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sábado, 17 de fevereiro de 2024

A FILHA DE SATÃ (1962). Dir.: Sidney Hayers.

 

NOTA: 8.5


Eu não assisti a muitos filmes de bruxaria, mas digo que A FILHA DE SATÃ é um dos melhores, e um dos meus filmes de terror favoritos.

 

Lançado em 1962, e distribuído nos Estados Unidos pela lendária American International Pictures, este é um filme com uma atmosfera sinistra que se predomina desde o começo e vai até o final, construída com uma grande maestria.

 

Desde a primeira vez que assisti a esse filme, fui tomado por uma sensação de nostalgia – mesmo não tendo vivido naquela época – e uma conexão com os filmes de horror produzidos na Inglaterra naquela época, principalmente aqueles produzidos pela lendária Hammer.

 

Em vários momentos, o filme lembra as produções contemporâneas da Hammer, principalmente por causa da atmosfera e da ambientação britânica.

 

Mas não é apenas a ambientação que torna esse um dos meus filmes de terror favoritos; o roteiro, escrito por Richard Matheson e Charles Beaumont, a partir de um conto de Fritz Leiber, é muito bom e aposta pouco a pouco na questão da bruxaria, deixando no inicio, um clima de mistério, principalmente a respeito da relação entre o casal de protagonistas e os personagens secundários, que os tratam de maneira diferente. No entanto, após descobrirmos que Tansy, esposa do professor Norman Taylor, é uma bruxa, o roteiro aposta a fundo no tema da bruxaria, com direito a feitiços e objetos sagrados.

 

Após revelar que Tansy é uma bruxa, o roteiro nos mostra o quão perigosa a vida do casal se torna, principalmente a vida de Norman, a começar pela falsa acusação de assedio por uma garota que o admirava nas salas de aula; em seguida, o namorado da garota o ameaça com um revolver. Eu gosto muito dessa primeira ameaça à vida de Norman porque remete a um filme de suspense passional.

 

Outra coisa muito boa que o roteiro faz é deixar em aberto até perto do final se o que está acontecendo ao casal é fruto de bruxaria ou não, e faz isso muito bem, porque deixa essa duvida no ar, até chegar ao final, quando a verdadeira vilã é revelada – não direi quem é para não dar spoilers.

 

Além do roteiro, a direção de Sidney Hayers é muito boa, e o cineasta arranca ótimas performances de seus atores, mesmo aqueles que interpretam papeis secundários. De todos os atores, o casal protagonista está muito bem aqui, principalmente o ator Peter Wyngarde, que interpreta o cético professor Norman. O ator convence muito bem, passando o ceticismo com naturalidade. Este é um dos melhores personagens do cinema de horror na minha opinião.

 

No seu país da origem, foi lançado com o título Night of the Eagle, que remete ao final do filme, quando a vilã faz uma bruxaria para atacar o protagonista e faz uma estatua de uma águia ganhar vida. Alias, as estatuas de águias são elementos importantes na narrativa, presentes desde a primeira cena, dando uma espécie de pressagio do que vai acontecer ao longo do filme.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Obras-Primas do Terror 4, em versão restaurada.

 

Enfim, A Filha de Satã é um filme muito bom. Uma historia de bruxaria contada com maestria, aliada a um elenco inspirado. A ambientação inglesa também contribui para deixar o filme ainda melhor a cada revisão, além de deixar o longa mais nostálgico. Um dos melhores filmes de bruxaria de todos os tempos.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


terça-feira, 30 de maio de 2023

O CAÇADOR DE BRUXAS (1968). Dir.: Michael Reeves.

 

NOTA: 8.5


Filmes sobre a Caça às Bruxas não são fáceis de assistir, e o principal motivo são as cenas de tortura e execução. Não apenas por causa das cenas de tortura, mas também porque relatam de forma quase realista esse período cruel da Humanidade.

 

O CAÇADOR DE BRUXAS é mais um desses filmes, produzidos durante as décadas de 60 e 70, e um dos melhores deles. Lançado em 1968, com direção de Michael Reeves, o filme conta com o astro Vincent Price em sua melhor atuação.

 

Além de ser um dos melhores filmes da carreira do astro, este é também um dos melhores filmes de terror britânicos dos anos 60.

 

E motivos para isso não faltam. O filme é muito bem feito, bem escrito, bem dirigido e bem atuado. As locações na Inglaterra são maravilhosas e tornam o filme atraente e convidativo.

 

Assim como todos os filmes sobre o tema da caça às bruxas, aqui temos um filme de horror focado no terror real; ou seja, não há presença de criaturas, demônios ou outras coisas do gênero. Ao meu ver, isso torna esses filmes ainda mais assustadores, porque temos a visão de como deve ter sido esse período horrível da História da Humanidade, onde a ignorância e o medo reinavam sobre o bom senso. E aqui não é diferente – mais detalhes à frente.

 

Além de ser um filme extremamente violento, O Caçador de Bruxas também pode ser considerado um filme sobre História, uma vez que conta a historia de Matthew Hopkins, um advogado britânico que se tornou um caçador de bruxas. Segundo relatos, Hopkins percorria o interior da Inglaterra, ao lado de seu assistente, a fim de encontrar e executar pessoas acusadas de bruxaria. Não sei como ele era na realidade, mas aqui, o astro Vincent Price entrega uma excelente performance.

 

O restante do elenco também não faz feio, principalmente os atores Ian Ogilvy, Hillary Dwyer e Robert Russell. Ogilvy e Dwyer interpretam o casal protagonista, ameaçado por Hopkins, e convencem muito bem nos papeis, dando a impressão que são apaixonados um pelo outro, e quando o personagem de Ogilvy decide se vingar de Hopkins, é a mesma coisa. Russel faz o papel do assistente de Hopkins, John Stearne, e consegue arrancar ódio do espectador.

 

Mas não tem jeito. O Caçador de Bruxas pertence ao astro Vincent Price. O ator faz uma interpretação espetacular, encarnando o Mal absoluto. O seu Matthew Hopkins é aquele típico personagem que mete medo no espectador toda vez que aparece em cena, e é verdade. Acho impossível não ter medo do Hopkins de Price, porque ele é o Mal na Terra, usando e abusando de requintes de crueldade para conseguir arrancar confissões de seus acusados. Hopkins não poupa ninguém, e acredita que está fazendo a coisa certa, o que faz dele um dos maiores vilões de todos os tempos.

 

Quem também não faz feio é o diretor Michael Reeves. Sua câmera faz um ótimo trabalho, com seus planos gerais das locações, além de outros planos. Reeves também se mostrou um grande diretor de atores, e não arranca performances caricatas de seu elenco, principalmente dos protagonistas.

 

Como mencionado acima, O Caçador de Bruxas retrata a época da caça às bruxas, que, conforme dito, foi um dos piores períodos da Humanidade. Era uma época onde a ignorância e o medo reinavam sobre o bom senso, e os métodos mais absurdos eram utilizados para conseguir extrair confissões dos acusados. Métodos como tortura, agulhadas e afogamento eram empregados, sem piedade aos acusados, algo que hoje em dia é visto como absurdo. Eu já assisti a alguns filmes sobre esse tema, e sinceramente, o terror real é muito pior do que o terror fantástico, e a ignorância é de provocar raiva no espectador.

