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quinta-feira, 6 de julho de 2023

ÀS VEZES ELES VOLTAM (Stephen King).

 

NOTA: 8.5


Stephen King é um mestre na arte de contar histórias, seja nos livros, seja nos contos.

 

ÀS VEZES ELES VOLTAM, presente na coletânea Sombras da Noite, é mais um exemplo da genialidade do autor. Aqui temos também um tema que o autor gosta de abordar em suas obras: os adolescentes perversos; mas não é só isso.

 

Antes de chegar ao clímax, vou entrar em detalhes sobre o conto. Logo no inicio, nós temos uma noção do que aconteceu com o protagonista, o professor Jim Norman, visto que o autor deixa claro que o mesmo sofre de pesadelos com um evento ocorrido em sua infância, o assassinato de seu irmão, que foi cometido por um grupo de adolescentes.

 

E o pesadelo torna-se constante na história, visto que Norman é acometido por eles todas as noites, o que chama a atenção de sua esposa; mas o protagonista não revela a ela em momento nenhum o que aconteceu. E em determinado trecho da história, King nos conta o que aconteceu ao irmão de Norman, numa sequência assustadora e triste ao mesmo tempo – que me fez lembrar da adaptação dos anos 90.

 

E as coisas ficam piores para Norman, porque alguns de seus alunos começam a desaparecer e são substituídos por três adolescentes, que rapidamente se revelam para ele quem são de verdade. E as consequências do surgimento desses adolescentes são desastrosas.

 

Ao meu ver – e também utilizando o filme como base – , pude perceber que King faz uso aqui entidades demoníacas, ao invés de fantasmas, porque o protagonista faz uso de um livro sobre invocação de demônios e rituais para enfrentar os adolescentes; e tudo é feito de maneira brilhante, do modo como autor sempre sabe fazer.

 

Confesso que resolvi encarar a leitura do conto motivado pelo filme, que já vi algumas vezes, e acho muito bom. O conto também é muito bom, e claro, temos aqui grandes diferenças entre um e outro, principalmente no que diz respeito aos demônios. E o final do conto é mais macabro e sinistro do que o do filme – sem spoilers aqui.

 

Enfim, Às Vezes Eles Voltam é um conto muito bom. Uma historia de demônios e pesadelos escrito de maneira brilhante, do modo como Stephen King sabia fazer. A narrativa do autor é digna de pesadelos e arrepios, principalmente no que diz respeito aos vilões da historia. Uma das histórias mais populares de Stephen King, e uma de suas melhores. Altamente recomendado.


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quinta-feira, 18 de maio de 2023

SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 6 – JASON VIVE (1986). Dir.: Tom McLoughlin.

 

NOTA: 8


Antes de falar sobre o filme, vou deixar um recado. Esta é a ultima resenha a respeito da franquia Sexta-Feira 13, porque é o ultimo filme da franquia que tenho na minha coleção, e também porque os demais não foram lançados no Brasil em mídia física.

 

Bom, dado o recado, vamos lá.

 

Após o desempenho ruim da Parte 5, a Paramount decidiu trazer Jason de volta, e o resultado foi SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 6 – JASON VIVE, dirigido por Tom McLoughlin.

 

Na opinião de muitos fãs da franquia, este é o segundo melhor depois do primeiro, talvez pela forma como foi contado. Ao contrário do tom sério dos filmes anteriores, aqui temos um longa conduzido pelo humor negro e pelas situações absurdas no roteiro.

 

Eu pessoalmente não considero esse um dos meus favoritos, mas admito que é muito legal. No entanto, eu ainda prefiro os quatro primeiros.

 

Mas vamos lá. Sexta-Feira 13 – Parte 6 é mais um filme focado no personagem do Tommy Jarvis, que esteve nos dois filmes anteriores, ganhando destaque na franquia como sendo uma espécie de nêmesis do vilão. Aqui, temos o personagem adulto novamente, disposto a provar que Jason está a solta, após ser revivido numa noite de tempestade. No entanto, ninguém acredita nele e somente descobrem a verdade após o assassino surgir diante deles.

 

É um roteiro bem amarrado, porque foca na trama de Tommy e sua busca para derrotar o vilão. Além disso, temos de fato a trama de um acampamento funcionando, porque temos crianças que estão realmente acampando no Crystal Lake, que aqui foi renomeado, justamente para tentar apagar a lenda do vilão.

 

Além disso, temos algumas cenas que envolvem um humor negro até que involuntário, com direito a quebras de quarta barreira, principalmente nas cenas envolvendo o coveiro do cemitério. Os personagens também contribuem para esse tom de humor, com tiradas espertas, muitas delas dadas pelos personagens secundários.

 

Uma das mais notáveis é a sequência do jogo de paintball, uma sequência aleatória, que surge do nada, com personagens estúpidos, que estão lá apenas para morrerem nas mãos de Jason. E as cenas de morte dessa sequência são bem criativas, com direito a membros arrancados e um rosto sendo prensado numa arvore com um smile desenhado nela. Nessa cena também é estabelecido como Jason conseguiu sua machete, arrancando-a de um dos jogadores. Na verdade, ao longo da franquia, nós vimos que o vilão conseguiu várias machetes diferentes, mas parece que foi aqui que a machete definitiva do personagem foi conquistada – mesmo que ele não faça uso dela nos demais filmes.

 

Conforme mencionado acima, aqui temos o retorno de Tommy Jarvis, mas também temos outros personagens bem interessantes, como o Xerife Garris, que faz de tudo para conter o protagonista porque não acredita nele; temos também a filha do xerife, que simpatiza com Tommy e decide ajuda-lo; como sempre, temos os monitores do acampamento, sendo todos muito bem estabelecidos e bem escritos. Os demais personagens também não fazem feio.

 

No entanto, o melhor personagem é o vilão. Aqui temos a primeira aparição da versão zumbi de Jason, visto que ele ressuscita de seu tumulo com ajuda de um raio. O vilão está em forma aqui, alto, brutal, implacável, com sua característica máscara de hóquei, luvas de couro e um cinto de utilidades. Essa é a peça do figurino que mais chama a atenção dos fãs, e adiciona um elemento a mais ao personagem.

