Mostrando postagens com marcador CEMITÉRIOS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CEMITÉRIOS. Mostrar todas as postagens

sábado, 17 de fevereiro de 2024

A FILHA DE SATÃ (1962). Dir.: Sidney Hayers.

 

NOTA: 8.5


Eu não assisti a muitos filmes de bruxaria, mas digo que A FILHA DE SATÃ é um dos melhores, e um dos meus filmes de terror favoritos.

 

Lançado em 1962, e distribuído nos Estados Unidos pela lendária American International Pictures, este é um filme com uma atmosfera sinistra que se predomina desde o começo e vai até o final, construída com uma grande maestria.

 

Desde a primeira vez que assisti a esse filme, fui tomado por uma sensação de nostalgia – mesmo não tendo vivido naquela época – e uma conexão com os filmes de horror produzidos na Inglaterra naquela época, principalmente aqueles produzidos pela lendária Hammer.

 

Em vários momentos, o filme lembra as produções contemporâneas da Hammer, principalmente por causa da atmosfera e da ambientação britânica.

 

Mas não é apenas a ambientação que torna esse um dos meus filmes de terror favoritos; o roteiro, escrito por Richard Matheson e Charles Beaumont, a partir de um conto de Fritz Leiber, é muito bom e aposta pouco a pouco na questão da bruxaria, deixando no inicio, um clima de mistério, principalmente a respeito da relação entre o casal de protagonistas e os personagens secundários, que os tratam de maneira diferente. No entanto, após descobrirmos que Tansy, esposa do professor Norman Taylor, é uma bruxa, o roteiro aposta a fundo no tema da bruxaria, com direito a feitiços e objetos sagrados.

 

Após revelar que Tansy é uma bruxa, o roteiro nos mostra o quão perigosa a vida do casal se torna, principalmente a vida de Norman, a começar pela falsa acusação de assedio por uma garota que o admirava nas salas de aula; em seguida, o namorado da garota o ameaça com um revolver. Eu gosto muito dessa primeira ameaça à vida de Norman porque remete a um filme de suspense passional.

 

Outra coisa muito boa que o roteiro faz é deixar em aberto até perto do final se o que está acontecendo ao casal é fruto de bruxaria ou não, e faz isso muito bem, porque deixa essa duvida no ar, até chegar ao final, quando a verdadeira vilã é revelada – não direi quem é para não dar spoilers.

 

Além do roteiro, a direção de Sidney Hayers é muito boa, e o cineasta arranca ótimas performances de seus atores, mesmo aqueles que interpretam papeis secundários. De todos os atores, o casal protagonista está muito bem aqui, principalmente o ator Peter Wyngarde, que interpreta o cético professor Norman. O ator convence muito bem, passando o ceticismo com naturalidade. Este é um dos melhores personagens do cinema de horror na minha opinião.

 

No seu país da origem, foi lançado com o título Night of the Eagle, que remete ao final do filme, quando a vilã faz uma bruxaria para atacar o protagonista e faz uma estatua de uma águia ganhar vida. Alias, as estatuas de águias são elementos importantes na narrativa, presentes desde a primeira cena, dando uma espécie de pressagio do que vai acontecer ao longo do filme.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Obras-Primas do Terror 4, em versão restaurada.

 

Enfim, A Filha de Satã é um filme muito bom. Uma historia de bruxaria contada com maestria, aliada a um elenco inspirado. A ambientação inglesa também contribui para deixar o filme ainda melhor a cada revisão, além de deixar o longa mais nostálgico. Um dos melhores filmes de bruxaria de todos os tempos.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


segunda-feira, 7 de agosto de 2023

A CRIPTA DOS SONHOS (1973). Dir.: Roy Ward Baker.

 

NOTA: 8.5


Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

Em 1973, o estúdio lançou A CRIPTA DOS SONHOS, dirigida por Roy Ward Baker, com roteiro baseado em histórias publicadas nos quadrinhos da EC Comics.

 

Eu vou dizer logo de cara que esta é uma das que eu mais gosto, e sempre divirto com ela toda vez que assisto, e isso se deve principalmente aos segmentos apresentados aqui. Ao todo, são cinco histórias curtas, contadas por cada um dos personagens que entraram em um elevador e se depararam com uma espécie de clube no subsolo do prédio.

