Mostrando postagens com marcador ZUMBIS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ZUMBIS. Mostrar todas as postagens

sábado, 19 de outubro de 2024

O DESPERTAR DOS MORTOS (1978). Dir.: George A. Romero.

 

NOTA: 10


O DESPERTAR DOS MORTOS é, sem dúvida, o melhor filme de George A. Romero, além de ser o melhor filme de zumbis de todos os tempos.

 

Filme do meio da trilogia dos zumbis, esse filme apresentou tudo aquilo que hoje é utilizado em mídias sobre apocalipse zumbi.

 

Algumas regras já haviam sido estabelecidas em A Noite dos Mortos-Vivos, mas, em Despertar, elas foram aumentadas, e hoje em dia, tornaram-se praticamente obrigatórias.

 

Isso sem falar que, assim como seu antecessor, é um filme repleto de comentário social, desta vez, voltado para o consumismo.

 

Essa era uma característica nos filmes de Romero, mas, acredito que ficaram ainda mais em evidência dos seus filmes de zumbi, visto que o cineasta soube fazer isso com maestria, maestria essa que até hoje é discutida por cinéfilos e cineastas.

 

Além de tudo isso, Despertar também é um marco do gore, graças aos efeitos especiais do mestre Tom Savini, mas, mais detalhes sobre isso adiante.

 

Na trama, o mundo está quase todo devastado pelos zumbis. Sabendo disso, um grupo de quatro pessoas foge em um helicóptero e acaba encontrado um shopping center, onde acaba se instalando para escapar do ataque dos mortos-vivos.

 

Assim como no anterior, é uma trama simples que também está carregada de comentários sociais, mas, ao contrário do primeiro filme, é possível perceber que o orçamento foi um pouco maior aqui.

 

A grandeza do filme está presente desde os seus bastidores.

 

Romero estava com dificuldades de produzir uma continuação para o primeiro filme, mas acabou recebendo apoio do diretor Dario Argento, que já era um grande fã do cineasta, e vice-versa. Assim, Romero viajou para a Itália, onde conseguiu desenvolver o roteiro e conseguiu financiamento para realizar o filme.

 

É legal saber que Romero teve apoio de Argento para fazer o filme, o que formou uma grande amizade entre eles, que se consolidou ainda mais quando se uniram novamente para dirigir o filme Dois Olhos Satânicos (1990), antologia baseada em dois contos de Edgar Allan Poe.

 

Ainda segundo Romero, a ideia para este filme surgiu quando ele estava em um shopping center em Pittsburg, e imaginou como seria se uma horda de zumbis invadisse o lugar.

Conforme mencionado acima, a crítica da vez está no consumismo exagerado, e não deixa de ser verdade, visto que, quando as pessoas vão ao shopping, elas passam horas no local, olhando para os itens em oferta, e além disso, quando acontece alguma promoção em alguma loja, não é incomum ver um grupo de pessoas se formando na porta do estabelecimento, prontas para agarrar os itens o quanto antes. Eu já vi uma imagem dessas na internet, mas, graças a Deus, nunca presenciei algo como esse pessoalmente.

 

Agora que já comentei um pouco a respeito do comentário social presente no filme, deixe-me falar sobre os personagens.

 

O roteiro é focado em grupo de quatro pessoas, formado por dois policias da SWAT, uma repórter de TV e um piloto da emissora. A interação entre eles é muito boa, e é possível identificá-los rapidamente, assim que aparecem no filme. Fran se encaixa a princípio no perfil da mocinha indefesa, visto que ela começa o filme toda fragilizada, mas, conforme a trama avança, ela se mostra tão forte quanto os homens. Stephen é o seu namorado, e é o piloto do grupo; no início, ele também se mostra receoso em matar as criaturas, mas muda de atitude quando percebe que não há outra saída. Peter e Roger são os agentes da SWAT, e cada um possui sua própria personalidade; Roger é valente e não tem medo do perigo; Peter, por outro lado, é mais racional, mas valente, também.

 

Juntos, os personagens formam um grupo bastante unido, e se apoiam nas decisões importantes que devem ser tomadas. Além disso, eles se unem também na hora de tomar o shopping, chegando a construir quase que uma casa dentro do prédio, no local onde escolheram para se esconder. E na hora do combate, eles se unem ainda mais, cada um dentro de suas habilidades.

 

O roteiro de Romero também é muito afiado no que quis respeito ao ritmo. Logo no começo, fomos brindados com uma confusão no estúdio de TV, passando para uma guerra no conjunto habitacional de cubanos. Depois desse início frenético, as coisas começam a andar de forma mais lenta, com os personagens tomando o shopping, procurando um lugar para se esconder, depois, começam a tomar as coisas das lojas, até que conseguem se firmar no local. Mas não é só isso. A trama também se preocupa em explorar as relações entre os quatro, principalmente entre Fran e Stephen.

 

Em determinado momento, um grupo de motoqueiros saqueadores invade o prédio e provoca uma guerra com os quatro, o que leva a trama de volta à ação, visto que eles também lutam contra os zumbis das formas mais criativas possíveis.

 

Conforme mencionado acima, o filme é também um marco do gore, graças aos excelentes efeitos especiais de Tom Savini. O visual dos zumbis é básico, até, com uma tonalidade cinza e azulada, mais os efeitos de morte são o auge. Logo na primeira sequência de ação, no conjunto habitacional dos cubanos, somos presenteados com uma cabeça explodindo em frente à câmera, além de cenas de pessoas sendo mordidas. No shopping, a coisa não é muito diferente, com os zumbis sendo derrotados com tiros na cabeça, mas com efeitos diversos. No entanto, o melhor acontece quando eles matam os motoqueiros, arrancando seus órgãos na base da unha, e devorando-os vivos. No entanto, Savini deixaria o melhor para o filme seguinte da trilogia, Dia dos Mortos (1985), mas isso é assunto para outra resenha.

