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sexta-feira, 21 de junho de 2024

PAGUE PARA ENTRAR, REZE PARA SAIR (1981). Dir.: Tobe Hooper.

 

NOTA: 8.5


PAGUE PARA ENTRAR, REZE PARA SAIR é um interessante exemplar do gênero slasher.

 

Lançado em 1981, e dirigido por Tobe Hooper, é um dos filmes considerados menores do cineasta, mas, não deixa de ser um dos melhores.

 

Além de ser um dos melhores filmes do diretor, é também um exemplar curioso do gênero Slasher, visto que apresenta as características que estavam presentes no gênero naquela época.

 

Este é um dos filmes mais criativos dirigidos por Hooper, graças às técnicas empregadas pelo cineasta, principalmente no que diz respeito à câmera do diretor, que realiza movimentos incríveis.

 

O roteiro apresenta uma trama bem simples, de parque de diversões maldito, onde um assassino se esconde. A protagonista Amy e seus amigos decidem passar a noite nesse mesmo parque, e acabam testemunhando um assassinato, e precisam fugir do assassino.

 

Parece ser uma trama bem simples, não? Na verdade, até é, mas existe uma diferença aqui. Ao invés de um assassino convencional, temos um assassino literalmente monstruoso, com um rosto deformado, que mata suas vítimas com requintes de crueldade.

 

É uma trama simples, não é? Sim, é bem simples. As diferenças são a ambientação – que foge do padrão tradicional dos Slashers – e o próprio assassino. Os personagens são os típicos de um filme Slasher, com seus estereótipos característicos, como o valentão, o figura cômica e a garota virginal.

 

No entanto, há uma diferença aqui. Amy, a protagonista, até se encaixa no perfil da garota virginal – a final girl –, mas, em determinados momentos, ela é vista fumando maconha, e se pegando com o namorado. Mas, apesar dessas diferenças, Amy ainda se encaixa no perfil característico da final girl, também presente no subgênero.

 

Conforme mencionado acima, um dos fatores que diferem este de outros Slashers, é a ambientação, no caso, um parque de diversões itinerante. Eu digo isso, porque, no gênero, era comum os filmes se passarem em fraternidades ou em acampamentos, então, ao meu ver, a mudança de ares, é um dos pontos positivos do filme.

 

O parque é aquele típico parque de diversões que percorre o país, com seus brinquedos característicos, e personagens estranhos. Mas não se engane; o design de produção é muito bem feito, considerando que o filme foi rodado em locações e em estúdios na Flórida. O lugar é muito bem iluminado, e tem as atrações clássicas, como o show de mágica, a roda-gigante, a montanha-russa, e o show de aberrações, além de outras atrações.

 

No entanto, nenhuma das atrações supera o trem-fantasma, que entra na tal Funhouse do título original. O local é repleto de atrações fantasmagóricas e arrepiantes, como um show de bonecos animados, além de aranhas gigantes e esqueletos que saem do chão. Eu nunca estive em um desses, mas, se estivesse, não sei qual seria a minha reação.

 

A câmera de Hooper também é um ponto positivo. O diretor faz uso de planos criativos, colocando-a em lugares específicos para contar sua história. Uma das tomadas mais impressionantes, sem dúvida, é a grua, que acontece quando o parque está prestes a fechar. A câmera começa acompanhando o irmão mais novo da protagonista, e depois, vai subindo, até chegar a um grande plano geral do parque; a própria grua é mais alta que a roda-gigante. Tal sequência meio que se repete no final do filme.

 

Antes de encerrar, deixe-me falar sobre o assassino e as cenas de morte. Como todo exemplar do gênero Slasher, é viável que o filme tenha boas cenas de morte, certo? Mas não é esse o caso aqui. As cenas de morte são bem reduzidas, e quase não temos o gore, que se espera de um filme desse gênero. Já o assassino é outro detalhe. Ao contrário dos assassinos de costume, temos aqui um ser literalmente monstruoso, com rosto deformado e atitudes animalescas.