 

Apesar de sua presença imponente, as cenas de morte são bem reduzidas aqui, principalmente graças aos cortes da MPAA, que era famosa por cortar as cenas mais sangrentas da franquia. A falta de cenas mais elaboradas não exclui as cenas de mortes criativas, principalmente a cena em que uma personagem tem o rosto prensado na lataria do trailer, ou quando Jason quebra um personagem ao meio.

 

E claro, além do roteiro bem amarrado, temos também uma direção criativa. O diretor McLoughlin faz uso de planos mirabolantes para criar cenas de tensão, sempre mostrando o vilão ao fundo do cenário, ou na frente da câmera.

 

E na trilha sonora, temos a presença do cantor Alice Cooper, com três canções, sendo a mais conhecida, He’s Back (The Man Behind the Mask), que toca nos créditos finais.

 

Sexta-Feira 13 – Parte 6 – Jason Vive foi lançado em 01/ago/1986 e obteve um bom resultado nas bilheterias.

 

A franquia foi lançada em VHS e DVD no Brasil ao longo dos anos, mas atualmente está fora de catálogo. Lá fora, a franquia foi lançada em Blu-Ray pela Shout! Factory, em um grande box ilustrado.

 

Enfim, Sexta-Feira 13 – Parte 6 – Jason Vive é um filme bem legal. Um filme com um roteiro bem amarrado, focado no humor negro, com grandes tiradas. Além disso, a direção é criativa e cria cenas de tensão e medo. O vilão Jason é o grande destaque, com um novo visual imponente, brutal e implacável, com a clássica machete e um cinto de utilidades. Um dos mais adorados pelos fãs da franquia. Um filme muito bom.





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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

AMITYVILLE 3 – O DEMÔNIO (1983). Dir.: Richard Fleischer.

 

NOTA: 8



Não há dúvidas que Amityville é uma das maiores – talvez a maior – franquia de terror do cinema. Ao todo, foram mais de dez filmes, entre as “continuações oficiais” e produções da Asylium. No entanto, a franquia tem apenas quatro filmes, lançados entre 1979 e 2017. Eu pessoalmente não considero os filmes que vieram depois de 1983, porque são todos horríveis e não tem nada a ver com a franquia original; o único que retomou a franquia foi Amityville – O Despertar, que traz a casa de volta.

 

Mas não vou falar sobre eles. Vou falar sobre o último filme da trilogia original, AMITYVILLE 3 – O DEMÔNIO, lançado em 1983 e novamente produzido por Dino de Laurentiis.

 

Ao contrário dos anteriores, aqui nós temos uma história original envolvendo a Mansão de Amityville, com pouco – ou quase nenhum – foco nos assassinatos cometidos por Ronald DeFeo em 1974.

 

Aqui, acompanhamos John Baxter, um cético repórter que compra a Mansão de Amityville após provar que um casal realiza falsas sessões espiritas. A partir daí, as coisas correm bem para ele, mas não demora muito para as manifestações acontecerem.

 

Amityville 3 foi dirigido por Richard Fleischer, que na época, estava em uma fase diferente da carreira. Aqui ele se mostra um diretor competente, e consegue tirar boas atuações do seu elenco, e cria cenas arrepiantes.

 

O elenco também não faz feio, principalmente o ator Tony Roberts, no papel do protagonista. Ele consegue passar a imagem do homem cético, que acredita somente no que é palpável. Tess Harper e Robert Joy também convencem, principalmente Harper, que interpreta a ex-esposa do protagonista, numa atuação dúbia, porque eu não sei dizer se ela concorda ou não com o divórcio; Joy interpreta o Dr. West, cientista que investiga o paranormal.

 

Devo mencionar também o elenco jovem, com as estreantes Lori Loughlin e – pasmem! – Meg Ryan, nos papeis da filha de Baxter e sua amiga, respectivamente. Em resumo, aqui, como nos outros filmes – principalmente no primeiro – temos personagens que parecem reais.

 

No entanto, o que mais chama a atenção no filme são os efeitos 3D. O longa foi produzido no auge dos efeitos 3D no cinema, onde praticamente todos os cineastas apelavam para o efeito, a fim de chamar o público. Não tenho dúvidas de que, na época, deve ter sido muito chamativo, mas, infelizmente, hoje em dia, é bem datado, principalmente por causa do fato de todos os personagens jogarem coisas na tela o tempo todo; e, conforme mencionei em Tubarão 3, quando o filme é convertido para 2D, a imagem e os efeitos ficam estranhos.

 

Na opinião, além dos efeitos 3D, temos também um pequeno problema relacionado à casa. Em certo momento, é possível ver que as tradicionais janelas foram substituídas por outras em dos lados da casa, e com isso, ao meu ver, a mesma perde parte de sua identidade.

 

Mas, mesmo com esse pequeno problema, é sempre bom ver a Mansão na tela, com suas janelas semelhantes a olhos, que chamam a atenção do espectador; além de sua presença ameaçadora e assustadora. Não há dúvidas que a Mansão se tornou a cara da trilogia.

 

Ao contrário dos dois anteriores, aqui não temos cenas carregadas de terror; ao invés disso, temos cenas levemente tensas, como por exemplo, a cena em que a personagem de Candy Clark percorre a casa com a lanterna, até o porão. É uma sequência tensa, mas não muito assustadora.

 

Realmente, parece que aqui, não temos muitas cenas memoráveis, talvez, apenas os efeitos em 3D. Talvez a mais memorável seja a sequência com a equipe de paranormais investigando a casa, até o momento em que o demônio surge e ataca o Dr. West. Mas nada disso impede o filme de ser divertido.

