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terça-feira, 15 de outubro de 2024

A NOITE DOS DEMÔNIOS (1988). Dir.: Kevin S. Tenney.

 

NOTA: 8.5


A NOITE DOS DEMÔNIOS é um dos filmes de terror mais cultuados de todos os tempos.

 

Além disso, é um dos filmes mais arrepiantes e divertidos que eu já vi, mesmo após ter visto as continuações.

 

Na verdade, eu não sei se o filme é de fato cultuado lá fora, mas acredito que a sua vilã principal, a adolescente Angela, seja uma das figuras mais conhecidas do gênero.

 

Este é um grande filme com temáticas de Halloween e possessão demoníaca, e os aborda de maneira bem sincera, e principalmente, faz questão de ser arrepiante.

 

O longa é também parte daqueles filmes de terror dos anos 80 que possuem um roteiro bem criativo, aliado a uma técnica de direção afiada, que foca em detalhes importantes da narrativa.

 

Na trama, a adolescente Angela promove uma festa de Halloween numa casa funerária abandonada. Durante a festa, ela propõe uma brincadeira com um espelho da casa, e, após o espelho cair acidentalmente, um demônio é libertado e todos passam a ser possuídos.

 

É uma trama básica de possessão demoníaca, não? Somando isso o fato do filme se passar no Halloween, deixa-o ainda melhor e mais sinistro.

 

A Noite dos Demônios é um filme muito criativo, a começar pela técnica de direção de Kevin Tenney, que faz uso de câmeras que simulam o ponto de vista da entidade, a lá Uma Noite Alucinante, além de truques impecáveis de maquiagem, e uma trilha sonora inspirada.

 

O elenco de jovens também está afiado, principalmente a atriz Amelia Kinkade, que interpreta a icônica Angela, com seu vestido de noiva negro e brincos de cruzes. Ao lado de Amelia, Linnea Quigley também brilha, com sua divertida Suzanne, que está sempre preocupada com a maquiagem. Quem também funciona é Cathy Podewell, no papel da heroína Judy, que pode ser considerada uma final-girl.

 

Mas não se engane. A maquiagem é o grande destaque, e os efeitos funcionam muito bem. O maquiador Steve Johnson criou grandes coisas, e a aparência dos demônios é muito boa e não exagerada, o que é de bom tamanho. Eu diria que o visual de Angela é o melhor, com seus dentes afiados e voz grossa, combinado com o figurino negro. A personagem retornaria nas continuações com o mesmo visual.

 

É possível perceber que os demônios aqui têm as suas próprias regras, e elas funcionam muito bem. A possessão acontece após um contato imediato, e afeta também aqueles que morrem nas mãos dos demônios.

 

O design de produção também merece destaque, principalmente a casa funerária abandonada. O lugar é aquilo que se pode esperar de um filme de terror, com as janelas cobertas por tábuas, corredores escuros e luminosidade muito limitada. E quando os personagens tentam fugir dos demônios, a casa parece se transformar em um labirinto, o que deixa as cenas de terror ainda mais angustiantes.

 

No entanto, apesar do roteiro esperto, que dá foco a pequenos detalhes, como o fato dos brincos de Angela se inverterem após ela ser possuída, existe uma questão que, ao meu ver, não foi bem explorada: a presença de água corrente abaixo da casa, o que impede os demônios de cruzar o local. Apesar de ser mencionado no começo, esse fato não retorna no final.

 

Mas, apesar desse pequeno detalhe, a Noite dos Demônios é muito divertido. Nos anos 90, recebeu duas continuações direto para vídeo, ambos que marcam o retorno de Amelia Kinkade no papel de Angela.

 

Foi lançado em DVD no Brasil na coleção Sessão de Terror Anos 80 – Vol.4, da Obras-Primas do Cinema, em versão remasterizada, com uma entrevista de Amelia Kinkade nos extras.

 

Enfim, A Noite dos Demônios é um filme muito bom. Uma história de Halloween e possessão demoníaca contada com uma grande técnica de direção, e grandes efeitos de maquiagem. Um filme muito divertido, que consegue ser assustador em determinados momentos, graças à câmera do diretor Kevin Tenney. Um dos filmes mais divertidos dos anos 80.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.


sexta-feira, 21 de junho de 2024

PAGUE PARA ENTRAR, REZE PARA SAIR (1981). Dir.: Tobe Hooper.

 

NOTA: 8.5


PAGUE PARA ENTRAR, REZE PARA SAIR é um interessante exemplar do gênero slasher.

 

Lançado em 1981, e dirigido por Tobe Hooper, é um dos filmes considerados menores do cineasta, mas, não deixa de ser um dos melhores.

 

Além de ser um dos melhores filmes do diretor, é também um exemplar curioso do gênero Slasher, visto que apresenta as características que estavam presentes no gênero naquela época.

 

Este é um dos filmes mais criativos dirigidos por Hooper, graças às técnicas empregadas pelo cineasta, principalmente no que diz respeito à câmera do diretor, que realiza movimentos incríveis.

 

O roteiro apresenta uma trama bem simples, de parque de diversões maldito, onde um assassino se esconde. A protagonista Amy e seus amigos decidem passar a noite nesse mesmo parque, e acabam testemunhando um assassinato, e precisam fugir do assassino.

 

Parece ser uma trama bem simples, não? Na verdade, até é, mas existe uma diferença aqui. Ao invés de um assassino convencional, temos um assassino literalmente monstruoso, com um rosto deformado, que mata suas vítimas com requintes de crueldade.