 

Midnight Mess: Um homem contrata um investigador para encontrar sua irmã, e após saber de seu paradeiro, mata o detetive e pega seu dinheiro. Ao chegar no vilarejo onde a irmã está morando, ele acaba descobrindo algo terrível sobre o lugar quando a noite cai.

 

The Neat Job: Um homem com mania de limpeza e organização se casa e tenta fazer sua esposa se adaptar à nova vida e às suas regras. No entanto, um dia, enquanto o marido está fora, a mulher acaba provocando uma confusão na casa e é surpreendida por ele.

 

This Trick’ll Kill You: Um casal de mágicos está de viagem na Índia e se depara com os truques de um faquir. Rapidamente, o homem revela os segredos por trás dos truques do faquir, humilhando-o. Dias depois, o mesmo homem se depara com um novo truque e decide mostra-lo a sua esposa, não imaginando as consequências.

 

Bargain in Death: Um homem decide se fingir de morto para obter o dinheiro do seguro, e para isso, pede ajuda a um amigo. O mesmo homem é enterrado no cemitério e aguarda o amigo, mas não imagina que dois estudantes de Medicina decidem utilizar seu corpo a fim de passar nas provas.

 

Drawn and Quartered: Um artista descobre que foi enganado por críticos e decide se vingar utilizando os poderes do vodu. Ao retornar à Londres, ele começa a pôr seu plano em pratica, mas não dá conta das consequências que o vodu trará para si mesmo.

 

E temos aqui mais uma antologia básica, com começo, meio e fim, e interlúdios.

 

O filme foi dirigido por Roy Ward Baker, um nome conhecido no horror inglês, tendo participado de produções voltadas ao gênero tanto na Amicus quanto na Hammer, “rival” desta primeira.

 

Devo dizer que Baker fez um bom trabalho aqui, principalmente em se tratando dos segmentos. Cada um é diferente à sua maneira, e parece que o diretor empregou diferentes estilos ao dirigi-las, algo que se tornaria comum nas antologias posteriores, principalmente aqueles dirigidas por mais de uma pessoa.

 

A Cripta é mais uma das sete antologias produzidas pela Amicus, entre os anos de 1965 e 1974, e meio que se tornaram a marca registrada do estúdio, além do fato de produzirem filmes principalmente contemporâneos – poucos são os filmes produzidos por eles que não são. O que todas essas antologias têm em comum é o fato de possuírem de quatro a cinco segmentos, serem dirigidos pela mesma pessoa, e possuírem um elenco em sua maioria estelar.

 

Aqui temos a presença de alguns nomes reconhecíveis, sem apelar para grandes astros, como Peter Cushing, Joan Collins, Christopher Lee, ou Ingrid Pitt, que trabalharam em produções anteriores do estúdio. No time de coadjuvantes, temos o ator Denholm Elliott, que participou de A Casa que Pingava Sangue (1971), e da trilogia Indiana Jones. E temos também um ou dois nomes reconhecíveis do cinema inglês fazendo pequenas participações.

 

Além de contar com nomes reconhecidos no elenco, boa parte dessas antologias contavam com histórias inspiradas nos quadrinhos da EC Comics, as séries Tales from the Crypt e Vault of Horror. Sempre que eu assisto à esta ou à outra antologia cujas bases são essas series, eu sempre penso como elas deviam ser contadas nos quadrinhos, visto que é uma mídia diferente, com suas próprias regras e limitações.

 

Vale lembrar também que este é um filme que era produto de sua época, e isso pode ser exemplificado pelo terceiro segmento, cujo cenário é a Índia e, com exceção do ator que interpretou o faquir, não temos quase nenhum ator indiano no elenco, algo que não seria visto com bons olhos hoje em dia.

 

Como toda antologia, temos aqui também aquelas histórias que não são tão boas, algo comum no gênero. Eu pessoalmente não gosto muito do segundo segmento, porque, mesmo apresentando um caso sério de um personagem com manias, eu sempre acho que a conclusão acaba levando para o exagero, visto que a esposa do protagonista destrói toda a casa porque tem medo do que ele pode fazer quando descobrir que ela sujou uma cômoda. Não sei se isso de fato acontece na vida real, mas eu tenho a impressão que é um pouco de exagero. O quarto segmento também é um pouco fraquinho, visto que puxa mais para o humor negro do que para o terror. O meu favorito é o primeiro segmento; e gosto também dos demais.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema na coleção Amicus Productions, em versão remasterizada sem cortes.

