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segunda-feira, 14 de agosto de 2023

A ÁRVORE DA MALDIÇÃO (1990). Dir.: William Friedkin.

 

EM MEMÓRIA DE WILLIAM FRIEDKIN


NOTA: 8


William Friedkin foi um dos grandes nomes do cinema, responsável por alguns dos maiores clássicos da Nova Hollywood, entre eles, o absoluto O Exorcista (1973), o maior filme de terror de todos os tempos.

 

Mas hoje, não irei falar sobre o clássico absoluto do gênero, e sim, sobre A ÁRVORE DA MALDIÇÃO (1990), segunda incursão do cineasta no gênero.

 

Mesmo sendo considerado um filme menor de sua carreira, este é um ótimo filme de terror, com uma atmosfera de conto de fadas macabro, misturado com altas dozes de gore.

 

Esse filme para mim representa uma certa doze de nostalgia, não porque eu assisti muito na infância, mas por causa do VHS da saudosa CIC Vídeo, com aquela imagem negra contra a luz azul; tal imagem me impactava sempre que eu ia a locadora, e me deparava com ela, na seção de filmes de terror.

 

Não sei qual a opinião de muitas pessoas, mas eu gostei muito do filme na primeira vez que vi, e gostei um pouco mais na segunda vez, principalmente das cenas envolvendo os lobos – mais detalhes adiante.

 

Mesmo tendo fincado seu lugar no hall dos grandes diretores de todos os tempos, não dá para negar que aqui temos de fato um filme menor do cineasta, que meio que se perde em sua filmografia, talvez porque, por ser um filme de terror, talvez as pessoas esperassem algo no mesmo nível de O Exorcista, mas não é esse o caso, porque temos aqui um filme diferente, com atmosfera e ambientações diferentes; e talvez seja por isso que muitas pessoas não gostam dele.

 

Eu não sou uma dessas pessoas, e considero este um dos filmes de terror mais notáveis dos anos 90, década em que o gênero estava fadado ao esquecimento, visto a quantidade de produções questionáveis – salvo exceções – que eram lançadas naquele período – especialistas podem contextualizar com mais clareza do que eu.

 

Bom, mas do que se trata o filme? A Árvore da Maldição se trata, em sua essência, de uma criatura que sacrifica bebês para uma arvore amaldiçoada. Já nos créditos de abertura, temos um breve texto sobre sacerdotes da religião druida, que idolatravam as arvores, e às vezes, sacrificavam pessoas para elas. E é isso que temos aqui; uma história sobre uma criatura mitológica que realiza sacrifícios humanos. Simples, não? Pois bem, além disso, temos também uma típica história de uma babá perversa, algo, na minha opinião, que torna o terror desse filme ainda maior.

 

Maior porque, se tirarmos a questão da criatura mitológica, podemos encaixar esse filme na categoria do suspense, porque, em certo momento, ficamos sabendo de um incidente assustador envolvendo a babá e a criança que estava sob seus cuidados. Dois anos depois, o tema de babá psicótica seria aproveitado no filme A Mão que Balança o Berço, com Rebecca de Mornay.

 

Mas voltando ao filme de Friedkin, eu gosto da ideia de uma criatura mitológica se infiltrando na casa de uma família para realizar um sacrifício humano. Temos uma subversão do tema da babá psicótica, além de termos também uma espécie de conto de fadas de horror, visto a presença do clássico João e Maria no longa.

 

Bom, deixe-me falar da técnica. Não é novidade para ninguém que Friedkin era um grande diretor, e aqui ele não faz feio. Seu elenco está muito bem, principalmente a atriz Jenny Seagrove, no papel da ninfa Camilla. A fotografia também é muito boa, principalmente nas cenas noturnas envolvendo a ninfa e a árvore; e os efeitos especiais também merecem menção, principalmente na sequência em que três bandidos são trucidados pela arvore maldita. Os bebês e os rostos encravados na árvore também merecem destaque, principalmente os bebês, que chegam a ser chocantes.  

 

Apesar do casal protagonista ter mais destaque, na minha opinião quem rouba a cena é Jenny Seagrove. Sua Camilla é uma grande personagem, passando tanto a doçura quanto a maldade que o roteiro e a direção pedem; além disso, ela se mostra também muito sedutora, visto que vez ou outra, invade os sonhos de Phil.

 

Como mencionado acima, A Árvore da Maldição é um filme carregado de gore, e podemos ver isso na sequência em que três bandidos são massacrados pela árvore. Friedkin não poupa o espectador de cenas grotescas, com membros decepados e pessoas sendo empaladas e literalmente devoradas. Mais para frente, temos outro exemplo, quando Phil utiliza uma motosserra na árvore, e literalmente decepa seus membros, num verdadeiro banho de sangue.

 

Também conforme mencionado, o filme possui outras grandes sequencias, desta vez envolvendo lobos negros. Eu adoro lobos, e é sempre um prazer vê-los no cinema, e aqui, Friedkin não decepciona. Os lobos, possivelmente guardiães da árvore maldita, dão um show quando entram em cena, principalmente quando atacam os personagens, tanto um secundário em sua casa – outra cena carregada no gore – quanto o casal protagonista, numa sequência que me lembrou o final de Lobos (1981), por sinal.

 

No entanto, apesar de ser um filme muito bom, A Árvore da Maldição foi uma produção conturbada. Segundo informações da internet, o diretor Sam Raimi estava inicialmente cogitado, mas desistiu para comandar Darkman – Vingança Sem Rosto, então, Friedkin foi chamado. Mas os problemas continuaram, porque todos ficaram entusiasmados por ser o segundo filme de terror do cineasta, então, com certeza, estavam esperando algo na mesma linha de O Exorcista. Mas não foi isso que aconteceu.

