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sexta-feira, 12 de julho de 2024

O SANGUE DE DRÁCULA (1970). Dir.: Peter Sasdy.

 

NOTA: 7.5


Entre 1958 e 1974, a Hammer Films produziu uma série de filmes protagonizados pelo Conde Drácula, criado pelo escritor Bram Stoker. Ao todo, foram nove filmes, sete deles estrelados pelo grande Christopher Lee, no papel que o consagrou como astro do horror. Somente dois filmes não contaram com o astro no elenco.

 

O SANGUE DE DRÁCULA, lançado em 1970, é o quinto filme da franquia, e o quarto a contar com o astro no elenco.

 

Com direção de Peter Sasdy, este é um filme que apresenta suas qualidades, e consegue ser arrepiante em alguns momentos, mas, ainda assim, começa a apresentar alguns problemas.

 

Mas, antes de falar sobre os problemas, deixe-me falar sobre as qualidades.

 

Como os demais filmes da franquia até então, este é um filme bem feito, que presa pelo aspecto gótico e também com uma atmosfera de terror sempre presente.

 

Na trama, um vendedor é atacado em sua carruagem e acaba se deparando com o Conde Drácula sendo destruído – com cenas do filme anterior – e coleta seu sangue, juntamente com sua capa. Após esse prólogo, três homens conhecem um lorde que compra os pertences do conde e o traz de volta à vida por meio de um ritual satânico.

 

Pois bem, aqui, temos mais uma vez o Conde Drácula percorrendo o interior em busca de vingança contra aqueles que o prejudicaram, neste caso, os três homens que mataram seu servo antes do ritual ser completado.

 

Essa formula da vingança do conde já havia sido usada no filme anterior – e voltaria a ser usada no filme seguinte –, então, não há muitas novidades aqui, para falar a verdade.

 

Mas, no entanto, temos a presença do astro Christopher Lee como o Conde Drácula, e, como sempre, é o que faz o filme valer a pena. Mesmo com a pouca presença, o ator consegue nos satisfazer com sua interpretação magistral do conde, passando todo o ar ameaçador e demoníaco que o personagem pede, além de ser uma presença muito elegante.

 

O resto do elenco também compensa, principalmente a atriz Linda Hayden, que faz a mocinha que se torna escrava do vilão.

 

Esse é a sacada do roteiro. Ao invés da mocinha totalmente indefesa, temos aqui uma mocinha que no começo, se mostra como indefesa e doce, mas, após se encontrar com o conde, transforma-se em sua escrava, e não poupa ninguém.

 

Deixe-me falar também sobre os outros personagens. O pai da mocinha, e seus dois amigos, são aqueles clássicos homens que se fingem de bons moços, mas, que na verdade, saem à noite para se divertir em clubes masculinos pela cidade. Os três amigos da mocinha também funcionam e convencem, e claro, um deles é o par romântico dela, uma coisa que também se tornou registrado nessa franquia – a presença do casal protagonista de mocinhos.

 

Quem merece menção também é o lorde satanista, interpretado por Ralph Bates, um ator bem conhecido na Hammer. Apesar da pouca presença, o personagem é bem interpretado, e passa aquela aura misteriosa que o roteiro pede. Funciona bem.

 

Eu, no entanto, tenho alguns problemas com a mistura de temática satanista com vampirismo, porque, eu acho que são dois temas que não tem muita relação entre si, e isso seria explorado no penúltimo filme da franquia. Pode ser que eu esteja errado, mas, acredito que as coisas devem ser separadas. No entanto, admito que é um bom recurso para trazer o conde de volta, apenas para dar uma variada.

 

Outro problema presente no roteiro, é a falta de utilização de alguns personagens secundários. Um deles é o policial que resolve investigar as mortes dos três homens, mas, ele acaba sendo mal aproveitado, e sua participação não é muito desenvolvida.

 

O mesmo pode ser dito do namorado da amiga da mocinha, que não faz nada o filme inteiro, é atacado por um vampiro, e desaparece sem nenhuma cerimônia. Ele poderia ao menos ter voltado como vampiro, assim, o mocinho poderia matá-lo.

 

O cenário que serve de esconderijo para o conde é muito bom, uma velha igreja abandonada, que rende momentos arrepiantes, além de proporcionar um bom combate final, que culmina na derrota do vilão.

 

Enfim, O Sangue de Drácula é um bom filme. Uma continuação decente da franquia, que segue exatamente onde o filme anterior parou, além de proporcionar momentos de suspense e terror na medida certa, e de arrepiar com eficiência. O grande destaque é o astro Christopher Lee, novamente entregando uma brilhante performance como Drácula. Um filme recomendado.




segunda-feira, 27 de maio de 2024

UM GRITO DE PAVOR (1961). Dir.: Seth Holt.

 

NOTA: 9


A Hammer Films foi uma das maiores referencias quando o assunto era filmes de terror. Durante duas décadas, o estúdio se especializou em filmes de terror góticos, muitos deles sendo adaptações de grandes obras da literatura, como Drácula e Frankenstein. Mas havia também um outro lado do estúdio.

 

UM GRITO DE PAVOR, lançado em 1961, com direção de Seth Holt, é um exemplo do outro lado do estúdio, visto que o longa é contemporâneo e foi filmado em preto e branco; uma contrapartida às produções tradicionais do estúdio, que eram sempre voltadas para o gótico, e eram coloridas.

 

Mas não se engane. Apesar de estar fora dos padrões, este é um dos melhores e mais criativos filmes do estúdio. E motivos para isso não faltam. É um filme muito bem feito, com ótima direção, um roteiro afiado e um elenco espetacular.

 

Um aviso. Este é um filme em que acontece uma reviravolta chocante, por tanto, tentarei ao máximo conter os spoilers.

