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sábado, 5 de agosto de 2023

COLHEITA MALDITA (1984). Dir.: Fritz Kiersch.

 

NOTA: 8.5


A franquia Colheita Maldita é uma das mais irregulares do cinema, principalmente por causa de suas sequências, e remakes e reboots. Tirando o primeiro filme, são todos descartáveis.

 

E é justamente sobre o primeiro filme, COLHEITA MALDITA, que vou falar hoje.

 

Eu vou ser sincero aqui. Eu acho este filme uma das adaptações mais legais da obra do mestre do terror, Stephen King. Desde a primeira vez que assisti a esse filme, em 2004, num DVD de banca, eu gostei muito da história, principalmente por causa da ambientação – mais detalhes adiante.

 

Colheita Maldita é um filme muito bom, e isso se deve primeiramente à sua técnica. É um filme muito bem dirigido, bem editado e com ótimo design de produção e fotografia inspirada.

 

Outro detalhe é o clima do longa. Sempre que eu assisto, eu tenho a impressão de estar imerso naquela história, ou então, eu tenho uma sensação de história que acontece ou se passa num fim de semana, e, conforme mencionei em outras resenhas, isso é algo que me atrai bastante nos filmes.

 

Como todos sabemos, a história, adaptada do conto As Crianças do Milharal, presente na antologia Sombras da Noite, fala sobre uma seita de crianças que cultuam uma entidade demoníaca conhecida como “Aquele que Caminha Atrás da Plantação”, e como prova de devoção, elas matam todos os adultos da pequena Gatlin, no estado do Nebraska. Essa história já foi revisitada diversas vezes, seja nas próprias continuações, seja em parodias, mas tudo começou aqui.

 

Eu acredito que o conto original foi escrito por King antes do autor ser famoso, e deve ter sido publicado em alguma revista, algo muito comum nos primeiros anos do mestre, e deve ter sido também a primeira excursão de King em historias protagonizadas por crianças, algo que se tornaria muito comum em sua bibliografia e que originou alguns de seus maiores clássicos, como IT – A Coisa – já comentado aqui – e o conto O Corpo, presente na antologia Quatro Estações. O quanto o roteiro – que na época, deveria ser escrito pelo próprio King – se baseia no conto original não sei dizer porque ainda não o li, mas assim que o fizer, trago a resenha para vocês.

 

Seja como for, o fato é que o roteiro já começa com os dois pés no peito, com um massacre de adultos em uma lanchonete e depois tem um salto temporal e então nos apresenta o casal protagonista. A partir daí, a trama foca principalmente nos dois e na sua viagem pelas estradas do Nebraska. O melhor é que o roteiro não faz questão de dar uma explicação para o que está acontecendo, do tipo, com flashbacks e outros artifícios. A trama começa com as crianças já dominadas pelo pastor-mirim Isaac e pronto, não faz muita questão de explicar a entidade nem o motivo dela estar ali, numa fala de uma das personagens nos é revelado tudo isso. É o tipo de roteiro que faz falta hoje em dia.

 

Outro ponto a ser destacado é a fotografia, realizada por um brasileiro escondido atrás de um pseudônimo, vale dizer. O fotografo fez um excelente trabalho em captar toda a ambientação seca dos cenários, principalmente do milharal e da pequena cidade. Isso se deve ao fato de ser um filme que se passa quase todo durante o dia, então tudo é visível e o terror chega a ser até um pouco maior por causa disso. Mas mesmo assim, ele fez um excelente trabalho, com seus planos abertos, revelando o ambiente ao redor dos personagens. Minha tomada preferida é uma que é mostrada em um grande plano geral, e revela o local onde é a seita das crianças, graças à duas cruzes gigantes e tochas. É uma tomada linda porque acontece no pôr do sol, então a cena vai ficando mais escura e vemos isso com os cortes da edição. E claro, a ambientação de cidade abandonada; é o tipo de coisa que me agrada em filmes desse tipo.

 

A trilha sonora também é um ponto a ser mencionado, com seu coro infantil arrepiante.

 

Além da fotografia e do roteiro, quero destacar a direção. O diretor Fritz Kiersch não faz feio aqui e consegue arrancar ótimas performances do seu elenco, principalmente das crianças.

 

E claro, tenho que falar sobre elas. Os vilões mirins são o grande acerto do filme, e passam a sensação de maldade com facilidade, chegando a assustar de verdade. O mesmo pode ser dito das duas crianças do bem, que passam um ar de perigo e medo, visto que eles não fazem parte daquela sociedade.

 

Colheita Maldita, como sabemos, faz parte de um grupo especifico de filmes que retratam crianças como perigosas e assassinas. Eu já falei sobre elas aqui, na resenha do excelente Os Meninos (1975), mas existem vários exemplos, e este filme, acredito, é um dos mais conhecidos. E este, como sabemos, é um tema difícil de lidar, porque é difícil imaginar que crianças sejam capazes de atos cruéis, seja por qual motivo. No cinema, como mencionei, temos vários exemplos, mas na literatura, acredito que o exemplo mais famoso é O Senhor das Moscas, de William Golding, onde crianças ficam presas numa ilha e criam suas próprias regras. Seja como for, é um assunto que merece ser discutido.

