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sábado, 9 de março de 2024

MORGIANA (1972). Dir.: Juraj Herz.

 

NOTA: 8.5


O diretor Juraj Herz foi um dos cineastas mais criativos de todos os tempos, e seus filmes possuíam um toque experimental e assustador.

 

MORGIANA é outro filme do cineasta, e um dos mais assustadores que já vi, e motivos para isso não faltam.

 

Desde a primeira vez em que o assisti, fui tomado por uma sensação de pavor, misturada com desconforto e fascínio, tudo isso graças, principalmente, à sequência dos créditos iniciais, que é banhada com uma trilha sonora arrepiante, combinada a imagens desconcertantes. Eu confesso que toda vez que penso em assistir ao filme, eu fico com receio por causa dessa sequência inicial, mas logo tal sensação passa, e sou capaz de apreciar o longa, ainda que tenha que enfrentar certos momentos arrepiantes.

 

Além de ser um dos mais assustadores que já vi, o filme é também um dos mais impressionantes, graças às técnicas de direção de Herz, que faz uso de métodos criativos e bizarros para contar sua história, como por exemplo, o uso de lentes grande-angulares e distorção de cores.

 

Mas não é apenas a técnica de direção que deixa o filme belo; a direção de arte e o figurino também contribuem para isso, e nos fazem entrar naquele mundo gótico europeu do século XIX. Sempre que assisto ao filme, eu presto atenção a esses detalhes, porque eles me deixam ainda mais imerso na experiência.

 

Agora que já mencionei a qualidade técnica, deixe-me falar sobre seu elenco, com destaque para a atriz Iva Janzurová, que interpreta as gêmeas Klara e Viktoria. A atriz está excelente em seus papéis, e confesso que é difícil não imaginar se são duas mulheres diferentes dando vida àquelas personagens, visto o grau de diferença de atuação. Iva se transforma nas personagens de modo impressionante, e nós sentimos simpatia pelas duas irmãs, apesar de sabermos que Viktoria é perversa.

 

Sobre as irmãs, digo o seguinte. O filme é a clássica história do gêmeo bom e do gêmeo mal, e fica fácil saber qual das irmãs é a boa, e qual é a má. Viktoria é a gêmea má, e isso fica evidente logo em sua primeira cena. A personagem é excelente, sempre vestida de preto, com sua maquiagem e rosto pálido como papel. Klara é a gêmea boa, sempre vestida com roupas coloridas, com ar de ingenuidade e bondade presentes em sua personalidade.

 

Ainda sobre Viktoria, ela é a encarnação da maldade, praticando atos ruins apenas porque é malvada, prejudicando a todos ao seu redor e se mostrando gananciosa e disposta a tomar a parte da herança que Klara recebeu do pai. Ela é uma das melhores vilãs que já vi em um filme.

 

Klara, por outro lado, é doce e sensível, e acredita na bondade das pessoas. Por isso, quando ela é envenenada, nós sentimos pena dela, pois sabemos o que aconteceu e o motivo pelo qual aconteceu; o mesmo acontece quando ela passa a sofrer os efeitos do veneno, sendo acometida por visões terríveis e disformes. O maior problema disso tudo, é que ela é obrigada a ficar sob os cuidados de uma freira assustadora e severa.

 

A trilha sonora também é um ponto positivo para o filme. É difícil classificá-la com precisão, mas digo que é uma verdadeira trilha sonora de filme de terror, que provoca arrepios no espectador; pelo menos para mim é assim sempre que assisto ao filme.

 

O filme também é cheio de momentos arrepiantes, escuros e desconcertantes, e é difícil dizer qual é o mais arrepiante. O que todos têm em comum, é que todos são protagonizados por Viktoria, o que aumentam seus graus de maldade.

 

Segundo o diretor Herz, o filme foi encarado por ele como um exercício para ele não perder suas habilidades de direção, visto que foi proibido de exercer a profissão por motivos políticos.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror 14, dedicado ao terror europeu, com um depoimento do cineasta como extra.

 

Enfim, Morgiana é um filme muito bom. Um filme de terror com imagens e cenas arrepiantes, que prendem a atenção do espectador, e podem causar pesadelos sem o menor esforço. A atriz Iva Janzurová é o grande destaque, com sua atuação magistral, no papel das gêmeas Klara e Viktoria. Um filme verdadeiramente assustador, e um dos melhores filmes de terror do cinema europeu.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


segunda-feira, 3 de julho de 2023

A BELA E A FERA (1978). Dir.: Juraj Herz.

 

NOTA: 9


A Bela e a Fera é um dos contos de fadas mais famosos de todos os tempos, tendo rendido algumas adaptações, seja na literatura, seja no cinema. Dentre as mais famosas, destacam-se a versão da Disney, lançada em 1991, que se tornou o primeiro filme de animação a concorrer ao Oscar® de Melhor Filme; ao seu lado, podemos colocar também a versão francesa de 1946, dirigida por Jean Cocteau.

 

Mas hoje não estou aqui para falar de nenhuma dessas versões, mas sim, de A BELA E A FERA, produção tcheca, lançada em 1978, e dirigida pelo experimental Juraj Herz.

