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sábado, 12 de outubro de 2024

GEMINI (1999). Dir.: Shinya Tsukamoto.

 

NOTA: 8.5


GEMINI é um dos melhores filmes de terror que eu já vi.

 

Não apenas isso; é um dos filmes mais perturbadores e sujos que já vi, graças à técnica de direção de Shinya Tsukamoto. Mais detalhes sobre isso logo depois.

 

Primeiro, deixe-me dizer que eu tinha um certo preconceito com o cinema de terror oriental, principalmente porque eu achava que não era o tipo de cinema que eu fosse gostar, mais por causa das diferenças em relação ao cinema ocidental.

 

Mas, hoje em dia, tais preconceitos não existem mais, e já me considero um fã de filmes de terror orientais, em especial, do cinema de terror japonês, principalmente dos kwaidan.

 

Mas, hoje não estou aqui para falar de um kwaidan, e sim, de um filme de terror japonês ambientado já no começo do século XX, no caso, o filme de Tsukamoto.

 

Gemini é o clássico filme sobre gêmeos, ou seja, no gênero do terror, estamos falando da história do gêmeo bom e do gêmeo mal. Mas, não se engane, este aqui é um grande exemplar do gênero.

 

Na trama, o Dr. Daitokuji Yukio é um bem-sucedido médico na Tokyo de 1910, que tem sua vida virada de cabeça para baixo quando seu irmão gêmeo mata sua família e se apodera de sua vida pessoal e de sua esposa.

 

No fundo, é uma clássica trama de gêmeos que trocam de lugar, mas no fundo, é muito mais do que isso, porque descobrimos que existe um plano de vingança por trás de tudo isso, viso que Sutekichi, o gêmeo malvado, foi abandonado ainda bebê e criado na favela, enquanto Yukio foi criado na riqueza.

 

Quando Sutekichi descobre que existe outro homem igual a ele, dá início ao seu plano de vingança, matando primeiro os pais de seu irmão, para depois se apossar de sua vida e de sua esposa, que, conforme descobrimos, também morava na favela e era esposa de Sutekichi.

 

É um filme com uma trama de vingança bem amarrada, e parece ficar melhor a cada revisão, principalmente porque existem segredos escondidos ao longo da projeção, que parecem surgir toda vez que vemos o filme de novo; pelo menos comigo foi assim, principalmente agora, depois dessa última conferida.

 

Aliada à essa trama de vingança, temos uma técnica muito boa, que mistura câmera de mão, montagem frenética e truques de filmagem, principalmente quando os gêmeos estão juntos, que, apesar de serem poucas cenas, são muito bem dirigidas e enquadradas.

 

O diretor Tsukamoto tem uma grande habilidade para dirigir cenas frenéticas, não sei se isso faz parte do seu estilo de contar histórias, mas aqui, funciona muito bem. As cenas causam um certo desconforto à primeira vista, e não é fácil imaginar como elas devem ter sido filmadas, principalmente as sequências na favela, que fazem um belo contraste com as cenas na casa de Yukio. A favela é filmada com cores quentes, enquanto que a casa de Yukio é filmada com cores frias.

 

Além da técnica exemplar, o elenco também não faz feio, principalmente o ator Masahiro Motoki, que interpreta os gêmeos. Logo na primeira conferida, fica fácil distinguir um do outro, principalmente por causa de suas vestes; Yukio se veste de maneira impecável, enquanto Sutekichi se veste em trapos; além disso, ele tem uma marca de nascença na perna, o que torna mais fácil distinguir os dois, principalmente após Sutekichi assumir a identidade do irmão.

 

A atriz e modelo Ryo também não faz feio, e sua Rin transmite tudo aquilo que o diretor deve ter pedido, a doçura na casa de Yukio, e a maldade na favela. A caracterização da atriz também é muito boa, e combina com as fases da personagem.

 

Além de ser uma trama de vingança, Gemini também é um filme que pode ser interpretado como uma regressão ao estado animalesco, visto que Yukio praticamente se transforma em um animal quando é deixado pelo irmão no poço da propriedade, sendo obrigado a comer comida do chão, além de ficar coberto de sujeira.

 

O que mais pode ser dito, é que Gemini também possui uma conclusão aberta à interpretação, visto que realmente nunca fica evidente qual dos gêmeos venceu no final.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror: Horror Japonês, com muitos extras.

 

Enfim, Gemini é um filme muito bom. Uma trama de horror e vingança contada de maneira brilhante por Shinya Tsukamoto, graças à sua câmera de mão frenética, montagem rápida e fotografia que contrasta bem os cenários. O elenco também merece destaque, porque estão todos atuando muito bem, principalmente os dois atores principais. Um dos melhores filmes de terror que já vi, e um dos melhores do cinema japonês.


Créditos: Versátil Home Vídeo.

 

sexta-feira, 26 de abril de 2024

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA – O RETORNO (1995). Dir.: Kim Henkel.

 

NOTA: 1


Lembram-se do que eu disse no começo da resenha de A Hora do Pesadelo 6, sobre filmes ruins? Para quem não se lembra, eu disse que filmes ruins não teriam resenha publicada aqui, a menos que façam parte de uma franquia, e que essa franquia esteja disponível no Brasil na íntegra. Pois bem, é o caso aqui.

 

Enfim, chegamos a ele, ao polêmico O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA – O RETORNO, lançado em 1995, com direção e roteiro de Kim Henkel, co-criador do Clássico de Tobe Hooper.

 

O que dizer sobre esse filme?

 

Pois é, esse filme é um dos filmes com nota mais baixa já comentado aqui, porque ele é muito ruim, nem de longe, honra tudo aquilo que foi criado por Hooper, no clássico de 1974; do contrário, aparenta ser uma grande piada em cima de tudo que foi construído naquele primeiro filme.

 

Nada nesse filme condiz com a franquia, e tudo não passa de uma repetição malfeita de tudo que aconteceu nos filmes anteriores – aliás, no primeiro filme – , e além disso, joga uma explicação safada para a família de Leatherface.

