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sábado, 20 de julho de 2024

NOSFERATU – O VAMPIRO DA NOITE (1979). Dir.: Werner Herzog.

 

NOTA: 10


NOSFERATU – O VAMPIRO DA NOITE é um filme maravilhoso.

 

É um daqueles casos de refilmagens que não ofendem a obra original, e merecem estar junto com ela numa sessão dupla.

 

Como já deu para perceber, o filme de Herzog é uma refilmagem do Clássico de Murnau, que é um marco do Expressionismo Alemão, além de ser a primeira adaptação para cinema do livro de Bram Stoker.

 

Aqui não é diferente, e o filme pode ser encarado dessas duas maneiras por qualquer um que adore a obra de Stoker. Até porque, o filme foi lançado em um ano que pode ser chamado de “Ano do Drácula no Cinema”, visto a quantidade de adaptações e filmes de vampiros que foram lançados.

 

A trama é basicamente a mesma do filme de Murnau, então, não vou descrevê-la aqui, e irei me concentrar apenas nos quesitos técnicos.

 

Conforme disse acima, o filme é maravilhoso, e isso se deve principalmente às habilidades de Herzog como diretor, e isso ele tem de sobra.

 

O cineasta é capaz de criar cenas lindas de várias formas, sem apelar para artifícios; tudo é feito de forma natural, e no tempo certo, e deixam o filme ainda melhor a cada revisão.

 

O principal fator que deixa o filme lindo são as locações. O filme foi rodado na Alemanha e na França, e o diretor soube aproveitar os cenários de maneira única, assim como Murnau fez em seu filme. As cenas diurnas são o grande destaque, com foco nas montanhas e vales, além de cachoeiras e grutas.

 

O castelo do conde não fica atrás. A locação é belíssima, e nas cenas diurnas, fica ainda melhor, com aspecto gótico e com decorações mórbidas, além de ser repleto de morcegos pendurados nas janelas.

 

A locação para a cidade de Wismar também é linda, e possui um aspecto de parada no tempo, além de contar com uma belíssima praça central, diante de uma torre de relógio.

 

Sempre que vejo as locações desse filme eu fico em paz, porque elas são simplesmente lindas, sem exceção.

 

Além das locações, preciso falar sobre o elenco também. Nosferatu marca mais uma parceria entre Herzog e o ator Klaus Kinski, aqui no papel do vampiro. Não é novidade para ninguém que o ator era problemático no set, e que ambos tiveram momentos difíceis em sua parceria ao longo dos anos.

 

Kinski está excelente como o vampiro, e sua caracterização se distancia completamente do filme de Murnau, e aqui, o conde é retratado como uma figura trágica, que não pode morrer, e que sofre por amar e não ser amado. E assim como no filme de Murnau, ele vai à Wismar para espalhar a peste, representada por um exército de ratos.

 

Além de Kinski, temos também as presenças de Isabelle Adjani e Bruno Ganz, como Lucy e Jonathan, respectivamente, e os dois também estão excelentes.

 

Isabelle interpreta uma Lucy fragilizada, que ama o marido e teme por sua vida quando ele vai viajar para a Transilvânia. Mas não é só isso. Sua Lucy também é uma mulher determinada, que está disposta a se sacrificar para salvar a vida do marido e também acabar com a peste. A caracterização da personagem também é excelente, com seu rosto pálido e cabelos negros; e fica ainda melhor quando ela está de camisola branca, que dá um belo contraste.

 

Ganz, por outro lado, interpreta Harker, e o personagem pode ser dividido em duas fases. No começo do filme, ele é um homem seguro, que não tem medo de viajar para uma terra distante, e não liga para as conversas supersticiosas dos locais. No entanto, após fugir do castelo, ele se transforma em outra pessoa, em um homem fragilizado, com aspecto doente, que não reconhece mais a esposa. E a coisa fica pior no final do filme.

 

Como eu disse anteriormente, Herzog sabe criar ótimas cenas, e ele faz isso com maestria. As cenas aqui acontecem aos poucos, de maneira lenta mesmo, mas não ficam entediantes. São várias cenas aqui, e fica difícil dizer qual é a melhor, mas eu destaco a sequência em o conde morde Lucy; é uma cena tensa, que deixa o espectador angustiado, porque, quando achamos que ela acabou, ela continua.

 

Além de criar cenas de ritmo lento, Herzog também faz uso de imagens de arquivo de morcegos voando em câmera lenta, para simular a chegada do vampiro, e também indicar sua presença em cena. Assim como as cenas mencionadas acima, esses takes de morcegos voando são maravilhosos, principalmente por causa dos animais que os protagonizam.

 

Assim como o filme de Murnau, o filme de Herzog é um filme sobre a peste, representada na forma de um exército de ratos. Quando eles chegam à Wismar, a bordo do navio abandonado, o caos está instalado, e as pessoas não tem outra alternativa, a não ser sucumbir e morrer. As cenas da presença da peste são tristes, e eu destaco uma em particular: a sequência em que Lucy está andando pela praça e se depara com várias pessoas adoecidas dançando alegremente e comendo ao ar livre. É a clássica representação da Dança da Morte, vista na época da Peste Negra, mas sem a presença do Ceifador. A sequência é acompanhada por uma trilha sonora lúgubre, que a deixa ainda mais melancólica.

