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quinta-feira, 6 de julho de 2023

ÀS VEZES ELES VOLTAM (Stephen King).

 

NOTA: 8.5


Stephen King é um mestre na arte de contar histórias, seja nos livros, seja nos contos.

 

ÀS VEZES ELES VOLTAM, presente na coletânea Sombras da Noite, é mais um exemplo da genialidade do autor. Aqui temos também um tema que o autor gosta de abordar em suas obras: os adolescentes perversos; mas não é só isso.

 

Antes de chegar ao clímax, vou entrar em detalhes sobre o conto. Logo no inicio, nós temos uma noção do que aconteceu com o protagonista, o professor Jim Norman, visto que o autor deixa claro que o mesmo sofre de pesadelos com um evento ocorrido em sua infância, o assassinato de seu irmão, que foi cometido por um grupo de adolescentes.

 

E o pesadelo torna-se constante na história, visto que Norman é acometido por eles todas as noites, o que chama a atenção de sua esposa; mas o protagonista não revela a ela em momento nenhum o que aconteceu. E em determinado trecho da história, King nos conta o que aconteceu ao irmão de Norman, numa sequência assustadora e triste ao mesmo tempo – que me fez lembrar da adaptação dos anos 90.

 

E as coisas ficam piores para Norman, porque alguns de seus alunos começam a desaparecer e são substituídos por três adolescentes, que rapidamente se revelam para ele quem são de verdade. E as consequências do surgimento desses adolescentes são desastrosas.

 

Ao meu ver – e também utilizando o filme como base – , pude perceber que King faz uso aqui entidades demoníacas, ao invés de fantasmas, porque o protagonista faz uso de um livro sobre invocação de demônios e rituais para enfrentar os adolescentes; e tudo é feito de maneira brilhante, do modo como autor sempre sabe fazer.

 

Confesso que resolvi encarar a leitura do conto motivado pelo filme, que já vi algumas vezes, e acho muito bom. O conto também é muito bom, e claro, temos aqui grandes diferenças entre um e outro, principalmente no que diz respeito aos demônios. E o final do conto é mais macabro e sinistro do que o do filme – sem spoilers aqui.

 

Enfim, Às Vezes Eles Voltam é um conto muito bom. Uma historia de demônios e pesadelos escrito de maneira brilhante, do modo como Stephen King sabia fazer. A narrativa do autor é digna de pesadelos e arrepios, principalmente no que diz respeito aos vilões da historia. Uma das histórias mais populares de Stephen King, e uma de suas melhores. Altamente recomendado.


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terça-feira, 9 de agosto de 2022

O BICHO-PAPÃO (Stephen King).

 

NOTA: 8.5



Eu já disse várias vezes que Stephen King é um mestre na arte de contar histórias, seja através de livros ou contos.

 

O BICHO PAPÃO, presente na antologia Sombras da Noite, é mais um exemplo da sua genialidade. E que conto.

 

Em poucas páginas, ao autor foi capaz de escrever uma historia verdadeiramente arrepiante, capaz de nos provocar pesadelos.

 

Tudo começa na base da sugestão, narrada pelo protagonista, um homem atormentado pela morte de seus três filhos. Deitado no divã de um psiquiatra, ele vai contando tudo sobre sua vida, desde de seu casamento prematuro, passando pelo nascimento dos filhos e concluindo com suas mortes trágicas; e bem trágicas.

 

A princípio, parece que vamos ler uma historia sobre alguém que assassinou os filhos, conforme ele mesmo diz no começo, mas, conforme a leitura vai avançando, vamos descobrindo que se trata de muito mais. O homem é atormentado por uma criatura que seus filhos chamam de “Bicho-Papão”. E segundo ele, foi o monstro o responsável pela morte dos filhos. E o autor também faz questão de mostrar o quão desagradável é o protagonista, graças a suas opiniões controversas sobre certos assuntos; o que também não nos faz ser tão solidários com ele.

 

E a medida que vamos lendo, vamos mergulhando ainda mais nessa historia de horror, com o personagem contanto em detalhes como os filhos morreram e como ele os encontrou. Eu pessoalmente fiquei arrepiado, visto que o autor não nos poupa de cenas tensas.

 

E de fato temos cenas bem tensas aqui, principalmente que o protagonista descreve os elementos associados ao monstro: um som estranho, um odor peculiar... Tudo descrito com a maestria do Mestre Stephen King. E o melhor ele deixa para o final, mas não vou entrar em detalhes para não entregar spoilers.

 

Enfim, O Bicho-Papão é um conto muito bom. Uma pequena historia de horror com cenas dignas de pesadelos, tudo contado com a maestria que somente Stephen King possui. Uma historia rápida, mas arrepiante, que prende o leitor desde as primeiras linhas e o deixa largar até o final. Um ótimo conto de horror. Altamente recomendado.


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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 3 (1982). Dir.: Steve Miner.

 

NOTA: 8



Um ano após sua primeira aparição oficinal no cinema, Jason está de volta, desta vez para ficar, ainda em sua melhor forma.

 

Não sei se já comentei isso, mas, para mim, a franquia Sexta-Feira 13 funciona somente com os quatro primeiros filmes e também com o nono filme – um dos meus favoritos. Eu gosto muito da fase inicial da franquia, que era mais focada na trama e no suspense no que nas cenas de morte, ao contrário do que aconteceu com os filmes seguintes; além disso, os primeiros filmes eram bem feitos, e tinham desenvolvimento. Hoje, vou falar sobre o terceiro filme da franquia, lançado um ano após o primeiro: SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 3, também dirigida por Steve Miner.

 

Cria dos anos 80, o filme acabou sendo lançado em 3D nos cinemas, e contou com aqueles efeitos estúpidos de coisas sendo jogadas na tela, mas, mais detalhes adiante.

 

O filme é um dos mais divertidos da franquia, simplesmente porque ele é repleto de situações absurdas, mas, ao contrário dos filmes de hoje em dia, ainda é focado na tensão e no suspense do que nas cenas de morte. Durante boa parte do filme, nós acompanhamos os outros personagens, os jovens que resolvem passar o fim de semana nas cercanias do Crystal Lake, usando drogas e fazendo sexo, algo comum na franquia. Mas apesar disso, nós também podemos ver o vilão, mas somente nas sombras, em planos abertos ou planos fechados. E como disse na resenha do filme anterior, Jason está em sua melhor forma – mais detalhes sobre isso adiante.