 

É uma trama simples, não é? Sim, é bem simples. As diferenças são a ambientação – que foge do padrão tradicional dos Slashers – e o próprio assassino. Os personagens são os típicos de um filme Slasher, com seus estereótipos característicos, como o valentão, o figura cômica e a garota virginal.

 

No entanto, há uma diferença aqui. Amy, a protagonista, até se encaixa no perfil da garota virginal – a final girl –, mas, em determinados momentos, ela é vista fumando maconha, e se pegando com o namorado. Mas, apesar dessas diferenças, Amy ainda se encaixa no perfil característico da final girl, também presente no subgênero.

 

Conforme mencionado acima, um dos fatores que diferem este de outros Slashers, é a ambientação, no caso, um parque de diversões itinerante. Eu digo isso, porque, no gênero, era comum os filmes se passarem em fraternidades ou em acampamentos, então, ao meu ver, a mudança de ares, é um dos pontos positivos do filme.

 

O parque é aquele típico parque de diversões que percorre o país, com seus brinquedos característicos, e personagens estranhos. Mas não se engane; o design de produção é muito bem feito, considerando que o filme foi rodado em locações e em estúdios na Flórida. O lugar é muito bem iluminado, e tem as atrações clássicas, como o show de mágica, a roda-gigante, a montanha-russa, e o show de aberrações, além de outras atrações.

 

No entanto, nenhuma das atrações supera o trem-fantasma, que entra na tal Funhouse do título original. O local é repleto de atrações fantasmagóricas e arrepiantes, como um show de bonecos animados, além de aranhas gigantes e esqueletos que saem do chão. Eu nunca estive em um desses, mas, se estivesse, não sei qual seria a minha reação.

 

A câmera de Hooper também é um ponto positivo. O diretor faz uso de planos criativos, colocando-a em lugares específicos para contar sua história. Uma das tomadas mais impressionantes, sem dúvida, é a grua, que acontece quando o parque está prestes a fechar. A câmera começa acompanhando o irmão mais novo da protagonista, e depois, vai subindo, até chegar a um grande plano geral do parque; a própria grua é mais alta que a roda-gigante. Tal sequência meio que se repete no final do filme.

 

Antes de encerrar, deixe-me falar sobre o assassino e as cenas de morte. Como todo exemplar do gênero Slasher, é viável que o filme tenha boas cenas de morte, certo? Mas não é esse o caso aqui. As cenas de morte são bem reduzidas, e quase não temos o gore, que se espera de um filme desse gênero. Já o assassino é outro detalhe. Ao contrário dos assassinos de costume, temos aqui um ser literalmente monstruoso, com rosto deformado e atitudes animalescas.

 

Mas digo que ele é a melhor coisa do filme. O design do monstro foi criado pelo mestre da maquiagem, Rick Baker, o que já é um grande ponto positivo para ele. Mesmo com as limitações, Hooper faz uso de truques criativos para escondê-las, deixando o assassino sempre nas sombras, e poucos closes. É um assassino animalesco, e um dos melhores do gênero.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, na coleção Sessão de Terror Anos 80 Vol.3.

 

Enfim, Pague para Entrar, Reze para Sair, é um filme muito bom. Uma história assustadora com toques de Slasher. A temática de parque de diversão assombrado, combinado a uma direção criativa, fazem deste um dos melhores filmes do diretor Tobe Hooper. O vilão também é um destaque, graças aos efeitos especiais do mestre Rick Baker. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

terça-feira, 4 de junho de 2024

PRÍNCIPE DAS SOMBRAS (1987). Dir.: John Carpenter.

 

NOTA: 9


PRÍNCIPE DAS SOMBRAS é um dos meus filmes favoritos do diretor John Carpenter, porque é um dos filmes do cineasta que eu mais vejo.

 

Na teoria, o longa é um filme de terror, mas na prática, é um filme que contém muitas coisas ao mesmo tempo e muitos temas misturados.

 

O roteiro, escrito pelo próprio diretor – usando pseudônimo –, mistura física com religião e terror cósmico, além de contar com um elenco de muitos personagens.

 

Mas não se engane. Essa confusão tonal faz parte do charme do longa, que é feito com as técnicas milenares do cineasta, que faz aqui, um dos seus melhores filmes.

 

Na trama, o Padre Loomis recruta um professor de Física e seus alunos para investigar estranhos fenômenos que estão acontecendo na cidade de Los Angeles. Durante as investigações, eles descobrem que tais fenômenos estão relacionados a um estranho recipiente guardado no porão de uma velha igreja.

 

Parece uma trama simples, não é? Mas, conforme mencionei acima, o roteiro de Carpenter lida com vários assuntos diversos. O diretor lida com questões de Física e religião de uma forma que eu nunca tinha visto em um filme; ele quase junta os dois, como se fossem uma coisa só.

 

De acordo com o próprio diretor, a ideia veio por causa do interesse que ele tem nessas questões de Física, nas equações, etc., e com isso, criou um filme que merece ser visto com a mente aberta.

 

Eu acho que isso é importante. Assistir ao filme com a mente aberta, e não com o olhar de um Físico, ou Teólogo, porque Carpenter com questões um tanto quanto problemáticas, principalmente em determinado trecho, quando diz quem foi Jesus Cristo, e de onde Ele veio. Com certeza, não é todo mundo que vai engolir a explicação que o roteiro dá.

 

Conforme também mencionei acima, o roteiro contém um elenco bem grande de personagens, e acredito que Carpenter teve que fazer um malabarismo para conseguir colocá-los juntos na narrativa, visto a quantidade de atores ali presentes. Acredito que esse é um detalhe que pode deixar o espectador confuso, até mesmo porque, alguns deles não são mencionados pelo nome.