 

Despertar dos Mortos foi financiado por Dario Argento, conforme mencionei, e com isso, acabou ganhado uma versão remontada pelo cineasta italiano para o mercado europeu, que recebeu o título de Zombie. Além da versão editada por Argento, o filme também possui uma versão estendida, com 139 minutos, considerada por muitos como a Versão do Diretor; no entanto, Romero afirmava que a sua Versão do Diretor era a versão original, com 127 minutos. A versão escolhida para esta resenha é justamente a Versão do Diretor.

 

Foi lançado em Blu-ray e DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, numa edição que apresenta as três edições, em versões restauradas, com um disco só de extras. Atualmente, tais edições estão fora de catálogo.

 

Enfim, O Despertar dos Mortos é um filme excelente. O filme que apresentou as principais regras para as mídias posteriores, além de contar com uma direção inspirada, roteiro afiado, e efeitos especiais bastante criativos. Um filme que se tornou um marco do gore, e também, o melhor filme de zumbis de todos os tempos, além de ser o melhor filme do diretor George A. Romero.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


segunda-feira, 10 de junho de 2024

A NOITE DOS MORTOS-VIVOS (1968). Dir.: George A. Romero.

 

NOTA: 10


A NOITE DOS MORTOS-VIVOS é um filme atemporal.

 

Lançado há quase 60 anos, é considerado um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, e foi o responsável por apresentar várias características que se tornariam regras para o subgênero de zumbi, além de colocar os mortos-vivos de vez na cultura pop.

 

Aliado a tudo isso, temos as técnicas de direção e produção, que se mostram muito eficientes desde o começo.

 

O diretor George A. Romero fez sua estreia com esse filme, e se mostrou muito competente na arte de comandar e escrever o roteiro de um filme.

 

O roteiro de Romero, escrito em parceria com John Russo, apresenta uma trama simples na verdade, onde um grupo de pessoas se vê preso em uma casa de fazenda abandonada, cercada por vários zumbis. O grupo então precisa se unir para sobreviver a esse ataque.

 

É uma trama simples, não é? Sim, e misturada às técnicas de direção e roteiro, contribui para deixar o filme melhor a cada revisão.

 

Mas não é apenas a técnica que deixa o filme melhor. Outra coisa que contribui para isso é a crítica que o roteiro faz à situação que o país vivia naquele momento, mas, falarei sobre isso mais para frente.

 

Não é novidade que este é um filme de zumbi, mas, não foi o primeiro – o primeiro foi Zumbi Branco (1932), com Bela Lugosi. Apesar de não ser o primeiro, foi o responsável por apresentar o zumbi moderno para a cultura pop, além de ser o filme que definiu o gênero de terror moderno, influenciando gerações de cinéfilos e cineastas ao longo das décadas.

 

Além disso, é um dos filmes mais claustrofóbicos de todos os tempos. A ambientação na casa é a principal fonte de claustrofobia, porque ela está sempre fechada para impedir a entrada dos zumbis. Os personagens ficam enclausurados dentro daquela casa, e com isso, nós, os espectadores também.

 

Uma curiosidade interessante. Apesar de ser um filme de zumbi, a própria palavra “zumbi” não é mencionada em momento nenhum, e nem a origem das criaturas é explicada com clareza. Em determinado momento, o noticiário diz que o responsável pela ressurreição dos mortos foi um satélite que caiu em algum lugar os Estados Unidos. É uma boa explicação.

 

Além de ser um dos filmes mais claustrofóbicos de todos os tempos, este é também um dos filmes mais chocantes e assustadores de todos os tempos, e motivos para isso não faltam. Um exemplo claro disso é a cena em que os zumbis comem os pedaços de dois personagens que morreram; mesmo sendo em preto e branco, é uma cena pesada até hoje.

 

É um dos filmes mais assustadores porque a tensão e o medo estão presentes desde o primeiro momento, e conforme o filme vai passando, parece que as duas sensações vão aumentando, porque não sabemos o que vai acontecer com os personagens, principalmente dentro da casa, visto que eles se enfrentam o tempo todo.

 

Essa é a grande crítica que o roteiro de Romero e Russo faz. Romero pegou como inspiração os conflitos raciais que estavam acontecendo no país na época, combinado ao terror da Guerra do Vietnã, e montou uma grande crítica em torno do racismo, porque o protagonista Ben é um homem negro, que entra em conflito com Cooper, que é um pai de família tradicional, que não aceita opiniões de ninguém, nem mesmo da esposa.

 

Até hoje, cenas de conflitos raciais estão presentes nos Estados Unidos, vide o movimento “Black Lives Matter!”, que surgiu após um episódio revoltante envolvendo um cidadão afro-americano e um policial. Quem disser que este filme é datado, está enganado.

 

Foi lançado no Brasil em DVD e Blu-ray pela Versátil Home Vídeo, em inédita versão restaurada, com muitos extras acompanhando.

 

Enfim, A Noite dos Mortos-Vivos é Um Clássico do Terror. Um filme que revolucionou o gênero e trouxe os zumbis para a cultura popular e influenciou gerações de cineastas e cinéfilos. Um filme importante em muitos aspectos, pois aborda temas que até hoje são relevantes e importantes, e merece ser visto. Uma trama muito simples, mas que consegue ser assustadora até hoje. Uma trama claustrofóbica que não deixa o espectador respirar. Muito bem feito, muito bem dirigido, com roteiro redondo, sem falhas na concepção. Um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, que deu um novo sopro ao gênero. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. O maior filme de zumbis de todos os tempos. Assustador. Claustrofóbico. Chocante. Excelente. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.