 

No entanto, apesar de contarmos com Jason em sua melhor forma, na minha opinião, este já começa a apresentar alguns problemas, principalmente no que diz respeito aos personagens e aos “efeitos” em 3D.

 

Para começar, aqui nós temos personagens completamente genéricos, quase desprovidos de carisma e profundidade. O casal que transa só quer saber disso – principalmente o garoto; temos também um casal de hippies que passa o filme inteiro chapado, além do gordinho que adora fazer piadas para chamar a atenção de todos. Isso sem falar na mocinha, que é completamente sem sal, e, apesar de ter um background com o vilão, não convence. Não sei se o problema foi a escalação da atriz, mas o fato é que ela realmente não funciona, além de ser um pouco caricata. E tem também a questão do background dela com o vilão. Em certo momento da trama, ela relata ao namorado o que aconteceu – uma cena tensa, por sinal – numa noite após brigar com os pais: enquanto descansava aos pés de uma árvore, ela se deparou com um homem deformado que a ameaçou com uma faca; apesar de conseguir lutar com o agressor, ela diz que acabou perdendo a consciência e não se lembra do que aconteceu depois, o que nos leva a pensar que talvez o vilão tenha feito alguma coisa terrível... Eu pessoalmente não sei se é verdade, porque não consigo imaginá-lo cometendo tal ato. Mas, tirando esse detalhe, o medo e a desconfiança da protagonista ficam bem evidentes, e isso é convincente, porque a mostra como uma vítima de uma experiência traumática tentando se reerguer e voltar ao normal, mesmo sendo difícil. Como eu disse, esse detalhe é muito bem explorado, o problema é performance da atriz...

 

E sobre o casal que transa, tem um detalhe. Em certos momentos, é mencionado que a garota está grávida, mas antes, a protagonista brinca com o fato dela precisar ir ao banheiro toda hora, o que leva ao diálogo. Eu não sou um especialista, mas, pelo que eu sei, a mulher grávida vai realmente ao banheiro com certa frequência, mas após o crescimento do feto, porque ele automaticamente aperta a bexiga, mas aqui, a barriga da garota ainda nem cresceu! Então, no meu ponto de vista, foi uma falha do roteiro. Corrijam-me se eu estiver errado. E como mencionei, o garoto passa o filme todo querendo transar com ela, além de ser aquele típico mala que gosta de se exibir.

 

E claro, temos o gordinho e o casal de hippies. O gordinho é o típico inseguro, que não consegue fazer amizade com ninguém, por isso, passa o filme inteiro fazendo brincadeiras com os outros para chamar a atenção de todos, o que chega a ser irritante, falando francamente. E o casal de hippies passa o filme todo fumando maconha. Ou seja, estereótipos ao extremo.

 

Talvez os únicos personagens interessantes – fora o vilão – sejam o namorado da mocinha, a namorada do garoto gordinho e um trio de punks. Eu acho que esses personagens bem melhores que os outros, e francamente, mereciam um pouco mais de destaque no filme, principalmente os punks, que rendem momentos engraçados, além de terem uma caracterização estereotipada até a medula.

 

Mas, vamos falar dos “efeitos especiais”. Conforme mencionado no cartaz e no trailer, Sexta-Feira 13 – Parte 3 foi rodado em 3D, e como consequência, somos bombardeados por cenas de objetos sendo “jogados” na tela. Eu pessoalmente nunca fui fã de filmes em 3D, mesmo os mais antigos, e confesso que tais efeitos me incomodam, não pela qualidade, mas pela quantidade de cenas. Pessoalmente, eu preferiria que o filme não fosse rodado em 3D, e sim em 2D; seria bem melhor. No entanto, também somos brindados com cenas clássicas, como por exemplo a cena do arpão e a cena do olho saltando.

 

E claro, não posso encerrar sem falar da direção e do vilão.

 

Sexta-Feira 13 – Parte 3 foi dirigido por Steve Miner, em sua última participação na franquia, e novamente, o diretor fez um ótimo trabalho. Ele se mostrou novamente um diretor competente, principalmente nas cenas de suspense. Temos aqui ótimos planos abertos, além de movimentos e ângulos de câmera criativos. No entanto, o mesmo não pode ser dito a respeito do elenco, conforme mencionado acima.

 

E claro, temos o vilão. Conforme já mencionei, Jason está novamente em sua melhor forma, diferente do que serie mostrado nos filmes seguintes. Assim como no anterior, temos aqui um Jason atlético, que corre atrás das vítimas, além de ter movimentos ágeis, principalmente quando vai atacar alguém. Além disso, temos aqui, a introdução da famosa máscara de hóquei, que se tornou a marca registrada do vilão. O engraçado é que tal fato acontece de maneira aleatória, porque o assassino passa a usá-la após atacar o garoto gordinho, que a usou para fazer outra de suas brincadeiras. Eu pessoalmente achei tal momento muito aleatório, mas vamos admitir que é muito legal ver o nosso querido Jason com sua máscara pela primeira vez. E claro – AVISO DE SPOILER! temos a oportunidade de ver o rosto dele no final do filme, algo que se tornaria clássico na franquia. E um detalhe importante: a maquiagem do vilão foi criada pelo Mestre Stan Winston! Mesmo não creditado, existem fotos na internet de Winston ao lado do ator caracterizado com a maquiagem. Muito legal. E respectivamente, 16 anos e 17 anos depois (1998 e 1999), Winston voltaria a trabalhar com o diretor em Halloween H2O, criando a máscara de Michael Myers; e em Pânico no Lago, sendo responsável pelo crocodilo.

 

Assim como o anterior, foi distribuído pela Paramount, que possuía dos direitos da franquia, e foi distribuído no exterior, inclusive aqui no Brasil, pelo estúdio, ao contrário do que aconteceu com o primeiro. Foi lançado em VHS e DVD por aqui, mas atualmente está fora de catálogo. Lá fora, recentemente foi lançado em um box gigante em Blu-ray com todos os filmes da franquia; se tal box chegará aqui, talvez nunca saberemos.

 

Enfim, Sexta-Feira 13 – Parte 3 é um ótimo filme. Um dos mais divertidos da franquia, com uma direção competente, além de cenas memoráveis e momentos absurdos. Jason Voorhees está em forma, mostrando sua agilidade e competência como um dos maiores vilões do Slasher, além de apresentar sua famosa máscara de hóquei. Mesmo com seus defeitos, é um filme que consegue divertir e arrepiar sem fazer o menor esforço. Recomendado. 




