Mostrando postagens com marcador CASA-MAL ASSOMBRADA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CASA-MAL ASSOMBRADA. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 19 de julho de 2024

A CASA DO ESPANTO (1986). Dir.: Steve Miner.

 

NOTA: 8.5


A CASA DO ESPANTO é um dos filmes da minha coleção que eu gosto muito.

 

Desde a primeira vez que o assisti, há mais de 20 anos, eu gostei muito dele, e me diverti muito com tudo aquilo que vi na tela, e essa sensação segue até os dias de hoje.

 

Além disso, este é um daqueles filmes dos anos 80 que misturam terror e humor de maneira muito boa e realista. Se o filme fosse apenas um filme de terror de casa assombrada, tudo bem, mas o modo como as coisas são feitas aqui, contribui para deixá-lo único.

 

Na trama, o escritor Roger Cobb se muda para a casa da tia após a morte dela, com o objetivo de escrever um livro sobre suas experiências no Vietnã. Mas ao mesmo tempo, ele decide investigar mais a fundo, o desaparecimento do filho, que supostamente foi raptado dentro da casa.

 

A trama básica é essa, mas, conforme o filme vai andando, as coisas bizarras vão acontecendo uma atrás da outra, e o longa se revela como um filme de casa assombrada, mas não no sentido literal.

 

Aqui, não temos apenas fantasmas; nós temos criaturas de outra dimensão, monstros e zumbis, que têm como único objetivo, infernizar a vida do protagonista, e impedir que ele resolva o mistério por trás do desaparecimento do filho.

 

O roteiro é muito bom em misturar terror e humor, e na verdade, eu mesmo não considero este um filme de terror; na minha opinião, ele é uma comédia de humor negro, visto a quantidade de situações absurdas que o protagonista enfrenta ao longo da narrativa.

 

Além das criaturas bizarras, nós temos também personagens excêntricos, como o vizinho enxerido do protagonista; a ex-esposa dele – talvez a mais normal entre os personagens –; a vizinha bonitona; e os fãs do escritor, os tipos mais variados de figuras. O vizinho é um personagem bem legal, pois está sempre aparecendo nos momentos mais inoportunos, mas se mostra um amigo para o protagonista. As cenas de interação entre os dois são muito boas e engraçadas também, principalmente quando Roger o convida para capturar uma das criaturas.

 

Outro personagem que merece menção, é o parceiro de guerra de Roger, o fortão Big Ben, que aparece nas cenas de flashback da guerra. Big Ben é o típico personagem casca-grossa, mas não deixa de ser engraçado quando o roteiro pede. As cenas entre ele e Roger também são muito bem escritas e dão um contraste bacana entre eles, expondo suas diferenças em combate.

 

Agora que já falei os personagens, vou falar das criaturas. Há várias delas aqui, que vão desde monstros saindo do armário, até zumbis que voltam do túmulo, passando por seres tentaculares e voadores de outra dimensão. A melhor delas é mulher de vestido roxo e unhas vermelhas, que é uma personagem muito engraçada desde a primeira vez em que aparece, e ela apanha muito durante o filme.

 

No entanto, o principal monstro do filme é a versão zumbi de Ben, que se mostra o verdadeiro vilão do filme, e tem um motivo pessoal para ir atrás de Roger.

 

A direção de Steve Miner também merece ser mencionada aqui, porque o diretor faz uso de técnicas criativas para contar sua história, sendo a mais engenhosa delas o plano sequência que acontece durante os créditos iniciais, que começa na parte de trás da casa e termina na fachada da mesma, uma sequência inteira sem cortes, que não deve ter sido fácil de ser feita na época.

 

A trilha sonora de Harry Manfredini também é muito boa, principalmente o tema principal, que remete a um filme de terror de fato. Em certos momentos, a trilha lembra muito a da franquia Sexta-Feira 13, que é do mesmo compositor, e isso não é um defeito.

 

As cenas de humor e terror são muito boas também, e não apelam para muitos clichês. Os momentos de verdadeiro terror acontecem quando Roger atravessa os portais para outra dimensão, ou então, quando é perseguido pelo zumbi; já as cenas de humor acontecem graças às criaturas, que são muito engraçadas de fato, principalmente a mulher de vestido roxo.