 

Mas digo que ele é a melhor coisa do filme. O design do monstro foi criado pelo mestre da maquiagem, Rick Baker, o que já é um grande ponto positivo para ele. Mesmo com as limitações, Hooper faz uso de truques criativos para escondê-las, deixando o assassino sempre nas sombras, e poucos closes. É um assassino animalesco, e um dos melhores do gênero.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, na coleção Sessão de Terror Anos 80 Vol.3.

 

Enfim, Pague para Entrar, Reze para Sair, é um filme muito bom. Uma história assustadora com toques de Slasher. A temática de parque de diversão assombrado, combinado a uma direção criativa, fazem deste um dos melhores filmes do diretor Tobe Hooper. O vilão também é um destaque, graças aos efeitos especiais do mestre Rick Baker. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

sexta-feira, 12 de abril de 2024

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2 (1986). Dir.: Tobe Hooper.

 

NOTA: 9


Podem me julgar, mas eu gosto muito de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2, lançado em 1986, produzido pela Cannon Group, e novamente dirigido por Tobe Hooper.

 

Eu tenho algumas memorias desse filme, quando assisti a algumas cenas na TV aberta há alguns anos, mas não o filme todo, porque fiquei com muito medo. Eu me lembrava do primeiro homicídio, com Leatherface em cima da caminhonete; e de Stretch no covil da família, com uma máscara de pele.

 

Anos depois, eu tive a oportunidade de assistir ao filme por completo, e gostei muito. Eu acho este aqui tão bom quanto o primeiro, mas, claro que não se compara ao anterior; mas mesmo assim, eu me divirto muito toda vez que assisto.

 

Acredito que o principal motivo para isso seja a direção de Hooper, que soube contar a história com firmeza. Apesar de estar com a credibilidade baixa na época, em virtude da sua parceria com a Cannon, Hooper fez um ótimo trabalho aqui.

 

No geral, O Massacre 2 é um filme bem competente, e não a bomba que muitos ilustram, na minha opinião. É um daqueles casos de uma continuação que não ofende a obra original.

 

Outra coisa que faz deste um filme muito legal, é o roteiro. Ao invés de focar 100% no terror, temos aqui uma obra voltada para o humor negro, com situações absurdas e piadas pesadas. O humor se deve muito em conta por causa de algumas das atuações também e personagens, principalmente, os membros da família de Leatherface, aqui, batizados de Sawyers.

 

Mais uma vez, a interação entre eles é caótica, com todos os membros sendo agredidos verbalmente pelo velho cozinheiro – Drayton – e mais uma vez, descobrimos um pouco mais sobre a dinâmica dos membros da família.

 

Além disso, temos um Leatherface diferente do anterior, um pouco mais dócil e bobo, principalmente quando está ao lado da protagonista Stretch. O vilão gosta da personagem, e rende momentos absurdos, que até hoje, são comentados por fãs de terror, principalmente, uma cena em especifico.

 

Ao contrário de seu antecessor, aqui temos um filme focado no sangue e no gore, graças aos efeitos do mestre Tom Savini. Desde o primeiro assassinato, o gore está presente, e segue até o final do filme. Temos cabeças arrancadas, peles esfoladas e sangue jorrando das paredes. Os efeitos de Savini são muito bons, e quase não precisam de comentários, porque sabemos da qualidade dos mesmos. Savini fez grandes coisas aqui, desde o cadáver utilizado por Leatherface na cena da ponte; até a placa de metal na cabeça de Chop-Top.

 

Deixe-me também contar sobre a cena que mais me vem à mente quando eu lembro desse filme, a cena da ponte. Na minha opinião, é a melhor cena do filme, simplesmente por causa da maneira como é mostrada na tela. Leatherface está em cima na caminhonete, vestido com um cadáver putrefato, e com a serra nas mãos. Ele faz um grande estrago no carro dos adolescentes ricos, arranhando a lataria e decepando a cabeça de um deles, tudo ao som de Oingo Boingo.

 

E claro, assim como seu antecessor, a produção aqui foi tomada por problemas. Segundo o diretor Hooper, um dos cenários foi tomado por fogo, e eles quase perderam o set; o ator que interpretou Leatherface, em certo momento, contraiu pneumonia; sem contar o comportamento de Dennis Hopper no set.

