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segunda-feira, 27 de maio de 2024

MADHOUSE – A CASA DO TERROR (1974). Dir.: Jim Clark.

 

NOTA: 8.5


Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

Mas hoje, não estou aqui para falar sobre as antologias do estúdio, e sim, sobre MADHOUSE – A CASA DO TERROR, produzido em parceria com a American International Pictures.

 

Este é um dos filmes mais divertidos e criativos do estúdio, apesar de contar com alguns problemas, mas, mais detalhes adiante.

 

Com toda certeza, seu maior atrativo é contar com a presença dos grandes Vincent Price e Peter Cushing no elenco, além do também grande Robert Quarry.

 

Se fosse somente pela presença dos dois astros, o filme já valeria a pena, mas, o longa tem mais atrativos. A começar pela própria trama, que é repleta de criatividade e metalinguagem, além de apostar no suspense digno de Giallo, e situações sinistras.

 

No entanto, apesar da criatividade, a produção deste filme foi bem problemática.

 

Os executivos da American Internation Pictures, aliados com a Amicus Productions, adquiriram os direitos do livro Devilday, do autor Angus Hall, para adaptação. Mas, no decorrer do caminho, alterações foram feitas no roteiro, além de surgirem problemas nas gravações. O resultado foi um fracasso de bilheteria, que culminou no fim das produções de terror da AIP.

 

Na trama, Price interpreta o ator Paul Toombes, famoso no gênero terror pela sua interpretação do Dr. Morte, um sádico assassino. Numa noite de Ano Novo, Paul testemunha a morte de sua noiva e vai parar em uma instituição psiquiátrica, pois acredita que ele mesmo é o culpado. Anos depois, ele viaja a Londres, a fim de estrelar uma série de TV do personagem Dr. Morte; mas, com a sua chegada, mortes misteriosas começam a acontecer.

 

Pela sinopse, é um típico filme de suspense e terror psicológico, onde o protagonista é perturbado por um trauma do passado e coisas misteriosas começam a acontecer ao seu redor, obrigando-o a pensar se ele é o culpado ou não.

 

Eu mesmo já vi alguns filmes com uma trama semelhante, e, falando francamente, se for um filme bem-feito, eu gosto muito. Aqui, felizmente, é um desses casos, porque desde o começo, fica claro que a morte da noiva de Paul foi um gatilho para prejudicar sua mente. Aproveitando-se dessa situação, alguém começa a matar as pessoas próximas a ele, a fim de incriminá-lo. E a identidade do responsável é mantida em segredo até o final, e digo aqui, que é uma surpresa.

 

Eu não sei vocês, mas, sempre que eu vejo esse filme, eu penso que o assassino é outra pessoa, mesmo com as dicas falsas que o roteiro apresenta ao espectador.

 

Além de apostar no clima de mistério digno de Giallo – principalmente por causa dos closes das luvas pretas do assassino –, o roteiro também aposta na metalinguagem, visto que Paul viaja a Londres para participar de uma série de TV. Então, temos aqui, cenas que passam nos estúdios de gravação, além de contar com a presença do diretor e produtores da série. Este é outro tipo de filme que eu gosto de ver, porque me dá uma ideia de como é uma gravação, com o trabalho do diretor e dos produtores.

 

No entanto, apesar de ser bastante criativo, o filme apresenta alguns problemas. O maior deles é a presença dos pais de uma das vítimas do assassino, que passam boa parte do filme chantageando Paul, a fim de extorquir seu dinheiro. Eu não vejo problemas com personagens assim, pelo contrário; o problema é que os dois não são muito bem escritos e não são bem interpretados.

 

Outro problema, acontece na sequência do programa de entrevistas, porque, o assassino está na plateia, mas, a câmera foca em outro personagem deixando e entrando no estúdio após uma pessoa morrer. Eu acho essas duas sequências bem problemáticas, principalmente quando o assassino é revelado.

 

Como é um filme co-produzido pela AIP, Madhouse tem de fato, cara de ser uma produção do estúdio, principalmente por causa das presenças de Vincent Price e Robert Quarry, que atuaram em produções da AIP anteriormente. Aliás, o filme faz uso de imagens de arquivo dos filmes de Price no Ciclo Edgar Allan Poe, de Roger Corman, que se passam por filmes do Dr. Morte, um belo exemplo da picaretagem do estúdio.