 

E para finalizar, a própria casa em si é um personagem, principalmente a sua fachada em estilo colonial, que é bem memorável e assustadora.

 

Enfim, A Casa do Espanto é um filme muito bom. Um filme de terror de casa assombrada, com toques de humor espertos, aliados a uma direção competente, e um roteiro criativo. Os efeitos especiais merecem menção também, principalmente as criaturas, que são bem convincentes. A fotografia faz um ótimo trabalho, principalmente quando destaca a fachada da casa, que é bem memorável. Uma ótima mistura de terror e humor.




terça-feira, 23 de maio de 2023

A CASA QUE PINGAVA SANGUE (1971). Dir.: Peter Duffell.


 NOTA: 8.5



Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

A CASA QUE PINGAVA SANGUE, lançado em 1971, é uma delas, e uma das minhas favoritas. Me arrisco a dizer que é a minha favorita, porque foi a primeira que assisti, e toda vez que assisto, o filme fica ainda melhor.

 

O roteiro, escrito por Robert Bloch, a partir de suas histórias, é composto por quatro segmentos, algo muito comum em uma antologia, dividir o filme em segmentos. Além disso, o longa parece se encaixar no gênero de casa assombrada, visto que o principal cenário é uma casa que causa um efeito estranho em seus moradores.

 

Method for Murder: Um escritor e sua esposa se mudam para uma casa no interior da Inglaterra, para que o homem possa se recuperar de um bloqueio criativo. Uma noite, ele tem uma ideia para seu novo livro, e passa a escrevê-lo de forma compulsiva. No entanto, ele também passa a ser atormentado por visões com o vilão da história.

 

Waxworks: Um homem solitário compra a casa a fim de esquecer um amor do passado. Um dia, durante um passeio pela cidade, ele descobre um museu de cera, e, intrigado, decide entrar. Lá dentro, ele se depara com a escultura de uma mulher que se parece muito com a mulher que amou. Quando um amigo vai visita-lo, o mesmo também se torna obcecado pela estranha figura, o que gera terríveis consequências.

 

Sweets to Sweet: Um homem se muda para a casa com sua filha após a morte de sua esposa. Preocupado com o estranho comportamento da filha, o homem contrata uma professora particular, que passa a ensinar a menina. Durante suas leituras, a menina descobre um livro sobre bruxaria e passa a aprender os truques descritos nas páginas.

 

The Cloak: Um temperamental ator se muda para a casa, a fim de concluir as filmagens de seu novo filme. Após uma confusão no set, ele acaba se deparando com um estranho cartão de uma loja de fantasias. Ao chegar lá, ele compra uma antiga capa de vampiro e passa a usá-la no filme. No entanto, a capa logo revela sua verdadeira natureza.

 

Mais uma vez, temos uma antologia comum, com seus segmentos simples. No entanto, aqui temos também os interlúdios, focados na investigação do Inspetor Holloway, primeiramente com a polícia, e depois com o corretor de imóveis.

 

 Além de ser uma das melhores antologias da Amicus, A Casa também é mais uma aventura do escritor Robert Bloch no estúdio, tendo participado também outras produções para o estúdio. O roteiro de Bloch é muito bom, principalmente quando se trata dos segmentos, porque, assim como em produções anteriores, o estúdio soube apresentar os mais básicos elementos do terror de forma brilhante e convincente.

 

Junto a isso, temos aqui a presença dos lordes do horror, Christopher Lee e Peter Cushing, trabalhando mais uma vez para o estúdio. Ambos estão muito bem em seus papéis, e mais uma vez, se mostram como grandes nomes do horror que eram. Ao lado deles, temos a estrela Ingrid Pitt, um dos grandes nomes do horror britânico, atuando na última história.

 

O diretor Peter Duffell fez um bom trabalho aqui, criando cenas verdadeiramente assustadoras e tensas, principalmente na primeira e na última histórias. Ambas possuem cenas de tensão, focadas nos personagens, sem o uso de trilha sonora, algo que, conforme já mencionei em outras resenhas, é um ótimo elemento para assustar.

