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segunda-feira, 27 de maio de 2024

MADHOUSE – A CASA DO TERROR (1974). Dir.: Jim Clark.

 

NOTA: 8.5


Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

Mas hoje, não estou aqui para falar sobre as antologias do estúdio, e sim, sobre MADHOUSE – A CASA DO TERROR, produzido em parceria com a American International Pictures.

 

Este é um dos filmes mais divertidos e criativos do estúdio, apesar de contar com alguns problemas, mas, mais detalhes adiante.

 

Com toda certeza, seu maior atrativo é contar com a presença dos grandes Vincent Price e Peter Cushing no elenco, além do também grande Robert Quarry.

 

Se fosse somente pela presença dos dois astros, o filme já valeria a pena, mas, o longa tem mais atrativos. A começar pela própria trama, que é repleta de criatividade e metalinguagem, além de apostar no suspense digno de Giallo, e situações sinistras.

 

No entanto, apesar da criatividade, a produção deste filme foi bem problemática.

 

Os executivos da American Internation Pictures, aliados com a Amicus Productions, adquiriram os direitos do livro Devilday, do autor Angus Hall, para adaptação. Mas, no decorrer do caminho, alterações foram feitas no roteiro, além de surgirem problemas nas gravações. O resultado foi um fracasso de bilheteria, que culminou no fim das produções de terror da AIP.

 

Na trama, Price interpreta o ator Paul Toombes, famoso no gênero terror pela sua interpretação do Dr. Morte, um sádico assassino. Numa noite de Ano Novo, Paul testemunha a morte de sua noiva e vai parar em uma instituição psiquiátrica, pois acredita que ele mesmo é o culpado. Anos depois, ele viaja a Londres, a fim de estrelar uma série de TV do personagem Dr. Morte; mas, com a sua chegada, mortes misteriosas começam a acontecer.

 

Pela sinopse, é um típico filme de suspense e terror psicológico, onde o protagonista é perturbado por um trauma do passado e coisas misteriosas começam a acontecer ao seu redor, obrigando-o a pensar se ele é o culpado ou não.

 

Eu mesmo já vi alguns filmes com uma trama semelhante, e, falando francamente, se for um filme bem-feito, eu gosto muito. Aqui, felizmente, é um desses casos, porque desde o começo, fica claro que a morte da noiva de Paul foi um gatilho para prejudicar sua mente. Aproveitando-se dessa situação, alguém começa a matar as pessoas próximas a ele, a fim de incriminá-lo. E a identidade do responsável é mantida em segredo até o final, e digo aqui, que é uma surpresa.

 

Eu não sei vocês, mas, sempre que eu vejo esse filme, eu penso que o assassino é outra pessoa, mesmo com as dicas falsas que o roteiro apresenta ao espectador.

 

Além de apostar no clima de mistério digno de Giallo – principalmente por causa dos closes das luvas pretas do assassino –, o roteiro também aposta na metalinguagem, visto que Paul viaja a Londres para participar de uma série de TV. Então, temos aqui, cenas que passam nos estúdios de gravação, além de contar com a presença do diretor e produtores da série. Este é outro tipo de filme que eu gosto de ver, porque me dá uma ideia de como é uma gravação, com o trabalho do diretor e dos produtores.

 

No entanto, apesar de ser bastante criativo, o filme apresenta alguns problemas. O maior deles é a presença dos pais de uma das vítimas do assassino, que passam boa parte do filme chantageando Paul, a fim de extorquir seu dinheiro. Eu não vejo problemas com personagens assim, pelo contrário; o problema é que os dois não são muito bem escritos e não são bem interpretados.

 

Outro problema, acontece na sequência do programa de entrevistas, porque, o assassino está na plateia, mas, a câmera foca em outro personagem deixando e entrando no estúdio após uma pessoa morrer. Eu acho essas duas sequências bem problemáticas, principalmente quando o assassino é revelado.

 

Como é um filme co-produzido pela AIP, Madhouse tem de fato, cara de ser uma produção do estúdio, principalmente por causa das presenças de Vincent Price e Robert Quarry, que atuaram em produções da AIP anteriormente. Aliás, o filme faz uso de imagens de arquivo dos filmes de Price no Ciclo Edgar Allan Poe, de Roger Corman, que se passam por filmes do Dr. Morte, um belo exemplo da picaretagem do estúdio.

