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segunda-feira, 16 de setembro de 2024

OS FANTASMAS AINDA SE DIVERTEM (2024). Dir.: Tim Burton.

 

NOTA: 9.5


Beetlejuice está de volta.

 

36 anos após sua primeira aparição em Os Fantasmas se Divertem, o fantasma mais famoso do pedaço está de volta em OS FANTASMAS AINDA SE DIVERTEM, a tão aguardada continuação da comédia dark dirigida por Tim Burton, que retorna na direção também.

 

Só digo uma coisa. Eu amei esse filme! A espera valeu a pena.

 

Beetlejuice 2 é tão assustador, divertido e absurdo quanto o primeiro. Eu me diverti muito com esse filme, e posso dizer que, após cinco anos afastado do cinema, Burton continua um grande cineasta, que sabe imprimir seu toque clássico em seus filmes, e transformá-los em grandes obras.

 

O retorno de Beetlejuice era aguardado por todos nós desde os anos 90, quando Burton foi apresentado a diversas ideias para uma continuação, mas, nenhuma delas foi para frente. Não sei com detalhes quais foram essas ideias, mas digo que, enquanto pensava em como um segundo filme seria, o diretor acabou comandando a continuação de Batman, e o filme foi engavetado. Felizmente, o tempo foi generoso, e Burton entregou um de seus melhores filmes.

 

E não temos apenas o retorno do Suco, como também, de duas personagens do primeiro filme.

 

Na trama, Lydia Deetz retorna à Winter River para o funeral de seu pai, que morreu de forma súbita. Ao seu lado, estão sua madrasta Delia, e também sua filha Astrid. Enquanto se recuperam do baque da morta súbita de Charles, Astrid acaba descobrindo a maquete dos Maitland no sótão da casa, e também descobre sobre Beetlejuice. Ao mesmo tempo, ela conhece um garoto que a leva para o mundo dos mortos. Desesperada, Lydia pede ajuda à Beetlejuice para trazê-la de volta.

 

Essa é a trama de Beetlejuice 2. Eu posso dizer que gostei dela, porque é uma variação da trama do primeiro filme, onde o casal Barbara e Adam recorre ao Suco para expulsar os Deetz de sua casa. Aqui, a coisa é diferente. Os roteiristas fizeram muito bem em mostrar como os personagens evoluíram durante os 36 anos que separam os dois filmes, principalmente Lydia. Aqui, ela se tornou apresentadora de um programa sobre eventos sobrenaturais, ao mesmo tempo que precisa lidar sua filha rancorosa e rebelde. Delia, por outro lado, também apresentou mudanças, mas, se mostra a mesma mulher preocupada com a própria reputação, do que com a família.

 

Eu pessoalmente não achei ruim esse fato, na verdade, até esperava por isso, porque, convenhamos, Delia não poderia apresentar outra personalidade.

 

Quem realmente mudou foi Lydia, que, além de ser uma celebridade, também é uma mulher insegura consigo mesma, e que luta para reconquistar o amor de Astrid, que se revoltou com a mãe após perder o pai.

 

Como não acompanhei nenhuma crítica ou resenha do filme, porque queria ter a minha própria impressão do mesmo, não sei o que as pessoas acharam de Astrid, porque a garota é uma adolescente rebelde, que critica a mãe o tempo todo. Eu confesso que não sabia o que esperar dessa personagem, então, eu digo que fui surpreendido. Astrid é rancorosa, além de cética, mas, no fundo, tem um bom coração.

 

Além das três mulheres da família Deetz, temos também alguns novos personagens, como Rory, o empresário e namorado de Lydia, que acompanha a família na viagem à Winter River, e faz de tudo por ela, inclusive, recuperar seus comprimidos do lixo. O personagem é bem legal, e se mostra apito a ajudar, mas, em determinado momento do filme, suas intenções são reveladas.