 

Vou ser honesto aqui. Se você está pensando que este filme é próximo à versão colorida da Disney, esqueça. Aqui temos uma versão sombria e gótica, um verdadeiro filme de terror.

 

Eu digo que é um dos filmes mais bonitos e mais assustadores que já vi, graças ao estilo experimental do diretor Juraj Herz, um dos grandes nomes do cinema tcheco.

 

O filme é, acredito, uma adaptação próxima de uma das versões originais, visto que aqui, o personagem do comerciante – batizado aqui de Otec – tem três filhas, e duas delas estão prestes a se casar; sua filha mais nova é solteira e opta por ajudar o pai. Bem, como ainda não li as versões originais, não posso dizer se o roteiro do longa é próximo da fonte original.

 

O que posso dizer é que Herz fez uma versão bastante assustadora e sombria, sempre envolta na escuridão, apostando no clima de tensão para provocar medo no espectador; e isso ele consegue fazer muito bem. Eu já vi o filme algumas vezes, e toda vez que vejo, eu fico realmente assustado, graças à atmosfera gótica do mesmo.

 

E toda vez que eu vejo o filme, eu tenho uma sensação de desconforto, principalmente com a sequencia da floresta, com a caravana que está transportando pedras preciosas e outros itens. Eu sempre tenho a impressão de que tais sequencias foram difíceis de fazer, principalmente por causa da locação; a floresta lamacenta e a ambientação noturna, além dos ângulos e closes nos personagens.

 

A câmera de Herz é um dos destaques do filme – também presente em seus outros filmes de horror – com suas lentes grande-angulares, sempre focando no POV do personagem, que deixam o filme ainda mais assustador e desconfortante. Mas não se engane, o estilo do diretor é muito bom, e além de deixar o filme desconfortante, consegue deixa-lo bonito.

 

Além da câmera, a fotografia também contribui para isso, sempre deixando o filme imerso na escuridão, como mencionei acima. Eu não sei como tais cenas foram rodadas, mas parece que o cineasta não utilizou luzes artificiais. Aliado à fotografia, o design de produção também merece menção, principalmente o castelo da Fera. O lugar é digno daquelas historias de castelo assombrado, visto que é um lugar abandonado, com seus móveis formados por criaturas magicas. Novamente, como não sei se tal fato está de fato presente nas narrativas originais, mas o mesmo foi aproveitado pela Disney na sua versão clássica. Mas, ao contrario da versão Disney, aqui o castelo e seus móveis mágicos dão medo, graças à fotografia e os efeitos especiais.

 

Os efeitos especiais também funcionam, principalmente o visual da Fera. Ao contrario do que conhecemos, o diretor Herz optou por adotar um visual de pássaro para dar vida à sua Fera, e a coisa funciona. A Fera é verdadeiramente assustadora, com sua roupa negra e capa que lembra um par de asas e suas garras afiadas. E assim como nas versões originais, a Fera se apaixona pela mocinha, e faz de tudo para não mata-la, porque se ele o fizer, poderá se libertar da maldição. A maldição da Fera não é muito explorada aqui, e francamente, não faz muita diferença, porque, para quem conhece a história, já sabe como o príncipe ficou como ficou. E o ator que a interpreta, Vlastimil Harapes, não faz feio, passando toda a angustia do personagem com naturalidade.

 

A mocinha, Julie, também merece uma menção, porque, ao lado da Fera, é a melhor personagem do filme. A atriz que a interpreta, Zdena Studenková, também dá um show de atuação, e passa toda a ingenuidade virginal da personagem, principalmente quando ela interage com a Fera. Minha cena favorita é quando Julie está conversando com a Fera no escuro, após ter uma visão do pai numa festa, e a Fera lhe pergunta se deve ir embora, e Julie diz que não. Zdena é dona da cena, principalmente do take em close do seu rosto. E finalmente, quando Julie vê o rosto verdadeiro da Fera, a atriz passa tudo que o diretor deve ter solicitado a ela.

 

E o final do filme é maravilhoso, e mostra o que aconteceu com Julie e a Fera. Esse é um detalhe que eu acho interessante sobre o filme; as irmãs de Julie se casaram com condes pobres, enquanto ela mesma se casou com um príncipe e virou princesa.

 

E para finalizar, deixo aqui a minha menção à sequencia de créditos, composto por pinturas sinistras e uma trilha sonora sombria, que sempre me deixa arrepiado.

 

Juntamente com A Bela e a Fera, o diretor Herz fez mais dois filmes de horror, todos assustadores, desconfortantes e lindos: Morgiana (1972) e O Cremador (1969), todos realizados com o estilo experimental do diretor.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror Vol.14, que conta com um depoimento do diretor como extra.

 

Enfim, A Bela e a Fera é um filme excelente. Uma versão gótica e sombria do clássico conto de fadas, que consegue assustar ainda mais a cada revisão. O estilo experimental do diretor Juraj Herz é um dos atrativos do filme, com suas lentes grande-angulares e fotografia sombria, combinados a grandes efeitos especiais e ambientação gótica e um elenco afiado. Uma das melhores versões do clássico conto de fadas e um dos filmes mais assustadores e lindos que já vi. Altamente recomendado.



Créditos: Versátil Home Vídeo.

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