 

Antes de encerrar, uma curiosidade bem bacana. Na sequência da festa à fantasia, tanto Robert Quarry, quanto Peter Cushing aparecem vestidos de vampiros; só que Cushing está vestido de Drácula, e Quarry está vestido de Conde Yorga, seu personagem mais famoso na AIP.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, na caixa Amicus Productions, em versão remasterizada, com um documentário como extra.

 

Enfim, Madhouse – A Casa do Terror é um filme muito bom. Uma trama arrepiante, cheia de mistério com uma direção competente. A presença dos astros Vincent Price e Peter Cushing é o grande destaque, e os astros dão um show de atuação, especialmente Price, que transita entre a sanidade e a loucura de maneira ímpar. O roteiro é bem redondo, mas apresenta alguns problemas que chegam a atrapalhar a experiência. Mesmo assim, este é uma das melhores produções da American International Pictures, aqui em parceria com a Amicus. Muito bem recomendado. 


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

terça-feira, 8 de novembro de 2022

O PÁSSARO SANGRENTO (1987). Dir.: Michele Soavi.

 

NOTA: 9.5



Michele Soavi foi o último dos grandes diretores do cinema de horror italiano, tendo sido responsável por um dos maiores filmes de zumbi de todos os tempos, o clássico Pelo Amor e Pela Morte (1994), o longa que encerrou de vez o ciclo do horror italiano no cinema.

 

Em 1987, Soavi estreou na direção com O PÁSSARO SANGRENTO, um Slasher metalinguístico, e um dos melhores do gênero. Assim como seus outros filmes, este aqui é carregado de imagens líricas e momentos de pura beleza.

 

O Pássaro é um verdadeiro espetáculo visual, com suas cenas carregadas de violência e momentos de tensão, combinados à direção de Soavi, que já mostrou altamente capacitado.

 

Conforme mencionado acima, O Pássaro é um Slasher, no sentido clássico da palavra, com tudo que tem direito, desde a figura do assassino mascarado, até as cenas de morte sangrentas, e aqui, temos muito sangue.

 

O importante é dizer que, na época do lançamento do filme, o gênero americano estava em queda, com produções de baixa qualidade e pouco inspiradas, além de continuações dos clássicos já estabelecidos – que não são ruins, vale lembrar. Em comparação com o que era produzido nos Estados Unidos, O Pássaro é excelente.

 

Também conforme mencionado acima, O Pássaro é um Slasher metalinguístico, porque fala justamente de uma peça de teatro dentro do filme, e logo na abertura, somos brindados com uma sequencia ambientada em um palco, mas não sabemos disso até que o diretor da peça aparece e encerra a apresentação; aí, descobrimos que se trata de um ensaio.

 

A partir daí, somos brindados com muitas cenas ambientadas dentro do teatro, com o elenco e a equipe se preparando para a estreia da peça, mas, conforme descobrimos, se torna impossível, não apenas pelo pouco tempo que eles têm, mas por causa da figura do assassino.

 

Antes de falar dele, vou falar dos personagens. A começar pelo diretor da peça, Peter. Ele é um grande cretino, que não ouve ninguém, e está disposto a realizar a peça a qualquer custo, e não pensa duas vezes antes de dispensar a protagonista. Alicia, a protagonista, tem bom coração e quer se provar uma boa atriz, mas também bate de frente quando precisa. Brett é um ator de temperamento forte, que não liga para a opinião dos outros e afronta os membros da equipe. Os demais são aqueles típicos personagens caricatos e exagerados, comuns nas produções italianas, mas não deixam de ser interessantes.

 

Já o assassino é o melhor personagem do filme, a começar pelo visual. Durante o filme inteiro, ele veste uma roupa preta e usa uma grande máscara de coruja; um visual belíssimo. E assim como seus colegas americanos, ele é implacável e não poupa ninguém, utilizando métodos criativos para matar os personagens.

