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sábado, 23 de março de 2024

PAVOR NA CIDADE DOS ZUMBIS (1980). Dir.: Lucio Fulci.

 

NOTA: 9


Entre 1980 e 1981, o diretor Lucio Fulci realizou a sua Trilogia do Inferno, em parceria com a atriz Catriona MacColl, que também se tornaram um marco em sua filmografia.

 

PAVOR NA CIDADE DOS ZUMBIS é o primeiro filme dessa trilogia, e o que faltava ser comentado aqui.

 

Já irei começar pelo obvio, e dizer que este é um dos melhores filmes do diretor, que estava dando seus primeiros passos no terror, um ano após o lançamento de Zombie, sua obra-prima.

 

Mais uma vez, Fulci se reuniu com o roteirista Dardano Sacchetti, e juntos escreveram outro filme de zumbis, mas desta vez, os mortos-vivos não são os protagonistas da trama, sendo transformados em coadjuvantes; o foco principal são os eventos sobrenaturais que assolam a cidade de Dunwich, após o suicídio do padre local.

 

Conforme pude averiguar na internet, a Trilogia do Inferno é composta por filmes que possuem apenas um fiapo de trama, e o foco são as maluquices presentes no roteiro. Eu pessoalmente acredito que os filmes têm, sim, uma trama, e que os acontecimentos estão relacionados a ela, e aqui não é diferente.

 

O suicídio do Padre Thomas, apresentado logo no início do filme, é um estopim para os acontecimentos sobrenaturais que começam, e Fulci e Sacchetti brincam com tudo que querem para contar sua história, o que deixa ainda mais divertida a cada revisão, assim como fizeram nos dois filmes posteriores dessa trilogia.

 

O filme marca a primeira parceria entre Fulci e a atriz Catriona MacColl, e ela está muito bem aqui, interpretando a vidente Mary Woodhouse. Sua interpretação não é exagerada, e ela transmite tudo aquilo que o roteiro pede, com naturalidade.

 

O restante do elenco também não faz feio; os atores secundários atuam daquela maneira exagerada que estamos acostumados a ver em filmes italianos, mas nada que prejudique a experiência de assistir ao filme.

 

A direção de Fulci também é muito boa, e o cineasta mostra que tem o domínio do gênero, criando cenas tensas e sequências antológicas, graças às suas técnicas criativas para criar terror, com destaque para o próprio padre, que sempre aparece com uma iluminação vinda de baixo, o que aumenta seu aspecto assustador.

 

Este é um filme de zumbis, e como não poderia deixar de ser, eles não ficam para trás. O visual das criaturas é aquele putrefato que se tornou característica de Fulci, com uma maquiagem carregada. Além do visual marcante, eles também podem se tele transportar e possuem um método bem específico que matar suas vítimas.

 

Falando em cenas antológicas, devo destacar a cena do carro, onde uma jovem regurgita suas vísceras, após avistar o padre. É uma cena que demora o tempo certo para acontecer, e começa de uma maneira bem simples, com a personagem vertendo lágrimas de sangue, até chegar ao ápice.

 

E além das cenas, temos também a trilha memorável de Fabio Trizzi, um dos colaboradores de Fulci.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Zumbis no Cinema Vol.2, que conta com um making of como extra.

 

Enfim, Pavor na Cidade dos Zumbis é um filme arrepiante. Uma história fascinante, com ar de pesadelo, repleta de momentos indigestos, com muito sangue e escatologia. Um filme de zumbis putrefatos, com excelentes efeitos de maquiagem e gore. A direção de Lucio Fulci é segura, combinada a um roteiro bem escrito, e uma trilha sonora assustadora. Um belo exemplar do cinema de zumbi italiano, e uma grande obra do Padrinho do Gore, Lucio Fulci.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

A CASA DO CEMITÉRIO (1981). Dir.: Lucio Fulci.

 

NOTA: 9



Entre 1980 e 1981, o diretor Lucio Fulci realizou a sua Trilogia do Inferno, em parceria com a atriz Catriona MacColl, que também se tornaram um marco em sua filmografia.

 

A CASA DO CEMITÉRIO é o ultimo filme da trilogia, e sem duvida, um dos mais violentos – senão o mais violento – de Fulci, tudo graças aos efeitos especiais, mas não vou falar sobre isso agora.