 

E já que toquei nisso, deixe-me falar sobre a trilha sonora, antes de encerrar. Herzog utilizou música clássica, além de uma banda para compor a trilha sonora de seu filme, e a trilha não decepciona. Desde a primeira cena, nas catacumbas de múmias, a trilha fúnebre se faz presente, e passa uma sensação de tensão, que vai crescendo à medida que ela mesma vai crescendo. É uma trilha sonora perfeita para o clima lúgubre e melancólico do filme.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, primeiramente em versão individual, depois na caixa Nosferatu, que contém também o filme de Murnau. A versão disponível na caixa é restaurada e está no formato Widescreen Anamórfico, além de vir acompanhada de muitos extras.

 

Para uma ótima experiência, assista primeiro o filme de Murnau, e na sequência, embarque neste filme aqui.

 

Enfim, Nosferatu – O Vampiro da Noite é um filme excelente. Uma obra melancólica e fúnebre, que enche os olhos com suas locações maravilhosas, além de contar com as técnicas milenares de direção de Werner Herzog. O elenco principal também é o destaque, e os atores estão excelentes em suas performances, e a trilha sonora deixa o espectador ainda mais imerso no longa, com seu tema fúnebre e melancólico. Um exemplo de refilmagem que não ofende a obra original, e merece estar ao seu lado em uma sessão dupla. Altamente recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


sexta-feira, 12 de julho de 2024

O SANGUE DE DRÁCULA (1970). Dir.: Peter Sasdy.

 

NOTA: 7.5


Entre 1958 e 1974, a Hammer Films produziu uma série de filmes protagonizados pelo Conde Drácula, criado pelo escritor Bram Stoker. Ao todo, foram nove filmes, sete deles estrelados pelo grande Christopher Lee, no papel que o consagrou como astro do horror. Somente dois filmes não contaram com o astro no elenco.

 

O SANGUE DE DRÁCULA, lançado em 1970, é o quinto filme da franquia, e o quarto a contar com o astro no elenco.

 

Com direção de Peter Sasdy, este é um filme que apresenta suas qualidades, e consegue ser arrepiante em alguns momentos, mas, ainda assim, começa a apresentar alguns problemas.

 

Mas, antes de falar sobre os problemas, deixe-me falar sobre as qualidades.

 

Como os demais filmes da franquia até então, este é um filme bem feito, que presa pelo aspecto gótico e também com uma atmosfera de terror sempre presente.

 

Na trama, um vendedor é atacado em sua carruagem e acaba se deparando com o Conde Drácula sendo destruído – com cenas do filme anterior – e coleta seu sangue, juntamente com sua capa. Após esse prólogo, três homens conhecem um lorde que compra os pertences do conde e o traz de volta à vida por meio de um ritual satânico.

 

Pois bem, aqui, temos mais uma vez o Conde Drácula percorrendo o interior em busca de vingança contra aqueles que o prejudicaram, neste caso, os três homens que mataram seu servo antes do ritual ser completado.

 

Essa formula da vingança do conde já havia sido usada no filme anterior – e voltaria a ser usada no filme seguinte –, então, não há muitas novidades aqui, para falar a verdade.

 

Mas, no entanto, temos a presença do astro Christopher Lee como o Conde Drácula, e, como sempre, é o que faz o filme valer a pena. Mesmo com a pouca presença, o ator consegue nos satisfazer com sua interpretação magistral do conde, passando todo o ar ameaçador e demoníaco que o personagem pede, além de ser uma presença muito elegante.

 

O resto do elenco também compensa, principalmente a atriz Linda Hayden, que faz a mocinha que se torna escrava do vilão.

 

Esse é a sacada do roteiro. Ao invés da mocinha totalmente indefesa, temos aqui uma mocinha que no começo, se mostra como indefesa e doce, mas, após se encontrar com o conde, transforma-se em sua escrava, e não poupa ninguém.

 

Deixe-me falar também sobre os outros personagens. O pai da mocinha, e seus dois amigos, são aqueles clássicos homens que se fingem de bons moços, mas, que na verdade, saem à noite para se divertir em clubes masculinos pela cidade. Os três amigos da mocinha também funcionam e convencem, e claro, um deles é o par romântico dela, uma coisa que também se tornou registrado nessa franquia – a presença do casal protagonista de mocinhos.

 

Quem merece menção também é o lorde satanista, interpretado por Ralph Bates, um ator bem conhecido na Hammer. Apesar da pouca presença, o personagem é bem interpretado, e passa aquela aura misteriosa que o roteiro pede. Funciona bem.

 

Eu, no entanto, tenho alguns problemas com a mistura de temática satanista com vampirismo, porque, eu acho que são dois temas que não tem muita relação entre si, e isso seria explorado no penúltimo filme da franquia. Pode ser que eu esteja errado, mas, acredito que as coisas devem ser separadas. No entanto, admito que é um bom recurso para trazer o conde de volta, apenas para dar uma variada.

