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sábado, 19 de outubro de 2024

O DESPERTAR DOS MORTOS (1978). Dir.: George A. Romero.

 

NOTA: 10


O DESPERTAR DOS MORTOS é, sem dúvida, o melhor filme de George A. Romero, além de ser o melhor filme de zumbis de todos os tempos.

 

Filme do meio da trilogia dos zumbis, esse filme apresentou tudo aquilo que hoje é utilizado em mídias sobre apocalipse zumbi.

 

Algumas regras já haviam sido estabelecidas em A Noite dos Mortos-Vivos, mas, em Despertar, elas foram aumentadas, e hoje em dia, tornaram-se praticamente obrigatórias.

 

Isso sem falar que, assim como seu antecessor, é um filme repleto de comentário social, desta vez, voltado para o consumismo.

 

Essa era uma característica nos filmes de Romero, mas, acredito que ficaram ainda mais em evidência dos seus filmes de zumbi, visto que o cineasta soube fazer isso com maestria, maestria essa que até hoje é discutida por cinéfilos e cineastas.

 

Além de tudo isso, Despertar também é um marco do gore, graças aos efeitos especiais do mestre Tom Savini, mas, mais detalhes sobre isso adiante.

 

Na trama, o mundo está quase todo devastado pelos zumbis. Sabendo disso, um grupo de quatro pessoas foge em um helicóptero e acaba encontrado um shopping center, onde acaba se instalando para escapar do ataque dos mortos-vivos.

 

Assim como no anterior, é uma trama simples que também está carregada de comentários sociais, mas, ao contrário do primeiro filme, é possível perceber que o orçamento foi um pouco maior aqui.

 

A grandeza do filme está presente desde os seus bastidores.

 

Romero estava com dificuldades de produzir uma continuação para o primeiro filme, mas acabou recebendo apoio do diretor Dario Argento, que já era um grande fã do cineasta, e vice-versa. Assim, Romero viajou para a Itália, onde conseguiu desenvolver o roteiro e conseguiu financiamento para realizar o filme.

 

É legal saber que Romero teve apoio de Argento para fazer o filme, o que formou uma grande amizade entre eles, que se consolidou ainda mais quando se uniram novamente para dirigir o filme Dois Olhos Satânicos (1990), antologia baseada em dois contos de Edgar Allan Poe.

 

Ainda segundo Romero, a ideia para este filme surgiu quando ele estava em um shopping center em Pittsburg, e imaginou como seria se uma horda de zumbis invadisse o lugar.

Conforme mencionado acima, a crítica da vez está no consumismo exagerado, e não deixa de ser verdade, visto que, quando as pessoas vão ao shopping, elas passam horas no local, olhando para os itens em oferta, e além disso, quando acontece alguma promoção em alguma loja, não é incomum ver um grupo de pessoas se formando na porta do estabelecimento, prontas para agarrar os itens o quanto antes. Eu já vi uma imagem dessas na internet, mas, graças a Deus, nunca presenciei algo como esse pessoalmente.

 

Agora que já comentei um pouco a respeito do comentário social presente no filme, deixe-me falar sobre os personagens.

 

O roteiro é focado em grupo de quatro pessoas, formado por dois policias da SWAT, uma repórter de TV e um piloto da emissora. A interação entre eles é muito boa, e é possível identificá-los rapidamente, assim que aparecem no filme. Fran se encaixa a princípio no perfil da mocinha indefesa, visto que ela começa o filme toda fragilizada, mas, conforme a trama avança, ela se mostra tão forte quanto os homens. Stephen é o seu namorado, e é o piloto do grupo; no início, ele também se mostra receoso em matar as criaturas, mas muda de atitude quando percebe que não há outra saída. Peter e Roger são os agentes da SWAT, e cada um possui sua própria personalidade; Roger é valente e não tem medo do perigo; Peter, por outro lado, é mais racional, mas valente, também.