 

Ao lado de Rory, temos o fantasma Wolf Jackson, um ex-ator de filmes de espionagem, que se tornou policial no Outro Lado, e possui um papel muito importante na trama, porque ele está atrás de alguém que está sugando a alma dos fantasmas. O personagem é bem divertido, e mostra que, mesmo depois de morto, não deixou seu lado canastrão de lado.

 

Para fazer companhia aos dois, temos também os ajudantes de cabeça encolhida, os Encolhidos. Eles são muito legais, e passam o filme inteiro fazendo atrapalhadas, além de trabalharem como secretários no Outro Lado, mais ou menos como vimos no primeiro filme, com a fantasma da senhora que cuidava do caso dos Maitland.

 

E por fim, temos Delores, a ex-noiva de Beetlejuice. A personagem já surge mostrando que não está para brincadeira, numa cena hilária, onde ela aparece se reconstruindo, após um pequeno acidente provocado por um faxineiro, numa ponta bem bacana de Danny DeVito. A mulher pode ser definida como uma Morticia Addams com grampos, uma vez que ela se parece muito com a matriarca da Família Addams. Uma adição muito legal ao universo do Outro Lado.

 

E claro que não poderia faltar o nosso querido fantasma mais famoso do pedaço. O Suco mostra que não mudou nada após todos esses anos, mas isso não é um defeito. O personagem não poderia ter sido escrito de outra forma, apelando para piadas de mal gosto e tiradas sagazes, além do humor ácido. E convenhamos que Michael Keaton continua com tudo no papel.

 

A direção de Burton também é um ponto positivo. Conforme mencionei acima, mesmo após cinco anos afastado do cinema, o cineasta mostrou que fazer filmes é sua paixão, e ele não falhou em momento nenhum, seja com seu elenco, seja com sua equipe. Ele conseguiu tirar grandes atuações de seus atores, e todos se mostraram bem à vontade em reprisar seus papéis. Os quesitos técnicos também não ficam atrás, com os enquadramentos e movimentos de câmera criativos, tanto no nosso mundo, quando no Outro Lado.

 

E é claro que o diretor não iria deixar de colocar sua marca no filme. É possível ver a impressão de Burton durante todo o filme, do começo ao fim, e isso fica evidente principalmente em algumas cenas importantes. A melhor delas é a narração que Beetlejuice faz sobre como conheceu Delores. A sequência é filmada como se fosse um filme gótico italiano, uma grande homenagem ao Maestro Mario Bava, devo dizer, porque parece uma sequência extraída direto de A Maldição do Demônio (1960), primeiro filme do cineasta italiano.

 

Além de homenagear um de seus ídolos, Burton fez questão de usar o máximo de efeitos práticos possível; então, temos aqui inúmeros fantasmas criados com maquiagem de verdade, além os Encolhidos, e do verme de areia, que foi todo criado em stop-motion. Eu amei as cenas com o verme, porque não havia outro jeito de criá-los, que não fosse esse.

 

No entanto, o filme tem um pequeno problema. Eu senti que Delores não foi tão bem aproveitada quanto deveria, porque, ela aparece pouco, e sua participação no final foi bem rápida. Eu esperava que a personagem tivesse um papel ainda mais importante no filme, que poderia gerar uma espécie de conflito entre ela, Beetlejuice, e Lydia, mas, infelizmente, não foi o que aconteceu... Nesse ponto, o filme perdeu um ponto.

 

Mas, apesar desse pequeno problema, eu amei assistir a Beetlejuice 2. Foi como revistar velhos amigos, que não via há muito tempo, e pude me divertir com suas nova histórias.

 

Enfim, Os Fantasmas Ainda se Divertem é um filme excelente. Uma comédia de horror contada com grande maestria, com tudo que se pode esperar de um filme de Tim Burton. A direção do cineasta é um dos pontos positivos, e ele se mostra muito capaz de comandar após sua ausência das telas. Os efeitos especiais, a maquiagem e o design de produção também merecem ser mencionados, porque remetem a tudo que tinha no primeiro filme. E o retorno do elenco principal deixa o filme ainda mais delicioso, principalmente o personagem-título, que continua mais atrevido do que nunca. Um dos melhores filmes do diretor Tim Burton.



terça-feira, 11 de abril de 2023

A INVASÃO DOS DISCOS VOADORES (1956). Dir.: Fred F. Sears.

