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segunda-feira, 10 de junho de 2024

A NOITE DOS MORTOS-VIVOS (1968). Dir.: George A. Romero.

 

NOTA: 10


A NOITE DOS MORTOS-VIVOS é um filme atemporal.

 

Lançado há quase 60 anos, é considerado um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, e foi o responsável por apresentar várias características que se tornariam regras para o subgênero de zumbi, além de colocar os mortos-vivos de vez na cultura pop.

 

Aliado a tudo isso, temos as técnicas de direção e produção, que se mostram muito eficientes desde o começo.

 

O diretor George A. Romero fez sua estreia com esse filme, e se mostrou muito competente na arte de comandar e escrever o roteiro de um filme.

 

O roteiro de Romero, escrito em parceria com John Russo, apresenta uma trama simples na verdade, onde um grupo de pessoas se vê preso em uma casa de fazenda abandonada, cercada por vários zumbis. O grupo então precisa se unir para sobreviver a esse ataque.

 

É uma trama simples, não é? Sim, e misturada às técnicas de direção e roteiro, contribui para deixar o filme melhor a cada revisão.

 

Mas não é apenas a técnica que deixa o filme melhor. Outra coisa que contribui para isso é a crítica que o roteiro faz à situação que o país vivia naquele momento, mas, falarei sobre isso mais para frente.

 

Não é novidade que este é um filme de zumbi, mas, não foi o primeiro – o primeiro foi Zumbi Branco (1932), com Bela Lugosi. Apesar de não ser o primeiro, foi o responsável por apresentar o zumbi moderno para a cultura pop, além de ser o filme que definiu o gênero de terror moderno, influenciando gerações de cinéfilos e cineastas ao longo das décadas.

 

Além disso, é um dos filmes mais claustrofóbicos de todos os tempos. A ambientação na casa é a principal fonte de claustrofobia, porque ela está sempre fechada para impedir a entrada dos zumbis. Os personagens ficam enclausurados dentro daquela casa, e com isso, nós, os espectadores também.

 

Uma curiosidade interessante. Apesar de ser um filme de zumbi, a própria palavra “zumbi” não é mencionada em momento nenhum, e nem a origem das criaturas é explicada com clareza. Em determinado momento, o noticiário diz que o responsável pela ressurreição dos mortos foi um satélite que caiu em algum lugar os Estados Unidos. É uma boa explicação.

 

Além de ser um dos filmes mais claustrofóbicos de todos os tempos, este é também um dos filmes mais chocantes e assustadores de todos os tempos, e motivos para isso não faltam. Um exemplo claro disso é a cena em que os zumbis comem os pedaços de dois personagens que morreram; mesmo sendo em preto e branco, é uma cena pesada até hoje.

 

É um dos filmes mais assustadores porque a tensão e o medo estão presentes desde o primeiro momento, e conforme o filme vai passando, parece que as duas sensações vão aumentando, porque não sabemos o que vai acontecer com os personagens, principalmente dentro da casa, visto que eles se enfrentam o tempo todo.

 

Essa é a grande crítica que o roteiro de Romero e Russo faz. Romero pegou como inspiração os conflitos raciais que estavam acontecendo no país na época, combinado ao terror da Guerra do Vietnã, e montou uma grande crítica em torno do racismo, porque o protagonista Ben é um homem negro, que entra em conflito com Cooper, que é um pai de família tradicional, que não aceita opiniões de ninguém, nem mesmo da esposa.

 

Até hoje, cenas de conflitos raciais estão presentes nos Estados Unidos, vide o movimento “Black Lives Matter!”, que surgiu após um episódio revoltante envolvendo um cidadão afro-americano e um policial. Quem disser que este filme é datado, está enganado.

 

Foi lançado no Brasil em DVD e Blu-ray pela Versátil Home Vídeo, em inédita versão restaurada, com muitos extras acompanhando.

 

Enfim, A Noite dos Mortos-Vivos é Um Clássico do Terror. Um filme que revolucionou o gênero e trouxe os zumbis para a cultura popular e influenciou gerações de cineastas e cinéfilos. Um filme importante em muitos aspectos, pois aborda temas que até hoje são relevantes e importantes, e merece ser visto. Uma trama muito simples, mas que consegue ser assustadora até hoje. Uma trama claustrofóbica que não deixa o espectador respirar. Muito bem feito, muito bem dirigido, com roteiro redondo, sem falhas na concepção. Um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, que deu um novo sopro ao gênero. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. O maior filme de zumbis de todos os tempos. Assustador. Claustrofóbico. Chocante. Excelente. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.

 

segunda-feira, 27 de maio de 2024

UM GRITO DE PAVOR (1961). Dir.: Seth Holt.

 

NOTA: 9


A Hammer Films foi uma das maiores referencias quando o assunto era filmes de terror. Durante duas décadas, o estúdio se especializou em filmes de terror góticos, muitos deles sendo adaptações de grandes obras da literatura, como Drácula e Frankenstein. Mas havia também um outro lado do estúdio.

 

UM GRITO DE PAVOR, lançado em 1961, com direção de Seth Holt, é um exemplo do outro lado do estúdio, visto que o longa é contemporâneo e foi filmado em preto e branco; uma contrapartida às produções tradicionais do estúdio, que eram sempre voltadas para o gótico, e eram coloridas.

 

Mas não se engane. Apesar de estar fora dos padrões, este é um dos melhores e mais criativos filmes do estúdio. E motivos para isso não faltam. É um filme muito bem feito, com ótima direção, um roteiro afiado e um elenco espetacular.

 

Um aviso. Este é um filme em que acontece uma reviravolta chocante, por tanto, tentarei ao máximo conter os spoilers.

 

Aviso dado, vamos lá.

 

Grito de Pavor é um filme muito criativo, porque ao invés de apostar no terror sobrenatural, aposta mais no suspense e no terror psicológico, e isso funciona muito bem, porque mexe com a cabeça do espectador, fazendo-o pensar se tudo o que está acontecendo com a protagonista é real ou não.