 

Após sua contratação, Friedkin fez alterações no roteiro, que, segundo ele, seria focado em uma babá que sequestra crianças, mas o estúdio queria algo voltado para o sobrenatural. Então, Friedkin e mais um roteirista fizeram novas alterações, mas mesmo assim, os problemas não acabaram, porque o roteiro passaria a ser escrito enquanto o filme estava sendo rodado. No final, o filme não obteve grandes resultados de bilheteria, mas hoje em dia possui um status de cult. A coisa piorou com uma versão lançada para a TV a cabo, que desagradou Friedkin, que pediu para ter seu nome desvinculado do projeto. O próprio Friedkin aparentava ter sentimentos conflitantes sobre o filme, dando apenas uma entrevista sobre o longa, onde relatou sobre o que o inspirou a fazê-lo, no caso, um incidente envolvendo sua família e uma babá.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror – Volume 13, após anos fora de catálogo.

 

William Friedkin nos deixou em Agosto deste ano, mas seu nome está sempre gravado no hall dos grandes cineastas de todos os tempos. Seu legado será eterno.

 

Enfim, A Árvore da Maldição é um filme muito bom. Uma historia sombria e assustadora, com toques de conto de fadas, misturado à técnica milenar do diretor William Friedkin. O elenco também merece menção, principalmente Jenny Seagrove, em uma interpretação arrepiante como a babá perversa; e os efeitos especiais também, caprichados no gore. Um filme que merece ser redescoberto. Recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo.

 

segunda-feira, 3 de julho de 2023

A BELA E A FERA (1978). Dir.: Juraj Herz.

 

NOTA: 9


A Bela e a Fera é um dos contos de fadas mais famosos de todos os tempos, tendo rendido algumas adaptações, seja na literatura, seja no cinema. Dentre as mais famosas, destacam-se a versão da Disney, lançada em 1991, que se tornou o primeiro filme de animação a concorrer ao Oscar® de Melhor Filme; ao seu lado, podemos colocar também a versão francesa de 1946, dirigida por Jean Cocteau.

 

Mas hoje não estou aqui para falar de nenhuma dessas versões, mas sim, de A BELA E A FERA, produção tcheca, lançada em 1978, e dirigida pelo experimental Juraj Herz.

 

Vou ser honesto aqui. Se você está pensando que este filme é próximo à versão colorida da Disney, esqueça. Aqui temos uma versão sombria e gótica, um verdadeiro filme de terror.

 

Eu digo que é um dos filmes mais bonitos e mais assustadores que já vi, graças ao estilo experimental do diretor Juraj Herz, um dos grandes nomes do cinema tcheco.

 

O filme é, acredito, uma adaptação próxima de uma das versões originais, visto que aqui, o personagem do comerciante – batizado aqui de Otec – tem três filhas, e duas delas estão prestes a se casar; sua filha mais nova é solteira e opta por ajudar o pai. Bem, como ainda não li as versões originais, não posso dizer se o roteiro do longa é próximo da fonte original.

 

O que posso dizer é que Herz fez uma versão bastante assustadora e sombria, sempre envolta na escuridão, apostando no clima de tensão para provocar medo no espectador; e isso ele consegue fazer muito bem. Eu já vi o filme algumas vezes, e toda vez que vejo, eu fico realmente assustado, graças à atmosfera gótica do mesmo.

 

E toda vez que eu vejo o filme, eu tenho uma sensação de desconforto, principalmente com a sequencia da floresta, com a caravana que está transportando pedras preciosas e outros itens. Eu sempre tenho a impressão de que tais sequencias foram difíceis de fazer, principalmente por causa da locação; a floresta lamacenta e a ambientação noturna, além dos ângulos e closes nos personagens.

 

A câmera de Herz é um dos destaques do filme – também presente em seus outros filmes de horror – com suas lentes grande-angulares, sempre focando no POV do personagem, que deixam o filme ainda mais assustador e desconfortante. Mas não se engane, o estilo do diretor é muito bom, e além de deixar o filme desconfortante, consegue deixa-lo bonito.

 

Além da câmera, a fotografia também contribui para isso, sempre deixando o filme imerso na escuridão, como mencionei acima. Eu não sei como tais cenas foram rodadas, mas parece que o cineasta não utilizou luzes artificiais. Aliado à fotografia, o design de produção também merece menção, principalmente o castelo da Fera. O lugar é digno daquelas historias de castelo assombrado, visto que é um lugar abandonado, com seus móveis formados por criaturas magicas. Novamente, como não sei se tal fato está de fato presente nas narrativas originais, mas o mesmo foi aproveitado pela Disney na sua versão clássica. Mas, ao contrario da versão Disney, aqui o castelo e seus móveis mágicos dão medo, graças à fotografia e os efeitos especiais.

 

Os efeitos especiais também funcionam, principalmente o visual da Fera. Ao contrario do que conhecemos, o diretor Herz optou por adotar um visual de pássaro para dar vida à sua Fera, e a coisa funciona. A Fera é verdadeiramente assustadora, com sua roupa negra e capa que lembra um par de asas e suas garras afiadas. E assim como nas versões originais, a Fera se apaixona pela mocinha, e faz de tudo para não mata-la, porque se ele o fizer, poderá se libertar da maldição. A maldição da Fera não é muito explorada aqui, e francamente, não faz muita diferença, porque, para quem conhece a história, já sabe como o príncipe ficou como ficou. E o ator que a interpreta, Vlastimil Harapes, não faz feio, passando toda a angustia do personagem com naturalidade.

 

A mocinha, Julie, também merece uma menção, porque, ao lado da Fera, é a melhor personagem do filme. A atriz que a interpreta, Zdena Studenková, também dá um show de atuação, e passa toda a ingenuidade virginal da personagem, principalmente quando ela interage com a Fera. Minha cena favorita é quando Julie está conversando com a Fera no escuro, após ter uma visão do pai numa festa, e a Fera lhe pergunta se deve ir embora, e Julie diz que não. Zdena é dona da cena, principalmente do take em close do seu rosto. E finalmente, quando Julie vê o rosto verdadeiro da Fera, a atriz passa tudo que o diretor deve ter solicitado a ela.