 

NOTA: 10


Durante os anos 50, Hollywood produziu uma variedade de filmes voltados para a invasão extraterrestre, como uma forma de retratar o que estava acontecendo no mundo naquela época.

 

A INVASÃO DOS DISCOS VOADORES é um desses filmes lançados nessa leva, e um dos melhores; e motivos para isso não faltam.

 

Conforme mencionei em resenhas anteriores, este é um exemplo daqueles filmes da década de 50 que sabiam divertir o publico com suas tramas que focavam na paranoia da invasão alienígena.

 

E claro, devo mencionar que o fator que torna o filme atrativo são os efeitos especiais, criados pelo mestre Ray Harryhausen – mais detalhes sobre isso adiante.

 

Bom, mas vamos falar sobre o filme primeiramente. Dirigido por Fred F. Sears, aqui temos um típico filme de ficção cientifica da época, com a presença dos cientistas, e principalmente dos militares, que querem impedir a ameaça.

 

É o tipo de coisa que ficou comum na época, principalmente por causa do medo da ameaça nuclear e da invasão comunista, então, os militares eram presença garantida em filmes do gênero.

 

E os personagens são muito criveis. Assim como mencionei em resenhas de filmes da mesma época, o elenco é um fator que contribui para deixar o filme mais realista; mais uma vez, vemos aqui que os atores interpretam muito bem seus papéis e passam a credibilidade. Em nenhum momento, eu achei que eles estavam atuando de maneira forçada ou exagerada; pelo contrário.

 

A direção de Fred F. Sears também é competente. O diretor cria cenas muito boas, principalmente nas sequencias da invasão em Washington, com planos abertos dando destaque para as naves e a destruição que elas provocam.

 

O roteiro também é bem construído, e desde o começo, deixa claro a respeito do que se trata, mostrando os discos voadores praticamente logo na primeira cena e em seguida, desenvolvendo a história em cima da ameaça da invasão dos extraterrestres, e em seguida, apresentando os protagonistas e a sua relação com os invasores, porque o Dr. Marvin é um cientista que desenvolve foguetes, e os extraterrestres derrubam os foguetes que ele e sua equipe lançam; e também estabelece que Marvin consegue se comunicar com os alienígenas, graças ao seu gravador.

 

Mas não tem como falar do filme sem mencionar os efeitos especiais, criados pelo mestre do Stop-Motion, Ray Harryhausen. Os discos voadores têm um design maravilhoso, que realmente lembra um disco, com sua arma de raios. Para cada cena, Harryhausen tinha modelos de tamanhos diferentes e a animação é espetacular e convincente. E os alienígenas também têm um visual legal, com uma armadura que dispara raios que desintegram o alvo.

 

E a melhor cena que eles protagonizam é a invasão em Washington. As naves sobrevoam a capital dos EUA de maneira extraordinária, passando pelos prédios históricos e monumentos, causando pânico na população.

 

E claro, também não posso deixar de falar sobre o filme sem mencionar a influencia que o longa teve no diretor Tim Burton, admirador confesso de Harryhausen. Para mim, é impossível não desassociar o longa de Burton com este aqui, principalmente porque temos cenas praticamente idênticas, como um dos monumentos de Washington sendo destruído, ou quando uma das naves cai na água; e o modo de derrotar os invasores é basicamente o mesmo, com o uso de som, além do design dos OVNIs.

 

A Invasão dos Discos Voadores foi dirigido por Fred F. Sears, um dos nomes mais associados ao cinema de ficção cientifica na década de 50. Infelizmente, em 1957, o cineasta cometeu suicídio após reações negativas ao seu ultimo filme, The Giant Claw.

 

Foi lançado em DVD no Brasil em edição dupla, com a versão colorida e com a versão em preto e branco, com um segundo disco recheado de extras. Atualmente, tal edição está fora de catalogo.