 

Na trama, a jovem Penny retorna à propriedade da família, nove anos após sofrer um acidente que a deixou paralitica. No entanto, após sua chegada, coisas estranhas começam a acontecer, e ela acredita que o pai, que pensava estar viajando, está escondido em algum lugar da casa, e que uma trama foi armada para fazê-la parecer louca.

 

É uma trama básica, não é? De fato, até que sim, mas, conforme assistimos ao filme, descobrimos que o buraco é muito mais embaixo, e que as coisas não são o que aparentam. E próximo ao final do filme, acontece uma reviravolta, onde descobrimos que Penny não é quem diz ser.

 

Isso é o máximo que irei contar aqui, porque, acredite, você vai querer assistir a esse filme para descobrir qual é a reviravolta. Eu confesso que sempre me surpreendo quando assisto ao filme, porque, de fato, é uma reviravolta surpreendente. Ao mesmo tempo, este é aquele tipo de filme, que, após saber da reviravolta, quando assistimos a uma segunda, ou terceira, ou quarta vez, somos capazes de pegar um detalhe que estava ali o tempo inteiro.

 

O roteiro de Jimmy Sangster – que depois viria a dirigir alguns filmes para o estúdio – é muito sagaz e as pistas estão lá, basta apenas uma pitada de esforço do espectador.

 

O elenco também é um ponto positivo, com destaque para a atriz Susan Strasberg, que interpreta a protagonista Penny. Sua performance é excelente, e ela passa todos os sentimentos necessários para tornar a personagem convincente e interessante. Os outros atores também estão muito bem, e passam do amigável ao ameaçador com naturalidade. No entanto, quem rouba a cena é o grande Christopher Lee, num papel coadjuvante, mas que entrega tudo que precisa para tornar seu personagem misterioso e cativante ao mesmo tempo.

 

Grito de Pavor é um filme de terror psicológico, então, não espere encontrar cenas envolvendo litros de sangue, ou monstros sobrenaturais. Pelo contrário, temos aqui uma trama focada na realidade, com elementos que mexem com as emoções do espectador, e que vão aumentando à medida que o filme avança.

 

Este é também um daqueles filmes em que nada é o que parece, onde os personagens fazem um jogo contra a protagonista, a fim de obter algum lucro com isso, no caso aqui, é a fortuna da personagem – algo até que comum em tramas como esta. Mas não se engane. Este é um dos melhores exemplos de como é construído o suspense, pois vai construindo tudo aos poucos, sem pressa de fazer o espectador pensar.

 

Por causa de todos os esses motivos citados aqui, Grito de Pavor é um filme brilhante.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na caixa Obras-Primas do Terror 7, em versão restaurada.

 

Enfim, Um Grito de Pavor é um filme excelente. Um filme de terror psicológico, contado de maneira inteligente, aliado a uma direção inspirada e um elenco afiado. Uma trama cheia de surpresas e reviravoltas, que mexe com a cabeça do espectador a cada revisão. Um dos melhores filmes da lendária Hammer. Altamente recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


sábado, 17 de fevereiro de 2024

A FILHA DE SATÃ (1962). Dir.: Sidney Hayers.

 

NOTA: 8.5


Eu não assisti a muitos filmes de bruxaria, mas digo que A FILHA DE SATÃ é um dos melhores, e um dos meus filmes de terror favoritos.

 

Lançado em 1962, e distribuído nos Estados Unidos pela lendária American International Pictures, este é um filme com uma atmosfera sinistra que se predomina desde o começo e vai até o final, construída com uma grande maestria.

 

Desde a primeira vez que assisti a esse filme, fui tomado por uma sensação de nostalgia – mesmo não tendo vivido naquela época – e uma conexão com os filmes de horror produzidos na Inglaterra naquela época, principalmente aqueles produzidos pela lendária Hammer.

 

Em vários momentos, o filme lembra as produções contemporâneas da Hammer, principalmente por causa da atmosfera e da ambientação britânica.

 

Mas não é apenas a ambientação que torna esse um dos meus filmes de terror favoritos; o roteiro, escrito por Richard Matheson e Charles Beaumont, a partir de um conto de Fritz Leiber, é muito bom e aposta pouco a pouco na questão da bruxaria, deixando no inicio, um clima de mistério, principalmente a respeito da relação entre o casal de protagonistas e os personagens secundários, que os tratam de maneira diferente. No entanto, após descobrirmos que Tansy, esposa do professor Norman Taylor, é uma bruxa, o roteiro aposta a fundo no tema da bruxaria, com direito a feitiços e objetos sagrados.

 

Após revelar que Tansy é uma bruxa, o roteiro nos mostra o quão perigosa a vida do casal se torna, principalmente a vida de Norman, a começar pela falsa acusação de assedio por uma garota que o admirava nas salas de aula; em seguida, o namorado da garota o ameaça com um revolver. Eu gosto muito dessa primeira ameaça à vida de Norman porque remete a um filme de suspense passional.

 

Outra coisa muito boa que o roteiro faz é deixar em aberto até perto do final se o que está acontecendo ao casal é fruto de bruxaria ou não, e faz isso muito bem, porque deixa essa duvida no ar, até chegar ao final, quando a verdadeira vilã é revelada – não direi quem é para não dar spoilers.

 

Além do roteiro, a direção de Sidney Hayers é muito boa, e o cineasta arranca ótimas performances de seus atores, mesmo aqueles que interpretam papeis secundários. De todos os atores, o casal protagonista está muito bem aqui, principalmente o ator Peter Wyngarde, que interpreta o cético professor Norman. O ator convence muito bem, passando o ceticismo com naturalidade. Este é um dos melhores personagens do cinema de horror na minha opinião.

 

No seu país da origem, foi lançado com o título Night of the Eagle, que remete ao final do filme, quando a vilã faz uma bruxaria para atacar o protagonista e faz uma estatua de uma águia ganhar vida. Alias, as estatuas de águias são elementos importantes na narrativa, presentes desde a primeira cena, dando uma espécie de pressagio do que vai acontecer ao longo do filme.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Obras-Primas do Terror 4, em versão restaurada.