 

E o final do filme é maravilhoso, e mostra o que aconteceu com Julie e a Fera. Esse é um detalhe que eu acho interessante sobre o filme; as irmãs de Julie se casaram com condes pobres, enquanto ela mesma se casou com um príncipe e virou princesa.

 

E para finalizar, deixo aqui a minha menção à sequencia de créditos, composto por pinturas sinistras e uma trilha sonora sombria, que sempre me deixa arrepiado.

 

Juntamente com A Bela e a Fera, o diretor Herz fez mais dois filmes de horror, todos assustadores, desconfortantes e lindos: Morgiana (1972) e O Cremador (1969), todos realizados com o estilo experimental do diretor.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror Vol.14, que conta com um depoimento do diretor como extra.

 

Enfim, A Bela e a Fera é um filme excelente. Uma versão gótica e sombria do clássico conto de fadas, que consegue assustar ainda mais a cada revisão. O estilo experimental do diretor Juraj Herz é um dos atrativos do filme, com suas lentes grande-angulares e fotografia sombria, combinados a grandes efeitos especiais e ambientação gótica e um elenco afiado. Uma das melhores versões do clássico conto de fadas e um dos filmes mais assustadores e lindos que já vi. Altamente recomendado.



Créditos: Versátil Home Vídeo.

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sábado, 11 de junho de 2022

A HORA DO PESADELO 5 – O MAIOR HORROR DE FREDDY (1989). Dir.: Stephen Hopkins.

 

NOTA: 8



Em 1984, quando lançou A Hora do Pesadelo, Wes Craven não sabia o quão importante seu filme seria para o gênero, e o quão popular o seu vilão, o assassino Freddy Krueger, se tornaria ao longo dos anos. O sucesso do primeiro filme motivou os donos da New Line a transformar o filme em uma franquia.

 

Um ano após O Mestre dos Sonhos, a distribuidora lançou A HORA DO PESADELO 5 – O MAIOR HORROR DE FREDDY, comandado por Stephen Hopkins, marcando o retorno de Alice Johnson, após derrota-lo no filme anterior.

 

Bem, vou ser sincero aqui. Ao contrário do que muitos dizem, eu gosto desse filme, principalmente porque ainda mantém o grau de qualidade da franquia, além de trazer a protagonista Alice de volta, e trazer novas formas criativas para Freddy matar suas vítimas; além, é claro, da expansão da história do maníaco, e a ideia de que desta vez, ele não está matando nos sonhos dos jovens, e sim, nos sonhos do bebê não-nascido de Alice.

 

Segundo a produtora Sara Risher, a ideia original era trazer temas mais pesados, como o aborto, mas, devido a diferenças criativas, a ideia foi alterada e novos roteiristas foram chamados, o que, infelizmente, acabou trazendo problemas para o filme.

 

Mas mesmo assim, eu acho a temática interessante, visto que desta vez, os jovens protagonistas estão perdidos e precisam encontrar uma nova maneira de destruir o vilão, algo que é revelado logo após a sua ressurreição.

 

Sobre essa cena, posso dizer que é uma das mais bizarras da franquia, visto que tudo começa com um bebê deformado e termina em uma versão ainda mais deformada do vilão, que pessoalmente, me incomoda um pouco, mas não tanto a ponto de acabar com a minha experiência toda vez que assisto. Também posso dizer que nessa cena, temos um pouco do Freddy Krueger diabólico do primeiro filme, mas temos também a volta dos toques de humor negro, ainda que reduzidos, em comparação ao filme anterior. No entanto, uma coisa não me agrada nessa cena: o tamanho das garras afiadas do vilão. Mesmo que dure poucos segundos, as garras são mostradas exageradamente grandes, em comparação ao restante da franquia. Felizmente, esse erro é corrigido com o passar do filme.

 

Além do retorno em grande estilo do vilão, temos a volta de Alice e Dan, o casal protagonista do filme anterior. Novamente, esse é um toque que me agrada na franquia, a possibilidade de tornar Krueger, uma entidade universal, que ameaça os pesadelos de todos. E acho que posso dizer, sem medo de errar, que Alice se tornou uma das melhores final-girls da franquia ao lado de Nancy. E aqui, não temos a garota perdida, que não sabe como lidar com a ameaça do assassino dos sonhos; pelo contrário, quando descobre que Freddy está vivo novamente, Alice rapidamente pede ajuda ao seu novo grupo de amigos, pois a essa altura, ela sabe do que o assassino é capaz.

 

E como de costume, temos novamente cenas de morte criativas, uma para cada vítima especifica. A melhor, sem dúvida, é quando – Spoiler! – Dan é fundido à uma moto antes de morrer, transformando-se numa criatura grotesca com efeitos de Body Horror dignos de arrepios. A segunda melhor é a do garoto viciado em quadrinhos, que acaba sendo morto da forma mais criativa possível, mas não sem antes de enfrentar o Super Freddy, uma versão em HQ do vilão, e talvez, uma das figuras mais lembradas do filme.

 

Além das cenas de morte criativas, temos também os pais que não se importam com os filhos, pois não acreditam em seus medos, marca registrada da franquia, que retornaria no filme seguinte. A pior deles é a mãe de Greta, que sonha em transformar a filha em uma Top Model, obrigando-a a passar por situações humilhantes, apenas para satisfazer seus caprichos, conforme mostrado na horrorosa cena do jantar. Os pais de Dan também não ficam atrás, e mostram que não se importam com Alice quando tentam tirar seu filho, a fim de cria-lo como se fosse seu. Horrível.

