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sábado, 20 de abril de 2024

LEATHERFACE – O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA III (1990). Dir.: Jeff Burr.

 

NOTA: 6


Em 1990, a franquia O Massacre da Serra Elétrica foi parar nas mãos da New Line Cinema, e o estúdio lançou LEATHERFACE – O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA III, com direção de Jeff Burr, que teve como objetivo dar uma mudança na franquia.

 

E foi aí que os problemas começaram, ao meu ver.

 

O Massacre III é um filme confuso na sua concepção, porque ele não sabe se quer ser um remake, ou um reboot, ou uma continuação do Clássico de Tobe Hooper, e isso já fica evidente já no texto de introdução, onde o narrador nos conta o que aconteceu com Sally Hadersty, a protagonista do filme original, e aparentemente, esquece o que aconteceu no filme anterior.

 

Na minha opinião, isso não ajuda, porque, em certo momento, o filme fica com cara de remake, porque apresenta as mesmas situações vividas pelos personagens do filme de Hooper, em especial na sequência do posto de gasolina.

 

Passada a cena do posto, somos apresentados a uma história diferente, mas, ainda assim, com os seus problemas, conforme mencionado acima.

 

O maior problema disso tudo é a presença de Leatherface, que, como nós sabemos, passou por maus bocados no final de O Massacre 2, e o roteirista aparentemente se esqueceu desse detalhe, ou então, o estúdio encomendou um reboot – ou um remake – mas, o mesmo roteirista apresentou elementos vistos anteriormente na franquia.

 

Então, qual é a desse filme?

 

Mas, apesar do grande problema, eu ainda acho que é um filme bom, visto que ainda consegue divertir e provocar um pouco de medo, principalmente porque temos que levar em conta que essa franquia não envolve nada de sobrenatural, e sim, o terror real.

 

A sequência de perseguição na floresta é a mais tensa do filme, porque nós não sabemos aonde está o assassino, nem quando ele vai atacar, então, ficamos com o coração batendo de medo, enquanto os personagens procuram se salvar do maníaco da motosserra.

 

Os personagens são interessantes também, mas o melhor deles é o personagem Benny, interpretado por Ken Foree, um nome conhecido do gênero. Seu personagem foi um soldado que se tornou especialista em sobrevivência, e faz de tudo para escapar da família canibal, ao mesmo tempo que tenta salvar a protagonista. A melhor cena é o confronto com o personagem do Viggo Mortensen, onde ambos soltam frases absurdas demais, que beiram ao engraçado.

 

A protagonista também funciona, e como de costume, ela passa por maus bocados nas mãos da família, e aqui, ela sofre – não tanto quanto a Sally, mas é quase isso. Ela é aquele típico personagem que muda de arco ao longo do filme – ela começa boazinha, e incapaz de ferir alguém, mas no final, ela sofre uma mudança brusca.

 

O restante do elenco também está bem, principalmente o ator Viggo Mortensen, que interpreta um dos membros da família canibal. Seu Tex consegue ser amistoso quando quer, mas quando se torna ameaçador, ele muda completamente, e se torna um personagem assustador.

 

No entanto, apesar dessas qualidades, o filme tem também os seus problemas. A direção de Jeff Burr não é ruim, mas o resto da técnica é questionável. O principal é a casa da família canibal, que se parece com uma casa comum e tem só um cômodo cheio de ossos velhos; o certo seria o contrário, fazer a casa inteira ser cheia de ossos velhos. A fotografia tem os seus méritos, mas a montagem não se salva, principalmente nas cenas violentas. Aparentemente, o filme foi censurado pela MPAA, então, não temos grandes efeitos aqui, sendo que o maior problema ficou na cena da marreta, que voa em direção ao rosto do personagem, mas acontece um corte antes de vermos o rosto dele ser destruído.

 

Os efeitos especiais ficaram a cabo da KNB Effects, e eles são quase inexistentes, conforme mencionei acima. Acredito que o melhor seja na sequência em que a protagonista tem as duas mãos perfuradas com pregos na cadeira.

 

E claro, no final, temos a mesma sequência de jantar, que funcionou nos dois primeiros filmes, mas, se você levar em conta o que foi escrito aqui, vai achar estranho.