 

Enfim, A Filha de Satã é um filme muito bom. Uma historia de bruxaria contada com maestria, aliada a um elenco inspirado. A ambientação inglesa também contribui para deixar o filme ainda melhor a cada revisão, além de deixar o longa mais nostálgico. Um dos melhores filmes de bruxaria de todos os tempos.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


segunda-feira, 4 de setembro de 2023

INTERNATO DERRADEIRO (1969). Dir.: Narciso Ibañez Serrador.

 

NOTA: 9


Em 1975, o diretor espanhol Narciso Ibañez Serrador lançou Os Meninos, um dos filmes mais perturbadores e assustadores que eu já vi, que foi resenhado aqui.

 

Porém, anos antes, Serrador já havia se aventurado no terror com INTERNATO DERRADEIRO, que é o alvo dessa resenha.

 

Bom, eu vou ser sincero aqui, e dizer que este é um dos melhores filmes de terror que já vi. É um daqueles casos onde tudo contribui para deixar um filme bom.

 

Mas não se engane, este não é um filme perturbador no nível de Os Meninos, apesar de tocar em assuntos um tanto controversos também. Se puder resumir, eu diria que é um daqueles filmes que se passam em um internato onde coisas misteriosas acontecem, e só.

 

E é isso mesmo que acontece aqui, embora não possa dizer em quantos graus se difere de outros filmes com essa pegada, porque eu não vi esses outros filmes; o mais próximo disso é o Clássico absoluto de Dario Argento, Suspiria (1977), que também aborda essa questão de um colégio interno para garotas, mas com uma temática sobrenatural; e outro exemplo é o também excelente Até o Vento tem Medo (1968), do mexicano Carlos Enrique Taboada, e um dos meus filmes de terror favoritos.

 

Pois bem, aqui, nós temos uma historia de horror ambientada em um internato para garotas, mas, diferente dos mencionados acima, a pegada de horror não é voltada para o sobrenatural – mais detalhes adiante.

 

Vamos falar então do filme como um todo. Conforme já mencionei em outras resenhas, o que faz deste um filme tão bom é a técnica. O diretor Serrador é absolutamente competente naquilo que faz, e se mostra um grande diretor, fazendo uso de movimentos de câmera pelos cenários, além de arrancar ótimas performances de seu elenco.

 

O roteiro também é muito bom, porque, como já disse, aposta no terror, mas no terror psicológico, e as vezes, demora para entregar o gênero, apostando no drama e no suspense, a fim de criar tensão e medo no espectador. Mas não se engane, nós temos cenas verdadeiramente tensas, como por exemplo, a cena do banho das garotas, onde o filho da proprietária do internato fica preso na sala da caldeira; ou então a cena da punição, que me serviu de inspiração, devo confessar. E temos outras também, mas não quero entregar spoilers.

 

O elenco – em sua maioria feminino – também merece menção, e todas as atrizes estão muito bem em seus papeis, principalmente a atriz Mary Maude, que interpreta a escudeira da proprietária do internato, Irene. A personagem é perversa em todos os sentidos e não poupa esforços para fazer da vida da mocinha um verdadeiro inferno, com direito a uma cena de humilhação publica – na minha opinião, a pior do filme.

 

Mas não se engane. A atriz Lilli Palmer também não fica atrás, e entrega uma das atuações mais poderosas que já vi em um filme. Sua Madame Fourmeau é controladora, está sempre de olho nas internas e também em seu filho Louis, a quem protege com todas as forças, o que traz consequências desastrosas.

 

O longa foi rodado na Espanha, e o diretor soube aproveitar muito bem o cenário, principalmente o internato. Durante a projeção, é possível perceber que o local quase se torna um personagem do filme e as sensações de claustrofobia e insegurança se fazem presentes. Eu particularmente adoro os takes com a fachada do internato, e devo dizer que o longa como um todo também me serviu de inspiração.

 

Além de ser um filme de terror psicológico, Internato também é um filme sobre repressão. Durante o filme, é possível ver que as garotas são reprimidas, principalmente sexualmente, sendo obrigadas a sair às escondidas para realizar suas fantasias, seja com o filho do lenhador, seja entre elas mesmas, principalmente Irene e Madame Fourmeau, que escondem das demais seus desejos secretos – não uma pela outra, mas pelas outras internas.

 

E claro, temos o elemento do mistério, aqui representado pelo fato de algumas garotas desaparecerem misteriosamente sem deixar rastros. Sem entregar spoilers aqui, mas ao longo do filme, nós vamos descobrindo que elas estão sendo assassinadas por um intruso – ou por alguém de dentro – e quando finalmente descobrimos sua identidade, a revelação e os métodos para os assassinatos são chocantes. Mas como eu disse, sem spoilers.

 

Foi lançado em DVD pela Versátil Home Vídeo na coleção Obras-Primas do Terror 6, em versão sem cortes com áudio em inglês. A versão disponível aqui é a versão integral, no entanto, as cenas cortadas não foram restauradas, mas não atrapalham a experiência.

 

Enfim, Internato Derradeiro é um filme excelente. Um filme de horror psicológico com toques de terror gótico, dirigido por maestria. Um longa cheio de mistérios, que passa tanto a sensação de claustrofobia, quanto a sensação de insegurança. O principal cenário do filme quase se torna um personagem e passa tudo aquilo que precisa passar para o espectador. Uma trama de assassinato e mistério que prende a atenção do espectador até seu final chocante. Altamente recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo.

 

sexta-feira, 14 de julho de 2023

DRÁCULA – O PERFIL DO DIABO (1968). Dir.: Freddie Francis.


NOTA: 8.5


Entre 1958 e 1974, a Hammer Films produziu uma série de filmes protagonizados pelo Conde Drácula, criado pelo escritor Bram Stoker. Ao todo, foram nove filmes, sete deles estrelados pelo grande Christopher Lee, no papel que o consagrou como astro do horror. Somente dois filmes não contaram com o astro no elenco.