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sexta-feira, 5 de novembro de 2021

TUBARÃO 2 (1978). Dir.: Jeannot Szwarc.

 

NOTA: 9.5



Tubarão, o Clássico de Steven Spielberg, lançado em 1975, tornou-se o primeiro filme blockbuster da história, arrecadando mais de US$ 100 milhões em bilheteria.  Motivados pelo sucesso do filme, os executivos da Universal logo se animaram para lançar uma sequência.

 

Lançado em 1978, TUBARÃO 2 foi dirigido por Jeannot Szwarc, e contou novamente com alguns membros da equipe e elenco do primeiro filme. Até hoje, é considerado a melhor sequência do filme de Spielberg, talvez por ainda contar com elementos de tensão e suspense. E realmente, é uma excelente continuação.

 

Devo dizer que esse foi um dos últimos filmes da franquia Tubarão que eu assisti, porque o meu contato com a franquia se deu da seguinte maneira: o primeiro eu assisti o Clássico; depois, veio o terceiro filme (1983); em seguida, este aqui; e por último, o quarto filme (1987). E confesso que fui pego de surpresa.

 

Sinceramente, como já estava acostumado com os filmes de tubarão, eu esperava que Tubarão 2 fosse um filme completamente diferente, com maior presença do vilão e maior número de mortes. E o que vi foi exatamente o oposto, principalmente no número de mortes, mas, mais detalhes sobre isso adiante.

 

Realmente, Tubarão 2 é um ótimo filme, e o principal motivo para isso seja o próprio desenvolvimento do longa. Os produtores Richard Zanuck e David Brown – que também produziram o original – tinham várias ideias em mente para o filme, chegando inclusive, a contar com sugestões do autor Peter Benchley, e até mesmo do próprio Spielberg, que acabaram abandonando o projeto. Após algumas sugestões, eles perceberam que o publico iria gostar de rever os personagens e o cenário do filme anterior, então, eles foram trazidos de volta.

 

O filme se passa quatro anos após os incidentes do primeiro filme, então, fomos levados de volta à Amity Island, com o Chefe Brody e os demais personagens, com adições de outros, principalmente os jovens. De fato, além dos filhos de Brody, aqui temos um elenco de jovens personagens, cuja principal atividade é sair para velejar. Além dos jovens, temos também outros adultos, entre eles, o dono do grupo imobiliário de Amity, que agora assume o posto de autoridade incrédula.

 

Sim, aqui temos isso novamente. Na verdade, talvez para os mais exigentes, Tubarão 2 pode parecer uma refilmagem malfeita do primeiro filme, uma vez que temos os mesmos elementos da trama anterior. Na verdade, não é bem assim. Mesmo contando com o elemento das autoridades incrédulas, o filme é bem diferente do original, principalmente em se tratando da trama. Aqui, nós temos um pouco mais de oportunidade de acompanhar a vida na cidade, e como o Chefe Brody exerce sua função perante todos. No primeiro filme, nós até já tivemos essa oportunidade, mas aqui, podemos desfrutar um pouco mais. E é muito bom retornar à Amity Island.

 

Conforme mencionado acima, aqui nós temos o retorno do Chefe Brody, novamente interpretado por Roy Scheider; e além dele, Lorraine Gary e Murray Hamilton retornam nos seus respectivos papéis, e também é muito bom vê-los novamente em cena. E além do elenco, e dos produtores Zanuck e Brown, o roteirista Carl Cottlieb e o design de produção Joe Alves também retornaram.

 

O elenco jovem também é um destaque. Muitos dos jovens atores eram inexperientes e logo no primeiro filme, apresentaram boas performances. O melhor é que aqueles atores realmente parecem jovens locais, que gostam de passar o tempo juntos, bebendo cerveja e se divertindo em grupos. E como em todos os grupos de jovens, nós temos aqui a famosa hierarquia, onde os perdedores são separados dos demais. No entanto, quando a situação se agrava, todos se unem para sobreviver à ameaça. Muito legal.


Outra coisa que deve ser mencionada é a direção de Szwarc. O diretor é muito bom no que faz, principalmente com seus ângulos elaborados atrás do tubarão; além disso, ele se mostra um ótimo diretor de atores, visto que seu elenco arranca ótimas performances, conforme mencionado. 


Tubarão 2 voltou a contar com John Williams na trilha sonora, e, ao contrário do que muitos devem pensar, o compositor não reaproveitou a trilha do filme de Spielberg; ao contrário, aqui temos uma trilha sonora diferente, com mais tensão e momentos líricos, com direito a harpa. Mas, não se enganem, a trilha sonora do primeiro filme ainda é a melhor de todas. 

 

E claro que não posso encerrar esse texto sem mencionar o tubarão. Segundo o designer de produção, Joe Alves, a equipe de efeitos especiais utilizou os mesmos moldes usados em Bruce para construir o peixe, com algumas diferenças. Claro, temos, por exemplo, a barbatana dorsal com o mesmo design, mas a face do tubarão é diferente, principalmente porque não tem aqueles dois detalhes na mandíbula. E assim como seu antecessor, o animatrônico apresentou problemas ao ser colocado na água, o que causou atrasos na produção. Mas a melhor parte, é a característica marcante do vilão: sua face queimada, cheia de cicatrizes, resultado do seu segundo ataque. Sem duvida, é o visual mais marcante do filme. E também temos tomadas de tubarões reais, novamente cortesia de Ron e Valerie Taylor.



E como mencionado acima, o filme apresentou alguns problemas nas filmagens, que também envolveram as câmeras utilizadas, principalmente devido às condições do tempo. Os barcos a vela também trouxeram problemas, principalmente quando começam a tombar durante o ataque do tubarão. Outras dificuldades técnicas incluem o uso das câmeras submarinas, na cena do jet-ski. A ilha artificial também trouxe problemas, visto que acabou se soltando de seu ponto de apoio e se deslocou em direção à Cuba. E o tubarão também apresentou dificuldades para funcionar em determinadas cenas. 