 

O Caçador de Bruxas teve seus bastidores conturbados por causa das desavenças entre o astro Vincent Price e o diretor Michael Reeves. Segundo informações da internet, o diretor queria o ator Donald Pleasence para interpretar Hopkins, mas devido a ordens da A.I.P., Price acabou sendo escalado. As coisas continuaram ruins entre eles, com direito ao astro chegando bêbado no set, ou caindo literalmente do cavalo em uma cena. No entanto, após assistir ao filme, Price mandou uma carta à Reeves, parabenizando-o pelo seu trabalho. O diretor Michael Reeves acabou falecendo em 1969, vítima de overdose.

 

Antes de encerrar, mais um pouco de informações a respeito de Matthew Hopkins. Tudo que se sabe sobre ele, é que foi um caçador de bruxas britânico, mas existem fatos de sua vida envoltos em mistério, como por exemplo, a data de seu nascimento – dizem que nasceu em 1620 – e sua própria morte.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Caça às Bruxas no Cinema, em versão restaurada, após anos fora de catálogo.

 

Enfim, O Caçador de Bruxas é um filme muito bom. Um longa assustador e violento, que retrata o período da caça às bruxas com fidelidade ímpar. O astro Vincent Price tem a melhor atuação da sua carreira, aqui no papel do advogado caçador de bruxas Matthew Hopkins. Price assusta toda vez que aparece na tela, e os atos de seu personagem arrancam arrepios do espectador. A direção de Michael Reeves também é muito boa, e o diretor arranca ótimas atuações de seu elenco. Um dos filmes mais violentos de todos os tempos, e um dos melhores da década de 60. Altamente recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.

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terça-feira, 23 de maio de 2023

A CASA QUE PINGAVA SANGUE (1971). Dir.: Peter Duffell.


 NOTA: 8.5



Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

A CASA QUE PINGAVA SANGUE, lançado em 1971, é uma delas, e uma das minhas favoritas. Me arrisco a dizer que é a minha favorita, porque foi a primeira que assisti, e toda vez que assisto, o filme fica ainda melhor.

 

O roteiro, escrito por Robert Bloch, a partir de suas histórias, é composto por quatro segmentos, algo muito comum em uma antologia, dividir o filme em segmentos. Além disso, o longa parece se encaixar no gênero de casa assombrada, visto que o principal cenário é uma casa que causa um efeito estranho em seus moradores.

 

Method for Murder: Um escritor e sua esposa se mudam para uma casa no interior da Inglaterra, para que o homem possa se recuperar de um bloqueio criativo. Uma noite, ele tem uma ideia para seu novo livro, e passa a escrevê-lo de forma compulsiva. No entanto, ele também passa a ser atormentado por visões com o vilão da história.

 

Waxworks: Um homem solitário compra a casa a fim de esquecer um amor do passado. Um dia, durante um passeio pela cidade, ele descobre um museu de cera, e, intrigado, decide entrar. Lá dentro, ele se depara com a escultura de uma mulher que se parece muito com a mulher que amou. Quando um amigo vai visita-lo, o mesmo também se torna obcecado pela estranha figura, o que gera terríveis consequências.

 

Sweets to Sweet: Um homem se muda para a casa com sua filha após a morte de sua esposa. Preocupado com o estranho comportamento da filha, o homem contrata uma professora particular, que passa a ensinar a menina. Durante suas leituras, a menina descobre um livro sobre bruxaria e passa a aprender os truques descritos nas páginas.

 

The Cloak: Um temperamental ator se muda para a casa, a fim de concluir as filmagens de seu novo filme. Após uma confusão no set, ele acaba se deparando com um estranho cartão de uma loja de fantasias. Ao chegar lá, ele compra uma antiga capa de vampiro e passa a usá-la no filme. No entanto, a capa logo revela sua verdadeira natureza.

 

Mais uma vez, temos uma antologia comum, com seus segmentos simples. No entanto, aqui temos também os interlúdios, focados na investigação do Inspetor Holloway, primeiramente com a polícia, e depois com o corretor de imóveis.

 

 Além de ser uma das melhores antologias da Amicus, A Casa também é mais uma aventura do escritor Robert Bloch no estúdio, tendo participado também outras produções para o estúdio. O roteiro de Bloch é muito bom, principalmente quando se trata dos segmentos, porque, assim como em produções anteriores, o estúdio soube apresentar os mais básicos elementos do terror de forma brilhante e convincente.

 

Junto a isso, temos aqui a presença dos lordes do horror, Christopher Lee e Peter Cushing, trabalhando mais uma vez para o estúdio. Ambos estão muito bem em seus papéis, e mais uma vez, se mostram como grandes nomes do horror que eram. Ao lado deles, temos a estrela Ingrid Pitt, um dos grandes nomes do horror britânico, atuando na última história.

 

O diretor Peter Duffell fez um bom trabalho aqui, criando cenas verdadeiramente assustadoras e tensas, principalmente na primeira e na última histórias. Ambas possuem cenas de tensão, focadas nos personagens, sem o uso de trilha sonora, algo que, conforme já mencionei em outras resenhas, é um ótimo elemento para assustar.

 

A Casa é um típico filme de horror produzido na Inglaterra naquele período, o que faz parte do seu charme, graças às cenas e o clima nostálgico. Esse é o tipo de elemento que me atrai nos filmes desse período, porque eles têm um apelo diferente em relação aos filmes produzidos nos Estados Unidos, por exemplo.

 

O longa é uma antologia, certo? E como todas, sempre tem uma historia que é melhor que as outras. Aqui não é diferente. Na minha opinião, a melhor é The Cloak, a última. Toda vez que assisto a esse segmento, eu gosto mais, porque é uma história verdadeiramente arrepiante, além de focar na metalinguagem, e ser uma releitura das histórias de vampiros. O segmento é muito bom e prende a atenção por causa desses elementos, e por causa do seu final. O final do filme em si, com o Inspetor Holloway enfrentando os vampiros também é muito legal e assustador.

 

Enfim, A Casa que Pingava Sangue é um filme muito divertido. Uma antologia clássica, com seus segmentos brilhantes, cada um com seu charme próprio. Um clima de nostalgia e mistério preenchem o filme e o deixam ainda melhor a cada revisão. A presença de grandes astros do horror britânico também é um destaque, combinado com o roteiro inspirado de Robert Bloch. Uma das melhores antologias da Amicus Productions. 



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sábado, 20 de março de 2021

PUMPKINHEAD - A VINGANÇA DO DIABO (1988). Dir.: Stan Winston.

 

NOTA: 9



Stan Winston foi um dos grandes mestres dos efeitos especiais do cinema. Desde os anos 80, ele foi o responsável pelas maiores criaturas do cinema de fantasia. Seus trabalhos incluem o androide do Exterminador do Futuro (1984), os dinossauros de Jurassic Park (1993), o Pinguim de Batman, o Retorno (1992) e Edward Mãos-de-Tesoura (1990), entre outros. Todas essas criaturas foram criadas dentro de seu estúdio, com o auxilio de grandes profissionais.