 

Antes de encerrar, uma curiosidade bem bacana. Na sequência da festa à fantasia, tanto Robert Quarry, quanto Peter Cushing aparecem vestidos de vampiros; só que Cushing está vestido de Drácula, e Quarry está vestido de Conde Yorga, seu personagem mais famoso na AIP.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, na caixa Amicus Productions, em versão remasterizada, com um documentário como extra.

 

Enfim, Madhouse – A Casa do Terror é um filme muito bom. Uma trama arrepiante, cheia de mistério com uma direção competente. A presença dos astros Vincent Price e Peter Cushing é o grande destaque, e os astros dão um show de atuação, especialmente Price, que transita entre a sanidade e a loucura de maneira ímpar. O roteiro é bem redondo, mas apresenta alguns problemas que chegam a atrapalhar a experiência. Mesmo assim, este é uma das melhores produções da American International Pictures, aqui em parceria com a Amicus. Muito bem recomendado. 


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

terça-feira, 30 de maio de 2023

O CAÇADOR DE BRUXAS (1968). Dir.: Michael Reeves.

 

NOTA: 8.5


Filmes sobre a Caça às Bruxas não são fáceis de assistir, e o principal motivo são as cenas de tortura e execução. Não apenas por causa das cenas de tortura, mas também porque relatam de forma quase realista esse período cruel da Humanidade.

 

O CAÇADOR DE BRUXAS é mais um desses filmes, produzidos durante as décadas de 60 e 70, e um dos melhores deles. Lançado em 1968, com direção de Michael Reeves, o filme conta com o astro Vincent Price em sua melhor atuação.

 

Além de ser um dos melhores filmes da carreira do astro, este é também um dos melhores filmes de terror britânicos dos anos 60.

 

E motivos para isso não faltam. O filme é muito bem feito, bem escrito, bem dirigido e bem atuado. As locações na Inglaterra são maravilhosas e tornam o filme atraente e convidativo.

 

Assim como todos os filmes sobre o tema da caça às bruxas, aqui temos um filme de horror focado no terror real; ou seja, não há presença de criaturas, demônios ou outras coisas do gênero. Ao meu ver, isso torna esses filmes ainda mais assustadores, porque temos a visão de como deve ter sido esse período horrível da História da Humanidade, onde a ignorância e o medo reinavam sobre o bom senso. E aqui não é diferente – mais detalhes à frente.

 

Além de ser um filme extremamente violento, O Caçador de Bruxas também pode ser considerado um filme sobre História, uma vez que conta a historia de Matthew Hopkins, um advogado britânico que se tornou um caçador de bruxas. Segundo relatos, Hopkins percorria o interior da Inglaterra, ao lado de seu assistente, a fim de encontrar e executar pessoas acusadas de bruxaria. Não sei como ele era na realidade, mas aqui, o astro Vincent Price entrega uma excelente performance.

 

O restante do elenco também não faz feio, principalmente os atores Ian Ogilvy, Hillary Dwyer e Robert Russell. Ogilvy e Dwyer interpretam o casal protagonista, ameaçado por Hopkins, e convencem muito bem nos papeis, dando a impressão que são apaixonados um pelo outro, e quando o personagem de Ogilvy decide se vingar de Hopkins, é a mesma coisa. Russel faz o papel do assistente de Hopkins, John Stearne, e consegue arrancar ódio do espectador.

 

Mas não tem jeito. O Caçador de Bruxas pertence ao astro Vincent Price. O ator faz uma interpretação espetacular, encarnando o Mal absoluto. O seu Matthew Hopkins é aquele típico personagem que mete medo no espectador toda vez que aparece em cena, e é verdade. Acho impossível não ter medo do Hopkins de Price, porque ele é o Mal na Terra, usando e abusando de requintes de crueldade para conseguir arrancar confissões de seus acusados. Hopkins não poupa ninguém, e acredita que está fazendo a coisa certa, o que faz dele um dos maiores vilões de todos os tempos.

 

Quem também não faz feio é o diretor Michael Reeves. Sua câmera faz um ótimo trabalho, com seus planos gerais das locações, além de outros planos. Reeves também se mostrou um grande diretor de atores, e não arranca performances caricatas de seu elenco, principalmente dos protagonistas.