 

Aviso dado, vamos lá.

 

Grito de Pavor é um filme muito criativo, porque ao invés de apostar no terror sobrenatural, aposta mais no suspense e no terror psicológico, e isso funciona muito bem, porque mexe com a cabeça do espectador, fazendo-o pensar se tudo o que está acontecendo com a protagonista é real ou não.

 

Na trama, a jovem Penny retorna à propriedade da família, nove anos após sofrer um acidente que a deixou paralitica. No entanto, após sua chegada, coisas estranhas começam a acontecer, e ela acredita que o pai, que pensava estar viajando, está escondido em algum lugar da casa, e que uma trama foi armada para fazê-la parecer louca.

 

É uma trama básica, não é? De fato, até que sim, mas, conforme assistimos ao filme, descobrimos que o buraco é muito mais embaixo, e que as coisas não são o que aparentam. E próximo ao final do filme, acontece uma reviravolta, onde descobrimos que Penny não é quem diz ser.

 

Isso é o máximo que irei contar aqui, porque, acredite, você vai querer assistir a esse filme para descobrir qual é a reviravolta. Eu confesso que sempre me surpreendo quando assisto ao filme, porque, de fato, é uma reviravolta surpreendente. Ao mesmo tempo, este é aquele tipo de filme, que, após saber da reviravolta, quando assistimos a uma segunda, ou terceira, ou quarta vez, somos capazes de pegar um detalhe que estava ali o tempo inteiro.

 

O roteiro de Jimmy Sangster – que depois viria a dirigir alguns filmes para o estúdio – é muito sagaz e as pistas estão lá, basta apenas uma pitada de esforço do espectador.

 

O elenco também é um ponto positivo, com destaque para a atriz Susan Strasberg, que interpreta a protagonista Penny. Sua performance é excelente, e ela passa todos os sentimentos necessários para tornar a personagem convincente e interessante. Os outros atores também estão muito bem, e passam do amigável ao ameaçador com naturalidade. No entanto, quem rouba a cena é o grande Christopher Lee, num papel coadjuvante, mas que entrega tudo que precisa para tornar seu personagem misterioso e cativante ao mesmo tempo.

 

Grito de Pavor é um filme de terror psicológico, então, não espere encontrar cenas envolvendo litros de sangue, ou monstros sobrenaturais. Pelo contrário, temos aqui uma trama focada na realidade, com elementos que mexem com as emoções do espectador, e que vão aumentando à medida que o filme avança.

 

Este é também um daqueles filmes em que nada é o que parece, onde os personagens fazem um jogo contra a protagonista, a fim de obter algum lucro com isso, no caso aqui, é a fortuna da personagem – algo até que comum em tramas como esta. Mas não se engane. Este é um dos melhores exemplos de como é construído o suspense, pois vai construindo tudo aos poucos, sem pressa de fazer o espectador pensar.

 

Por causa de todos os esses motivos citados aqui, Grito de Pavor é um filme brilhante.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na caixa Obras-Primas do Terror 7, em versão restaurada.

 

Enfim, Um Grito de Pavor é um filme excelente. Um filme de terror psicológico, contado de maneira inteligente, aliado a uma direção inspirada e um elenco afiado. Uma trama cheia de surpresas e reviravoltas, que mexe com a cabeça do espectador a cada revisão. Um dos melhores filmes da lendária Hammer. Altamente recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


terça-feira, 1 de agosto de 2023

A MALDIÇÃO DE FRANKENSTEIN (1957). Dir.: Terence Fisher.

 

NOTA: 9.5


Desde sua publicação, no século XIX, Frankenstein, de Mary Shelley, tornou-se um clássico da literatura e um dos maiores expoentes da literatura de horror e ficção cientifica. E como todo sucesso literário, ganhou diversas adaptações para diversas mídias, principalmente para o cinema.

 

E hoje, eu vou falar sobre uma delas: A MALDIÇÃO DE FRANKENSTEIN, lançado em 1957, dirigido por Terence Fisher, e produzido pela lendária Hammer Filmes.

 

Bom, eu vou começar dizendo que este é um dos mais importantes filmes de horror de todos os tempos, porque inaugurou a nova fase do lendário estúdio britânico, que na época, estava mal das pernas e investia em produções em preto e branco. Frankenstein quebrou essa regra porque foi o primeiro filme do estúdio totalmente produzido em cores, além de transportar a historia de Mary Shelley para outra época, diferente do havia sido feito até então em Hollywood.

 

Além de ser um dos filmes de terror mais importantes de todos os tempos, este é também um dos melhores filmes do estúdio, e isso se deve à sua técnica. É um filme muito bem feito, bem escrito, bem dirigido, bem atuado e com uma técnica exemplar.

 

O longa foi dirigido por Terence Fisher, um dos grandes nomes do estúdio, e responsável pelos maiores clássicos do mesmo. O cineasta fez um excelente trabalho aqui e conseguiu arrancar grandes performances de seus atores e equipe, e criou momentos memoráveis. O cineasta soube aproveitar muito bem tudo o que tinha, assim como faria nos filmes posteriores do estúdio.

 

Sem duvida, um dos grandes atrativos de A Maldição de Frankenstein é o seu elenco. No papel principal, temos o lorde Peter Cushing, na época, um nome bem reconhecido no estúdio, graças às suas contribuições anteriores. O astro criou um Frankenstein digno de ódio, um personagem vilanesco, que não se importa com ninguém além de si próprio e seus experimentos. Em alguns momentos, é possível sentir raiva do personagem, visto o modo como ele trata os demais. Mas isso não o impede de ser uma das grandes performances do astro.