 

Em relação às cenas de morte, temos aqui, algumas das mais sangrentas do gênero. Conforme mencionado acima, o assassino faz uso da criatividade para executar os crimes, com tudo que está à sua disposição, desde uma motosserra à um machado. Temos aqui decapitações, corpos cortados ao meio e pessoas perfuradas. A melhor cena é a da furadeira, que me surpreendeu na primeira vez que assisti ao filme. Após as cenas de morte, temos um verdadeiro espetáculo armado no palco pelo assassino.

 

A direção de Soavi aqui é correta e criativa, com belos truques de câmera e momentos de beleza, que se tornariam marca do cineasta nos filmes futuros.

 

Além das cenas de morte, temos também cenas muito tensas, principalmente quando a protagonista foge do assassino. A cena da chave é a mais tensa de todas, justamente porque não sabemos como vai acabar.

 

O Pássaro foi produzido por Joe D’Amato, um dos grandes nomes do cinema bagaceiro italiano, responsável por mais de 100 produções. O roteiro foi escrito por Luigi Montifiore, também conhecido por George Eastman, que esteve presente em O Antropófago, dirigido por D’Amato.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Slashers, após anos fora de catalogo.

 

Enfim, O Pássaro Sangrento é um filme maravilhoso. Um Slasher italiano, com assassinatos criativos, cenas antológicas e momentos arrepiantes. Um filme que entra em conflito com os slashers produzidos nos Estados Unidos na época, e que consegue ser melhor do que eles. Um dos filmes mais assustadores de todos os tempos. Excelente.


Créditos: Versátil Home Vídeo


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sexta-feira, 1 de julho de 2022

O NOVO PESADELO DE WES CRAVEN (1994). Dir.: Wes Craven.

 

NOTA: 10



Em 1984, quando lançou A Hora do Pesadelo, Wes Craven não sabia o quão importante seu filme seria para o gênero, e o quão popular o seu vilão, o assassino Freddy Krueger, se tornaria ao longo dos anos. O sucesso do primeiro filme motivou os donos da New Line a transformar o filme em uma franquia.

 

Em 1994, Wes Craven lançou O NOVO PESADELO DE WES CRAVEN, também conhecido como O Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy Krueger.

 

Bom, vou ser sincero aqui. Este é o meu filme favorito da franquia, simplesmente porque foi o que eu mais aluguei na locadora, no VHS da saudosa América Vídeo. Também foi o meu primeiro contato com a franquia e com o personagem, por isso tenho um carinho especial por esse filme.

 

Além de ser o meu favorito da franquia, este é também o melhor depois do primeiro, na opinião de muitos fãs do terror e também dos fãs da própria franquia. Talvez o principal motivo seja o retorno de Craven, que resgatou o clima de ambiguidade do primeiro filme, além de trazer o vilão na sua forma maligna, sem o humor negro dos filmes anteriores; fora o novo design do vilão, que na minha opinião, é o melhor desde o segundo filme.

 

Aqui, Craven mostra que realmente é o dono da franquia, com sua direção madura e inspirada, e um roteiro metalinguístico extraordinário, onde o diretor apresenta uma justificativa para o vilão, transformando-o em uma entidade maligna que se libertou após o último filme da franquia, e agora, está a solta no mundo real. Eu confesso que quando assisti a esse filme pela primeira vez, eu estranhei essa ideia, porque não sabia nada sobre metalinguagem, então, para mim, era muito estranho ver o próprio diretor do filme interagindo com os atores e dirigindo o filme dentro do filme. Mas hoje em dia, eu abraço essa ideia e considero uma grande sacada, até porque, depois do desastroso filme anterior, não vejo qual caminho satisfatório a franquia poderia tomar.

 

Mas, enfim, o fato é que temos aqui uma espécie de retorno às origens, com várias homenagens à franquia, principalmente ao primeiro filme, desde o retorno de John Saxon à cena do hospital que repete a primeira cena de morte do primeiro filme.

 

O roteiro de Craven é certeiro, porque ao mesmo tempo que fala de metalinguagem, mistura elementos do filme original, quase transformando-o em um filme da franquia mesmo, com o retorno de Nancy e dos demais personagens. Aliás, acho que se fosse um filme metalinguístico, poderia ser uma sequência direta do original, visto que tanto Nancy quanto o tenente Thompson retornam. Inclusive, seria muito interessante ver Nancy crescida, casada, sendo assombrada por Freddy, assim como Heather é assombrada por ele e por um fã louco ao longo do filme.