 

Antes de falar sobre os efeitos, vou falar sobre o filme. O longa é um dos mais estranhos do cineasta, com um clima de horror que predomina a fita desde o começo, com a ambientação sinistra da casa em estilo gótico rodeada por um cemitério.

 

Além disso, o filme é banhado de cenas carregadas no gore característico do diretor, onde o sangue jorra com gosto.

 

O filme é um dos mais estranhos de Fulci porque é uma mistura de vários gêneros, que vão desde casa mal-assombrada, passando pelo gore e chegando a história de crianças fantasmas. Mas isso não impede o longa de ser um dos melhores do diretor.

 

A trama até parece simples: família se muda para uma casa no interior e passa a ser aterrorizada por uma criatura sinistra; mas, conforme acabei de dizer, o roteiro mistura diferentes temas para chegar a tal, graças ao roteirista Dardano Saccheti, que utilizou temas de sua infância e de seu interesse para contar a história.

 

Conforme mencionado acima, o longa marca a terceira parceria de Fulci com a atriz Catriona MacColl, e ela não faz feio. Mais uma vez, a atriz interpreta uma personagem atormentada pelas forças das trevas, e desta vez, faz o que pode para salvar a família. Ao lado dela, temos o ator Paolo Malco, que também entrega uma ótima performance; no entanto, o problema no elenco de personagens, é o filho do casal, um ator mirim bem ruim... O resto do elenco também funciona bem, interpretando aqueles personagens estranhos, comuns no cinema de horror italiano.

 

A ambientação é a melhor coisa do filme, principalmente a casa em estilo gótico rodeada pelo velho cemitério. Desde que aparece em cena pela primeira vez, a casa passa uma sensação de medo e insegurança, principalmente nas cenas noturnas. O cemitério também contribui para isso, porque fica escondido na floresta, cercado de galhos velhos.

 

Conforme mencionado acima, o filme é um dos violentos de Fulci, graças aos efeitos especiais de gore, criados pelo mestre Giannetto de Rossi. Como fez deste que entrou no gênero horror, Fulci não poupa o espectador de cenas sangrentas, desde o começo do filme, em um assassinato duplo. A partir daí, o sangue rola solto, em uma cena mais sangrenta que a anterior, principalmente a cena do morcego, que colocou o longa na famigerada lista dos “Video-Nasties” no Reino Unido. A cena do morcego é a mais exagerada em termos de sangue, porque o mesmo corre em quantidades extremas, passando um pouco do limite, até. Outra cena também carregada de gore é a cena do assassinato da corretora de imóveis, que começa carregada de tensão e termina em um banho de sangue.

 

Além dos efeitos de sangue, temos também os efeitos por trás da criatura que vive no porão da casa, o Dr. Freudstein. A criatura parece um zumbi saído direto do clássico absoluto de Fulci, ao mesmo tempo que se parece também com alguém que sofreu um acidente. O monstro habita o porão da casa da família, que também é uma das melhores ambientações, envolta na escuridão, com cadáveres espalhados por todos os lados.

 

Além das cenas de gore, o filme também é cheio de cenas tensas, graças à direção maestral de Fulci, com a câmera que percorre todos os cômodos da casa, além do uso de lentes distorcidas e zooms e closes nos olhos do elenco.

 

Antes de encerrar, vou deixar uma curiosidade. A locação da casa gótica foi reaproveitada por Umberto Lenzi sete anos depois, no seu Ghosthouse.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror – Vol.4, em versão integral em dual áudio (Inglês ou Italiano).

 

Enfim, A Casa do Cemitério é um filme excelente. Uma história com clima de horror que predomina a narrativa desde o começo, misturado a uma direção inspirada e efeitos especiais carregados no gore. O diretor Fulci consegue criar tensão e horror na medida certa. Um dos melhores do Padrinho do Gore. Um dos filmes mais assustadores de todos os tempos.


Créditos: Versátil Home Vídeo


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terça-feira, 2 de agosto de 2022

O GATO DE NOVE CAUDAS (1971). Dir.: Dario Argento.

 

NOTA: 9.5



Entre 1970 e 1971, o diretor Dario Argento lançou sua Trilogia dos Animais, que se tornaram um marco no Giallo italiano.

 

O GATO DE NOVE CAUDAS é o filme do meio dessa trilogia, e o meu favorito, embora não seja melhor do que o anterior, o Clássico O Pássaro das Plumas de Cristal (1970).