 

Além de Cushing, temos também os atores Robert Urquhart, como o professor de Frankenstein, Paul Krempe; Hazel Court como Elizabeth; e Valerie Gaunt como a empregada Justine. Assim como Cushing, todos estão muito bem em seus papeis, principalmente Urguhart, que faz um professor Krempe que se mostra oposto à Frankenstein, principalmente quando o mesmo passa a envolver Elizabeth em seus experimentos. Krempe é o verdadeiro herói do filme, e está disposto a combater Frankenstein com todas suas forças, a fim de impedir seu reinado de horror. Hazel Court também não faz feio e entrega uma Elizabeth doce e amável, além de apaixonada por Frankenstein. Quem também não está ruim é Valerie Gaunt, cuja personagem é um mero brinquedo para o Barão, mas que não tem medo dele quando é colocada de lado.


Mas não tem jeito. Quem sem duvida rouba a cena, é o também lorde Christopher Lee, em seu primeiro filme de terror e sua primeira colaboração com o estúdio. O astro interpreta a Criatura de Frankenstein, e tem a melhor atuação do longa, fazendo de sua Criatura um ser perverso, cruel, que não tem escrúpulos em matar. Mesmo sem dizer uma palavra, Lee tem uma das maiores atuações de sua carreira, sem dúvida.

 

Ainda sobre a Criatura, ela tem um dos visuais mais originais do cinema, indo totalmente contra o que foi feito pelo lendário Jack Pierce no clássico de James Whale. A Criatura de Christopher Lee tem um rosto envolto em cicatrizes, além de um figurino que lembra o Nosferatu de Murnau. É um dos melhores visuais para a Criatura de todos os tempos.

 

A Maldição de Frankenstein também marca o inicio, não apenas da parceria, mas também da amizade entre Peter Cushing e Christopher Lee, que rapidamente se tornaram sinônimo de sucesso de produções do estúdio, e também grandes amigos fora dele, e assim ficaram até o fim de suas vidas. Seus nomes estão para sempre cravados no hall dos grandes astros do cinema de horror de todos os tempos.

 

A Maldição de Frankenstein foi o primeiro filme em cores da Hammer, e posso dizer que é um dos melhores. As cores pulsam na tela, principalmente o vermelho, enchem o filme, e o deixam ainda mais bonito, principalmente com as novas versões restauradas.

 

O filme foi lançado nos cinemas em Maio de 1957, e se tornou um sucesso de bilheteria, o que motivou o estúdio a lançar uma sequencia já no ano seguinte, e criar uma franquia, assim como fizeram com Drácula, também do ano seguinte.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Frankenstein no Cinema, em inédita versão restaurada, com muitos extras.

 

Enfim, A Maldição de Frankenstein é um filme excelente. Um verdadeiro espetáculo visual, que se tornou um dos filmes de horror mais importantes de todos os tempos para a Hammer Filmes. A presença dos lordes Peter Cushing e Christopher Lee no elenco é o grande atrativo do filme, e é maravilhoso vê-los juntos pela primeira vez. A direção e a fotografia também contribuem para deixar o filme ainda melhor. Um verdadeiro clássico do terror e uma das melhores adaptações da obra de Mary Shelley. Altamente recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.

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sexta-feira, 14 de julho de 2023

DRÁCULA – O PERFIL DO DIABO (1968). Dir.: Freddie Francis.


NOTA: 8.5


Entre 1958 e 1974, a Hammer Films produziu uma série de filmes protagonizados pelo Conde Drácula, criado pelo escritor Bram Stoker. Ao todo, foram nove filmes, sete deles estrelados pelo grande Christopher Lee, no papel que o consagrou como astro do horror. Somente dois filmes não contaram com o astro no elenco.

 

DRÁCULA – O PERFIL DO DIABO, de 1968, é o quarto filme da série, e o terceiro a contar com o astro no elenco.

 

Me arrisco a dizer que este é um dos meus favoritos, porque é um dos que eu mais assisto e sempre me divirto com ele. E temos motivos para isso. O filme é muito bem feito, bem dirigido, bem atuado, possui um clima de horror predominante e momentos de arrepiar.

 

O filme foi dirigido por Freddie Francis, um dos grandes nomes do cinema britânico, que teve grande passagem pelo terror, tanto na Hammer quanto na Amicus. Graças a sua direção, temos aqui um filme colorido, que aposta em ótimos efeitos de câmera para criar as cenas de horror.

 

Além da direção competente, temos também um ótimo elenco, que não faz feio em suas performances – tirando algumas cenas envolvendo o monsenhor – e criam personagens cativantes que fazem o publico simpatizar com eles. Este aqui não foi o pioneiro – no filme anterior já tivemos isso – mas aqui foi a primeira vez que vemos um jovem casal lutando contra o vilão, algo que foi aproveitado nos demais filmes da saga; em Drácula – O Príncipe das Trevas, tivemos a presença do casal protagonista, mas eles eram casados e adultos, aqui é o oposto.

 

Além do casal protagonista, temos também o personagem do monsenhor, interpretado por Rupert Davies, e o ator não faz feio. Seu personagem é um homem devoto, que sempre espalha a palavra de Deus a todos e não pensa duas vezes antes de questionar se alguém não segue a religião, como vimos na cena de sua introdução, quando vê a igreja vazia e questiona o padre local. O padre também é um bom personagem, e carrega o peso de servir de lacaio para o vilão, e em todas as cenas, ele exibe o peso que é tal tarefa. Isso é uma característica que gosto em personagens assim, porque eles aparentam sempre estar carregando o mundo nas costas e não aguentam o peso de tal responsabilidade, sempre tentando encontrar um modo de se livrar do peso; e quando seu calvário acaba, você também se sente aliviado.