 

Tubarão 2 foi novamente rodado em Martha’s Vineyard, em Massachusetts. No entanto, a equipe permaneceu na locação durante 3 ou 4 semanas, e foram para a Flórida para filmar as cenas no mar. E além disso, algumas cenas debaixo d’água foram rodadas na Califórnia e nos tanques da MGM, e o realismo mais uma vez ficou evidente.

 

Para finalizar, Tubarão 2 teve sua contagem de cadáveres reduzida, visto que, segundo Zanuck e Brown, eles iriam perder seu público-alvo, os adolescentes, que iriam ao cinema para se divertir. E, após o sucesso do filme, os dois produtores logo se entusiasmaram para produzir uma nova sequência, o famigerado Tubarão 3 X People 0, que nunca foi produzido, mas chegou a ter um roteiro escrito por John Hughes e chegou a escalar o diretor Joe Dante para comandá-lo, mas, como sabemos, o projeto foi abortado.

 

Tubarão 2 foi lançado em 16/jun/1978, e tornou-se um sucesso de bilheteria, arrecadando US$ 208 milhões de dólares, apesar das críticas mistas. Foi lançado no Brasil em DVD, mas atualmente, está fora de catálogo.

 

O sucesso do filme inspirou a produção das próximas sequências, Tubarão 3, lançado em 1983 e dirigido por Joe Alves; e Tubarão – A Vingança, lançado em 1987 e dirigido por Joseph Sargent. No entanto, apesar do sucesso deste filme, as duas ultimas sequências são consideradas as piores, principalmente o último filme, que sepultou a franquia, mas não as imitações de quinta categoria...

 

Enfim, Tubarão 2 é um filme excelente. Uma sequência digna do primeiro filme, mesmo não contando com o brilhantismo de seu antecessor, mas mesmo assim, querido por muitos. O retorno do elenco original, aliados a um roteiro inspirado e uma direção afiada, fazem desta a melhor sequência do Clássico de Steven Spielberg. Um filme cheio de tensão e medo. Maravilhoso. 




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segunda-feira, 13 de setembro de 2021

AMITYVILLE II – A POSSESSÃO (1982). Dir.: Damiano Damiani.

 

NOTA: 9



Não há duvidas que Amityville é uma das maiores – talvez a maior – franquia de terror do cinema. Ao todo, foram mais de dez filmes, entre as “continuações oficiais” e produções da Asylium. No entanto, a franquia tem apenas quatro filmes, lançados entre 1979 e 2017. Eu pessoalmente não considero os filmes que vieram depois de 1983, porque são todos horríveis e não tem nada a ver com a franquia original; o único que retomou a franquia foi Amityville – O Despertar, que traz a casa de volta.

 

Mas não vou falar sobre eles. Vou falar sobre o segundo filme da trilogia original, AMITYVILLE II – A POSSESSÃO, lançado em 1982 e produzido por Dino de Laurentiis.

 

Esse foi meu primeiro contato oficial com a franquia, porque foi o primeiro filme que assisti, numa edição lastimável de banca que vinha junto com o terceiro filme. Eu aluguei muitas vezes na locadora, antes de comprar quando estavam vendendo. E devo dizer que foi uma das experiências mais assustadoras da minha vida, não porque o filme é ruim, mas porque ele é muito assustador.

 

O filme tem tantas cenas assustadoras que é difícil dizer qual é a mais. Eu pessoalmente tenho muito medo da cena em que a entidade percorre a casa à noite, fazendo barulhos sinistros. Eu já assisti várias vezes, mas quando chega nessa cena, eu sinto arrepios na espinha. E devo citar também o confronto entre o Padre Adamsky e o garoto possuído.

 

O que torna essas cenas ainda mais assustadoras, além da direção, é a ausência de trilha sonora. Eu já comentei algumas vezes que é um fator determinante para criar um momento de tensão em um filme de terror, e aqui, isso é aproveitado com habilidade.

 

Apesar de ter sido lançado três anos depois do primeiro filme, Amityville II é considerado uma prequel, porque conta para nós o que aconteceu na casa antes dos Lutz se mudarem para lá. De fato, existem certos elementos que constatam tal afirmação, principalmente a questão da possessão demoníaca e os assassinatos numa noite de chuva. No entanto, há uma cena no início do filme onde as janelas da casa estão seladas com pregos, algo que acontece no primeiro filme. Eu honestamente não sei como interpretar isso, porque aconteceu anteriormente, então... Fica a critério de cada um. Dizem também que o walkman do filho mais velho é outro ponto contra a constatação de que é uma prequel, então...  Novamente, é difícil chegar a uma conclusão.

 

No entanto, o que podemos dizer com certeza a respeito de Amityville II, é que se trata de um filme sobre possessão demoníaca, pegando carona no sucesso do Clássico Absoluto O Exorcista (1973), ainda que tardiamente. É sério, eu acho que é o último filme que tentou entrar na onda do filme de William Friedkin, mas devo dizer que é um dos melhores. As cenas de possessão são realmente muito boas, graças à maquiagem, principalmente. Eu devo dizer que quando vi tais cenas pela primeira vez, principalmente a cena dos assassinatos, eu fiquei com muito medo, porque a maquiagem é muito boa, com tudo que tem direito, até mesmo voz alterada. É tudo muito bem feito.

 

Outro ponto que quero destacar são as atuações. Alguns atores até que entregam boas performances, mas, também existem momentos em que as atuações são sofríveis, principalmente na cena dos assassinatos.

 

Agora, além da questão da possessão demoníaca, existem questões um tanto quanto controversas, todas envolvendo a família. O pai é alcoólatra e dominador; a mãe é submissa e existe um clima de incesto entre os irmãos mais velhos. Além da família, devo destacar também o padre. Sinceramente, eu não o considero um padre honesto, sem pensamentos pecaminosos; pelo contrário, é evidente a atração sexual que ele sente pela filha mais velha, e isso fica claro na cena de exorcismo. Não sei se aqueles que assistiram ao filme tiveram a mesma impressão que eu, mas vou deixa-la aqui.

 

Antes de encerrar, devo mencionar também a trilha sonora, novamente composta por Lalo Schifrin. Sinceramente, eu prefiro muito mais a trilha sonora deste filme; é mais assustadora do que a do filme anterior – na verdade, há uma certa diferença entre as duas, até mesmo o uso do coro infantil – e isso fica mais evidente em cenas especificas, principalmente no final do filme, quando há o uso de instrumentos de corda.