 

segunda-feira, 8 de abril de 2024

O GALEÃO FANTASMA (1974). Dir.: Amando de Ossorio.

 

NOTA: 8.5


Entre 1972 e 1975, o diretor espanhol Amando de Ossorio lançou a sua quadrilogia dos mortos-vivos cegos, que se tornaram cults graças à originalidade do cineasta ao criar os seus zumbis.

 

Hoje, vou falar sobre O GALEÃO FANTASMA, terceiro filme da quadrilogia, lançado em 1974, e considerado o mais trash e tosco de todos, graças aos efeitos especiais simplórios.

 

Ao contrário dos filmes anteriores, aqui temos outra explicação para os zumbis cegos templários, visto que agora os mesmos estão ligados ao mar, habitando um navio fantasma, uma alegoria muito comum nas histórias de terror.

 

Mais uma vez, Ossorio se mostra um cineasta competente, e faz um belo trabalho, tudo graças às suas técnicas próprias, com o uso de câmeras e lentes especiais, além da clássica trilha sonora, e o visual dos zumbis.

 

Assim como nos anteriores, os zumbis são apresentados com o visual clássico, os esqueletos com capas e bigodes que andam lentamente, e escutam suas vítimas pelo batimento cardíaco. O cineasta sabe fazer uso dos monstros sempre que possível, apresentando-os aos poucos, e quando eles surgem, tomam conta da tela.

 

O roteiro do cineasta faz uma espécie de crítica à indústria de modelos, visto que os personagens trabalham em uma agência de modelos de renome, e uma das mulheres se preocupa com a amiga, e decide procurar por ela, após descobrir que a mesma está em um barco à deriva com outra mulher, como parte de uma campanha publicitária. Após essa apresentação, o roteiro nos leva ao mundo dos zumbis templários, e ficamos sabendo que se trata de um filme da série dos zumbis cegos.

 

Deixe-me destacar também a ambientação do navio fantasma. Ao contrário das ambientações terrestres dos dois filmes anteriores, temos aqui uma ambientação marítima, com um clima fortemente gótico e claustrofóbico, com o navio envolto em nevoa e escuridão.

 

Mesmo sendo levados para outro ambiente, a claustrofobia ainda é muito forte, visto que a câmera de Ossorio foca em determinados pontos escuros e sombrios do navio, e passam a sensação de um lugar fechado, ao mesmo tempo que passa uma sensação de falta de segurança e medo.

 

No entanto, apesar da ótima mudança de ambiente, o diretor novamente faz questão de banalizar o corpo da mulher, apresentando-a como um objeto para os homens tarados que as rondam. Tal característica fica evidente logo na primeira cena, com três modelos de biquíni posando para uma campanha. Mais adiante, a modelo Noemi é tratada como pedaço de carne por um personagem masculino que tenta assediá-la; além disso, o dono da agencia também a trata com desrespeito. Em tempos do politicamente correto, cultura do cancelamento, e outros, fica evidente que a quadrilogia jamais seria realizada nos dias atuais.

 

Antes de encerrar, deixe-me falar um pouco a respeito dos efeitos especiais, que são, na opinião dos especialistas, o grande defeito do filme. Eu já mencionei que os zumbis cegos são a melhor coisa do filme, então, não irei me repetir; o foco aqui são os efeitos do navio. Ossorio faz muito uso de miniaturas na hora de mostrar seu galeão por inteiro, e talvez para os mais exigentes, soe muito falso. Para mim, não há muito problema; eu gosto da ideia de que o cineasta dispunha apenas de miniaturas, visto que construir um navio em tamanho real, seria problemático, e com certeza geraria problemas de orçamento.

 

Não vou dizer o que acontece no final, mas digo que o melhor momento do filme, e envolve os zumbis cegos numa praia.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Os Mortos-Vivos Cegos, que conta com os quatro filmes da franquia, além de um depoimento do diretor como extra.

 

Enfim, O Galeão Fantasma é um filme muito bom. O filme que marca a mudança de ambiente na franquia de Amando de Ossorio, mas que ainda mantém a atmosfera gótica e claustrofóbica presente desde o primeiro filme. Os zumbis cegos são o grande destaque, com seu visual clássico e amedrontador, que provocam calafrios no espectador. Um ótimo filme de zumbis e um dos melhores dos anos 70.


Créditos: Versátil Home Vídeo.

sábado, 23 de março de 2024

PAVOR NA CIDADE DOS ZUMBIS (1980). Dir.: Lucio Fulci.

 

NOTA: 9


Entre 1980 e 1981, o diretor Lucio Fulci realizou a sua Trilogia do Inferno, em parceria com a atriz Catriona MacColl, que também se tornaram um marco em sua filmografia.

 

PAVOR NA CIDADE DOS ZUMBIS é o primeiro filme dessa trilogia, e o que faltava ser comentado aqui.

 

Já irei começar pelo obvio, e dizer que este é um dos melhores filmes do diretor, que estava dando seus primeiros passos no terror, um ano após o lançamento de Zombie, sua obra-prima.

 

Mais uma vez, Fulci se reuniu com o roteirista Dardano Sacchetti, e juntos escreveram outro filme de zumbis, mas desta vez, os mortos-vivos não são os protagonistas da trama, sendo transformados em coadjuvantes; o foco principal são os eventos sobrenaturais que assolam a cidade de Dunwich, após o suicídio do padre local.

 

Conforme pude averiguar na internet, a Trilogia do Inferno é composta por filmes que possuem apenas um fiapo de trama, e o foco são as maluquices presentes no roteiro. Eu pessoalmente acredito que os filmes têm, sim, uma trama, e que os acontecimentos estão relacionados a ela, e aqui não é diferente.