 

DRÁCULA – O PERFIL DO DIABO, de 1968, é o quarto filme da série, e o terceiro a contar com o astro no elenco.

 

Me arrisco a dizer que este é um dos meus favoritos, porque é um dos que eu mais assisto e sempre me divirto com ele. E temos motivos para isso. O filme é muito bem feito, bem dirigido, bem atuado, possui um clima de horror predominante e momentos de arrepiar.

 

O filme foi dirigido por Freddie Francis, um dos grandes nomes do cinema britânico, que teve grande passagem pelo terror, tanto na Hammer quanto na Amicus. Graças a sua direção, temos aqui um filme colorido, que aposta em ótimos efeitos de câmera para criar as cenas de horror.

 

Além da direção competente, temos também um ótimo elenco, que não faz feio em suas performances – tirando algumas cenas envolvendo o monsenhor – e criam personagens cativantes que fazem o publico simpatizar com eles. Este aqui não foi o pioneiro – no filme anterior já tivemos isso – mas aqui foi a primeira vez que vemos um jovem casal lutando contra o vilão, algo que foi aproveitado nos demais filmes da saga; em Drácula – O Príncipe das Trevas, tivemos a presença do casal protagonista, mas eles eram casados e adultos, aqui é o oposto.

 

Além do casal protagonista, temos também o personagem do monsenhor, interpretado por Rupert Davies, e o ator não faz feio. Seu personagem é um homem devoto, que sempre espalha a palavra de Deus a todos e não pensa duas vezes antes de questionar se alguém não segue a religião, como vimos na cena de sua introdução, quando vê a igreja vazia e questiona o padre local. O padre também é um bom personagem, e carrega o peso de servir de lacaio para o vilão, e em todas as cenas, ele exibe o peso que é tal tarefa. Isso é uma característica que gosto em personagens assim, porque eles aparentam sempre estar carregando o mundo nas costas e não aguentam o peso de tal responsabilidade, sempre tentando encontrar um modo de se livrar do peso; e quando seu calvário acaba, você também se sente aliviado.

 

E claro temos também os coadjuvantes, e eles também não fazem feio. Todos são carismáticos e simpáticos, principalmente o dono da padaria onde o protagonista trabalha, interpretado pelo ator Michael Ripper, em um dos poucos papeis que me agradam nessa saga. Temos também a segunda escrava do vilão, que realmente parece ter ciúmes quando o mesmo demonstra interesse pela mocinha.

 

E antes de falar sobre o astro, vou falar sobre o casal protagonista. Conforme mencionado acima, aqui é a primeira vez que temos um jovem casal lutando contra o vilão, e os personagens são muito bons. Paul é um rapaz de bem, estudioso e dedicado; e Maria é a típica jovem virginal, apaixonada pelo rapaz, que faz o que pode para estar com ele, e que acaba caindo nas garras do vilão. Os dois atores estão muito bem no papel, e me arrisco a dizer que eles são o melhor casal protagonista da saga, ao lado do casal do filme anterior. Aliás, um detalhe. O protagonista se chama Paul, e, por alguma razão, nos dois filmes seguintes, também teríamos dois personagens com o mesmo nome – talvez seja falta de imaginação do roteirista, ou coincidência. Infelizmente, o mesmo carisma do casal protagonista não seria repetido nos filmes seguintes, principalmente em O Conde Drácula (1970).

 

E claro, não posso deixar essa resenha acabar sem mencionar o astro. Como sempre, Christopher Lee faz bonito no papel do vilão, sempre com sua elegância e ar ameaçador. Eu já vi na internet que aqui temos um Drácula mais perverso que nos filmes anteriores, e talvez seja verdade, visto que o vilão não poupa ninguém e está sempre com sangue nos olhos – literalmente. O Drácula de Christopher Lee é excelente, e sempre passa um ar de medo toda vez que aparece em cena, e isso seria repetido nos filmes seguintes.

 

Conforme mencionei acima, o diretor Francis faz um ótimo trabalho na direção e faz uso de ótimos especiais para criar atmosfera. O mais notável acontece nas cenas envolvendo o vilão, onde provavelmente o diretor de fotografia colocou um efeito vermelho em torno da cena, para dar a impressão de algo demoníaco. O efeito é muito bom e dá um ar mais diabólico para o filme e também para as cenas que envolvem o vampiro.

 

Drácula – O Perfil do Diabo foi lançado em DVD no Brasil pela DarkSide Distribuidora, em um box contendo todos os filmes da franquia. Atualmente, tal edição está fora de catálogo.

 

Enfim, Drácula – O Perfil do Diabo é um filme muito bom. Um filme com uma atmosfera arrepiante e demoníaca, que fica melhor a cada revisão. A direção e as atuações fazem um ótimo trabalho, e os atores criam personagens carismáticos e convincentes. A presença do astro Christopher Lee é o grande destaque, e o ator faz bonito em sua performance como o vilão, e cria um Drácula perverso e demoníaco. Um dos melhores da saga do Drácula da Hammer Filmes. Recomendado.



 

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terça-feira, 30 de maio de 2023

O CAÇADOR DE BRUXAS (1968). Dir.: Michael Reeves.

 

NOTA: 8.5


Filmes sobre a Caça às Bruxas não são fáceis de assistir, e o principal motivo são as cenas de tortura e execução. Não apenas por causa das cenas de tortura, mas também porque relatam de forma quase realista esse período cruel da Humanidade.

 

O CAÇADOR DE BRUXAS é mais um desses filmes, produzidos durante as décadas de 60 e 70, e um dos melhores deles. Lançado em 1968, com direção de Michael Reeves, o filme conta com o astro Vincent Price em sua melhor atuação.

 

Além de ser um dos melhores filmes da carreira do astro, este é também um dos melhores filmes de terror britânicos dos anos 60.

 

E motivos para isso não faltam. O filme é muito bem feito, bem escrito, bem dirigido e bem atuado. As locações na Inglaterra são maravilhosas e tornam o filme atraente e convidativo.