 

Além dessas duas características, temos também a volta dos cenários e cenas mirabolantes, mergulhados no surrealismo. Sem dúvida, aqui temos algumas das cenas mais surreais da franquia, visto que o diretor optou por gravá-las com o auxílio de lentes distorcidas, principalmente na cena do manicômio, onde vemos o terrível destino de Amanda Krueger. As outras cenas de pesadelo possuem quase o mesmo aspecto, além de serem mergulhadas nas cores pulsantes e luzes fortes. Novamente, um belo exemplo da marca do cineasta escolhido para comandar o filme.

 

Aliás, vale ressaltar que A Hora do Pesadelo 5 foi um filme marcado por problemas nos bastidores, visto que a equipe teve um tempo muito apertado para produzir o filme, além de alterações no roteiro, que era escrito às pressas, principalmente o final, que, na minha opinião, não foi tão satisfatório quando nos filmes anteriores, apesar da boa estratégia apresentada, a presença de Amanda Krueger.

 

Antes de encerrar, quero destacar novamente o vilão Freddy Krueger. Não é novidade nenhuma que ele é a melhor coisa da franquia, e aqui, ele continua afiado. E claro, tudo isso se deve ao astro Robert Englund, que também aparece sem a maquiagem na horrorosa cena do manicômio. A caracterização do personagem continua muito boa, tudo porque trouxeram David Miller de volta, então, pode-se dizer que aqui, temos um visual mais ou menos – mais ou menos!! – próximo ao visual do primeiro filme. Além disso, eles não se esqueceram de apresentar as garras arranhando canos de aço. E a sequência da derrota do vilão também é muito legal, novamente com o vilão se transformando em uma coisa disforme.

 

A Hora do Pesadelo 5 foi lançado em 11/ago/1989, e conseguiu arrecadar ótimos resultados na bilheteria, apesar das críticas negativas. A franquia foi lançada em VHS, DVD e Blu-ray no Brasil ao longo dos anos, mas atualmente, está fora de catálogo.

 

Enfim, A Hora do Pesadelo 5 é um ótimo filme. Um longa que traz de volta os elementos clássicos da franquia, juntamente com a protagonista do filme anterior, além de novos detalhes sobre o passado do vilão. Robert Englund mais uma vez entrega uma ótima performance, e Freddy novamente faz uso de métodos criativos para matar suas vítimas. Um filme muito divertido. 




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sexta-feira, 8 de abril de 2022

A HORA DO PESADELO (1984). Dir.: Wes Craven.

 

NOTA: 9.5



Na década de 80, o gênero Slasher já apresentava sinais de desgaste, graças a filmes de baixa qualidade e sequências duvidosas de grandes clássicos do gênero. Mas, eis que em 1984, o diretor Wes Craven brindou o gênero com aquele que seria o filme que o mudou para sempre: o Clássico A HORA DO PESADELO.

 

Acredito que dizer qualquer coisa desse filme seria chover no molhado, mas, o fato é que este é um dos maiores Slashers de todos os tempos, graças à trama inovadora para o gênero, além de ter introduzido um dos grandes monstros do cinema de horror moderno: o maníaco Freddy Krueger, que viria a se tornar um dos maiores vilões do cinema e um dos ícones da Cultura Pop.

 

Bom, vamos ser sinceros. A Hora do Pesadelo é um filme excelente. O diretor Wes Craven teve como base, relatos de pessoas no Camboja que tinham pesadelos e por isso tinham medo de dormir, cominando na morte de um deles; além do medo que um mendigo que vivia perto de sua casa lhe dava quando criança. O roteiro de Craven é espetacular, misturando fantasia e realidade com maestria, além de mostrar os problemas de sua protagonista com os pais separados.

 

Os conflitos entre a protagonista e seus pais é um dos pontos altos do filme, e dão um ar mais real ao filme e um clima de falta de esperança, obrigando Nancy e os jovens a agirem por conta própria. A personagem Tina também é um exemplo, com sua mãe claramente ausente, que leva homens para casa e assim como todos os outros, não se importa com os pesadelos da filha; e o mesmo vale para os outros adultos do longa.

 

No entanto, uma das melhores coisas do filme é a sua atmosfera. O roteiro de Craven, combinados com a fotografia, nos deixam em dúvida sobre o que é realidade e o que é sonho. A fotografia fez um excelente trabalho em combinar o mundo real com o mundo de fantasia e isso fica ainda melhor a cada revisão do filme, além de dar a impressão que os jovens estão sempre presos no mundo dos sonhos.

 

E claro, não dá para falar sobre esse filme sem mencionar o seu vilão. Freddy Krueger é o melhor personagem do filme, sem a menor dúvida. Seu visual icônico, com o suéter verde e vermelho, o chapéu e as garras, marcou-o para sempre como um dos maiores personagens do cinema de horror e um dos grandes ícones da Cultura Pop. O melhor é que Craven soube quando colocá-lo em tela, deixando-o quase sempre nas sombras, mostrando apenas detalhes do personagem. Mas não se engane, isso nos deixa ainda mais curiosos para saber quem é o vilão. E a atuação de Robert Englund contribui para tudo isso.

 

A trilha sonora também é muito boa, principalmente nos momentos de terror e nos consegue deixar arrepiados.

 

Como todo exemplar do gênero Slasher, temos também grandes cenas de morte por aqui. Felizmente, o filme não é cheio de cenas de morte do começo ao fim; as vítimas morrem no tempo certo, investindo mais na história, algo que faz falta hoje em dia. Temos aqui três cenas de morte. A primeira é de Tina, que morre em seu quarto, carregada pelo vilão pelas paredes e pelo teto. O segundo é o namorado dela, Rod, que é enforcado na cela com o lençol da cama. Mas nenhuma delas supera a morte do namorado de Nancy, interpretado por um estreante Johnny Depp: seu personagem é engolido pela cama, que em seguida se transforma num vulcão de sangue.  