 

Outro problema presente no roteiro, é a falta de utilização de alguns personagens secundários. Um deles é o policial que resolve investigar as mortes dos três homens, mas, ele acaba sendo mal aproveitado, e sua participação não é muito desenvolvida.

 

O mesmo pode ser dito do namorado da amiga da mocinha, que não faz nada o filme inteiro, é atacado por um vampiro, e desaparece sem nenhuma cerimônia. Ele poderia ao menos ter voltado como vampiro, assim, o mocinho poderia matá-lo.

 

O cenário que serve de esconderijo para o conde é muito bom, uma velha igreja abandonada, que rende momentos arrepiantes, além de proporcionar um bom combate final, que culmina na derrota do vilão.

 

Enfim, O Sangue de Drácula é um bom filme. Uma continuação decente da franquia, que segue exatamente onde o filme anterior parou, além de proporcionar momentos de suspense e terror na medida certa, e de arrepiar com eficiência. O grande destaque é o astro Christopher Lee, novamente entregando uma brilhante performance como Drácula. Um filme recomendado.




sexta-feira, 14 de julho de 2023

DRÁCULA – O PERFIL DO DIABO (1968). Dir.: Freddie Francis.


NOTA: 8.5


Entre 1958 e 1974, a Hammer Films produziu uma série de filmes protagonizados pelo Conde Drácula, criado pelo escritor Bram Stoker. Ao todo, foram nove filmes, sete deles estrelados pelo grande Christopher Lee, no papel que o consagrou como astro do horror. Somente dois filmes não contaram com o astro no elenco.

 

DRÁCULA – O PERFIL DO DIABO, de 1968, é o quarto filme da série, e o terceiro a contar com o astro no elenco.

 

Me arrisco a dizer que este é um dos meus favoritos, porque é um dos que eu mais assisto e sempre me divirto com ele. E temos motivos para isso. O filme é muito bem feito, bem dirigido, bem atuado, possui um clima de horror predominante e momentos de arrepiar.

 

O filme foi dirigido por Freddie Francis, um dos grandes nomes do cinema britânico, que teve grande passagem pelo terror, tanto na Hammer quanto na Amicus. Graças a sua direção, temos aqui um filme colorido, que aposta em ótimos efeitos de câmera para criar as cenas de horror.

 

Além da direção competente, temos também um ótimo elenco, que não faz feio em suas performances – tirando algumas cenas envolvendo o monsenhor – e criam personagens cativantes que fazem o publico simpatizar com eles. Este aqui não foi o pioneiro – no filme anterior já tivemos isso – mas aqui foi a primeira vez que vemos um jovem casal lutando contra o vilão, algo que foi aproveitado nos demais filmes da saga; em Drácula – O Príncipe das Trevas, tivemos a presença do casal protagonista, mas eles eram casados e adultos, aqui é o oposto.

 

Além do casal protagonista, temos também o personagem do monsenhor, interpretado por Rupert Davies, e o ator não faz feio. Seu personagem é um homem devoto, que sempre espalha a palavra de Deus a todos e não pensa duas vezes antes de questionar se alguém não segue a religião, como vimos na cena de sua introdução, quando vê a igreja vazia e questiona o padre local. O padre também é um bom personagem, e carrega o peso de servir de lacaio para o vilão, e em todas as cenas, ele exibe o peso que é tal tarefa. Isso é uma característica que gosto em personagens assim, porque eles aparentam sempre estar carregando o mundo nas costas e não aguentam o peso de tal responsabilidade, sempre tentando encontrar um modo de se livrar do peso; e quando seu calvário acaba, você também se sente aliviado.

 

E claro temos também os coadjuvantes, e eles também não fazem feio. Todos são carismáticos e simpáticos, principalmente o dono da padaria onde o protagonista trabalha, interpretado pelo ator Michael Ripper, em um dos poucos papeis que me agradam nessa saga. Temos também a segunda escrava do vilão, que realmente parece ter ciúmes quando o mesmo demonstra interesse pela mocinha.

 

E antes de falar sobre o astro, vou falar sobre o casal protagonista. Conforme mencionado acima, aqui é a primeira vez que temos um jovem casal lutando contra o vilão, e os personagens são muito bons. Paul é um rapaz de bem, estudioso e dedicado; e Maria é a típica jovem virginal, apaixonada pelo rapaz, que faz o que pode para estar com ele, e que acaba caindo nas garras do vilão. Os dois atores estão muito bem no papel, e me arrisco a dizer que eles são o melhor casal protagonista da saga, ao lado do casal do filme anterior. Aliás, um detalhe. O protagonista se chama Paul, e, por alguma razão, nos dois filmes seguintes, também teríamos dois personagens com o mesmo nome – talvez seja falta de imaginação do roteirista, ou coincidência. Infelizmente, o mesmo carisma do casal protagonista não seria repetido nos filmes seguintes, principalmente em O Conde Drácula (1970).