 

Assim como todos os filmes sobre o tema da caça às bruxas, aqui temos um filme de horror focado no terror real; ou seja, não há presença de criaturas, demônios ou outras coisas do gênero. Ao meu ver, isso torna esses filmes ainda mais assustadores, porque temos a visão de como deve ter sido esse período horrível da História da Humanidade, onde a ignorância e o medo reinavam sobre o bom senso. E aqui não é diferente – mais detalhes à frente.

 

Além de ser um filme extremamente violento, O Caçador de Bruxas também pode ser considerado um filme sobre História, uma vez que conta a historia de Matthew Hopkins, um advogado britânico que se tornou um caçador de bruxas. Segundo relatos, Hopkins percorria o interior da Inglaterra, ao lado de seu assistente, a fim de encontrar e executar pessoas acusadas de bruxaria. Não sei como ele era na realidade, mas aqui, o astro Vincent Price entrega uma excelente performance.

 

O restante do elenco também não faz feio, principalmente os atores Ian Ogilvy, Hillary Dwyer e Robert Russell. Ogilvy e Dwyer interpretam o casal protagonista, ameaçado por Hopkins, e convencem muito bem nos papeis, dando a impressão que são apaixonados um pelo outro, e quando o personagem de Ogilvy decide se vingar de Hopkins, é a mesma coisa. Russel faz o papel do assistente de Hopkins, John Stearne, e consegue arrancar ódio do espectador.

 

Mas não tem jeito. O Caçador de Bruxas pertence ao astro Vincent Price. O ator faz uma interpretação espetacular, encarnando o Mal absoluto. O seu Matthew Hopkins é aquele típico personagem que mete medo no espectador toda vez que aparece em cena, e é verdade. Acho impossível não ter medo do Hopkins de Price, porque ele é o Mal na Terra, usando e abusando de requintes de crueldade para conseguir arrancar confissões de seus acusados. Hopkins não poupa ninguém, e acredita que está fazendo a coisa certa, o que faz dele um dos maiores vilões de todos os tempos.

 

Quem também não faz feio é o diretor Michael Reeves. Sua câmera faz um ótimo trabalho, com seus planos gerais das locações, além de outros planos. Reeves também se mostrou um grande diretor de atores, e não arranca performances caricatas de seu elenco, principalmente dos protagonistas.

 

Como mencionado acima, O Caçador de Bruxas retrata a época da caça às bruxas, que, conforme dito, foi um dos piores períodos da Humanidade. Era uma época onde a ignorância e o medo reinavam sobre o bom senso, e os métodos mais absurdos eram utilizados para conseguir extrair confissões dos acusados. Métodos como tortura, agulhadas e afogamento eram empregados, sem piedade aos acusados, algo que hoje em dia é visto como absurdo. Eu já assisti a alguns filmes sobre esse tema, e sinceramente, o terror real é muito pior do que o terror fantástico, e a ignorância é de provocar raiva no espectador.

 

O Caçador de Bruxas teve seus bastidores conturbados por causa das desavenças entre o astro Vincent Price e o diretor Michael Reeves. Segundo informações da internet, o diretor queria o ator Donald Pleasence para interpretar Hopkins, mas devido a ordens da A.I.P., Price acabou sendo escalado. As coisas continuaram ruins entre eles, com direito ao astro chegando bêbado no set, ou caindo literalmente do cavalo em uma cena. No entanto, após assistir ao filme, Price mandou uma carta à Reeves, parabenizando-o pelo seu trabalho. O diretor Michael Reeves acabou falecendo em 1969, vítima de overdose.

 

Antes de encerrar, mais um pouco de informações a respeito de Matthew Hopkins. Tudo que se sabe sobre ele, é que foi um caçador de bruxas britânico, mas existem fatos de sua vida envoltos em mistério, como por exemplo, a data de seu nascimento – dizem que nasceu em 1620 – e sua própria morte.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Caça às Bruxas no Cinema, em versão restaurada, após anos fora de catálogo.

 

Enfim, O Caçador de Bruxas é um filme muito bom. Um longa assustador e violento, que retrata o período da caça às bruxas com fidelidade ímpar. O astro Vincent Price tem a melhor atuação da sua carreira, aqui no papel do advogado caçador de bruxas Matthew Hopkins. Price assusta toda vez que aparece na tela, e os atos de seu personagem arrancam arrepios do espectador. A direção de Michael Reeves também é muito boa, e o diretor arranca ótimas atuações de seu elenco. Um dos filmes mais violentos de todos os tempos, e um dos melhores da década de 60. Altamente recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.

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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

OS OLHOS SEM ROSTO (1960). Dir.: Georges Franju.

 

NOTA: 10



Quem disse que filmes de terror não podem ser bonitos, certamente nunca ouviu falar do Maestro Mario Bava. Conforme já comentei aqui antes, seus filmes são carregados de uma beleza exuberante, que somente ele sabia fazer.

 

Mas hoje não estou aqui para falar sobre o Maestro, e sim, sobre OS OLHOS SEM ROSTO, lançado em 1960, dirigido por Georges Franju.

 

O que posso dizer sobre esse filme? Bem, vou direto aqui. Não é um filme bonito; é um filme lindo! E tudo contribui para isso: a direção, o roteiro, e principalmente, a fotografia em preto e branco.

 

Os Olhos é um dos meus filmes de terror favoritos, e uma grande inspiração, mas vou deixar isso mais para frente.

 

Na minha opinião, o que torna esse filme tão único, é o simples fato de ser filme de terror pé no chão, sem apelar para monstros ou fantasmas; além disso, é o exemplo clássico da história onde o monstro não é quem aparenta.

 

E também, não deixa de ser um conto de fadas de horror, com a princesa presa na torre do castelo; no caso, a filha do professor.