 

Por que é o meu favorito? Bem, o principal fator é a relação entre os protagonistas, o jornalista Carlo Giordani, e o criador de enigmas Franco Arnò, interpretados por James Franciscus e Karl Malden, respectivamente. Mas não é só isso.

 

O filme é um dos mais bem dirigidos pelo diretor, que aqui começou a apresentar algumas de suas características da carreira. Além disso, temos também uma das melhores variações do Giallo clássico, visto que aqui, não temos a presença das luvas pretas. Conforme mencionei em outras resenhas, eu gosto das variações do gênero, mas prefiro muito mais o clássico, com as clássicas luvas pretas e a navalha. No entanto, O Gato de Nove Caudas me agrada muito por ser um filme do mestre Argento, considerado um dos principais nomes do gênero.

 

Esse é o truque. Eu já vi algumas variações do Giallo, algumas dirigidas por especialistas, mas elas não me agradaram muito. Este aqui é diferente, porque estamos vendo o nascimento do gênero pelas mãos de Dario Argento, então, a meu ver, tais alterações são bem-vindas.

 

Além disso, temos também os personagens, que são muito criveis e simpatizantes, e quando algum morre, é um pouco triste até, porque todos possuem sua importância para a trama. Os melhores são os quatro protagonistas, principalmente a menininha Lori, que acompanha Arnò o tempo todo, porque o personagem é deficiente visual.

 

Além de um Giallo, temos aqui também um filme com elementos de espionagem, visto que após a invasão no instituto, todos começam a suspeitar que foi algo envolvendo espionagem, porque uma das pesquisas era muito secreta, e poderia trazer problemas – a existência do cromossomo XYY, que poderia levar o ser humano a desenvolver tendências criminalísticas, algo que o próprio diretor e o roteirista Dardano Sacchetti pesquisaram antes de desenvolver o roteiro.

 

E a trama toda se desenvolve a partir dessa invasão, porque a partir daí, temos o Giallo clássico, com inúmeros suspeitos, cujas peças vão se encaixando aos poucos, até a conclusão, onde o culpado é revelado. Eu confesso que fiquei surpreso na primeira vez que vi o filme, pois eu não sabia que aquele personagem era o culpado, algo que o gênero faz com maestria, independente do cineasta.

 

E como de costume, temos também os personagens estranhos e engraçados: o barbeiro; Gigi, um ex-condenado especialista em arrombamentos; Morsella, o detetive que adora falar sobre receitas; e alguns dos cientistas do instituto, como por exemplo, o Dr. Braum, que se torna um dos principais suspeitos. Desses personagens, os meus favoritos são Morsella e Gigi, o Perdedor, porque eles protagonizam as cenas mais engraçadas do filme.

 

Temos também o elemento do romance, que se desenvolve entre Giordani e Anna, a filha do dono do instituto, o Dr. Tersi. Pode parecer meio obvio que os dois acabariam se envolvendo, mas eu gosto, acho muito bacana. Os dois protagonizam uma das melhores cenas do filme, uma perseguição de carro por toda a cidade, apenas para despistar a polícia.

 

Mas o que mais impressiona é a técnica. Diferentemente do que veríamos no futuro, aqui temos um Argento ainda em fase de desenvolvimento como cineasta, com seus truques de câmera para simular a presença do criminoso, no caso, a câmera em POV e closes nas pupilas, algo que seria recorrente em sua filmografia. Com sua câmera, o diretor cria cenas verdadeiramente carregadas na tensão, visto que nunca vemos a figura do criminoso, nem mesmo quando há a presença de objetos, como cigarros e seringas, por exemplo. A câmera em POV seria também utilizada por outros diretores nos Gialli futuros, e acabou se tornando também uma característica do gênero; tanto que acabou migrando para os EUA nos Slashers.

 

Além de tudo isso, temos também a relação entre os protagonistas, para mim, a melhor coisa do filme. Desde o primeiro encontro, os dois personagens se dão super bem, e rapidamente começam a investigar o ocorrido, mesmo que isso signifique correr riscos. Como eu disse, é a melhor coisa do filme, e uma inspiração para mim como escritor, porque me lembra de dois personagens que eu e meu irmão criamos quando éramos crianças. Inclusive, essa é outra característica do gênero. Os dois não são policiais e decidem bancar os detetives, porque nos Gialli, a polícia nunca é eficiente, e cabe ao protagonista descobrir a identidade do criminoso. O melhor momento é quando Giordani pede ajuda ao seu amigo Gigi para entrar na casa de Tersi a fim de descobrir alguma pista.