 

Além de ser o responsável por essas e outras criaturas fantásticas, Winston também foi o diretor de um dos melhores filmes de terror dos anos 80, mas que infelizmente, não é tão conhecido assim: PUMPKINHEAD - A VINGANÇA DO DIABO, lançado em 1988.

 

Devo dizer o seguinte sobre esse filme: é, sem duvida, um dos melhores filmes do gênero, que contou com uma direção segura do mestre e claro, efeitos especiais de ponta, que deram vida a um monstro espetacular e assustador.

 

O filme é excelente. Ao contrario dos demais exemplares que surgiram na mesma década, esse é um filme de terror sério, sem nenhum espaço para alivio cômico, e com uma atmosfera de tragédia, pesadelo e conto de fadas. Sim, conto de fadas. Por quê? Porque o tempo todo parece que estamos assistindo a uma fábula, com uma criatura assustadora e uma moral no final, além do clima sombrio e assustador dos contos de fadas de antigamente, como eram contados realmente.

 

Além disso, outra coisa que torna o filme digno de nota é a sua concepção. O roteiro foi inspirado num poema de Ed Justin e numa lenda do folclore americano – que se é real ou não, não sei – e o tempo todo essa questão dessa criatura mitológica é mostrada na tela, principalmente levando em conta a ambientação interiorana americana, com as pessoas pobres, sujas, que moram em casas simples. Tudo é mostrado de forma convincente, o que aumenta ainda mais o grau de realismo. E a lenda do Cabeça de Abóbora aumenta ainda mais essa sensação, uma vez que o filme mostra que a criatura é vista como maldita pela região, e seus habitantes não querem nem ajudar quem está a sua mercê. Ou seja, é o tipo de lenda que circula com força pela região e assusta as pessoas há gerações.

 

Outro ponto positivo é a direção. Anteriormente, Winston vinha de direção de segunda equipe em O Exterminador do Futuro, mas aqui, ele estreou de fato no comando de um longa com o pé direito. Winston faz um excelente trabalho, e sua direção é segura e até madura, e ele se mostra um grande diretor de atores, uma vez que o elenco entrega atuações convincentes, fazendo a gente acreditar que aquelas pessoas são reais. E a caracterização deles também é muito boa, com destaque para o personagem Ed Harley, interpretado por Lance Henriksen, com seu ar de ingenuidade de homem do campo. Um trabalho de gênio. Além disso, a direção de fotografia também é um ponto positivo. Basicamente, o filme possui três cores, o laranja, o vermelho e o azul. O laranja é usado para as sequencias diurnas; o vermelho para as cenas a luz de velas e na casa da bruxa; e o azul para a noite. E as cores pulsam na tela de forma brilhante, principalmente o vermelho e o azul. É quase um filme do Maestro Mario Bava, quase porque ninguém é capaz de refazer o que ele fazia, que fique claro.


A direção de arte e o design também não ficam para trás. Como é um filme ambientado no interior dos Estados Unidos, a gente talvez espera encontrar pequenas comunidades, de casas simples, com animais perambulando. Pois é exatamente isso que é mostrado aqui, sem pudor. Toda a simplicidade, a falta de recursos e a sujeira são mostrados com detalhes impressionantes que beiram ao realismo. A paisagem é abandonada, com aspecto gótico e assombrado; o tipo de paisagem que mete medo em qualquer um. Um dos destaques vai para a casa da bruxa; toda decorada com animais mortos, ossos e crânios e uma lareira que lança labaredas amarelas. Ou seja, a casa de bruxa clássica dos contos de fadas. O cemitério de aboboras também merece menção. Um lugar cheio de nevoa, com arvores podres e aboboras velhas. Um lugar assustador. E tem também uma pequena igreja gótica em ruínas, muito bem feita também.



E por fim, não posso deixar de mencionar os efeitos especiais, criados pelo estúdio de Winston. O Cabeça de Abobora é uma das melhores e mais assustadoras criaturas do cinema de horror: alto, esquelético, de pernas e braços longos, garras afiadas e uma cabeça em formato de abobora. Uma criatura digna de pesadelos. O monstro foi interpretado por Tom Woodruff Jr., que passou o filme inteiro dentro de uma fantasia de borracha. Pois bem, aí que está a magia. Os efeitos são tão bons que a gente esquece que aquilo é um homem numa fantasia; parece de fato um monstro de verdade. Tudo criado com efeitos práticos, que não ficam datados e fazem muita falta hoje em dia. O filme também tem boas cenas de gore, com destaque para a cena da janela; um banho de sangue. Mas quem ganha destaque mesmo é o monstro, e suas cenas são arrepiantes. O filme faz questão de escondê-lo até o ultimo instante, mostrando apenas detalhes de suas mãos e garras. E quando ele finalmente aparece, a espera é compensada. 

 

Uma ultima coisa que vale comentar é a relação entre Harley e seu filho Billy. Desde que eles aparecem, fica claro que os dois são sozinhos e mundo e dependem um do outro para sobreviver. Harley é um pai amoroso, que cuida do filho com carinho e demonstra seu amor o tempo todo. As cenas em que ambos aparecem juntos são dignas de lagrimas nos olhos, de tão bonitas. E quando a tragédia acontece, nós ficamos com pena do pai. E a cena da tragédia é toda construída de maneira brilhante, com cortes para o pai e o filho e para os jovens na motocicleta. Qualquer um que assiste é capaz de adivinhar o que vai acontecer, sem esforço.

 

Pumpkinhead foi lançado primeiramente em 1988 de maneira limitada. O que aconteceu foi que a produtora, a De Laurentiis Entertainment Group, enfrentou problemas financeiros e acabou indo à falência. Em seguida, foi lançado novamente em Janeiro de 1989 pela MGM, mas não obteve bons resultados de bilheteria. No entanto, com o passar dos anos, acabou adquirindo status de cult entre os fãs do gênero. Recebeu quatro continuações, uma direto para o vídeo, e duas para a TV, uma delas com Doug Bradley no elenco. Dessas continuações, somente a primeira, Pumpkinhead II - O Retorno (1994), vale a pena.


Stan Winston faleceu em 15/jun/2008. Até hoje, é reconhecido como um dos maiores criadores de efeitos especiais, e suas criações são reverenciadas por vários cinéfilos e cineastas. 


Foi lançado em VHS no Brasil com o título de A Vingança do Diabo, mas também é conhecido por aqui como Sangue Demoníaco. Após anos fora de catalogo, foi lançado aqui em DVD pela 1Films Entretenimento, em edição especial em DVD duplo, com um disco cheio de extras.

 

Enfim, Pumpkinhead, A Vingança do Diabo é um filme excelente. Uma historia de horror com elementos de fantasia e conto de fadas, que consegue assustar sem o menor esforço. A direção segura e madura de Stan Winston, combinados com uma fotografia colorida e efeitos especiais de ponta, fazem deste um dos melhores filmes de terror dos anos 80. O Cabeça de Abóbora é uma das melhores e mais assustadoras criaturas do cinema de horror. Um filme assustador. Altamente recomendado.



Créditos: 1Films Entretenimento.