 

Foi lançado em DVD no Brasil na coleção O Massacre da Serra Elétrica, da Obras-Primas do Cinema, com muitos extras.

 

Enfim, O Massacre da Serra Elétrica III é um bom filme, apesar dos seus defeitos. Uma história de horror contada de maneira honesta, com uma direção competente. O maior problema é o roteiro, que não sabe exatamente qual caminho seguir, e acaba repetindo elementos anteriores, e criando momentos que não fazem muito sentindo. Um filme problemático, mas decente.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.


sexta-feira, 1 de março de 2024

UM DRINK NO INFERNO (1996). Dir.: Robert Rodriguez.

 

NOTA: 9.5


O primeiro filme de terror a gente nunca esquece, não é verdade? E quanto ao segundo?

 

Qual foi o segundo filme de terror que vocês assistiram? O meu foi UM DRINK NO INFERNO, um misto de ação, terror e crime, comandado pela dupla Quentin Tarantino e Robert Rodriguez.

 

Infelizmente, serei obrigado a dar spoilers aqui nessa resenha, senão, a mesma ficaria incompreensível.

 

Recado dado, vamos lá.

 

Para quem já conhece, o filme é dividido em duas partes bem diferentes.

 

Na primeira, acompanhamos uma trama de crime digna dos filmes de Tarantino, com os irmãos, Seth e Richard Gecko, dois criminosos que espalham o terror pelo país e sequestram uma família, com o objetivo de fugir para o México. Na segunda parte, acompanhamos os personagens em um bar de strip-tease que se revela um antro de vampiros sugadores de sangue.

 

Passada essa introdução, vamos falar sobre o filme como um todo.

 

A começar pela direção de Robert Rodriguez, que é muito boa, e o diretor consegue conduzir as duas partes da trama com maestria, e ambas acertam em cheio.

 

A primeira parte, conforme mencionada acima, lembra muito os filmes de ação do diretor Tarantino, com a temática de sequestro e assalto a lojas e bancos, com ângulos de câmera e diálogos que poderiam ter saído diretamente de um filme de Tarantino, assim como as cenas violência.

 

Já a segunda parte, se transforma em um filme completamente diferente, com um ar de trasheira, com cenas de mortes exageradas e sangrentas ao extremo, com o sangue jorrando sem parar logo após a introdução dos vampiros, e os personagens lutando contra as criaturas com tudo que encontram no local, como tacos de bilhar e as pernas das mesas.

 

E o roteiro de Tarantino é muito bom em combinar essas duas partes, e faz tudo com maestria. Na primeira metade, tudo acontece aos poucos, com a dupla de irmãos se organizando para fugir do país, enquanto mantêm uma mulher como refém, mas as coisas não acabam bem, e os dois são obrigados a sequestrar uma família para ajudá-los a fugir.  No entanto, quando chegamos na segunda metade, o terror surge com tudo, com direito a corpos decepados e sangue jorrando com gosto; mas, após o massacre inicial, o roteiro novamente aposta no slow-burn, até desencadear para novos momentos de terror.

 

Os efeitos especiais foram criados pela KNB Effects Group, de Robert Kurtzman, Greg Nicotero, e Howard Berger, e eles não economizaram. Aqui tem de tudo, de membros falsos, passando por bonecos animatrônicos, e fantasias de monstros. Esqueça os vampiros clássicos. Aqui, temos vampiros monstruosos, com rostos deformados, e presas afiadas. Difícil dizer qual é o melhor, porque todos são muito bem feitos, e, convencem muito até hoje, assim como os efeitos de sangue.

 

Deixe-me falar um pouco mais sobre os vampiros. Além do visual monstruoso, eles são inspirados nos vampiros clássicos, e seguem algumas regras, como, por exemplo, são derrotados pela luz do sol; estacas de madeira no coração e cruzes também funcionam; e se transformam em morcegos. No entanto, o que os torna diferentes, é que eles podem ingerir outras bebidas, conforme mostrado quando somos apresentados ao bar Twittie-Twister – não vou usar a tradução aqui, para não criar polêmicas.