 

E claro temos também os coadjuvantes, e eles também não fazem feio. Todos são carismáticos e simpáticos, principalmente o dono da padaria onde o protagonista trabalha, interpretado pelo ator Michael Ripper, em um dos poucos papeis que me agradam nessa saga. Temos também a segunda escrava do vilão, que realmente parece ter ciúmes quando o mesmo demonstra interesse pela mocinha.

 

E antes de falar sobre o astro, vou falar sobre o casal protagonista. Conforme mencionado acima, aqui é a primeira vez que temos um jovem casal lutando contra o vilão, e os personagens são muito bons. Paul é um rapaz de bem, estudioso e dedicado; e Maria é a típica jovem virginal, apaixonada pelo rapaz, que faz o que pode para estar com ele, e que acaba caindo nas garras do vilão. Os dois atores estão muito bem no papel, e me arrisco a dizer que eles são o melhor casal protagonista da saga, ao lado do casal do filme anterior. Aliás, um detalhe. O protagonista se chama Paul, e, por alguma razão, nos dois filmes seguintes, também teríamos dois personagens com o mesmo nome – talvez seja falta de imaginação do roteirista, ou coincidência. Infelizmente, o mesmo carisma do casal protagonista não seria repetido nos filmes seguintes, principalmente em O Conde Drácula (1970).

 

E claro, não posso deixar essa resenha acabar sem mencionar o astro. Como sempre, Christopher Lee faz bonito no papel do vilão, sempre com sua elegância e ar ameaçador. Eu já vi na internet que aqui temos um Drácula mais perverso que nos filmes anteriores, e talvez seja verdade, visto que o vilão não poupa ninguém e está sempre com sangue nos olhos – literalmente. O Drácula de Christopher Lee é excelente, e sempre passa um ar de medo toda vez que aparece em cena, e isso seria repetido nos filmes seguintes.

 

Conforme mencionei acima, o diretor Francis faz um ótimo trabalho na direção e faz uso de ótimos especiais para criar atmosfera. O mais notável acontece nas cenas envolvendo o vilão, onde provavelmente o diretor de fotografia colocou um efeito vermelho em torno da cena, para dar a impressão de algo demoníaco. O efeito é muito bom e dá um ar mais diabólico para o filme e também para as cenas que envolvem o vampiro.

 

Drácula – O Perfil do Diabo foi lançado em DVD no Brasil pela DarkSide Distribuidora, em um box contendo todos os filmes da franquia. Atualmente, tal edição está fora de catálogo.

 

Enfim, Drácula – O Perfil do Diabo é um filme muito bom. Um filme com uma atmosfera arrepiante e demoníaca, que fica melhor a cada revisão. A direção e as atuações fazem um ótimo trabalho, e os atores criam personagens carismáticos e convincentes. A presença do astro Christopher Lee é o grande destaque, e o ator faz bonito em sua performance como o vilão, e cria um Drácula perverso e demoníaco. Um dos melhores da saga do Drácula da Hammer Filmes. Recomendado.



 

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terça-feira, 23 de maio de 2023

A CASA QUE PINGAVA SANGUE (1971). Dir.: Peter Duffell.


 NOTA: 8.5



Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

A CASA QUE PINGAVA SANGUE, lançado em 1971, é uma delas, e uma das minhas favoritas. Me arrisco a dizer que é a minha favorita, porque foi a primeira que assisti, e toda vez que assisto, o filme fica ainda melhor.

 

O roteiro, escrito por Robert Bloch, a partir de suas histórias, é composto por quatro segmentos, algo muito comum em uma antologia, dividir o filme em segmentos. Além disso, o longa parece se encaixar no gênero de casa assombrada, visto que o principal cenário é uma casa que causa um efeito estranho em seus moradores.

 

Method for Murder: Um escritor e sua esposa se mudam para uma casa no interior da Inglaterra, para que o homem possa se recuperar de um bloqueio criativo. Uma noite, ele tem uma ideia para seu novo livro, e passa a escrevê-lo de forma compulsiva. No entanto, ele também passa a ser atormentado por visões com o vilão da história.

 

Waxworks: Um homem solitário compra a casa a fim de esquecer um amor do passado. Um dia, durante um passeio pela cidade, ele descobre um museu de cera, e, intrigado, decide entrar. Lá dentro, ele se depara com a escultura de uma mulher que se parece muito com a mulher que amou. Quando um amigo vai visita-lo, o mesmo também se torna obcecado pela estranha figura, o que gera terríveis consequências.

 

Sweets to Sweet: Um homem se muda para a casa com sua filha após a morte de sua esposa. Preocupado com o estranho comportamento da filha, o homem contrata uma professora particular, que passa a ensinar a menina. Durante suas leituras, a menina descobre um livro sobre bruxaria e passa a aprender os truques descritos nas páginas.

 

The Cloak: Um temperamental ator se muda para a casa, a fim de concluir as filmagens de seu novo filme. Após uma confusão no set, ele acaba se deparando com um estranho cartão de uma loja de fantasias. Ao chegar lá, ele compra uma antiga capa de vampiro e passa a usá-la no filme. No entanto, a capa logo revela sua verdadeira natureza.

 

Mais uma vez, temos uma antologia comum, com seus segmentos simples. No entanto, aqui temos também os interlúdios, focados na investigação do Inspetor Holloway, primeiramente com a polícia, e depois com o corretor de imóveis.

 

 Além de ser uma das melhores antologias da Amicus, A Casa também é mais uma aventura do escritor Robert Bloch no estúdio, tendo participado também outras produções para o estúdio. O roteiro de Bloch é muito bom, principalmente quando se trata dos segmentos, porque, assim como em produções anteriores, o estúdio soube apresentar os mais básicos elementos do terror de forma brilhante e convincente.