 

Enfim, A Invasão dos Discos Voadores é um filme excelente. Uma obra clássica de ficção cientifica da época, com todos os aspectos presentes. Os efeitos especiais do mestre Ray Harryhausen são o grande destaque, com seus discos voadores com design único, que protagonizam cenas memoráveis. Um filme maravilhoso. 



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terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

EDWARD MÃOS-DE-TESOURA (1990). Dir.: Tim Burton.

 

NOTA: 10



O que posso dizer sobre EDWARD MÃOS-DE-TESOURA (1990), obra-prima do diretor Tim Burton? Bom, vou dizer o seguinte: esse é um dos filmes da minha vida. Ponto. Eu amo esse filme.

 

Desde a primeira vez que o assisti, há vinte anos, eu me apaixonei pela historia logo de cara. Na época, eu já era fã declarado do Tim Burton, tendo assistido A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999) e Marte Ataca! (1996) inúmeras vezes. Mas, com Edward Mãos-de-Tesoura, eu posso dizer que a coisa foi bem diferente. Eu confesso que o filme era bem diferente do que eu esperava, se bem que eu não tinha a menor ideia de como o filme era, e rapidamente ele me encantou.

 

O filme é lindo. É um caso em que tudo contribui para deixa-lo lindo, desde o roteiro, passando pela direção, atuações, direção de arte, trilha sonora... Enfim, tudo. E assistindo a ele pela enésima vez, minha opinião não mudou. É o tipo de filme que fica melhor a cada revisão.

 

O roteiro, escrito por Caroline Thompson, a partir de um tratamento escrito em parceria com o diretor, não possui falhas ou furos. Tudo encaminha do jeito certo, para as direções corretas; os diálogos são criveis e os personagens também. A direção madura de Tim Burton também é digna de nota. Em seu quarto filme, o diretor já se mostrou competente e hábil naquilo que ele queria mostrar na tela e no modo como queria mostrar. Outro ponto positivo vai para a direção de arte. As casas da vizinhança no subúrbio ganharam tons pasteis, mas coloridos; mas o principal vai para o castelo de Edward. Situado no alto da colina, o castelo é o perfeito castelo de conto de fadas. Seu interior é todo gótico, cheio de teias de aranha e pó; as janelas e portas são enormes e difíceis de abrir... Enfim, tem tudo aquilo que existe numa historia gótica de verdade. E a trilha sonora... A trilha sonora é um caso à parte.

 

Composta por Danny Elfman, colaborador recorrente do diretor, a trilha é belíssima. Uma verdadeira trilha sonora de conto de fadas, com coro infantil do começo ao fim. É o tipo de musica que podemos ouvir sem precisar assistir ao filme. Maravilhosa.

 

E as atuações? Bem, assim como tudo no filme, o elenco é perfeito. A escolha de Johnny Depp para o papel não poderia ter sido melhor. Difícil imaginar outro ator no papel. Depp trouxe toda a doçura e inocência presentes no roteiro. O visual do personagem também é um destaque, com seu rosto branco como papel, todo vestido de preto. O diretor se inspirou no visual de Cesare, o sonambulo de O Gabinete do Dr. Caligari (1920), um Clássico do Expressionismo Alemão, para compor o visual de Edward. Um visual excelente. O restante do elenco também dá um show. Todos conseguiram passar exatamente aquilo que estava no roteiro, e tornaram os personagens criveis, como se fossem pessoas reais, que vemos todos os dias.

 

O filme marca a última aparição de Vincent Price no cinema. O diretor era fã declarado do ator, tendo assistido a todos os seus filmes de terror na infância, então, ele resolveu prestar uma homenagem ao ídolo. Aqui, o ator interpreta o inventor de Edward, que morreu antes de concluí-lo, o que o deixou com suas mãos de tesoura. A presença do antigo astro dos filmes de terror dá um toque a mais ao filme, tornando-o ainda mais belo; e também não deixa de ser emocionante vê-lo em cena, em sua última aparição. Sem duvida, o momento mais emocionante é a cena da morte do inventor, que precisava ser mostrada. É um cena linda, que causa arrepios e até um nó na garganta. Impossível não se emocionar.