 

O suicídio do Padre Thomas, apresentado logo no início do filme, é um estopim para os acontecimentos sobrenaturais que começam, e Fulci e Sacchetti brincam com tudo que querem para contar sua história, o que deixa ainda mais divertida a cada revisão, assim como fizeram nos dois filmes posteriores dessa trilogia.

 

O filme marca a primeira parceria entre Fulci e a atriz Catriona MacColl, e ela está muito bem aqui, interpretando a vidente Mary Woodhouse. Sua interpretação não é exagerada, e ela transmite tudo aquilo que o roteiro pede, com naturalidade.

 

O restante do elenco também não faz feio; os atores secundários atuam daquela maneira exagerada que estamos acostumados a ver em filmes italianos, mas nada que prejudique a experiência de assistir ao filme.

 

A direção de Fulci também é muito boa, e o cineasta mostra que tem o domínio do gênero, criando cenas tensas e sequências antológicas, graças às suas técnicas criativas para criar terror, com destaque para o próprio padre, que sempre aparece com uma iluminação vinda de baixo, o que aumenta seu aspecto assustador.

 

Este é um filme de zumbis, e como não poderia deixar de ser, eles não ficam para trás. O visual das criaturas é aquele putrefato que se tornou característica de Fulci, com uma maquiagem carregada. Além do visual marcante, eles também podem se tele transportar e possuem um método bem específico que matar suas vítimas.

 

Falando em cenas antológicas, devo destacar a cena do carro, onde uma jovem regurgita suas vísceras, após avistar o padre. É uma cena que demora o tempo certo para acontecer, e começa de uma maneira bem simples, com a personagem vertendo lágrimas de sangue, até chegar ao ápice.

 

E além das cenas, temos também a trilha memorável de Fabio Trizzi, um dos colaboradores de Fulci.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Zumbis no Cinema Vol.2, que conta com um making of como extra.

 

Enfim, Pavor na Cidade dos Zumbis é um filme arrepiante. Uma história fascinante, com ar de pesadelo, repleta de momentos indigestos, com muito sangue e escatologia. Um filme de zumbis putrefatos, com excelentes efeitos de maquiagem e gore. A direção de Lucio Fulci é segura, combinada a um roteiro bem escrito, e uma trilha sonora assustadora. Um belo exemplar do cinema de zumbi italiano, e uma grande obra do Padrinho do Gore, Lucio Fulci.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


sábado, 10 de fevereiro de 2024

OS ZUMBIS DE SUGAR HILL (1974). Dir.: Paul Maslansky.

 

NOTA: 8.5


Acredito que de todas as criaturas que supostamente não existem, o zumbi seja a única de que fato é real, visto que nas ilhas do Haiti existem relatos de pessoas que voltaram dos mortos, graças a um pó especial criado por alto-sacerdotes do vodu.

 

Desde que surgiram, foram poucos os filmes de zumbi que exploraram a origem haitiana da criatura. OS ZUMBIS DE SUGAR HILL é um dos exemplos que abordaram a origem real dos monstros.

 

Lançado em 1974, produzido pela American International Picture, este é um dos exemplares do blaxploitation são voltados para o terror. Conforme mencionei na resenha de Blácula, o blaxploitation foi um movimento cinematográfico voltado para o publico negro, com filmes produzidos e estrelados por negros, muitos deles voltados para o gênero de ação ou policial.

 

Sugar Hill vai pelo lado contrario, e foca principalmente no terror, apesar de conter alguns elementos de filmes de máfia também.

 

Eu digo que este é um dos meus filmes de zumbi favoritos, principalmente por causa da atmosfera e do visual dos zumbis. Eu me divirto com o filme a cada revisão e as cenas dos zumbis são arrepiantes.

 

Este é um filme muito bem feito, com uma ótima direção e um roteiro afiado, que aposta na temática do vodu sem nenhum medo ou tabu. As cenas que envolvem a religião haitiana são assustadoras, porque os cineastas conseguiram criar a atmosfera com realismo impressionante, algo também visto em A Maldição dos Mortos-Vivos (1988), do saudoso Wes Craven.

 

Mas no fundo, Sugar Hill é um filme de vingança, com a protagonista resolvendo se vingar dos gangsteres que mataram seu namorado; no entanto, ao invés que utilizar métodos convencionais, Sugar recorre a uma feiticeira vodu e ao Barão Samedi – figura presente nas lendas vodu – e a um exercito de zumbis para executar sua vingança, executando os capangas do vilão com requintes de crueldade.

 

O vilão é interpretado pelo ator Robert Quarry, figura conhecida nos filmes da A.I.P, famoso por seu papel nos filmes do Conde Yorga. Eu confesso que, mesmo adorando ver o ator em outros papeis, eu gosto muito mais da interpretação de Quarry como o Conde Yorga. Seu personagem é muito bom, e não se importa com ninguém a não ser consigo mesmo. E a vingança de Sugar contra ele é feita quase como uma vingança de videogame, com os zumbis matando seus capangas até chegar a ele – eu não jogo videogame, então estou usando uma metáfora que ouvi anteriormente.

 

Mas, na minha opinião, o melhor do filme são os zumbis. Não sei como estava o cinema de zumbis naquela época, mas aqui, temos um dos melhores visuais dos monstros. Eles estão cobertos de teias de aranha, com os corpos pintados de branco e olhos vidrados. E como todo zumbi que se preze, eles se levantam de seus túmulos do cemitério. O visual deles é arrepiante e provoca calafrios sempre que eles aparecem.

 

Além do visual maravilhoso dos zumbis, o filme também passa uma sensação de calor, principalmente nas cenas externas; é possível sentir o suor dos personagens e quase sentimos calor junto com eles.