 

Juntos, os personagens formam um grupo bastante unido, e se apoiam nas decisões importantes que devem ser tomadas. Além disso, eles se unem também na hora de tomar o shopping, chegando a construir quase que uma casa dentro do prédio, no local onde escolheram para se esconder. E na hora do combate, eles se unem ainda mais, cada um dentro de suas habilidades.

 

O roteiro de Romero também é muito afiado no que quis respeito ao ritmo. Logo no começo, fomos brindados com uma confusão no estúdio de TV, passando para uma guerra no conjunto habitacional de cubanos. Depois desse início frenético, as coisas começam a andar de forma mais lenta, com os personagens tomando o shopping, procurando um lugar para se esconder, depois, começam a tomar as coisas das lojas, até que conseguem se firmar no local. Mas não é só isso. A trama também se preocupa em explorar as relações entre os quatro, principalmente entre Fran e Stephen.

 

Em determinado momento, um grupo de motoqueiros saqueadores invade o prédio e provoca uma guerra com os quatro, o que leva a trama de volta à ação, visto que eles também lutam contra os zumbis das formas mais criativas possíveis.

 

Conforme mencionado acima, o filme é também um marco do gore, graças aos excelentes efeitos especiais de Tom Savini. O visual dos zumbis é básico, até, com uma tonalidade cinza e azulada, mais os efeitos de morte são o auge. Logo na primeira sequência de ação, no conjunto habitacional dos cubanos, somos presenteados com uma cabeça explodindo em frente à câmera, além de cenas de pessoas sendo mordidas. No shopping, a coisa não é muito diferente, com os zumbis sendo derrotados com tiros na cabeça, mas com efeitos diversos. No entanto, o melhor acontece quando eles matam os motoqueiros, arrancando seus órgãos na base da unha, e devorando-os vivos. No entanto, Savini deixaria o melhor para o filme seguinte da trilogia, Dia dos Mortos (1985), mas isso é assunto para outra resenha.

 

Despertar dos Mortos foi financiado por Dario Argento, conforme mencionei, e com isso, acabou ganhado uma versão remontada pelo cineasta italiano para o mercado europeu, que recebeu o título de Zombie. Além da versão editada por Argento, o filme também possui uma versão estendida, com 139 minutos, considerada por muitos como a Versão do Diretor; no entanto, Romero afirmava que a sua Versão do Diretor era a versão original, com 127 minutos. A versão escolhida para esta resenha é justamente a Versão do Diretor.

 

Foi lançado em Blu-ray e DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, numa edição que apresenta as três edições, em versões restauradas, com um disco só de extras. Atualmente, tais edições estão fora de catálogo.

 

Enfim, O Despertar dos Mortos é um filme excelente. O filme que apresentou as principais regras para as mídias posteriores, além de contar com uma direção inspirada, roteiro afiado, e efeitos especiais bastante criativos. Um filme que se tornou um marco do gore, e também, o melhor filme de zumbis de todos os tempos, além de ser o melhor filme do diretor George A. Romero.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


sábado, 20 de abril de 2024

LEATHERFACE – O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA III (1990). Dir.: Jeff Burr.

 

NOTA: 6


Em 1990, a franquia O Massacre da Serra Elétrica foi parar nas mãos da New Line Cinema, e o estúdio lançou LEATHERFACE – O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA III, com direção de Jeff Burr, que teve como objetivo dar uma mudança na franquia.

 

E foi aí que os problemas começaram, ao meu ver.

 

O Massacre III é um filme confuso na sua concepção, porque ele não sabe se quer ser um remake, ou um reboot, ou uma continuação do Clássico de Tobe Hooper, e isso já fica evidente já no texto de introdução, onde o narrador nos conta o que aconteceu com Sally Hadersty, a protagonista do filme original, e aparentemente, esquece o que aconteceu no filme anterior.