 

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, em versão remasterizada, na coleção O Massacre da Serra Elétrica, com vários extras. Atualmente, tal edição está fora de catálogo.

 

Enfim, O Massacre da Serra Elétrica 2 é um filme excelente. Um longa que consegue ser tão bom quanto seu antecessor, mas, claro, não se iguala a ele. A direção de Tobe Hooper é segura, e o diretor consegue criar cenas tensas e engraçadas ao mesmo tempo. Os efeitos especiais de Tom Savini são o destaque, graças às técnicas milenares de um dos maiores maquiadores do cinema. Um filme muito divertido. Altamente recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema


sexta-feira, 18 de agosto de 2023

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (1974). Dir.: Tobe Hooper.

 

NOTA: 10


Existem filmes que são atemporais. Isso se refere a todos os filmes de todos os gêneros, inclusive aos filmes de terror.

 

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, lançado em 1974, dirigido por Tobe Hooper, é um desses casos. Desde o seu lançamento, há quase 50 anos, o filme mantém seu impacto até hoje como um dos maiores filmes de todos os tempos.

 

E motivos para isso não faltam. O Massacre é um daqueles casos de filmes em que tudo funciona a seu favor, e o resultado é o dos melhores.

 

A começar pelos quesitos técnicos. A direção de Hooper é segura, dando um ar quase documental para o longa, com seus movimentos e ângulos de câmera diferentes, dignos de aflição; o roteiro também é muito bom, apostando mais na tensão do que no banho de sangue, além de criar personagens absolutamente reais, do tipo que vemos todos os dias.

 

Como sabemos, o roteiro de Hooper e Kim Henkel não aposta no terror sobrenatural, conforme era comum no final da década anterior. Os tempos eram outros. Na década de 70, os Estados Unidos estavam passando por dificuldades políticas e sociais, como o escândalo de Watergate, e a derrota na Guerra do Vietnã, que acabou com a ideia do sonho americano. Além disso, no inicio da década, ocorreu também o final da Era de Aquário, então o cinema underground foi marcado por produções violentas, inspiradas pelos assassinatos de Charles Manson. O longa de Hooper é o retrato perfeito de como era a situação do país naquela época. O terror mostrado no longa é absolutamente real, o que o deixa ainda mais assustador.

 

Além da importância do contexto histórico, temos também aqui um dos primeiros exemplares do gênero Slasher, que se tornou popular nos anos 80. Tudo que se tornou clichê no gênero foi apresentado aqui, como o assassino que utiliza ferramentas do dia-a-dia para matar suas vitimas, e a final girl, a garota que sobrevive ao ataque do maníaco.

 

Conforme mencionado acima, o roteiro do longa é focado em cinco jovens texanos, e todos eles se parecem com pessoas reais. Sally é a protagonista; Franklin é seu irmão paraplégico; Pam e Kirk são o casal; e Jerry é o namorado da protagonista. Todos aqui funcionam muito bem, e cada um tem as suas peculiaridades, principalmente Franklin, que é aquele inconveniente e reclamão.

 

O time de vilões também não fica atrás. Todos são cruéis e perturbados, e possuem um apetite especial por carne humana. Os melhores são Leatherface e o velho. Quando estão todos juntos, a coisa fica ainda mais estranha. A dinâmica entre eles é horrível, com todos gritando uns com os outros, principalmente com Leatherface, que age como uma criança.

 

Leatherface é o melhor personagem do filme. Desde sua primeira aparição, ele se revela uma presença ameaçadora, matando os personagens com requintes de crueldade. Sua primeira aparição é uma das cenas mais pesadas do cinema, quando ele acerta a cabeça do personagem com uma marreta, o que provoca espasmos no corpo da vitima. Em seguida, temos a cena do gancho, que consegue ser tão aterradora quanto a anterior. E os melhores momentos são quando ele faz uso de sua motosserra para perseguir Sally e os outros personagens.