 

Conforme mencionado acima, Sugar Hill invoca o Barão Samedi, uma figura conhecida na religião vodu. Ao que parece, o personagem é muito poderoso e é utilizado por alto-sacerdotes da religião. O personagem aparentemente apareceu em um filme do James Bond e deve ter servido de inspiração para o vilão da animação A Princesa e o Sapo da Disney.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Zumbis no Cinema 3, em versão restaurada com um depoimento do diretor como extra.

 

Enfim, Os Zumbis de Sugar Hill é um filme muito bom. Um filme de zumbis muito criativo e assustador, com uma direção inspirada e um roteiro muito bem construído, aliado a um elenco afiado. Os zumbis são a melhor coisa do filme, com seu visual arrepiante que provoca calafrios. Um exemplar do gênero terror do movimento blaxploitation. Um dos meus filmes de zumbis favoritos. Altamente recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.


terça-feira, 22 de agosto de 2023

A NOIVA DE RE-ANIMATOR (1989). Dir.: Brian Yuzna.

 

NOTA: 8.5


Na década de 20, H.P. Lovecraft lançou a serie Herbert West – Reanimator, que, apesar de não se tornar um sucesso na época de publicação, tornou-se uma de suas obras mais famosas com o passar dos anos.

 

Em 1985, o diretor Stuart Gordon e o produtor Brian Yuzna lançaram Re-Animator – A Hora dos Mortos-Vivos, estrelada por Jeffrey Combs, Barbara Crampton, Bruce Abbott e David Gale, que se tornou um dos maiores clássicos dos anos 80, e a melhor adaptação da obra de Lovecraft.

 

Quatro anos depois, foi lançado A NOIVA DE RE-ANIMATOR, desta vez dirigido por Yuzna, novamente com Jeffrey Combs, Bruce Abbott e David Gale no elenco, retomando seus papeis principais.

 

Aqui temos um exemplo de continuação que é tão boa quanto o primeiro filme, tudo graças ao longa como um todo.

 

Mesmo não contando com Stuart Gordon na direção, o ritmo frenético se mantém aqui, assim como os efeitos especiais caprichados no gore e na escatologia.

 

Claro, aqui, não sei se temos cenas tão memoráveis quanto no primeiro filme, mas temos cenas de horror muito boas, graças a direção de Yuzna, em seu segundo trabalho na função.

 

O roteiro, desta vez não escrito por Dennis Paoli, pega novamente alguns elementos da história original de Lovecraft e a transporta para a era contemporânea. Podemos dizer que é uma continuação direta, porque os eventos aqui acontecem oito meses após o primeiro filme, e no prologo, acompanhamos West e Cain na guerra do Peru, algo presente na história original. Após os incidentes no Peru, retornamos a Arkham, ao hospital da Universidade de Miskatonic, onde conhecemos também uma paciente em estado terminal, que se tornará uma peça importante na narrativa.

 

E assim como no primeiro filme, temos aqui uma certa dose de humor negro, graças principalmente ao Dr. Graves, o patologista do hospital e seu assistente. No entanto, West e Cain também protagonizam cenas de humor negro, ainda mais quando envolvem um pequeno experimento com partes de corpos.

 

Essa aqui é uma mudança boa no roteiro; West e Cain desta vez trabalham com partes de corpos, pois querem ver se conseguem criar um ser humano completo, algo certamente inspirado no Frankenstein de Mary Shelley. Além das experiências com partes de corpos, West também desenvolve novos métodos e formulas, que o ajudam na hora de criar suas cobaias.

 

Essa também é uma grande sacada do roteiro, porque, de certa forma, ele amplia as experiências de West, dando a ele um ar ainda mais sinistro. E novamente, vemos que o personagem se mantém igual ao primeiro filme, todo cheio de si mesmo e que se importa apenas com seus experimentos.

 

Além do retorno de West e Cain, temos também novos personagens; além do já mencionado Patologista, temos um novo par romântico para Cain, e um detetive que está disposto a descobrir a verdade sobre o massacre ocorrido na Universidade oito meses antes. Esse personagem até que entrega boas cenas, apesar de aparentar ser mais intrometido que o normal; Francesca, o novo interesse romântico de Cain também funciona, quase como um contraponto para Meg, do primeiro filme.

 

No entanto, o grande destaque aqui é o retorno do cruel Dr. Hill, novamente interpretado por David Gale. Assim como no primeiro filme, somos brindados com sua cabeça falante, que controla os mortos-vivos, além de aparecer com um visual marcante no final do filme.

 

Aliás, o final do filme também parece ter sido diretamente inspirado pelo conto original de Lovecraft, visto que os experimentos anteriores de West se rebelam contra ele dentro da cripta.

 

Os efeitos especiais também são o grande destaque aqui, criados por grandes nomes do gênero, como Screaming Mad George; KNB Effects, e David Allen, cada um desempenhando uma função especifica. Assim como no primeiro filme, somos brindados com cenas caprichadas no gore e na escatologia, e os três zumbis principais são nojentos em um nível impressionante. Além disso, as habilidades dos zumbis são ampliadas, com o uso da fala e de ferramentas.

 

O auge de efeitos, no entanto, é a Noiva, criada a partir da paciente Gloria. Ao longo do filme, West arromba o deposito da Universidade para roubar partes de corpos, além de usar pacientes completos para o experimento. Ele junta tudo em seu laboratório no porão da nova casa, e após a morte de Gloria, ele percebe que está na hora de testar sua teoria.

 

A cena da ressureição da Noiva é uma das melhores do filme, justamente por causa da direção de Yuzna, além de ser muito parecida com a cena de criação da Noiva de Frankenstein, no filme de James Whale, que também serviu de inspiração para este filme. A Noiva é a melhor criatura do longa, porque é aquela personagem que se sente perdida no mundo e precisa encontrar seu lugar. Após sua ressureição, é possível ver que ela se afeiçoa a Cain, tanto pelo fato do coração de Meg estar batendo em seu peito, quanto pela afeição que a própria Gloria tinha pelo médico.