 

Como mencionado acima, O Caçador de Bruxas retrata a época da caça às bruxas, que, conforme dito, foi um dos piores períodos da Humanidade. Era uma época onde a ignorância e o medo reinavam sobre o bom senso, e os métodos mais absurdos eram utilizados para conseguir extrair confissões dos acusados. Métodos como tortura, agulhadas e afogamento eram empregados, sem piedade aos acusados, algo que hoje em dia é visto como absurdo. Eu já assisti a alguns filmes sobre esse tema, e sinceramente, o terror real é muito pior do que o terror fantástico, e a ignorância é de provocar raiva no espectador.

 

O Caçador de Bruxas teve seus bastidores conturbados por causa das desavenças entre o astro Vincent Price e o diretor Michael Reeves. Segundo informações da internet, o diretor queria o ator Donald Pleasence para interpretar Hopkins, mas devido a ordens da A.I.P., Price acabou sendo escalado. As coisas continuaram ruins entre eles, com direito ao astro chegando bêbado no set, ou caindo literalmente do cavalo em uma cena. No entanto, após assistir ao filme, Price mandou uma carta à Reeves, parabenizando-o pelo seu trabalho. O diretor Michael Reeves acabou falecendo em 1969, vítima de overdose.

 

Antes de encerrar, mais um pouco de informações a respeito de Matthew Hopkins. Tudo que se sabe sobre ele, é que foi um caçador de bruxas britânico, mas existem fatos de sua vida envoltos em mistério, como por exemplo, a data de seu nascimento – dizem que nasceu em 1620 – e sua própria morte.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Caça às Bruxas no Cinema, em versão restaurada, após anos fora de catálogo.

 

Enfim, O Caçador de Bruxas é um filme muito bom. Um longa assustador e violento, que retrata o período da caça às bruxas com fidelidade ímpar. O astro Vincent Price tem a melhor atuação da sua carreira, aqui no papel do advogado caçador de bruxas Matthew Hopkins. Price assusta toda vez que aparece na tela, e os atos de seu personagem arrancam arrepios do espectador. A direção de Michael Reeves também é muito boa, e o diretor arranca ótimas atuações de seu elenco. Um dos filmes mais violentos de todos os tempos, e um dos melhores da década de 60. Altamente recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.

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quinta-feira, 27 de maio de 2021

FARSA TRÁGICA (1964). Dir.: Jacques Tourneur.


NOTA: 9.5 



Não há dúvidas que a American International Pictures foi responsável por alguns dos melhores filmes de terror dos anos 60, muitos deles, parte do fantástico Ciclo Edgar Allan Poe, de Roger Corman, estrelados por Vincent Price.

 

Pois bem, hoje vou falar sobre um dos filmes do estúdio, que não faz parte do Ciclo Poe, mas é estrelado por Vincent Price e por outros grandes atores do cinema de horror: FARSA TRÁGICA (1964), dirigido por Jacques Tourneur, responsável pelo clássico Sangue de Pantera (1942). Devo dizer que este é um dos melhores filmes de terror que já tive o prazer de assistir.

 

Justamente por ser uma produção da A.I.P., de James H. Nicholson e Samuel Z. Arkoff, que, como já comentei em outras resenhas, trouxe de volta o terror gótico para o cinema, e este aqui é um de seus melhores exemplares. Mas espere, não vá encontrar castelos empoeirados a beira-mar; pelo contrário. Aqui nós temos uma pequena comunidade da Nova Inglaterra como cenário, mais precisamente, uma casa funerária, administrada pelo Sr. Trumbull e pelo Sr. Gillie, dois agentes funerário completamente idiotas.

 

Sim, esta é uma comédia de horror, e uma das melhores, graças ao roteiro inspirado, que coloca os momentos cômicos na hora e na medida certas, quase sem apelar para exageros. Mas não se engane, pois mesmo se tratando de uma comédia, ainda assim, este é um filme de terror com tudo que tem direito.

 

A começar pela própria ambientação. A história toda se passa dentro da casa funerária de Trumbull e Gillie, além de conter cenas ambientadas no cemitério envolto em nevoas e em casarões antigos; dois dos principais elementos presentes no terror gótico daquela época. E além disso, temos também um elemento importante que configura no gênero, um morto que volta à vida, não como zumbi, mas por se tratar de alguém catalético. E todos esses elementos funcionam muito bem, porque cada um tem o seu proposito dentro da história.