 

E como em todo Giallo, temos as cenas de morte. Aqui, como de costume, o diretor Argento transforma as mortes em espetáculos visuais, principalmente a cena do trem, violenta ao extremo. Mas não se engane, são cenas muito boas de se ver, e o diretor começa a dar os primeiros passos em direção às cenas de assassinatos grandiosos.

 

Não posso concluir essa resenha sem falar da cena mais tensa do filme inteiro, a cena do cemitério. Em determinado momento, Arnò se lembra do relógio que a noiva de uma das vítimas usa, e conclui que ali pode estar a peça-chave do enigma. Então, ele e Giordani vão ao cemitério encontrar o relógio, o que culmina na cena com o jornalista trancado dentro da cripta escura. Mesmo sendo uma cena que dura poucos minutos, é uma cena muito tensa, pois dá para sentir o medo no protagonista. Segundo o roteirista Sacchetti, a cena lhe serviu de inspiração para criar outras cenas tensas no futuro.

 

Como mencionado acima, O Gato de Nove Caudas é o filme do meio da Trilogia dos Animais, produzida entre 1970 e 1971, com todos os filmes dirigidos pelo mestre Dario Argento, que se tornaram clássicos em sua filmografia e no gênero Giallo.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção A Arte de Dario Argento, em versão restaurada com áudio em italiano.

 

Enfim, O Gato de Nove Caudas é um filme excelente. Uma história de mistério com toques de espionagem e cenas de ação que o deixam ainda mais divertido. Um verdadeiro quebra-cabeça, onde as peças vão se juntando aos poucos e revelando o mistério para o espectador. Aqui, temos ainda um Dario Argento em fase de desenvolvimento cinematográfico, mas que mostra sua capacidade como cineasta. Um dos melhores filmes do diretor e um clássico dos Gialli italianos.


Créditos: Versátil Home Vídeo

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sábado, 20 de julho de 2019

ZOMBIE (1979). Dir.: Lucio Fulci.


NOTA: 10



ZOMBIE (1979)
ZOMBIE (1979) é a Obra Máxima de Lucio Fulci, o Padrinho do Gore. Mais do que isso, é um filme que merece destaque em todas as listas dos maiores filmes de zumbi de todos os tempos.

Zombie é excelente, sem duvida, um dos melhores do gênero. É difícil dizer qual o melhor momento, mas o fato é que, quando o terror começa, não poupa ninguém.

Como já mencionei anteriormente, desde que resolveu se aventurar no terror, Fulci mostrou-se um mestre no gênero, e neste filme, ele mostrou toda sua força. Isso é fato.

Se parar pra pensar, o filme apresenta uma historia simples, até, mas é nessa simplicidade que está o brilhantismo. Fulci conseguiu fazer coisas espetaculares, dignas de estudo, não só do gênero de horror, mas do cinema em geral. O diretor mostra-se um mestre com a câmera, e seus enquadramentos são maravilhosos, desde a primeira cena.

Não apenas a direção de Fulci merece destaque, como também a edição de Vincenzo Tomassi. Novamente, desde a primeira cena, o filme é um primor, e nesse caso, também não é diferente. Tomassi conseguiu editar as cenas aéreas do veleiro em Nova York muito bem, intercalando com tomadas mais fechadas, e isso continua conforme a cena avança, culminando em um dos momentos mais memoráveis do filme, o surgimento do primeiro zumbi. Já vi muitas sequencias de abertura bem feitas antes, e com certeza, essa é uma delas.

A trilha sonora, composta por Fabio Frizzi e Giorgio Tucci também merece ser mencionada. Em alguns momentos, o tema musical é um tanto diferente para um filme do gênero; na verdade, parece de filme de ação; no entanto, quando surgem os tambores, aí a coisa muda de figura. O tema causa calafrios na espinha, e não fica cansativo; o mesmo vale para os outros temas musicais. É também o tipo de musica que fica na nossa cabeça, e quando toca, rapidamente, nos lembramos do filme.

E claro, como em todo filme de terror, a ambientação contribui. A ilha de Matul é um lugar abandonado, às moscas mesmo. As casas dos nativos estão caindo aos pedaços; pedaços de troncos estão espalhados; caranguejos andam pelas ruas, enfim... o cenário de um apocalipse. Mas de todos, o mais impressionante é a velha igreja, convertida em hospital. O lugar não passa a sensação de conforto, pelo contrario, chega a ser pior que o próprio vilarejo. O engraçado é que a casa do Dr. Menard é toda arrumada, localizada numa parte bacana da ilha... Detalhes que não merecem explicação, conforme mencionarei adiante. O fato é que o aspecto abandonado da ilha contradiz contra a beleza da cidade de Nova York, mostrada no inicio do filme.