 

No início da resenha, eu mencionei que este foi o meu segundo filme de terror, porque eu o assisti quando era criança com a minha mãe. Até assisti-lo novamente, anos depois, eu me lembrava de algumas cenas, e sempre que o revejo, e as cenas aparecem, sinto um quentinho no coração. Por isso, este filme tem um lugar especial na minha vida.

 

Enfim, Um Drink no Inferno é um filme excelente. Um filme de ação e terror, contado com maestria pela dupla Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, com um roteiro bem afiado e direção inspirada. Os efeitos especiais são o grande destaque, com tudo que tem direito, e a KNB cria vampiros verdadeiramente assustadores. Altamente recomendado.



terça-feira, 22 de agosto de 2023

A NOIVA DE RE-ANIMATOR (1989). Dir.: Brian Yuzna.

 

NOTA: 8.5


Na década de 20, H.P. Lovecraft lançou a serie Herbert West – Reanimator, que, apesar de não se tornar um sucesso na época de publicação, tornou-se uma de suas obras mais famosas com o passar dos anos.

 

Em 1985, o diretor Stuart Gordon e o produtor Brian Yuzna lançaram Re-Animator – A Hora dos Mortos-Vivos, estrelada por Jeffrey Combs, Barbara Crampton, Bruce Abbott e David Gale, que se tornou um dos maiores clássicos dos anos 80, e a melhor adaptação da obra de Lovecraft.

 

Quatro anos depois, foi lançado A NOIVA DE RE-ANIMATOR, desta vez dirigido por Yuzna, novamente com Jeffrey Combs, Bruce Abbott e David Gale no elenco, retomando seus papeis principais.

 

Aqui temos um exemplo de continuação que é tão boa quanto o primeiro filme, tudo graças ao longa como um todo.

 

Mesmo não contando com Stuart Gordon na direção, o ritmo frenético se mantém aqui, assim como os efeitos especiais caprichados no gore e na escatologia.

 

Claro, aqui, não sei se temos cenas tão memoráveis quanto no primeiro filme, mas temos cenas de horror muito boas, graças a direção de Yuzna, em seu segundo trabalho na função.

 

O roteiro, desta vez não escrito por Dennis Paoli, pega novamente alguns elementos da história original de Lovecraft e a transporta para a era contemporânea. Podemos dizer que é uma continuação direta, porque os eventos aqui acontecem oito meses após o primeiro filme, e no prologo, acompanhamos West e Cain na guerra do Peru, algo presente na história original. Após os incidentes no Peru, retornamos a Arkham, ao hospital da Universidade de Miskatonic, onde conhecemos também uma paciente em estado terminal, que se tornará uma peça importante na narrativa.

 

E assim como no primeiro filme, temos aqui uma certa dose de humor negro, graças principalmente ao Dr. Graves, o patologista do hospital e seu assistente. No entanto, West e Cain também protagonizam cenas de humor negro, ainda mais quando envolvem um pequeno experimento com partes de corpos.

 

Essa aqui é uma mudança boa no roteiro; West e Cain desta vez trabalham com partes de corpos, pois querem ver se conseguem criar um ser humano completo, algo certamente inspirado no Frankenstein de Mary Shelley. Além das experiências com partes de corpos, West também desenvolve novos métodos e formulas, que o ajudam na hora de criar suas cobaias.

 

Essa também é uma grande sacada do roteiro, porque, de certa forma, ele amplia as experiências de West, dando a ele um ar ainda mais sinistro. E novamente, vemos que o personagem se mantém igual ao primeiro filme, todo cheio de si mesmo e que se importa apenas com seus experimentos.

 

Além do retorno de West e Cain, temos também novos personagens; além do já mencionado Patologista, temos um novo par romântico para Cain, e um detetive que está disposto a descobrir a verdade sobre o massacre ocorrido na Universidade oito meses antes. Esse personagem até que entrega boas cenas, apesar de aparentar ser mais intrometido que o normal; Francesca, o novo interesse romântico de Cain também funciona, quase como um contraponto para Meg, do primeiro filme.