 

Além da questão da metalinguagem, Craven também faz uso de alguns incidentes que aconteceram, como a presença dos terremotos, que inclusive, causaram terríveis desastres em L.A. durante as gravações, além da ideia de um fã louco perseguindo Heather, algo que realmente aconteceu com a atriz após o primeiro filme. Essa questão do fã louco até teria uma solução nos primeiros rascunhos do roteiro, mas o diretor optou por não resolve-la.

 

Como mencionado acima, o filme é recheado de participações de atores envolvidos na franquia ao longo dos anos. Na cena do funeral, temos uma ponta de Nick Corri, que interpretou Rod no primeiro filme, além de Tuesday Knight, que interpretou Kirsten no quarto filme. Temos também uma ponta de Lin Shaye, aqui como uma enfermeira; além do próprio Robert Shaye. Dizem que Craven cogitou até chamar Johnny Depp, mas após vê-lo no filme anterior, retirou a proposta. Ao que parece, o ator ficou chateado ao saber que não iria participar do filme... Seria legal tê-lo aqui também, talvez interpretando a si mesmo ou outro personagem... Enfim. Além do elenco, temos também a volta da casa da personagem, algo recorrente na franquia.

 

Mas o melhor de tudo, sem dúvida, é o vilão. Aqui, Craven optou por dar uma nova roupagem a ele, a fim de combinar com a ideia de se trata de uma entidade. Então, ao invés do rosto deformado, temos uma pele quase rasgada, com os músculos em evidencia, além de uma nova luva, com detalhes que lembram uma mão esquelética, desta com cinco garras; e desta vez, juntamente com seu suéter vermelho e verde, o vilão recebeu também um sobretudo, que combinou com ele. E conforme mencionado, o vilão perdeu o humor negro. O visual do vilão foi novamente criado por David Miller, e, conforme mencionei, é o melhor desde o segundo filme. No começo do filme, temos uma ponta do ator Matt Winston, filho do saudoso Stan Winston, interpretando um técnico de efeitos especiais, mais uma sacada do roteiro.

 

Além de interpretar o vilão, o ator Robert Englund também interpreta a si mesmo, numa rara presença sem maquiagem, tirando a cena do talk-show, onde aparece com um visual parecido com o visual do primeiro filme. Nessa cena, temos também a repetição da clássica frase: “You are all my children now!”, que o vilão diz no segundo filme, mais um tributo à franquia.

 

Conforme mencionado na resenha de A Hora do Pesadelo 3, Craven tinha a ideia de trazer a metalinguagem para aquele filme, mas a ideia foi descartada. Então, quando foi convidado para fazer um novo filme, ele primeiro assistiu a todos antes de finalmente apresentar essa ideia. Curioso.

 

O filme é recheado de cenas que para mim são antológicas, como a já mencionada cena do hospital, além de cena da rodovia, minha segunda favorita. Além dessas cenas, eu gosto também do confronto final, que acontece em um tipo de inferno dos sonhos. A derrota do vilão aqui é minha favorita também.

 

O Novo Pesadelo de Wes Craven estreou em 14/ou/1994. Apesar as críticas, não foi um sucesso de bilheteria, o que enterrou a franquia nos cinemas. Dois anos depois, Wes Craven ressuscitaria o terror mais uma vez com Pânico, que trouxe o gênero slasher de volta.

 

A franquia foi lançada no Brasil em VHS, DVD e Blu-ray ao longo dos anos, mas atualmente está fora de catálogo.

 

Enfim, O Novo Pesadelo de Wes Craven é o melhor filme da franquia depois do primeiro. O retorno de Wes Craven garante momentos de nostalgia, além de várias homenagens à franquia. O vilão Freddy Krueger também retorna em nova roupagem, com toques de sadismo e sem o humor negro. Vários atores também retornam, o que deixa o filme ainda melhor, além das cenas memoráveis. Meu favorito da franquia. Um filme excelente e um fechamento digno para a franquia. 




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