 

A Casa é um típico filme de horror produzido na Inglaterra naquele período, o que faz parte do seu charme, graças às cenas e o clima nostálgico. Esse é o tipo de elemento que me atrai nos filmes desse período, porque eles têm um apelo diferente em relação aos filmes produzidos nos Estados Unidos, por exemplo.

 

O longa é uma antologia, certo? E como todas, sempre tem uma historia que é melhor que as outras. Aqui não é diferente. Na minha opinião, a melhor é The Cloak, a última. Toda vez que assisto a esse segmento, eu gosto mais, porque é uma história verdadeiramente arrepiante, além de focar na metalinguagem, e ser uma releitura das histórias de vampiros. O segmento é muito bom e prende a atenção por causa desses elementos, e por causa do seu final. O final do filme em si, com o Inspetor Holloway enfrentando os vampiros também é muito legal e assustador.

 

Enfim, A Casa que Pingava Sangue é um filme muito divertido. Uma antologia clássica, com seus segmentos brilhantes, cada um com seu charme próprio. Um clima de nostalgia e mistério preenchem o filme e o deixam ainda melhor a cada revisão. A presença de grandes astros do horror britânico também é um destaque, combinado com o roteiro inspirado de Robert Bloch. Uma das melhores antologias da Amicus Productions. 



Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

A CASA DO CEMITÉRIO (1981). Dir.: Lucio Fulci.

 

NOTA: 9



Entre 1980 e 1981, o diretor Lucio Fulci realizou a sua Trilogia do Inferno, em parceria com a atriz Catriona MacColl, que também se tornaram um marco em sua filmografia.

 

A CASA DO CEMITÉRIO é o ultimo filme da trilogia, e sem duvida, um dos mais violentos – senão o mais violento – de Fulci, tudo graças aos efeitos especiais, mas não vou falar sobre isso agora.

 

Antes de falar sobre os efeitos, vou falar sobre o filme. O longa é um dos mais estranhos do cineasta, com um clima de horror que predomina a fita desde o começo, com a ambientação sinistra da casa em estilo gótico rodeada por um cemitério.

 

Além disso, o filme é banhado de cenas carregadas no gore característico do diretor, onde o sangue jorra com gosto.

 

O filme é um dos mais estranhos de Fulci porque é uma mistura de vários gêneros, que vão desde casa mal-assombrada, passando pelo gore e chegando a história de crianças fantasmas. Mas isso não impede o longa de ser um dos melhores do diretor.

 

A trama até parece simples: família se muda para uma casa no interior e passa a ser aterrorizada por uma criatura sinistra; mas, conforme acabei de dizer, o roteiro mistura diferentes temas para chegar a tal, graças ao roteirista Dardano Saccheti, que utilizou temas de sua infância e de seu interesse para contar a história.

 

Conforme mencionado acima, o longa marca a terceira parceria de Fulci com a atriz Catriona MacColl, e ela não faz feio. Mais uma vez, a atriz interpreta uma personagem atormentada pelas forças das trevas, e desta vez, faz o que pode para salvar a família. Ao lado dela, temos o ator Paolo Malco, que também entrega uma ótima performance; no entanto, o problema no elenco de personagens, é o filho do casal, um ator mirim bem ruim... O resto do elenco também funciona bem, interpretando aqueles personagens estranhos, comuns no cinema de horror italiano.

 

A ambientação é a melhor coisa do filme, principalmente a casa em estilo gótico rodeada pelo velho cemitério. Desde que aparece em cena pela primeira vez, a casa passa uma sensação de medo e insegurança, principalmente nas cenas noturnas. O cemitério também contribui para isso, porque fica escondido na floresta, cercado de galhos velhos.