 

Antes de encerrar, queria deixar minha opinião em relação ao medo que a ex-esposa de Baxter tem em relação à Mansão de Amityville. Em uma cena anterior, ela se consulta com o Dr. West a respeito dos fenômenos que podem acontecer na casa; em outra, ela discute com a filha e a proíbe de visitar o pai na casa. Faltou uma cena do casal discutindo sobre a casa, principalmente após a tragédia que se abate sobre eles. Há um processo de negação por parte de Nancy, mas não há uma conversa entre eles depois disso. Eu achei que faltou isso, porque os dois primeiros filmes focavam em problemas familiares dentro da casa.

 

Amityville 3 foi lançado nos cinemas em 18/nov/1983 e foi um fracasso de bilheteria, o que levou os realizadores a produzirem as demais sequencias somente para a TV ou para o mercado de home vídeo. A franquia retornou oficialmente em 2017 com Amityville – O Despertar, que traz a Mansão de volta.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pelas Obras-Primas do Cinema na coleção Trilogia Terror em Amityville, em versão remasterizada.

 

Enfim, Amityville 3 é um filme muito bom. Um longa bem dirigido e com ótimas atuações, além de momentos de suspense e toques sobrenaturais. Um filme muito divertido, com uma historia original para a Mansão de Amityville. Recomendado.



Créditos: Obras-Primas do Cinema


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segunda-feira, 17 de outubro de 2022

HALLOWEEN ENDS (2022). Dir.: David Gordon Green.

 

NOTA: 9



O que os fãs queriam? Acho que essa é a pergunta a se fazer após assistir HALLOWEEN ENDS, a conclusão da trilogia iniciada com o maravilhoso reboot da franquia, em 2018. Eu mesmo não sabia o que esperar, a não ser o combate final entre os protagonistas, mas fora isso, não tinha a menor ideia. Tanto que não liguei para nada do que falaram e fui ao cinema conferir por mim mesmo.

 

Pois bem, eu não sei o que os fãs queriam, mas, com certeza, irão se surpreender – para o bem ou para o mal – após assistirem ao filme, porque, é de fato, aquilo que todos nós esperávamos, mas com algumas ideias novas também.

 

Para começar, eu devo dizer que Halloween Ends presta agora a sua homenagem à Halloween 4, ou melhor, ao que o filme deveria ter sido, quando foi concebido por John Carpenter em 1988. A ideia original de Carpenter, era fazer um filme completamente diferente do que acabou saindo, com uma historia focada em uma Haddonfield traumatizada pelos eventos dos dois primeiros filmes, então, não haveria comemoração de Halloween, mas logo, novos assassinatos aconteceriam, e um novo Michael Myers surgiria. Uma ideia muito boa, certo? De fato, mas, infelizmente, como sabemos, ela foi descartada pelo produtor Moustapha Akkad, como resultado, tivemos um Halloween 4 completamente diferente.

 

Pois bem, agora, parece que o diretor David Gordon Green e os produtores da Blumhouse decidiram ouvir Carpenter – parcialmente – e pegaram a ideia de uma Haddonfield traumatizada pelos eventos da noite de Halloween de 2018, e a transformaram em uma cidade tocada pelo mal, onde seus habitantes não esqueceram o que aconteceu e passaram a enxergar Michael como a verdadeira força do mal que ele é. Mas isso não poupou também Laurie e sua neta, que também passam a ser perseguidas, principalmente por valentões e parentes das vitimas. Quando eu vi que esse foi o rumo, logo me lembrei da ideia original de Carpenter para o quarto filme, e aqui, eles fizeram um trabalho excelente.

 

No entanto, além de Laurie e Allyson, que estão se recuperando também, surge uma nova vitima, o adolescente Corey Cunningham, que matou um garotinho por acidente no Halloween de 2019, e também ganhou uma péssima reputação, tanto dos pais, quanto da cidade, que também o marginaliza. E a coisa muda quando seu caminho se cruza com o de Michael...

 

O que acontece também, é que aqui, não temos tanto foco em Michael Myers, mas sim, nos novos crimes que acontecem em Haddonfield, o que leva Laurie a acreditar que Michael ainda está vivo, mas Allyson não acredita. E conforme mencionado acima, essa era a ideia original de Carpenter, e parece que os roteiristas resolveram escutá-lo, porque temos uma nova onda de assassinatos aqui, mas também temos o vilão original. Pode ser que muitas pessoas já saibam do que estou falando, mas o fato é que eu gostei muito dessa ideia, por motivos já mencionados.

 

Bem, aqui temos mais uma vez o diretor David Gordon Green no comando, e mais uma vez ele acerta no clima de tensão, apelando para jump-scares, verdade, mas apostando também na tensão, que sempre foi o foco do clássico de Carpenter. Mas não se enganem, aqui também temos um banho de sangue, mas tudo feito sem exagero.

 

Deixe-me agora falar sobre os personagens. Laurie e Allyson seguem com suas vidas, na medida do possível, principalmente Laurie, que ainda não se recuperou dos incidentes do passado, principalmente por ela ainda acredita que Michael possa estar vivo. Allyson trabalha no Hospital Memorial de Haddonfield e precisa lidar com uma colega de trabalho inconveniente. E Corey, como já mencionei, também tenta colocar as vidas nos trilhos... Temos aqui também aparições rápidas de Lindsey Wallace e do policial Hawkins, que também tentam se reconstruir.

 

Em resumo, Halloween Ends é um filme sobre os personagens tentando se reerguer, mas também é o fechamento da trilogia, e nesse quesito, cumpre o que promete.

 

E claro, temos o vilão. Assim como no reboot e em Halloween Kills, aqui temos um Michael Myers brutal que não poupa ninguém. E o segundo assassino também não faz feio, principalmente quando assume a identidade temporária do matador. Seu melhor momento fica na sequencia do ferro-velho, onde massacra um grupo de valentões.

 

E claro, aqui não podem faltar as homenagens. Além da já mencionada homenagem a Halloween 4, temos também uma nova homenagem à Halloween III, nos créditos de abertura; e claro, as homenagens ao clássico de Carpenter não param, com uma cena que lembra a da morte de Bob, e uma ponta de Nick Castle, o ator que interpretou o assassino em 1978.