E como sempre, temos excelentes tomadas da casa, principalmente de suas famosas janelas, dignas de arrepios, a marca registrada da trilogia.

 

Foi lançado em VHS e DVD – em edição de banca – no Brasil, mas estava fora de catálogo até que foi relançado em DVD pela Obras-Primas do Cinema no box Trilogia Terror em Amityville, em versão remasterizada.

 

Enfim, Amityville II – A Possessão é um filme assustador, com uma atmosfera de pesadelo que provoca arrepios no espectador. Um clima de medo enche o longa desde o começo e deixa o espectador apavorado. As cenas de possessão são muito boas e assustadoras, principalmente a cena de exorcismo, e a trilha sonora provoca arrepios sem o menor esforço. Um filme excelente.


Créditos: Obras-Primas do Cinema

 

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segunda-feira, 2 de novembro de 2020

NOSFERATU (1922). Dir.: F.W. Murnau.

 

NOTA: 10



Desde que sua publicação, no final do século XIX, Drácula, do autor Bram Stoker, tornou-se um sucesso. Na virada do século XX, a obra passou a ser adaptada para o cinema, por vários cineastas, ao longo dos anos. Foram mais de 200 adaptações, entre elas, clássicos absolutos, produções medianas, produções trash e grandes bombas. A primeira adaptação surgiu em 1920, em um filme húngaro chamado A Morte de Drácula. Infelizmente, não sabemos quase nada a respeito desse filme, porque ele foi perdido. Então, eis que, em 1922, surgiu aquela que é considerada a primeira adaptação oficial do livro de Bram Stoker: NOSFERATU, dirigido por F.W. Murnau. 

 

Nosferatu é um Clássico do Cinema, não apenas do cinema de horror. É um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, e até hoje, mantém o seu poder de causar calafrios no espectador. Lançado no auge do Expressionismo Alemão, o filme é um dos maiores representantes do movimento; o maior ainda é O Gabinete do Dr. Caligari, lançado dois anos antes. O Expressionismo Alemão foi um estilo de cinema que surgiu nos anos 20, cuja maior caraterística eram as imagens distorcidas, geralmente de personagens e cenários, graças ao uso de recursos cinematográficos e maquiagem. Além do filme de Murnau e de Caligari, o movimento teve outros grandes exemplares, como Metrópolis (1927), de Fritz Lang, considerado um marco no cinema de ficção cientifica.

 

Mas não é apenas seu papel no movimento que faz de Nosferatu uma obra atemporal. Ele também foi o responsável pela introdução do cinema de terror gótico, apresentando algumas das características que se tornariam marcas no gênero, como por exemplo, portas que se abrem sozinhas, o castelo no alto da colina, a própria ambientação, com teias de aranha, e cortinas esvoaçantes. Tudo o que conhecemos do terror, pode-se dizer que surgiu com o filme de Murnau, apesar de eu não ter 100% de certeza a respeito disso.

 

Bom, o fato é que o filme é, sim, muito assustador. Desde o momento em que o Conde Orlok, interpreto por Max Schreck, surge, já sentimos um calafrio na espinha, principalmente por causa de sua aparência – mais sobre isso adiante. E o terror não para. Vale lembrar que o filme foi lançado numa época em que o cinema de terror era mais artístico, com toques belos, que conseguiam assustar, muito diferente do que vemos atualmente. Nosferatu é um exemplo. Não há dúvida que o filme é belíssimo. A fotografia é um dos principais fatores, e deu ao filme um ar de mistério e fantasia, que passou a ser copiado por diversos cineastas nas décadas seguintes.

 

A direção de Murnau é excelente. O diretor conseguiu criar cenas belíssimas com os recursos que tinha à disposição, e, praticamente com uma única câmera, devido a questões de orçamento. Graças a isso, o filme é repleto de cenas memoráveis, desde o começo, quando Hutter e sua esposa se abraçam apaixonadamente, passando pelas cenas no castelo, a cena na praia, e a famosa cena das sombras de Orlok nas escadas.

 

E o medo está presente, principalmente após a chegada do vampiro a Wisborg. Não sabemos o que ele vai fazer, mas ficamos apreensivos, e não conseguimos tirar os olhos da tela. Tudo isso acompanhado às cenas da esposa de Hutter angustiada, esperando que o marido volte para casa. E a coisa fica ainda pior, uma vez que a chegada do vampiro é acompanhada pela chegada da Peste, o que obriga dos cidadãos a ficarem trancados em casa. Ou seja, não há escapatória. O vampiro é imbatível e está disposto a dizimar a população da cidade. Uma coisa realmente assustadora.

 

Além da fotografia, o filme também foi inovador pelo fato de ser o primeiro filme rodado em locação. O filme teve locações na Alemanha, principalmente na cidade de Wismar, além de locações em Lauenburg, Rostock e em Sylt. Outras locações foram nos próprios Montes Cárpatos, principalmente no Castelo de Orava, e também em Tatras Altos, na fronteira entre a Eslováquia e a Polônia. De todas essas locações, a mais impressionante é o Castelo de Orava, que serviu de cenário para o castelo do conde. Realmente, o lugar dá a impressão de ser um castelo assombrado, com suas janelas enormes e portas que se abrem sozinhas. Espetacular. 

 

Porém, o melhor fica para o Conde Orlok. Sua caracterização é absolutamente aterrorizante: o vampiro é alto, magro, veste-se todo de preto, careca, com orelhas e unhas pontudas e dentes frontais afiados. É uma figura digna de pesadelos. Segundo informações, Orlok é o mais próximo da ideia original que Bram Stoker tinha de Drácula; ao contrário do conde charmoso e aristocrático, ele seria repulsivo e nada atraente. Como ainda não li o livro, não posso dizer se tal afirmação está correta, mas concordo com ela.

 

Provavelmente, Nosferatu é conhecido também por sua história de bastidores problemática. O que aconteceu foi que os realizadores, e principalmente o estúdio, a Prana-Films, não consultaram a família de Stoker para comprar os direitos de adaptação, talvez porque não sabiam, ou então, não se preocuparam. O fato é que a viúva do autor ficou furiosa com todos os envolvidos, e mesmo com as alterações nos nomes dos personagens, ela ordenou que as copias do filme fossem destruídas. Felizmente, antes disso, algumas copias conseguiram ser levadas para fora da Alemanha, o que possibilitou a exibição do filme fora do país. Ainda bem, porque senão, o filme entraria para a lista de filmes perdidos, o que seria uma lástima, porque, queira ou não, o filme é um registro histórico. Hoje em dia, é considerado um dos filmes mais importantes da Alemanha, e um marco do Expressionismo Alemão, e o filme mais famoso de Murnau.