 

Já que toquei no assunto, deixe-me dizer que aqui, a família do vilão é muito confusa, e a interação entre eles não faz o menor sentido. É impossível saber quem é o chefe da família, e todos não sabem fazer outra coisa a não ser gritar uns com os outros. O próprio Leatherface é mal explorado, e se transforma em uma caricatura do personagem que conhecemos.

 

Os personagens aqui também não fazem o menor sentido, além de serem bem mal escritos e mal estabelecidos. É possível até entender que existe uma relação entre a protagonista e um deles, mas o outro “casal” não faz sentido nenhum, visto que a garota não gosta do rapaz, mas, quando eles saem juntos para procurar ajuda, eles estão andando juntos. Isso faz algum sentido para você? Porque para mim, não faz.

 

O roteiro é outra bagunça, porque, conforme mencionei acima, ele tenta replicar tudo que foi apresentado antes, mas o faz de forma malfeita, acrescentando situações absurdas, que não provocam medo no espectador, e no final, repetem a famosa cena do jantar.

 

A técnica também merece menção, porque é uma bagunça, principalmente nas cenas da floresta. Por exemplo, em determinado momento, a lanterna dos personagens fica sem energia, e, na teoria, eles deveriam estar perdidos no escuro, mas a cena possui uma boa iluminação. Eu até entendo que em cenas assim, é bom ter uma iluminação reduzida, para criar atmosfera, mas aqui, isso não funciona.

 

Conforme mencionei acima, o roteiro tenta dar uma explicação para a família de Leatherface, e o faz por meio de uma sociedade secreta, que cai de cometa na casa, e não faz nada além de dar uma bronca em todos, mas não explica o motivo. Dizem que os dois homens que surgem do nada fazem parte da seita dos iluminati, mas eu não tentei entender nada da cena.

 

Se o filme tem uma qualidade, é a performance da atriz Renée Zellweger, que é muito carismática, e convence muito no papel da heroína sensível e fragilizada.

 

Infelizmente, o restante do elenco não funciona, principalmente o ator Matthew McConaughey, no papel do vilão Vilmer. Seu personagem é muito exagerado, e não passa sensação nenhuma. O ator também atua de forma exagerada, e não passa nenhuma reação a não ser risadas, ou vergonha.

 

E claro, não posso encerrar essa resenha, sem mencionar o final. Ao contrário do final do Clássico de Tobe Hooper, aqui temos um final ridículo, que copia a conclusão do primeiro filme na última cena, e derrota o vilão de um jeito absurdo, envolvendo um avião aleatório.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, na coleção O Massacre da Serra Elétrica, com os quatro filmes da franquia original, além de contar com duas versões – a Versão de Cinema, e a Versão do Diretor. Atualmente, tal edição está fora de catálogo.

 

Enfim, O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno, é um filme ruim. Uma história que não faz o menor sentido, que tenta ser assustadora, mas falha miseravelmente, além de copiar o primeiro filme sem a menor vergonha. O único ponto positivo é a protagonista, que convence muito bem em sua performance. Um filme que descaracteriza o personagem Leatherface, e o transforma em uma péssima caricatura. Um filme muito ruim.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

sábado, 20 de abril de 2024

LEATHERFACE – O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA III (1990). Dir.: Jeff Burr.

 

NOTA: 6


Em 1990, a franquia O Massacre da Serra Elétrica foi parar nas mãos da New Line Cinema, e o estúdio lançou LEATHERFACE – O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA III, com direção de Jeff Burr, que teve como objetivo dar uma mudança na franquia.

 

E foi aí que os problemas começaram, ao meu ver.

 

O Massacre III é um filme confuso na sua concepção, porque ele não sabe se quer ser um remake, ou um reboot, ou uma continuação do Clássico de Tobe Hooper, e isso já fica evidente já no texto de introdução, onde o narrador nos conta o que aconteceu com Sally Hadersty, a protagonista do filme original, e aparentemente, esquece o que aconteceu no filme anterior.

 

Na minha opinião, isso não ajuda, porque, em certo momento, o filme fica com cara de remake, porque apresenta as mesmas situações vividas pelos personagens do filme de Hooper, em especial na sequência do posto de gasolina.

 

Passada a cena do posto, somos apresentados a uma história diferente, mas, ainda assim, com os seus problemas, conforme mencionado acima.

 

O maior problema disso tudo é a presença de Leatherface, que, como nós sabemos, passou por maus bocados no final de O Massacre 2, e o roteirista aparentemente se esqueceu desse detalhe, ou então, o estúdio encomendou um reboot – ou um remake – mas, o mesmo roteirista apresentou elementos vistos anteriormente na franquia.

 

Então, qual é a desse filme?

 

Mas, apesar do grande problema, eu ainda acho que é um filme bom, visto que ainda consegue divertir e provocar um pouco de medo, principalmente porque temos que levar em conta que essa franquia não envolve nada de sobrenatural, e sim, o terror real.

 

A sequência de perseguição na floresta é a mais tensa do filme, porque nós não sabemos aonde está o assassino, nem quando ele vai atacar, então, ficamos com o coração batendo de medo, enquanto os personagens procuram se salvar do maníaco da motosserra.

 

Os personagens são interessantes também, mas o melhor deles é o personagem Benny, interpretado por Ken Foree, um nome conhecido do gênero. Seu personagem foi um soldado que se tornou especialista em sobrevivência, e faz de tudo para escapar da família canibal, ao mesmo tempo que tenta salvar a protagonista. A melhor cena é o confronto com o personagem do Viggo Mortensen, onde ambos soltam frases absurdas demais, que beiram ao engraçado.

 

A protagonista também funciona, e como de costume, ela passa por maus bocados nas mãos da família, e aqui, ela sofre – não tanto quanto a Sally, mas é quase isso. Ela é aquele típico personagem que muda de arco ao longo do filme – ela começa boazinha, e incapaz de ferir alguém, mas no final, ela sofre uma mudança brusca.