 

Mas claro, o melhor fica para o confronto final entre Laurie e Michael, que era o que estávamos de fato esperando. A sequencia é brutal, com os dois lutando no corpo-a-corpo, com tudo que tem direito, como facas e agulhas e sangue, muito sangue.

 

Com tudo isso, devo dizer que Halloween Ends encerra com louvor a trilogia do reboot, e que eu amei o filme. Eu acredito que Jamie Lee Curtis tinha razão quando disse que muitos iriam odiar, talvez por não ser aquilo que esperavam, mas de minha parte, pode ficar em paz.

 

Enfim, Halloween Ends é um filme excelente, carregado de tensão, violência e brutalidade, além de uma trama que novamente presta homenagens ao clássico de John Carpenter e à franquia como um todo. Um filme que cumpre o que promete e entrega um encerramento digno para a trilogia e para a franquia também.



 

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segunda-feira, 12 de setembro de 2022

COMUNHÃO (1976). Dir.: Alfred Sole.

 

NOTA: 9



Em 1974, o diretor Bob Clark lançou Noite de Terror, considerado o primeiro Slasher do cinema, porque foi o primeiro a abordar a questão das datas comemorativas associadas ao gênero.

 

Dois anos depois, foi lançado COMUNHÃO, do diretor Alfred Sole, considerado um dos primeiros exemplares do gênero.

 

Talvez para os mais exigentes, o único mérito desse filme seja o fato de ser o primeiro longa da atriz Brooke Shields, mas, é muito mais do que isso. Ao contrario do que viria depois no gênero, temos aqui um filme muito mais focado no suspense do que nas cenas de morte e no sangue, o que, conforme mencionei em outras resenhas, é muito bom, porque mostra que naquela época, os cineastas estavam muito mais interessados na história no que no sangue.

 

E Comunhão segue isso quase ao pé da letra, visto que temos aqui pouquíssimas cenas de morte – apenas três personagens morrem – e mais momentos de mistério e investigação policial. Aliás, isso é o que mais temos aqui, visto que os incidentes têm inicio após – não é spoiler! – o assassinato da personagem de Brooke Shields na primeira comunhão, uma cena muito pesada.

 

Durante boa parte do filme, somos brindados com cenas da policia investigando o homicídio, interrogando os parentes da menina, fazendo testes de poligrafo na irmã mais velha, etc... Além disso, temos também os demais personagens envolvidos no mistério, entre eles, a Sra. Tredoni, a mulher que cuida dos afazeres da igreja; e o Sr. Alphonso, o desprezível senhorio do prédio onde Alice mora com a família. Os demais eventos se resumem à policia investigando a personagem, e o pai desconfiado da sobrinha, principalmente após outro incidente.

 

Além dos momentos de investigação, o filme é cheio de momentos tensos e pesados, muitos deles envolvendo a família de Alice; a começar pelo fato de que o pai e a mãe são divorciados e se reencontram durante o funeral de Karen, e o clima é carregado de tensão, principalmente sexual, visto que os dois ainda se amam. Juntamente com isso, temos também a complicada relação entre a mãe e a tia de Alice. A tia Annie é uma mulher tipicamente autoritária, que não respeita nem mesmo o momento de luto da irmã e da sobrinha. As cenas dessa personagem são as mais pesadas, tudo graças ao roteiro e a interpretação afiados da atriz.

 

O Sr. Alphonso também é um personagem com momentos tensos, principalmente graças às suas atitudes em relação aos outros personagens; em determinada cena, ele tenta assediar Alice quando a menina lhe entrega o cheque, por exemplo. Uma cena verdadeiramente grotesca que não seria reproduzida hoje em dia...

 

E além dele, temos também a Sra. Tredoni, que cuida dos padres da igreja. Desde sua primeira aparição, fica claro que ela tem algum problema, principalmente com o Padre Tom... Não posso entrar em mais detalhes para não dar spoilers, mas, fica claro que ela é aquele tipo de personagem que usa a fé para justificar seus atos, não importa quão terríveis eles sejam.

 

E para fechar, temos a protagonista, Alice. Assim como os demais, desde sua primeira cena, é possível perceber que há algo errado na menina, principalmente nas cenas em que ela interage com os pais e com a irmã mais nova. A principio, ela aparenta ter ciúmes da irmã, mas conforme o filme avança, a coisa fica mais séria. Ela é, sem duvida, uma das melhores crianças perversas do cinema.

 

E claro, como todo Slasher, temos também a figura memorável do assassino. Aqui, temos um assassino que se veste com uma capa de chuva amarela e usa uma máscara de boneca translucida. E desde o começo, as suspeitas sobre sua identidade caem sobre Alice, visto que a menina tem as mesmas roupas, mas, durante o segundo assassinato, as suspeitas mudam – por motivos de spoiler, não vou revelar o porquê. É um dos melhores assassinos do gênero, e assusta sem o menor esforço.

 

Antes de encerrar, Comunhão é basicamente um filme de terror cristão, visto que a figura dos padres, das freiras e a igreja são presenças recorrentes no longa, o que lhe dá um aspecto até mais pesado, porque é difícil imaginar um Slasher ambientado nesse contexto, além de contribuir para algumas das críticas sociais apresentadas no filme.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Slashers – Vol.4, em versão restaurada sem cortes, após anos fora de catálogo.

 

Enfim, Comunhão é um filme perturbador. Uma trama cheia de mistério e violência, onde nada é o que parece. Um filme que consegue arrepiar sem fazer esforço para isso, com suspense bem construído e um final chocante. Uma trama perturbadora em todos os sentidos. Um dos primeiros exemplares do gênero Slasher e um dos melhores.


Créditos: Versátil Home Vídeo

 

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

O PERVERSO CLÉRIGO (H.P. Lovecraft).

 

NOTA: 8.5



Assim como já elogiei Stephen King várias vezes aqui, também faço meus elogios a H.P. Lovecraft, o autor que o inspirou.

 

Mesmo não tendo seguido o caminho de novelista, Lovecraft era um mestre na arte de contar pequenas historias, sejam elas bem pequenas ou grandes, até.

