim, A Sombra Vinda do Tempo é uma história muito boa. Uma trama de ficção cientifica, misturada com horror cósmico, contada com a maestria singular de H.P. Lovecraft, do jeito que somente o autor sabia fazer. Em suas paginas, o autor leva tanto o protagonista quanto o leitor, a um mundo cósmico, habitado por criaturas de outra dimensão e com isso, ficamos imersos na leitura, tentando descobrir se o que aconteceu foi real ou não. Uma ótima novela, e um dos melhores textos de Lovecraft. Altamente recomendado. 


H.P. LOVECRAFT


sexta-feira, 15 de março de 2019

HERBERT WEST REANIMATOR (H.P. Lovecraft).


NOTA: 10


HERBERT WEST REANIMATOR
A leitura de HERBERT WEST REANIMATOR foi uma experiência surreal, no mínimo.

O texto de Lovecraft é fascinante. Um conto de horror e sangue, apavorante, com diversos momentos chocantes, de tensão e medo.

A historia de Herbert West é a melhor que eu já li até agora. O motivo da leitura foi principalmente uma homenagem a Lovecraft, que fez aniversario em agosto. Inicialmente, minha intenção era ler O Chamado de Cthulhu ou Dagon, que também são seus textos mais famosos. Porém, como eu ainda não havia lido Reanimator, acabei optando por ele. E vejo que não me arrependi. Desde a primeira linha, Lovecraft deixa claro que algo de muito sinistro aconteceu ao personagem-título, conforme narrado – em primeira pessoa – por seu colega de faculdade e profissão.

Basicamente, todos os seis capítulos do conto nos dizem que é o Dr. West, e qual seu objetivo – no caso, a reanimação de cadáveres frescos com o auxilio de um soro que ele mesmo desenvolveu. Talvez para os mais exigentes, essa repetição seja maçante, mas para mim não foi, uma vez que optei por ler um capítulo por dia – mais detalhes adiante.

Talvez a única coisa que eu sabia a respeito do texto é que seus capítulos são concluídos de forma chocante e violenta, fato esse que comprovei durante a leitura. Porem, o que mais me chocou não foi a violência, e sim, a forma com que Lovecraft se refere a uma das “cobaias” de Herbert West. Talvez não seja surpresa para ninguém que o autor era racista, antissemita e xenofóbico, e aqui ele faz uso de suas opiniões da forma mais sincera e, honestamente, assustadora possível. Em relação a isso, o autor já foi alvo de algumas polemicas, mas, temos que levar em consideração que ele era produto de outra época...

Em relação à leitura, conforme mencionei acima, optei por ler um capitulo por dia. Não sei como aqueles que já leram essa historia o fizeram, mas, devo dizer que esse método foi o melhor para mim, porque assim, eu descobriria o que West fez no dia seguinte, o que aumentou ainda mais o suspense, na minha opinião.

E sobre o final, não vou entregar spoilers, mas, digo o seguinte: Lovecraft guardou o melhor para o final, sem duvida, e deu ao conto uma conclusão de cair o queijo e talvez, embrulhar o estomago.

Em 1985, o conto ganhou uma excelente adaptação para o cinema, Re-Animator: A Hora dos Mortos-Vivos, dirigida por Stuart Gordon e estrelada por Jeffrey Combs no papel de Herbert West. Não há duvidas de que o ator ficou perfeito no papel, mas, lendo o conto original, fica mais fácil de entender o porquê.

Enfim, ler Herbert West Reanimator foi uma experiência surreal, no mínimo. É um conto fascinante, uma visceral história de horror e um Clássico de H.P. Lovecraft, o homem que definiu o terror moderno.

Maravilhoso!




AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.