 

Junto a isso, temos aqui a presença dos lordes do horror, Christopher Lee e Peter Cushing, trabalhando mais uma vez para o estúdio. Ambos estão muito bem em seus papéis, e mais uma vez, se mostram como grandes nomes do horror que eram. Ao lado deles, temos a estrela Ingrid Pitt, um dos grandes nomes do horror britânico, atuando na última história.

 

O diretor Peter Duffell fez um bom trabalho aqui, criando cenas verdadeiramente assustadoras e tensas, principalmente na primeira e na última histórias. Ambas possuem cenas de tensão, focadas nos personagens, sem o uso de trilha sonora, algo que, conforme já mencionei em outras resenhas, é um ótimo elemento para assustar.

 

A Casa é um típico filme de horror produzido na Inglaterra naquele período, o que faz parte do seu charme, graças às cenas e o clima nostálgico. Esse é o tipo de elemento que me atrai nos filmes desse período, porque eles têm um apelo diferente em relação aos filmes produzidos nos Estados Unidos, por exemplo.

 

O longa é uma antologia, certo? E como todas, sempre tem uma historia que é melhor que as outras. Aqui não é diferente. Na minha opinião, a melhor é The Cloak, a última. Toda vez que assisto a esse segmento, eu gosto mais, porque é uma história verdadeiramente arrepiante, além de focar na metalinguagem, e ser uma releitura das histórias de vampiros. O segmento é muito bom e prende a atenção por causa desses elementos, e por causa do seu final. O final do filme em si, com o Inspetor Holloway enfrentando os vampiros também é muito legal e assustador.

 

Enfim, A Casa que Pingava Sangue é um filme muito divertido. Uma antologia clássica, com seus segmentos brilhantes, cada um com seu charme próprio. Um clima de nostalgia e mistério preenchem o filme e o deixam ainda melhor a cada revisão. A presença de grandes astros do horror britânico também é um destaque, combinado com o roteiro inspirado de Robert Bloch. Uma das melhores antologias da Amicus Productions. 



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sexta-feira, 2 de julho de 2021

O CHICOTE E O CORPO (1963). Dir.: Mario Bava.

 

NOTA: 10



Não há duvidas que Mario Bava era um mestre do cinema de horror, conforme já mencionei em outras resenhas aqui.

 

Bem, hoje, irei falar sobre mais um de seus filmes: O CHICOTE E O CORPO (1963), um dos meus favoritos dele, e que conta com o astro Christopher Lee no elenco.

 

O que dizer sobre esse filme? Bom, devo dizer o óbvio: é um filme maravilhoso, e tudo isso se deve ao próprio Bava. O diretor sabia muito bem como queria contar uma historia e o que deveria usar para isso, e aqui, ele faz isso de sua melhor arma: a criatividade. Bava era extremamente criativo com o uso da câmera e da luz, e graças a isso, foi o responsável pelos mais belos filmes de terror de todos os tempos.

 

O Chicote e o Corpo é um deles, e como mencionei, um dos meus favoritos. É uma verdadeira história de terror gótico, de castelo assombrado, com tudo que tem direito, e que somente o gênero poderia trazer de melhor. E mais, é visualmente deslumbrante. Toda vez que eu assisto ao filme, eu me surpreendo com as imagens colocadas na tela. Eu não me canso de assistir a esse filme. E fica melhor a cada revisão.

 

É o tipo de filme de terror que os italianos sabiam fazer, com todos os toques góticos e sobrenaturais, misturados com uma pitada de suspense psicológico.

 

A fotografia é o principal destaque do filme. Assim como fizera em seus outros filmes, Bava criou uma obra colorida, onde todas as cores pulsam na tela em tons vivos. Sim, é um filme de terror colorido, do tipo de faz falta hoje em dia. Não se engane, eu gosto de filmes de terror em preto e branco, mas, com filmes de terror coloridos, parece que a coisa é mais diferente. E na versão lançada em DVD pela Versátil, a qualidade é muito melhor do que as outras versões disponíveis.

 

E claro, Bava também foi o responsável pela direção de fotografia e pelos efeitos especiais, e como sempre, mostrou-se muito habilidoso e fez um excelente trabalho, uma vez que ele começou sua carreira no cinema atuando nessas respectivas áreas.

 

Como todo filme de terror gótico, a história é ambientada num castelo, nesse caso, um castelo à beira-mar. Bava soube fazer uso do cenário, sempre destacando seu interior claustrofóbico e seu exterior clássico, com as torres que se destacam ao longe. A praia é também um ótimo cenário, com as ondas quebrando na areia, e completamente deserta.

 

O elenco também é um ponto positivo, com destaque para o grande Christopher Lee, em sua segunda colaboração com Bava. Mesmo com pouca presença em tela, o astro dá um show de atuação no papel de Kurt Menliff, o vilão do filme. O personagem é um verdadeiro sádico, que sente prazer perverso em torturar a esposa do irmão, que foi sua amante, com requintes de crueldade, agredindo-a com o chicote, a fim de despertar seu apetite sexual. Aliás, esse é um ponto que deve ser mencionado. O filme possui um forte tom de erotismo, apesar de não conter cenas de nudez, mas mesmo assim, é possível captar os toques de erotismo e sensualidade.

 

E claro, O Chicote e o Corpo é um excelente filme de fantasmas com toques de suspense. Os italianos sabiam fazer grandes filmes de fantasmas, misturados com outros gêneros, e nesse caso, temos uma mistura de história de fantasma com história de assassinato misterioso, uma vez que temos duas cenas de assassinatos e não sabemos quem é o culpado. Eu acho uma ótima combinação para esse filme, porque prende ainda mais a atenção do espectador.