 

Também não é novidade para ninguém que Colheita Maldita se tornou uma franquia a partir dos anos 90, com diversas continuações, com certeza, uma pior que a outra. Vou dar exemplos: o segundo filme é ruim; o terceiro é uma trasheira, mas não vale uma resenha; o quarto é chato; e o sexto, que traz Isaac de volta, também. Não posso dizer nada sobre os demais, porque não vi, mas nenhum deles terá resenha aqui, porque não foram lançados oficialmente no Brasil. O remake de 2009 é horrível, e não tive coragem de conferir o reboot desse ano. Melhor ficar com o primeiro mesmo.

 

Enfim, Colheita Maldita é um ótimo filme. Um longa tenso e arrepiante, com uma técnica muito boa, principalmente a fotografia, que capta a atmosfera dos cenários muito bem. O elenco jovem é o grande destaque do filme, e passam todo o medo e o terror que deveriam sem esforço, assim como a trilha sonora. Uma das melhores adaptações de Stephen King. Recomendado. 




segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

A INOCENTE FACE DO TERROR (1972). Dir.: Robert Mulligan.

 

NOTA: 9



Filmes com crianças perversas são extremamente chocantes, principalmente porque a difícil imaginar uma criança fazendo mal para qualquer ser vivo. Mas existem, sim, filmes que abordam essa temática polemica, e A INOCENTE FACE DO TERROR (1972) é um deles, e um dos melhores.

 

Dirigido por Robert Mulligan, de O Sol é Para Todos (1960), e baseado no livro de Thomas Tryon, que também escreveu o roteiro, este é um pequeno clássico do terror que aborda o tema de crianças perversas, no caso, os gêmeos Niles e Holland Perry. E mais que um filme de crianças malvadas, este é também um filme de terror e suspense psicológico de primeira, que requer certo raciocínio do espectador, principalmente na primeira vez.

 

Na minha primeira conferida, eu confesso que fiquei surpreso com o resultado, uma vez que o diretor nunca faz questão de mostrar os dois irmãos no mesmo frame; ao invés disso, ele faz isso que cortes rápidos e movimentos de câmera, que conseguem enganar o espectador, sem o menor esforço. E as surpresas não param por aí.

 

Além dessa trama cheia de mistério e reviravoltas, outra coisa que torna o filme atraente é a sua ambientação. A trama se passa durante os anos 30, no interior dos Estados Unidos. E a sensação que o longa passa é muito boa; parece que estamos vivendo aquela época, com recriações fieis à época, além de um clima de interior que enche os olhos. É o tipo de coisa que eu gosto em um filme, conforme mencionei em outras resenhas.

 

Além do clima de interior, outro detalhe que prende o espectador é a trilha sonora, composta por Jerry Goldsmith. Desde os créditos de abertura, ouvimos uma trilha belíssima, com ar de fantasia, ou de filme familiar, sem aqueles toques pesados de filme de terror. Não há dúvidas que Goldsmith era um grande compositor, com uma grande contribuição para o cinema, e a trilha sonora deste filme é uma delas. Uma trilha muito linda, mesmo.


Além da trilha sonora, outro ponto positivo é a fotografia. O filme é completamente colorido, com a fotografia destacando o calor do verão, e passando a sensação de calor; nas cenas noturnas, a coisa não é diferente; são cenas bem filmadas, que também passam uma sensação de realidade. Além da sensação de calor, o filme tem uma cena filmada do ponto de vista de um corvo, que sobrevoa a fazenda. Uma cena muito linda, com a câmera área percorrendo as locações, combinada com a trilha de Goldsmith.

 

E por fim, as atuações. Não existem atuações exageradas e caricatas; ao contrário, todos os atores entregam ótimas performances, e passam a sensação de serem pessoas reais. O melhor fica com os gêmeos Chris e Martin Udvarnoky, que interpretam os irmãos Perry. Por se tratar de um filme de gêmeos, temos aqui o clássico exemplo de gêmeo bom e gêmeo mal, e os atores mirins atuam muito bem, passando veracidade, chegando, inclusive, a confundir o espectador, principalmente porque eles usam as mesmas roupas, coisa comum nos gêmeos. Diana Muldaur também entrega uma atuação digna de nota, no papel da mãe dos gêmeos. Sua personagem carrega um trauma nas costas, e por conta disso, vive adoentada. Pois bem, a atriz passa essa sensação de personagem amargurada por algo terrível do passado e mais tarde, quando sua saúde piora, e sensação permanece. E por fim, a atriz Uta Hagen também não faz feio, no papel da avó dos irmãos, chegando até a ser melhor que eles.

 

A Inocente Face do Terror é um filme de terror psicológico, no melhor estilo do gênero. É uma história sobre loucura, principalmente, e um dos gêmeos é atormentado por ela. É evidente a loucura do personagem, principalmente quando acontece uma reviravolta chocante na trama, e o garoto não consegue se libertar dela, o que gera uma das melhores e mais assustadoras cenas do filme.