 

No entanto, o grande destaque aqui é o retorno do cruel Dr. Hill, novamente interpretado por David Gale. Assim como no primeiro filme, somos brindados com sua cabeça falante, que controla os mortos-vivos, além de aparecer com um visual marcante no final do filme.

 

Aliás, o final do filme também parece ter sido diretamente inspirado pelo conto original de Lovecraft, visto que os experimentos anteriores de West se rebelam contra ele dentro da cripta.

 

Os efeitos especiais também são o grande destaque aqui, criados por grandes nomes do gênero, como Screaming Mad George; KNB Effects, e David Allen, cada um desempenhando uma função especifica. Assim como no primeiro filme, somos brindados com cenas caprichadas no gore e na escatologia, e os três zumbis principais são nojentos em um nível impressionante. Além disso, as habilidades dos zumbis são ampliadas, com o uso da fala e de ferramentas.

 

O auge de efeitos, no entanto, é a Noiva, criada a partir da paciente Gloria. Ao longo do filme, West arromba o deposito da Universidade para roubar partes de corpos, além de usar pacientes completos para o experimento. Ele junta tudo em seu laboratório no porão da nova casa, e após a morte de Gloria, ele percebe que está na hora de testar sua teoria.

 

A cena da ressureição da Noiva é uma das melhores do filme, justamente por causa da direção de Yuzna, além de ser muito parecida com a cena de criação da Noiva de Frankenstein, no filme de James Whale, que também serviu de inspiração para este filme. A Noiva é a melhor criatura do longa, porque é aquela personagem que se sente perdida no mundo e precisa encontrar seu lugar. Após sua ressureição, é possível ver que ela se afeiçoa a Cain, tanto pelo fato do coração de Meg estar batendo em seu peito, quanto pela afeição que a própria Gloria tinha pelo médico.

 

E o final é tão frenético quanto o filme em si, com as criaturas de West escapando da cripta e se juntando para acabar com ele, tudo sob o comando de Hill.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Lovecraft no Cinema 2, em versão restaurada sem cortes.

 

Enfim, A Noiva de Re-Animator é um filme muito bom. Um longa frenético, com cenas carregadas no gore, com zumbis grotescos e personagens cativantes. A direção de Brian Yuzna é competente, e o diretor sabe o que faz, criando assim, cenas tensas e engraçadas. O retorno dos personagens e atores do primeiro filme também contribuem para deixar este filme ainda melhor a cada revista, acompanhados pelos efeitos especiais criativos. Uma leve adaptação do clássico de H.P. Lovecraft, e um dos melhores filmes baseados nos textos do autor. Altamente recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo.

 

sexta-feira, 1 de julho de 2022

O NOVO PESADELO DE WES CRAVEN (1994). Dir.: Wes Craven.

 

NOTA: 10



Em 1984, quando lançou A Hora do Pesadelo, Wes Craven não sabia o quão importante seu filme seria para o gênero, e o quão popular o seu vilão, o assassino Freddy Krueger, se tornaria ao longo dos anos. O sucesso do primeiro filme motivou os donos da New Line a transformar o filme em uma franquia.

 

Em 1994, Wes Craven lançou O NOVO PESADELO DE WES CRAVEN, também conhecido como O Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy Krueger.

 

Bom, vou ser sincero aqui. Este é o meu filme favorito da franquia, simplesmente porque foi o que eu mais aluguei na locadora, no VHS da saudosa América Vídeo. Também foi o meu primeiro contato com a franquia e com o personagem, por isso tenho um carinho especial por esse filme.

 

Além de ser o meu favorito da franquia, este é também o melhor depois do primeiro, na opinião de muitos fãs do terror e também dos fãs da própria franquia. Talvez o principal motivo seja o retorno de Craven, que resgatou o clima de ambiguidade do primeiro filme, além de trazer o vilão na sua forma maligna, sem o humor negro dos filmes anteriores; fora o novo design do vilão, que na minha opinião, é o melhor desde o segundo filme.