 

E claro, não posso deixar essa resenha acabar sem mencionar o astro. Como sempre, Christopher Lee faz bonito no papel do vilão, sempre com sua elegância e ar ameaçador. Eu já vi na internet que aqui temos um Drácula mais perverso que nos filmes anteriores, e talvez seja verdade, visto que o vilão não poupa ninguém e está sempre com sangue nos olhos – literalmente. O Drácula de Christopher Lee é excelente, e sempre passa um ar de medo toda vez que aparece em cena, e isso seria repetido nos filmes seguintes.

 

Conforme mencionei acima, o diretor Francis faz um ótimo trabalho na direção e faz uso de ótimos especiais para criar atmosfera. O mais notável acontece nas cenas envolvendo o vilão, onde provavelmente o diretor de fotografia colocou um efeito vermelho em torno da cena, para dar a impressão de algo demoníaco. O efeito é muito bom e dá um ar mais diabólico para o filme e também para as cenas que envolvem o vampiro.

 

Drácula – O Perfil do Diabo foi lançado em DVD no Brasil pela DarkSide Distribuidora, em um box contendo todos os filmes da franquia. Atualmente, tal edição está fora de catálogo.

 

Enfim, Drácula – O Perfil do Diabo é um filme muito bom. Um filme com uma atmosfera arrepiante e demoníaca, que fica melhor a cada revisão. A direção e as atuações fazem um ótimo trabalho, e os atores criam personagens carismáticos e convincentes. A presença do astro Christopher Lee é o grande destaque, e o ator faz bonito em sua performance como o vilão, e cria um Drácula perverso e demoníaco. Um dos melhores da saga do Drácula da Hammer Filmes. Recomendado.



 

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quinta-feira, 27 de maio de 2021

DRÁCULA – O PRÍNCIPE DAS TREVAS (1966). Dir.: Terence Fisher.


NOTA: 10



Entre 1958 e 1974, a Hammer Films produziu uma série de filmes protagonizados pelo Conde Drácula, criado pelo escritor Bram Stoker. Ao todo, foram nove filmes, sete deles estrelados pelo grande Christopher Lee, no papel que o consagrou como astro do horror. Somente dois filmes não contaram com o astro no elenco.

 

DRÁCULA – O PRÍNCIPE DAS TREVAS, o terceiro filme da série, é o segundo filme que contou com o astro no elenco. Lançado em 1966 e dirigido por Terence Fisher, em seu último envolvimento com a série, este é o melhor filme de todos os nove, melhor até que o primeiro filme, O Vampiro da Noite (1958). E motivos para isso não faltam.

 

É um filme muito bem feito, com todo o charme presente nos dois filmes anteriores, além de contar com uma ótima direção e ótimos atores. Impossível encontrar um defeito, mesmo porque eles não existem.

 

É um filme onde tudo acontece na hora certa, sem apelar para sustos artificiais e efeitos especiais duvidosos. Pelo contrário, aqui temos um verdadeiro filme de terror gótico, com tudo que o gênero soube trazer para nós.

 

A começar pela atmosfera. O filme tem aquela atmosfera interiorana que é sempre muito agradável e convidativa e que parece ficar melhor a cada revisão. Em seguida, quando os personagens já estão dentro do castelo, temos aquela atmosfera de medo e mistério que nunca vai embora, e depois, retornamos para a atmosfera anterior.

 

Outra coisa que torna o filme espetacular é a direção de arte. O castelo do conde é o melhor cenário do filme, com sua ambientação isolada e abandonada, mas mesmo assim, banhada na cor vermelha. O mosteiro também é um dos melhores, principalmente o escritório do Padre Sandor, que possui um aspecto familiar. E as paisagens também não ficam atrás, com a floresta e a choupana. Realmente, é o tipo de coisa que não se vê mais hoje em dia.

 

E claro, não posso deixar de citar o elenco. O diretor Fisher é um ótimo diretor de atores, e soube arrancar atuações realistas de seus interpretes; nenhum dos atores atua de maneira forçada ou caricata e os personagens são realmente criveis. No entanto, quem rouba a cena, é o astro Christopher Lee, em sua melhor interpretação do conde. Mesmo com pouca presença em tela, Lee conseguiu criar o melhor Drácula da série, com seu ar maligno e perverso. E o melhor, ele não precisou dizer nada. Diz a lenda que o astro não gostou do roteiro, e aceitou participar do filme apenas com a condição de que iria aparecer depois de 50 minutos de rodagem e que não diria uma palavra. Bem, dito e feito. O conde aparece somente após a metade do filme, mas enche a tela com sua presença. Maravilhoso, sem dúvida.

 

E o astro protagonizou cenas memoráveis. Minha favorita é quando ele sai do castelo atrás da mocinha, com a capa voando com o vento e se abrindo como asas de morcego. Uma cena que mostra a elegância do ator e do personagem. E como de costume, temos também o Drácula sedutor, que hipnotiza suas vítimas antes de ataca-las e cobre-se com a capa quando vai mordê-las. O Drácula Clássico.

 

Bem, como mencionado, esses são os atributos que fazem deste um grande filme de terror, e um dos melhores filmes de vampiro de todos os tempos.

 

Foi lançado em DVD no Brasil em três ocasiões. As duas primeiras, em edições individuais; a terceira, no Box Drácula – The Ultimate Hammer Collection. Lá fora, foi lançado em Blu-ray duas vezes, em versões maravilhosamente restauradas e coloridas.