 

A Hora do Pesadelo foi lançado em 9/nov/1984 e tornou-se um sucesso de crítica e de bilheteria. O filme foi responsável por introduzir Freddy Krueger na Cultura Pop, transformando-o em um dos maiores vilões do cinema. O personagem ocupa a 40ª posição na lista dos 50 Maiores Vilões do Cinema do American Film Institute. Recentemente, o filme foi escolhido para preservação pela Biblioteca do Congresso. O filme gerou seis continuações, além de diversos produtos derivados.

 

Wes Craven faleceu em 30/ago/2015. Até hoje, A Hora do Pesadelo é considerado como um dos seus melhores filmes, além de ter sido o responsável por revitalizar o subgênero Slasher.

 

Atualmente, a franquia está fora de catálogo no Brasil.

 

Enfim, A Hora do Pesadelo é um filme excelente. Uma trama assustadora e sombria com toques de originalidade ímpar. Uma direção e roteiro inspirados, combinados com um elenco afiado, fazem deste um dos grandes clássicos do terror de todos os tempos. Freddy Krueger se tornou um dos maiores vilões do cinema e um dos marcos da Cultura Pop. A obra-prima do diretor Wes Craven. 




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sábado, 12 de fevereiro de 2022

A MANSÃO DO INFERNO (1980). Dir.: Dario Argento.

 

NOTA: 9.5



Dario Argento é um dos grandes nomes do cinema de horror italiano. Nos primeiros anos de carreira, lançou grandes clássicos do gênero, entre eles, a Trilogia dos Bichos (1970-1971), além de Suspiria (1977) e Prelúdio para Matar (1975), sua grande obra-prima, e o maior Giallo de todos os tempos. 

 

Em 1980, Argento se uniu ao mestre do terror italiano, o Maestro Mario Bava, e juntos, produziram A MANSÃO DO INFERNO, o filme do meio da Trilogia das Mães, iniciada com Suspiria (1977). O que posso dizer sobre esse filme? Bem, vou ser claro: é um dos meus filmes favoritos do diretor, e também um dos seus melhores.

 

Inferno é um filme belíssimo, um verdadeiro espetáculo visual, e motivos para isso não faltam. Mais uma vez, Argento se mostra um mestre na direção, e também se mostra um grande contador de histórias, uma vez que aqui entrega mais um grande filme, do jeito que ele sabia fazer na época.

 

O diretor faz um dos seus melhores filmes, uma rara excursão no terror, visto que na época ele era mais conhecido por seus exemplares do Giallo, gênero que o consagrou no cinema. E aqui, fica evidente a presença do gênero, até porque, acredito que era difícil para o diretor se distanciar do mesmo, e sinceramente, eu não vejo nenhum problema nisso; na verdade, é algo até natural.

 

Inferno é um verdadeiro espetáculo visual, e grande parte se deve à fotografia. O filme é muito colorido, com cores que pulsam na tela, principalmente o azul, o vermelho e o rosa, cores utilizadas por Bava no seu O Chicote e o Corpo (1963); e graças a isso, o filme mais parece um longa do Maestro do que um longa de Argento. Além da fotografia, Bava também trabalhou na equipe de produção do filme.


O Maestro foi responsável pelos efeitos especiais, e também foi diretor da segunda equipe, além de ter substituído Argento na direção quando o mesmo precisou se afastar por problemas de saúde. Algumas das cenas comandadas pelo Maestro são as cenas debaixo d’água e a sequência dos ratos. E há até uma foto de bastidores onde ambos dividem o set de filmagens.


Inferno foi o último filme que contou com a colaboração de Mario Bava; o Maestro faleceu em 27/abr/1980.

 

Com certeza, o fato de ter sido o filme onde ambos trabalharam juntos, faz deste um verdadeiro deslumbre, e também deve servir como atrativo para os fãs do terror italiano, porque, conforme mencionado acima, o diretor Argento estava em alta na época, e entrega grandes filmes; e quanto ao Maestro Bava, não há comentários.




Inferno marcou uma nova parceria do diretor com sua companheira, a saudosa Daria Nicolodi, aqui no papel de atriz. A atriz entrega uma ótima atuação, no papel de uma condessa decadente e de saúde frágil, que se alia ao protagonista em sua busca por sua irmã. Além dela, temos ótimos atores, entre eles, a atriz Alida Valli, que já trabalhou com o diretor em Suspiria, além de ter trabalhado com o Maestro em Lisa e o Diabo (1973); a atriz interpreta a misteriosa senhoria do prédio, e sua performance é digna de calafrios. Outros como Feodor Chaliapin Jr.; Ania Pieroni; Irene Miracle e Gabriele Lavia também entregam grandes atuações, em papéis secundários, mas muito importantes para a trama.



Conforme mencionado acima, Inferno é o filme do meio da Trilogia das Mães, iniciada com Suspiria (1977) e concluída com A Mãe das Lágrimas (2007), que infelizmente, marca a fase decadente do cineasta. Recentemente, surgiram boatos a respeito da jovem que segue o protagonista na sequência da aula de música, interpretada por Ania Pieroni. Dizem que a personagem é a Mãe das Lágrimas em sua juventude. Quanto a isso, não sei o que dizer; o que posso dizer é que a atriz tem presença forte, com seus grandes olhos verdes.



Outra coisa que me atrai nesse filme, além da fotografia colorida, é o som. Sério, os efeitos de som aqui são maravilhosos e enchem os ouvidos, principalmente o som dos passos.

 

Além do som, é notável a habilidade de Argento em dar destaque para coisas “sem importância”, como por exemplo, a chuva e cacos de vidro, assim como fizera em Suspiria. Sobre a sequência da biblioteca, o que chama a atenção é o modo como as gotas caem na roupa de uma personagem, além do modo como a água cai do céu. Maravilhoso.