 

Aqui, Craven mostra que realmente é o dono da franquia, com sua direção madura e inspirada, e um roteiro metalinguístico extraordinário, onde o diretor apresenta uma justificativa para o vilão, transformando-o em uma entidade maligna que se libertou após o último filme da franquia, e agora, está a solta no mundo real. Eu confesso que quando assisti a esse filme pela primeira vez, eu estranhei essa ideia, porque não sabia nada sobre metalinguagem, então, para mim, era muito estranho ver o próprio diretor do filme interagindo com os atores e dirigindo o filme dentro do filme. Mas hoje em dia, eu abraço essa ideia e considero uma grande sacada, até porque, depois do desastroso filme anterior, não vejo qual caminho satisfatório a franquia poderia tomar.

 

Mas, enfim, o fato é que temos aqui uma espécie de retorno às origens, com várias homenagens à franquia, principalmente ao primeiro filme, desde o retorno de John Saxon à cena do hospital que repete a primeira cena de morte do primeiro filme.

 

O roteiro de Craven é certeiro, porque ao mesmo tempo que fala de metalinguagem, mistura elementos do filme original, quase transformando-o em um filme da franquia mesmo, com o retorno de Nancy e dos demais personagens. Aliás, acho que se fosse um filme metalinguístico, poderia ser uma sequência direta do original, visto que tanto Nancy quanto o tenente Thompson retornam. Inclusive, seria muito interessante ver Nancy crescida, casada, sendo assombrada por Freddy, assim como Heather é assombrada por ele e por um fã louco ao longo do filme.


 

Além da questão da metalinguagem, Craven também faz uso de alguns incidentes que aconteceram, como a presença dos terremotos, que inclusive, causaram terríveis desastres em L.A. durante as gravações, além da ideia de um fã louco perseguindo Heather, algo que realmente aconteceu com a atriz após o primeiro filme. Essa questão do fã louco até teria uma solução nos primeiros rascunhos do roteiro, mas o diretor optou por não resolve-la.

 

Como mencionado acima, o filme é recheado de participações de atores envolvidos na franquia ao longo dos anos. Na cena do funeral, temos uma ponta de Nick Corri, que interpretou Rod no primeiro filme, além de Tuesday Knight, que interpretou Kirsten no quarto filme. Temos também uma ponta de Lin Shaye, aqui como uma enfermeira; além do próprio Robert Shaye. Dizem que Craven cogitou até chamar Johnny Depp, mas após vê-lo no filme anterior, retirou a proposta. Ao que parece, o ator ficou chateado ao saber que não iria participar do filme... Seria legal tê-lo aqui também, talvez interpretando a si mesmo ou outro personagem... Enfim. Além do elenco, temos também a volta da casa da personagem, algo recorrente na franquia.

 

Mas o melhor de tudo, sem dúvida, é o vilão. Aqui, Craven optou por dar uma nova roupagem a ele, a fim de combinar com a ideia de se trata de uma entidade. Então, ao invés do rosto deformado, temos uma pele quase rasgada, com os músculos em evidencia, além de uma nova luva, com detalhes que lembram uma mão esquelética, desta com cinco garras; e desta vez, juntamente com seu suéter vermelho e verde, o vilão recebeu também um sobretudo, que combinou com ele. E conforme mencionado, o vilão perdeu o humor negro. O visual do vilão foi novamente criado por David Miller, e, conforme mencionei, é o melhor desde o segundo filme. No começo do filme, temos uma ponta do ator Matt Winston, filho do saudoso Stan Winston, interpretando um técnico de efeitos especiais, mais uma sacada do roteiro.

 

Além de interpretar o vilão, o ator Robert Englund também interpreta a si mesmo, numa rara presença sem maquiagem, tirando a cena do talk-show, onde aparece com um visual parecido com o visual do primeiro filme. Nessa cena, temos também a repetição da clássica frase: “You are all my children now!”, que o vilão diz no segundo filme, mais um tributo à franquia.

 

Conforme mencionado na resenha de A Hora do Pesadelo 3, Craven tinha a ideia de trazer a metalinguagem para aquele filme, mas a ideia foi descartada. Então, quando foi convidado para fazer um novo filme, ele primeiro assistiu a todos antes de finalmente apresentar essa ideia. Curioso.