 

Conforme mencionado acima, o filme é um dos violentos de Fulci, graças aos efeitos especiais de gore, criados pelo mestre Giannetto de Rossi. Como fez deste que entrou no gênero horror, Fulci não poupa o espectador de cenas sangrentas, desde o começo do filme, em um assassinato duplo. A partir daí, o sangue rola solto, em uma cena mais sangrenta que a anterior, principalmente a cena do morcego, que colocou o longa na famigerada lista dos “Video-Nasties” no Reino Unido. A cena do morcego é a mais exagerada em termos de sangue, porque o mesmo corre em quantidades extremas, passando um pouco do limite, até. Outra cena também carregada de gore é a cena do assassinato da corretora de imóveis, que começa carregada de tensão e termina em um banho de sangue.

 

Além dos efeitos de sangue, temos também os efeitos por trás da criatura que vive no porão da casa, o Dr. Freudstein. A criatura parece um zumbi saído direto do clássico absoluto de Fulci, ao mesmo tempo que se parece também com alguém que sofreu um acidente. O monstro habita o porão da casa da família, que também é uma das melhores ambientações, envolta na escuridão, com cadáveres espalhados por todos os lados.

 

Além das cenas de gore, o filme também é cheio de cenas tensas, graças à direção maestral de Fulci, com a câmera que percorre todos os cômodos da casa, além do uso de lentes distorcidas e zooms e closes nos olhos do elenco.

 

Antes de encerrar, vou deixar uma curiosidade. A locação da casa gótica foi reaproveitada por Umberto Lenzi sete anos depois, no seu Ghosthouse.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror – Vol.4, em versão integral em dual áudio (Inglês ou Italiano).

 

Enfim, A Casa do Cemitério é um filme excelente. Uma história com clima de horror que predomina a narrativa desde o começo, misturado a uma direção inspirada e efeitos especiais carregados no gore. O diretor Fulci consegue criar tensão e horror na medida certa. Um dos melhores do Padrinho do Gore. Um dos filmes mais assustadores de todos os tempos.


Créditos: Versátil Home Vídeo


 Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/


terça-feira, 2 de junho de 2020

´SALEM (Stephen King).


NOTA: 10



'SALEM
Acredito que a primeira vez que ouvi falar em Salem’s Lot, segundo livro do autor Stephen King, foi em um documentário sobre a vida do autor, onde o livro foi mencionado pelo título que recebeu por aqui anteriormente, A Hora do Vampiro. A segunda vez foi com a adaptação para TV dirigida por Tobe Hooper.

A existência da adaptação me motivou a querer ler o livro, mas, na época, já não estava mais disponível. Foi só recentemente que adquiri a minha edição, agora lançada pela Editora Suma com o título ‘SALEM, e esse ano, resolvi sentar para ler. Dito e feito.

‘Salem é excelente. É uma das melhores historias de vampiro que já li, e um dos melhores livros de Stephen King, e já é um dos meus favoritos.

Quem conhece Stephen King, sabe que vários de seus livros são dignos de nota, pelo simples fato de serem muito bem escritos. Não há duvidas que o autor é um mestre na arte da escrita, e um excelente contador de historias, e ‘Salem é mais uma prova disso. É um livro maravilhoso, com narrativa envolvente e muito bem amarrada, que prende o leitor desde a primeira página. E, além disso, é muito assustador.

Em minha opinião, a cena mais assustadora é a cena do cemitério, onde um dos personagens é atacado por um dos primeiros vampiros. A cena mais arrepiante é a segunda cena da janela, que acontece com o personagem do garoto. Melhor não dizer mais nada, para não entregar spoilers.

Seja como for, o fato é que todos os personagens do livro são críveis, como se fossem pessoas de verdade. Esse é um dos grandes trunfos do autor, a capacidade de criar personagens que se parecem com as pessoas que vemos no nosso dia-a-dia. E não apenas os personagens, o cenário também.

Meus momentos favoritos são quando o autor descreve para nós a cidade de Jerusalem’s Lot e seus habitantes. Durante a leitura, eu pude me ver dentro daquela cidade, interagindo com as pessoas, de tão realista que é a descrição. É o tipo de coisa que o autor faz com brilhantismo e perfeição.

Como já havia assistido à adaptação de Tobe Hooper, não foi difícil visualizar os personagens conforme apresentados na minissérie, nem algumas cenas do livro que entraram na mesma, duas em especial.