 

As cenas de tensão também merecem destaque. Difícil escolher a melhor, mas tudo funciona principalmente graças à técnica. A perseguição de Leatherface à Sally é assustadora, principalmente por causa do fato do maníaco estar atrás dela com a motosserra; o som da arma já causa arrepios. A cena do jantar pode ser considerada a mais tensa, novamente graças à técnica. Os ângulos de câmera ajudam a provocar a tensão, com seus closes extremos nos olhos de Sally, que praticamente provocam claustrofobia e desconforto.

 

E o final é um dos melhores do cinema de todos os tempos.

 

O Massacre é um dos maiores filmes independentes de todos os tempos. Todos os envolvidos passaram por perrengues durante os três meses de filmagem. O longa foi gravado em pleno verão texano, o que dificultou a produção. Existem também relatos de que alguns membros do elenco estavam sob efeito de drogas; além do mau cheiro provocado pelas condições do clima. O longa custou cerca de US$ 140.000,00.

 

Graças ao seu teor violento e chocante, O Massacre foi banido em alguns países após seu lançamento, inclusive no Brasil. Hoje em dia, possui status de cult e se tornou um dos maiores clássicos do cinema de todos os tempos.

 

O longa até hoje é o mais conhecido da carreira de Tobe Hooper, que alcançou status em Hollywood durante alguns anos, antes de ver sua carreira e seu prestigio acabarem, graças ao seu envolvimento com a Cannon Group, que lançou a primeira sequência em 1986.

 

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, em versão restaurada 4k, na Coleção O Massacre da Serra Elétrica, além de edições individuais. Este ano, será relançado nos cinemas em versão restaurada 4k.

 

Enfim, O Massacre da Serra Elétrica é um filme excelente. Um longa perturbador, carregado de tensão e medo, aliados a uma direção experimente, um roteiro amarrado, elenco afiado e técnicas dignas de nota. É o gênero terror na sua forma mais pura, onde tudo contribui para isso. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos, e um dos maiores Clássicos do cinema. Assustador. Violento. Perturbador. Tenso. Altamente recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.


sábado, 3 de agosto de 2019

OS VAMPIROS DE SALEM (1979). Dir.: Tobe Hooper.


NOTA: 10



OS VAMPIROS DE SALEM (1979)
OS VAMPIROS DE SALEM (1979)  – baseado no livro Salem, de Stephen King do diretor Tobe Hooper, diretor do Clássico O Massacre da Serra Elétrica (1974), é a segunda adaptação do autor, desta vez, para a TV, em formato de minissérie.

Lançado há 40 anos, até hoje, o filme possui lugar entre os maiores filmes de vampiro de todos os tempos. Com razão.

Os Vampiros de Salem é excelente. Possui um clima de medo e nostalgia que é agradável de se ver, e não fica chato; pelo contrario. Além desse clima de nostalgia, também possui diversas cenas antológicas, e às vezes, é difícil dizer qual a melhor – mais sobre isso adiante.

O que também vale destacar é que, na época, Hooper ainda estava em alta em Hollywood, por conta do sucesso de O Massacre da Serra Elétrica – nos anos seguintes, sua carreira sofreu uma queda brusca, por conta do fracasso de seus filmes produzidos pela extinta Cannon Group. Mas, aqui, Hooper dá o seu melhor como diretor, e consegue, uma vez que o filme não apresenta nenhuma falha em sua concepção.

É um dos filmes mais assustadores que já vi, em razão das cenas envolvendo os vampiros. São cenas muito bem feitas, dirigidas e atuadas, muitas vezes, chegam a ofuscar as cenas envolvendo os personagens humanos.

Como toda produção feita para a televisão, possui uma estrutura própria, com cenas montadas de maneira diferente das produções para o cinema, além de apresentar uma ambientação própria também, como se todos os cenários fossem de fantasia, quase outra dimensão. Hoje em dia, isso ainda existe, mas não da mesma maneira que apresentada aqui. Os enquadramentos também merecem destaque, com tomadas aleatórias da cidade vista de cima, câmera quase sempre parada e closes rápidos. Tudo feito de maneira brilhante, digna de nota, e se bobear, de estudo também. Pessoalmente, é um dos diversos aspectos que me atraem no filme.