 


Conforme mencionado, Bava dirigiu a famigerada sequência dos ratos, uma sequência repugnante, onde os animais surgem aos poucos de um cano de esgoto, até o cobrirem por completo. Eu pessoalmente tenho PAVOR DE RATOS, e se estivesse presente na cena, ficaria muito, mas muito nervoso. Mas voltando a sequência, posso dizer que a punição que o personagem ali presente merece, porque ele é cruel com alguns gatos que invadem seu estabelecimento. Não sou fã de gatos, mas admito que o que ele faz com eles é cruel. A cena do esfaqueamento é digna do trabalho de Argento, que lembra muito seus Gialli anteriores, apesar de parecer um pouco deslocada. Eu pessoalmente faço uma comparação com a cena do cachorro em Suspiria, onde o animal foi tomado por forças sobrenaturais; aqui, acredito que não é diferente.

 


Sobre a cena como um todo, ela digna de um filme do Maestro, com as cores pulsantes e a luz que se projeta por detrás da árvore. Além disso, é rodada em grandes planos gerais, onde fica impossível focar em uma única coisa em particular.

 


Bem, aqui temos também outra amostra do gosto que Argento tem por gatos, conforme mostrou logo na Trilogia dos Bichos. Aqui, os animais fazem um estrago com uma das personagens, com direito a closes extremos de suas patas e garras afiadas se projetando para fora; além disso, a cena também apresenta elementos de Giallo, conforme dito diversas vezes aqui. 

 


Para encerrar, quero destacar a trilha sonora, composta pelo falecido Keith Emerson, com destaque para Mater Tenebrarum, presente na cena em que Mark, o protagonista, se arrasta pelo interior do prédio, trilha essa que se repete nos créditos finais. Além da trilha de Emerson, temos também trechos com ópera, principalmente a ópera de Verdi – Va’ pensiero, de Nabucco. A mesma toca em momentos chaves da trama, e pessoalmente, eu acho muito bonito. 

 

E por fim, quero deixar aqui as minhas impressões a respeito da Mãe das Trevas, principalmente da sua forma final. A mesma é interpretada pela atriz Veronica Lazar, que também atuou em Terror nas Trevas (1981), de Lucio Fulci; mesmo com pouca presença, ela consegue passar um ar de mistério, principalmente quando está junto de um velho cadeirante. E sua forma final é muito bonita; o mesmo vale para a maquiagem dos seus servos, com suas mãos putrefatas com unhas compridas e afiadas.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, em belíssima versão restaurada com áudio em italiano, na coleção Obras-Primas do Terror Vol.2, dedicada ao terror italiano.

 

Enfim, A Mansão do Inferno é um excelente filme do diretor Dario Argento. Um verdadeiro espetáculo visual, com cores que pulsam na tela e deixam o filme mais bonito, além de outros aspectos que contribuem para deixa-lo ainda melhor a cada revisão. A união de Dario Argento com o Maestro Mario Bava é o grande fator que chama a atenção para este filme, além da habilidade de Argento como diretor e roteirista. Um espetáculo de cores e som. 



Créditos: Versátil Home Vídeo



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sexta-feira, 26 de março de 2021

EVANGELHO DE SANGUE (Clive Barker).

 

NOTA: 8



Não há duvidas que o universo de Hellraiser, criado pelo escritor Clive Barker, é um dos mais ricos do terror. Em Hellraiser, o autor deu uma pequena amostra de como esse universo funciona, apresentando aquele que seria o personagem principal desse universo: o Cenobita Pinhead. Além disso, Barker mostrou que não estava para brincadeira, e criou uma historia banhada em sangue e sexo.

 

EVANGELHO DE SANGUE é mais uma historia do autor ambientada nesse universo, e também serve como uma espécie de prequel dos eventos narrados em Hellraiser. Aqui, o autor apresenta os dois principais elementos do universo de Hellraiser: a caixa de Lemarchand e o próprio Pinhead, descrevendo ambos nos mínimos detalhes, ao contrario do que fizera no livro anterior. Mas não é só isso.

 

Em Evangelho de Sangue, Barker mostra mais uma vez que é um escritor afiado, com uma escrita que penetra na mente do leitor com uma força impressionante. As descrições que ele faz dos cenários é muito bem feita, e não fica difícil para o leitor imaginá-los em sua mente; o mesmo vale para as cenas ambientadas no Inferno, quando Harry e seus amigos vão resgatar Norma. Não sei como foi para os outros leitores, mas eu consegui visualizar aquele Inferno como um lugar de fantasia, com um tom branco ou cinza, ou invés do tradicional vermelho. Barker o descreve quase como uma espécie de jardim morto, com tudo que tem direito. O mesmo vale para os demônios. Eles são descritos como criaturas humanoides, mas sem os chifres e asas de morcego. Sem duvida, uma visão diferente e original.

 

E da mesma forma que fizera no livro anterior, Barker começa a historia com os dois pés no peito, apresentando cenas grotescas de violência e sexo já no prologo. E o restante da historia vai pelo mesmo caminho. Durante toda a leitura, o leitor não é poupado de cenas dignas de pesadelos, com toques grotescos de violência, e principalmente, sexo. Isso mesmo. Barker mistura sangue e sexo em todos os momentos, de uma forma assustadoramente natural, e cada vez que isso acontece, é chocante, e o autor não mostra pudor nenhum, principalmente quando descreve o que as criaturas estão fazendo com seus “membros” – para usar um termo “leve”. É praticamente um terror pornográfico.

 

E falando em terror, novamente, esqueça os torture porn da vida: as cenas de horror descritas por Barker são dignas de pesadelo, com o sangue escorrendo aos montes; claro, não chegam aos pés do livro anterior, mas conseguem ser quase tão grotescas quanto – não há outra palavra para descrever. Com certeza, não é tipo de leitura recomendada para leitores de coração fraco.