 

Acredito que o primeiro ponto a ser discutido aqui é a fotografia em preto e branco. Ao contrário de muitos filmes produzidos no mesmo estilo, aqui temos somente os tons de preto e branco, sem apelar para o cinza, e as duas cores pulsam na tela. Eu sinceramente não consigo imaginar esse filme sendo colorido, porque é o caso em que o preto e branco combina muito bem com o longa e o deixa ainda mais bonito.

 

A direção e o roteiro também são pontos positivos, e não apelam para sustos falsos; na verdade, são responsáveis por cenas bem tensas, com destaque para a cena da cirurgia, que até hoje, consegue ser uma das mais chocantes do cinema, mesmo sendo em preto e branco. Outra cena bem tensa, é a cena do cemitério, quando o professor abre o tumulo onde sua filha estaria enterrada e joga um corpo lá dentro.

 

Além da fotografia, direção e roteiro, temos também o elenco. Todos os atores estão excelentes nos papeis, mesmo aqueles que não aparecem por muito tempo; inclusive, pode-se dizer que temos também alguns momentos de alivio cômico, mas sem apelar para personagens idiotas.

 

No entanto, quem está excelente no filme são três atores principais. Pierre Brausseur entrega uma atuação aterrorizante e fria, interpretando o professor. O personagem é um homem amargurado, que está disposto a tudo para trazer a beleza da filha de volta, e não mede esforços para isso; Alida Valli, grande nome do cinema de horror europeu, também não decepciona, interpretando a secretaria e assistente do professor, uma mulher que também está disposta a tudo para ajuda-lo, apesar de ter seus momentos de dúvida quanto a alguns dos métodos do homem.

 

Mas claro, quem realmente rouba a cena é a atriz Édith Scob, no papel de Christiane, a filha do professor. Ela é o coração e a alma do filme e enche a tela de encanto desde de sua primeira aparição. Ela é a típica personagem que passa o filme inteiro sofrendo por causa de sua condição, porque não foi culpa dela, e conforme mencionei acima, não é o monstro da história. Além disso, conforme também mencionei, o filme é um conto de fadas, então, ela é a princesa que vive presa no castelo, a espera de alguém que possa salvá-la.

 

A personagem é praticamente um anjo dentro do filme, com seu vestido branco, e ar inocente. Sua melhor cena, sem duvida, é a cena dos cachorros, onde interage com eles, abraçando-os e acariciando-os em suas gaiolas. E a melhor peça do figurino é a máscara branca, que ela usa durante todo o filme; completamente inexpressiva e melancólica, a máscara consegue causar calafrios no espectador sem fazer esforço. E o diretor também é muito inteligente, escondendo o rosto da personagem com o uso de ângulos específicos de câmera; na verdade, há apenas uma cena em que o verdadeiro rosto da personagem aparece, e por poucos segundos. O mesmo é dito do rosto verdadeiro da atriz Édith Scob, que aparece apenas uma vez, por poucos minutos.

 

Além de Christiane, outra personagem que também merece destaque é a jovem que tem seu rosto removido e passa a usar gaze e ataduras para cobrir as cicatrizes. Mesmo com pouca presença, é um dos muitos pontos altos do filme e um dos mais sinistros também.

 

Conforme também mencionei acima, Os Olhos é um dos meus filmes de terror favoritos e uma inspiração para mim. Isso porque estou escrevendo um livro sobre uma jovem com uma condição especifica, e a personagem Christiane me serviu de inspiração para compô-la.

 

Quando foi lançado nos cinemas, foi um fracasso de critica e de bilheteria, mas hoje em dia, é reconhecido como um dos maiores filmes de terror de todos os tempos.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Obras-Primas do Terror – Vol.9, em inédita versão restaurada.

 

Enfim, Os Olhos Sem Rosto é um filme lindo.  Um filme de terror com aspecto de conto de fadas. Uma historia delicada, mas assustadora, capaz de provocar calafrios sem fazer esforço para isso. Um exemplo clássico da historia onde o monstro não é quem pensamos ser. Além disso, faz uma discussão sobre a beleza, tanto externa quanto interna. Um filme que, apesar de contemporâneo, possui um aspecto gótico. Um filme melancólico, que dá vontade de chorar. Uma bela fotografia em preto e branco enche a tela e contribui para deixa-lo mais bonito. Atuações magnificas, em especial da atriz Edith Scob, que entrega uma performance delicada, e cria uma personagem inesquecível.  Um filme maravilhoso. Um conto de fadas de terror. Um dos maiores filmes de terror de todos os tempos. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Perturbador. Comovente. Delicado. Assustador. Excelente.


Créditos: Versátil Home Vídeo

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quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

AS TRÊS MÁSCARAS DO TERROR (1963). Dir.: Mario Bava.

 

NOTA: 10



Mario Bava era um mestre. Eu já disse isso algumas vezes aqui, mas, é sempre bom ressaltar. Desde que se aventurou na direção definitivamente, com o Clássico A Maldição do Demônio (1960), Bava nos presenteou com obras que até hoje são admiradas por cineastas e fãs de cinema. Mesmo tendo se aventurado em outros gêneros, como, por exemplo, o Western, o cinema épico, e até mesmo, o cinema de super-heróis, o diretor é mais conhecido pela sua presença no Terror, principalmente no Terror Gótico.  E AS TRÊS MÁSCARAS DO TERROR (1963) é mais um exemplo.

 

Este é, sem duvida, um dos melhores trabalhos do diretor – dentre muitos outros – , e talvez a sua única aventura no gênero de antologias. E além disso, Bava contou com a presença de outro grande Mestre do terror: o astro Boris Karloff, que aqui faz o papel de anfitrião, além de estrelar o segundo – e melhor – segmento do filme, mais detalhes sobre isso adiante.

 

O filme é divido em três episódios, todos apresentados por Karloff.

 

O primeiro, O Telefone, é uma história de mistério com toques de Giallo. Após chegar em casa, uma prostituta que começa a receber ligações misteriosas. Ela então começa a suspeitar que o responsável é o seu ex-namorado, que estava preso, mas conseguiu fugir. Desesperada, ela liga para uma amiga para pedir ajuda, mas não imagina que o terror estava apenas começando.