 

O restante do elenco também está bem, principalmente o ator Viggo Mortensen, que interpreta um dos membros da família canibal. Seu Tex consegue ser amistoso quando quer, mas quando se torna ameaçador, ele muda completamente, e se torna um personagem assustador.

 

No entanto, apesar dessas qualidades, o filme tem também os seus problemas. A direção de Jeff Burr não é ruim, mas o resto da técnica é questionável. O principal é a casa da família canibal, que se parece com uma casa comum e tem só um cômodo cheio de ossos velhos; o certo seria o contrário, fazer a casa inteira ser cheia de ossos velhos. A fotografia tem os seus méritos, mas a montagem não se salva, principalmente nas cenas violentas. Aparentemente, o filme foi censurado pela MPAA, então, não temos grandes efeitos aqui, sendo que o maior problema ficou na cena da marreta, que voa em direção ao rosto do personagem, mas acontece um corte antes de vermos o rosto dele ser destruído.

 

Os efeitos especiais ficaram a cabo da KNB Effects, e eles são quase inexistentes, conforme mencionei acima. Acredito que o melhor seja na sequência em que a protagonista tem as duas mãos perfuradas com pregos na cadeira.

 

E claro, no final, temos a mesma sequência de jantar, que funcionou nos dois primeiros filmes, mas, se você levar em conta o que foi escrito aqui, vai achar estranho.

 

Foi lançado em DVD no Brasil na coleção O Massacre da Serra Elétrica, da Obras-Primas do Cinema, com muitos extras.

 

Enfim, O Massacre da Serra Elétrica III é um bom filme, apesar dos seus defeitos. Uma história de horror contada de maneira honesta, com uma direção competente. O maior problema é o roteiro, que não sabe exatamente qual caminho seguir, e acaba repetindo elementos anteriores, e criando momentos que não fazem muito sentindo. Um filme problemático, mas decente.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.


sexta-feira, 1 de março de 2024

UM DRINK NO INFERNO (1996). Dir.: Robert Rodriguez.

 

NOTA: 9.5


O primeiro filme de terror a gente nunca esquece, não é verdade? E quanto ao segundo?

 

Qual foi o segundo filme de terror que vocês assistiram? O meu foi UM DRINK NO INFERNO, um misto de ação, terror e crime, comandado pela dupla Quentin Tarantino e Robert Rodriguez.

 

Infelizmente, serei obrigado a dar spoilers aqui nessa resenha, senão, a mesma ficaria incompreensível.

 

Recado dado, vamos lá.

 

Para quem já conhece, o filme é dividido em duas partes bem diferentes.

 

Na primeira, acompanhamos uma trama de crime digna dos filmes de Tarantino, com os irmãos, Seth e Richard Gecko, dois criminosos que espalham o terror pelo país e sequestram uma família, com o objetivo de fugir para o México. Na segunda parte, acompanhamos os personagens em um bar de strip-tease que se revela um antro de vampiros sugadores de sangue.

 

Passada essa introdução, vamos falar sobre o filme como um todo.

 

A começar pela direção de Robert Rodriguez, que é muito boa, e o diretor consegue conduzir as duas partes da trama com maestria, e ambas acertam em cheio.

 

A primeira parte, conforme mencionada acima, lembra muito os filmes de ação do diretor Tarantino, com a temática de sequestro e assalto a lojas e bancos, com ângulos de câmera e diálogos que poderiam ter saído diretamente de um filme de Tarantino, assim como as cenas violência.

 

Já a segunda parte, se transforma em um filme completamente diferente, com um ar de trasheira, com cenas de mortes exageradas e sangrentas ao extremo, com o sangue jorrando sem parar logo após a introdução dos vampiros, e os personagens lutando contra as criaturas com tudo que encontram no local, como tacos de bilhar e as pernas das mesas.

 

E o roteiro de Tarantino é muito bom em combinar essas duas partes, e faz tudo com maestria. Na primeira metade, tudo acontece aos poucos, com a dupla de irmãos se organizando para fugir do país, enquanto mantêm uma mulher como refém, mas as coisas não acabam bem, e os dois são obrigados a sequestrar uma família para ajudá-los a fugir.  No entanto, quando chegamos na segunda metade, o terror surge com tudo, com direito a corpos decepados e sangue jorrando com gosto; mas, após o massacre inicial, o roteiro novamente aposta no slow-burn, até desencadear para novos momentos de terror.

 

Os efeitos especiais foram criados pela KNB Effects Group, de Robert Kurtzman, Greg Nicotero, e Howard Berger, e eles não economizaram. Aqui tem de tudo, de membros falsos, passando por bonecos animatrônicos, e fantasias de monstros. Esqueça os vampiros clássicos. Aqui, temos vampiros monstruosos, com rostos deformados, e presas afiadas. Difícil dizer qual é o melhor, porque todos são muito bem feitos, e, convencem muito até hoje, assim como os efeitos de sangue.

 

Deixe-me falar um pouco mais sobre os vampiros. Além do visual monstruoso, eles são inspirados nos vampiros clássicos, e seguem algumas regras, como, por exemplo, são derrotados pela luz do sol; estacas de madeira no coração e cruzes também funcionam; e se transformam em morcegos. No entanto, o que os torna diferentes, é que eles podem ingerir outras bebidas, conforme mostrado quando somos apresentados ao bar Twittie-Twister – não vou usar a tradução aqui, para não criar polêmicas.

 

No início da resenha, eu mencionei que este foi o meu segundo filme de terror, porque eu o assisti quando era criança com a minha mãe. Até assisti-lo novamente, anos depois, eu me lembrava de algumas cenas, e sempre que o revejo, e as cenas aparecem, sinto um quentinho no coração. Por isso, este filme tem um lugar especial na minha vida.

 

Enfim, Um Drink no Inferno é um filme excelente. Um filme de ação e terror, contado com maestria pela dupla Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, com um roteiro bem afiado e direção inspirada. Os efeitos especiais são o grande destaque, com tudo que tem direito, e a KNB cria vampiros verdadeiramente assustadores. Altamente recomendado.



segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

O VÍCIO (1995). Dir.: Abel Ferrara.