 

Os personagens humanos são muito bons e quase parecem pessoas reais, com a diferença que todos têm ligação com o sobrenatural, principalmente o protagonista, o detetive Harry D’Amour. Desde que ele surgiu na historia, eu o visualizei como um detetive particular de filme noir, com o casaco e o chapéu. Aliás, as cenas de investigação do personagem quase parecem com cenas de um filme noir, daqueles clássicos, estrelados por Humphery Bogart. Os outros personagens também são bem descritos, cada um com sua característica própria.

 

No entanto, apesar de contar uma historia muito boa, Barker cometeu alguns erros. O primeiro deles acontece no prologo, quando ele apresenta um demônio-fêmea que nasceu em uma cena grotesca. Eu achei que aquela personagem seria relevante para a historia, mas ela simplesmente desaparece. Eu pelo menos não consegui reencontrá-la. Outro ponto negativo acontece no Inferno, quando Pinhead comete um ato de violência contra Norma, ato esse que não faz parte de seu repertorio. E eu também achei a historia de Lúcifer incompleta.

 

Aliás, esse é outro ponto. Barker criou um universo tão original para os Cenobitas, com um deus próprio, o Leviatã e também o Engenheiro, e aqui, ele apresenta justamente Lúcifer como líder do Inferno. Apesar de descrever uma batalha épica entre ele e Pinhead, eu achei que o autor poderia ter utilizado outra criatura para comandar o Inferno, até porque, como eu disse, a descrição do Inferno não combina com a imagem clássica que temos dele.

 

No entanto, devo dizer que o autor criou, sem duvida, uma batalha épica. Ele mostra que Pinhead está disposto a tudo para tomar o poder e não tem medo de derrubar Lúcifer, mesmo que para isso, tenha que derrubar o próprio Inferno. Toda essa sequencia da luta entre eles é espetacular, com direito a armadura e sangue, muito sangue. E quando Lúcifer ressurge, a atmosfera épica continua. E no final, temos quase um Pinhead arrependido do que fez. Muito bom.

 

E aqui também temos a Caixa de Lemarchand, que abre o portal para o Inferno dos Cenobitas. Como mencionado acima, quando Barker a introduz, faz questão de descrevê-la nos mínimos detalhes, descrevendo até a musiquinha que ela produz ao ser aberta. Por um momento, eu até havia me esquecido dela, mas quando ela retorna, é uma surpresa. E ainda falando do universo de Hellraiser, aqui temos também as clássicas correntes com ganchos; e elas fazem um estrago. Sério.

 

Bem, seja como for, o fato é que Evangelho de Sangue é um livro muito bom; não chega aos pés de Hellraiser, mas, se me perguntassem se merecia uma adaptação para o cinema, eu diria que sim, dependendo de quem assumisse as rédeas.

 

Enfim, Evangelho de Sangue é um livro muito bom. Uma historia épica de terror com toques grotescos de sangue e sexo. A escrita de Clive Barker prende o leitor com suas cenas dignas de pesadelo. Uma viagem literal ao Inferno, onde poucos saem com vida. O reencontro com Pinhead, o principal personagem do universo de Hellraiser. Um livro sangrento e arrepiante. Recomendado.



 

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sábado, 20 de março de 2021

PUMPKINHEAD - A VINGANÇA DO DIABO (1988). Dir.: Stan Winston.

 

NOTA: 9



Stan Winston foi um dos grandes mestres dos efeitos especiais do cinema. Desde os anos 80, ele foi o responsável pelas maiores criaturas do cinema de fantasia. Seus trabalhos incluem o androide do Exterminador do Futuro (1984), os dinossauros de Jurassic Park (1993), o Pinguim de Batman, o Retorno (1992) e Edward Mãos-de-Tesoura (1990), entre outros. Todas essas criaturas foram criadas dentro de seu estúdio, com o auxilio de grandes profissionais.

 

Além de ser o responsável por essas e outras criaturas fantásticas, Winston também foi o diretor de um dos melhores filmes de terror dos anos 80, mas que infelizmente, não é tão conhecido assim: PUMPKINHEAD - A VINGANÇA DO DIABO, lançado em 1988.

 

Devo dizer o seguinte sobre esse filme: é, sem duvida, um dos melhores filmes do gênero, que contou com uma direção segura do mestre e claro, efeitos especiais de ponta, que deram vida a um monstro espetacular e assustador.

 

O filme é excelente. Ao contrario dos demais exemplares que surgiram na mesma década, esse é um filme de terror sério, sem nenhum espaço para alivio cômico, e com uma atmosfera de tragédia, pesadelo e conto de fadas. Sim, conto de fadas. Por quê? Porque o tempo todo parece que estamos assistindo a uma fábula, com uma criatura assustadora e uma moral no final, além do clima sombrio e assustador dos contos de fadas de antigamente, como eram contados realmente.

 

Além disso, outra coisa que torna o filme digno de nota é a sua concepção. O roteiro foi inspirado num poema de Ed Justin e numa lenda do folclore americano – que se é real ou não, não sei – e o tempo todo essa questão dessa criatura mitológica é mostrada na tela, principalmente levando em conta a ambientação interiorana americana, com as pessoas pobres, sujas, que moram em casas simples. Tudo é mostrado de forma convincente, o que aumenta ainda mais o grau de realismo. E a lenda do Cabeça de Abóbora aumenta ainda mais essa sensação, uma vez que o filme mostra que a criatura é vista como maldita pela região, e seus habitantes não querem nem ajudar quem está a sua mercê. Ou seja, é o tipo de lenda que circula com força pela região e assusta as pessoas há gerações.