EXTRA:

O poema de Ed Justin, que serviu que serviu inspiração para o filme:

“Keep away from Pumpkinhead,
Unless you’re tired of living,
His enemies are mostly dead,
He’s mean and unforgiving,
Laugh at him and you’re undone,
But in some dreadful fashion,
Vengeance, he considers fun,
And plans it with a passion,
Time will not erase or blot,
A plot that he has brewing,
It’s when you think that he’s forgot,
He’ll conjure your undoing,
Bolted doors and windows barred,
Guard dogs prowling in the yard,
Won’t protect you in your bed,
Nothing will, from Pumpkinhead!”

Agradecimentos: https://www.horrorgeeklife.com/2017/03/02/pumpkinhead-poem/

 

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sábado, 21 de novembro de 2020

HÄXAN, A FEITIÇARIA ATRAVÉS DOS TEMPOS (1922). Dir.: Benjamin Christensen.

 

NOTA: 10



Filmes sobre a Caça às Bruxas não são fáceis de assistir, e o principal motivo são as cenas de tortura e execução. Pois bem, não sei qual o primeiro filme a retratar esse período vergonhoso da historia da Humanidade, mas, sem dúvida, HÄXAN, A FEITIÇARIA ATRAVÉS DOS TEMPOS (1922) é um dos melhores e mais assustadores, mesmo quase cem anos após seu lançamento.

 

Não se engane. Mesmo depois de tanto tempo, o filme continua relevante e atual, e principalmente, muito assustador. Häxan é um filme profano até a medula, com suas imagens perturbadoras e chocantes, até para os padrões atuais.

 

O diretor Benjamin Christensen teve como base o polêmico O Martelo das Feiticeiras (Malleus Maleficarum), o mais famoso livro sobre Caça às Bruxas da História, publicado no século XV, que se tornou uma espécie de guia para a Inquisição durante a época. Pois bem, segundo informações, o diretor mostrou interesse em fazer um filme sobre o livro, ainda em 1919, e pelos dois anos seguintes, estudou o tema a fundo. A pós-produção levou um ano para ser concluída, enquanto a fotografia principal levou cerca de oito meses. Como resultado, o filme tornou-se o longa europeu mais caro do cinema mudo.

 

Como mostrado já nos letreiros de abertura, o filme é divido em sete capítulos. No primeiro capitulo, somos apresentados a uma espécie de documentário, mostrando a representação do Demônio e das bruxas durante a Idade Média, usando como imagens, as clássicas ilustrações da época. Nos capítulos seguintes, o filme apresenta uma espécie de recriação da época medieval, como se fosse uma espécie de antologia. O mais pesado fica para os capítulos 4 até o capitulo 6, onde o diretor relata como foi a época da Inqusição, mostrando sem pudores o julgamento e tortura de uma velha senhora, acusada de bruxaria. E no ultimo capitulo, o filme nos leva até a Era Moderna, no caso, o começo da década de 20, onde o avanço da Ciência tenta nos dar uma explicação racional para o que na Idade Média era considerado como manifestações do Demônio, como por exemplo, doenças mentais e deformidades.

 

Do começo ao fim, Häxan é uma obra importante para os fãs de cinema. No quesito técnico, apresenta grandes cenas com efeitos especiais, como por exemplo, projeções, animação stop-motion e maquiagem. São cenas muito boas, e até hoje não deixam de ser impressionantes, pelo menos para mim. Difícil destacar uma cena especifica, porque são todas muito bem feitas, principalmente a maquiagem das criaturas, mais detalhes adiante.

 

Além de fazer uso de efeitos especiais dignos de nota, o diretor também não mostra pudor ao retratar a realidade, principalmente nas cenas históricas. Não espere pessoas com maquiagem para simular a sujeira e a velhice; não, aqui é tudo mostrado na cara dura: imperfeições, dentes faltando, sujeira, tudo que tem direito. E além disso, o diretor também faz questão de mostrar até mesmo cenas de nudez, mesmo que maneira quase imperceptível, e também, sacrifícios humanos e rituais satânicos com realismo impressionante.

 

Como mencionado acima, a maquiagem é um dos destaques. Os demônios e as criaturas são retratados de maneira quase que realista, principalmente o próprio Satã, interpretado pelo próprio diretor. Não me lembro de ter visto uma caracterização tão profana quanto a mostrada aqui, nem mesmo em outros filmes que falam sobre o assunto. A maquiagem é tão perfeita que faz pensar que aquelas criaturas são reais, o que aumenta o grau de realismo.

 

E a melhor sequência do filme, sem dúvida, é a sequência da Missa Negra dentro da floresta. Tem de tudo: profanação, sacrifícios, nudez, adoração à Satã... Tudo feito de uma maneira impressionante, que, novamente, beira ao realismo. É de fato uma sequência perturbadora e quase desconfortável, principalmente por conta das imagens de profanação e adoração à Satã, mas também não deixa de ser impactante e digna de nota, por conta da maneira como foi dirigida e montada. Uma sequência arrepiante e digna de pesadelos.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, em versão restaurada, com três opções de áudio e muitos extras. Lá fora, recebeu uma nova restauração em 4k em Blu-Ray pela Criterion; anteriormente, foi lançado em DVD no Brasil pela Magnus Opus; e além disso, como está em domínio publico, pode ser encontrado no YouTube sem dificuldades.

 

Enfim, Häxan, A Feitiçaria Através dos Tempos é um filme excelente. Uma obra verdadeiramente assustadora, com imagens e cenas dignas de pesadelos. Um filme muito bem feito, e que até hoje, impressiona, por conta de seus efeitos especiais e cenas antológicas. O diretor Benjamin Christensen faz um relato histórico detalhado e impressionante da época medieval, passando pela Inquisição, e mostrando, sem pudor, cenas de tortura, violência, nudez e profanação. Sem dúvida, uma obra profana até a medula, mas não menos impressionante e atual. Um dos filmes de terror mais assustadores de todos os tempos. Perturbador. Arrepiante. Macabro. Excelente. Altamente recomendado.

 


Créditos: Obras-Primas do Cinema



Agradecimentos:

Canal Boca do Inferno.com.br


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sábado, 23 de novembro de 2019

A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA (1999). Dir.: Tim Burton.


NOTA: 10



A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA 
(1999)
A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA é um filme belíssimo! É um dos meus filmes favoritos do diretor Tim Burton – o primeiro é Marte Ataca! (1996) – e sem duvida, um dos seus melhores – aliás, nenhum filme do Tim Burton é ruim, e ponto! Não digo isso só porque sou fã, mas porque é verdade.

Eu tive o prazer de ver esse filme no cinema com a minha família duas vezes, a primeira na semana da estreia, e outra no ultimo dia, e adorei. Foi uma das melhores experiências da minha vida, porque a historia original de Washington Irving faz parte da minha vida desde sempre, principalmente por causa da maravilhosa animação da Disney. Aliás, por anos, foi a única versão que eu conhecia, e quando soube que iria acontecer, fiquei muito animado. Eu queria ver esse filme! E minha mãe compartilhava esse sentimento, porque, uns dias antes, ela me acordou de madrugada para assistir a um especial sobre ele na TV, e eu adorei, e a minha vontade de assistir aumentou. E quando fomos ao cinema, fomos pegos de surpresa pela primeira cena, com o cocheiro decapitado. Sem duvida, uma das melhores apresentações de um filme. E o resto da sessão correu muito bem, com as surpresas surgindo a cada momento. E quando fomos novamente para o cinema, a sensação não mudou. E continua assim até hoje.