 

E sendo um filme de fantasmas, temos também o espírito que ronda o castelo e assombra seus familiares, nesse caso, Nevenka, conduzindo-a a episódios de histeria e levando-a a loucura completa. E isso funciona muito bem.

 

Antes de encerrar, devo mencionar o som. Conforme mencionei na resenha de Seis Mulheres para o Assassino (1964), também de Bava, o som é um elemento a parte. E aqui, não é diferente. O áudio em italiano é maravilhoso, e parece ecoar para fora da tela, como se estivéssemos no assistindo no cinema; além disso, o vento é quase um personagem, soprando desde o começo do filme, deixando clara a sua presença. Eu gosto muito de filmes de terror onde o vento pode ser ouvido, para mim passa uma sensação agradável e fantasmagórica. E a trilha sonora de Carlo Rustichelli é maravilhosa, com um ar melancólico que casa muito bem com o filme.

 

Esses são os atrativos que fazem deste um excelente filme de terror italiano, do tipo que somente eles sabiam fazer.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror, em versão restaurada com áudio em italiano. 

 

Enfim, O Chicote e o Corpo é um filme excelente. Uma historia de fantasmas com elementos eróticos e psicológicos que prendem a atenção do espectador. A direção de Mario Bava é o melhor aspecto do filme, e, aliado a uma fotografia colorida, deixam-no ainda mais bonito, e melhor a cada revisão. O astro Christopher Lee entrega uma excelente atuação. Um verdadeiro espetáculo visual, do jeito que somente Bava sabia fazer. Altamente recomendado.



Créditos: Versátil Home Vídeo

 

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quinta-feira, 27 de maio de 2021

DRÁCULA – O PRÍNCIPE DAS TREVAS (1966). Dir.: Terence Fisher.


NOTA: 10



Entre 1958 e 1974, a Hammer Films produziu uma série de filmes protagonizados pelo Conde Drácula, criado pelo escritor Bram Stoker. Ao todo, foram nove filmes, sete deles estrelados pelo grande Christopher Lee, no papel que o consagrou como astro do horror. Somente dois filmes não contaram com o astro no elenco.

 

DRÁCULA – O PRÍNCIPE DAS TREVAS, o terceiro filme da série, é o segundo filme que contou com o astro no elenco. Lançado em 1966 e dirigido por Terence Fisher, em seu último envolvimento com a série, este é o melhor filme de todos os nove, melhor até que o primeiro filme, O Vampiro da Noite (1958). E motivos para isso não faltam.

 

É um filme muito bem feito, com todo o charme presente nos dois filmes anteriores, além de contar com uma ótima direção e ótimos atores. Impossível encontrar um defeito, mesmo porque eles não existem.

 

É um filme onde tudo acontece na hora certa, sem apelar para sustos artificiais e efeitos especiais duvidosos. Pelo contrário, aqui temos um verdadeiro filme de terror gótico, com tudo que o gênero soube trazer para nós.

 

A começar pela atmosfera. O filme tem aquela atmosfera interiorana que é sempre muito agradável e convidativa e que parece ficar melhor a cada revisão. Em seguida, quando os personagens já estão dentro do castelo, temos aquela atmosfera de medo e mistério que nunca vai embora, e depois, retornamos para a atmosfera anterior.

 

Outra coisa que torna o filme espetacular é a direção de arte. O castelo do conde é o melhor cenário do filme, com sua ambientação isolada e abandonada, mas mesmo assim, banhada na cor vermelha. O mosteiro também é um dos melhores, principalmente o escritório do Padre Sandor, que possui um aspecto familiar. E as paisagens também não ficam atrás, com a floresta e a choupana. Realmente, é o tipo de coisa que não se vê mais hoje em dia.

 

E claro, não posso deixar de citar o elenco. O diretor Fisher é um ótimo diretor de atores, e soube arrancar atuações realistas de seus interpretes; nenhum dos atores atua de maneira forçada ou caricata e os personagens são realmente criveis. No entanto, quem rouba a cena, é o astro Christopher Lee, em sua melhor interpretação do conde. Mesmo com pouca presença em tela, Lee conseguiu criar o melhor Drácula da série, com seu ar maligno e perverso. E o melhor, ele não precisou dizer nada. Diz a lenda que o astro não gostou do roteiro, e aceitou participar do filme apenas com a condição de que iria aparecer depois de 50 minutos de rodagem e que não diria uma palavra. Bem, dito e feito. O conde aparece somente após a metade do filme, mas enche a tela com sua presença. Maravilhoso, sem dúvida.

 

E o astro protagonizou cenas memoráveis. Minha favorita é quando ele sai do castelo atrás da mocinha, com a capa voando com o vento e se abrindo como asas de morcego. Uma cena que mostra a elegância do ator e do personagem. E como de costume, temos também o Drácula sedutor, que hipnotiza suas vítimas antes de ataca-las e cobre-se com a capa quando vai mordê-las. O Drácula Clássico.

 

Bem, como mencionado, esses são os atributos que fazem deste um grande filme de terror, e um dos melhores filmes de vampiro de todos os tempos.

 

Foi lançado em DVD no Brasil em três ocasiões. As duas primeiras, em edições individuais; a terceira, no Box Drácula – The Ultimate Hammer Collection. Lá fora, foi lançado em Blu-ray duas vezes, em versões maravilhosamente restauradas e coloridas.

 

Enfim, Drácula – O Príncipe das Trevas é um filme excelente. Uma obra assustadora e fascinante, com cenas que prendem a atenção e enchem os olhos. Christopher Lee entrega sua melhor atuação como Drácula, sem a menor dúvida. O melhor filme da série do Drácula da Hammer Films, e um dos melhores filmes do estúdio, com todo o charme que somente eles sabiam fazer. Altamente recomendado.