 

No entanto, apesar do elenco bem grande, temos um protagonista, o Padre Loomis, interpretado por Donald Pleasence, em sua terceira colaboração com Carpenter, que é o fio condutor da trama toda. Ao seu lado, temos outros personagens importantes, que estão presentes desde o começo. O primeiro é o professor Birack, que se mostra um conhecido do padre; temos também os alunos Brian, Catherine e Walter, um dos personagens mais divertidos do filme. Brian e Catherine são o casal de mocinhos, que acabam fazendo parte do time de físicos que são contratados para investigar o estranho cilindro com líquido verde. Eu confesso que tenho meus problemas com Brian, porque ele não me convence em alguns pontos do filme – não sei se é por causa do ator, ou por causa do próprio personagem. Walter é o aluno convencido, de quem ninguém gosta, que fala besteiras nos momentos errados.

 


Outro detalhe que merece ser mencionado é o cenário. O filme inteiro se passa dentro de uma antiga igreja em Los Angeles, e Carpenter soube aproveitar o cenário ao máximo. Sua câmera foca em diversos locais diferentes da igreja, mesmo tendo seu foco no porão, onde o recipiente misterioso está localizado. Aparentemente pequena do lado de fora, a igreja é bem grande do lado de dentro, com vários lances de escadas, e diversos quartos e uma enfermaria. É um cenário bem dinâmico.

 

Os efeitos especiais também merecem menção especial. Temos aqui efeitos de corpos se despedaçando, truques de maquiagem e insetos. A maquiagem do filme é muito boa, além de contar com alguns efeitos de body horror, principalmente quando o receptor do líquido verde é revelado. O corpo e o rosto do personagem em questão fica coberto de feridas e pústulas, dando um aspecto até que nojento, diga-se de passagem.



O efeito do líquido verde também é digno de nota. Ao longo do filme, ele aparenta estar rodando dentro do cilindro, e o efeito não se perde nem mesmo quando o recipiente é filmado em planos abertos. Temos também efeitos de gotas e rachadas do líquido caindo de baixo para cima, com truques muito bem feitos.

 

Além da maquiagem e efeitos do líquido, temos também a presença de insetos e minhocas, e são muitos deles, principalmente na cena em que um personagem se desfaz diante dos protagonistas, coberto por milhares de besouros. Temos também minhocas presas na janela e formigas se acumulando no formigueiro. Faço ideia de como esses efeitos foram criados, de tão bem feitos que são.

 

Vale aqui também uma menção ao estranho líquido verde. No primeiro momento, não sabemos exatamente qual sua origem, ou seu significado, mas fica claro que ele é capaz de se infectar diversas pessoas, sendo passado de uma para outra por meio de jatos. Ele permanece um mistério, até que o professor revela ao padre que todas as partículas do mundo possuem um reflexo, então, o padre chega à conclusão que o líquido seja um fluído do próprio Satã, mesmo que isso não fique explícito no roteiro.

 

E por fim, além das questões religiosas e físicas, temos também um pouco de viagem no tempo, visto que os personagens têm um sonho específico, com a entrada da igreja e com uma figura negra misteriosa; a voz presente no sonho informa ao espectador que a mensagem está sendo passada do ano de 1999, ou seja, do futuro. Talvez, tal sonho signifique que o mundo está acabando, e que o Apocalipse chegará no ano de 1999, conforme se acreditava.

 

E antes de encerrar, temos uma participação especial de Alice Cooper, no papel de um líder de um grupo de moradores de rua que são infectados pelo líquido de forma indireta. Mesmo com a pouca presença, o cantor rouba a cena quando aparece, e seu personagem é muito assustador.

 

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, em versão remasterizada em 4k, aprovada pelo diretor de fotografia, com muitos extras.

 

Enfim, Príncipe das Sombras é um filme excelente. Um filme bizarro, que mistura diversos assuntos ao mesmo tempo, além de contar com muitos personagens em seu elenco. Uma trama sobrenatural de mistério e terror cósmico, contada com a maestria característica do diretor John Carpenter. O diretor lida com questões religiosas e de Física de maneira brilhante, e cria uma trama bem elaborada. Um dos melhores filmes do diretor. Altamente recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.


segunda-feira, 27 de maio de 2024

MADHOUSE – A CASA DO TERROR (1974). Dir.: Jim Clark.

 

NOTA: 8.5


Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

Mas hoje, não estou aqui para falar sobre as antologias do estúdio, e sim, sobre MADHOUSE – A CASA DO TERROR, produzido em parceria com a American International Pictures.

 

Este é um dos filmes mais divertidos e criativos do estúdio, apesar de contar com alguns problemas, mas, mais detalhes adiante.

 

Com toda certeza, seu maior atrativo é contar com a presença dos grandes Vincent Price e Peter Cushing no elenco, além do também grande Robert Quarry.

 

Se fosse somente pela presença dos dois astros, o filme já valeria a pena, mas, o longa tem mais atrativos. A começar pela própria trama, que é repleta de criatividade e metalinguagem, além de apostar no suspense digno de Giallo, e situações sinistras.

 

No entanto, apesar da criatividade, a produção deste filme foi bem problemática.

 

Os executivos da American Internation Pictures, aliados com a Amicus Productions, adquiriram os direitos do livro Devilday, do autor Angus Hall, para adaptação. Mas, no decorrer do caminho, alterações foram feitas no roteiro, além de surgirem problemas nas gravações. O resultado foi um fracasso de bilheteria, que culminou no fim das produções de terror da AIP.