 

NOTA: 8



Os filmes de vampiro estão presentes no cinema desde sempre, com uma enorme variedade de conteúdos, criados por vários cineastas ao longo dos anos.

 

O VÍCIO, lançado em 1995, dirigido por Abel Ferrara, é uma dessas variações, e uma das mais criativas, por motivos que serão descritos mais adiante.

 

Este é um dos melhores filmes de vampiro que já vi, principalmente por conta da criatividade do roteiro e da direção de Ferrara. O cineasta subverte o gênero com maestria e faz uma analogia interessante com o titulo do longa.

 

Acredito que o principal fator de criatividade seja o fato do filme ser rodado em preto e branco, o que o torna ainda mais sombrio e sinistro. Em momento nenhum as cores fazem falta, e deixam o filme ainda melhor.

 

Mesmo não tendo visto os demais filmes de Ferrara, eu imagino que o cineasta gosta de subverter os temas com os quais trabalha, e coloca as suas características nos mesmos, e aqui não deve ter sido diferente.

 

Além de ser um filme de vampiro, O Vício é também um filme sobre filosofia, e isto está presente desde o começo, visto que a protagonista é estudante de Filosofia e está prestes a concluir sua tese de doutorado. O roteiro de Nicholas St. John – colaborador frequente do cineasta – é recheado de frases que devem remeter à Filosofia, com citações e menções a filósofos conhecidos. Eu pessoalmente acho essa sacada muito interessante porque possui uma relação com os estudos da protagonista e também com a própria ideia de que vampiros podem ser filósofos.

 

O elenco também é um ponto positivo para o filme, principalmente a atriz Lili Taylor, que interpreta a protagonista Kathleen. No inicio do filme, ela se mostra uma pessoa doce e gentil, focada nos estudos, mas após ser atacada, ela se transforma em outra pessoa, que não se importa em ferir os outros, e não dá importância para os estudos. Além disso, logo após o ataque, é possível perceber que ela não entende o que está acontecendo consigo mesma, e passa a sofrer as consequências. Essa é uma característica que me chama muito a atenção em historias de vampiros, os vampiros que não entendem sua condição e sofrem por causa disso. Mas logo isso muda, e Kathleen se transforma em uma criatura sedenta de sangue.

 

O restante do elenco não faz feio, principalmente o ator Christopher Walken, que interpreta um vampiro filosófico que carrega consigo a sabedoria dos séculos. Apesar da pouca presença, o personagem rouba a cena.

 

Conforme mencionado acima, O Vício subverte o gênero de forma criativa, visto que a própria palavra “Vampiro” não é mencionada em momento nenhum ao longo do filme. Além disso, o roteiro faz uma analogia interessante com o vicio em drogas – daí o titulo – visto que, após adquirir o gosto pelo sangue, a protagonista passa a querer consumir o mesmo cada vez mais, até decair completamente, culminando na cena do massacre. E também devo dizer que o roteirista St. John cria suas próprias regras em relação às criaturas, o que é sempre bom de se ver: seus vampiros não possuem presas e podem andar à luz do dia; e os outros elementos não são apresentados aqui, mas sinceramente não fazem falta.

 

E além disso, o diretor Ferrara nos faz questão de mostrar Nova York como um lugar dominado pelas gangues e pela degradação, algo mostrado no cinema décadas antes.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Vampiros no Cinema 3, em versão restaurada, com um making of entre os extras.

 

Enfim, O Vício é um filme muito bom. Uma historia de vampiros ousada que subverte o gênero com criatividade impar e faz uma analogia interessante com o uso de drogas. A direção de Abel Ferrara é muito boa e o diretor consegue arrancar ótimas performances de seu elenco, que não está nem um pouco exagerado. A fotografia em preto e branco também é um destaque, e deixa o filme mais sombrio e sinistro. Um ótimo filme de vampiro e um exemplar criativo do gênero.



Créditos: Versátil Home Vídeo.


sábado, 16 de dezembro de 2023

A FILHA DO DEMÔNIO (1991). Dir.: Michele Soavi.

 

NOTA: 7.5


Durante o final da década de 80 e começo da década de 90, o cinema de horror italiano começava a dar seus últimos suspiros, com obras ruins e de gosto duvidoso; no entanto, alguns cineastas ainda tentavam extrair o máximo de conseguiam em filmes que até possuíam um certo charme. Michele Soavi foi um desses cineastas, tendo apresentado ao publico filmes que possuíam um teor lírico, mas assustadores ao mesmo tempo.

 

A FILHA DO DEMÔNIO é um desses exemplos. Lançado em 1991, produzido e co-escrito pelo mestre Dario Argento, este é um filme um tanto quanto difícil de classificar, por causa do seu roteiro um tanto elaborado, que às vezes demora um pouco para engatar e apresentar uma trama concreta.

 

A começar pelo seu prólogo, ambientado no Norte da Califórnia em 1970, onde um grupo de hippies é assassinado por um grupo de satanistas no deserto. Em seguida, somos levados para a Alemanha, onde um homem mata uma mulher e arranca seu coração, e, antes de ser preso pela policia, comete suicídio.

 

Após essa introdução, somos apresentados aos seus protagonistas, um estranho velho que quase é atropelado por Miriam, uma professora local. A partir daí, uma serie de eventos estranhos começam a acontecer, principalmente após a morte do velho, eventos que aparentemente não têm nenhuma relação entre si e com a trama propriamente dita. Ao meu ver, a própria trama se desenrola próximo ao final do filme, com a volta de personagens que haviam aparecido anteriormente.

 

Mas, apesar do roteiro um tanto confuso no início, como de costume para os demais filmes de Soavi, temos uma técnica muito boa, apostando em algumas cenas no lirismo e na beleza, além de uma direção de arte digna de nota, misturado a uma fotografia inspirada, principalmente nas cenas ambientadas no porão da casa de Miriam, com uma tonalidade azul forte, misturada com uma luz que vem de uma janela redonda.