É o tipo de filme que não fica chato quando assistimos; pelo contrario, fica melhor a cada vez. E isso se deve à genialidade de Tim Burton. Desde que o descobri com Marte Ataca!, lançado três anos antes, eu me apaixonei, e essa paixão dura até hoje. Tim Burton é o meu cineasta favorito, e é o diretor que me inspira a querer fazer filmes, da mesma forma que os filmes de terror que ele assistia na infância também o inspiraram. E aqui, ele presta diversas homenagens a esses filmes.

Burton cresceu assistindo aos filmes de Roger Corman com Vincent Price, seu ídolo maior, além das produções da Hammer com Christopher Lee, e outros. Na minha opinião, infância melhor não há. Nada melhor do que assistir aos filmes que você gosta, com os atores e diretores que você gosta, e acabar se inspirando neles no futuro. Afirmo, sem medo, que Tim Burton é a minha inspiração.

Nada em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça é ruim. A fotografia em preto e branco é linda; a direção de arte, impecável; o figurino, belíssimo; a maquiagem, incrível... Tudo é lindo. E é possível ver o quanto Burton é um cineasta excepcional. Sua direção é madura e correta, com todos os detalhes em ordem, do jeito que deveriam estar, tudo feito da maneira que ele sabe fazer.

Com certeza a paixão do cineasta pelo material é um dos fatores a favor do filme. Burton conhecia a historia desde pequeno, através da animação da Disney, e para ele, havia algo de extraordinário na figura de um Cavaleiro Sem Cabeça, correndo a cavalo pela floresta com a espada e a abobora nas mãos. E dá para ver que ele levou isso para o filme. Em vários momentos, a animação da Disney está presente, principalmente nas cenas envolvendo o Cavaleiro. Sério. Parece que Burton pegou a animação e literalmente a transformou em um filme live-action, porque é tudo muito parecido! Não apenas as cenas envolvendo o Cavaleiro, mas a cena da ponte também. A própria ponte que divide o lugarejo de Sleepy Hollow em dois, é idêntica à ponte da animação; foi inclusive uma das coisas que me chamou atenção no cinema. E as homenagens não param por aí.

Além disso, o clima soturno da animação também está presente no filme, principalmente nas cenas noturnas. Um exemplo é a cena de exumação no cemitério. Parece a abertura da animação, com as lapides inclinadas diante da igreja. Muito bem feita. E claro, a sequencia da floresta também remete ao filme da Disney, até porque, a sequencia de perseguição entre Ichabod e o Cavaleiro já era soturna e assustadora; e aqui, Burton recria essa sensação.

Mas claro, além de prestar homenagens aos filmes de sua infância, Burton também homenageia a historia original de Irving, apesar das inúmeras diferenças. A mais evidente, para mim, é a Fazenda Van Tassel. Em vários momentos, Irving descreve a casa de Baltus Van Tassel como um enorme castelo, e aqui, isso foi reproduzido com fidelidade. A casa parece mesmo um castelo; na verdade, parece um castelo de historias de fantasmas; todo imponente, que pode ser visto do topo da colina... Uma construção arrepiante. O próprio lugarejo de Sleepy Hollow também passa essa impressão. Uma pequena comunidade no meio do campo, praticamente isolada do mundo, com animais como vacas, ovelhas e gansos correndo ao ar livre. Um lugar bonito, mas com uma atmosfera assustadora. E claro, o cavalo de Ichabod Crane, Pólvora. Mesmo com pouca presença na historia, ele não poderia faltar, até porque, é o companheiro do professor no clímax. E toda a descrição desajeitada de Ichabod como cavaleiro também aparece, porque, simplesmente, não poderia faltar. É uma das principais características da historia original. Alguns dos personagens também são reflexos da historia original. Ichabod é um covarde, cheio de frescuras; Katrina é doce, amável e sensível; Brom Bones é o valentão que tenta passar a perna em Ichabod; Baltus é o fazendeiro rico; e o próprio Cavaleiro é o espirito dominante da região, que mete medo nos habitantes do lugarejo. Enfim, tudo que aparecia na historia aparece aqui, de maneira excepcional e perfeita.

Com certeza, um dos pontos principais da historia original, é quem era o Cavaleiro Sem Cabeça e como ele perdeu sua cabeça. Aqui, isso é apresentado. O Cavaleiro é um soldado hessiano que lutava em uma batalha nos arredores de Sleepy Hollow. A única coisa que mudaram foi o modo como ele perdeu a cabeça: na historia de Irving, ele é decapitado por uma bola de canhão; aqui é diferente. A cena do flashback é uma das melhores, mostrando o Cavaleiro em toda sua fúria, decapitando e trucidando soldados. Muito bem feita, bem dirigida e atuada. Sangrenta e arrepiante.

Aliás, posso dizer que A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça marca uma espécie de nova fase para o diretor Tim Burton. No inicio de sua carreira, ele fazia filmes com um tom mais família, quase sem nenhum sangue ou violência. Aqui, ele já muda de figura. O filme é repleto de cenas sangrentas, com destaque para as decapitações. Dizem que os responsáveis pela censura acharam as cenas tão pesadas que classificaram o filme para maiores; aqui no Brasil, recebeu classificação “18 anos”, o que gerou problemas para quem foi assistir no cinema. Hoje em dia, talvez as cenas não sejam tão pesadas assim, mas na época, era compreensível. Não me lembro de ver um filme do diretor anterior a esse com essa pegada. O próprio Burton inclusive optou por não cortar as cenas de decapitação. E ao que parece, o diretor seguiu essa nova linha, porque Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007) é carregado de cenas sangrentas, por causa do conteúdo original. E mesmo assim, não parece que foi dirigido por outro cineasta. Incrível.

O elenco é também um dos pontos altos. Em sua terceira colaboração com Burton, Johnny Depp está perfeito como Ichabod Crane. Também fã da animação da Disney, ele conseguiu representar o personagem de maneira crível e divertida. Suas cenas de desmaios são muito engraçadas e servem muito bem para quebrar a tensão após uma cena assustadora. Em uma entrevista, Depp declarou que chegou a cogitar a hipótese de usar próteses para ficar mais parecido com o Ichabod Crane da animação, o verdadeiro Ichabod Crane. Sinceramente, achei que foi muito bom que isso não aconteceu porque só existe um Ichabod Crane alto, extremamente magro, com uma cabeça pequena e chata em cima, e nariz comprido, que parece uma das pontas de um cata-vento preso ao seu fino pescoço. E esse Ichabod Crane é o Ichabod Crane da Disney. Ponto! No entanto, as melhores atuações são de Christina Ricci e Christopher Walken. A atriz interpreta Katrina Van Tassel com uma delicadeza e uma beleza impressionantes. Parece que ela assume a personagem, de tão perfeita que é sua atuação. Sem duvida, ela soube traduzir a personagem melhor do que ninguém. Belíssima. Já Christopher Walken está assustador no papel do Cavaleiro Sem Cabeça. Mesmo não aparecendo muito, sua presença é marcante, e dá um ar maligno ao personagem. O Cavaleiro também foi interpretado pelo dublê Ray Park no restante do filme, quando vemos o personagem sem sua cabeça. Outro dublê também deu vida ao Cavaleiro nas cenas de montaria. Mesmo assim, nenhum deles consegue superar Walken. O restante do elenco também está muito bem em suas performances, e não parecem caricatos em momento nenhum.