 

E o final é tão frenético quanto o filme em si, com as criaturas de West escapando da cripta e se juntando para acabar com ele, tudo sob o comando de Hill.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Lovecraft no Cinema 2, em versão restaurada sem cortes.

 

Enfim, A Noiva de Re-Animator é um filme muito bom. Um longa frenético, com cenas carregadas no gore, com zumbis grotescos e personagens cativantes. A direção de Brian Yuzna é competente, e o diretor sabe o que faz, criando assim, cenas tensas e engraçadas. O retorno dos personagens e atores do primeiro filme também contribuem para deixar este filme ainda melhor a cada revista, acompanhados pelos efeitos especiais criativos. Uma leve adaptação do clássico de H.P. Lovecraft, e um dos melhores filmes baseados nos textos do autor. Altamente recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo.

 

segunda-feira, 31 de julho de 2023

O RETORNO DOS MORTOS-VIVOS (1973). Dir.: Amando de Ossorio.

 

NOTA: 8.5


Entre 1972 e 1975, o diretor espanhol Amando de Ossorio lançou a sua quadrilogia dos mortos-vivos cegos, que se tornaram cults graças à originalidade do cineasta ao criar os seus zumbis.

 

Eu já falei sobre o primeiro filme da franquia, A Noite do Terror Cego (1972), e hoje vou falar sobre O RETORNO DOS MORTOS-VIVOS, segundo filme da franquia, lançado um ano após o primeiro.

 

Este aqui é um dos meus favoritos da franquia, porque é um dos que eu mais vi, e toda vez eu me divirto, seja pelas situações inusitadas, seja pela trama, seja pelo filme em si.

 

Assim como no primeiro, Ossorio criou um novo conceito para os zumbis, aqui no caso, para os seus templários cegos, mais detalhes adiante.

 

A primeira coisa que se torna evidente é o modo como o roteiro do cineasta aborda a origem os templários neste aqui: eles eram cavaleiros que praticavam magia negra e foram condenados e tiveram seus olhos queimados. Ou seja, o cineasta deu uma nova origem para seus zumbis, algo que se tornaria comum na franquia daqui para frente.

 

Mas isso não torna o filme menos divertido, pelo contrário. Essa mudança na origem dos templários a cada filme faz parte do charme da franquia e contribui para deixa-la mais divertida a cada filme.

 

Vamos falar também sobre o roteiro. Aqui, nós somos apresentados à um evento que acontece no vilarejo há muito tempo, uma festa em homenagem à execução dos templários, e logo no inicio, somos apresentados aos preparativos para o evento. É uma boa estratégia de roteiro, porque, mais para frente, quando os templários surgem, alguns personagens são desacreditados pelos outros, por acharem que os mesmos estão sob efeito de álcool. Eu gosto de filmes que abordam festivais e outros eventos, porque passa a sensação de ser algo importante para a trama, e aqui é um exemplo.

 

Além do roteiro inteligente, temos também ótimos personagens. O personagem principal, Jack Marlowe, é um ex-policial que foi contratado para supervisionar a festa, comandada pelo prefeito corrupto, o senhor Duncan. O par romântico de Marlowe é a noiva do prefeito, que conheceu Jack no passado. E temos também o guarda costa do prefeito, Dacosta, que possui certo interesse em Vivian, a noiva do chefe. E por fim, um corcunda chamado Murdo, que no inicio, se mostra como sendo servo dos templários, mas muda de lado após ser traído por eles.

 

Aliados a eles, temos os personagens secundários, que estão ali apenas para serem mortos pelos zumbis, e alguns até que têm certa importância no começo da historia, mas depois são deixados de lado.


No entanto, apesar do roteiro inteligente, Ossorio faz uso dos mesmos artifícios que utilizou no filme anterior, então aqui temos novamente personagens masculinos que desprezam as mulheres, e as transformam em meros objetos sexuais, ou então as tratam de maneira inferior. Assim como no primeiro, eu fico pensando que, em tempos de feminicídio, com os números aumentando a cada ocorrência, se esses filmes seriam bem vistos hoje em dia; com certeza, não.

 

Assim como todo filme de zumbi, O Retorno dos Mortos-Vivos serve também como uma espécie de critica à corrupção, visto que, assim que os templários atacam a cidade, Duncan trata de pegar seu dinheiro e fugir dali. E temos também uma comparação com o clássico de Romero, visto que os personagens ficam presos em um local fechado, cercados pelos zumbis, algo assumidamente inspirado por Ossorio.

 

Acima, eu mencionei a festa em homenagem à execução dos templários, e devo dizer que, assim como em todo filme de terror em que ocorre um evento, o mesmo é destruído, nesse caso, pelos templários. Os cavaleiros fazem um estrago no lugar, matando as pessoas com golpes de espada enquanto elas tentam fugir. É a melhor sequencia do filme, sem duvida.

 

A sequencia na igreja, com os personagens trancados também é boa, e os personagens fazem o que podem para controlar a situação, mesmo que no final as coisas não acabem bem para alguns deles.

 

E claro, antes de encerrar, temos os zumbis cegos. Aqui, como no primeiro, eles são retratados como caveiras que andam a cavalo pelo campo, desprovidos de olhos, mas que conseguem caçar suas presas por meio do som. Claro, não estão melhores do que no primeiro filme, mas é sempre um prazer vê-los cavalgando em câmera lenta pelos cenários, e também quando atacam os personagens a pé.

 

Como mencionado no inicio do texto, O Retorno dos Mortos-Vivos faz parte da Quadrilogia dos Mortos-Vivos Cegos, criada por Ossorio, e lançada entre 1971 e 1972. Os demais filmes são O Galeão Fantasma (1974) e A Noite das Gaivotas (1975), que, assim como este, mudam a historia da origem dos templários, assim como a ambientação. Segundo o próprio Ossorio, havia planos para um quinto filme, mas divergências criativas e problemas com orçamento levaram o cineasta a abortar seus planos. Atualmente, a quadrilogia possui status de cult entre os fãs de terror.