 

Essa é uma característica muito presente nos filmes de Michele Soavi, talvez inspirado por Argento e por seus antecessores; mas o fato é que o diretor dá um toque muito pessoal em suas obras, deixando-as sempre bonitas e fantasiosas.

 

Um exemplo é uma sequência em que uma chuva de pólen cai sobre os cenários, começando pela sequência da escola; uma sequência muito bonita e muito bem feita, e que remete aos filmes anteriores – e futuros – de Soavi. Ainda sobre essa cena da escola, uma das crianças utiliza uma mascara de pássaro enquanto espera por seus pais; outro exemplo da técnica de Soavi, além de ser um indicio da presença de um pássaro em si no filme.

 

Além da beleza e do lirismo, Soavi faz uso de lentes grande-angulares em algumas cenas, principalmente na cena em que o velho pinga um estranho liquido em seus olhos. O take seja a ser um tanto desconfortante, visto que Soavi faz questão de focar nos olhos do ator Herbert Lom, de maneira profunda, enquanto ele pinga o liquido em seus olhos. Faz lembrar os takes nos olhos de Marylin Burns em O Massacre da Serra Elétrica, mas com um toque a mais.

 

Conforme mencionado acima, o roteiro não é um dos grandes pontos do filme, visto que nunca deixa claro o que está acontecendo ou qual a relação entre alguns eventos, deixando as respostas apenas para os momentos finais, onde somos apresentados à uma seita de satanistas, entre eles, o mesmo homem que apareceu no prólogo. Ao invés de explicações, temos uma enxurrada de eventos sobrenaturais acontecendo, aparentemente todos ligados ao porão da casa de Miriam. Eu já assisti ao filme algumas vezes e tive algumas dificuldades para entender o que está acontecendo.

 

Mas, apesar desse roteiro um tanto confuso, vale uma conferida, seja pela direção inspirada de Michele Soavi, seja pelo seu elenco, liderado por Kelly Curtis e Herbert Lom. Os dois atores interpretam muito bem seus papeis, principalmente Lom, que dá vida ao misterioso velho, que se revela membro da seita satânica.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Obras-Primas do Terror – Volume 8, com áudio em italiano e em versão restaurada, com um depoimento do diretor.

 

Enfim, A Filha do Demônio é um filme bom. Uma obra fantasiosa e lírica, comandada com maestria por Michele Soavi, conforme é comum em seus filmes. A fotografia e a direção de arte também merecem menção, principalmente nas cenas do porão, com uma iluminação que enche os olhos. O roteiro não é o grande atrativo, mas a direção e a técnica compensam e valem uma conferida. Recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.


segunda-feira, 14 de agosto de 2023

A ÁRVORE DA MALDIÇÃO (1990). Dir.: William Friedkin.

 

EM MEMÓRIA DE WILLIAM FRIEDKIN


NOTA: 8


William Friedkin foi um dos grandes nomes do cinema, responsável por alguns dos maiores clássicos da Nova Hollywood, entre eles, o absoluto O Exorcista (1973), o maior filme de terror de todos os tempos.

 

Mas hoje, não irei falar sobre o clássico absoluto do gênero, e sim, sobre A ÁRVORE DA MALDIÇÃO (1990), segunda incursão do cineasta no gênero.

 

Mesmo sendo considerado um filme menor de sua carreira, este é um ótimo filme de terror, com uma atmosfera de conto de fadas macabro, misturado com altas dozes de gore.

 

Esse filme para mim representa uma certa doze de nostalgia, não porque eu assisti muito na infância, mas por causa do VHS da saudosa CIC Vídeo, com aquela imagem negra contra a luz azul; tal imagem me impactava sempre que eu ia a locadora, e me deparava com ela, na seção de filmes de terror.

 

Não sei qual a opinião de muitas pessoas, mas eu gostei muito do filme na primeira vez que vi, e gostei um pouco mais na segunda vez, principalmente das cenas envolvendo os lobos – mais detalhes adiante.

 

Mesmo tendo fincado seu lugar no hall dos grandes diretores de todos os tempos, não dá para negar que aqui temos de fato um filme menor do cineasta, que meio que se perde em sua filmografia, talvez porque, por ser um filme de terror, talvez as pessoas esperassem algo no mesmo nível de O Exorcista, mas não é esse o caso, porque temos aqui um filme diferente, com atmosfera e ambientações diferentes; e talvez seja por isso que muitas pessoas não gostam dele.

 

Eu não sou uma dessas pessoas, e considero este um dos filmes de terror mais notáveis dos anos 90, década em que o gênero estava fadado ao esquecimento, visto a quantidade de produções questionáveis – salvo exceções – que eram lançadas naquele período – especialistas podem contextualizar com mais clareza do que eu.

 

Bom, mas do que se trata o filme? A Árvore da Maldição se trata, em sua essência, de uma criatura que sacrifica bebês para uma arvore amaldiçoada. Já nos créditos de abertura, temos um breve texto sobre sacerdotes da religião druida, que idolatravam as arvores, e às vezes, sacrificavam pessoas para elas. E é isso que temos aqui; uma história sobre uma criatura mitológica que realiza sacrifícios humanos. Simples, não? Pois bem, além disso, temos também uma típica história de uma babá perversa, algo, na minha opinião, que torna o terror desse filme ainda maior.

 

Maior porque, se tirarmos a questão da criatura mitológica, podemos encaixar esse filme na categoria do suspense, porque, em certo momento, ficamos sabendo de um incidente assustador envolvendo a babá e a criança que estava sob seus cuidados. Dois anos depois, o tema de babá psicótica seria aproveitado no filme A Mão que Balança o Berço, com Rebecca de Mornay.

 

Mas voltando ao filme de Friedkin, eu gosto da ideia de uma criatura mitológica se infiltrando na casa de uma família para realizar um sacrifício humano. Temos uma subversão do tema da babá psicótica, além de termos também uma espécie de conto de fadas de horror, visto a presença do clássico João e Maria no longa.