 

Na trama, Price interpreta o ator Paul Toombes, famoso no gênero terror pela sua interpretação do Dr. Morte, um sádico assassino. Numa noite de Ano Novo, Paul testemunha a morte de sua noiva e vai parar em uma instituição psiquiátrica, pois acredita que ele mesmo é o culpado. Anos depois, ele viaja a Londres, a fim de estrelar uma série de TV do personagem Dr. Morte; mas, com a sua chegada, mortes misteriosas começam a acontecer.

 

Pela sinopse, é um típico filme de suspense e terror psicológico, onde o protagonista é perturbado por um trauma do passado e coisas misteriosas começam a acontecer ao seu redor, obrigando-o a pensar se ele é o culpado ou não.

 

Eu mesmo já vi alguns filmes com uma trama semelhante, e, falando francamente, se for um filme bem-feito, eu gosto muito. Aqui, felizmente, é um desses casos, porque desde o começo, fica claro que a morte da noiva de Paul foi um gatilho para prejudicar sua mente. Aproveitando-se dessa situação, alguém começa a matar as pessoas próximas a ele, a fim de incriminá-lo. E a identidade do responsável é mantida em segredo até o final, e digo aqui, que é uma surpresa.

 

Eu não sei vocês, mas, sempre que eu vejo esse filme, eu penso que o assassino é outra pessoa, mesmo com as dicas falsas que o roteiro apresenta ao espectador.

 

Além de apostar no clima de mistério digno de Giallo – principalmente por causa dos closes das luvas pretas do assassino –, o roteiro também aposta na metalinguagem, visto que Paul viaja a Londres para participar de uma série de TV. Então, temos aqui, cenas que passam nos estúdios de gravação, além de contar com a presença do diretor e produtores da série. Este é outro tipo de filme que eu gosto de ver, porque me dá uma ideia de como é uma gravação, com o trabalho do diretor e dos produtores.

 

No entanto, apesar de ser bastante criativo, o filme apresenta alguns problemas. O maior deles é a presença dos pais de uma das vítimas do assassino, que passam boa parte do filme chantageando Paul, a fim de extorquir seu dinheiro. Eu não vejo problemas com personagens assim, pelo contrário; o problema é que os dois não são muito bem escritos e não são bem interpretados.

 

Outro problema, acontece na sequência do programa de entrevistas, porque, o assassino está na plateia, mas, a câmera foca em outro personagem deixando e entrando no estúdio após uma pessoa morrer. Eu acho essas duas sequências bem problemáticas, principalmente quando o assassino é revelado.

 

Como é um filme co-produzido pela AIP, Madhouse tem de fato, cara de ser uma produção do estúdio, principalmente por causa das presenças de Vincent Price e Robert Quarry, que atuaram em produções da AIP anteriormente. Aliás, o filme faz uso de imagens de arquivo dos filmes de Price no Ciclo Edgar Allan Poe, de Roger Corman, que se passam por filmes do Dr. Morte, um belo exemplo da picaretagem do estúdio.

 

Antes de encerrar, uma curiosidade bem bacana. Na sequência da festa à fantasia, tanto Robert Quarry, quanto Peter Cushing aparecem vestidos de vampiros; só que Cushing está vestido de Drácula, e Quarry está vestido de Conde Yorga, seu personagem mais famoso na AIP.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, na caixa Amicus Productions, em versão remasterizada, com um documentário como extra.

 

Enfim, Madhouse – A Casa do Terror é um filme muito bom. Uma trama arrepiante, cheia de mistério com uma direção competente. A presença dos astros Vincent Price e Peter Cushing é o grande destaque, e os astros dão um show de atuação, especialmente Price, que transita entre a sanidade e a loucura de maneira ímpar. O roteiro é bem redondo, mas apresenta alguns problemas que chegam a atrapalhar a experiência. Mesmo assim, este é uma das melhores produções da American International Pictures, aqui em parceria com a Amicus. Muito bem recomendado. 


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

sexta-feira, 26 de abril de 2024

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA – O RETORNO (1995). Dir.: Kim Henkel.

 

NOTA: 1


Lembram-se do que eu disse no começo da resenha de A Hora do Pesadelo 6, sobre filmes ruins? Para quem não se lembra, eu disse que filmes ruins não teriam resenha publicada aqui, a menos que façam parte de uma franquia, e que essa franquia esteja disponível no Brasil na íntegra. Pois bem, é o caso aqui.

 

Enfim, chegamos a ele, ao polêmico O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA – O RETORNO, lançado em 1995, com direção e roteiro de Kim Henkel, co-criador do Clássico de Tobe Hooper.

 

O que dizer sobre esse filme?

 

Pois é, esse filme é um dos filmes com nota mais baixa já comentado aqui, porque ele é muito ruim, nem de longe, honra tudo aquilo que foi criado por Hooper, no clássico de 1974; do contrário, aparenta ser uma grande piada em cima de tudo que foi construído naquele primeiro filme.

 

Nada nesse filme condiz com a franquia, e tudo não passa de uma repetição malfeita de tudo que aconteceu nos filmes anteriores – aliás, no primeiro filme – , e além disso, joga uma explicação safada para a família de Leatherface.

 

Já que toquei no assunto, deixe-me dizer que aqui, a família do vilão é muito confusa, e a interação entre eles não faz o menor sentido. É impossível saber quem é o chefe da família, e todos não sabem fazer outra coisa a não ser gritar uns com os outros. O próprio Leatherface é mal explorado, e se transforma em uma caricatura do personagem que conhecemos.