 

O PERVERSO CLÉRIGO é mais um exemplo de uma historia pequena, mas que consegue prender o leitor.

 

Em poucas paginas, Lovecraft cria uma trama de mistério que rapidamente se transforma em algo inusitado, e leva, tanto o leitor, quanto o seu protagonista, para um caminho sem volta.

 

Pois bem, é isso que acontece com o protagonista – cujo nome nunca é revelado, como de praxe nas tramas do autor – que vai narrando a sua chegada ao sótão, até seu encontro com entidades de outra dimensão, pelo menos, é a minha interpretação; mas isso também não impede de ser uma historia de fantasma.

 

Mas o fato é que o básico da trama é esse. O protagonista entra no sótão, encontra um pequeno objeto e por fim, após tocá-lo, depara-se com o horror.

 

O melhor fica para o final, com plot-twist de cair o queixo ou provocar arrepios.

 

Mas o mais interessante é o mistério presente aqui. Ao meu ver, temos aqui outro caso de um objeto ou lugar maldito, que traz azar para quem estiver com ele. Essa foi a sensação que o conto me passou, visto que o personagem do velho sabia a respeito daquelas entidades, principalmente da entidade que dá nome ao conto. Um mistério assustador, devo dizer.

 

Mas, enfim, O Perverso Clérigo é um ótimo conto de terror, com uma atmosfera de mistério que vai aumentando à medida que a historia avança. A escrita de Lovecraft é o grande atrativo, e o autor prova que mais uma vez consegue contar uma grande historia, mesmo com poucas paginas. 



H.P. LOVECRAFT

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terça-feira, 9 de agosto de 2022

O BICHO-PAPÃO (Stephen King).

 

NOTA: 8.5



Eu já disse várias vezes que Stephen King é um mestre na arte de contar histórias, seja através de livros ou contos.

 

O BICHO PAPÃO, presente na antologia Sombras da Noite, é mais um exemplo da sua genialidade. E que conto.

 

Em poucas páginas, ao autor foi capaz de escrever uma historia verdadeiramente arrepiante, capaz de nos provocar pesadelos.

 

Tudo começa na base da sugestão, narrada pelo protagonista, um homem atormentado pela morte de seus três filhos. Deitado no divã de um psiquiatra, ele vai contando tudo sobre sua vida, desde de seu casamento prematuro, passando pelo nascimento dos filhos e concluindo com suas mortes trágicas; e bem trágicas.

 

A princípio, parece que vamos ler uma historia sobre alguém que assassinou os filhos, conforme ele mesmo diz no começo, mas, conforme a leitura vai avançando, vamos descobrindo que se trata de muito mais. O homem é atormentado por uma criatura que seus filhos chamam de “Bicho-Papão”. E segundo ele, foi o monstro o responsável pela morte dos filhos. E o autor também faz questão de mostrar o quão desagradável é o protagonista, graças a suas opiniões controversas sobre certos assuntos; o que também não nos faz ser tão solidários com ele.

 

E a medida que vamos lendo, vamos mergulhando ainda mais nessa historia de horror, com o personagem contanto em detalhes como os filhos morreram e como ele os encontrou. Eu pessoalmente fiquei arrepiado, visto que o autor não nos poupa de cenas tensas.

 

E de fato temos cenas bem tensas aqui, principalmente que o protagonista descreve os elementos associados ao monstro: um som estranho, um odor peculiar... Tudo descrito com a maestria do Mestre Stephen King. E o melhor ele deixa para o final, mas não vou entrar em detalhes para não entregar spoilers.

 

Enfim, O Bicho-Papão é um conto muito bom. Uma pequena historia de horror com cenas dignas de pesadelos, tudo contado com a maestria que somente Stephen King possui. Uma historia rápida, mas arrepiante, que prende o leitor desde as primeiras linhas e o deixa largar até o final. Um ótimo conto de horror. Altamente recomendado.


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terça-feira, 2 de agosto de 2022

O GATO DE NOVE CAUDAS (1971). Dir.: Dario Argento.

 

NOTA: 9.5



Entre 1970 e 1971, o diretor Dario Argento lançou sua Trilogia dos Animais, que se tornaram um marco no Giallo italiano.

 

O GATO DE NOVE CAUDAS é o filme do meio dessa trilogia, e o meu favorito, embora não seja melhor do que o anterior, o Clássico O Pássaro das Plumas de Cristal (1970).

 

Por que é o meu favorito? Bem, o principal fator é a relação entre os protagonistas, o jornalista Carlo Giordani, e o criador de enigmas Franco Arnò, interpretados por James Franciscus e Karl Malden, respectivamente. Mas não é só isso.

 

O filme é um dos mais bem dirigidos pelo diretor, que aqui começou a apresentar algumas de suas características da carreira. Além disso, temos também uma das melhores variações do Giallo clássico, visto que aqui, não temos a presença das luvas pretas. Conforme mencionei em outras resenhas, eu gosto das variações do gênero, mas prefiro muito mais o clássico, com as clássicas luvas pretas e a navalha. No entanto, O Gato de Nove Caudas me agrada muito por ser um filme do mestre Argento, considerado um dos principais nomes do gênero.

 

Esse é o truque. Eu já vi algumas variações do Giallo, algumas dirigidas por especialistas, mas elas não me agradaram muito. Este aqui é diferente, porque estamos vendo o nascimento do gênero pelas mãos de Dario Argento, então, a meu ver, tais alterações são bem-vindas.

 

Além disso, temos também os personagens, que são muito criveis e simpatizantes, e quando algum morre, é um pouco triste até, porque todos possuem sua importância para a trama. Os melhores são os quatro protagonistas, principalmente a menininha Lori, que acompanha Arnò o tempo todo, porque o personagem é deficiente visual.

 

Além de um Giallo, temos aqui também um filme com elementos de espionagem, visto que após a invasão no instituto, todos começam a suspeitar que foi algo envolvendo espionagem, porque uma das pesquisas era muito secreta, e poderia trazer problemas – a existência do cromossomo XYY, que poderia levar o ser humano a desenvolver tendências criminalísticas, algo que o próprio diretor e o roteirista Dardano Sacchetti pesquisaram antes de desenvolver o roteiro.