 

Outra história de bastidores, aliás, uma lenda de bastidores, é a de o ator Max Schreck era, de fato, um vampiro. Não sei de onde tal boato surgiu, mas talvez tenha relação com seu sobrenome, que em alemão significa “Medo” ou “Terror”. Seja como for, o fato é que esse boato ficou conhecido por muito tempo. Outra história de bastidores que surgiu é a de o produtor, Albin Grau, estava envolvido com ocultismo, e, inclusive, existe a historia de que símbolos ocultistas estejam presentes na carta que Knock recebe do Conde; e outra história de bastidores, envolve o provável envolvimento da produtora Prana-Films com o Nazismo, e inclusive, o próprio filme foi considerado como parte da propaganda antissemita. Se todos são verdade, talvez nunca saibamos.

 

Mesmo quase 100 anos desde seu lançamento, o filme se mantem muito forte, tendo influenciado uma série de outros filmes do gênero, e também diversos cineastas, como por exemplo, o diretor Tim Burton, fã declarado do Expressionismo Alemão, que homenageou o movimento, e o filme em Batman, o Retorno, com o vilão Max Schreck, interpretado por Christopher Walken.

 

Em 1979, ganhou um excelente remake dirigido por Werner Herzog, e estrelado por Klaus Kinski, Isabelle Adjani e Bruno Ganz.

 

Teve seus bastidores retratados no excelente A Sombra do Vampiro (2000), dirigido por E. Elias Merhige, e estrelado por John Malkovich, no papel de Murnau, Willem Dafoe, no papel de Schreck, e Udo Kier, como o produtor Albin Grau. Apesar de focar nos bastidores da produção, o filme é uma obra de ficção, principalmente porque faz uso da lenda de que Schreck era um vampiro de verdade. Mesmo assim, é altamente recomendado.

 

Foi lançado em DVD por aqui pela Versátil Home Vídeo, primeiro na coleção Vampiros no Cinema, e depois na caixa Nosferatu – Edição Definitiva Limitada, juntamente com o excelente remake de 1979.


Enfim, Nosferatu é um Clássico do Cinema. Um filme verdadeiramente assustador, que ainda mantém seu impacto, quase 100 anos após seu lançamento. Uma história arrepiante, repleta de características que se tornariam parte do cinema de terror gótico, e que consegue assustar e provocar calafrios sem o menor esforço. A direção de F.W. Munrau torna o filme ainda mais belo e impressionante, com luzes e sombras distorcidas. A atuação de Max Schreck é o grande ponto do filme, e o ator dá vida a um personagem arrepiante, diabólico e repulsivo. A primeira adaptação registrada do clássico de Bram Stoker. Um marco do Expressionismo Alemão, e um dos Filmes Mais Assustadores da História. Obrigatório para fãs de cinema. Altamente recomendado. 



Créditos: Versátil Home Vídeo 


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https://livrosfilmesdehorror.home.blog/


terça-feira, 2 de junho de 2020

´SALEM (Stephen King).


NOTA: 10



'SALEM
Acredito que a primeira vez que ouvi falar em Salem’s Lot, segundo livro do autor Stephen King, foi em um documentário sobre a vida do autor, onde o livro foi mencionado pelo título que recebeu por aqui anteriormente, A Hora do Vampiro. A segunda vez foi com a adaptação para TV dirigida por Tobe Hooper.

A existência da adaptação me motivou a querer ler o livro, mas, na época, já não estava mais disponível. Foi só recentemente que adquiri a minha edição, agora lançada pela Editora Suma com o título ‘SALEM, e esse ano, resolvi sentar para ler. Dito e feito.

‘Salem é excelente. É uma das melhores historias de vampiro que já li, e um dos melhores livros de Stephen King, e já é um dos meus favoritos.

Quem conhece Stephen King, sabe que vários de seus livros são dignos de nota, pelo simples fato de serem muito bem escritos. Não há duvidas que o autor é um mestre na arte da escrita, e um excelente contador de historias, e ‘Salem é mais uma prova disso. É um livro maravilhoso, com narrativa envolvente e muito bem amarrada, que prende o leitor desde a primeira página. E, além disso, é muito assustador.

Em minha opinião, a cena mais assustadora é a cena do cemitério, onde um dos personagens é atacado por um dos primeiros vampiros. A cena mais arrepiante é a segunda cena da janela, que acontece com o personagem do garoto. Melhor não dizer mais nada, para não entregar spoilers.

Seja como for, o fato é que todos os personagens do livro são críveis, como se fossem pessoas de verdade. Esse é um dos grandes trunfos do autor, a capacidade de criar personagens que se parecem com as pessoas que vemos no nosso dia-a-dia. E não apenas os personagens, o cenário também.

Meus momentos favoritos são quando o autor descreve para nós a cidade de Jerusalem’s Lot e seus habitantes. Durante a leitura, eu pude me ver dentro daquela cidade, interagindo com as pessoas, de tão realista que é a descrição. É o tipo de coisa que o autor faz com brilhantismo e perfeição.

Como já havia assistido à adaptação de Tobe Hooper, não foi difícil visualizar os personagens conforme apresentados na minissérie, nem algumas cenas do livro que entraram na mesma, duas em especial.

Conforme comentou em um programa de TV, o autor é fã do vampiro clássico, e aqui ele pôde prestar as homenagens; os vampiros aqui presentes dormem em caixões, têm medo de crucifixos, não saem durante o dia, são monstruosos, e devem ser convidados para entrar em um recinto. Mais clássico impossível. Também não foi difícil visualizá-los como foram retratados na minissérie.

Mas o melhor de todos, é o Mr. Barlow, o vilão da historia. Ao contrario da versão apresentada na minissérie de Tobe Hooper, aqui, Barlow é um aristocrata europeu, charmoso, elegante, articulado. Quase um Drácula do século XX. Aliás, não lembro onde foi, mas eu li que o autor Stephen King fez de ‘Salem sua própria versão do livro de Bram Stoker. E funcionou, e muito bem.