 

O roteiro de Richard Matheson é afiado, conforme mencionado acima e consegue divertir e assustar na medida certa. E temos grandes cenas de humor, todas protagonizadas por Price, que entrega uma ótima atuação, sendo perverso e engraçado – principalmente engraçado – ao mesmo tempo. O restante do elenco também é inspirado e não parece caricato nunca.

 

Temos também a direção de Jacques Tourneur, especialista no gênero, responsável por filmes memoráveis, muitos deles produzidos pela RKO. Tourneur se mostra um grande diretor, e conseguiu criar cenas ótimas, principalmente por conta do orçamento da qual dispunha. Devo destacar também a direção de arte, que criou cenários fabulosos, principalmente o cemitério e as mansões grandiosas.

 

Mas, vamos falar do humor. Conforme mencionei, o humor deste filme é mais focado nos diálogos e atuações do que em ações, então, não espere muitas pessoas caindo e tropeçando – temos isso, sim, mas não aos montes. Ao invés disso, os atores são os responsáveis por arrancar risos do espectador, especialmente Price, que se mostrou um grande ator de comédia. Suas cenas são impagáveis, com destaque para a cena do jantar após o funeral que deu errado. Toda vez que eu assisto, eu dou risada, porque é muito engraçada mesmo. Há outros momentos assim, mas esse é o meu favorito.



 

Outra coisa que merece destaque é o elenco, formado por grandes astros do horror. Além de Price, temos também Peter Lorre, Basil Rathbone, Joe E. Brown, e Boris Karloff. Loree, Rathbone e Karloff são velhos conhecidos do gênero. Lorre estrelou o clássico M (1931), de Fritz Lang; Rathbone interpretou Sherlock Holmes no cinema em 14 produções, entre elas, O Cão dos Baskerville (1939) e Boris Karloff... Karloff tornou-se famoso pela sua interpretação como a Criatura em Frankenstein (1931), de James Whale. Então, é, ou não é um elenco de astros do horror? E como já mencionei, todos estão perfeitos nos papeis, principalmente Karloff como o velho Amos Hinchley, e Rathbone como o Sr. Black, o dono do imóvel que recita Macbeth antes de dormir. Eles também têm suas cenas hilárias, principalmente no final do filme.

 

Como em toda comédia, aqui temos velhos truques para tornar o filme mais engraçado, sendo os mais utilizados, sons de assobios e baques; e o efeito de acelerar a cena, utilizado no início e no final do filme. Ambos os efeitos são bem executados e não soam artificiais.

Bem, conforme mencionado, esses são os aspectos que fazem desse um filme muito divertido e arrepiante na medida certa. É uma comédia cheia de erros – não erros técnicos, mas erros nas ações dos personagens – que a deixam mais engraçada.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror – Vol.3, após anos fora de catalogo.

 

Enfim, Farsa Trágica é uma verdadeira comédia de horror. Grandes astros do terror, juntos em uma história muito engraçadas, cheia de erros, trapalhadas, personagens idiotas e sustos. Um filme de terror gótico, com tudo que tem direito. Diverte sem apelar para truques. Muito bem feito, assustador e divertido. Excelente. 


Créditos: Versátil Home Vídeo


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terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

EDWARD MÃOS-DE-TESOURA (1990). Dir.: Tim Burton.

 

NOTA: 10



O que posso dizer sobre EDWARD MÃOS-DE-TESOURA (1990), obra-prima do diretor Tim Burton? Bom, vou dizer o seguinte: esse é um dos filmes da minha vida. Ponto. Eu amo esse filme.

 

Desde a primeira vez que o assisti, há vinte anos, eu me apaixonei pela historia logo de cara. Na época, eu já era fã declarado do Tim Burton, tendo assistido A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999) e Marte Ataca! (1996) inúmeras vezes. Mas, com Edward Mãos-de-Tesoura, eu posso dizer que a coisa foi bem diferente. Eu confesso que o filme era bem diferente do que eu esperava, se bem que eu não tinha a menor ideia de como o filme era, e rapidamente ele me encantou.

 

O filme é lindo. É um caso em que tudo contribui para deixa-lo lindo, desde o roteiro, passando pela direção, atuações, direção de arte, trilha sonora... Enfim, tudo. E assistindo a ele pela enésima vez, minha opinião não mudou. É o tipo de filme que fica melhor a cada revisão.