Sendo cria do cinema de horror italiano, Zombie contem cenas absurdas, e a melhor delas, sem duvida, é a cena de luta entre um zumbi e um tubarão. Não sei da onde os roteiristas tiraram essa ideia, mas o fato é que é uma cena bem legal de se ver, além de ser visualmente bem filmada. A cena foi filmada por Ramon Bravo, autor e cinegrafista mexicano, que em 1977, foi responsável pelas cenas submarinas de Tintorera, do diretor René Cardona Jr. Como fizera na cópia mexicana de Tubarão, Bravo executou um excelente trabalho, que chega a ser convidativo até. O mesmo vale para a cena de luta entre o zumbi e o tubarão. O zumbi foi interpretado pelo próprio Bravo, que também foi o treinador do tubarão. Isso explica talvez a naturalidade da cena. Sem dúvida, é uma das cenas mais memoráveis do filme. E existe outra, talvez a mais absurda, mas, na minha opinião, não afeta em nada o filme.

Claro, não posso deixar de mencionar os zumbis. Criados pelo Maestro Gianneto de Rossi, esses são os melhores zumbis que já apareceram em um filme. Falo de zumbis putrefatos, com vermes saindo dos buracos dos olhos, andando devagar, com gosma branca e verde escorrendo da boca, roupas maltrapilhas... Enfim, um trabalho de gênio. Talvez, para os mais exigentes, possa parecer estranho que estejam tão bem assim, até porque, são corpos de conquistadores espanhóis do século XVI, mas, pessoalmente, eu não ligo pra isso. Os zumbis são excelentes, e ponto. Difícil dizer qual o mais assustador, mas o melhor é o que ilustra o pôster do filme, e que arranca a garganta de uma das personagens a dentadas. Uma cena brilhante, tanto pela construção, como pelos efeitos de maquiagem. Sério, de Rossi faz um trabalho espetacular, que compete até com os efeitos criados por Tom Savini nos filmes do saudoso George A. Romero. Além dos zumbis, de Rossi nos presenteia com corpos despedaçados, tripas expostas, mordidas e tiros de cair o queixo. Mas, o melhor fica para a cena da lasca. Conforme mostraria no futuro, Fulci tinha “fetiche” por olhos, e na cena da lasca, ele dá uma amostra do seu poder. É uma cena construída lentamente, de forma que o espectador fica tentado a acompanhar, mas ao mesmo tempo, quer tapar os olhos, porque imagina que o final não vai ser bom. E não vai ser bom, mesmo. Uma cena brilhante, inesquecível.

O filme foi escrito por Dardano Sachetti – não creditado – e Elisa Briganti, e como mencionado acima, é brilhante. Não existem falhas na historia, nem furos de roteiro. A única pista dada, mesmo sutilmente, é que os zumbis são trazidos de volta graças ao vodu, o que difere dos zumbis criados por Romero, que voltam graças à radiação. Aqui, os roteiristas aproveitaram a origem dos monstros, que eram trazidos de volta graças à um feitiço vodu, e eram usados para trabalhar em lavouras e plantações. Claro que aqui não é isso que acontece. Os zumbis voltam famintos por carne e a carnificina é grande.

O filme também marca o inicio da parceria entre Fulci e o produtor Fabrizio de Angelis, que trabalhariam juntos em toda a grande fase do diretor. De Angelis, conforme ele mesmo relata, demonstrou interesse em trabalhar com Fulci, mesmo sabendo de seu temperamento; ele também descreveu a rotina de filmagens como tranquila, com todos se relacionando bem entre si, e também como foi gravar a famigerada e até hoje comentada última cena. De Angelis também declarou que ele foi o responsável por vender o filme para os Estados Unidos, conforme era feito naquela época: o produtor negociava com a distribuidora americana, e vendia o filme, por meio de um resumo da historia ou às vezes, apenas pelo titulo. E também, segundo o próprio, ele e a equipe forma processados por Dario Argento, por lançarem o filme com o título Zumbi 2, como se fosse uma continuação do Clássico O Despertar dos Mortos, que Argento produziu junto com Romero no ano anterior. Mas isso acabou resolvido.