 

E a trama toda se desenvolve a partir dessa invasão, porque a partir daí, temos o Giallo clássico, com inúmeros suspeitos, cujas peças vão se encaixando aos poucos, até a conclusão, onde o culpado é revelado. Eu confesso que fiquei surpreso na primeira vez que vi o filme, pois eu não sabia que aquele personagem era o culpado, algo que o gênero faz com maestria, independente do cineasta.

 

E como de costume, temos também os personagens estranhos e engraçados: o barbeiro; Gigi, um ex-condenado especialista em arrombamentos; Morsella, o detetive que adora falar sobre receitas; e alguns dos cientistas do instituto, como por exemplo, o Dr. Braum, que se torna um dos principais suspeitos. Desses personagens, os meus favoritos são Morsella e Gigi, o Perdedor, porque eles protagonizam as cenas mais engraçadas do filme.

 

Temos também o elemento do romance, que se desenvolve entre Giordani e Anna, a filha do dono do instituto, o Dr. Tersi. Pode parecer meio obvio que os dois acabariam se envolvendo, mas eu gosto, acho muito bacana. Os dois protagonizam uma das melhores cenas do filme, uma perseguição de carro por toda a cidade, apenas para despistar a polícia.

 

Mas o que mais impressiona é a técnica. Diferentemente do que veríamos no futuro, aqui temos um Argento ainda em fase de desenvolvimento como cineasta, com seus truques de câmera para simular a presença do criminoso, no caso, a câmera em POV e closes nas pupilas, algo que seria recorrente em sua filmografia. Com sua câmera, o diretor cria cenas verdadeiramente carregadas na tensão, visto que nunca vemos a figura do criminoso, nem mesmo quando há a presença de objetos, como cigarros e seringas, por exemplo. A câmera em POV seria também utilizada por outros diretores nos Gialli futuros, e acabou se tornando também uma característica do gênero; tanto que acabou migrando para os EUA nos Slashers.

 

Além de tudo isso, temos também a relação entre os protagonistas, para mim, a melhor coisa do filme. Desde o primeiro encontro, os dois personagens se dão super bem, e rapidamente começam a investigar o ocorrido, mesmo que isso signifique correr riscos. Como eu disse, é a melhor coisa do filme, e uma inspiração para mim como escritor, porque me lembra de dois personagens que eu e meu irmão criamos quando éramos crianças. Inclusive, essa é outra característica do gênero. Os dois não são policiais e decidem bancar os detetives, porque nos Gialli, a polícia nunca é eficiente, e cabe ao protagonista descobrir a identidade do criminoso. O melhor momento é quando Giordani pede ajuda ao seu amigo Gigi para entrar na casa de Tersi a fim de descobrir alguma pista.

 

E como em todo Giallo, temos as cenas de morte. Aqui, como de costume, o diretor Argento transforma as mortes em espetáculos visuais, principalmente a cena do trem, violenta ao extremo. Mas não se engane, são cenas muito boas de se ver, e o diretor começa a dar os primeiros passos em direção às cenas de assassinatos grandiosos.

 

Não posso concluir essa resenha sem falar da cena mais tensa do filme inteiro, a cena do cemitério. Em determinado momento, Arnò se lembra do relógio que a noiva de uma das vítimas usa, e conclui que ali pode estar a peça-chave do enigma. Então, ele e Giordani vão ao cemitério encontrar o relógio, o que culmina na cena com o jornalista trancado dentro da cripta escura. Mesmo sendo uma cena que dura poucos minutos, é uma cena muito tensa, pois dá para sentir o medo no protagonista. Segundo o roteirista Sacchetti, a cena lhe serviu de inspiração para criar outras cenas tensas no futuro.

 

Como mencionado acima, O Gato de Nove Caudas é o filme do meio da Trilogia dos Animais, produzida entre 1970 e 1971, com todos os filmes dirigidos pelo mestre Dario Argento, que se tornaram clássicos em sua filmografia e no gênero Giallo.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção A Arte de Dario Argento, em versão restaurada com áudio em italiano.

 

Enfim, O Gato de Nove Caudas é um filme excelente. Uma história de mistério com toques de espionagem e cenas de ação que o deixam ainda mais divertido. Um verdadeiro quebra-cabeça, onde as peças vão se juntando aos poucos e revelando o mistério para o espectador. Aqui, temos ainda um Dario Argento em fase de desenvolvimento cinematográfico, mas que mostra sua capacidade como cineasta. Um dos melhores filmes do diretor e um clássico dos Gialli italianos.


Créditos: Versátil Home Vídeo

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 3 (1982). Dir.: Steve Miner.

 

NOTA: 8



Um ano após sua primeira aparição oficinal no cinema, Jason está de volta, desta vez para ficar, ainda em sua melhor forma.

 

Não sei se já comentei isso, mas, para mim, a franquia Sexta-Feira 13 funciona somente com os quatro primeiros filmes e também com o nono filme – um dos meus favoritos. Eu gosto muito da fase inicial da franquia, que era mais focada na trama e no suspense no que nas cenas de morte, ao contrário do que aconteceu com os filmes seguintes; além disso, os primeiros filmes eram bem feitos, e tinham desenvolvimento. Hoje, vou falar sobre o terceiro filme da franquia, lançado um ano após o primeiro: SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 3, também dirigida por Steve Miner.

 

Cria dos anos 80, o filme acabou sendo lançado em 3D nos cinemas, e contou com aqueles efeitos estúpidos de coisas sendo jogadas na tela, mas, mais detalhes adiante.

 

O filme é um dos mais divertidos da franquia, simplesmente porque ele é repleto de situações absurdas, mas, ao contrário dos filmes de hoje em dia, ainda é focado na tensão e no suspense do que nas cenas de morte. Durante boa parte do filme, nós acompanhamos os outros personagens, os jovens que resolvem passar o fim de semana nas cercanias do Crystal Lake, usando drogas e fazendo sexo, algo comum na franquia. Mas apesar disso, nós também podemos ver o vilão, mas somente nas sombras, em planos abertos ou planos fechados. E como disse na resenha do filme anterior, Jason está em sua melhor forma – mais detalhes sobre isso adiante.