 

Na minha opinião, isso não ajuda, porque, em certo momento, o filme fica com cara de remake, porque apresenta as mesmas situações vividas pelos personagens do filme de Hooper, em especial na sequência do posto de gasolina.

 

Passada a cena do posto, somos apresentados a uma história diferente, mas, ainda assim, com os seus problemas, conforme mencionado acima.

 

O maior problema disso tudo é a presença de Leatherface, que, como nós sabemos, passou por maus bocados no final de O Massacre 2, e o roteirista aparentemente se esqueceu desse detalhe, ou então, o estúdio encomendou um reboot – ou um remake – mas, o mesmo roteirista apresentou elementos vistos anteriormente na franquia.

 

Então, qual é a desse filme?

 

Mas, apesar do grande problema, eu ainda acho que é um filme bom, visto que ainda consegue divertir e provocar um pouco de medo, principalmente porque temos que levar em conta que essa franquia não envolve nada de sobrenatural, e sim, o terror real.

 

A sequência de perseguição na floresta é a mais tensa do filme, porque nós não sabemos aonde está o assassino, nem quando ele vai atacar, então, ficamos com o coração batendo de medo, enquanto os personagens procuram se salvar do maníaco da motosserra.

 

Os personagens são interessantes também, mas o melhor deles é o personagem Benny, interpretado por Ken Foree, um nome conhecido do gênero. Seu personagem foi um soldado que se tornou especialista em sobrevivência, e faz de tudo para escapar da família canibal, ao mesmo tempo que tenta salvar a protagonista. A melhor cena é o confronto com o personagem do Viggo Mortensen, onde ambos soltam frases absurdas demais, que beiram ao engraçado.

 

A protagonista também funciona, e como de costume, ela passa por maus bocados nas mãos da família, e aqui, ela sofre – não tanto quanto a Sally, mas é quase isso. Ela é aquele típico personagem que muda de arco ao longo do filme – ela começa boazinha, e incapaz de ferir alguém, mas no final, ela sofre uma mudança brusca.

 

O restante do elenco também está bem, principalmente o ator Viggo Mortensen, que interpreta um dos membros da família canibal. Seu Tex consegue ser amistoso quando quer, mas quando se torna ameaçador, ele muda completamente, e se torna um personagem assustador.

 

No entanto, apesar dessas qualidades, o filme tem também os seus problemas. A direção de Jeff Burr não é ruim, mas o resto da técnica é questionável. O principal é a casa da família canibal, que se parece com uma casa comum e tem só um cômodo cheio de ossos velhos; o certo seria o contrário, fazer a casa inteira ser cheia de ossos velhos. A fotografia tem os seus méritos, mas a montagem não se salva, principalmente nas cenas violentas. Aparentemente, o filme foi censurado pela MPAA, então, não temos grandes efeitos aqui, sendo que o maior problema ficou na cena da marreta, que voa em direção ao rosto do personagem, mas acontece um corte antes de vermos o rosto dele ser destruído.

 

Os efeitos especiais ficaram a cabo da KNB Effects, e eles são quase inexistentes, conforme mencionei acima. Acredito que o melhor seja na sequência em que a protagonista tem as duas mãos perfuradas com pregos na cadeira.

 

E claro, no final, temos a mesma sequência de jantar, que funcionou nos dois primeiros filmes, mas, se você levar em conta o que foi escrito aqui, vai achar estranho.

 

Foi lançado em DVD no Brasil na coleção O Massacre da Serra Elétrica, da Obras-Primas do Cinema, com muitos extras.

 

Enfim, O Massacre da Serra Elétrica III é um bom filme, apesar dos seus defeitos. Uma história de horror contada de maneira honesta, com uma direção competente. O maior problema é o roteiro, que não sabe exatamente qual caminho seguir, e acaba repetindo elementos anteriores, e criando momentos que não fazem muito sentindo. Um filme problemático, mas decente.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.


AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.