Não sei se chegou a ser lançado em VHS por aqui, mas chegou a ser lançado em DVD há alguns anos; mas, mesmo assim, permaneceu raro, até que foi finalmente lançado em DVD, em excelente versão restaurada sem cortes, pela Versátil Home Vídeo, na maravilhosa coleção Zumbis no Cinema Vol.3.

Recentemente, ganhou uma também excelente versão restaurada em 4k, lançada em Bluray pela Blue Underground, que já lançara o filme anteriormente. Essa versão restaurada vem acompanhada com três modelos de capa, todos muito bem feitos.

Zombie é considerado um dos Filmes Mais Assustadores de todos os tempos, ocupando a 98ª posição na lista do Bravo’s 100 Scariest Movie Moments, e a 41ª posição na lista dos 100 Filmes Mais Assustadores da História, criada pela extinta Revista SET em 2009.

Enfim, Zombie é um Clássico. Um dos maiores filmes de zumbis de todos os tempos. Um dos filmes mais assustadores de todos os tempos. A obra máxima de Lucio Fulci. Clássico absoluto, obrigatório.

Altamente recomendado.




Créditos: Versátil Home Vídeo



segunda-feira, 1 de julho de 2019

TERROR NAS TREVAS (1981). Dir.: Lucio Fulci.


NOTA: 10


TERROR NAS TREVAS
(1981)
TERROR NAS TREVAS é o meu filme favorito do diretor Lucio Fulci, o Padrinho do Gore. Lançado em 1981, é o filme do meio da chamada Trilogia do Inferno, que começou no ano anterior com Pavor na Cidade dos Zumbis, e foi concluída em A Casa do Cemitério, também de 1981.

Eu posso dizer que já vi esse filme varias vezes, e a cada vez que assisto, ele fica ainda melhor. Escrito por Fulci em parceria com Dardano Sacchetti, o filme apresenta uma trama simples, até, mas que serviu para o diretor mostrar todo o seu talento como Padrinho do Gore, algo que já havia feito antes no Clássico Zombie (1979) e em Pavor na Cidade dos Zumbis. E olha, Fulci não nega fogo.

Desde que resolveu se aventurar no terror, Fulci mostrou-se um mestre na arte de espalhar sangue e tripas, algo que ele fez com maestria em sua curta carreira de filmes bem-sucedidos; sim, porque, como boa parte dos cineastas de horror, ele parou de produzir grandes obras em algum ponto da carreira, e os filmes que vieram depois não eram grandes coisas. Felizmente, esse não é o caso de Terror nas Trevas, que consegue ser, de fato, um filme assustador e até nojento, principalmente nas cenas de gore.

O filme marca sua segunda parceira com a atriz Catriona MacColl, que também foi a protagonista do filme anterior, e também do filme seguinte. Apesar de ser considerada “canastrona”, aqui ela entrega uma boa atuação; sua Liza é a típica mocinha inocente, que não sabe dos perigos que lhe rondam, e que tenta se proteger das forças sobrenaturais. Em outros filmes, uma “heroína” assim seria até dispensável, mas aqui, até que dá pra simpatizar com ela.

Em relação aos outros personagens, o seguinte: o Dr. John McCabe é o típico medico de cinema de horror, cético quanto às forças sobrenaturais, sempre disposto à encontrar uma explicação cientifica para o que está acontecendo. Novamente, seria o caso de mais um personagem que chega a ser duvidoso, mas, seguindo o exemplo da protagonista, dá pra sentir uma leve empatia por ele. E a garota cega Emily, que se torna uma espécie de amiga de Liza, ao avisá-la sobre as forças sobrenaturais que rondam o hotel. Posso dizer que ela é a melhor personagem do filme, e também a mais memorável, com seu vestido azul, longos cabelos loiros, rosto branco como papel e olhos vazados. Desde que surge no filme, ela já impacta o espectador, com seu ar misterioso e até um pouco mórbido. Mas, ao invés de ser uma personagem malvada, ela é um tipo de “fantasma camarada”, uma vez que seu objetivo é simplesmente, alertar Liza dos perigos que ela está correndo. Os demais personagens são bizarros, alguns até sinistros, dignos de provocar medo em qualquer um.