Além da excelente adaptação de Tobe Hooper, lançada em 1979, ‘Salem também recebeu outra adaptação, também para TV, em 2004. Na época em que vi pela primeira vez, confesso que achei um ótimo filme, principalmente por causa dos vampiros; mas, hoje em dia, considero um filme bem fraco. Recentemente, foi anunciado que uma nova adaptação, desta vez para o cinema, está em desenvolvimento, com James Wan envolvido. Vamos aguardar.

Enfim, ‘Salem é um livro excelente. Uma historia de horror muito bem contada, e bem amarrada, onde tudo se encaixa. A escrita de Stephen King é magistral, e prende a atenção e envolve o leitor, do começo ao fim. Uma clássica historia de vampiro, com todas as características e homenagens à literatura do gênero. Uma trama arrepiante e sangrenta, com cenas dignas de causar pesadelos. Um dos melhores livros de Stephen King, com certeza. Maravilhoso. Altamente recomendado.




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sábado, 8 de fevereiro de 2020

A COMPANHIA DOS LOBOS (1984). Dir.: Neil Jordan.


NOTA: 10



A COMPANHIA DOS LOBOS (1984)
A COMPANHIA DOS LOBOS é um filme lindo! Lançado em 1984, é a segunda aventura de Neil Jordan na direção; dois anos antes, ele estreou no cinema com Angel, O Anjo da Vingança, onde também iniciou sua parceria com o ator Stephen Rea, que se tornaria seu colaborador recorrente.

À primeira vista, o filme parece uma versão adulta da historia da Chapeuzinho Vermelho, devido às semelhanças da narrativa com o conto original. Na verdade, o filme é uma adaptação de uma historia da escritora Angela Carter, que trabalhou no roteiro ao lado do diretor. Apesar de fazer parte do gênero terror, eu pessoalmente, classifico o filme como uma obra de fantasia. E assistindo, fica claro o motivo dessa classificação.

É um filme belíssimo, cheio de cores, sombras e luzes, mas, principalmente, sombras. Além disso, é um verdadeiro filme de terror gótico, com tudo que tem direito. Claro, não chega aos pés de um filme do Maestro Mario Bava, mas, possui alguns dos elementos presentes no gênero. Sem duvida, o mais evidente é a floresta envolta em névoas, presente em algumas cenas; outros elementos também aparecem, como o próprio visual da pequena igreja da vila e o cemitério com as lapides inclinadas.

Não só isso. É um filme de fantasia na melhor concepção da palavra. Jordan deu a ele um aspecto de sonho mesmo, o que o deixa ainda mais bonito de se ver. E a cada revisão, ele fica melhor. Eu já sabia que o filme era maravilhoso, e após a ultima revisão, minha opinião não mudou. É o tipo de filme que prende a atenção do espectador, seja pela narrativa, pela fotografia, pelo design de produção... Enfim, tudo nele contribui para sua beleza.

Esse aspecto de sonho se deve muito ao orçamento limitado. Segundo o próprio diretor, ele encontrou dificuldades em trabalhar com o orçamento de que dispunha para criar o visual do filme; mesmo assim, o resultado ficou excelente, e deu ao longa um aspecto tanto fantasioso quanto claustrofóbico. Em vários momentos, os cenários são tão pequenos que parece os personagens vão ser esmagados por eles, ou então, dá a impressão de que eles estão, de fato, presos em um mundo de fantasia criado pela menina em seus sonhos. Não é o tipo de sensação que encontramos em muitos filmes de terror hoje em dia.

Então, A Companhia dos Lobos pode ser considerado somente como um filme de fantasia, e não como um filme de terror? Ao contrário. É um verdadeiro filme de terror. Apesar de classifica-lo mais como um filme de fantasia, eu admito que é, sim, um filme de terror. O terror está em dois pontos. O primeiro é a atmosfera. Conforme já mencionado, é um filme de terror gótico, e isso já o faz ser assustador. Existem cenas que provocam arrepios na espinha. Uma delas acontece no inicio do filme, quando a irmã da protagonista é atacada e morta por um bando de lobos. Além de contar com aspecto de pesadelo, a cena conta com efeitos especiais convincentes, que deixam-na mais arrepiante; um deles é o bonequinho que ganha vida e corre atrás da garota, antes de ser derrubado por ela. A fotografia também é um elemento-chave. As cenas noturnas são verdadeiramente arrepiantes e sombrias, e passam a sensação de insegurança. Realmente, eu não queria me aventurar naquela floresta depois do escurecer. As árvores estão mortas, sem folhas, com galhos secos e retorcidos, semelhantes a garras, e parece que vão nos agarrar e nos engolir. É tudo muito bem feito.

Outro ponto são os efeitos especiais. Mesmo para a época, são muito bons e convencem sem esforço. A primeira grande cena é justamente a primeira cena de transformação. É uma cena assumidamente sangrenta, com efeitos práticos muito bem executados. Desde a primeira vez que a vi, fiquei impressionado porque é realmente uma cena bem feita. Parece que de fato, o ator Stephen Rea está se transformando em lobo – uma transformação visceral, diga-se de passagem – arrancando sua pele, expondo seus músculos cobertos de sangue, enquanto seu rosto e seu corpo se modificam, até atingirem a forma completa de um lobo. A última cena de transformação também é excelente – inclusive, é a melhor cena do filme. Ao contrario da primeira, ela não possui litros de sangue, mas consegue ser mais violenta, devido à performance do ator Micha Bergese. Para os mais exigentes, talvez essas cenas pareçam falsas, mas, para mim, é exatamente o contrario. São muito melhores do que qualquer efeito digital de hoje.

O elenco é também um ponto a favor. Todos, sem exceção, entregam atuações muito boas e convincentes. Parece mesmo que aquelas pessoas são reais e vivem naquela época. Inclusive, alguns até entregam atuações que beiram ao cômico, como por exemplo, o ator que interpreta o garoto apaixonado por Rosaleen. Logo na sua primeira cena, no funeral, ele mostra a língua para a menina e leva um peteleco da mãe. É muito engraçada. O garoto é um completo palhaço, sempre tentando conquistar Rosaleen, seja por meio de presentes ou usando um passeio na floresta depois da missa. Mas suas investidas mostram-se fracassadas. Difícil assistir e não rir. Mas a melhor cena acontece quando ele chega correndo na vila, avisando que há um lobo nas redondezas. O pai da menina, assustado por não vê-la, dá-lhe uma surra, que se transforma em uma briga coletiva, com direito a socos, empurrões e banhos de água. Hilário. Difícil assistir e não dar risada.