 

O próximo segmento, O Vurdalak, é o melhor deles, sem a menor dúvida. Na história, um homem encontra um cadáver sem cabeça e o leva para a casa de uma família, e logo descobre que se trata de um assassino que vivia na região. No entanto, ele não sabe que a família está esperando o pai voltar para casa, mas ao mesmo tempo, todos estão com medo, pois acreditam que ele pode ter sido vítima de uma maldição vampiresca.

 

O último segmento, A Gota D’Água, é uma clássica história de fantasma. Uma enfermeira recebe um telefonema para ir à casa de uma médium que morreu durante uma sessão para ajudar a empregada a prepara-la para o funeral. No entanto, ela acaba roubando o anel da falecida, e passa a ser atormentada pelo seu fantasma.

 

Com o roteiro adaptado de obras escritas por F.G. Synder, Ivan Chekhov e Aleksey K. Tolstoy, As Três Máscaras do Terror é uma antologia clássica, apresentada em episódios de curta duração; ou seja, um exemplar clássico do gênero, correto? Sim, mas tem mais um detalhe: foi dirigido pelo Maestro Mario Bava, e posso dizer que isso é o que a diferencia das demais. Afinal, Bava era um maestro do cinema de horror, e aqui, dá mais uma prova do seu enorme talento.

 

O filme é um espetáculo de cores, principalmente os dois últimos segmentos, mas não é só isso. Mesmo apostando em recursos limitados, o diretor foi capaz de criar cenas e sequencias memoráveis, dignas de estudo para cinéfilos e fãs de cinema.



Logo na introdução, apresentada pelo astro Boris Karloff, somos brindados com um show de cores pulsantes na tela, que já enchem os olhos e dão uma dica do que vem por aí. Em seguida, no primeiro episódio, podemos ver o quanto o maestro sabia lidar com apenas um cenário e poucos atores, mesmo porque é exatamente isso que é mostrado na tela. Bava sabia exatamente o que fazer com o que tinha nas mãos e entregou um segmento tenso e arrepiante. No entanto, é certo dizer que ele guardou o melhor para os dois segmentos seguintes. Ambos são exemplares clássicos do terror gótico que o diretor que sabia fazer, com seus cenários exuberantes, dignos de foto, luzes coloridas pulsantes e cores vibrantes. Um verdadeiro espetáculo visual.


 

Além disso, temos aqui a representação de três grandes gêneros do terror, conforme mencionado acima. O Telefone é um suspense psicológico com toques de Giallo, subgênero que estava dando seus primeiros passos no cinema; temos o clima de tensão e também as ligações misteriosas, que se tornariam uma das marcas do gênero, além da presença das luvas pretas segurando uma faca brilhante. O Vurdalak é uma história de vampiros, nesse caso, do vampiro da tradição russa, que volta para se alimentar do sangue das pessoas que mais amou em vida – conforme dito na resenha de A Noite dos Demônios (1972), que também adaptou a novela de Tolstoy; e como toda história de vampiros, temos a presença das vítimas com os pescoços marcados pelos caninos afiados, além também do fato de que elas voltam para matar seus familiares. E por fim, A Gota D’Água é uma clássica história de fantasma com toques de terror psicológico, onde a personagem principal é levada à loucura. Temos a figura do fantasma que volta para assombrar a pessoa que o prejudicou, assim como vemos nos filmes de terror japonês, e leva-la a ter seu merecido fim, além, é claro, de termos também o tema do objeto maldito que vai passando de pessoa para pessoa, desencadeando um ciclo sem fim.

 

Ainda sobre o primeiro segmento, podemos também notar que a história toca em um dos grandes tabus da humanidade: a representação da homossexualidade na tela, ainda mais naquela época. Mesmo abordada de forma até sutil, é difícil não fazer essa associação; e além disso, temos também pequenos momentos de erotismo e sensualidade, novamente, algo inédito e ousado para a época.

 

Mesmo assim, é impossível assistir à As Três Máscaras do Terror e não se maravilhar, principalmente com a fotografia. Conforme mencionado acima, é um filme colorido, com as cores pulsando e vibrando na tela, enchendo os olhos do espectador. Bava era muito conhecido principalmente por seus filmes coloridos, e aqui podemos ver o motivo. O maestro soube muito bem onde colocar as cores, dado o seu conhecimento anterior como diretor de fotografia, e com isso, nos brindou com momentos dignos de obras de artes. Aliás, todo o trabalho do diretor é soberbo. Seu elenco atua muito bem, principalmente o astro Boris Karloff, com destaque para sua atuação no segundo episódio, onde ele interpretou o único vampiro de sua carreira, com sua capa negra com o capuz coberto de pelos. Os efeitos especiais também são maravilhosos, principalmente a cena da cavalgada na floresta noturna, homenageada por Tim Burton em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999); o fantasma da médium no último episódio também não fica atrás, com seu sorriso permanente e suas mãos em formato de garra. E claro, temos o som do vento soprando na noite. Conforme mencionei anteriormente, eu adoro quando tal efeito de som, pois dá uma sensação indescritível.

 

Sem dúvida, As Três Máscaras do Terror é um dos melhores filmes do Maestro Mario Bava, e um dos mais belos filmes de terror de todos os tempos. Quem disse que filme de terror não pode ser lindo e colorido, mas viu esse filme.

 

Foi lançado em 1963 na Itália, e no mesmo ano, a A.I.P. tratou de lançar uma versão alternativa nos Estados Unidos, que ganhou o título Black Sabbath, pelo qual também é conhecido. Os episódios foram trocados de ordem, além de contar com cenas alteradas – principalmente a introdução – e nova trilha sonora. No entanto, mesmo contando com a verdadeira voz do astro Boris Karloff, eu não gostei na versão internacional; eu prefiro muito mais a versão original italiana. Eu sei que algumas pessoas gostam das duas versões – ou até de uma delas – mas eu prefiro a versão oficial.