Conforme comentou em um programa de TV, o autor é fã do vampiro clássico, e aqui ele pôde prestar as homenagens; os vampiros aqui presentes dormem em caixões, têm medo de crucifixos, não saem durante o dia, são monstruosos, e devem ser convidados para entrar em um recinto. Mais clássico impossível. Também não foi difícil visualizá-los como foram retratados na minissérie.

Mas o melhor de todos, é o Mr. Barlow, o vilão da historia. Ao contrario da versão apresentada na minissérie de Tobe Hooper, aqui, Barlow é um aristocrata europeu, charmoso, elegante, articulado. Quase um Drácula do século XX. Aliás, não lembro onde foi, mas eu li que o autor Stephen King fez de ‘Salem sua própria versão do livro de Bram Stoker. E funcionou, e muito bem.

Além da excelente adaptação de Tobe Hooper, lançada em 1979, ‘Salem também recebeu outra adaptação, também para TV, em 2004. Na época em que vi pela primeira vez, confesso que achei um ótimo filme, principalmente por causa dos vampiros; mas, hoje em dia, considero um filme bem fraco. Recentemente, foi anunciado que uma nova adaptação, desta vez para o cinema, está em desenvolvimento, com James Wan envolvido. Vamos aguardar.

Enfim, ‘Salem é um livro excelente. Uma historia de horror muito bem contada, e bem amarrada, onde tudo se encaixa. A escrita de Stephen King é magistral, e prende a atenção e envolve o leitor, do começo ao fim. Uma clássica historia de vampiro, com todas as características e homenagens à literatura do gênero. Uma trama arrepiante e sangrenta, com cenas dignas de causar pesadelos. Um dos melhores livros de Stephen King, com certeza. Maravilhoso. Altamente recomendado.




Acesse também:



segunda-feira, 1 de junho de 2020

A MANSÃO DA MEIA-NOITE (1983). Dir.: Pete Walker.


NOTA: 9



A MANSÃO DA MEIA-NOITE (1983)
A MANSÃO DA MEIA-NOITE é um dos melhores filmes de casa mal assombrada que já tive o prazer de conferir.

Lançado em 1983, foi produzido pela extinta Cannon Group, Inc., na época já sob a tutela da dupla Menahem Golan e Yoran Globus, que assumiram as rédeas em 1979. Mas, além de ser um dos melhores filmes de casa mal assombrada, é também o filme que marca a reunião dos quatro astros da segunda fase do horror clássico: Christopher Lee, Peter Cushing, Vincent Price e John Carradine. Se fosse só por isso, o filme já merecia destaque. Mas não é só por isso.

Do meu ponto de vista, o filme pode ser também um dos últimos – senão o último – representantes do Cinema de Terror Gótico, visto que a ambientação contribui para isso.

Outra coisa que também torna este um filme digno de nota é sua narrativa, que foge completamente da narrativa de casa mal assombrada – justamente por não conter nenhum fantasma – e brinca também com narrativa de mistério e assassinato. E todos esses elementos combinados, aliados ao roteiro sagaz, contribuem, e muito, para o excelente desempenho do filme.

Como em todo filme de casa mal assombrada, a ambientação é muito importante, e aqui, todas as características estão presentes. A Mansão é um lugar velho, abandonado, onde as teias de aranha tomaram conta, cobrindo as paredes, as janelas e as escadas; os moveis são cobertos por panos e lençóis, e a poeira parece saltar deles sem a menor dificuldade; e ratos andam pelos cômodos a esmo. Ou seja, o clássico cenário para um filme do gênero, do jeito que acontecia nos filmes de terror de antigamente. Perfeito.

E como representante do Terror Gótico, o clima é cheio de mistério, até mesmo antes do protagonista, o escritor Kenneth Magee, chegar à Mansão para escrever seu livro. A cena da estação de trem é digna de provocar arrepios, principalmente quando uma velha surge e desaparece logo depois. E o mistério perdura a medida que o filme avança, justamente por causa dos personagens que vão entrando na casa, personagens esses, interpretados pelos clássicos Mestres do Terror. O maior mistério da narrativa é a face de um descendente da antiga família que morou na Mansão, cujos atuais representantes, interpretados pelos astros, estão reunindo para um jantar. Tudo o que se sabe é que ele está escondido em algum lugar e está eliminando um por um. É também uma historia de mistério com as mortes acontecendo das maneiras mais assustadoras e inesperadas.