Mas, apesar das atuações convincentes, quem rouba a cena são os veteranos Angela Landsbury e David Warner, que interpretam a avó e o pai de Rosaleen. Dona de uma respeitável carreira no cinema e o teatro, ela dá um show interpretando a Vovó, oscilando entre o cômico e o sério. De verdade. É a típica avó que cuida da netinha e lhe passa lições de vida, além de contar suas historias de feras que vivem na floresta. A melhor cena é quando ela o padre discutem no pátio da igreja após o mesmo atingi-la na cabeça com um galho que acabou de podar. Uma discussão muito engraçada, que fica melhor toda vez que revejo o filme. David Warner também não decepciona. Assim como Landsbury, ele também parece um pai verdadeiro, disposto a proteger e cuidar da família. E o melhor é que o ator convence muito como um típico pai de vilarejo do século XVIII. Na verdade, a atriz que interpreta a mãe de Rosaleen também convence.

No entanto, quem dá coração ao filme é a atriz Sarah Patterson, fazendo sua estreia no cinema. Ela entrega uma atuação espetacular. Sua Rosaleen é a própria imagem da inocência juvenil: ingênua, mas inteligente, ela vive em um mundo de fantasia, e não tem medo dos possíveis perigos que vivem na floresta, nem mesmo quando encontra o Caçador. Além disso, ela ficou perfeita na caracterização da Chapeuzinho Vermelho, fugindo da imagem clássica da personagem – loira de olhos azuis. Difícil dizer qual a melhor cena. Ao que parece, ela era muito mais jovem do que as outras atrizes que o diretor de elenco procurava, além do fato de que ela não poderia compreender os temas adultos presentes na narrativa. Mas o importante é que ela conseguiu entregar uma excelente atuação, e criou uma das melhores personagens do horror dos anos 80.

Além de ser um filme de lobisomens, A Companhia dos Lobos é também uma antologia. Mas não é típica antologia, que começa com a primeira historia e vai passando para as outras. Aqui, a antologia se desenrola por meio das historias que a Vovó conta para Rosaleen. E não são uma seguida da outra. Ocorre um período de tempo entre uma historia e outra, o que deixa o filme mais interessante, e às vezes, faz com que esqueçamos que estamos diante de uma antologia. E não é apenas a Vovó conta historias. Rosaleen também suas próprias historias para contar, e são tão assustadoras quanto as da Vovó. Difícil dizer qual a melhor, mas a minha favorita é a ultima, que acontece no final do filme.

E além de ser um filme de lobisomens e uma antologia, o filme também é uma historia de amadurecimento e despertar sexual, representados pela própria Rosaleen. É possível perceber o quanto ela amadurece durante o filme, seja por meio das historias de sua avó, seja por conta própria. É impressionante a transformação da personagem, de uma garotinha a uma adolescente prestes a descobrir o sexo. Um desses momentos acontece quando ela ouve os pais fazendo sexo à noite, e no dia seguinte questiona a mãe o que aconteceu entre eles. Não sei vocês, mas para mim, isso mostra o quão crescida a menina está. Mas sem duvida, o verdadeiro despertar acontece quando ela encontra o Caçador na casa da Vovó. Mesmo não contendo nada explicito – até porque não poderia – a sequencia é carregada de conteúdo erótico, representado pela figura sedutora do Caçador. Além disso, dá ênfase à historia original da Chapeuzinho, que diziam, era repleta de conteúdo adulto, envolvendo até pedofilia, canibalismo e zoofilia.

Mas nada disso impede A Companhia dos Lobos de ser um conto de fadas. Como já mencionado, o filme possui um aspecto de sonho e fantasia, que e chega até ser meio infantil. Um dos motivos é o fato de que foi todo filmado em estúdio, provavelmente pelo orçamento limitado. Mas nada disso é um defeito. Os cenários parecem verdadeiros e são muito bem feitos. Outra limitação orçamentaria é o fato de o diretor utilizar pastores-belga para simular os lobos, uma vez que o roteiro pedia a presença de mais lobos. Mas isso também não é um empecilho. Eu consigo imaginar aqueles cachorros como se fossem lobos, sem o menor problema, principalmente por causa da sua aparência. Lobos de verdade só aparecem algumas vezes no filme, e por poucos minutos. Mas como já disse, não faz a menor diferença; o importante é que convence muito bem e sem esforço.

E qual a minha cena favorita? Bom, não posso dizer, porque acontece no final do filme, então seria um spoiler. Só digo que é belíssima, e que servirá de inspiração para mim no futuro.

A Companhia dos Lobos foi lançado em Setembro de 1984, e foi recebido com criticas positivas, apesar de não ter tido uma boa bilheteria. Além de receber criticas positivas, o filme recebeu vários prêmios ao redor do mundo. No Brasil, foi lançado em Julho de 1987. Não sei se chegou a ser lançado em VHS por aqui, mas foi lançado em DVD, numa edição de banca. Atualmente, está fora de catálogo. Lá fora, já foi lançado em Blu-ray, em belíssima versão restaurada. 

Sobre o lançamento nos cinemas americanos, uma curiosidade: o filme foi distribuído pela Cannon Group, que o divulgou como um filme de terror, contraria à intenção do diretor Neil Jordan, que acreditava que tal intenção seria enganosa.

Conforme mencionei na resenha de Grito de Horror, A Companhia dos Lobos faz parte de uma “trilogia” de filmes de lobisomens lançados nos anos 80. Na verdade, outros exemplares do gênero também foram lançados nessa época, mas sem duvida, os mais memoráveis são: Grito de Horror, Um Lobisomem Americano em Londres e A Companhia dos Lobos, que em minha opinião, é o melhor deles.

Enfim, A Companhia dos Lobos é um filme belíssimo. Um filme de terror gótico com elementos de fantasia. Um dos melhores filmes de lobisomens de todos os tempos.

Maravilhoso.

Altamente recomendado.



"Little girls, this seems to say
Never stop upon your way
Never trust a stranger friend
No one knows how it will end
As you're pretty, so be wise
Wolves may lurk in every guise
Now as then, 'tis simple truth
Sweetest tongue has sharpest tooth."









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