 

Os personagens aqui também não fazem o menor sentido, além de serem bem mal escritos e mal estabelecidos. É possível até entender que existe uma relação entre a protagonista e um deles, mas o outro “casal” não faz sentido nenhum, visto que a garota não gosta do rapaz, mas, quando eles saem juntos para procurar ajuda, eles estão andando juntos. Isso faz algum sentido para você? Porque para mim, não faz.

 

O roteiro é outra bagunça, porque, conforme mencionei acima, ele tenta replicar tudo que foi apresentado antes, mas o faz de forma malfeita, acrescentando situações absurdas, que não provocam medo no espectador, e no final, repetem a famosa cena do jantar.

 

A técnica também merece menção, porque é uma bagunça, principalmente nas cenas da floresta. Por exemplo, em determinado momento, a lanterna dos personagens fica sem energia, e, na teoria, eles deveriam estar perdidos no escuro, mas a cena possui uma boa iluminação. Eu até entendo que em cenas assim, é bom ter uma iluminação reduzida, para criar atmosfera, mas aqui, isso não funciona.

 

Conforme mencionei acima, o roteiro tenta dar uma explicação para a família de Leatherface, e o faz por meio de uma sociedade secreta, que cai de cometa na casa, e não faz nada além de dar uma bronca em todos, mas não explica o motivo. Dizem que os dois homens que surgem do nada fazem parte da seita dos iluminati, mas eu não tentei entender nada da cena.

 

Se o filme tem uma qualidade, é a performance da atriz Renée Zellweger, que é muito carismática, e convence muito no papel da heroína sensível e fragilizada.

 

Infelizmente, o restante do elenco não funciona, principalmente o ator Matthew McConaughey, no papel do vilão Vilmer. Seu personagem é muito exagerado, e não passa sensação nenhuma. O ator também atua de forma exagerada, e não passa nenhuma reação a não ser risadas, ou vergonha.

 

E claro, não posso encerrar essa resenha, sem mencionar o final. Ao contrário do final do Clássico de Tobe Hooper, aqui temos um final ridículo, que copia a conclusão do primeiro filme na última cena, e derrota o vilão de um jeito absurdo, envolvendo um avião aleatório.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, na coleção O Massacre da Serra Elétrica, com os quatro filmes da franquia original, além de contar com duas versões – a Versão de Cinema, e a Versão do Diretor. Atualmente, tal edição está fora de catálogo.

 

Enfim, O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno, é um filme ruim. Uma história que não faz o menor sentido, que tenta ser assustadora, mas falha miseravelmente, além de copiar o primeiro filme sem a menor vergonha. O único ponto positivo é a protagonista, que convence muito bem em sua performance. Um filme que descaracteriza o personagem Leatherface, e o transforma em uma péssima caricatura. Um filme muito ruim.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

sábado, 20 de abril de 2024

LEATHERFACE – O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA III (1990). Dir.: Jeff Burr.

 

NOTA: 6


Em 1990, a franquia O Massacre da Serra Elétrica foi parar nas mãos da New Line Cinema, e o estúdio lançou LEATHERFACE – O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA III, com direção de Jeff Burr, que teve como objetivo dar uma mudança na franquia.

 

E foi aí que os problemas começaram, ao meu ver.

 

O Massacre III é um filme confuso na sua concepção, porque ele não sabe se quer ser um remake, ou um reboot, ou uma continuação do Clássico de Tobe Hooper, e isso já fica evidente já no texto de introdução, onde o narrador nos conta o que aconteceu com Sally Hadersty, a protagonista do filme original, e aparentemente, esquece o que aconteceu no filme anterior.

 

Na minha opinião, isso não ajuda, porque, em certo momento, o filme fica com cara de remake, porque apresenta as mesmas situações vividas pelos personagens do filme de Hooper, em especial na sequência do posto de gasolina.

 

Passada a cena do posto, somos apresentados a uma história diferente, mas, ainda assim, com os seus problemas, conforme mencionado acima.

 

O maior problema disso tudo é a presença de Leatherface, que, como nós sabemos, passou por maus bocados no final de O Massacre 2, e o roteirista aparentemente se esqueceu desse detalhe, ou então, o estúdio encomendou um reboot – ou um remake – mas, o mesmo roteirista apresentou elementos vistos anteriormente na franquia.

 

Então, qual é a desse filme?

 

Mas, apesar do grande problema, eu ainda acho que é um filme bom, visto que ainda consegue divertir e provocar um pouco de medo, principalmente porque temos que levar em conta que essa franquia não envolve nada de sobrenatural, e sim, o terror real.

 

A sequência de perseguição na floresta é a mais tensa do filme, porque nós não sabemos aonde está o assassino, nem quando ele vai atacar, então, ficamos com o coração batendo de medo, enquanto os personagens procuram se salvar do maníaco da motosserra.

 

Os personagens são interessantes também, mas o melhor deles é o personagem Benny, interpretado por Ken Foree, um nome conhecido do gênero. Seu personagem foi um soldado que se tornou especialista em sobrevivência, e faz de tudo para escapar da família canibal, ao mesmo tempo que tenta salvar a protagonista. A melhor cena é o confronto com o personagem do Viggo Mortensen, onde ambos soltam frases absurdas demais, que beiram ao engraçado.

 

A protagonista também funciona, e como de costume, ela passa por maus bocados nas mãos da família, e aqui, ela sofre – não tanto quanto a Sally, mas é quase isso. Ela é aquele típico personagem que muda de arco ao longo do filme – ela começa boazinha, e incapaz de ferir alguém, mas no final, ela sofre uma mudança brusca.

 

O restante do elenco também está bem, principalmente o ator Viggo Mortensen, que interpreta um dos membros da família canibal. Seu Tex consegue ser amistoso quando quer, mas quando se torna ameaçador, ele muda completamente, e se torna um personagem assustador.