Ainda sobre a ambientação, outra sensação que o filme passa é a claustrofobia, também muito comum no gênero. Mesmo não contando com muitos corredores apertados e quartos selados, a sensação é transmitida, uma vez que os personagens estão presos e não podem sair. É também o tipo de cenário que faz parte do gênero.

E também sobre o roteiro. Além de entregar cenas verdadeiramente assustadoras, existem também algumas cenas que beiram ao cômico, principalmente quando os quatro astros estão juntos em cena; e para finalizar, entrega dois plot-twists eficientes.

Mas nada disso se compara a ver os quatro astros do Terror juntos. De verdade. É muito lindo vê-los juntos no mesmo filme, interagindo como grandes amigos que eram. É impossível separar o melhor, porque todos estão perfeitos em seus papeis, e quando eles surgem, a emoção é ainda maior. Com toda certeza não poderia haver elenco melhor. Os outros atores, principalmente Desi Arnaz Jr. – que, aliás, está idêntico ao pai –, também estão muito bem e entregam performances convincentes. Mas, novamente, os quatro veteranos do terror carregam, e maravilhosamente, o filme nas costas.

O curioso é que a dupla de produtores queria fazer um filme de terror com Bela Lugosi e Boris Karloff, mas não sabiam que ambos já haviam falecido.

No entanto, apesar de ser belíssimo ver os veteranos do horror juntos, é também muito triste, porque, infelizmente, todos já se foram, e levaram consigo, o legado do cinema de horror clássico. John Carradine faleceu em 27/nov/1988; Peter Cushing, em 11/ago/1994; Vincent Price, em 25/out/1993; e Christopher Lee em 7/jun/2015. Eu apenas acompanhei a noticia do falecimento de Christopher Lee, e foi um grande choque, receber a noticia.

É inquestionável a importância de todos eles para o Terror, e cada um, a sua maneira, deixou sua contribuição para o gênero e deixou seu nome gravado para sempre.

Foi lançado em DVD por aqui na coleção Obras-Primas do Terror Vol.7, da Versátil Home Vídeo, em versão restaurada.

Enfim, A Mansão da Meia-Noite é um filme excelente. Um dos melhores filmes de casa mal assombrada, e um dos últimos representantes do Terror Gótico. Uma historia cheia de mistério e pavor, contada de maneira eficiente. Um filme que contou com os quatro veteranos do terror em seu elenco: Christopher Lee, Peter Cushing, Vincent Price e John Carradine. A reunião dos astros é um chamariz para todos os fãs do terror. Assustador. Arrepiante. Divertido. Altamente recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo



Acesse também:


segunda-feira, 2 de setembro de 2019

AMITYVILLE, A CIDADE DO HORROR (1979). Dir.: Stuart Rosenberg.


NOTA: 10




AMITYVILLE, A CIDADE DO HORROR
(1979)
AMITYVILLE, A CIDADE DO HORROR (1979) é um dos filmes mais assustadores que eu já vi. Um filme brilhante, muito bem feito, que até hoje, consegue assustar sem fazer esforço.