A trilha sonora também é um item à parte. O tema é arrepiante, e quando toca, não fica chato, pelo contrario, ajuda a aumentar a tensão. Em alguns momentos, a musica surge de repente – o que hoje em dia, seria equivalente a um jump-scare – e mesmo assim, não parece falso. É muito boa.

A produção também caprichou ao escolher o cenário para o filme. A cidade é muito bonita, e nas cenas durante o dia, chega a ser convidativa, e, misturado com o clima de filme feito para a TV e com a atmosfera da época, fica ainda melhor. Em momento nenhum, parece que a rotina da cidade é chata, ou ela parece artificial. Longe disso. O filme foi rodado na Ferndale, na Carolina do Norte, com cenas rodadas também nos Estúdios Burbank, na Califórnia. Mesmo não rodado na Nova Inglaterra, o filme passa essa sensação.

Outra coisa que contribui para o clima de terror, é o fato de que, durante boa parte da narrativa, o filme dá a impressão de ser sobre casa mal-assombrada, visto que o protagonista questiona os cidadãos se eles acreditam que o Mal pode dominar uma casa. E isso funciona, principalmente para quem não conhece o filme, e no final, acaba surpreendido. Ainda sobre a questão da casa, vale mencionar que ela é de fato, assustadora, localizada no topo da colina, sempre de olho na cidade abaixo. Ao contrario do que se imagina, ela é um exemplo de que uma casa maldita não precisa ser pintada de preto para ser assustadora. Com seus tons de bege, a Mansão Marsten causa, sem esforço nenhum, arrepios na nossa espinha. De verdade. E por dentro também. É um lugar abandonado, com teias de aranha em todos os lugares, o chão todo sujo, moveis destruídos... O ambiente perfeito para um vampiro morar. E além disso, também passa uma sensação de terror gótico, que naquela época, já estava desaparecendo.

Agora, sobre os vampiros. Eles são a melhor coisa do filme, sem duvida. Com suas peles azuladas, olhos amarelos brilhantes e presas afiadas, conseguem meter medo em qualquer um. São a própria imagem da Morte, espalhando-se pela cidade como uma praga. E como já mencionado, eles protagonizam as melhores cenas do filme. Uma das minhas favoritas é quando a Sra. Glick ressuscita no hospital e ataca Ben e o médico. Uma cena muito bem feita, com o clima construído lentamente, e a tensão aumentando, porque não dá pra saber o que vai acontecer, até que finalmente acontece. Uma cena brilhante. No entanto, a cena da janela, que acontece anteriormente, é com certeza a mais icônica. Assim como a cena descrita anteriormente, também é muito bem feita, novamente com o clima acontecendo devagar, quase sem trilha sonora, e quando finalmente acontece, provoca arrepios. É uma cena que acontece à distancia, do ponto de vista do espectador, o que aumenta ainda mais o clima de horror.

Porém, o melhor de todos é o Sr. Barlow, o vampiro-mestre. Com visual idêntico ao Nosferatu de Murnau, ele é uma figura ameaçadora. Quando finalmente surge no filme, na segunda parte, mostra-se um verdadeiro monstro, com seus olhos amarelos brilhantes, presas afiadas e unhas pontiagudas. Assim como o vampiro de Murnau, ele é a própria imagem do Mal. Seu melhor momento, sem duvida, é quando surge na casa de uma família e ameaça matar o garoto diante do padre, enquanto o Sr. Straker fala por ele, e propõe uma troca diabólica. Uma cena brilhante, construída da mesma maneira que as anteriores. É também a minha favorita. O confronto final entre ele, Ben e o garoto Mark, também é digno de nota, e sinceramente, não poderia acontecer de outra maneira.