Edward Mãos-de-Tesoura é a clássica historia de alguém solto em um mundo que não conhece. Eu particularmente adoro esse tipo de historia porque eu me identifico com o estranho solto naquele mundo. Tudo é novo para ele, justamente porque ele passou a vida inteira isolado no castelo no alto da colina. Impossível não se emocionar com o fascínio de Edward ao conhecer a vizinhança. Ele de fato para um garotinho empolgado com tudo que vê ao seu redor. Como eu disse, eu gosto muito desse tipo de historia. 


Mas também existe o outro lado, ponto de virada, onde a vizinhança passa e rejeitá-lo. Eu fiquei emocionado na primeira vez que eu assisti, porque eu queria defender o protagonista dos ataques da população e também do vilão, mas infelizmente, não podia. É o tipo de reação que todos nós temos quando assistimos a um filme com uma historia como essa, porque ficamos do lado do protagonista e queremos que tudo acabe bem. E devido à sua ingenuidade, Edward acaba se tornando um alvo fácil para o vilão, que arma um plano, mas ele acaba se prejudicando.

 

Além de tudo isso, o filme é também uma belíssima historia de amor. Quando chega na casa de Peg, a representante da Avon do bairro, Edward vê uma foto de sua filha mais velha, Kim, e se apaixona por ela. Quando os dois finalmente se conhecem, Kim não tem uma boa impressão dele, mas, após tentar salvá-lo quando ele cai na armadilha de seu namorado, passa a enxergá-lo com outros olhos. E claro, a gente torce para que eles fiquem juntos no final, mas, o rumo da historia acaba sendo diferente, e muito melhor.

 

Conforme mencionei no inicio, eu assisti esse filme pela primeira vez há vinte anos, e desde então, não me canso de assistir. Sempre que me dá vontade, eu coloco para rodar e assisto, do começo ao fim. Foi o primeiro filme em DVD que eu ganhei da minha mãe, o que o torna ainda mais especial para mim.

 

Enfim, Edward Mãos-de-Tesoura é um filme belíssimo. Um verdadeiro conto de fadas, com todos os elementos do gênero, e que fica melhor a cada revisão. Um filme impecável. A obra-prima de Tim Burton, e se, duvida, a sua melhor criação. Um filme perfeito.

 

Para conferir a resenha no Canal LFH, acesse o link do canal. 

https://www.youtube.com/channel/UCR5ejd7xqh0SIOeZEpED16w






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sábado, 23 de novembro de 2019

A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA (1999). Dir.: Tim Burton.


NOTA: 10



A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA 
(1999)
A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA é um filme belíssimo! É um dos meus filmes favoritos do diretor Tim Burton – o primeiro é Marte Ataca! (1996) – e sem duvida, um dos seus melhores – aliás, nenhum filme do Tim Burton é ruim, e ponto! Não digo isso só porque sou fã, mas porque é verdade.

Eu tive o prazer de ver esse filme no cinema com a minha família duas vezes, a primeira na semana da estreia, e outra no ultimo dia, e adorei. Foi uma das melhores experiências da minha vida, porque a historia original de Washington Irving faz parte da minha vida desde sempre, principalmente por causa da maravilhosa animação da Disney. Aliás, por anos, foi a única versão que eu conhecia, e quando soube que iria acontecer, fiquei muito animado. Eu queria ver esse filme! E minha mãe compartilhava esse sentimento, porque, uns dias antes, ela me acordou de madrugada para assistir a um especial sobre ele na TV, e eu adorei, e a minha vontade de assistir aumentou. E quando fomos ao cinema, fomos pegos de surpresa pela primeira cena, com o cocheiro decapitado. Sem duvida, uma das melhores apresentações de um filme. E o resto da sessão correu muito bem, com as surpresas surgindo a cada momento. E quando fomos novamente para o cinema, a sensação não mudou. E continua assim até hoje.