 

O roteiro, escrito por Caroline Thompson, a partir de um tratamento escrito em parceria com o diretor, não possui falhas ou furos. Tudo encaminha do jeito certo, para as direções corretas; os diálogos são criveis e os personagens também. A direção madura de Tim Burton também é digna de nota. Em seu quarto filme, o diretor já se mostrou competente e hábil naquilo que ele queria mostrar na tela e no modo como queria mostrar. Outro ponto positivo vai para a direção de arte. As casas da vizinhança no subúrbio ganharam tons pasteis, mas coloridos; mas o principal vai para o castelo de Edward. Situado no alto da colina, o castelo é o perfeito castelo de conto de fadas. Seu interior é todo gótico, cheio de teias de aranha e pó; as janelas e portas são enormes e difíceis de abrir... Enfim, tem tudo aquilo que existe numa historia gótica de verdade. E a trilha sonora... A trilha sonora é um caso à parte.

 

Composta por Danny Elfman, colaborador recorrente do diretor, a trilha é belíssima. Uma verdadeira trilha sonora de conto de fadas, com coro infantil do começo ao fim. É o tipo de musica que podemos ouvir sem precisar assistir ao filme. Maravilhosa.

 

E as atuações? Bem, assim como tudo no filme, o elenco é perfeito. A escolha de Johnny Depp para o papel não poderia ter sido melhor. Difícil imaginar outro ator no papel. Depp trouxe toda a doçura e inocência presentes no roteiro. O visual do personagem também é um destaque, com seu rosto branco como papel, todo vestido de preto. O diretor se inspirou no visual de Cesare, o sonambulo de O Gabinete do Dr. Caligari (1920), um Clássico do Expressionismo Alemão, para compor o visual de Edward. Um visual excelente. O restante do elenco também dá um show. Todos conseguiram passar exatamente aquilo que estava no roteiro, e tornaram os personagens criveis, como se fossem pessoas reais, que vemos todos os dias.

 

O filme marca a última aparição de Vincent Price no cinema. O diretor era fã declarado do ator, tendo assistido a todos os seus filmes de terror na infância, então, ele resolveu prestar uma homenagem ao ídolo. Aqui, o ator interpreta o inventor de Edward, que morreu antes de concluí-lo, o que o deixou com suas mãos de tesoura. A presença do antigo astro dos filmes de terror dá um toque a mais ao filme, tornando-o ainda mais belo; e também não deixa de ser emocionante vê-lo em cena, em sua última aparição. Sem duvida, o momento mais emocionante é a cena da morte do inventor, que precisava ser mostrada. É um cena linda, que causa arrepios e até um nó na garganta. Impossível não se emocionar.


Edward Mãos-de-Tesoura é a clássica historia de alguém solto em um mundo que não conhece. Eu particularmente adoro esse tipo de historia porque eu me identifico com o estranho solto naquele mundo. Tudo é novo para ele, justamente porque ele passou a vida inteira isolado no castelo no alto da colina. Impossível não se emocionar com o fascínio de Edward ao conhecer a vizinhança. Ele de fato para um garotinho empolgado com tudo que vê ao seu redor. Como eu disse, eu gosto muito desse tipo de historia. 


Mas também existe o outro lado, ponto de virada, onde a vizinhança passa e rejeitá-lo. Eu fiquei emocionado na primeira vez que eu assisti, porque eu queria defender o protagonista dos ataques da população e também do vilão, mas infelizmente, não podia. É o tipo de reação que todos nós temos quando assistimos a um filme com uma historia como essa, porque ficamos do lado do protagonista e queremos que tudo acabe bem. E devido à sua ingenuidade, Edward acaba se tornando um alvo fácil para o vilão, que arma um plano, mas ele acaba se prejudicando.

 

Além de tudo isso, o filme é também uma belíssima historia de amor. Quando chega na casa de Peg, a representante da Avon do bairro, Edward vê uma foto de sua filha mais velha, Kim, e se apaixona por ela. Quando os dois finalmente se conhecem, Kim não tem uma boa impressão dele, mas, após tentar salvá-lo quando ele cai na armadilha de seu namorado, passa a enxergá-lo com outros olhos. E claro, a gente torce para que eles fiquem juntos no final, mas, o rumo da historia acaba sendo diferente, e muito melhor.

 

Conforme mencionei no inicio, eu assisti esse filme pela primeira vez há vinte anos, e desde então, não me canso de assistir. Sempre que me dá vontade, eu coloco para rodar e assisto, do começo ao fim. Foi o primeiro filme em DVD que eu ganhei da minha mãe, o que o torna ainda mais especial para mim.