Os Vampiros de Salem esteve em produção pela Warner Bros. apos o estúdio adquirir os direitos para adaptação, anteriormente imaginada para o cinema. Vários diretores e roteiristas, entre eles o cineasta Larry Cohen, mostraram interesse em adaptá-lo, mas Stephen King não se mostrou satisfeito com as propostas. Então, o produtor Richard Kobritz entrou em contato com a Warner Bros. Television para adaptar o livro em formato de minissérie. Para isso, chamou o roteirista Paul Monash, que havia produzido a adaptação de Carrie, a Estranha (1976), dirigida por Brian de Palma. Ao que parece, King ficou satisfeito com o roteiro apresentado por Monash. Inicialmente, o diretor George A. Romero foi cogitado para o trabalho, mas, como ele havia lançado o excelente Martin, um filme de vampiros com uma temática original, dois anos antes, os produtores acharam que não seria acrescentaria nada de novo ao gênero. Então, chamaram Tobe Hooper para dirigir, em virtude do sucesso de O Massacre da Serra Elétrica (1974). Segundo o produtor Kobritz, a ideia de voltar ao Nosferatu de Murnau foi para apresentar o Sr. Barlow como a essência do Mal, assim como o vampiro de Max Scherck fez no Clássico Alemão. Porém, King não ficou satisfeito com o visual do vampiro. E também, segundo Kobritz, a intenção de fazer com que Barlow fosse mudo e tivesse o Sr. Straker como intermediário, também pareceu mais plausível do que se o vampiro fosse articulado, além de outras mudanças na narrativa. O resultado ficou perfeito. 

Além disso, a ideia de esconder o vampiro-mestre durante boa parte do filme, na minha opinião, também funciona, porque assim, aumenta o suspense, e chega até a dar a impressão de que o monstro não existe. E funciona muito bem.  

O filme foi estrelado por David Soul, no papel do protagonista Ben Mears, e James Mason, como o Sr. Straker, e ambos mostraram-se perfeitos. É possível enxergar os personagens nos atores, e o mesmo vale para todo o resto do elenco. Por exemplo, o garoto que interpreta o adolescente Mark Petrie, tinha 18 anos na época, mas, é possível visualizar um adolescente de 14 anos nele, sem esforço. Bonnie Bedellia também está perfeita como Susan Norton, par romântico de Ben. E claro, Reggie Nalder, conhecido por sua atuação em um episodio de Star Trek, está perfeito como o vampiro-mestre Kurt Barlow. Este foi um dos últimos papeis de Mason, eternizado por suas excelentes performances como o Capitão Nemo de 20.000 Léguas Submarinas (1954), da Disney; e como Humbert Humbert, em Lolita (1962), de Stanley Kubrick. O ator faleceu em 1984.

Os Vampiros de Salem foi lançado em Novembro de 1979, primeiramente em formato de minissérie, com 187 minutos. Logo depois, uma versão para cinema de 112 minutos foi lançada, com alguns cortes e cenas alteradas. Foi recebido com criticas muito positivas e recebeu três indicações em Emmy, o Oscar® da televisão.

Apesar de chegar a ser exibido na televisão no Brasil pelo canal TCM, por anos, permaneceu inédito por aqui, até que foi lançado em DVD pela Versátil Home Vídeo, em excelente versão restaurada e integral – a versão original de 187 minutos.

Em 1987, uma lamentável continuação, escrita e dirigida por Larry Cohen, foi lançada. A única coisa interessante naquele filme era Tara Reid, em inicio de carreira, vestida de noiva-vampiro. O resto, é um desastre completo. Não vale a pena.

Em 2004, uma nova versão, também para a TV foi lançada, estrelada por Donald Sutherland, Rod Lowe e o saudoso Rugter Hauer. Apesar de ter gostado na época, hoje, já não sou mais tão fã assim, pois considero inferior.

Recentemente, foi anunciado que uma nova adaptação, desta vez para o cinema, está em desenvolvimento, com James Wan envolvido. Por enquanto, nada a dizer sobre isso.

Enfim, Os Vampiros de Salem é excelente. Um filme verdadeiramente assustador, com clima de nostalgia que prende a atenção e provoca arrepios. Uma das melhores adaptações de Stephen King. Um dos maiores filmes de vampiro de todos os tempos. Maravilhoso.

Altamente recomendado.







AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.