 

Foi lançado no Brasil em DVD pela Versátil Home Vídeo na coleção Os Mortos-Vivos Cegos, que reúne os quatro filmes da franquia.

 

Enfim, O Retorno dos Mortos-Vivos é um ótimo filme. Um longa divertido e assustador, contado com a maestria e originalidade impares do diretor Amando de Ossorio. Um roteiro inteligente e personagens carismáticos também contribuem para deixar o filme melhor a cada revista. Os zumbis templários cegos são o grande destaque, com seu visual original e assustador. Altamente recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.

Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

NÃO SE DEVE PROFANAR O SONO DOS MORTOS (1974). Dir.: Jorge Grau.

 

NOTA: 9.5



Em 1968, o diretor George A. Romero lançou o seu A Noite dos Mortos-Vivos, que rapidamente se tornou um clássico do gênero de terror e do cinema de zumbis, estabelecendo todas as regras que são utilizadas desde então.

 

Mas hoje não estou aqui para falar do clássico de Romero, e sim, de NÃO SE DEVE PROFANAR O SONO DOS MORTOS, lançado em 1974, e dirigido por Jorge Grau, um dos melhores filmes de zumbi de todos os tempos.

 

Mas o que faz deste um dos melhores filmes de zumbi de todos os tempos? Bem, conforme já mencionei em outras resenhas, a resposta é simples: o filme como um todo.

 

Ao contrário do que estamos acostumados, aqui temos também um exemplo de filme que vai acontecendo aos poucos, como era costume na época, porque realmente as coisas vão acontecendo calmamente, e o principal foco da trama, os zumbis, não aparecem o tempo todo.

 

Então, temos aqui uma história focada nos personagens humanos, no caso, o trio de protagonistas, George; Edna; e o Sargento de polícia. Claro, temos outros personagens, mas o roteiro foca principalmente nos três e nas suas interações, mais detalhes adiante.

 

Na minha opinião, além do roteiro, das atuações, direção e efeitos especiais, o que torna esse filme atraente são os cenários. O longa foi rodado na Inglaterra, Espanha e Itália, e as locações britânicas são maravilhosas, convidativas. O diretor Jorge Grau soube aproveitar os cenários ao máximo, dando destaque para a pequena vila, o hospital e o cemitério, onde acontece a melhor sequência do filme.

 

Além das locações, temos também os efeitos especiais, conforme mencionado acima. Eles foram criados pelo mestre Giannetto de Rossi, um especialista em efeitos sangrentos do cinema de horror italiano, responsável por grandes obras. De Rossi fez grandes coisas aqui, criando absolutamente tudo, desde perfurações, machadadas e órgãos estripados. Difícil dizer qual o melhor, porque todos são maravilhosos.

 

O diretor Jorge Grau também merece menção. Sua direção é competente e segura, e não apela para truques falsos. O diretor conseguiu arrancar grandes coisas com sua câmera, principalmente nas cenas de horror, novamente, sem apelar para truques fajutos.

 

E finalmente, os três atores principais também não fazem feio, com atuações nada exageradas ou caricatas, principalmente nas cenas em que precisam esboçar medo.

 

Bem, já mencionei os quesitos técnicos, agora vou falar sobre os zumbis. Eles são a melhor coisa do filme, e conseguem assustar sem fazer nenhum esforço. Ao contrário dos zumbis apresentados nos filmes posteriores, aqui não temos zumbis putrefatos e caindo aos pedaços; longe disso. Os zumbis aqui estão intactos, mas nem por isso deixam de ser assustadores e sanguinários. E parece que ficam melhores a cada cena, principalmente na cena do cemitério, o auge do filme, na minha opinião. Segundo o diretor Grau, ele pesquisou em livros da polícia como ficam as pessoas depois de mortas, além de usar outras fontes para compor seus mortos-vivos, e o resultado é surpreendente. Me arrisco a dizer que os zumbis de Grau são muito parecidos com os zumbis de Romero.

 

Conforme também mencionei, o filme é carregado de sequências memoráveis, e a melhor delas é a do cemitério, onde o gore corre solto. Assim como todo o filme, a sequência começa contida, mas aos poucos, o terror vai acontecendo, e quando acontece, fica impossível respirar, porque é uma sequência carregada de tensão, principalmente porque os personagens estão encurralados, a mercê dos mortos-vivos. E claro, temos um momento de gore, com um personagem secundário que acaba morto pelos zumbis e despedaçado por eles.

 

Outra sequência que também merece menção é a do hospital, no final do filme. Assim como a do cemitério, aqui temos também uma sequência tensa e carregada no gore, e os efeitos de Giannetto de Rossi são os melhores aqui, conforme já mencionei.

 

Antes de encerrar, vou mencionar os personagens. O casal de protagonistas é simples, e não fazem feio, principalmente quando estão encurralados pelos zumbis. No entanto, o personagem do Sargento é extremamente o oposto deles, absolutamente autoritário, que não respeita ninguém e está disposto a tudo para provar que está certo.

 

Aliás, tenho que mencionar outra coisa. O roteiro é sagaz em promover desencontros entre o Sargento e os eventos envolvendo os zumbis, e a cada revisão, parece que ele vai descobrir a verdade, mas não é isso que acontece.

 

Não Se Deve Profanar o Sono dos Mortos chegou a ser lançado em VHS no Brasil com o título picareta de Zumbi 3, por motivos desconhecidos. Em contrapartida, foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Zumbis no Cinema, em versão integral restaurada.