Antes de falar sobre o filme, vou deixar claro como me tornei fã da série. Acredito que meu primeiro contato foi com as fitas VHS que eu via na locadora, quando íamos lá para alugar filmes, no fim de semana. No começo, não dava muita importância, porém, gostava muito da capa de Amityville: Uma Questão de Hora, sexto filme da franquia, e uma porcaria sem tamanho. Se não estou enganado, a locadora também tinha o segundo, batizado de Terror em Amityville (1982) e o oitavo, A Casa Maldita. Em outra locadora, provavelmente, anos antes, vi de relance o VHS do terceiro filme, focando minha atenção principalmente na enorme garra que saía de dentro da casa. Mas, apesar desse pequeno contato, não tinha interesse nenhum em assistir, talvez por ter medo. Meu interesse pela série surgiu de fato quando aluguei, na mesma locadora que frequentávamos, o DVD de Amityville 2 e Amityville 3-D, lançados em edição lastimável de banca. Aluguei e coloquei no aparelho. O resultado foi uma experiência de horror, em especial, graças ao segundo filme. Por um longo tempo, passei a alugar o DVD, mais por causa do segundo filme, até que resolvi procurar pelo primeiro, sem sucesso. Até que, numa visita a um shopping, encontrei o DVD do primeiro filme, que comprei rapidamente. Quando eu, minha mãe e meu irmão nos juntamos para assistir, o resultado também foi uma experiência de horror. A cada cena, nós pulávamos de cama e nos assustávamos. No final, eu adorei o filme, e continuo adorando até hoje.

O filme é uma adaptação do livro The Amityville Horror, do escritor e jornalista Jay Anson, lançado dois anos antes, que por sua vez, foi baseado em uma historia real ocorrida em 1975, onde o casal George e Kathy Lutz, juntamente com seus filhos, mudou-se para a mansão de Amityville, onde permaneceu por 28 dias, antes de fugir. O livro é assustador, um dos mais assustadores que já li; e o filme, não fica atrás.

Dirigido por Stuart Rosenberg, famoso por sua colaboração com o ator Paul Newman, foi produzido por Samuel Z. Arkoff, da America International Pictures (A.I.P.), que nos anos 60, foi responsável pelo lançamento de vários filmes de Roger Corman, baseados em historias de Edgar Allan Poe.

Amityville é excelente. Muito bem feito, com roteiro simples, de verdade, mas que aposta mais no terror psicológico do que no terror “visível”, vamos dizer assim. Durante toda a narrativa, o diretor Rosenberg deixa muitas coisas na base da sugestão, principalmente quando envolve as presenças sobrenaturais que rondam a casa. O melhor é que funciona.

A ambientação também contribui. Apesar da mansão ser ampla, em certos momentos, uma sensação de claustrofobia e insegurança é transmitida para o espectador. Parece mesmo que a casa não é um local seguro para aquela família, e eles precisam sair dali o mais rápido possível.

Como deu pra perceber, o filme faz parte de dois subgêneros muito populares naquela época: o terror satanista e as casas mal-assombradas. Apesar de o primeiro não estar tão evidente, o segundo está presente desde o começo. Falo de ventos que surgem de repente, portas que abrem e fecham e janelas que se fecham sozinhas. Ou seja, tudo que se pode encontrar em uma historia de casa assombrada; só faltou a presença dos fantasmas, mas, francamente, não é necessário. O aspecto satanista da historia só é revelado mais adiante, quando George decide investigar o que está acontecendo, e encontra um livro sobre o assunto.

Como já mencionado, é o tipo de filme que consegue assustar sem fazer esforço e sem apelar para jump-scares. O susto vem de repente, muitas vezes, sem trilha sonora alta, que pula na tela, como se vê nos filmes de terror atuais. O diretor cria esses momentos aos poucos, graças a cenas aparentemente inofensivas, como establishing shots da casa, tanto de dia como de noite, e também cenas de diálogos, e então, solta o terror na tela, deixando o espectador sem ar. Na primeira vez que assisti esse filme, fiquei com essa sensação. Foram momentos de puro terror.

Outro fator que contribui para o terror é a trilha sonora, composta pelo argentino Lalo Schifrin, autor da trilha sonora de Missão Impossível. Segundo o próprio, a intensão era criar algo que fosse parecido com uma canção de ninar, composta por um coro feminino. A ideia deu certo, e, na minha opinião, o tema musical é um melhores do cinema de horror; inclusive, chegou a ser indicado ao Oscar® de Melhor Trilha Sonora em 1980. É uma prova de que um filme de terror não precisa de temas pesados para ser assustador. Schifrin seria também responsável pela trilha sonora da continuação, lançada três anos depois.

Além da trilha sonora, a fotografia também ajuda a construir a atmosfera. Se durante o dia, o filme é todo colorido, à noite, a paleta de cores muda completamente, assumindo tons de azul e preto, o que deixa o filme ainda mais assustador.

