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quarta-feira, 6 de setembro de 2023

CORAÇÃO ASSOMBRADO – STEPHEN KING – A BIOGRAFIA (Lisa Rogak).

 

NOTA: 8.5


Eu já disse – e vou continuar dizendo – que Stephen King é um dos maiores escritores de todos os tempos, com uma capacidade ímpar de contar histórias. E como vocês sabem, eu já resenhei algumas de suas histórias aqui.

 

E hoje, vou falar novamente sobre Stephen King, mas não sobre suas histórias, e sim, sobre CORAÇÃO ASSOMBRADO, da autora Lisa Rogak. Mas o que esse livro tem a ver com Stephen King? Bem, tudo, porque se trata da biografia, ainda que não autorizada, do mesmo.

 

A autora faz um ótimo trabalho ao contar a história de vida do autor mais famoso do Maine, passando por sua infância pobre, chegando à juventude, até o sucesso como escritor.

 

Aqui, ela faz um relato quase que detalhado da vida de King, e conta tudo com maestria digna de nota.

 

Primeiro ela começa a falar sobre o passado da família de King, mais precisamente o de sua mãe, Ruth, que teve de criar os filhos sozinha, uma vez que o pai de King saiu de casa quando o autor tinha apenas dois anos, conforme ele mesmo conta diversas vezes. Rogak conta a respeito das dificuldades de Ruth em arranjar comida para os filhos, e às vezes, sobre como eles não tinham nem o que comer para que King pudesse estudar.

 

Além da pobreza de família, Rogak também nos conta como Stephen King descobriu o gosto pela literatura, através dos gibis da EC Comics – Tales from the Crypt, principalmente, e de obras de diversos autores. A autora relata que o jovem King vivia sempre acompanhado de um livro e que gastava horas do dia lendo e devorando as páginas.

 

Temos também o relato de quando King começou a escrever, quando ainda estava na escola, e teve, por exemplo, de escrever uma versão própria do conto O Poço e o Pendulo, clássico de Edgar Allan Poe, que ele vendia pelos corredores da escola. Além disso, temos também os relatos de King na faculdade, onde continuou a escrever suas histórias, além de trabalhar no jornal da escola, e de criar o seu próprio, onde publicava notícias do campus.

 

Rogak também faz um apanhado das encrencas em que King se meteu na época de faculdade, quando foi preso por conta de bebida, e sobre como conheceu sua esposa, Tabitha Spruce, com quem é casado até hoje. E mais para frente, temos os primeiros contos publicados do autor, que eram lançados em revistas masculinas, e rendiam bons cheques a ele, mas nem todos eram suficientes para pagar as contas.

 

King passou um bom tempo com dificuldades financeiras, tendo de trabalhar como professor para poder pagar as contas, mas ele mesmo acabava gastando o dinheiro com bebida, o que gerava problemas para a família.

 

Mas como sabemos, tudo isso mudou em 1973, quando King enviou para a editora Doubleday o original do que seria o seu primeiro romance, o clássico Carrie – A Estranha. A autora revela que King não tinha muita fé no manuscrito, visto que seus manuscritos anteriores haviam sido rejeitados pela mesma editora. Porém, contrariando suas expectativas, Carrie foi vendido e se tornou um sucesso absoluto, assim como seu segundo livro, ‘Salem’s Lot.

 

Nos capítulos seguintes, a autora nos conta mais detalhes sobre a vida do autor, destacando como King criou seu pseudônimo, Richard Bachman, e sobre os livros que escreveu sob esse pseudônimo, entre eles, o polêmico Fúria, que foi banido pelo próprio autor após o massacre de Columbine, em 1999. Rogak nos revela que King escreveu alguns dos livros de Bachman ainda antes de escrever Carrie, e que, após o sucesso do mesmo, os livros foram publicados.

 

Rogak também nos revela também o período em King foi viciado em drogas, principalmente cocaína, que o consumiu por anos. Foi nessa época que o autor começou a escrever compulsivamente, chegando a lançar três livros em um curto espaço de tempo, dentre eles, A Incendiaria, A Zona Morta e Cujo, que, como o próprio King relata, não se lembra de ter escrito devido ao vício.

 

Além disso, somos também apresentados ao lado cinematográfico do autor, com sua passagem pelo cinema, graças ao sucesso das primeiras adaptações de seus livros e contos, dentre eles, claro, O Iluminado, dirigido por Stanley Kubrick, que desagradou King. Rogak nos conta por exemplo, como foi a criação de Creepshow, além das recepções – por parte do próprio King – às versões para cinema produzidas até então.

 

Nessa mesma época, King enfrentou desavenças com sua principal editora, a Doubleday, que publicou muitos de seus grandes sucessos, e foi obrigado a mudar para outras editoras, mas mesmo assim, enfrentou problemas, porque a Doubleday não queria lhe dar o dinheiro que achava que precisava. Ao invés disso, o autor firmou um acordo e publicou O Cemitério em 1983, livro que ele odiava e não queria ver publicado.

 

Além disso, a autora também nos conta como foi a relação de King com as drogas, e sua luta para se manter sóbrio durante a década de 90. Também ficamos sabendo da relação do autor com seus fãs, destacando dois episódios envolvendo fãs malucos, que invadiram a casa dos King e os ameaçaram com bombas.

 

Temos também um relato de como King montou sua banda, e as apresentações que fizeram ao redor dos Estados Unidos ao longo dos anos. A autora também faz um apanhado de como os filhos do autor resolveram se aventurar na arte do pai, e acidente que Naomi sofreu.