 

Por conta da história, é um filme que não dá para falar muito sem entregar spoilers; o máximo que pode ser dito é que acontece uma reviravolta chocante, e só isso. O resto fica por conta do espectador. O máximo que posso dizer é que o final é muito pesado, e me impressiona toda vez que assisto. E só isso.

 

Foi lançado por aqui em DVD pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror Vol.3. Anteriormente, chegou a ser lançado em VHS no Brasil, mas esteve fora de catálogo por muitos anos; além disso, também foi lançado em DVD pela Classicine.

 

Enfim, A Inocente Face do Terror é um filme excelente. Uma fascinante historia de terror e suspense psicológicos, com reviravoltas e conclusões chocantes. Um filme que pode enganar o espectador desavisado, principalmente na primeira vez, e por isso, deve ser visto novamente. A direção de Robert Mulligan, misturada com o roteiro de Thomas Tryon, além da trilha sonora de Jerry Goldsmith, e as atuações convincentes, formam o conjunto perfeito, e deixam o filme ainda melhor a cada revisão. Um filme perturbador em todos os sentidos. Excelente. Altamente recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo



Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/


domingo, 17 de março de 2019

OS MENINOS (1976). Dir.: Narciso Ibáñez Serrador.


NOTA: 10


OS MENINOS (1976)
OS MENINOS é um filme brutal. Uma pequena obra do terror espanhol que me assustou já na primeira vez que eu assisti.

E sem dúvida, o terror está nisso mesmo, a simplicidade da trama. Segundo filme de terror dirigido por Serrador – o primeiro foi Internato Derradeiro (1969) – este talvez seu filme mais lembrado do gênero.

A historia acompanha um casal inglês em férias na Espanha, que decide ir até uma ilha distante para fazer turismo. Ao chegar lá, eles não encontram nenhum adulto, apenas crianças; a principio, não acham estranho, mas, acabam descobrindo algo horrível e assustador.

Desde o começo, o filme mostra que não aconselhável para pessoas sensíveis: durante dez minutos, Serrador enche a tela com imagens de documentários mostrando varias atrocidades cometidas na História, com destaque para o sofrimento e morte das crianças. Eu costumo dizer que essa abertura é um teste para ver se é possível assistir ao filme. Confesso que no inicio, tive vontade de avançar para o filme em si, mas acabei assistindo até o fim. Porém, eu logo descobri que avançar até o começo da historia não adiantaria em nada, uma vez que o que surge em seguida é tão chocante quanto a abertura. Sério. E o melhor, o filme é construído do jeito que eu mais gosto, o chamado slowburn, onde durante boa parte da projeção, nada acontece, e, finalmente, quando acontece, é a todo vapor. E o filme é um soco no estomago atrás do outro.

Para quem acha chocante ver crianças malvadas em filmes de terror, vai ter um verdadeiro choque. Eu me refiro a crianças munidas de facas, foices, armas de fogo, brincando de piñata humana... Um show de horrores. Mas, curiosamente, um show de horrores muito bem feito.

Não conheço os outros filmes de Serrador – apenas o também excelente Internato Derradeiro – então não sei se ele faz uso das técnicas aqui utilizadas nos seus outros trabalhos. O fato é que Os Meninos é muito bem feito, maravilhosamente dirigido e fotografado, além de contar com uma trilha sonora arrepiante. Porém, o que mais o difere de outros filmes de terror é o fato de a historia se passar principalmente durante o dia, com um sol escaldante! Durante todo o tempo de projeção, é possível sentir o calor dos personagens, como se estivéssemos com eles naquela ilha deserta. E mesmo durante a única sequencia noturna, essa sensação não passa. É impressionante, e, sinceramente, muito difícil de fazer hoje em dia. E também falando na trilha sonora, ela também contribui para assustar, principalmente o tema principal. Na verdade, não se ouve trilha sonora durante boa parte do filme, apenas nos momentos de tensão.

Tensão é uma palavra que também serve para definir Os Meninos. Como já mencionado acima, durante boa parte do tempo, nada acontece, mas quando finalmente ocorre alguma coisa, quem assiste fica na ponta da cadeira, ou tenta cobrir o rosto com o cobertor como foi o meu caso. Eu assisti ao filme pela primeira vez numa madrugada – talvez de sexta para sábado, ou sábado para domingo – e logo no inicio, foi a experiência mais assustadora da minha vida em muito tempo, pelos motivos já descritos. O filme foi lançado por aqui em DVD pela Versátil, na coleção Obras-Primas do Terror 3, e está presente no segundo disco da coleção, juntamente com O Parque Macabro (1962), outro pequeno filme de terror que me assustou de verdade

Enfim, assistir a Os Meninos foi uma das experiências mais assustadoras da minha vida, mas também foi uma das melhores. Um dos melhores filmes de terror que já assisti. Brutal e brilhante. Não recomendado para pessoas sensíveis. Maravilhoso. Assustador. Chocante. 



AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.