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sexta-feira, 14 de julho de 2023

DRÁCULA – O PERFIL DO DIABO (1968). Dir.: Freddie Francis.


NOTA: 8.5


Entre 1958 e 1974, a Hammer Films produziu uma série de filmes protagonizados pelo Conde Drácula, criado pelo escritor Bram Stoker. Ao todo, foram nove filmes, sete deles estrelados pelo grande Christopher Lee, no papel que o consagrou como astro do horror. Somente dois filmes não contaram com o astro no elenco.

 

DRÁCULA – O PERFIL DO DIABO, de 1968, é o quarto filme da série, e o terceiro a contar com o astro no elenco.

 

Me arrisco a dizer que este é um dos meus favoritos, porque é um dos que eu mais assisto e sempre me divirto com ele. E temos motivos para isso. O filme é muito bem feito, bem dirigido, bem atuado, possui um clima de horror predominante e momentos de arrepiar.

 

O filme foi dirigido por Freddie Francis, um dos grandes nomes do cinema britânico, que teve grande passagem pelo terror, tanto na Hammer quanto na Amicus. Graças a sua direção, temos aqui um filme colorido, que aposta em ótimos efeitos de câmera para criar as cenas de horror.

 

Além da direção competente, temos também um ótimo elenco, que não faz feio em suas performances – tirando algumas cenas envolvendo o monsenhor – e criam personagens cativantes que fazem o publico simpatizar com eles. Este aqui não foi o pioneiro – no filme anterior já tivemos isso – mas aqui foi a primeira vez que vemos um jovem casal lutando contra o vilão, algo que foi aproveitado nos demais filmes da saga; em Drácula – O Príncipe das Trevas, tivemos a presença do casal protagonista, mas eles eram casados e adultos, aqui é o oposto.

 

Além do casal protagonista, temos também o personagem do monsenhor, interpretado por Rupert Davies, e o ator não faz feio. Seu personagem é um homem devoto, que sempre espalha a palavra de Deus a todos e não pensa duas vezes antes de questionar se alguém não segue a religião, como vimos na cena de sua introdução, quando vê a igreja vazia e questiona o padre local. O padre também é um bom personagem, e carrega o peso de servir de lacaio para o vilão, e em todas as cenas, ele exibe o peso que é tal tarefa. Isso é uma característica que gosto em personagens assim, porque eles aparentam sempre estar carregando o mundo nas costas e não aguentam o peso de tal responsabilidade, sempre tentando encontrar um modo de se livrar do peso; e quando seu calvário acaba, você também se sente aliviado.

 

E claro temos também os coadjuvantes, e eles também não fazem feio. Todos são carismáticos e simpáticos, principalmente o dono da padaria onde o protagonista trabalha, interpretado pelo ator Michael Ripper, em um dos poucos papeis que me agradam nessa saga. Temos também a segunda escrava do vilão, que realmente parece ter ciúmes quando o mesmo demonstra interesse pela mocinha.

 

E antes de falar sobre o astro, vou falar sobre o casal protagonista. Conforme mencionado acima, aqui é a primeira vez que temos um jovem casal lutando contra o vilão, e os personagens são muito bons. Paul é um rapaz de bem, estudioso e dedicado; e Maria é a típica jovem virginal, apaixonada pelo rapaz, que faz o que pode para estar com ele, e que acaba caindo nas garras do vilão. Os dois atores estão muito bem no papel, e me arrisco a dizer que eles são o melhor casal protagonista da saga, ao lado do casal do filme anterior. Aliás, um detalhe. O protagonista se chama Paul, e, por alguma razão, nos dois filmes seguintes, também teríamos dois personagens com o mesmo nome – talvez seja falta de imaginação do roteirista, ou coincidência. Infelizmente, o mesmo carisma do casal protagonista não seria repetido nos filmes seguintes, principalmente em O Conde Drácula (1970).

 

E claro, não posso deixar essa resenha acabar sem mencionar o astro. Como sempre, Christopher Lee faz bonito no papel do vilão, sempre com sua elegância e ar ameaçador. Eu já vi na internet que aqui temos um Drácula mais perverso que nos filmes anteriores, e talvez seja verdade, visto que o vilão não poupa ninguém e está sempre com sangue nos olhos – literalmente. O Drácula de Christopher Lee é excelente, e sempre passa um ar de medo toda vez que aparece em cena, e isso seria repetido nos filmes seguintes.

 

Conforme mencionei acima, o diretor Francis faz um ótimo trabalho na direção e faz uso de ótimos especiais para criar atmosfera. O mais notável acontece nas cenas envolvendo o vilão, onde provavelmente o diretor de fotografia colocou um efeito vermelho em torno da cena, para dar a impressão de algo demoníaco. O efeito é muito bom e dá um ar mais diabólico para o filme e também para as cenas que envolvem o vampiro.

 

Drácula – O Perfil do Diabo foi lançado em DVD no Brasil pela DarkSide Distribuidora, em um box contendo todos os filmes da franquia. Atualmente, tal edição está fora de catálogo.

 

Enfim, Drácula – O Perfil do Diabo é um filme muito bom. Um filme com uma atmosfera arrepiante e demoníaca, que fica melhor a cada revisão. A direção e as atuações fazem um ótimo trabalho, e os atores criam personagens carismáticos e convincentes. A presença do astro Christopher Lee é o grande destaque, e o ator faz bonito em sua performance como o vilão, e cria um Drácula perverso e demoníaco. Um dos melhores da saga do Drácula da Hammer Filmes. Recomendado.