 

Enfim, A Cripta dos Sonhos é uma das melhores antologias da Amicus Productions. Um filme arrepiante, com clima de nostalgia. Cada uma das histórias é macabra por si mesma, o que o torna ainda melhor a cada revisão. Os mais diversos assuntos relacionados ao terror, abordados de forma simples, mas eficiente, aliados a atuações convincentes e uma direção e roteiro experientes. Sem dúvida, um dos melhores exemplos do cinema britânico de horror, e uma das melhores antologias do cinema. Macabro. Divertido. Arrepiante.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

NÃO SE DEVE PROFANAR O SONO DOS MORTOS (1974). Dir.: Jorge Grau.

 

NOTA: 9.5



Em 1968, o diretor George A. Romero lançou o seu A Noite dos Mortos-Vivos, que rapidamente se tornou um clássico do gênero de terror e do cinema de zumbis, estabelecendo todas as regras que são utilizadas desde então.

 

Mas hoje não estou aqui para falar do clássico de Romero, e sim, de NÃO SE DEVE PROFANAR O SONO DOS MORTOS, lançado em 1974, e dirigido por Jorge Grau, um dos melhores filmes de zumbi de todos os tempos.

 

Mas o que faz deste um dos melhores filmes de zumbi de todos os tempos? Bem, conforme já mencionei em outras resenhas, a resposta é simples: o filme como um todo.

 

Ao contrário do que estamos acostumados, aqui temos também um exemplo de filme que vai acontecendo aos poucos, como era costume na época, porque realmente as coisas vão acontecendo calmamente, e o principal foco da trama, os zumbis, não aparecem o tempo todo.

 

Então, temos aqui uma história focada nos personagens humanos, no caso, o trio de protagonistas, George; Edna; e o Sargento de polícia. Claro, temos outros personagens, mas o roteiro foca principalmente nos três e nas suas interações, mais detalhes adiante.

 

Na minha opinião, além do roteiro, das atuações, direção e efeitos especiais, o que torna esse filme atraente são os cenários. O longa foi rodado na Inglaterra, Espanha e Itália, e as locações britânicas são maravilhosas, convidativas. O diretor Jorge Grau soube aproveitar os cenários ao máximo, dando destaque para a pequena vila, o hospital e o cemitério, onde acontece a melhor sequência do filme.

 

Além das locações, temos também os efeitos especiais, conforme mencionado acima. Eles foram criados pelo mestre Giannetto de Rossi, um especialista em efeitos sangrentos do cinema de horror italiano, responsável por grandes obras. De Rossi fez grandes coisas aqui, criando absolutamente tudo, desde perfurações, machadadas e órgãos estripados. Difícil dizer qual o melhor, porque todos são maravilhosos.

 

O diretor Jorge Grau também merece menção. Sua direção é competente e segura, e não apela para truques falsos. O diretor conseguiu arrancar grandes coisas com sua câmera, principalmente nas cenas de horror, novamente, sem apelar para truques fajutos.

 

E finalmente, os três atores principais também não fazem feio, com atuações nada exageradas ou caricatas, principalmente nas cenas em que precisam esboçar medo.

 

Bem, já mencionei os quesitos técnicos, agora vou falar sobre os zumbis. Eles são a melhor coisa do filme, e conseguem assustar sem fazer nenhum esforço. Ao contrário dos zumbis apresentados nos filmes posteriores, aqui não temos zumbis putrefatos e caindo aos pedaços; longe disso. Os zumbis aqui estão intactos, mas nem por isso deixam de ser assustadores e sanguinários. E parece que ficam melhores a cada cena, principalmente na cena do cemitério, o auge do filme, na minha opinião. Segundo o diretor Grau, ele pesquisou em livros da polícia como ficam as pessoas depois de mortas, além de usar outras fontes para compor seus mortos-vivos, e o resultado é surpreendente. Me arrisco a dizer que os zumbis de Grau são muito parecidos com os zumbis de Romero.