 

Enfim, Drácula – O Príncipe das Trevas é um filme excelente. Uma obra assustadora e fascinante, com cenas que prendem a atenção e enchem os olhos. Christopher Lee entrega sua melhor atuação como Drácula, sem a menor dúvida. O melhor filme da série do Drácula da Hammer Films, e um dos melhores filmes do estúdio, com todo o charme que somente eles sabiam fazer. Altamente recomendado.



 

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quarta-feira, 24 de março de 2021

AS NOIVAS DO VAMPIRO (1960). Dir.: Terence Fisher.

 

NOTA: 9



Entre 1957 e 1974, a Hammer Films produziu uma serie de filmes protagonizados pelo Conde Drácula, criado pelo escritor Bram Stoker. Ao todo, foram nove filmes, sete deles estrelados pelo grande Christopher Lee, no papel que o consagrou como astro do horror. Somente dois filmes não contaram com o astro no elenco. AS NOIVAS DO VAMPIRO (1960) é um deles.

 

Dirigido por Terence Fisher, em seu penúltimo filme no universo do Conde Drácula para o estúdio, este é um dos melhores e um dos meus favoritos, talvez o meu segundo favorito da série, depois do terceiro filme, Drácula, o Príncipe das Trevas (1966), que é sem duvida, o melhor da série, melhor até que o primeiro filme, O Vampiro da Noite (1958).

 

Mas o filme em questão desse texto é o segundo longa da série, o primeiro que, apesar de ter Drácula no título, não contou com Christopher Lee no elenco, e o vampiro não é o Conde Drácula. Talvez a única relação com o personagem seja o Dr. Van Helsing, novamente interpretado por Peter Cushing.

 

Bom, mas vamos lá. Eu gosto muito desse filme. É um filme belíssimo, cheio de cores, com ótimas atuações e cenas arrepiantes dignas de nota. Com certeza o principal fator seja a direção de Terence Fisher, considerado um dos melhores diretores do estúdio. O diretor faz um ótimo trabalho na direção, e também se mostra um ótimo diretor de atores, e as atuações não comprometem o resultado. Todos os atores estão muito bem nos papeis, principalmente Cushing, que mais uma vez prova que é o Van Helsing definitivo do cinema. O ator convence sem esforço, até mesmo quando exagera na atuação, nas cenas de luta com os vampiros. E quem também não erra é o ator David Peel, no papel do vilão. Claro, não chega aos pés de Christopher Lee, mas consegue criar um vampiro assustador. Yvonne Monlaur também não decepciona, embora em alguns momentos sua atuação deixe um pouco a desejar. Outros personagens como o padre do vilarejo, o casal dono da escola feminina, a criada da baronesa e um médico viciado em comprimidos, completam o elenco de personagens, e cada um também convence muito bem, com destaque para o médico, que serve como alivio cômico, apesar de sua pequena participação.

 

Como todos os filmes da série, este aqui aposta na atmosfera gótica, e, sem duvida, não peca nesse quesito. O castelo da Baronesa é um templo gótico, assim como o cemitério do vilarejo, com suas cruzes inclinadas; além de um velho moinho de vento. Mais um exemplo do quão competente era a direção de arte, principalmente nesses primeiros filmes da série; o tipo de filme que faz qualquer fã do terror gótico se apaixonar. Aliás, o confronto no moinho é outro ponto positivo, porque foge um pouco da questão do confronto no castelo do vampiro.

 

Além disso, o filme tem uma trilha sonora muito boa, que vai de um toque lúgubre a um toque que beira ao trágico, muito diferente da trilha sonora pesada dos outros filmes da série. Mais um ponto positivo.


E claro, não posso deixar de mencionar os vampiros. A Hammer foi um dos estúdios que mais soube trabalhar com os vampiros, e suas criaturas beiram à perfeição; e aqui não é diferente. Temos os vampiros clássicos, com a pele branca como papel e os caninos afiados. O Barão possui uma ótima caracterização, com seu ar de Conde Drácula, com sua capa e seus olhos vermelhos; no entanto, quem tem a melhor caracterização são as duas vampiras. Seu visual é clássico, com as camisolas brancas, que dão um excelente contraste com sua pele branca e os caninos afiados. O tipo de visual que eu gosto muito. A melhor cena, e também a minha favorita, é quando a primeira ressuscita de seu tumulo, sob o olhar aterrorizado do Dr. Van Helsing. Uma cena muito bem feita que consegue arrepiar sem esforço. A ressurreição da segunda vampira também é muito boa, mas a cena anterior é bem melhor.



Antes de encerrar, quero salientar dois pontos. O primeiro é além de ser um filme de vampiro, esse filme também parece ser uma historia de amor, porque parece que Van Helsing se apaixona por Marianne quando a conhece, pelo menos essa foi a minha impressão. Outro ponto na verdade é uma pequena falha no roteiro: no começo do filme, surge um homem misterioso vestido de preto, que causa pânico nos camponeses. Porem, esse personagem desaparece rapidamente e nunca mais surge na historia. Infelizmente, é um ponto negativo para o filme.