 

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quarta-feira, 26 de maio de 2021

AS PROFECIAS DO DR. TERROR (1965). Dir.: Freddie Francis.

 

NOTA: 8.5 



Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

AS PROFECIAS DO DR. TERROR foi a primeira delas. Lançado em 1965, foi dirigido por Freddie Francis, e estrelado por Peter Cushing, Christopher Lee e Donald Sutherland. O estúdio se inspirou no Clássico Na Solidão da Noite (1945), a primeira antologia lançada nos cinemas. Dr. Terror é uma das melhores antologias da Amicus e uma das minhas favoritas, e como todo exemplar do gênero, é composto por pequenas histórias, aqui, contadas pelo personagem título, interpretado por Cushing.

 

A primeira, Werewolf, fala sobre um arquiteto que retorna para a antiga casa de sua família, a fim de realizar reformas para o novo proprietário. Durante a reforma, ele descobre o tumulo de um antigo lobisomem, que acreditava estar desaparecido. Quando o lobisomem retorna, o arquiteto precisa correr para enfrenta-lo, antes que ele mate novamente. No entanto, o que ele não imagina é que outro lobisomem está mais próximo do que ele pensa.

 

Na segunda história, Creeping Vine, uma família retorna para sua casa após um período de férias. Rapidamente, o marido descobre que uma trepadeira está agindo de forma estranha, atacando a todos ao seu redor. Ele então recorre aos cientistas para descobrir o que está acontecendo. Quando um deles é morto pela trepadeira, a família se vê presa em sua própria casa, talvez sem a possibilidade de fuga.

 

Em Voodoo, um músico viaja com sua banda até as Antilhas, a fim de fazer um show num clube local. Após o show, o trompetista descobre a respeito de um deus local, e movido pela curiosidade, decide assistir a uma cerimônia, e acaba fascinado pela música tribal, e decide se apropriar dela, apesar dos avisos dos sacerdotes. Durante uma apresentação em Londres, coisas estranhas acontecem no clube, mas o músico não se intimida. No entanto, ele acaba descobrindo as consequências de seu ato.

 

Na história seguinte, Disembodied Hand, um severo crítico de artes é humilhado por um artista durante uma exposição. Tomado pelo ódio, ele o atropela, causando a perda de sua mão, levando-o a depressão e ao suicídio. Porém, o crítico passa a ser perseguido pela mão decepada do artista, o que traz consequências desastrosas.

 

A última história, Vampire, é sobre um médico recém-casado que retorna a Nova Inglaterra com sua esposa. No início, as coisas ocorrem bem, mas, logo um garotinho surge no consultório com estranhas marcas no pescoço, chamando a atenção de outro médico. Nas noites seguintes, novas coisas estranhas acontecem, levando o segundo médico a chegar a uma conclusão: o rapaz se casou com uma vampira. Hesitante, ele decide matá-la, mas não imagina as consequências terríveis de seu ato.

 

Uma antologia básica, não é mesmo? Com histórias curtas, com poucos personagens e que vão direto ao ponto, certo? Isso mesmo. Mas, o que faz desse um filme muito bom é a sua execução. Dr. Terror é um filme muito bem feito, com ótimos atores, um roteiro direto, e momentos verdadeiramente arrepiantes. É aquele tipo de filme que, mesmo sendo simples, consegue alcançar seu objetivo, e o faz muito bem.

 

Eu gosto muito desse tipo de filme, que faz uso de coisas e cenas simples para assustar o espectador, e a Amicus faz isso muito bem. Além disso, mesmo sendo dirigido por um único diretor, cada história apresenta um aspecto diferente, o que deixa o filme ainda mais atraente, e melhor a cada revisão. O diretor Freddie Francis conseguiu criar um filme digno de nota, colorido, divertido e assustador. O diretor é um antigo colaborador da casa, tendo sido responsável pela direção de A Maldição da Caveira (1965), As Torturas do Dr. Diabolo (1967), Contos do Além (1972), As Bonecas da Morte (1966), entre outros filmes do estúdio, além de ser o responsável por Drácula – O Perfil do Diabo (1968) e O Monstro de Frankenstein (1964), da Hammer. Um especialista no gênero.

 

Eu sou um admirador de antologias, justamente por conta da simplicidade. São filmes de longa-metragem, mas que contam com histórias curtas, com poucos personagens, e que conseguem contar muito mais do que um filme próprio. E tudo era feito da forma mais simples, mas real possível, capaz de prender a atenção do espectador, e assustá-lo sem fazer muito esforço. E o mais interessante, é que cada história parece transitar em gêneros diversos, apesar do filme como um todo ser um filme de terror, o que também é muito comum nas antologias, principalmente nas antologias que eu já vi.

 

E claro, contavam com um grande elenco. Aqui, nós temos a dupla de cavalheiros do terror, Christopher Lee e Peter Cushing, além de Michael Gough, e Donald Sutherland, e cada um tem seu próprio mérito, principalmente Cushing, que entrega uma performance arrepiante como o Dr. Terror, o vidente que prevê o futuro dos quatro homens dentro da cabine, futuros terríveis, diga-se de passagem. Dos quatro personagens, o melhor é o Sr. Marsh, o crítico de arte interpretado por Lee, arrogante e cético até o ultimo fio de cabelo, até mesmo quando tem seu futuro revelado pelo doutor. Os outros personagens também são muito bons, cada um com sua peculiaridade.

 

E as histórias? As histórias também são muito boas, cada uma a sua maneira. Como é de praxe nas antologias, temos histórias assustadoras e quase sempre uma história absurda, e aqui não é diferente. As minhas favoritas são a primeira e a última, que falam sobre lobisomens e vampiros, respectivamente. E como acabei de dizer, tudo feito de maneira simples e rápida, mas eficiente.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, na coleção Amicus Productions – Vol.2, em versão remasterizada.