 

Conforme também mencionei, o filme é carregado de sequências memoráveis, e a melhor delas é a do cemitério, onde o gore corre solto. Assim como todo o filme, a sequência começa contida, mas aos poucos, o terror vai acontecendo, e quando acontece, fica impossível respirar, porque é uma sequência carregada de tensão, principalmente porque os personagens estão encurralados, a mercê dos mortos-vivos. E claro, temos um momento de gore, com um personagem secundário que acaba morto pelos zumbis e despedaçado por eles.

 

Outra sequência que também merece menção é a do hospital, no final do filme. Assim como a do cemitério, aqui temos também uma sequência tensa e carregada no gore, e os efeitos de Giannetto de Rossi são os melhores aqui, conforme já mencionei.

 

Antes de encerrar, vou mencionar os personagens. O casal de protagonistas é simples, e não fazem feio, principalmente quando estão encurralados pelos zumbis. No entanto, o personagem do Sargento é extremamente o oposto deles, absolutamente autoritário, que não respeita ninguém e está disposto a tudo para provar que está certo.

 

Aliás, tenho que mencionar outra coisa. O roteiro é sagaz em promover desencontros entre o Sargento e os eventos envolvendo os zumbis, e a cada revisão, parece que ele vai descobrir a verdade, mas não é isso que acontece.

 

Não Se Deve Profanar o Sono dos Mortos chegou a ser lançado em VHS no Brasil com o título picareta de Zumbi 3, por motivos desconhecidos. Em contrapartida, foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Zumbis no Cinema, em versão integral restaurada.

 

Enfim, Não Se Deve Profanar o Sono dos Mortos é um filme excelente. Uma história de zumbis carregada de tensão e gore, aliados a requisitos técnicos dignos de nota, principalmente os efeitos especiais, criados por um mestre na arte. Os cenários ingleses também são o destaque, e tornam o filme mais bonito e convidativo. Um dos melhores filmes de zumbi de todos os tempos. Sangrento. Claustrofóbico. Excelente. Altamente recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo


Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

CONTOS DO ALÉM (1972). Dir.: Freddie Francis.

 

NOTA: 8



Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

Em 1972, o diretor Freddie Francis lançou CONTOS DO ALÉM, adaptação das histórias de horror publicadas pela EC Comics nos anos 50. Pois bem, conforme mencionado acima, esta é mais uma das antologias da Amicus, e mais uma vez, o estúdio conseguiu entregar um ótimo resultado.

 

Como todos os filmes do gênero, o longa é divido em segmentos, aqui apresentados por um monge misterioso dentro de uma cripta, mais ou menos como seria feito na antológica série de TV da HBO.

 

O primeiro deles, ...And All Through the House fala sobre uma mulher que mata seu marido na véspera de Natal a fim de receber o dinheiro de seu seguro de vida. Porém, ela não sabe que um maníaco vestido de Papai Noel está a solta e está rondando a casa.

 

No próximo segmento, Reflection of Death, um homem abandona a família para fugir com sua amante; no entanto, eles sofrem um acidente, e o homem consegue escapar e descobre que sua esposa está casada com outro homem. As coisas tornaram-se ainda mais sinistras quando ele reencontra sua amante, que também sobreviveu ao acidente.

 

Em Poetic Justice, o mais triste de todos, um jovem rico tenta se livrar de seu vizinho idoso, a fim de expandir sua propriedade. Para isso, ele passa a atormentá-lo das maneiras mais cruéis, culminando em um desfecho trágico para o vizinho. Mas, ele não sabe que o mesmo voltará para fazer justiça.

 

No penúltimo, Wish You Were Here, um casal descobre que está a ponto de declarar falência, então a esposa faz três pedidos a uma estátua de Hong Kong, mal sabendo das terríveis consequências.

 

O segmento final, Blind Alleys é sobre um oficial do Exército que consegue emprego como diretor de uma clínica para cegos. No início, ele promete realizar mudanças na instituição, mas os poucos, vai mostrando seu verdadeiro lado ganancioso, o que poderá lhe custar muito caro.

 

Como podem ver, aqui temos uma antologia bem simples, com histórias curtas, com poucos personagens e que vão direto ao ponto; ou seja, uma estrutura típica do gênero.