 

O filme é recheado de cenas que para mim são antológicas, como a já mencionada cena do hospital, além de cena da rodovia, minha segunda favorita. Além dessas cenas, eu gosto também do confronto final, que acontece em um tipo de inferno dos sonhos. A derrota do vilão aqui é minha favorita também.

 

O Novo Pesadelo de Wes Craven estreou em 14/ou/1994. Apesar as críticas, não foi um sucesso de bilheteria, o que enterrou a franquia nos cinemas. Dois anos depois, Wes Craven ressuscitaria o terror mais uma vez com Pânico, que trouxe o gênero slasher de volta.

 

A franquia foi lançada no Brasil em VHS, DVD e Blu-ray ao longo dos anos, mas atualmente está fora de catálogo.

 

Enfim, O Novo Pesadelo de Wes Craven é o melhor filme da franquia depois do primeiro. O retorno de Wes Craven garante momentos de nostalgia, além de várias homenagens à franquia. O vilão Freddy Krueger também retorna em nova roupagem, com toques de sadismo e sem o humor negro. Vários atores também retornam, o que deixa o filme ainda melhor, além das cenas memoráveis. Meu favorito da franquia. Um filme excelente e um fechamento digno para a franquia. 




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sexta-feira, 21 de junho de 2019

VOO NOTURNO (1997). Dir.: Mark Pavia.


NOTA: 10


VOO NOTURNO (1997)
Para mim, VOO NOTURNO (1997), baseado no conto O Piloto da Noite, tem uma grande importância, porque foi meu primeiro contato como escritor Stephen King, que se deu por meio da capa do VHS, quando minha mãe mostrou para mim na locadora.

Naquela ocasião, não aluguei o filme; somente alguns anos depois, como sempre fazia nos fins de semana. Quando pus a fita no videocassete, o resultado foi uma das experiências mais aterrorizantes da minha vida! Eu quase não consegui ver o filme direito; passei a maior parte do tempo escondido atrás da parede do corredor. Numa outra oportunidade, até consegui assistir, mas quando chegou ao clímax, fiquei a noite sem dormir, porque era muito assustador – e ainda é, mas hoje, consigo assistir sem problemas. Eu só consegui assistir ao filme, sem medo, depois de outras tentativas, conforme fui ficando mais velho, e me acostumando com ele.

Não se engane. Mesmo sendo uma das adaptações mais assustadoras – talvez a mais assustadora – de Stephen King, Voo Noturno é excelente! Com sua simplicidade impar, consegue assustar e provocar pesadelos, sem o menor esforço, e tudo contribui pra isso.

O primeiro fator talvez seja o clima. Desde o começo, o filme tem um clima de mistério, com sua fotografia escura e trilha sonora de piano – aliás, brilhante trilha sonora. E desde a abertura, o filme não nega fogo, mostrando logo de cara uma cena sangrenta e silhueta do vampiro. E o mesmo acontece até o final. O diretor Mark Pavia conduz a trama de maneira brilhante, e com certeza, fez uma excelente adaptação do conto original. Posso dizer que o filme, de certa forma, completa a experiência de ler o conto, e vice-versa. Durante certos momentos da leitura, eu me lembrei das cenas descritas no texto original – o mesmo aconteceu enquanto lia a história.

O que mais contribui é a própria ambientação. O filme foi inteiramente rodado na Carolina do Norte, e isso também causa uma sensação de medo, não pelas locações, mas pela sensação que elas passam. Durante todo o filme, parece que os lugares que o protagonista visita não são reais – e obviamente não são – e não parecem passar uma sensação de segurança, mesmo durante o dia. Parece até outra dimensão.

A trilha sonora, composta por Brian Keane, também é mais um fator. Praticamente toda tocada no piano, ela parece entrar na mente do espectador, e no momento em que ouvimos a melodia na nossa cabeça, na hora, lembramos do filme. Existem momentos em que a trilha é mais pesada, de acordo com a cena, mas, nada é melhor do que o tema do filme.