 

E por fim, devo dizer que a temática da superstição é bem abordada aqui. Os camponeses têm muito medo dos vampiros, e deixam isso bem claro quando o nome do Barão é mencionado; ou então, na cena do funeral, quando o corpo da garota que viria a ser a primeira vampira, é coberto por folhas de alho. É o tipo de coisa que eu gosto em filmes de terror, essa questão da superstição local, onde os habitantes temem as criaturas. É muito legal.

 

O diretor Tim Burton sempre se declarou como fã dos filmes da Hammer, e prestou uma homenagem à cena final deste filme em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999); uma homenagem respeitosa, como um verdadeiro cineasta sabe fazer.

 

As Noivas do Vampiro foi lançado em DVD por aqui num Box da distribuidora Dark Side com todos os filmes do Drácula da Hammer Films, Drácula – The Ultimate Hammer Collection. Foi lançado em DVD também em uma edição individual da NBO, mas deve estar fora de catálogo.

 

Enfim, As Noivas do Vampiro é um dos melhores filmes da Hammer. Um filme arrepiante, colorido, com cores pulsantes, com ótima direção de arte e trilha sonora digna de nota. Uma historia arrepiante de vampiros do jeito que o estúdio sabia fazer, com toques de horror gótico que enchem os olhos. Um dos melhores filmes da série do Conde Drácula criada pelo estúdio. Altamente recomendado. 




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segunda-feira, 2 de novembro de 2020

NOSFERATU (1922). Dir.: F.W. Murnau.

 

NOTA: 10



Desde que sua publicação, no final do século XIX, Drácula, do autor Bram Stoker, tornou-se um sucesso. Na virada do século XX, a obra passou a ser adaptada para o cinema, por vários cineastas, ao longo dos anos. Foram mais de 200 adaptações, entre elas, clássicos absolutos, produções medianas, produções trash e grandes bombas. A primeira adaptação surgiu em 1920, em um filme húngaro chamado A Morte de Drácula. Infelizmente, não sabemos quase nada a respeito desse filme, porque ele foi perdido. Então, eis que, em 1922, surgiu aquela que é considerada a primeira adaptação oficial do livro de Bram Stoker: NOSFERATU, dirigido por F.W. Murnau. 

 

Nosferatu é um Clássico do Cinema, não apenas do cinema de horror. É um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, e até hoje, mantém o seu poder de causar calafrios no espectador. Lançado no auge do Expressionismo Alemão, o filme é um dos maiores representantes do movimento; o maior ainda é O Gabinete do Dr. Caligari, lançado dois anos antes. O Expressionismo Alemão foi um estilo de cinema que surgiu nos anos 20, cuja maior caraterística eram as imagens distorcidas, geralmente de personagens e cenários, graças ao uso de recursos cinematográficos e maquiagem. Além do filme de Murnau e de Caligari, o movimento teve outros grandes exemplares, como Metrópolis (1927), de Fritz Lang, considerado um marco no cinema de ficção cientifica.

 

Mas não é apenas seu papel no movimento que faz de Nosferatu uma obra atemporal. Ele também foi o responsável pela introdução do cinema de terror gótico, apresentando algumas das características que se tornariam marcas no gênero, como por exemplo, portas que se abrem sozinhas, o castelo no alto da colina, a própria ambientação, com teias de aranha, e cortinas esvoaçantes. Tudo o que conhecemos do terror, pode-se dizer que surgiu com o filme de Murnau, apesar de eu não ter 100% de certeza a respeito disso.

 

Bom, o fato é que o filme é, sim, muito assustador. Desde o momento em que o Conde Orlok, interpreto por Max Schreck, surge, já sentimos um calafrio na espinha, principalmente por causa de sua aparência – mais sobre isso adiante. E o terror não para. Vale lembrar que o filme foi lançado numa época em que o cinema de terror era mais artístico, com toques belos, que conseguiam assustar, muito diferente do que vemos atualmente. Nosferatu é um exemplo. Não há dúvida que o filme é belíssimo. A fotografia é um dos principais fatores, e deu ao filme um ar de mistério e fantasia, que passou a ser copiado por diversos cineastas nas décadas seguintes.

 

A direção de Murnau é excelente. O diretor conseguiu criar cenas belíssimas com os recursos que tinha à disposição, e, praticamente com uma única câmera, devido a questões de orçamento. Graças a isso, o filme é repleto de cenas memoráveis, desde o começo, quando Hutter e sua esposa se abraçam apaixonadamente, passando pelas cenas no castelo, a cena na praia, e a famosa cena das sombras de Orlok nas escadas.

 

E o medo está presente, principalmente após a chegada do vampiro a Wisborg. Não sabemos o que ele vai fazer, mas ficamos apreensivos, e não conseguimos tirar os olhos da tela. Tudo isso acompanhado às cenas da esposa de Hutter angustiada, esperando que o marido volte para casa. E a coisa fica ainda pior, uma vez que a chegada do vampiro é acompanhada pela chegada da Peste, o que obriga dos cidadãos a ficarem trancados em casa. Ou seja, não há escapatória. O vampiro é imbatível e está disposto a dizimar a população da cidade. Uma coisa realmente assustadora.