 

Enfim, Edward Mãos-de-Tesoura é um filme belíssimo. Um verdadeiro conto de fadas, com todos os elementos do gênero, e que fica melhor a cada revisão. Um filme impecável. A obra-prima de Tim Burton, e se, duvida, a sua melhor criação. Um filme perfeito.

 

Para conferir a resenha no Canal LFH, acesse o link do canal. 

https://www.youtube.com/channel/UCR5ejd7xqh0SIOeZEpED16w






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sábado, 1 de junho de 2019

A ORGIA DA MORTE (1964). Dir.: Roger Corman


NOTA: 9.5


A ORGIA DA MORTE (1964)
A ORGIA DA MORTE é o sexto filme do bem-sucedido “Ciclo Edgar Allan Poe”, que o diretor Roger Corman realizou em parceria com a American International Pictures. Novamente, contou com Vincent Price no papel principal, em uma de suas melhores atuações, sem a menor dúvida.

Conforme o título original entrega, o filme é baseado no conto A Máscara da Morte Rubra, ou O Baile da Morte Vermelha, um dos textos mais populares de Egdar Allan Poe. Sem dúvida, pode ser considerado um dos melhores filmes do Ciclo, que começou em 1960 com O Solar Maldito, baseado em A Queda da Casa de Usher, e terminou em 1965, com O Túmulo Sinistro, baseado em Ligeia.

Conforme o diretor Corman afirmou, esse é o seu melhor trabalho baseado em Poe, e não é pra menos. O filme é um espetáculo visual, repleto de cores vibrantes – sobretudo o vermelho – , clima gótico autentico e atmosfera de sonho. Tudo funciona muito bem, apesar do orçamento limitado e o tempo de filmagem apertado: cerca de 5 semanas de filmagem e cerca de 300 mil dólares de orçamento. E não faltou criatividade.

Como o texto de Poe em si só acontece no último ato, os roteiristas Charles Beaumont e R. Wright Campbell tiveram que preencher muitas lacunas na narrativa, o que tornou o filme ainda mais rico. Beaumont e Campbell dedicaram boa parte da historia ao seu protagonista, o sádico Príncipe Prospero e também à sua relação com a jovem Francesca, sua prisioneira. Foi possível perceber que, além de sádico, Próspero também mostrou-se de certa forma, fascinado pela moça, uma vez que não a tortura em nenhum momento – pelo menos não fisicamente; pelo contrario, ela tem livre acesso ao castelo, veste-se elegantemente e participa dos jantares promovidos pelo anfitrião. No entanto, mesmo com essa liberdade, Próspero mostra-se onipresente, pois tem planos diabólicos para a menina, como inicia-la em seus rituais de adoração ao Diabo; inclusive, desde o primeiro momento, o personagem deixa isso muito claro: é um adorador do Diabo, e bane, implacavelmente, qualquer forma de adoração a Deus.

Porém, existem outros pontos que merecem destaque. O primeiro deles é a forma como a monarquia é representada. Numa visão pessoal, eu sempre achei que os ricos eram de fato vulgares, desrespeitosos, e cruéis (ao contrario do que diziam dos pobres), e, aqui, é a mais pura verdade. Na primeira cena de festa promovida pelo Príncipe, os nobres surgem rindo, bebendo, gritando e debochando dos camponeses, tudo sem o menor pudor e discrição. Um desses nobres, Alfredo, mostra-se o pior deles. É um personagem perverso, com a maldade impressa no rosto – porém, não menor que a Próspero, vale lembrar – e disposto a tudo, inclusive, a passar a perna em seu amigo. Grande parte disso, deve-se à magnifica interpretação do ator Patrick Magee, que, com certeza, levou esse sadismo e crueldade para o seu personagem no clássico Laranja Mecânica (1971), de Stanley Kubrick. A atriz Jane Asher também merece destaque: sua Francesca é a personificação da bondade e da pureza, sempre mostrando-se fiel a seu pai e seu amado, e pregando amor a Deus, mesmo diante de Próspero. Juliana, interpretada pela atriz Hazel Court, pretendente de Próspero também merece destaque: ao contrario de Francesca, ela é própria imagem da crueldade, submissa, e perversa, disposta até a unir-se ao Diabo para ter Próspero ao seu lado.