 

Bom, deixe-me falar da técnica. Não é novidade para ninguém que Friedkin era um grande diretor, e aqui ele não faz feio. Seu elenco está muito bem, principalmente a atriz Jenny Seagrove, no papel da ninfa Camilla. A fotografia também é muito boa, principalmente nas cenas noturnas envolvendo a ninfa e a árvore; e os efeitos especiais também merecem menção, principalmente na sequência em que três bandidos são trucidados pela arvore maldita. Os bebês e os rostos encravados na árvore também merecem destaque, principalmente os bebês, que chegam a ser chocantes.  

 

Apesar do casal protagonista ter mais destaque, na minha opinião quem rouba a cena é Jenny Seagrove. Sua Camilla é uma grande personagem, passando tanto a doçura quanto a maldade que o roteiro e a direção pedem; além disso, ela se mostra também muito sedutora, visto que vez ou outra, invade os sonhos de Phil.

 

Como mencionado acima, A Árvore da Maldição é um filme carregado de gore, e podemos ver isso na sequência em que três bandidos são massacrados pela árvore. Friedkin não poupa o espectador de cenas grotescas, com membros decepados e pessoas sendo empaladas e literalmente devoradas. Mais para frente, temos outro exemplo, quando Phil utiliza uma motosserra na árvore, e literalmente decepa seus membros, num verdadeiro banho de sangue.

 

Também conforme mencionado, o filme possui outras grandes sequencias, desta vez envolvendo lobos negros. Eu adoro lobos, e é sempre um prazer vê-los no cinema, e aqui, Friedkin não decepciona. Os lobos, possivelmente guardiães da árvore maldita, dão um show quando entram em cena, principalmente quando atacam os personagens, tanto um secundário em sua casa – outra cena carregada no gore – quanto o casal protagonista, numa sequência que me lembrou o final de Lobos (1981), por sinal.

 

No entanto, apesar de ser um filme muito bom, A Árvore da Maldição foi uma produção conturbada. Segundo informações da internet, o diretor Sam Raimi estava inicialmente cogitado, mas desistiu para comandar Darkman – Vingança Sem Rosto, então, Friedkin foi chamado. Mas os problemas continuaram, porque todos ficaram entusiasmados por ser o segundo filme de terror do cineasta, então, com certeza, estavam esperando algo na mesma linha de O Exorcista. Mas não foi isso que aconteceu.

 

Após sua contratação, Friedkin fez alterações no roteiro, que, segundo ele, seria focado em uma babá que sequestra crianças, mas o estúdio queria algo voltado para o sobrenatural. Então, Friedkin e mais um roteirista fizeram novas alterações, mas mesmo assim, os problemas não acabaram, porque o roteiro passaria a ser escrito enquanto o filme estava sendo rodado. No final, o filme não obteve grandes resultados de bilheteria, mas hoje em dia possui um status de cult. A coisa piorou com uma versão lançada para a TV a cabo, que desagradou Friedkin, que pediu para ter seu nome desvinculado do projeto. O próprio Friedkin aparentava ter sentimentos conflitantes sobre o filme, dando apenas uma entrevista sobre o longa, onde relatou sobre o que o inspirou a fazê-lo, no caso, um incidente envolvendo sua família e uma babá.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror – Volume 13, após anos fora de catálogo.

 

William Friedkin nos deixou em Agosto deste ano, mas seu nome está sempre gravado no hall dos grandes cineastas de todos os tempos. Seu legado será eterno.

 

Enfim, A Árvore da Maldição é um filme muito bom. Uma historia sombria e assustadora, com toques de conto de fadas, misturado à técnica milenar do diretor William Friedkin. O elenco também merece menção, principalmente Jenny Seagrove, em uma interpretação arrepiante como a babá perversa; e os efeitos especiais também, caprichados no gore. Um filme que merece ser redescoberto. Recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo.

 

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

UMA NOITE ALUCINANTE 3 (1992). Dir.: Sam Raimi.

 

NOTA: 10



Em 1981, o diretor Sam Raimi lançou Evil Dead – Uma Noite Alucinante I – A Morte do Demônio, que se tornou um dos maiores clássicos do cinema de horror de todos os tempos.

 

O primeiro filme de terror a gente não esquece, não é? Qual foi o primeiro de vocês? O meu foi UMA NOITE ALUCINANTE 3, que encerra a famosa Trilogia Evil Dead, do diretor Sam Raimi, com Bruce Campbell no papel de Ash.

 

Eu devia ter uns 5 anos quando assisti a esse filme pela primeira vez, provavelmente na TV, e ao invés de me assustar, eu me senti fascinado pelas coisas que vi na tela, principalmente aqueles esqueletos com espadas e escudos, lutando contra o castelo inteiro; e juntamente com isso, algumas outras cenas ficaram na minha cabeça por anos: Ash dentro do poço; o olho saindo de seu ombro; os esqueletos saindo das tumbas e agarrando-o com as mãos... Foi o meu primeiro filme de terror, sem duvida. Por isso, tem um lugar muito especial no meu coração.

 

Não há duvidas que a Trilogia Evil Dead é conhecida pelo enredo na cabana nas montanhas, mas, Uma Noite Alucinante 3 se difere dos demais por levar a trama para o século XIV, conforme visto no final de Evil Dead II. Esse é o grande mérito do filme, porque, naquela altura, com certeza, não havia mais o que fazer com a trilogia, porque apostar na cabana na floresta e possessão pela terceira vez não seria legal; então, a ação foi transportada para a Idade Média, e, ao invés de espíritos possessores, temos aqui o Exército dos Deadites, composto por esqueletos e cadáveres em decomposição.

 

Não teria como dar errado, e de fato não deu. E justamente é o grande atrativo do filme, essa mudança de ares. Talvez até pareça estranho, principalmente por causa do título original – Army of Darkness – mas para os fãs isso não incomoda, como é o meu caso. Pelo contrario, é até muito legal ver a mudança de ares da trilogia a partir desse filme, porque, realmente, não havia mais para onde ir.