É o tipo de filme que não fica chato quando assistimos; pelo contrario, fica melhor a cada vez. E isso se deve à genialidade de Tim Burton. Desde que o descobri com Marte Ataca!, lançado três anos antes, eu me apaixonei, e essa paixão dura até hoje. Tim Burton é o meu cineasta favorito, e é o diretor que me inspira a querer fazer filmes, da mesma forma que os filmes de terror que ele assistia na infância também o inspiraram. E aqui, ele presta diversas homenagens a esses filmes.

Burton cresceu assistindo aos filmes de Roger Corman com Vincent Price, seu ídolo maior, além das produções da Hammer com Christopher Lee, e outros. Na minha opinião, infância melhor não há. Nada melhor do que assistir aos filmes que você gosta, com os atores e diretores que você gosta, e acabar se inspirando neles no futuro. Afirmo, sem medo, que Tim Burton é a minha inspiração.

Nada em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça é ruim. A fotografia em preto e branco é linda; a direção de arte, impecável; o figurino, belíssimo; a maquiagem, incrível... Tudo é lindo. E é possível ver o quanto Burton é um cineasta excepcional. Sua direção é madura e correta, com todos os detalhes em ordem, do jeito que deveriam estar, tudo feito da maneira que ele sabe fazer.

Com certeza a paixão do cineasta pelo material é um dos fatores a favor do filme. Burton conhecia a historia desde pequeno, através da animação da Disney, e para ele, havia algo de extraordinário na figura de um Cavaleiro Sem Cabeça, correndo a cavalo pela floresta com a espada e a abobora nas mãos. E dá para ver que ele levou isso para o filme. Em vários momentos, a animação da Disney está presente, principalmente nas cenas envolvendo o Cavaleiro. Sério. Parece que Burton pegou a animação e literalmente a transformou em um filme live-action, porque é tudo muito parecido! Não apenas as cenas envolvendo o Cavaleiro, mas a cena da ponte também. A própria ponte que divide o lugarejo de Sleepy Hollow em dois, é idêntica à ponte da animação; foi inclusive uma das coisas que me chamou atenção no cinema. E as homenagens não param por aí.

Além disso, o clima soturno da animação também está presente no filme, principalmente nas cenas noturnas. Um exemplo é a cena de exumação no cemitério. Parece a abertura da animação, com as lapides inclinadas diante da igreja. Muito bem feita. E claro, a sequencia da floresta também remete ao filme da Disney, até porque, a sequencia de perseguição entre Ichabod e o Cavaleiro já era soturna e assustadora; e aqui, Burton recria essa sensação.

Mas claro, além de prestar homenagens aos filmes de sua infância, Burton também homenageia a historia original de Irving, apesar das inúmeras diferenças. A mais evidente, para mim, é a Fazenda Van Tassel. Em vários momentos, Irving descreve a casa de Baltus Van Tassel como um enorme castelo, e aqui, isso foi reproduzido com fidelidade. A casa parece mesmo um castelo; na verdade, parece um castelo de historias de fantasmas; todo imponente, que pode ser visto do topo da colina... Uma construção arrepiante. O próprio lugarejo de Sleepy Hollow também passa essa impressão. Uma pequena comunidade no meio do campo, praticamente isolada do mundo, com animais como vacas, ovelhas e gansos correndo ao ar livre. Um lugar bonito, mas com uma atmosfera assustadora. E claro, o cavalo de Ichabod Crane, Pólvora. Mesmo com pouca presença na historia, ele não poderia faltar, até porque, é o companheiro do professor no clímax. E toda a descrição desajeitada de Ichabod como cavaleiro também aparece, porque, simplesmente, não poderia faltar. É uma das principais características da historia original. Alguns dos personagens também são reflexos da historia original. Ichabod é um covarde, cheio de frescuras; Katrina é doce, amável e sensível; Brom Bones é o valentão que tenta passar a perna em Ichabod; Baltus é o fazendeiro rico; e o próprio Cavaleiro é o espirito dominante da região, que mete medo nos habitantes do lugarejo. Enfim, tudo que aparecia na historia aparece aqui, de maneira excepcional e perfeita.