Como fizera antes em seus filmes de terror anteriores, Fulci mostra-se um mestre na arte de fotografar os cenários. As estableshing shots do hotel são incríveis, bem filmadas mesmo, principalmente uma que acontece durante um pôr do sol. Talvez, em um filme de terror qualquer, seriam até dispensadas, ou mal filmadas.

Sobre o hotel, ele é uma das construções mais arrepiantes já mostradas no cinema de horror. Todo sujo, cheio de teias de aranha, poeira, musgo e outras coisas, não é nada aconselhável para ninguém, nem para passar uma noite. O porão, por exemplo, é inundado, com as paredes caindo aos pedaços, e a escada cheia de teias de aranha. Em outra cena, uma banheira é cheia até a boca com água imunda, e quando uma personagem decide tirar a tampa do ralo, há uma sensação de sujeira, um nojo autentico, do tipo que sentimos quando vemos coisas assim. Mas tudo isso é de certa forma, proposital, uma vez que o lugar passou anos desocupado, apenas com o tempo para lhe fazer companhia.

Como é um filme de terror, o que não faltam são cenas assustadoras. E elas existem aos montes. Impossível dizer qual a melhor, mas, posso destacar a minha favorita, a cena das aranhas. Como quase todas as cenas do filme, ela acontece do nada, em um momento aleatório, mas quando começa, é um espetáculo. Fulci enche a tela com belíssimas tarântulas de joelho vermelho, e marrons, bem como aranhas animatrônicas, que fazem um belo estrago. Elas sobem no rosto de um personagem que foi derrubado no chão, e se banqueteiam, literalmente. Um espetáculo do gore, e sem duvida, uma cena antológica.

Outra característica que Fulci mostra aqui é o seu “fetiche por olhos”, presente desde Zombie. Mas, se no Clássico de zumbis, o cineasta deu apenas uma palha do que é capaz, aqui ele mostra toda sua força, em três cenas de provocar arrepios, uma delas, mencionada acima.  É sério, são momentos que, mesmo rápidos, deixam o espectador arrepiado: olhos arrancados e perfurados, tudo muito bem feito. E os closes nos olhos dos personagens também merecem destaque, principalmente nos olhos vazios de Emily. Quando Fulci foca sua câmera nos olhos dela, a sensação de medo não passa, causando até pequenos calafrios; e sobre os closes nos olhos de Catriona MacColl, eles são lindos de se ver, seja pelo enquadramento, seja porque os olhos da atriz são lindos mesmo.

Os efeitos de maquiagem ficaram a cargo do maestro Giannetto de Rossi, que trabalhou com o diretor anteriormente em Zombie e posteriormente em A Casa do Cemitério. Os efeitos criados por ele são sensacionais, muito bem feitos mesmo, passando a sensação de realidade, seja na já mencionada cena das aranhas, ou na cena do cachorro. A maquiagem dos zumbis também merece destaque. Em momento nenhum, ela dá a impressão de ser falsa, do contrario, é até melhor do que muita maquiagem de terror atual. Sem duvida, De Rossi possui lugar no hall dos grandes mestres da maquiagem do cinema de terror, ao lado de Lon Chaney, Dick Smith, Rick Baker e Tom Savini.

Para os mais exigentes, talvez Terror nas Trevas apresente falhas em sua concepção, principalmente no que diz respeito à narrativa, mas, pessoalmente, eu não vejo assim. Por ser um filme de terror sobrenatural, muita coisa pode ser vista nas entrelinhas, como por exemplo, a cena em que McCabe visita a casa de Emily, e a encontra em ruinas, e na cena seguinte, ela está em ordem: como é um homem que acredita na Ciência, as forças sobrenaturais não se manifestaram para ele, apenas para Liza, que apesar do seu ceticismo, mostrou-se crente das advertências de Emily. A mesma explicação pode ser aplicada nas outras cenas, até mesmo as mais absurdas. Pelo menos, essa é a minha interpretação.

O filme chegou a ser lançado em VHS no Brasil, pelo menos duas vezes, sendo que uma delas adotou o título Terror nas Trevas, a outra adotou outro titulo. Mesmo assim, por anos, permaneceu raro, até que foi lançado em DVD pela Versátil Home Vídeo, em excelente versão restaurada, na excelente coleção Obras-Primas do Terror 2.

Enfim, Terror nas Trevas é um filme excelente. Um dos melhores do diretor Lucio Fulci. Um excelente filme de zumbis. Meu filme favorito do diretor Lucio Fulci.

Altamente recomendado.




Créditos: Versátil Home Vídeo




AVISO.

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