 

No entanto, apesar dessas qualidades, o filme tem também os seus problemas. A direção de Jeff Burr não é ruim, mas o resto da técnica é questionável. O principal é a casa da família canibal, que se parece com uma casa comum e tem só um cômodo cheio de ossos velhos; o certo seria o contrário, fazer a casa inteira ser cheia de ossos velhos. A fotografia tem os seus méritos, mas a montagem não se salva, principalmente nas cenas violentas. Aparentemente, o filme foi censurado pela MPAA, então, não temos grandes efeitos aqui, sendo que o maior problema ficou na cena da marreta, que voa em direção ao rosto do personagem, mas acontece um corte antes de vermos o rosto dele ser destruído.

 

Os efeitos especiais ficaram a cabo da KNB Effects, e eles são quase inexistentes, conforme mencionei acima. Acredito que o melhor seja na sequência em que a protagonista tem as duas mãos perfuradas com pregos na cadeira.

 

E claro, no final, temos a mesma sequência de jantar, que funcionou nos dois primeiros filmes, mas, se você levar em conta o que foi escrito aqui, vai achar estranho.

 

Foi lançado em DVD no Brasil na coleção O Massacre da Serra Elétrica, da Obras-Primas do Cinema, com muitos extras.

 

Enfim, O Massacre da Serra Elétrica III é um bom filme, apesar dos seus defeitos. Uma história de horror contada de maneira honesta, com uma direção competente. O maior problema é o roteiro, que não sabe exatamente qual caminho seguir, e acaba repetindo elementos anteriores, e criando momentos que não fazem muito sentindo. Um filme problemático, mas decente.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.


sexta-feira, 12 de abril de 2024

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2 (1986). Dir.: Tobe Hooper.

 

NOTA: 9


Podem me julgar, mas eu gosto muito de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2, lançado em 1986, produzido pela Cannon Group, e novamente dirigido por Tobe Hooper.

 

Eu tenho algumas memorias desse filme, quando assisti a algumas cenas na TV aberta há alguns anos, mas não o filme todo, porque fiquei com muito medo. Eu me lembrava do primeiro homicídio, com Leatherface em cima da caminhonete; e de Stretch no covil da família, com uma máscara de pele.

 

Anos depois, eu tive a oportunidade de assistir ao filme por completo, e gostei muito. Eu acho este aqui tão bom quanto o primeiro, mas, claro que não se compara ao anterior; mas mesmo assim, eu me divirto muito toda vez que assisto.

 

Acredito que o principal motivo para isso seja a direção de Hooper, que soube contar a história com firmeza. Apesar de estar com a credibilidade baixa na época, em virtude da sua parceria com a Cannon, Hooper fez um ótimo trabalho aqui.

 

No geral, O Massacre 2 é um filme bem competente, e não a bomba que muitos ilustram, na minha opinião. É um daqueles casos de uma continuação que não ofende a obra original.

 

Outra coisa que faz deste um filme muito legal, é o roteiro. Ao invés de focar 100% no terror, temos aqui uma obra voltada para o humor negro, com situações absurdas e piadas pesadas. O humor se deve muito em conta por causa de algumas das atuações também e personagens, principalmente, os membros da família de Leatherface, aqui, batizados de Sawyers.

 

Mais uma vez, a interação entre eles é caótica, com todos os membros sendo agredidos verbalmente pelo velho cozinheiro – Drayton – e mais uma vez, descobrimos um pouco mais sobre a dinâmica dos membros da família.

 

Além disso, temos um Leatherface diferente do anterior, um pouco mais dócil e bobo, principalmente quando está ao lado da protagonista Stretch. O vilão gosta da personagem, e rende momentos absurdos, que até hoje, são comentados por fãs de terror, principalmente, uma cena em especifico.

 

Ao contrário de seu antecessor, aqui temos um filme focado no sangue e no gore, graças aos efeitos do mestre Tom Savini. Desde o primeiro assassinato, o gore está presente, e segue até o final do filme. Temos cabeças arrancadas, peles esfoladas e sangue jorrando das paredes. Os efeitos de Savini são muito bons, e quase não precisam de comentários, porque sabemos da qualidade dos mesmos. Savini fez grandes coisas aqui, desde o cadáver utilizado por Leatherface na cena da ponte; até a placa de metal na cabeça de Chop-Top.

 

Deixe-me também contar sobre a cena que mais me vem à mente quando eu lembro desse filme, a cena da ponte. Na minha opinião, é a melhor cena do filme, simplesmente por causa da maneira como é mostrada na tela. Leatherface está em cima na caminhonete, vestido com um cadáver putrefato, e com a serra nas mãos. Ele faz um grande estrago no carro dos adolescentes ricos, arranhando a lataria e decepando a cabeça de um deles, tudo ao som de Oingo Boingo.

 

E claro, assim como seu antecessor, a produção aqui foi tomada por problemas. Segundo o diretor Hooper, um dos cenários foi tomado por fogo, e eles quase perderam o set; o ator que interpretou Leatherface, em certo momento, contraiu pneumonia; sem contar o comportamento de Dennis Hopper no set.

 

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, em versão remasterizada, na coleção O Massacre da Serra Elétrica, com vários extras. Atualmente, tal edição está fora de catálogo.

 

Enfim, O Massacre da Serra Elétrica 2 é um filme excelente. Um longa que consegue ser tão bom quanto seu antecessor, mas, claro, não se iguala a ele. A direção de Tobe Hooper é segura, e o diretor consegue criar cenas tensas e engraçadas ao mesmo tempo. Os efeitos especiais de Tom Savini são o destaque, graças às técnicas milenares de um dos maiores maquiadores do cinema. Um filme muito divertido. Altamente recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema


sexta-feira, 18 de agosto de 2023

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (1974). Dir.: Tobe Hooper.