 

Outro ponto positivo é a direção. Anteriormente, Winston vinha de direção de segunda equipe em O Exterminador do Futuro, mas aqui, ele estreou de fato no comando de um longa com o pé direito. Winston faz um excelente trabalho, e sua direção é segura e até madura, e ele se mostra um grande diretor de atores, uma vez que o elenco entrega atuações convincentes, fazendo a gente acreditar que aquelas pessoas são reais. E a caracterização deles também é muito boa, com destaque para o personagem Ed Harley, interpretado por Lance Henriksen, com seu ar de ingenuidade de homem do campo. Um trabalho de gênio. Além disso, a direção de fotografia também é um ponto positivo. Basicamente, o filme possui três cores, o laranja, o vermelho e o azul. O laranja é usado para as sequencias diurnas; o vermelho para as cenas a luz de velas e na casa da bruxa; e o azul para a noite. E as cores pulsam na tela de forma brilhante, principalmente o vermelho e o azul. É quase um filme do Maestro Mario Bava, quase porque ninguém é capaz de refazer o que ele fazia, que fique claro.


A direção de arte e o design também não ficam para trás. Como é um filme ambientado no interior dos Estados Unidos, a gente talvez espera encontrar pequenas comunidades, de casas simples, com animais perambulando. Pois é exatamente isso que é mostrado aqui, sem pudor. Toda a simplicidade, a falta de recursos e a sujeira são mostrados com detalhes impressionantes que beiram ao realismo. A paisagem é abandonada, com aspecto gótico e assombrado; o tipo de paisagem que mete medo em qualquer um. Um dos destaques vai para a casa da bruxa; toda decorada com animais mortos, ossos e crânios e uma lareira que lança labaredas amarelas. Ou seja, a casa de bruxa clássica dos contos de fadas. O cemitério de aboboras também merece menção. Um lugar cheio de nevoa, com arvores podres e aboboras velhas. Um lugar assustador. E tem também uma pequena igreja gótica em ruínas, muito bem feita também.



E por fim, não posso deixar de mencionar os efeitos especiais, criados pelo estúdio de Winston. O Cabeça de Abobora é uma das melhores e mais assustadoras criaturas do cinema de horror: alto, esquelético, de pernas e braços longos, garras afiadas e uma cabeça em formato de abobora. Uma criatura digna de pesadelos. O monstro foi interpretado por Tom Woodruff Jr., que passou o filme inteiro dentro de uma fantasia de borracha. Pois bem, aí que está a magia. Os efeitos são tão bons que a gente esquece que aquilo é um homem numa fantasia; parece de fato um monstro de verdade. Tudo criado com efeitos práticos, que não ficam datados e fazem muita falta hoje em dia. O filme também tem boas cenas de gore, com destaque para a cena da janela; um banho de sangue. Mas quem ganha destaque mesmo é o monstro, e suas cenas são arrepiantes. O filme faz questão de escondê-lo até o ultimo instante, mostrando apenas detalhes de suas mãos e garras. E quando ele finalmente aparece, a espera é compensada. 

 

Uma ultima coisa que vale comentar é a relação entre Harley e seu filho Billy. Desde que eles aparecem, fica claro que os dois são sozinhos e mundo e dependem um do outro para sobreviver. Harley é um pai amoroso, que cuida do filho com carinho e demonstra seu amor o tempo todo. As cenas em que ambos aparecem juntos são dignas de lagrimas nos olhos, de tão bonitas. E quando a tragédia acontece, nós ficamos com pena do pai. E a cena da tragédia é toda construída de maneira brilhante, com cortes para o pai e o filho e para os jovens na motocicleta. Qualquer um que assiste é capaz de adivinhar o que vai acontecer, sem esforço.

 

Pumpkinhead foi lançado primeiramente em 1988 de maneira limitada. O que aconteceu foi que a produtora, a De Laurentiis Entertainment Group, enfrentou problemas financeiros e acabou indo à falência. Em seguida, foi lançado novamente em Janeiro de 1989 pela MGM, mas não obteve bons resultados de bilheteria. No entanto, com o passar dos anos, acabou adquirindo status de cult entre os fãs do gênero. Recebeu quatro continuações, uma direto para o vídeo, e duas para a TV, uma delas com Doug Bradley no elenco. Dessas continuações, somente a primeira, Pumpkinhead II - O Retorno (1994), vale a pena.


Stan Winston faleceu em 15/jun/2008. Até hoje, é reconhecido como um dos maiores criadores de efeitos especiais, e suas criações são reverenciadas por vários cinéfilos e cineastas. 


Foi lançado em VHS no Brasil com o título de A Vingança do Diabo, mas também é conhecido por aqui como Sangue Demoníaco. Após anos fora de catalogo, foi lançado aqui em DVD pela 1Films Entretenimento, em edição especial em DVD duplo, com um disco cheio de extras.

 

Enfim, Pumpkinhead, A Vingança do Diabo é um filme excelente. Uma historia de horror com elementos de fantasia e conto de fadas, que consegue assustar sem o menor esforço. A direção segura e madura de Stan Winston, combinados com uma fotografia colorida e efeitos especiais de ponta, fazem deste um dos melhores filmes de terror dos anos 80. O Cabeça de Abóbora é uma das melhores e mais assustadoras criaturas do cinema de horror. Um filme assustador. Altamente recomendado.



Créditos: 1Films Entretenimento.



EXTRA:

O poema de Ed Justin, que serviu que serviu inspiração para o filme:

“Keep away from Pumpkinhead,
Unless you’re tired of living,
His enemies are mostly dead,
He’s mean and unforgiving,
Laugh at him and you’re undone,
But in some dreadful fashion,
Vengeance, he considers fun,
And plans it with a passion,
Time will not erase or blot,
A plot that he has brewing,
It’s when you think that he’s forgot,
He’ll conjure your undoing,
Bolted doors and windows barred,
Guard dogs prowling in the yard,
Won’t protect you in your bed,
Nothing will, from Pumpkinhead!”

Agradecimentos: https://www.horrorgeeklife.com/2017/03/02/pumpkinhead-poem/

 

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