Como mencionado, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça é repleto de homenagens aos filmes que Burton assistia na infância. A começar pelos clássicos da Hammer, estúdio de cinema britânico responsável pelos maiores filmes do gênero nos anos 50, 60 e 70. O filme tem todo um aspecto da Hammer, com suas cores escuras, sangue pulsante e ambientação gótica. Lembra muito os primeiros filmes coloridos do estúdio, como os filmes do Drácula, estrelados por Christopher Lee. Aliás, a presença do ator é uma das maiores homenagens ao estúdio. Christopher Lee era um dos ídolos de Burton, ao lado de Vincent Price, e sua presença é impactante. O ator aparece por poucos minutos, mas valem a pena. A presença dele é imponente, que inspira e exige respeito de quem está ali. Burton até menciona nos comentários que todos da equipe pararam para prestar a atenção no ator, dada a sua magnitude. Em outra cena, Burton cita suas inspirações também em Roger Corman e em Mario Bava. Novamente, a fotografia e a ambientação contribuem. Além de lembrar os filmes da Hammer, o filme também lembra os filmes do Ciclo Edgar Allan Poe, estrelados por Vincent Price, que Corman dirigiu nos anos 60. Eu já tive o prazer de assistir alguns dos filmes do Ciclo Edgar Allan Poe, e posso dizer que a semelhança é impressionante. A floresta assombrada parece muito com as florestas dos filmes de Corman. Aliás, um detalhe. A cena de investigação de Ichabod na floresta possui uma das melhores tomadas do cinema de horror. O investigador avista uma estranha figura branca andando por entre as arvores retorcidas e decide ver o que é; para mim, é uma bela cena de floresta mal-assombrada, e com certeza, vai servir de inspiração no futuro. Mas, voltando, parece mesmo que eu estava vendo um filme de Roger Corman, e parecia que Vincent Price iria aparecer a qualquer momento. A inspiração em Mario Bava também é evidente. A cena em que Ichabod é perseguido por um falso Cavaleiro Sem Cabeça lembra muito as cenas de A Máscara de Satã (1960) e As Três Máscaras do Terror (1963); além disso, existem também duas outras homenagens ao filme de estreia de Bava, todas muito bem feitas e respeitosas. Existe também uma homenagem ao Clássico Frankenstein (1931), estrelado por Boris Karloff: a cena do moinho. Burton já declarou que sua primeira lembrança de moinhos veio do filme de James Whale, e assim como as homenagens à Bava e Corman, ele a presta com todo o respeito que o filme merece. No entanto, além de homenagear seus filmes favoritos, o diretor também homenageia a si mesmo. Os espantalhos que aparecem no milharal no começo do filme lembram a fantasia de espantalho de Jack Skellington; o vestido que Katrina usa em determinada cena lembra a roupa de Beetlejuice; e as participações de seus ídolos, Christopher Lee e Michael Gough, remetem à presença de seu ídolo máximo em Vincent (1982) e em Edward Mãos-de-Tesoura (1990). 

A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça foi lançado em novembro de 1999 e tornou-se um sucesso de bilheteria. O filme marca a terceira colaboração entre Tim Burton e Johnny Depp, iniciada em 1990 com o inigualável Edward Mãos-de-Tesoura. Os dois trabalharam juntos novamente em Ed Wood (1994), cinebiografia do “pior diretor de todos os tempos”; A Fantástica Fábrica de Chocolates (2004); A Noiva-Cadáver (2005); Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007); Alice no País das Maravilhas (2010) e Sombras da Noite (2012), baseado na série de TV “Dark Shadows”, de Dan Curtis.

Enfim, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça é um filme maravilhoso. Um dos meus filmes favoritos. Uma historia de amor com elementos de suspense. Um verdadeiro conto de fadas. Excelente.









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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

O CICLO DO PAVOR (1966). Dir.: Mario Bava.


NOTA: 10



O CICLO DO PAVOR (1966)
Conforme mencionei na resenha de Seis Mulheres para o Assassino (1964), o diretor Mario Bava era um Mestre do cinema de horror. Dentre suas obras, CICLO DO PAVOR (1966) é uma das minhas favoritas.

Marco do Terror Gótico Italiano, é um filme maravilhoso. Uma historia de fantasmas com toques de conto de fadas, com os truques que somente Bava conseguia dar a suas obras.

Não é novidade nenhuma que Bava era um especialista em fazer grandes coisas com orçamentos e tempos apertados, e aqui, não é diferente. A produção foi marcada por dificuldades, e em determinado momento, o orçamento acabou, mas, mesmo assim, a equipe e o elenco concordaram em trabalhar de graça; mas, nada disso impediu o filme de ser uma obra maravilhosa.

Bava faz uso de técnicas espetaculares, técnicas essas que diretor nenhum consegue – nem conseguirá – copiar. Isso aconteceu graças à sua experiência como operador de câmera e diretor de fotografia nos anos 50, o que lhe rendeu muitos elogios. E claro, quando resolveu se aventurar na direção, levou suas técnicas consigo.

Bava estreou oficialmente na direção em 1960, com o excelente A Maldição do Demônio, e desde então, tem se dedicado ao terror gótico praticamente com exclusividade – o que não o impediu de se aventurar em outros gêneros, claro. E em O Ciclo do Pavor, Bava está em sua melhor forma.

O roteiro é simples, mas, torna-se pretexto para o diretor aplicar tudo o que desenvolveu nos anos anteriores. Impossível dizer qual o melhor momento, porque são muitos; mas, sem duvida, uma das melhores cenas é a do balanço no cemitério – mais sobre ela adiante. 

A fotografia é uma melhores coisas do filme, sem duvida. Com tons de laranja, azul e preto, ela enche a tela e chega a hipnotizar e a ser atraente. Sério. Dá um aspecto de nostalgia e interior ao filme, o que o enchem ainda mais de charme. E a transição de cores acontece naturalmente; se no inicio, durante o dia, o filme é banhado nos tons laranja e amarelos, durante a noite, o preto e o azul-escuro tomam conta, e não mudam o tom nostálgico do filme. Sem duvida, mesmo não sendo responsável pela direção de fotografia, Bava soube administrar os tons, e, sinceramente, não chegam a transformar o filme num arco-íris, mas deixam-no lindo.

O design do filme também contribui para deixa-lo lindo. O vilarejo parece parado no tempo, completamente envolto em teias de aranha; as portas das casas estão sempre fechadas; as paredes são forradas de alho, cruzes e velas – uma amostra do quão supersticiosos seus habitantes são – ; e principalmente, a Vila da Baronesa Graps não fica para trás. A decadência está presente em todas as paredes da casa, cuja pintura está caindo aos pedaços; os cômodos e moveis estão envoltos em enormes teias de aranha, e o muro da cripta da família está prestes a desmoronar. Parece que a qualquer minuto, a Vila vai desabar.