 

Enfim, Não Se Deve Profanar o Sono dos Mortos é um filme excelente. Uma história de zumbis carregada de tensão e gore, aliados a requisitos técnicos dignos de nota, principalmente os efeitos especiais, criados por um mestre na arte. Os cenários ingleses também são o destaque, e tornam o filme mais bonito e convidativo. Um dos melhores filmes de zumbi de todos os tempos. Sangrento. Claustrofóbico. Excelente. Altamente recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo


Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/

terça-feira, 21 de junho de 2022

RE-ANIMATOR – A HORA DOS MORTOS-VIVOS (1985). Dir.: Stuart Gordon.

 

NOTA: 9.5



Na década de 20, H.P. Lovecraft escreveu Herbert West Reanimator, um de seus trabalhos mais sangrentos, influenciado pelo clássico Frankenstein, de Mary Shelley. O texto é um dos melhores trabalhos do autor, além de ser um de seus mais conhecidos.

 

Em 1985, o diretor Stuart Gordon, em parceria com o produtor Brian Yuzna, e o roteirista Dennis Paoli, lançou RE-ANIMATOR – A HORA DOS MORTOS-VIVOS, adaptação do conto, e com certeza, a melhor adaptação de uma obra do autor para o cinema.

 

Re-Animator é um festival de sangue, repleto de cenas memoráveis e momentos absurdos, além de ser um dos melhores filmes de zumbi de todos os tempos.

 

A primeira coisa que chama a atenção é o fato do filme ser ambientado na era contemporânea – no caso, os anos 80 – porque, se fosse uma adaptação literal, ambientada nos anos 20, não teria um bom resultado, porque naquela época, o terror gótico já não estava mais em voga no cinema. Conforme mencionei na resenha de A Guerra dos Mundos (1953), eu gosto desse tipo de adaptação, porque o filme se passa em uma realidade alternativa, onde o material-base não existe.

 

Além disso, temos aqui um dos filmes mais sangrentos de todos os tempos, com cenas dignas de provocar náuseas no espectador; e temos também o elemento sexual, que não existe em nenhuma obra do autor, culminando na cena mais famosa e bizarra do filme.

 

O filme foi dirigido por Stuart Gordon, em sua estreia no cinema, após anos de trabalho no teatro, e posso dizer que ele fez um excelente trabalho. O diretor conseguiu tirar ótimas performances de seu elenco, principalmente do trio principal, composto por estreantes. Além disso, mostrou-se também competente nas cenas de horror, conseguindo criar algumas das melhores do gênero, mesmo sabendo de suas limitações orçamentárias.

 

Esse, aliás, é o grande charme do filme. Re-Animator é claramente um Filme B de baixo orçamento, mas do tipo de possui um charme atemporal, conforme era comum na época. Com isso, somos brindados com cenas absurdas, como por exemplo, a cena do gato que volta dos mortos.



Mas, claro, o grande destaque são os efeitos especiais. Temos aqui um dos melhores efeitos especiais de um filme de zumbi, com tudo que temos direito. Temos cabeças decepadas, membros arrancados, efeitos de queimaduras, etc. E claro, o sangue. Logo na primeira cena, temos uma ideia do que vem pela frente, visto que Gordon já apresenta uma sequência sangrenta e escatológica. A partir daí, o filme não dá descanso. No entanto, apesar dos efeitos especiais, o filme teve cortes quando passou na televisão brasileira, o que deve ter prejudicado o entendimento de quem assistiu na época.  


Além dos efeitos especiais, temos também o elenco, com destaque para Jeffrey Combs e David Gale, que interpretam o Dr. Herbert West e o Dr. Carl Hill, respectivamente. Os dois dão um show de atuação e fica difícil saber qual deles está melhor no papel. No entanto, não é difícil saber quem é o verdadeiro vilão da trama. Os atores Barbara Crampton e Bruce Abbott também não fazem feio nos papeis do casal protagonista. Após esse filme, a atriz se tornaria uma das maiores screen-queens do cinema de horror moderno. 

 

E claro, temos também a questão do sexo, algo que não aparece em nenhum texto do autor. No momento mais memorável, temos a atriz Barbara Crampton protagonizando uma sequência de nudez enquanto é atormentada – para dizer o mínimo – pela cabeça decapada do Dr. Hill, num festival antológico de sangue e sexo.

 

Re-Animator foi lançado em 18/out/1985 e não foi um sucesso de bilheteria, mas ganhou status de cult no mercado de home vídeo. Atualmente, é considerado um dos melhores filmes de terror dos anos 80 e uma das melhores adaptações da obra de Lovecraft.

 

Em 1986, o diretor Gordon lançou a adaptação de Do Além, novamente estrelada por Jeffrey Combs e Barbara Crampton. Em 1989, Re-Animator ganhou uma sequência, A Noiva de Re-Animator, novamente com Jefffrey Combs, Bruce Abbott e David Gale no elenco, mas desta vez, dirigido por Brian Yuzna.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Lovecraft no Cinema em versão restaurada em 4k, após anos fora de catálogo.

 

Enfim, Re-Animator – A Hora dos Mortos-Vivos é um filme brilhante. Uma historia de sangue e sexo, com os dois elementos muito bem combinados. Um filme que não dá folego ao espectador desde o começo, e consegue prender a atenção, e fica melhor a cada revisão. Uma historia assustadoramente simples, mas cheia de momentos antológicos e violentos, que a deixam ainda mais perturbadora e divertida. Atuações excelentes e direção correta e roteiro redondo contribuem para o excelente desempenho do filme. Os efeitos especiais sangrentos e escatológicos roubam a cena. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Um dos melhores filmes de terror dos anos 80. Uma excelente adaptação de H.P. Lovecraft. 


Créditos: Versátil Home Vídeo


Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/


AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.