 

Chegou a ser lançado em DVD no Brasil pela distribuidora DarkSide – somente a versão italiana – , mas esteve fora de catálogo por anos, até ser lançado em DVD pela Versátil Home Vídeo, em belíssima versão restaurada, também com a versão internacional, até então, inédita no Brasil.

 

Enfim, As Três Máscaras do Terror é um filme belíssimo. Um verdadeiro espetáculo visual, com cores vibrantes que enchem os olhos do espectador, além de uma direção criativa do Maestro Bava, do jeito que somente ele sabia fazer. O astro Boris Karloff entrega uma atuação espetacular sob o comando do Maestro, interpretando o único vampiro de sua carreira. Uma trilogia de horror com toques de fantasia. Uma verdadeira obra de arte do cinema de horror. 


Créditos: Versátil Home Vídeo


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sexta-feira, 2 de julho de 2021

O CHICOTE E O CORPO (1963). Dir.: Mario Bava.

 

NOTA: 10



Não há duvidas que Mario Bava era um mestre do cinema de horror, conforme já mencionei em outras resenhas aqui.

 

Bem, hoje, irei falar sobre mais um de seus filmes: O CHICOTE E O CORPO (1963), um dos meus favoritos dele, e que conta com o astro Christopher Lee no elenco.

 

O que dizer sobre esse filme? Bom, devo dizer o óbvio: é um filme maravilhoso, e tudo isso se deve ao próprio Bava. O diretor sabia muito bem como queria contar uma historia e o que deveria usar para isso, e aqui, ele faz isso de sua melhor arma: a criatividade. Bava era extremamente criativo com o uso da câmera e da luz, e graças a isso, foi o responsável pelos mais belos filmes de terror de todos os tempos.

 

O Chicote e o Corpo é um deles, e como mencionei, um dos meus favoritos. É uma verdadeira história de terror gótico, de castelo assombrado, com tudo que tem direito, e que somente o gênero poderia trazer de melhor. E mais, é visualmente deslumbrante. Toda vez que eu assisto ao filme, eu me surpreendo com as imagens colocadas na tela. Eu não me canso de assistir a esse filme. E fica melhor a cada revisão.

 

É o tipo de filme de terror que os italianos sabiam fazer, com todos os toques góticos e sobrenaturais, misturados com uma pitada de suspense psicológico.

 

A fotografia é o principal destaque do filme. Assim como fizera em seus outros filmes, Bava criou uma obra colorida, onde todas as cores pulsam na tela em tons vivos. Sim, é um filme de terror colorido, do tipo de faz falta hoje em dia. Não se engane, eu gosto de filmes de terror em preto e branco, mas, com filmes de terror coloridos, parece que a coisa é mais diferente. E na versão lançada em DVD pela Versátil, a qualidade é muito melhor do que as outras versões disponíveis.

 

E claro, Bava também foi o responsável pela direção de fotografia e pelos efeitos especiais, e como sempre, mostrou-se muito habilidoso e fez um excelente trabalho, uma vez que ele começou sua carreira no cinema atuando nessas respectivas áreas.

 

Como todo filme de terror gótico, a história é ambientada num castelo, nesse caso, um castelo à beira-mar. Bava soube fazer uso do cenário, sempre destacando seu interior claustrofóbico e seu exterior clássico, com as torres que se destacam ao longe. A praia é também um ótimo cenário, com as ondas quebrando na areia, e completamente deserta.

 

O elenco também é um ponto positivo, com destaque para o grande Christopher Lee, em sua segunda colaboração com Bava. Mesmo com pouca presença em tela, o astro dá um show de atuação no papel de Kurt Menliff, o vilão do filme. O personagem é um verdadeiro sádico, que sente prazer perverso em torturar a esposa do irmão, que foi sua amante, com requintes de crueldade, agredindo-a com o chicote, a fim de despertar seu apetite sexual. Aliás, esse é um ponto que deve ser mencionado. O filme possui um forte tom de erotismo, apesar de não conter cenas de nudez, mas mesmo assim, é possível captar os toques de erotismo e sensualidade.

 

E claro, O Chicote e o Corpo é um excelente filme de fantasmas com toques de suspense. Os italianos sabiam fazer grandes filmes de fantasmas, misturados com outros gêneros, e nesse caso, temos uma mistura de história de fantasma com história de assassinato misterioso, uma vez que temos duas cenas de assassinatos e não sabemos quem é o culpado. Eu acho uma ótima combinação para esse filme, porque prende ainda mais a atenção do espectador.

 

E sendo um filme de fantasmas, temos também o espírito que ronda o castelo e assombra seus familiares, nesse caso, Nevenka, conduzindo-a a episódios de histeria e levando-a a loucura completa. E isso funciona muito bem.

 

Antes de encerrar, devo mencionar o som. Conforme mencionei na resenha de Seis Mulheres para o Assassino (1964), também de Bava, o som é um elemento a parte. E aqui, não é diferente. O áudio em italiano é maravilhoso, e parece ecoar para fora da tela, como se estivéssemos no assistindo no cinema; além disso, o vento é quase um personagem, soprando desde o começo do filme, deixando clara a sua presença. Eu gosto muito de filmes de terror onde o vento pode ser ouvido, para mim passa uma sensação agradável e fantasmagórica. E a trilha sonora de Carlo Rustichelli é maravilhosa, com um ar melancólico que casa muito bem com o filme.

 

Esses são os atrativos que fazem deste um excelente filme de terror italiano, do tipo que somente eles sabiam fazer.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror, em versão restaurada com áudio em italiano. 

 

Enfim, O Chicote e o Corpo é um filme excelente. Uma historia de fantasmas com elementos eróticos e psicológicos que prendem a atenção do espectador. A direção de Mario Bava é o melhor aspecto do filme, e, aliado a uma fotografia colorida, deixam-no ainda mais bonito, e melhor a cada revisão. O astro Christopher Lee entrega uma excelente atuação. Um verdadeiro espetáculo visual, do jeito que somente Bava sabia fazer. Altamente recomendado.



Créditos: Versátil Home Vídeo

 

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