Outro ponto é a ambientação. Naquela época, o cinema de horror era mais focado no clima gótico, de fantasia, o que rendeu grandes obras, e aqui, não é diferente. Com suas florestas de arvores mortas, envoltas em nevoa, o castelo de Próspero todo coberto por teias de aranha, o filme é uma das melhores representações do Gótico no cinema de horror. A direção de arte, a cargo de Robert Jones, e o design de produção, a cargo de Daniel Haller, com certeza, contribuíram para a ambientação medieval da trama. Em todos os momentos, é possível acreditar que aqueles personagens vivem naquela época e vestem aquelas roupas. Trabalho excelente, indicado ao BAFTA, o Oscar® do cinema britânico.

E por fim, duas cenas também devem ser mencionadas. A primeira é a cena do corvo, que culmina na morte de um personagem importante da historia. É uma cena belíssima, bem dirigida, onde, mesmo não sendo possível ver o corvo bicando e arranhando, é crível o que está acontecendo; e quando a cena termina, é um verdadeiro espetáculo. E a ultima menção fica a cargo do ultimo ato, que narra o conto de Poe em si. É um deslumbre visual e colorido, uma representação realista de um baile de máscaras, como visto em muitos filmes clássicos de décadas anteriores, principalmente as décadas de 30 e 40. E claro, o desfecho, onde o vermelho predomina toda a tela, em tons vivos que enchem os olhos.

E como todo filme de terror, possui seus momentos arrepiantes. O melhor deles, sem duvida, é quando os espectros da Morte se juntam no bosque envolto em nevoas, após realizaram seus trabalhos nas regiões próximas. Uma cena sem trilha sonora, onde os personagens sussurram o tempo todo, e, envoltos em suas vestes, tornam-se ainda mais assustadores, uma vez que não vemos seus rostos ou seus olhos. Talvez, uma das melhores personificações da Morte já mostradas em um filme.

Porém, o filme tem um pequeno defeito: uma cena em que Juliana tem uma alucinação, antes de seu matrimonio com Satã. Mesmo sendo bem executada, com seus efeitos visuais e lentes distorcidas, é uma cena que, ao meu ver, não precisava estar no filme, porque, sinceramente, parece muito longa e arrastada. Vale lembrar que Corman fez algumas cenas parecidas nos demais filmes do Ciclo.

E claro, não poderia concluir esse texto sem mencionar o astro Vincent Price. Como mencionado acima, o Príncipe Próspero talvez seja um de seus melhores personagens. Desde sua primeira aparição, o Príncipe mostra-se um verdadeiro sádico, com seu olhar cruel e sua expressão diabólica. Ele não mede esforços para realizar seus desejos sádicos, seja torturando seus prisioneiros, seja realizando seus bailes regados a orgia. Sem duvida, um vilão perfeito, como o ator sempre soube interpretar. Price não se mostra caricato ou atua demais, pelo contrário, faz na medida certa. Próspero é a representação do Mal, sem dúvida.

Enfim, com todos esses toques, A Orgia da Morte é um maravilhoso filme de terror. Uma das melhores adaptações de Edgar Allan Poe. Um dos melhores filmes de Roger Corman. Uma das melhores atuações de Vincent Price.

Foi lançado em DVD aqui no Brasil pela Versátil Home Vídeo, no primeiro volume da Coleção Obras-Primas do Terror.

Altamente recomendado.




Créditos: Versátil Home Vídeo



sábado, 6 de abril de 2019

O CASTELO ASSOMBRADO (1963). Dir.: Roger Corman.


NOTA: 8.5


O CASTELO ASSOMBRADO (1963)
O CASTELO ASSOMBRADO, dirigido por Roger Corman – que fez aniversário ontem – é a primeira excursão de H.P. Lovecraft no cinema. Aqui, no caso, a historia adaptada é O Caso de Charles Dexter Ward, uma das mais conhecidas historias do autor. Porém, O Castelo Assombrado não é considerado como uma adaptação de Lovecraft, mas, sim, um filme do ciclo Edgar Allan Poe, na qual Corman estava envolvido naquela época.