E por fim, os efeitos especiais e a própria sensação de pavor. Impossível falar de um, sem falar do outro. Os efeitos de maquiagem, cortesia da KNB Effects Group, são a melhor coisa do filme. Como o diretor faz questão de esconder seu vampiro durante boa parte do filme, ele compensa a curiosidade com a maquiagem. E olha, que excelente trabalho. Eu falo de perfurações nos corpos das vitimas, membros espalhados e sangue manchado nas paredes – muito sangue. E claro, a maquiagem do vampiro. Devo dizer que a expectativa em ver seu rosto é compensada, porque, é um dos melhores visuais de vampiro e todos os tempos, talvez um dos mais aterrorizantes. E a sensação de pavor, como já disse, está presente no filme inteiro, mas com certeza, ela aumenta no clímax no terminal, naquela que é a cena mais assustadora do filme inteiro. E olha, coisas assim são difíceis de fazer hoje em dia.

Sobre os personagens, o seguinte. O protagonista, Richard Dees, é um verdadeiro cretino. Sempre de cara fechada, arrogante e presunçoso, ele não passa em nenhum momento a imagem do herói que está lutando contra o vilão, pelo contrario; não dá pra torcer por ele. Katherine Blair, a jovem estagiaria do tabloide, apesar de sua pouca presença, é o oposto. Ela já se mostra prestativa, disposta a provar que é capaz de escrever sobre os crimes e ganhar primeira pagina. Os demais personagens surgem apenas por pouco tempo, mas é possível ver que são pessoas comuns, que tiveram uma relação verdadeira com as vitimas, e que estão com medo do assassino.

E claro, o Vampiro Dwight Renfield. Como mencionado acima, o diretor Paiva e o diretor de fotografia fazem questão de esconder seu rosto, mas, para mim, isso não importa, porque ele consegue ser assustador; o tipo de personagem que mete medo quando aparece na tela. Alto, magro, cabeludo, e com sua enorme capa preta, quando ele surge, pode ter certeza que coisa boa não vai acontecer. O vampiro é um verdadeiro monstro, sempre desmembrando, decapitando e mutilando suas vitimas, com uma selvageria impar e implacável. Realmente, dá a sensação de que nada nem ninguém, conseguirá impedi-lo. Nada! E claro, quando seu rosto finalmente aparece, é um espetáculo. Seu avião é a mesma coisa. Um belíssimo Cessna Skymaster negro, que percorre os céus como uma criatura sobrenatural, e quando o vemos, no solo, já sentimos um calafrio.

Claramente, o filme foi rodado com baixo orçamento, mas, tudo foi compensado na criatividade. Por exemplo, as cenas em que Dees está voando com seu avião, foram rodadas em estúdio, mas o filme não passa essa sensação; parece mesmo que o diretor filmou o ator Miguel Ferrer num avião no ar. Muito bem feito. Quase não há efeitos digitais – apenas uma cena, que eu consegui identificar – e muitos, muitos efeitos práticos, principalmente de maquiagem. A ambientação no jornal é convincente, parece mesmo que aqueles personagens são jornalistas, e que aquele tabloide existe – talvez, pudesse ser encontrado até nas nossas bancas, vai saber. A direção de arte fez um ótimo trabalho nesse quesito; a gente quase consegue tocar no jornal, de tão realista que ele é. Sem duvida, um trabalho incrível.

E qual a melhor cena do filme? Sem duvida, a mais assustadora, o clímax no terminal. A cena é construída de maneira brilhante, sem trilha sonora, apenas com som ambiente, com excelentes efeitos de maquiagem, e em preto e branco. Não sei se houve intenção do diretor de filmá-la em cores, mas o fato é que a fotografia em preto e branco, consegue deixa-la muito mais aterrorizante, digna de provocar calafrios e causar pesadelos. E toda vez que eu vejo, eu sinto um leve arrepio, porque é uma cena brilhante, de verdade. Vale muito a pena.

Voo Noturno teve um lançamento limitado nos Estados Unidos, e infelizmente, foi um fracasso de critica e bilheteria. No entanto, hoje em dia, possui status de cult, tanto entre os fãs de filmes de vampiro, quanto entre os fãs da obra de Stephen King.

Enfim, Voo Noturno é um filme excelente. Um dos filmes mais assustadores que já vi. Um excelente filme de vampiros. Uma das melhores adaptações de Stephen King.

Altamente recomendado.






AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.