 

E assim como Evil Dead II, esse aqui começa com um repeteco dos eventos do filme anterior – aqui, no caso, tudo precisou ser filmado de novo por questões de direitos autorais; apenas o final do filme anterior é mostrado – para deixar o espectador atento e a par do que aconteceu anteriormente. Passado o flashback, somos levados até o filme de verdade. E novamente, outra atriz interpretou Linda, aqui no caso, foi a atriz Bridget Fonda. E aqui as mudanças continuam.

 

A principal, sem duvidas, é no tom da franquia, que, apostava no terror de verdade, principalmente o primeiro filme. Aqui, temos a alteração para a comédia de fato, com cenas carregadas no humor negro: Ash e suas versões minúsculas; a batalha contra os Deadites, entre outras. Pessoalmente, eu não vejo problemas, porque no filme anterior nós já tivemos uma pitada de humor, e de certo, seria outra coisa que não teria como mudar. O tom de humor funciona muito bem, e se tornou uma característica do próprio diretor, e passou também para a série de TV. As cenas são engraçadas, mas pessoalmente, não são daquelas cenas de arrancar gargalhadas, mas divertem muito.

 

Mas, vamos falar também das diferentes versões do filme. Não sei qual foi o motivo que levou o filme a ter duas versões diferentes – Versão de Cinema e Versão do Diretor – mas as duas são maravilhosas, mesmo com suas diferenças. A Versão do Diretor é a mais completa, com sequencias e diálogos estendidos e alternativos; já a Versão de Cinema também tem cenas e diálogos alternativos, mas alguns estão incompletos, principalmente nas sequencias do moinho e da batalha no castelo; e claro, temos os famosos finais: a Versão do Diretor termina com um final apocalíptico; enquanto que a Versão de Cinema termina na loja S-Mart. Na minha opinião, as duas versões são maravilhosas, mas se for para escolher, eu prefiro mais a Versão do Diretor. Curiosamente, pelo que me lembro, a versão em VHS optou por juntar as duas. Estranho... Corrijam-me se eu estiver errado.

 

Independente das versões, é possível ver que aqui temos um Evil Dead com mais orçamento, visto o cenário do cenário e os demais efeitos especiais dos monstros. Temos aqui de tudo: marionetes, maquiagem e fantasias, tudo muito bem feito. Os efeitos dos esqueletos são os melhores e misturam de tudo isso, sendo o Stop-Motion e as marionetes os principais. Além dos esqueletos, temos também a presença reduzida os demônios possessores e novos monstros, além, é claro, da entidade sem rosto que percorre a floresta, e do vilão principal, aqui, uma versão do Mal do protagonista, também interpretado por Bruce Campbell. Os efeitos especiais foram criados pela KNB Effects e por Tony Gardner, nomes conhecidos no gênero do terror.

 

O vilão principal é um dos atrativos do filme, e de longe, é muito diferente do que já vimos nos filmes anteriores. Diferente porque eu pessoalmente não o considero demoníaco o bastante; ao contrario, é um grande palhaço que garante momentos divertidos.

 

Conforme mencionado acima, Uma Noite Alucinante 3 tem muitas cenas memoráveis para mim, mas as minhas favoritas são a marcha dos Deadites ao castelo, acompanhado pelo tema musical de Danny Elfman; e a ressureição do vilão principal, num super close de seu rosto.

 

Antes de encerrar, a Trilogia Evil Dead tem o seu lugar no hall dos filmes de terror de todos os tempos. Todos – principalmente os dois primeiros – são altamente avaliados por sites críticos lá fora e os dois primeiros tem seu lugar na galeria dos filmes de terror mais importantes de todos os tempos. Graças à trilogia, o diretor Sam Raimi hoje tem status em Hollywood e como sabemos, conseguiu dirigir a trilogia do Homem-Aranha e o novo filme do Doutor Estranho. Além da trilogia, temos também a série Ash VS Evil Dead, que se encontra disponível na Netflix. Talvez ainda esse ano, seja lançado o quarto filme da franquia, Evil Dead Rise, que não contará com Sam Raimi na direção e nem Bruce Campbell no elenco, mas ambos estão envolvidos na equipe de produção.

 

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema com as duas versões, na coleção Trilogia Uma Noite Alucinante, em edição caprichada recheada de material extra. Atualmente, a coleção está fora de catalogo, mas a distribuidora anunciou o lançamento da trilogia em DVD ainda nesse ano.

 

Enfim, Uma Noite Alucinante 3 é um filme excelente. Divertido, assustador, com cenas memoráveis e momentos de comédia que mudam o tom da franquia. Novamente, a direção e o estilo de Sam Raimi são um dos atrativos, além da presença de Bruce Campbell em papel duplo. Temos aqui novos monstros, além de esqueletos animados em Stop-Motion carregando espadas. Um filme memorável para mim, que tem um lugar especial em meu coração. Excelente. Maravilhoso. Altamente recomendado.



Créditos: Obras-Primas do Cinema


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sexta-feira, 1 de julho de 2022

O NOVO PESADELO DE WES CRAVEN (1994). Dir.: Wes Craven.

 

NOTA: 10



Em 1984, quando lançou A Hora do Pesadelo, Wes Craven não sabia o quão importante seu filme seria para o gênero, e o quão popular o seu vilão, o assassino Freddy Krueger, se tornaria ao longo dos anos. O sucesso do primeiro filme motivou os donos da New Line a transformar o filme em uma franquia.

 

Em 1994, Wes Craven lançou O NOVO PESADELO DE WES CRAVEN, também conhecido como O Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy Krueger.

 

Bom, vou ser sincero aqui. Este é o meu filme favorito da franquia, simplesmente porque foi o que eu mais aluguei na locadora, no VHS da saudosa América Vídeo. Também foi o meu primeiro contato com a franquia e com o personagem, por isso tenho um carinho especial por esse filme.