 

Enfim, As Profecias do Dr. Terror é um filme muito bom, que consegue assustar o espectador sem esforço. Uma das melhores antologias de terror, produzidas de maneira simples, mas eficiente, que conta uma ótima direção e um elenco de estrelas. Um clássico da Amicus Productions e um de seus melhores filmes. Altamente recomendado. 


Créditos: Obras-Primas do Cinema


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segunda-feira, 1 de junho de 2020

A MANSÃO DA MEIA-NOITE (1983). Dir.: Pete Walker.


NOTA: 9



A MANSÃO DA MEIA-NOITE (1983)
A MANSÃO DA MEIA-NOITE é um dos melhores filmes de casa mal assombrada que já tive o prazer de conferir.

Lançado em 1983, foi produzido pela extinta Cannon Group, Inc., na época já sob a tutela da dupla Menahem Golan e Yoran Globus, que assumiram as rédeas em 1979. Mas, além de ser um dos melhores filmes de casa mal assombrada, é também o filme que marca a reunião dos quatro astros da segunda fase do horror clássico: Christopher Lee, Peter Cushing, Vincent Price e John Carradine. Se fosse só por isso, o filme já merecia destaque. Mas não é só por isso.

Do meu ponto de vista, o filme pode ser também um dos últimos – senão o último – representantes do Cinema de Terror Gótico, visto que a ambientação contribui para isso.

Outra coisa que também torna este um filme digno de nota é sua narrativa, que foge completamente da narrativa de casa mal assombrada – justamente por não conter nenhum fantasma – e brinca também com narrativa de mistério e assassinato. E todos esses elementos combinados, aliados ao roteiro sagaz, contribuem, e muito, para o excelente desempenho do filme.

Como em todo filme de casa mal assombrada, a ambientação é muito importante, e aqui, todas as características estão presentes. A Mansão é um lugar velho, abandonado, onde as teias de aranha tomaram conta, cobrindo as paredes, as janelas e as escadas; os moveis são cobertos por panos e lençóis, e a poeira parece saltar deles sem a menor dificuldade; e ratos andam pelos cômodos a esmo. Ou seja, o clássico cenário para um filme do gênero, do jeito que acontecia nos filmes de terror de antigamente. Perfeito.

E como representante do Terror Gótico, o clima é cheio de mistério, até mesmo antes do protagonista, o escritor Kenneth Magee, chegar à Mansão para escrever seu livro. A cena da estação de trem é digna de provocar arrepios, principalmente quando uma velha surge e desaparece logo depois. E o mistério perdura a medida que o filme avança, justamente por causa dos personagens que vão entrando na casa, personagens esses, interpretados pelos clássicos Mestres do Terror. O maior mistério da narrativa é a face de um descendente da antiga família que morou na Mansão, cujos atuais representantes, interpretados pelos astros, estão reunindo para um jantar. Tudo o que se sabe é que ele está escondido em algum lugar e está eliminando um por um. É também uma historia de mistério com as mortes acontecendo das maneiras mais assustadoras e inesperadas.

Ainda sobre a ambientação, outra sensação que o filme passa é a claustrofobia, também muito comum no gênero. Mesmo não contando com muitos corredores apertados e quartos selados, a sensação é transmitida, uma vez que os personagens estão presos e não podem sair. É também o tipo de cenário que faz parte do gênero.

E também sobre o roteiro. Além de entregar cenas verdadeiramente assustadoras, existem também algumas cenas que beiram ao cômico, principalmente quando os quatro astros estão juntos em cena; e para finalizar, entrega dois plot-twists eficientes.

Mas nada disso se compara a ver os quatro astros do Terror juntos. De verdade. É muito lindo vê-los juntos no mesmo filme, interagindo como grandes amigos que eram. É impossível separar o melhor, porque todos estão perfeitos em seus papeis, e quando eles surgem, a emoção é ainda maior. Com toda certeza não poderia haver elenco melhor. Os outros atores, principalmente Desi Arnaz Jr. – que, aliás, está idêntico ao pai –, também estão muito bem e entregam performances convincentes. Mas, novamente, os quatro veteranos do terror carregam, e maravilhosamente, o filme nas costas.

O curioso é que a dupla de produtores queria fazer um filme de terror com Bela Lugosi e Boris Karloff, mas não sabiam que ambos já haviam falecido.

No entanto, apesar de ser belíssimo ver os veteranos do horror juntos, é também muito triste, porque, infelizmente, todos já se foram, e levaram consigo, o legado do cinema de horror clássico. John Carradine faleceu em 27/nov/1988; Peter Cushing, em 11/ago/1994; Vincent Price, em 25/out/1993; e Christopher Lee em 7/jun/2015. Eu apenas acompanhei a noticia do falecimento de Christopher Lee, e foi um grande choque, receber a noticia.

É inquestionável a importância de todos eles para o Terror, e cada um, a sua maneira, deixou sua contribuição para o gênero e deixou seu nome gravado para sempre.

Foi lançado em DVD por aqui na coleção Obras-Primas do Terror Vol.7, da Versátil Home Vídeo, em versão restaurada.

Enfim, A Mansão da Meia-Noite é um filme excelente. Um dos melhores filmes de casa mal assombrada, e um dos últimos representantes do Terror Gótico. Uma historia cheia de mistério e pavor, contada de maneira eficiente. Um filme que contou com os quatro veteranos do terror em seu elenco: Christopher Lee, Peter Cushing, Vincent Price e John Carradine. A reunião dos astros é um chamariz para todos os fãs do terror. Assustador. Arrepiante. Divertido. Altamente recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo



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