 

NOTA: 10


Existem filmes que são atemporais. Isso se refere a todos os filmes de todos os gêneros, inclusive aos filmes de terror.

 

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, lançado em 1974, dirigido por Tobe Hooper, é um desses casos. Desde o seu lançamento, há quase 50 anos, o filme mantém seu impacto até hoje como um dos maiores filmes de todos os tempos.

 

E motivos para isso não faltam. O Massacre é um daqueles casos de filmes em que tudo funciona a seu favor, e o resultado é o dos melhores.

 

A começar pelos quesitos técnicos. A direção de Hooper é segura, dando um ar quase documental para o longa, com seus movimentos e ângulos de câmera diferentes, dignos de aflição; o roteiro também é muito bom, apostando mais na tensão do que no banho de sangue, além de criar personagens absolutamente reais, do tipo que vemos todos os dias.

 

Como sabemos, o roteiro de Hooper e Kim Henkel não aposta no terror sobrenatural, conforme era comum no final da década anterior. Os tempos eram outros. Na década de 70, os Estados Unidos estavam passando por dificuldades políticas e sociais, como o escândalo de Watergate, e a derrota na Guerra do Vietnã, que acabou com a ideia do sonho americano. Além disso, no inicio da década, ocorreu também o final da Era de Aquário, então o cinema underground foi marcado por produções violentas, inspiradas pelos assassinatos de Charles Manson. O longa de Hooper é o retrato perfeito de como era a situação do país naquela época. O terror mostrado no longa é absolutamente real, o que o deixa ainda mais assustador.

 

Além da importância do contexto histórico, temos também aqui um dos primeiros exemplares do gênero Slasher, que se tornou popular nos anos 80. Tudo que se tornou clichê no gênero foi apresentado aqui, como o assassino que utiliza ferramentas do dia-a-dia para matar suas vitimas, e a final girl, a garota que sobrevive ao ataque do maníaco.

 

Conforme mencionado acima, o roteiro do longa é focado em cinco jovens texanos, e todos eles se parecem com pessoas reais. Sally é a protagonista; Franklin é seu irmão paraplégico; Pam e Kirk são o casal; e Jerry é o namorado da protagonista. Todos aqui funcionam muito bem, e cada um tem as suas peculiaridades, principalmente Franklin, que é aquele inconveniente e reclamão.

 

O time de vilões também não fica atrás. Todos são cruéis e perturbados, e possuem um apetite especial por carne humana. Os melhores são Leatherface e o velho. Quando estão todos juntos, a coisa fica ainda mais estranha. A dinâmica entre eles é horrível, com todos gritando uns com os outros, principalmente com Leatherface, que age como uma criança.

 

Leatherface é o melhor personagem do filme. Desde sua primeira aparição, ele se revela uma presença ameaçadora, matando os personagens com requintes de crueldade. Sua primeira aparição é uma das cenas mais pesadas do cinema, quando ele acerta a cabeça do personagem com uma marreta, o que provoca espasmos no corpo da vitima. Em seguida, temos a cena do gancho, que consegue ser tão aterradora quanto a anterior. E os melhores momentos são quando ele faz uso de sua motosserra para perseguir Sally e os outros personagens.

 

As cenas de tensão também merecem destaque. Difícil escolher a melhor, mas tudo funciona principalmente graças à técnica. A perseguição de Leatherface à Sally é assustadora, principalmente por causa do fato do maníaco estar atrás dela com a motosserra; o som da arma já causa arrepios. A cena do jantar pode ser considerada a mais tensa, novamente graças à técnica. Os ângulos de câmera ajudam a provocar a tensão, com seus closes extremos nos olhos de Sally, que praticamente provocam claustrofobia e desconforto.

 

E o final é um dos melhores do cinema de todos os tempos.

 

O Massacre é um dos maiores filmes independentes de todos os tempos. Todos os envolvidos passaram por perrengues durante os três meses de filmagem. O longa foi gravado em pleno verão texano, o que dificultou a produção. Existem também relatos de que alguns membros do elenco estavam sob efeito de drogas; além do mau cheiro provocado pelas condições do clima. O longa custou cerca de US$ 140.000,00.

 

Graças ao seu teor violento e chocante, O Massacre foi banido em alguns países após seu lançamento, inclusive no Brasil. Hoje em dia, possui status de cult e se tornou um dos maiores clássicos do cinema de todos os tempos.

 

O longa até hoje é o mais conhecido da carreira de Tobe Hooper, que alcançou status em Hollywood durante alguns anos, antes de ver sua carreira e seu prestigio acabarem, graças ao seu envolvimento com a Cannon Group, que lançou a primeira sequência em 1986.

 

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, em versão restaurada 4k, na Coleção O Massacre da Serra Elétrica, além de edições individuais. Este ano, será relançado nos cinemas em versão restaurada 4k.

 

Enfim, O Massacre da Serra Elétrica é um filme excelente. Um longa perturbador, carregado de tensão e medo, aliados a uma direção experimente, um roteiro amarrado, elenco afiado e técnicas dignas de nota. É o gênero terror na sua forma mais pura, onde tudo contribui para isso. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos, e um dos maiores Clássicos do cinema. Assustador. Violento. Perturbador. Tenso. Altamente recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.


segunda-feira, 7 de agosto de 2023

A CRIPTA DOS SONHOS (1973). Dir.: Roy Ward Baker.