 

Pois bem, cada uma das histórias tem seu próprio mérito, e conseguem provocar calafrios sem o menor esforço. Na primeira, temos como trilha sonora as musicas clássicas da época do Natal, enquanto a protagonista realiza seus atos maliciosos; na segunda, temos o mistério do homem que nunca mostra o rosto, então somos brindados com cenas em PDV; na terceira, não temos a trilha sonora; na penúltima, a própria figura da estátua é um espetáculo sinistro; e por fim, na última, os próprios personagens contribuem para nos dar calafrios. E o resultado funciona.

 

Eu já mencionei que a Amicus produziu ótimas antologias, e esta aqui é uma delas, no entanto, devo salientar que nem todas as histórias me agradam. Uma delas é a terceira, Poetic Justice, onde o personagem do grande Peter Cushing sofre horrores nas mãos de seu vizinho rico. Tudo que acontece com ele ao longo da história é muito triste, que chega a cortar o coração, e as maldades do rapaz vão aumentando até que o velhinho não aguenta mais... E na última, o cão do personagem também sofre nas mãos dos cegos, assim como eles; mas, pessoalmente, eu fico mais triste com o que acontece com o cachorro. Essas duas histórias não me agradam nem um pouco, e tiram um pouco do prestigio do filme para mim. Em compensação, as outras são muito boas que tiram um pouco do gosto amargo da experiência.

 

Aliás, esse é um dos pontos que servem para diferenciar as antologias do estúdio entre si; basta apenas pensar em uma ou mais de uma historias chaves, e fica fácil não se perder.

 

Bom, o filme foi dirigido por Freddie Francis, um dos grandes nomes do terror britânico, tendo trabalhado tanto na Amicus quanto na Hammer, e aqui ele faz um ótimo trabalho. As atuações também são muito boas, principalmente do grande Peter Cushing, que passa a aura de bom velhinho bom facilidade, e do ator Ralph Richardson, como o Guardião da Cripta; o restante do elenco também está muito bem, mas o meu credito vai para esses dois atores.

 

Contos do Além também apresenta uma boa sacada no penúltimo segmento, que nada mais é do que uma variação do conto A Pata do Macaco, de W.W. Jacobs, visto que o item em questão concede três desejos aos personagens, desejos que também trazem consequências terríveis. O próprio conto é mencionado no segmento, o que contribui para deixa-lo ainda mais legal. Eu já pensei em escrever uma história com essa temática, visto que o conto de Jacobs inspirou tantas variações além desta.

 

Além da citação ao conto de Jacobs, aqui temos também uma das histórias mais conhecidas do universo de Contos da Cripta: a historia do Papel Noel perverso, que acabou fazendo parte da primeira temporada da antológica série de TV da HBO.

 

Pois bem, conforme mencionado aqui, Contos do Além é uma das melhores antologias da Amicus, do tipo que o estúdio sabia fazer.

 

Foi lançado no Brasil em DVD pela Obras-Primas do Cinema na coleção Amicus Productions em versão remasterizada.

 

Enfim, Contos do Além é um ótimo filme. Uma antologia clássica, com seus pequenos segmentos arrepiantes, que também fazem o espectador refletir. Ótimas atuações, aliadas a uma direção afiada, fazem deste um dos melhores exemplares do gênero. Altamente recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema



Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/

domingo, 17 de março de 2019

A TUMBA (H.P. Lovecraft)


Esta resenha corresponde ao texto publicado na primeira e na segunda edição de "Grandes Contos de H.P. Lovecraft", lançado pela Editora Martin Claret. Ambas as edições apresentam o mesmo conteúdo. 


NOTA: 9.5


A TUMBA
Escrito no inicio de carreira de Lovecraft, A TUMBA é talvez um de seus trabalhos mais conhecidos.

Uma historia arrepiante de fantasmas e horror psicológico, repleta de elementos do terror gótico.

A historia é narrada por Jervas Dudley, membro de uma família aristocrática da Nova Inglaterra que acaba descobrindo uma tumba misteriosa. Movido por forças desconhecidas, e, possivelmente, sobrenaturais, Dudley sente um desejo quase incontrolável de adentrar no local e descobrir o que há lá dentro. Dentre suas pesquisas sobre o local, ele descobre que a tumba é do descendente de uma família abastada já inexistente. Porém, a medida que seu desejo de adentrar na tumba aumenta, ele acaba fazendo uma descoberta arrepiante sobre si mesmo e sobre a tumba.