A trilha sonora, composta por Carlo Rustichelli, que já havia trabalhado com Bava no passado, é maravilhosa. Ao invés de ser uma trilha alta, que pula na tela, é quase uma melodia de conto de fadas, que casa perfeitamente com a atmosfera do filme.

Como mencionado acima, o filme tem varias cenas impressionantes; uma das melhores, sem duvida é o balanço. É uma cena perfeita, com Bava dando seus toques de mestre; os primeiros segundos mostram a câmera indo para frente e para trás, de maneira aleatória, sobrenatural, até. Não me lembro de ter visto uma cena tão artesanal e linda como essa, e com a paleta de cores, fica perfeita. A cena da escada também é muito boa, digna de provocar arrepios. Mas, uma das minhas favoritas, é quando o Dr. Eswai chega ao vilarejo: assim que sua carruagem para, ele vê, ao longe, um grupo de homens carregando um caixão. É uma cena em plano geral, sob o céu alaranjado, com as silhuetas dos homens andando; quando vi essa cena pela primeira vez, eu me apaixonei pelo filme, e toda vez que eu o vejo, volto a cena para conferir de novo. As cenas entre o Comissário Kruger e o protagonista também são as minhas favoritas. Bava soube filmá-las muito bem, sem uso de trilha sonora, o que as deixa mais sinistras. Outro exemplo da genialidade do diretor.

Os personagens do filme também merecem atenção. O Dr. Paul Eswai é o típico homem da Ciência, o médico que não acredita no sobrenatural nem nas superstições dos moradores do vilarejo, e mostra-se disposto a enfrentar a tal maldição para provar suas teorias. Seria o tipo de personagem que a gente torce para ser eliminado, mas, sinceramente, não é possível. Monica, a antiga moradora do vilarejo também é uma ótima personagem, o tipo de pessoa que, mesmo morando naquele lugar durante boa parte da vida, sente-se uma estranha quando retorna. Ela tem uma personalidade doce, mas não daquele tipo que exagera, sempre chorando por aí, fazendo gestos e caras e bocas; pelo contrario, ela é verdadeira em sua fragilidade. E a relação entre os dois funciona muito bem, e francamente, não seria surpresa se ambos se apaixonassem um pelo outro. Não atrapalharia em nada o andamento da trama.

Os demais personagens também são atraentes. Cada um à sua maneira, é envolvido pelo mistério que ronda o vilarejo, e mostram-se verdadeiramente aterrorizados pelas forças sobrenaturais. O burgomestre já não tem poder nenhum sobre o lugar; os habitantes acreditam apenas em suas próprias leis. Enfim, os típicos personagens supersticiosos de historias como essa. Uma menção especial para: Ruth, a bruxa do vilarejo. Dotada de poderes de cura, é a ela a quem os moradores recorrem quando algo ruim acontece, e eles confiam fielmente em suas habilidades. A Baronesa Graps é a própria imagem da decadência. Morando em sua Vila caindo aos pedaços, ela própria também está decaindo, com as roupas sujas, o cabelo embaraçado, despreocupada com sua aparência, uma completa reclusa. E por fim, Melissa, a menina morta. Vitima de um acidente que lhe custou a vida, ela é um melhores fantasmas do cinema de horror. Vestida de branco, com o rosto branco como papel e os cabelos loiros, é uma imagem assustadora. Ela é a responsável pelas mortes misteriosas no vilarejo, e os residentes têm até medo de pronunciar seu nome.

Todos esses aspectos fazem de O Ciclo do Pavor um dos melhores filmes de terror do cinema italiano. Sem duvida, é um daqueles filmes que ficam melhores a cada vez que vemos, e às vezes parece que uma coisa nova vai aparecer. É um dos filmes que eu mais gosto de assistir, e faço isso com prazer, de verdade. Mesmo tendo-o visto várias vezes, não me canso dele.

Com mais esse filme, Mario Bava provou que era um Maestro do Cinema de Horror Italiano, e o Rei do Horror Italiano.

Foi lançado em DVD por aqui pela Versátil Home Vídeo, na excelente coleção Obras-Primas do Terror Vol.2, com áudio original italiano.

Recentemente, foi lançado em Blu-ray, em versão restaurada, que na minha opinião, não faz jus ao filme, além de ser dublada em inglês. Na minha opinião, é muito melhor assistir ao filme com áudio original em italiano; assisti-lo com dublagem em inglês é muito estranho, parece outro filme. A versão disponível aqui no Brasil é a melhor disponível.

Enfim, O Ciclo do Pavor é um filme excelente. Um filme belíssimo. Uma história de horror com toques de conto de fadas. Um dos meus filmes favoritos do Maestro Mario Bava.




Créditos: Versátil Home Vídeo



quinta-feira, 8 de agosto de 2019

OS MORTOS-VIVOS (1981). Dir.: Gary A. Sherman.


AVISO!

ESSA RESENHA CONTÉM SPOILERS!


NOTA: 10


OS MORTOS-VIVOS (1981)
OS MORTOS VIVOS (1981) é um filme excelente. Original, assustador, impressionante e com um final de cair o queixo.

Esse é sem duvida, um dos melhores filmes de terror que já tive o prazer de assistir. Já tinha conhecimento de sua existência graças a uma resenha publicada no site Boca do Inferno, e já de cara, fiquei curioso, porque o que mais me chamou a atenção, era o fato de que o filme tinha um final surpresa. E é verdade. Na primeira vez que eu vi, fiquei chocado. Não me lembrava de ter visto um final tão soco no estomago como o apresentado nesse filme – acho que nem os finais do Shyamalan são tão pesados.

É o tipo de filme que não deve, em hipótese alguma, ser visto pela metade. É necessário assisti-lo desde o começo para entender o que está acontecendo, porque os primeiros sinais de mistério surgem logo depois da sequencia de abertura. E depois que surgem, não param mais. É uma surpresa atrás da outra, o que impede o espectador de parar para respirar. É sério.

O roteiro, escrito por Ronald Shussett e Dan O’Bannon - os criadores de Alien (1979) - é perfeito, redondo e muito bem amarrado. Não existe nenhuma falha na narrativa, e tudo acontece do jeito certo. E como já disse, não poupa o espectador. Porém, o maior problema do filme é o fato de que não dá para falar sobre ele sem entregar spoilers – tentarei fazer isso aqui, mas não prometo nada! É tanta coisa que pega o espectador de surpresa, que fica difícil não entregar pelo menos uma. Talvez, o máximo que pode ser dito é que é um filme de zumbis. Talvez, e olhe lá, difícil dizer mais sem estragar a surpresa.