 

NOTA: 8.5


Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

Em 1973, o estúdio lançou A CRIPTA DOS SONHOS, dirigida por Roy Ward Baker, com roteiro baseado em histórias publicadas nos quadrinhos da EC Comics.

 

Eu vou dizer logo de cara que esta é uma das que eu mais gosto, e sempre divirto com ela toda vez que assisto, e isso se deve principalmente aos segmentos apresentados aqui. Ao todo, são cinco histórias curtas, contadas por cada um dos personagens que entraram em um elevador e se depararam com uma espécie de clube no subsolo do prédio.

 

Midnight Mess: Um homem contrata um investigador para encontrar sua irmã, e após saber de seu paradeiro, mata o detetive e pega seu dinheiro. Ao chegar no vilarejo onde a irmã está morando, ele acaba descobrindo algo terrível sobre o lugar quando a noite cai.

 

The Neat Job: Um homem com mania de limpeza e organização se casa e tenta fazer sua esposa se adaptar à nova vida e às suas regras. No entanto, um dia, enquanto o marido está fora, a mulher acaba provocando uma confusão na casa e é surpreendida por ele.

 

This Trick’ll Kill You: Um casal de mágicos está de viagem na Índia e se depara com os truques de um faquir. Rapidamente, o homem revela os segredos por trás dos truques do faquir, humilhando-o. Dias depois, o mesmo homem se depara com um novo truque e decide mostra-lo a sua esposa, não imaginando as consequências.

 

Bargain in Death: Um homem decide se fingir de morto para obter o dinheiro do seguro, e para isso, pede ajuda a um amigo. O mesmo homem é enterrado no cemitério e aguarda o amigo, mas não imagina que dois estudantes de Medicina decidem utilizar seu corpo a fim de passar nas provas.

 

Drawn and Quartered: Um artista descobre que foi enganado por críticos e decide se vingar utilizando os poderes do vodu. Ao retornar à Londres, ele começa a pôr seu plano em pratica, mas não dá conta das consequências que o vodu trará para si mesmo.

 

E temos aqui mais uma antologia básica, com começo, meio e fim, e interlúdios.

 

O filme foi dirigido por Roy Ward Baker, um nome conhecido no horror inglês, tendo participado de produções voltadas ao gênero tanto na Amicus quanto na Hammer, “rival” desta primeira.

 

Devo dizer que Baker fez um bom trabalho aqui, principalmente em se tratando dos segmentos. Cada um é diferente à sua maneira, e parece que o diretor empregou diferentes estilos ao dirigi-las, algo que se tornaria comum nas antologias posteriores, principalmente aqueles dirigidas por mais de uma pessoa.

 

A Cripta é mais uma das sete antologias produzidas pela Amicus, entre os anos de 1965 e 1974, e meio que se tornaram a marca registrada do estúdio, além do fato de produzirem filmes principalmente contemporâneos – poucos são os filmes produzidos por eles que não são. O que todas essas antologias têm em comum é o fato de possuírem de quatro a cinco segmentos, serem dirigidos pela mesma pessoa, e possuírem um elenco em sua maioria estelar.

 

Aqui temos a presença de alguns nomes reconhecíveis, sem apelar para grandes astros, como Peter Cushing, Joan Collins, Christopher Lee, ou Ingrid Pitt, que trabalharam em produções anteriores do estúdio. No time de coadjuvantes, temos o ator Denholm Elliott, que participou de A Casa que Pingava Sangue (1971), e da trilogia Indiana Jones. E temos também um ou dois nomes reconhecíveis do cinema inglês fazendo pequenas participações.

 

Além de contar com nomes reconhecidos no elenco, boa parte dessas antologias contavam com histórias inspiradas nos quadrinhos da EC Comics, as séries Tales from the Crypt e Vault of Horror. Sempre que eu assisto à esta ou à outra antologia cujas bases são essas series, eu sempre penso como elas deviam ser contadas nos quadrinhos, visto que é uma mídia diferente, com suas próprias regras e limitações.

 

Vale lembrar também que este é um filme que era produto de sua época, e isso pode ser exemplificado pelo terceiro segmento, cujo cenário é a Índia e, com exceção do ator que interpretou o faquir, não temos quase nenhum ator indiano no elenco, algo que não seria visto com bons olhos hoje em dia.

 

Como toda antologia, temos aqui também aquelas histórias que não são tão boas, algo comum no gênero. Eu pessoalmente não gosto muito do segundo segmento, porque, mesmo apresentando um caso sério de um personagem com manias, eu sempre acho que a conclusão acaba levando para o exagero, visto que a esposa do protagonista destrói toda a casa porque tem medo do que ele pode fazer quando descobrir que ela sujou uma cômoda. Não sei se isso de fato acontece na vida real, mas eu tenho a impressão que é um pouco de exagero. O quarto segmento também é um pouco fraquinho, visto que puxa mais para o humor negro do que para o terror. O meu favorito é o primeiro segmento; e gosto também dos demais.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema na coleção Amicus Productions, em versão remasterizada sem cortes.

 

Enfim, A Cripta dos Sonhos é uma das melhores antologias da Amicus Productions. Um filme arrepiante, com clima de nostalgia. Cada uma das histórias é macabra por si mesma, o que o torna ainda melhor a cada revisão. Os mais diversos assuntos relacionados ao terror, abordados de forma simples, mas eficiente, aliados a atuações convincentes e uma direção e roteiro experientes. Sem dúvida, um dos melhores exemplos do cinema britânico de horror, e uma das melhores antologias do cinema. Macabro. Divertido. Arrepiante.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.