A razão para Corman escolher Dexter Ward foi a de que, até então, ele achava que havia trabalho em muitos filmes baseados em contos de Poe, então, resolveu escolher outro material. Então, com o aval da AIP (American International Pictures), escolheu a historia de Lovecraft. Mas, como mencionado acima, a AIP deu aval para Corman, mas, ao invés de utilizar o título da historia de Lovecraft, acabaram adotando – talvez por razoes de Marketing ou picaretagem – o título de um poema de Edgar Allan Poe, The Haunted Palace, inclusive utilizando o nome de Poe acima do título. Picaretagem ou Marketing? Vai saber.

Bem, mesmo com essa diferença, o fato é que o filme é muito bom. Realizado na década de 60, possui todos aqueles elementos dos filmes daquela época: a neblina, o cemitério retorcido, o castelo cheio de teias de aranha... Enfim, todos os elementos do Terror Gótico dos anos 60. Além desses elementos, merece destaque também a direção de arte, a cargo de Daniel Haller, que trabalhou com Corman nos filmes de Poe, e que, mais tarde, dirigiria duas adaptações da obra de Lovecraft: Morte Para um Monstro (1965) e O Altar do Diabo (1970), respectivamente, baseados em A Cor que Caiu do Espaço e O Horror de Dunwich. O trabalho de Haller é espetacular. Sua recriação da cidade Arkham é extraordinária, praticamente perfeita. Não sei como ela foi retratada em outras adaptações, mas aqui, a cidade fictícia criada pelo autor parece ter saído do papel, literalmente. Quando ela aparece, passa uma sensação de medo e claustrofobia, sensações que devem ter sido imaginadas por Lovecraft em seus textos. O castelo de Curwen também é um espetáculo, com seus corredores empoeirados, paredes cheias de teias de aranhas, e o quadro de seu proprietário acima da lareira; aliás, esse quadro já serve como garantia de muitos arrepios.

Como todos os filmes de Corman dessa época, O Castelo Assombrado é estrelado por Vincent Price, no papel principal; aliás, papeis, uma vez que ele interpreta tanto Charles Dexter Ward quanto seu ancestral, Joseph Curwen, e sua atuação é incrível. Price não tem medo de parecer exagerado, principalmente quando interpreta o vilão, após seu espirito possuir o corpo e a alma de Charles Ward. O resto do elenco também merece destaque, principalmente os atores que interpretam os habitantes de Arkham, tanto no passado como no presente; é possível ver que aqueles homens são vitimas da maldição de Curwen e o medo que sentem de seu descendente é real. Debra Paget também entrega uma ótima atuação como a esposa de Charles Ward; durante todo o filme, ela mostra-se uma mulher apaixonada pelo marido, e que teme por ele quando o terror começa a surgir. Corman sempre soube escolher mulheres bonitas para seus filmes do Poe, e aqui não foi diferente, mesmo não sendo um filme do Ciclo Edgar Allan Poe. E por fim, Lon Chaney Jr., o eterno Lobisomem da Universal, também não faz feio em sua interpretação do servo de Curwen.

Mesmo apostando mais no terror psicológico, O Castelo Assombrado possui momentos que são de fato assustadores. O melhor deles, sem duvida, é quando Charles e sua esposa são encurralados pelos habitantes amaldiçoados de Arkham nas ruas do vilarejo. É uma cena muito bem feita, onde o terror é construído aos poucos, e o resultado dificilmente sai da mente do espectador, e a maquiagem com certeza contribui para isso. Outro é o enterro de um dos habitantes da cidade, vitima da vingança de Curwen. Uma sequencia envolta em neblina, sem trilha sonora, com a figura de Curwen à distancia, observando tudo com seu olhar maligno.

Enfim, O Castelo Assombrado é um filme belíssimo, do jeito que Roger Corman sabia fazer naquela época, antes de se envolver com as produções atuais da Asylium.

Um filme muito bem feito, com toques de Terror Gótico, que enchem a tela de beleza. Bizarramente, nos créditos, o nome de Poe está grifado de maneira errada (Allen Poe ao invés de Allan Poe!). Permaneceu inédito no Brasil, até ser lançado em DVD pela Versátil Home Vídeo, na coleção Lovecraft no Cinema Vol.2.

Um ótimo inicio para a carreira cinematográfica de Lovecraft, que ganhou vida de fato, apenas nos anos 80, com o lançamento de Re-Animator: A Hora dos Mortos Vivos (1985), dirigido por Stuart Gordon, baseado no excelente conto Herbert West Reanimator.


Muito bem recomendado. 




Créditos: Versátil Home Vídeo



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