 

E para finalizar os eventos importantes na vida do autor, o livro também descreve como foi o atropelamento que ele sofreu em Junho de 1999, que quase lhe custou a vida. Rogak nos conta o que King estava fazendo antes de ser atropelado, bem como foi a sua vida após o acidente, e sua luta para se livrar de um novo vicio, desta vez de analgésicos.

 

E claro, temos diversas menções à aposentadoria de King, algo que ele sempre diz que vai se concretizar, mas nunca fez, visto que em Setembro, teremos o lançamento de Holly, seu livro mais recente.

 

Não entrarei em mais detalhes para não dar spoilers – até porque eu já falei de muita coisa aqui.

 

No geral, eu achei o livro muito bem escrito e até um pouco bem humorado – não sei se teve alguma coisa a ver com a tradução, mas foi essa a impressão que tive.

 

Além de ser uma biografia, também pode ser encarado como uma espécie de manual para quem quer escrever – digo isso porque, conforme eu lia, me senti com mais vontade de retomar minhas escritas, principalmente os livros que estão empacados.

 

A autora fez um ótimo trabalho de pesquisa, mas eu senti um pouco de falta de mais informações sobre o passado da família do autor, uma pesquisa um pouco mais aprofundada, mas isso não atrapalhou a leitura.

 

A escrita do livro também é muito boa, e às vezes, parece que a autora está conversando conosco, vide o modo como ela usou as palavras. Eu confesso que me diverti com algumas passagens, apesar de ter encontrado dificuldades em outras – deve ter sido por causa do meu modo e ritmo de leitura.

 

Mas no geral, eu gostei bastante de Coração Assombrado, e recomendo a leitura para quem gosta de biografias, e principalmente, de Stephen King.

 

Enfim, Coração Assombrado é um livro muito bom. Uma leitura rápida e às vezes divertida, que prende a atenção do leitor e o deixa curioso para saber o que mais aconteceu na vida do Mestre Stephen King. A autora fez um ótimo trabalho e nos apresentou os grandes momentos da vida do autor com sensibilidade e até bom humor. Um livro recomendado para quem gosta de biografias, e principalmente, gosta de Stephen King. 


sexta-feira, 2 de julho de 2021

CANINOS BRANCOS (Jack London).

 

NOTA: 9.5



Eu adoro lobos-cinzentos. São algumas das minhas criaturas favoritas, principalmente por causa de sua beleza. E eu já comentei sobre eles. A primeira vez foi sobre o meu primeiro livro, O Vale dos Lobos, publicado em 2014, pelo Grupo Editorial Scortecci; e a segunda vez foi sobre o filme Lobos (1981), filme de terror que me inspirou a escrever o livro.

 

E aqui estou, mais uma vez, para falar sobre lobos. Mas desta vez, não será uma história de horror. Pelo contrário, é uma história linda: CANINOS BRANCOS, do autor Jack London.

 

Na verdade, este texto é sobre uma releitura, uma vez que eu já havia lido o livro antes, numa edição da Editora Martin Claret. No entanto, aquela não foi uma leitura muito prazerosa, porque eu resolvi ler cada uma das partes do livro num dia diferente – o livro é dividido em cinco partes. E nessa leitura, eu não me agarrei com firmeza na história.

 

Bom, agora com essa releitura, a coisa foi diferente. Eu pude me prender à leitura no tempo certo, lendo um pouco de cada vez, principalmente porque o livro é composto basicamente por texto, e não contem muitos diálogos.

 

Aliás, preciso dizer que esse é um detalhe que torna a leitura desse livro complicada, uma vez que London faz uso de muito texto para descrever as aventuras de seu personagem-título. Mas ao mesmo tempo que é uma leitura complicada, é também prazerosa e impressionante porque eu quase não leio livros com poucos diálogos e poucos personagens humanos.

 

Isso mesmo, quase não temos personagens humanos nessa história, e faz sentido, porque não é uma história sobre pessoas, mas sim, sobre um lobo.

 

London faz deste livro quase uma biografia do personagem, contando para nós como e onde ele nasceu, passando por sua juventude, até chegar a vida adulta. Se isso não é uma biografia, não sei o que deve ser. E o autor não poupa Caninos Brancos de perrengues, e que perrengues. Existem passagens violentas no livro, que cortam o coração do leitor, e é difícil escolher a pior. Eu confesso que enquanto estava lendo, eu senti um aperto no coração.

 

E as coisas pioram quando ele se torna propriedade de um homem branco que o compra de um cacique. Não vou dizer o que acontece, para não dar spoilers, mas é tão terrível quanto os perrengues que ele enfrenta na floresta e na aldeia dos índios.

 

Mas apesar disso, Caninos Brancos é um grande livro. London se mostrou um excelente autor, e soube contar sua história com total maestria. E o livro contém grandes cenas, todas protagonizadas pelo personagem-título; as melhores, na minha opinião, acontecem no final da história.

 

Antes de encerrar, devo dizer que o motivo que me levou a ler – ou nesse caso, reler – o livro foi a adaptação lançada em 1993 e produzida pela Disney. É um filme excelente, e durante a leitura, eu pude visualizar o ator animal que interpretou o lobo, o cão Jed.

 

Essas são as qualidades que fazem de Caninos Brancos um livro excelente e um grande romance do escritor Jack London.

 

Enfim, esse é um excelente livro. Uma linda história de aventura, ação, drama e amor contada com uma maestria ímpar. O autor Jack London se mostrou um grande contador de histórias e criou um dos maiores romances dos Estados Unidos. Um livro maravilhoso. Altamente recomendado.



JACK LONDON


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