 

Além de ser o meu favorito da franquia, este é também o melhor depois do primeiro, na opinião de muitos fãs do terror e também dos fãs da própria franquia. Talvez o principal motivo seja o retorno de Craven, que resgatou o clima de ambiguidade do primeiro filme, além de trazer o vilão na sua forma maligna, sem o humor negro dos filmes anteriores; fora o novo design do vilão, que na minha opinião, é o melhor desde o segundo filme.

 

Aqui, Craven mostra que realmente é o dono da franquia, com sua direção madura e inspirada, e um roteiro metalinguístico extraordinário, onde o diretor apresenta uma justificativa para o vilão, transformando-o em uma entidade maligna que se libertou após o último filme da franquia, e agora, está a solta no mundo real. Eu confesso que quando assisti a esse filme pela primeira vez, eu estranhei essa ideia, porque não sabia nada sobre metalinguagem, então, para mim, era muito estranho ver o próprio diretor do filme interagindo com os atores e dirigindo o filme dentro do filme. Mas hoje em dia, eu abraço essa ideia e considero uma grande sacada, até porque, depois do desastroso filme anterior, não vejo qual caminho satisfatório a franquia poderia tomar.

 

Mas, enfim, o fato é que temos aqui uma espécie de retorno às origens, com várias homenagens à franquia, principalmente ao primeiro filme, desde o retorno de John Saxon à cena do hospital que repete a primeira cena de morte do primeiro filme.

 

O roteiro de Craven é certeiro, porque ao mesmo tempo que fala de metalinguagem, mistura elementos do filme original, quase transformando-o em um filme da franquia mesmo, com o retorno de Nancy e dos demais personagens. Aliás, acho que se fosse um filme metalinguístico, poderia ser uma sequência direta do original, visto que tanto Nancy quanto o tenente Thompson retornam. Inclusive, seria muito interessante ver Nancy crescida, casada, sendo assombrada por Freddy, assim como Heather é assombrada por ele e por um fã louco ao longo do filme.


 

Além da questão da metalinguagem, Craven também faz uso de alguns incidentes que aconteceram, como a presença dos terremotos, que inclusive, causaram terríveis desastres em L.A. durante as gravações, além da ideia de um fã louco perseguindo Heather, algo que realmente aconteceu com a atriz após o primeiro filme. Essa questão do fã louco até teria uma solução nos primeiros rascunhos do roteiro, mas o diretor optou por não resolve-la.

 

Como mencionado acima, o filme é recheado de participações de atores envolvidos na franquia ao longo dos anos. Na cena do funeral, temos uma ponta de Nick Corri, que interpretou Rod no primeiro filme, além de Tuesday Knight, que interpretou Kirsten no quarto filme. Temos também uma ponta de Lin Shaye, aqui como uma enfermeira; além do próprio Robert Shaye. Dizem que Craven cogitou até chamar Johnny Depp, mas após vê-lo no filme anterior, retirou a proposta. Ao que parece, o ator ficou chateado ao saber que não iria participar do filme... Seria legal tê-lo aqui também, talvez interpretando a si mesmo ou outro personagem... Enfim. Além do elenco, temos também a volta da casa da personagem, algo recorrente na franquia.

 

Mas o melhor de tudo, sem dúvida, é o vilão. Aqui, Craven optou por dar uma nova roupagem a ele, a fim de combinar com a ideia de se trata de uma entidade. Então, ao invés do rosto deformado, temos uma pele quase rasgada, com os músculos em evidencia, além de uma nova luva, com detalhes que lembram uma mão esquelética, desta com cinco garras; e desta vez, juntamente com seu suéter vermelho e verde, o vilão recebeu também um sobretudo, que combinou com ele. E conforme mencionado, o vilão perdeu o humor negro. O visual do vilão foi novamente criado por David Miller, e, conforme mencionei, é o melhor desde o segundo filme. No começo do filme, temos uma ponta do ator Matt Winston, filho do saudoso Stan Winston, interpretando um técnico de efeitos especiais, mais uma sacada do roteiro.

 

Além de interpretar o vilão, o ator Robert Englund também interpreta a si mesmo, numa rara presença sem maquiagem, tirando a cena do talk-show, onde aparece com um visual parecido com o visual do primeiro filme. Nessa cena, temos também a repetição da clássica frase: “You are all my children now!”, que o vilão diz no segundo filme, mais um tributo à franquia.

 

Conforme mencionado na resenha de A Hora do Pesadelo 3, Craven tinha a ideia de trazer a metalinguagem para aquele filme, mas a ideia foi descartada. Então, quando foi convidado para fazer um novo filme, ele primeiro assistiu a todos antes de finalmente apresentar essa ideia. Curioso.

 

O filme é recheado de cenas que para mim são antológicas, como a já mencionada cena do hospital, além de cena da rodovia, minha segunda favorita. Além dessas cenas, eu gosto também do confronto final, que acontece em um tipo de inferno dos sonhos. A derrota do vilão aqui é minha favorita também.

 

O Novo Pesadelo de Wes Craven estreou em 14/ou/1994. Apesar as críticas, não foi um sucesso de bilheteria, o que enterrou a franquia nos cinemas. Dois anos depois, Wes Craven ressuscitaria o terror mais uma vez com Pânico, que trouxe o gênero slasher de volta.

 

A franquia foi lançada no Brasil em VHS, DVD e Blu-ray ao longo dos anos, mas atualmente está fora de catálogo.

 

Enfim, O Novo Pesadelo de Wes Craven é o melhor filme da franquia depois do primeiro. O retorno de Wes Craven garante momentos de nostalgia, além de várias homenagens à franquia. O vilão Freddy Krueger também retorna em nova roupagem, com toques de sadismo e sem o humor negro. Vários atores também retornam, o que deixa o filme ainda melhor, além das cenas memoráveis. Meu favorito da franquia. Um filme excelente e um fechamento digno para a franquia. 




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