 

No entanto, apesar de contarmos com Jason em sua melhor forma, na minha opinião, este já começa a apresentar alguns problemas, principalmente no que diz respeito aos personagens e aos “efeitos” em 3D.

 

Para começar, aqui nós temos personagens completamente genéricos, quase desprovidos de carisma e profundidade. O casal que transa só quer saber disso – principalmente o garoto; temos também um casal de hippies que passa o filme inteiro chapado, além do gordinho que adora fazer piadas para chamar a atenção de todos. Isso sem falar na mocinha, que é completamente sem sal, e, apesar de ter um background com o vilão, não convence. Não sei se o problema foi a escalação da atriz, mas o fato é que ela realmente não funciona, além de ser um pouco caricata. E tem também a questão do background dela com o vilão. Em certo momento da trama, ela relata ao namorado o que aconteceu – uma cena tensa, por sinal – numa noite após brigar com os pais: enquanto descansava aos pés de uma árvore, ela se deparou com um homem deformado que a ameaçou com uma faca; apesar de conseguir lutar com o agressor, ela diz que acabou perdendo a consciência e não se lembra do que aconteceu depois, o que nos leva a pensar que talvez o vilão tenha feito alguma coisa terrível... Eu pessoalmente não sei se é verdade, porque não consigo imaginá-lo cometendo tal ato. Mas, tirando esse detalhe, o medo e a desconfiança da protagonista ficam bem evidentes, e isso é convincente, porque a mostra como uma vítima de uma experiência traumática tentando se reerguer e voltar ao normal, mesmo sendo difícil. Como eu disse, esse detalhe é muito bem explorado, o problema é performance da atriz...

 

E sobre o casal que transa, tem um detalhe. Em certos momentos, é mencionado que a garota está grávida, mas antes, a protagonista brinca com o fato dela precisar ir ao banheiro toda hora, o que leva ao diálogo. Eu não sou um especialista, mas, pelo que eu sei, a mulher grávida vai realmente ao banheiro com certa frequência, mas após o crescimento do feto, porque ele automaticamente aperta a bexiga, mas aqui, a barriga da garota ainda nem cresceu! Então, no meu ponto de vista, foi uma falha do roteiro. Corrijam-me se eu estiver errado. E como mencionei, o garoto passa o filme todo querendo transar com ela, além de ser aquele típico mala que gosta de se exibir.

 

E claro, temos o gordinho e o casal de hippies. O gordinho é o típico inseguro, que não consegue fazer amizade com ninguém, por isso, passa o filme inteiro fazendo brincadeiras com os outros para chamar a atenção de todos, o que chega a ser irritante, falando francamente. E o casal de hippies passa o filme todo fumando maconha. Ou seja, estereótipos ao extremo.

 

Talvez os únicos personagens interessantes – fora o vilão – sejam o namorado da mocinha, a namorada do garoto gordinho e um trio de punks. Eu acho que esses personagens bem melhores que os outros, e francamente, mereciam um pouco mais de destaque no filme, principalmente os punks, que rendem momentos engraçados, além de terem uma caracterização estereotipada até a medula.

 

Mas, vamos falar dos “efeitos especiais”. Conforme mencionado no cartaz e no trailer, Sexta-Feira 13 – Parte 3 foi rodado em 3D, e como consequência, somos bombardeados por cenas de objetos sendo “jogados” na tela. Eu pessoalmente nunca fui fã de filmes em 3D, mesmo os mais antigos, e confesso que tais efeitos me incomodam, não pela qualidade, mas pela quantidade de cenas. Pessoalmente, eu preferiria que o filme não fosse rodado em 3D, e sim em 2D; seria bem melhor. No entanto, também somos brindados com cenas clássicas, como por exemplo a cena do arpão e a cena do olho saltando.

 

E claro, não posso encerrar sem falar da direção e do vilão.

 

Sexta-Feira 13 – Parte 3 foi dirigido por Steve Miner, em sua última participação na franquia, e novamente, o diretor fez um ótimo trabalho. Ele se mostrou novamente um diretor competente, principalmente nas cenas de suspense. Temos aqui ótimos planos abertos, além de movimentos e ângulos de câmera criativos. No entanto, o mesmo não pode ser dito a respeito do elenco, conforme mencionado acima.

 

E claro, temos o vilão. Conforme já mencionei, Jason está novamente em sua melhor forma, diferente do que serie mostrado nos filmes seguintes. Assim como no anterior, temos aqui um Jason atlético, que corre atrás das vítimas, além de ter movimentos ágeis, principalmente quando vai atacar alguém. Além disso, temos aqui, a introdução da famosa máscara de hóquei, que se tornou a marca registrada do vilão. O engraçado é que tal fato acontece de maneira aleatória, porque o assassino passa a usá-la após atacar o garoto gordinho, que a usou para fazer outra de suas brincadeiras. Eu pessoalmente achei tal momento muito aleatório, mas vamos admitir que é muito legal ver o nosso querido Jason com sua máscara pela primeira vez. E claro – AVISO DE SPOILER! temos a oportunidade de ver o rosto dele no final do filme, algo que se tornaria clássico na franquia. E um detalhe importante: a maquiagem do vilão foi criada pelo Mestre Stan Winston! Mesmo não creditado, existem fotos na internet de Winston ao lado do ator caracterizado com a maquiagem. Muito legal. E respectivamente, 16 anos e 17 anos depois (1998 e 1999), Winston voltaria a trabalhar com o diretor em Halloween H2O, criando a máscara de Michael Myers; e em Pânico no Lago, sendo responsável pelo crocodilo.