 

Além da fotografia, o filme também foi inovador pelo fato de ser o primeiro filme rodado em locação. O filme teve locações na Alemanha, principalmente na cidade de Wismar, além de locações em Lauenburg, Rostock e em Sylt. Outras locações foram nos próprios Montes Cárpatos, principalmente no Castelo de Orava, e também em Tatras Altos, na fronteira entre a Eslováquia e a Polônia. De todas essas locações, a mais impressionante é o Castelo de Orava, que serviu de cenário para o castelo do conde. Realmente, o lugar dá a impressão de ser um castelo assombrado, com suas janelas enormes e portas que se abrem sozinhas. Espetacular. 

 

Porém, o melhor fica para o Conde Orlok. Sua caracterização é absolutamente aterrorizante: o vampiro é alto, magro, veste-se todo de preto, careca, com orelhas e unhas pontudas e dentes frontais afiados. É uma figura digna de pesadelos. Segundo informações, Orlok é o mais próximo da ideia original que Bram Stoker tinha de Drácula; ao contrário do conde charmoso e aristocrático, ele seria repulsivo e nada atraente. Como ainda não li o livro, não posso dizer se tal afirmação está correta, mas concordo com ela.

 

Provavelmente, Nosferatu é conhecido também por sua história de bastidores problemática. O que aconteceu foi que os realizadores, e principalmente o estúdio, a Prana-Films, não consultaram a família de Stoker para comprar os direitos de adaptação, talvez porque não sabiam, ou então, não se preocuparam. O fato é que a viúva do autor ficou furiosa com todos os envolvidos, e mesmo com as alterações nos nomes dos personagens, ela ordenou que as copias do filme fossem destruídas. Felizmente, antes disso, algumas copias conseguiram ser levadas para fora da Alemanha, o que possibilitou a exibição do filme fora do país. Ainda bem, porque senão, o filme entraria para a lista de filmes perdidos, o que seria uma lástima, porque, queira ou não, o filme é um registro histórico. Hoje em dia, é considerado um dos filmes mais importantes da Alemanha, e um marco do Expressionismo Alemão, e o filme mais famoso de Murnau.

 

Outra história de bastidores, aliás, uma lenda de bastidores, é a de o ator Max Schreck era, de fato, um vampiro. Não sei de onde tal boato surgiu, mas talvez tenha relação com seu sobrenome, que em alemão significa “Medo” ou “Terror”. Seja como for, o fato é que esse boato ficou conhecido por muito tempo. Outra história de bastidores que surgiu é a de o produtor, Albin Grau, estava envolvido com ocultismo, e, inclusive, existe a historia de que símbolos ocultistas estejam presentes na carta que Knock recebe do Conde; e outra história de bastidores, envolve o provável envolvimento da produtora Prana-Films com o Nazismo, e inclusive, o próprio filme foi considerado como parte da propaganda antissemita. Se todos são verdade, talvez nunca saibamos.

 

Mesmo quase 100 anos desde seu lançamento, o filme se mantem muito forte, tendo influenciado uma série de outros filmes do gênero, e também diversos cineastas, como por exemplo, o diretor Tim Burton, fã declarado do Expressionismo Alemão, que homenageou o movimento, e o filme em Batman, o Retorno, com o vilão Max Schreck, interpretado por Christopher Walken.

 

Em 1979, ganhou um excelente remake dirigido por Werner Herzog, e estrelado por Klaus Kinski, Isabelle Adjani e Bruno Ganz.

 

Teve seus bastidores retratados no excelente A Sombra do Vampiro (2000), dirigido por E. Elias Merhige, e estrelado por John Malkovich, no papel de Murnau, Willem Dafoe, no papel de Schreck, e Udo Kier, como o produtor Albin Grau. Apesar de focar nos bastidores da produção, o filme é uma obra de ficção, principalmente porque faz uso da lenda de que Schreck era um vampiro de verdade. Mesmo assim, é altamente recomendado.

 

Foi lançado em DVD por aqui pela Versátil Home Vídeo, primeiro na coleção Vampiros no Cinema, e depois na caixa Nosferatu – Edição Definitiva Limitada, juntamente com o excelente remake de 1979.


Enfim, Nosferatu é um Clássico do Cinema. Um filme verdadeiramente assustador, que ainda mantém seu impacto, quase 100 anos após seu lançamento. Uma história arrepiante, repleta de características que se tornariam parte do cinema de terror gótico, e que consegue assustar e provocar calafrios sem o menor esforço. A direção de F.W. Munrau torna o filme ainda mais belo e impressionante, com luzes e sombras distorcidas. A atuação de Max Schreck é o grande ponto do filme, e o ator dá vida a um personagem arrepiante, diabólico e repulsivo. A primeira adaptação registrada do clássico de Bram Stoker. Um marco do Expressionismo Alemão, e um dos Filmes Mais Assustadores da História. Obrigatório para fãs de cinema. Altamente recomendado. 