O roteiro, escrito por Sandor Stern é excelente. O autor fez praticamente uma adaptação fiel do livro de Anson, apenas alterando a época da historia: no livro acontece no inverno, aqui, acontece provavelmente no outono. Mas, francamente, não muda em nada a essência da historia. Stern fez um belo trabalho, mostrando praticamente todos os dias em que os Lutz permaneceram na casa, além de mostrar a relação entre George e Kathy, e como ela vai se deteriorando a medida que ele é afetado pelas forças sobrenaturais. E como mencionei, é quase tudo na base do terror psicológico.

O modo como George é afetado pelas forças sobrenaturais é muito bem feito. Conforme ele vai sendo afetado, sua personalidade vai mudando, bem como sua aparência. De padrasto e marido amoroso, ele torna-se obcecado em arrumar a lareira e passa a se descuidar, sempre aparecendo desarrumado, com as roupas suadas e o rosto pálido. Muito boa transformação. Mas não é apenas George que é afetado; Amy, a filha de Kathy passa a interagir com uma amiga imaginaria chamada Jody, que passa a influenciá-la de maneira negativa, como mostrado na cena do armário. Esse também é outro truque do roteiro que funciona bem. Jody não aparece durante o filme; sua presença é sugerida pela cadeirinha de balanço de Amy, que está sempre em movimento. As únicas vezes em que o diretor resolve mostra-la são bem rápidas, e uma delas nos assustou tanto, que minha mãe pediu para voltar e ver de novo. Realmente, uma cena brilhante, que acontece conforme descrevi acima.

Amityville é estrelado por James Brolin, Margot Kidder (1948-2018) e Rod Steiger (1925-2002). Margot Kidder, no ano anterior, havia estrelado Superman – O Filme, de Richard Donner, ao lado de Christopher Reeve. Já Rod Steiger havia levado o Oscar® de Melhor Ator por No Calor da Noite, onde atuou ao lado de Sidney Poitier. Não sei qual era a opinião do ator sobre Amityville, mas, a atriz Margot Kidder chegou a declarar que era o pior filme que fizera, porém, anos depois, voltou atrás em sua opinião. Os atores estão muito bem em seus papéis e passam as sensações que seus personagens estão sentindo de forma autentica. Os atores-mirins também estão bem, mas, em alguns momentos, não são tão agradáveis. No elenco, também tem a presença do ator Murray Hamilton (1923-1986), no papel de um dos padres.

O filme chegou a ser lançado em VHS, com a tag “Pelo amor de Deus, fugam!” estampada na capa, com o título de A Cidade do Horror. Também chegou a ser lançado em DVD pela MGM, desta vez com o título Terror em Amityville, o que é estranho, porque também o título que o segundo filme recebeu em VHS por aqui. Ambas as edições estão fora de catálogo; mas, recentemente, foi lançado novamente em DVD pela Obras-Primas do Cinema na coleção Trilogia Terror em Amityville, juntamente com suas duas continuações oficiais, todos em versões remasterizadas e com muitos extras.

Como também mencionado, o filme ganhou várias continuações, cuja a primeira foi lançada três anos depois; o terceiro filme foi lançado no ano seguinte. A partir do quarto filme, lançado em 1989, as continuações não tiveram nenhuma relação com a historia original, e principalmente, com a Mansão Amityville. Na verdade, era apenas uma estratégia de marketing bem sem-vergonha para veicular o nome Amityville à uma serie de filmes sobrenaturais. O único dessa leva que eu assisti foi o sexto filme, Amityville: Uma Questão de Hora, no SBT, e como disse, é uma porcaria sem tamanho. A única continuação que vale a pena, é o ótimo Amityville: O Despertar, lançado em 2017. Mais recentemente, uma prequel foi produzida, The Amityville Murders, que aparentemente, foca na família que viveu na casa antes da família Lutz.

Enfim, Amityville, A Cidade do Horror é um filme excelente. Um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. Uma historia apavorante, que provoca arrepios sem fazer esforço.

Muito bem recomendado.







AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.