O texto de Lovecraft é ágil, de fácil compreensão, e repleto de elementos associados ao terror gótico. Sua descrição da cripta onde a tumba está localizada é fascinante, e, durante a leitura, eu me imaginei dentro daquele lugar escuro, úmido e assustador. A descrição da tumba do falecido descendente da família abastada é fascinante, e, com certeza, me fez lembrar dos elementos que eu associo ao terror, em especial crânios e ossos humanos.

O restante da historia também é de uma qualidade impar, quase sempre focada no interior da cripta e na obsessão de seu protagonista em descobrir o que há lá; e de certa forma, o leitor também junta-se a ele nessa expedição ao sobrenatural. Falando em sobrenatural, A Tumba pode ser considerada uma historia de fantasmas, mesmo que sem a presença de um. Como já mencionei, a própria ambientação lembra muito o cenário de uma historia de fantasmas, principalmente as historias de casas mal-assombradas.

Em suas poucas páginas, Lovecraft nos conta uma historia arrepiante, cheia de mistério, sensações estranhas e surpresas de cair o queixo.

A Tumba é um conto fascinante, perfeito para uma noite de chuva.


Maravilhoso. Simples. Assustador. Um pequeno clássico de H.P. Lovecraft.


H.P. LOVECRAFT

sexta-feira, 15 de março de 2019

HERBERT WEST REANIMATOR (H.P. Lovecraft).


NOTA: 10


HERBERT WEST REANIMATOR
A leitura de HERBERT WEST REANIMATOR foi uma experiência surreal, no mínimo.

O texto de Lovecraft é fascinante. Um conto de horror e sangue, apavorante, com diversos momentos chocantes, de tensão e medo.

A historia de Herbert West é a melhor que eu já li até agora. O motivo da leitura foi principalmente uma homenagem a Lovecraft, que fez aniversario em agosto. Inicialmente, minha intenção era ler O Chamado de Cthulhu ou Dagon, que também são seus textos mais famosos. Porém, como eu ainda não havia lido Reanimator, acabei optando por ele. E vejo que não me arrependi. Desde a primeira linha, Lovecraft deixa claro que algo de muito sinistro aconteceu ao personagem-título, conforme narrado – em primeira pessoa – por seu colega de faculdade e profissão.

Basicamente, todos os seis capítulos do conto nos dizem que é o Dr. West, e qual seu objetivo – no caso, a reanimação de cadáveres frescos com o auxilio de um soro que ele mesmo desenvolveu. Talvez para os mais exigentes, essa repetição seja maçante, mas para mim não foi, uma vez que optei por ler um capítulo por dia – mais detalhes adiante.

Talvez a única coisa que eu sabia a respeito do texto é que seus capítulos são concluídos de forma chocante e violenta, fato esse que comprovei durante a leitura. Porem, o que mais me chocou não foi a violência, e sim, a forma com que Lovecraft se refere a uma das “cobaias” de Herbert West. Talvez não seja surpresa para ninguém que o autor era racista, antissemita e xenofóbico, e aqui ele faz uso de suas opiniões da forma mais sincera e, honestamente, assustadora possível. Em relação a isso, o autor já foi alvo de algumas polemicas, mas, temos que levar em consideração que ele era produto de outra época...

Em relação à leitura, conforme mencionei acima, optei por ler um capitulo por dia. Não sei como aqueles que já leram essa historia o fizeram, mas, devo dizer que esse método foi o melhor para mim, porque assim, eu descobriria o que West fez no dia seguinte, o que aumentou ainda mais o suspense, na minha opinião.

E sobre o final, não vou entregar spoilers, mas, digo o seguinte: Lovecraft guardou o melhor para o final, sem duvida, e deu ao conto uma conclusão de cair o queijo e talvez, embrulhar o estomago.

Em 1985, o conto ganhou uma excelente adaptação para o cinema, Re-Animator: A Hora dos Mortos-Vivos, dirigida por Stuart Gordon e estrelada por Jeffrey Combs no papel de Herbert West. Não há duvidas de que o ator ficou perfeito no papel, mas, lendo o conto original, fica mais fácil de entender o porquê.

Enfim, ler Herbert West Reanimator foi uma experiência surreal, no mínimo. É um conto fascinante, uma visceral história de horror e um Clássico de H.P. Lovecraft, o homem que definiu o terror moderno.

Maravilhoso!




AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.