Créditos: Versátil Home Vídeo 


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segunda-feira, 27 de maio de 2019

O VAMPIRO DA NOITE (1958). Dir.: Terence Fisher.


NOTA: 9.5



DRÁCULA,
O VAMPIRO DA NOITE (1958)
DRÁCULA, O VAMPIRO DA NOITE é mais uma adaptação do Clássico de Bram Stoker. Lançado em 1958, é a primeira produção colorida sobre o Conde Vampiro, produzida pela Hammer Films um ano após o lançamento de A Maldição de Frankenstein, estrela por Peter Cushing e Christopher Lee. Aqui, os atores voltam a atuar juntos, nos papeis do Prof. Van Helsing, e do Conde Drácula, respectivamente. 

Além de ser um clássico do terror, essa produção da Hammer Films é uma das melhores adaptações do livro de Bram Stoker, que fez de Christopher Lee um astro, e fixou seu lugar no hall dos Mestres do Terror, ao lado do amigo Peter Cushing, Vincent Price, Bela Lugosi, Boris Karloff e outros. E também, ao lado de Lugosi, Lee tornou-se o interprete definitivo de Drácula, com seu ar elegante, aristocrático, sedutor e principalmente, ameaçador, exibindo suas presas afiadas, banhadas em sangue – apresentadas pela primeira vez neste filme.

Sem duvida, um dos atrativos da produção é o fato de ter sido rodado em Technicolor, o que ajudou a criar um clima belo e assustador, principalmente quando envolve o vermelho vivo do sangue, que enche a tela.

O diretor Terence Fisher criou um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, um marco do terro gótico, com todas as características que se tornariam clássicas no gênero, o cemitério envolto em nevoas, florestas abandonadas, o castelo cheio de teias de aranha e pó, entre outros. E tudo funciona muito bem. Desde o primeiro momento, o filme não decepciona, e conforme a historia avança, a beleza aumenta, bem como o clima de mistério e horror, digno de provocar arrepios.

Talvez, hoje em dia, para o publico mais exigente, o filme não seja tão assustador, uma vez que os tempos mudaram, e o gosto do publico mudou. Mas, para mim, assistir a esse filme, é uma experiência maravilhosa, tanto pelos motivos mencionados acima, como pelas atuações de Peter Cushing e Christopher Lee. Há quem diga que Cushing se transformou na personificação definitiva do arqui-inimigo de Drácula, e, devo dizer que é verdade. Que me perdoem Edward Van Sloan (Drácula de 1931), Anthony Hopkins (Drácula de Bram Stoker) e até mesmo Laurence Olivier (Drácula de 1979), mas o Van Helsing de Cushing é excelente. Determinado a sua causa, ele não poupa esforços para destruir o Vampiro-Mor, mas também mostra-se um homem racional, devotado tanto à fé quanto à ciência. Já o Drácula de Christopher Lee é a personificação do Mal. Alto e elegante, seu Drácula consegue tomar conta do filme, mesmo com sua pouca presença em tela; desde que surge pela primeira vez, envolto em sombras, é capaz de meter medo no espectador sem nenhum esforço, com seu olhar frio e expressão neutra; o mesmo acontece quando se transforma numa criatura sanguinária.

O restante do elenco também convence em suas performances, principalmente o ator Michael Gough, no papel de Arthur Holmwood, irmão de Lucy, noiva de Harker. O ator entrega uma atuação notável, sem caricaturas ou exageros. Melissa Stribling, no papel de Mina, esposa de Arthur, também merece destaque, com uma atuação convincente.

Como em todas as adaptações cinematográficas, esta teve mudanças em sua estrutura e narrativa. Talvez a mais notável seja a ocorrida nos personagens. Enquanto que no livro de Bram Stoker, Jonathan Harker e Mina Murray são noivos, aqui ela torna-se esposa de Arthur Holmwood, que tornou-se irmão de Lucy, ao invés de seu pretendente; os demais personagens não são mencionados – apenas o Dr. Seward, aqui reduzido a uma ponta. A atração de Lucy por crianças, após ser vampirizada, permaneceu, quando ela toma a filha da governanta como sua vitima. A cena em que Van Helsing a enfrenta no cemitério é a melhor do filme, um trabalho maravilhoso de direção e fotografia e direção de arte.

Mas, talvez, o melhor mesmo fique para o ultimo ato, quando Drácula e Van Helsing finalmente se enfrentam no castelo: uma cena de combate imbatível, com os dois rivais lutando igualmente, até o momento em que Van Helsing derrota o vilão, numa cena antológica, que sofreu cortes da censura. Porém, apesar de ser uma cena memorável, não supera o embate entre Van Helsing e Drácula no filme 1931.

Drácula fez um grande sucesso na época do seu lançamento, o que possibilitou a Hammer a lançar uma série de filmes sobre o vilão, com Christopher Lee reprisando o papel em 6 deles. No entanto, mesmo com o sucesso financeiro, o filme não obteve boas criticas. Hoje em dia, é reconhecido como um clássico do terror.

Enfim, Drácula, O Vampiro da Noite é um filme excelente. Uma das melhores adaptações do livro de Bram Stoker. Um belíssimo filme de terror.



AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.