Bom, além de ser um filme inteligente, é um filme assustador, com imagens que já tornaram-se antológicas – mais sobre isso adiante. É um filme assustador porque existem cenas que fazem qualquer um pular da cadeira, sem esforço. Elas surgem no momento mais inesperado, com uma trilha sonora alta, digna de provocar medo – quase um jump scare, mas um jump scare muito bem feito, diga-se. Esses jump-scares acontecem nas cenas de assassinato, e olhe, que cenas de assassinato. Ao contrario dos Slashers que estavam em vigor na época, aqui nós temos cenas verdadeiramente pesadas, violentas, cruéis: gargantas cortadas, rostos desfigurados e derretidos e membros decepados. Tudo feito de maneira brilhante, realista, até, digna de causar arrepios. Mas claro que as cenas assustadoras não se resumem apenas às cenas de assassinato. Existem também momentos em que o simples olhar de um personagem é assustador; até porque, aquelas pessoas são, de fato, assustadoras e bizarras. E o medo também acontece na forma como tais cenas são construídas: aos poucos, sem pressa, tudo para deixar o espectador mais assustado. E consegue.

O protagonista, o xerife Dan Gillis, é o típico personagem de bom coração de filmes assim. Autoridade na pequena cidade, ele mostra-se um homem que quer, a todo custo, desvendar os crimes que estão acontecendo, sempre confiando na razão e não em forças sobrenaturais. Sua esposa, Janet, é professora na escola local, e a típica esposa apaixonada e devotada ao marido, sempre preparando seu jantar quando ele chega em casa depois do trabalho. Juntos, eles formam um casal simpático, talvez, um casal de mocinhos, mas a coisa não é bem assim. Agora, o personagem mais sinistro é o Sr. Dobbs, o agente funerário. Um velhinho alto, magro, de óculos grandes, que sempre ouve musicas antigas enquanto trabalha. Dobbs é obcecado pelo trabalho. Mas não é o tipo de obsessão boa, não. Seu trabalho na funerária é o de reconstruir os corpos que recebe; e sempre faz o serviço com um sorriso maléfico no rosto, referindo-se a eles como “obras-primas” depois de concluídos. Um sujeito sinistro, no mínimo. Os outros personagens também não ficam atrás. Temos os pescadores, a garçonete, o frentista, o homem do guincho... Todos sinistros.

Como mencionado acima, Os Mortos-Vivos pode ser considerado um filme de zumbis. Mas não espere aqueles zumbis que arrastam os pés, que andam com os braços estendidos, não. Aqui, os zumbis são quem a gente menos espera. E o melhor, o roteiro não dá uma explicação para o que está acontecendo na cidade, e, francamente, para mim, isso não importa. É como o tal conteúdo da mala do Pulp Fiction (1994). A gente nunca sabe o que tem lá dentro, porque não é mostrado, e não faz a menor diferença. Aqui, é a mesma coisa. O máximo que o roteiro faz, é apresentar uma frase presente num livro sobre bruxaria, que diz como os mortos podem ser trazidos de volta, e só. Não precisa de mais nada.

Como em todo filme de zumbis, os efeitos especiais são destaque. E não é pra menos. O responsável por eles foi o saudoso Stan Winston, em inicio de carreira. Como ele mesmo declarou, ele fez tudo sozinho, até porque, o hoje famoso Stan Winston Studio não existia, então, ele teve que arregaçar as mangas. E conseguiu fazer coisas extraordinárias. A melhor, sem dúvida, é o corpo da primeira vitima, com o rosto todo enfaixado, somente com um olho e a boca à mostra. Uma imagem perfeita, que mesmo presente por poucos segundos, já fica na memória. E a cena da agulha também. Segundo Winston, tudo presente naquela cena é um efeito especial, até mesmo o corpo enfaixado. E o resultado é de causar frio na espinha. A outra grande cena, é a cena da reconstrução facial. Winston também fez tudo aquilo sozinho, e o resultado também é de cair o queixo, tanto que ele declarou que foi o efeito que mais o deixou orgulhoso. Nada mal para o homem que se tornou responsável pelas maiores criaturas do cinema de fantasia atual, como os dinossauros da trilogia Jurassic Park, o Pinguim de Batman – O Retorno, O Exterminador do Futuro e Edward Mãos-de-Tesoura, por exemplo. Stan Winston faleceu em 15/jun/2008.

Além dos excelentes efeitos especiais, o filme também é cheio de cenas memoráveis, além das já mencionadas. Outra que merece destaque é quando uma multidão está caminhando em direção ao carro de uma família em apuros. É uma cena brilhante, escura, onde não vemos os rostos das pessoas, apenas as silhuetas, e somente uma luz iluminando as pessoas por trás. Sem duvida, uma cena apavorante. Outra – e foi essa que me surpreendeu primeiro – acontece antes, quando o frentista, que estava de costas, vira-se para a câmera e mostra seu rosto: a revelação é chocante, e como eu disse, foi a que me surpreendeu primeiro. E por ultimo, destaco aquela em que todos colocam flores no tumulo da esposa do xerife, no final do filme. Macabra e muito bem feita.

Os aspectos técnicos também não ficam atrás. Vou destacar a fotografia. Sem duvida, o melhor momento acontece acima, mas existem outras cenas onde o diretor de fotografia fez um ótimo trabalho. Posso estar enganado, mas acho que ele fez uso de luz natural em algumas cenas, principalmente na cena do hotel, e nas cenas noturnas. Todas são muito bem feitas, bem montadas, dirigidas e atuadas. Os atores também não fazem feio. Em momento nenhum, eles mostram-se exagerados ou caricatos; pelo contrário, dá pra imaginá-los como pessoas reais, principalmente o xerife Gillis. Quando ele faz a descoberta chocante no final do filme, as expressões de medo e descrença em seu rosto são verdadeiras. A cena em que ele confronta Dobbs e a esposa é brilhante e muito pesada.

Os Mortos-Vivos foi rodado na cidade de Mendocino, na Califonia. Não sei se a ideia era de que a historia se passasse na Nova Inglaterra, mas o fato é que isso não atrapalha em nada. A locação é belíssima, com sua atmosfera de cidade pequena, costeira, uma verdadeira comunidade de pescadores. Anteriormente, a cidade foi usada como locação em O Altar do Diabo (1970), de Daniel Haller, baseado em O Horror de Dunwich, de H.P. Lovecraft.

Como mencionado acima, o roteiro foi escrito por Ronald Shussett e Dan O’Bannon, e foi vendido como “from the creators of Alien”, inclusive nos trailers. No entanto, O’Bannon declarou que Shussett escreveu o roteiro sozinho, e apenas colocou seu nome no projeto com a promessa de que isso aumentariam suas chances. Porém, ao perceber que suas ideias não foram incluídas, O’Bannon pediu que seu nome fosse removido do projeto, mas isso não aconteceu.

O filme não fez muito dinheiro nas bilheterias, mas o trabalho de Winston foi bastante elogiado; porém, o filme acabou parando na famigerada lista dos “Vídeo Nasties” britânica em 1990 com 30 segundos de cortes – foi lançado sem cortes apenas em 1999. Hoje em dia, o filme possui uma aura cult e é considerado um dos melhores filmes de terror dos anos 80.

O filme chegou a ser lançado em DVD no Brasil há alguns anos, – não sei se saiu em VHS – mas, hoje em dia, está fora de catálogo.

Enfim, Os Mortos-Vivos é um filme excelente. Uma historia fascinante e assustadora. Um filme inteligente e cheio de surpresas. Um pequeno clássico do terror dos anos 80. Brilhante.

Altamente recomendado.










Agradecimentos: Site "Boca do Inferno".


AVISO.

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