 

Assim como o anterior, foi distribuído pela Paramount, que possuía dos direitos da franquia, e foi distribuído no exterior, inclusive aqui no Brasil, pelo estúdio, ao contrário do que aconteceu com o primeiro. Foi lançado em VHS e DVD por aqui, mas atualmente está fora de catálogo. Lá fora, recentemente foi lançado em um box gigante em Blu-ray com todos os filmes da franquia; se tal box chegará aqui, talvez nunca saberemos.

 

Enfim, Sexta-Feira 13 – Parte 3 é um ótimo filme. Um dos mais divertidos da franquia, com uma direção competente, além de cenas memoráveis e momentos absurdos. Jason Voorhees está em forma, mostrando sua agilidade e competência como um dos maiores vilões do Slasher, além de apresentar sua famosa máscara de hóquei. Mesmo com seus defeitos, é um filme que consegue divertir e arrepiar sem fazer o menor esforço. Recomendado. 




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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

MORTE NO NILO (2022). Dir.: Kenneth Branagh.

 

NOTA: 9.5



AVISO: Tentarei conter os spoilers.



Em 2017, eu tive o prazer de assistir Assassinato no Expresso do Oriente, primeira excursão de Kenneth Branagh ao universo de Agatha Christie, no cinema com meu irmão. Devo dizer que foi um dos melhores filmes que vi naquele ano, graças à habilidade de Branagh em contar a história, além do elenco estrelar, e é claro, sua própria performance no papel do detetive Poirot.

 

No último sábado, eu tive o prazer de assistir MORTE NO NILO no mesmo cinema, novamente com meu irmão, e digo que este já tem seu lugar na minha lista dos melhores desse ano. No entanto, vou ser sincero aqui. Eu ainda não li o livro, porque estava com outra leitura em andamento, e eu queria assistir esse filme no cinema. Então, aqui está. Dito e feito.

 

Eu me arrisco a dizer que Nilo é melhor que Expresso, principalmente nos quesitos técnicos. Novamente comandando, e estrelando, uma adaptação de Agatha Christie, Branagh se mostrou um diretor competente, arrancando ótimas atuações de seu novo elenco estelar – característica das adaptações das obras da autora – e realizando tomadas de tirar o folego.

 

Primeiro, devo salientar que este é um filme completamente diferente do anterior, principalmente por causa da paleta de cores. Se em Expresso nós tínhamos um filme gelado, com cores escuras e frias, aqui é o oposto; desde o começo, nós somos banhados com cores fortes e quentes, que combinam com o ambiente, no caso, o Egito e o Rio Nilo. E as cores funcionam muito bem e passam a impressão de calor sem o menor esforço, e quando combinadas com o cenário, foram paisagens dignas de fotos, além de algumas sequencias em plano zenital que enchem os olhos.

 

Mas não só isso. Como mencionado acima, Branagh conseguiu mais uma vez reunir um elenco de estrelas para contar sua história, e cada um dos atores desempenha seu papel com maestria, com destaque para Gal Gadot, a nossa Mulher-Maravilha. A atriz mostra tudo de si no seu papel – que não vou dizer qual é – e mostra que pode ser considerada uma das melhores do ramo atualmente – não é exagero. Sua performance mistura alegria e tristeza com perfeição, e, destaco um take em que ela aparece vestida como Cleópatra, em uma possível referência ao vindouro filme da Rainha do Nilo, que ela deve protagonizar. E digo, com toda certeza, que ela merece interpretar Cleópatra, sim!

 

O restante do elenco também surpreende, principalmente Annette Bening e Armie Hammer. Os dois também brilham em seus papeis, mas Annette entrega uma atuação inspirada, misturando ódio e raiva de maneira singular. Armie também brilha no papel do milionário Simon, mesmo com sua pouca presença – talvez um reflexo do que aconteceu com o ator na vida real. Outros astros como Rose Leslie, Jennifer Saunders, Tom Bateman, Russell Brand, Ali Fazal, Letita Wright, Sophie Okonedo e Dawn French completam o elenco de estrelas. Quem também merece destaque aqui é Emma Mackey, no papel de Jacqueline de Bellefort, ex-noiva de Simon, e uma das principais suspeitas. Ela também entrega uma excelente atuação, indo da alegria à loucura de forma impressionante.

 

Mas, deixa eu falar sobre as performances de Gal Gadot e Armie Hammer. Ambos se entregam de corpo e alma aos papeis, e atuam em cenas cheias de glamour e principalmente, química. Seus personagens transbordam química na tela desde a primeira vez que se encontram, e essa química vai percorrendo o filme até o momento chave da trama. E os atores não tem medo de entregar cenas verdadeiramente ardentes. 

 

No entanto, apesar de seu brilho, Nilo foi alvo de uma polêmica, o que pode também ter atrasado seu lançamento nos cinemas. A vítima foi Armie Hammer, que se envolveu em um escândalo envolvendo assédio e até canibalismo, o que provocou seu cancelamento do cinema. Quanto a isso, não posso dar detalhes, porque não acompanhei nada, mas deixo aqui o meu parecer: é uma pena que ele tenha se envolvido em tais escândalos e desaparecido, porque é um grande ator, e quem já viu A Rede Social sabe do que estou falando. Se ele voltará ou não para o cinema, não sei, mas espero que sim.

 

E claro, além de diretor, Branagh também voltou a interpretar Poirot, e ele dá um show. Ele dá vida ao personagem de forma ímpar, destacando suas manias e excentricidades, além de, assim como todos, transitar do sério para o engraçado; e claro, aqui conhecemos um pouco mais do passado do personagem, movido por traumas.

 

Como mencionado acima, Nilo é melhor que Expresso, e espero que não seja a última vez que veremos Kenneth Branagh dando vida ao universo de Agatha Christie no cinema.

 

Enfim, Morte no Nilo é um filme excelente. Um verdadeiro espetáculo visual que enche a tela. Excelentes atuações de um elenco estelar, aliados à direção de Kenneth Branagh, fazem deste um dos melhores filmes do ano e uma das melhores adaptações de Agatha Christie para o cinema. Um filme maravilhoso, cheio de mistério, romance e um pouco de humor. 





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