 

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terça-feira, 30 de maio de 2023

O CAÇADOR DE BRUXAS (1968). Dir.: Michael Reeves.

 

NOTA: 8.5


Filmes sobre a Caça às Bruxas não são fáceis de assistir, e o principal motivo são as cenas de tortura e execução. Não apenas por causa das cenas de tortura, mas também porque relatam de forma quase realista esse período cruel da Humanidade.

 

O CAÇADOR DE BRUXAS é mais um desses filmes, produzidos durante as décadas de 60 e 70, e um dos melhores deles. Lançado em 1968, com direção de Michael Reeves, o filme conta com o astro Vincent Price em sua melhor atuação.

 

Além de ser um dos melhores filmes da carreira do astro, este é também um dos melhores filmes de terror britânicos dos anos 60.

 

E motivos para isso não faltam. O filme é muito bem feito, bem escrito, bem dirigido e bem atuado. As locações na Inglaterra são maravilhosas e tornam o filme atraente e convidativo.

 

Assim como todos os filmes sobre o tema da caça às bruxas, aqui temos um filme de horror focado no terror real; ou seja, não há presença de criaturas, demônios ou outras coisas do gênero. Ao meu ver, isso torna esses filmes ainda mais assustadores, porque temos a visão de como deve ter sido esse período horrível da História da Humanidade, onde a ignorância e o medo reinavam sobre o bom senso. E aqui não é diferente – mais detalhes à frente.

 

Além de ser um filme extremamente violento, O Caçador de Bruxas também pode ser considerado um filme sobre História, uma vez que conta a historia de Matthew Hopkins, um advogado britânico que se tornou um caçador de bruxas. Segundo relatos, Hopkins percorria o interior da Inglaterra, ao lado de seu assistente, a fim de encontrar e executar pessoas acusadas de bruxaria. Não sei como ele era na realidade, mas aqui, o astro Vincent Price entrega uma excelente performance.

 

O restante do elenco também não faz feio, principalmente os atores Ian Ogilvy, Hillary Dwyer e Robert Russell. Ogilvy e Dwyer interpretam o casal protagonista, ameaçado por Hopkins, e convencem muito bem nos papeis, dando a impressão que são apaixonados um pelo outro, e quando o personagem de Ogilvy decide se vingar de Hopkins, é a mesma coisa. Russel faz o papel do assistente de Hopkins, John Stearne, e consegue arrancar ódio do espectador.

 

Mas não tem jeito. O Caçador de Bruxas pertence ao astro Vincent Price. O ator faz uma interpretação espetacular, encarnando o Mal absoluto. O seu Matthew Hopkins é aquele típico personagem que mete medo no espectador toda vez que aparece em cena, e é verdade. Acho impossível não ter medo do Hopkins de Price, porque ele é o Mal na Terra, usando e abusando de requintes de crueldade para conseguir arrancar confissões de seus acusados. Hopkins não poupa ninguém, e acredita que está fazendo a coisa certa, o que faz dele um dos maiores vilões de todos os tempos.

 

Quem também não faz feio é o diretor Michael Reeves. Sua câmera faz um ótimo trabalho, com seus planos gerais das locações, além de outros planos. Reeves também se mostrou um grande diretor de atores, e não arranca performances caricatas de seu elenco, principalmente dos protagonistas.

 

Como mencionado acima, O Caçador de Bruxas retrata a época da caça às bruxas, que, conforme dito, foi um dos piores períodos da Humanidade. Era uma época onde a ignorância e o medo reinavam sobre o bom senso, e os métodos mais absurdos eram utilizados para conseguir extrair confissões dos acusados. Métodos como tortura, agulhadas e afogamento eram empregados, sem piedade aos acusados, algo que hoje em dia é visto como absurdo. Eu já assisti a alguns filmes sobre esse tema, e sinceramente, o terror real é muito pior do que o terror fantástico, e a ignorância é de provocar raiva no espectador.

 

O Caçador de Bruxas teve seus bastidores conturbados por causa das desavenças entre o astro Vincent Price e o diretor Michael Reeves. Segundo informações da internet, o diretor queria o ator Donald Pleasence para interpretar Hopkins, mas devido a ordens da A.I.P., Price acabou sendo escalado. As coisas continuaram ruins entre eles, com direito ao astro chegando bêbado no set, ou caindo literalmente do cavalo em uma cena. No entanto, após assistir ao filme, Price mandou uma carta à Reeves, parabenizando-o pelo seu trabalho. O diretor Michael Reeves acabou falecendo em 1969, vítima de overdose.

 

Antes de encerrar, mais um pouco de informações a respeito de Matthew Hopkins. Tudo que se sabe sobre ele, é que foi um caçador de bruxas britânico, mas existem fatos de sua vida envoltos em mistério, como por exemplo, a data de seu nascimento – dizem que nasceu em 1620 – e sua própria morte.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Caça às Bruxas no Cinema, em versão restaurada, após anos fora de catálogo.

 

Enfim, O Caçador de Bruxas é um filme muito bom. Um longa assustador e violento, que retrata o período da caça às bruxas com fidelidade ímpar. O astro Vincent Price tem a melhor atuação da sua carreira, aqui no papel do advogado caçador de bruxas Matthew Hopkins. Price assusta toda vez que aparece na tela, e os atos de seu personagem arrancam arrepios do espectador. A direção de Michael Reeves também é muito boa, e o diretor arranca ótimas atuações de seu elenco. Um dos filmes mais violentos de todos os tempos, e um dos melhores da década de 60. Altamente recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.

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