Com certeza, um dos pontos principais da historia original, é quem era o Cavaleiro Sem Cabeça e como ele perdeu sua cabeça. Aqui, isso é apresentado. O Cavaleiro é um soldado hessiano que lutava em uma batalha nos arredores de Sleepy Hollow. A única coisa que mudaram foi o modo como ele perdeu a cabeça: na historia de Irving, ele é decapitado por uma bola de canhão; aqui é diferente. A cena do flashback é uma das melhores, mostrando o Cavaleiro em toda sua fúria, decapitando e trucidando soldados. Muito bem feita, bem dirigida e atuada. Sangrenta e arrepiante.

Aliás, posso dizer que A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça marca uma espécie de nova fase para o diretor Tim Burton. No inicio de sua carreira, ele fazia filmes com um tom mais família, quase sem nenhum sangue ou violência. Aqui, ele já muda de figura. O filme é repleto de cenas sangrentas, com destaque para as decapitações. Dizem que os responsáveis pela censura acharam as cenas tão pesadas que classificaram o filme para maiores; aqui no Brasil, recebeu classificação “18 anos”, o que gerou problemas para quem foi assistir no cinema. Hoje em dia, talvez as cenas não sejam tão pesadas assim, mas na época, era compreensível. Não me lembro de ver um filme do diretor anterior a esse com essa pegada. O próprio Burton inclusive optou por não cortar as cenas de decapitação. E ao que parece, o diretor seguiu essa nova linha, porque Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007) é carregado de cenas sangrentas, por causa do conteúdo original. E mesmo assim, não parece que foi dirigido por outro cineasta. Incrível.

O elenco é também um dos pontos altos. Em sua terceira colaboração com Burton, Johnny Depp está perfeito como Ichabod Crane. Também fã da animação da Disney, ele conseguiu representar o personagem de maneira crível e divertida. Suas cenas de desmaios são muito engraçadas e servem muito bem para quebrar a tensão após uma cena assustadora. Em uma entrevista, Depp declarou que chegou a cogitar a hipótese de usar próteses para ficar mais parecido com o Ichabod Crane da animação, o verdadeiro Ichabod Crane. Sinceramente, achei que foi muito bom que isso não aconteceu porque só existe um Ichabod Crane alto, extremamente magro, com uma cabeça pequena e chata em cima, e nariz comprido, que parece uma das pontas de um cata-vento preso ao seu fino pescoço. E esse Ichabod Crane é o Ichabod Crane da Disney. Ponto! No entanto, as melhores atuações são de Christina Ricci e Christopher Walken. A atriz interpreta Katrina Van Tassel com uma delicadeza e uma beleza impressionantes. Parece que ela assume a personagem, de tão perfeita que é sua atuação. Sem duvida, ela soube traduzir a personagem melhor do que ninguém. Belíssima. Já Christopher Walken está assustador no papel do Cavaleiro Sem Cabeça. Mesmo não aparecendo muito, sua presença é marcante, e dá um ar maligno ao personagem. O Cavaleiro também foi interpretado pelo dublê Ray Park no restante do filme, quando vemos o personagem sem sua cabeça. Outro dublê também deu vida ao Cavaleiro nas cenas de montaria. Mesmo assim, nenhum deles consegue superar Walken. O restante do elenco também está muito bem em suas performances, e não parecem caricatos em momento nenhum.

Como mencionado, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça é repleto de homenagens aos filmes que Burton assistia na infância. A começar pelos clássicos da Hammer, estúdio de cinema britânico responsável pelos maiores filmes do gênero nos anos 50, 60 e 70. O filme tem todo um aspecto da Hammer, com suas cores escuras, sangue pulsante e ambientação gótica. Lembra muito os primeiros filmes coloridos do estúdio, como os filmes do Drácula, estrelados por Christopher Lee. Aliás, a presença do ator é uma das maiores homenagens ao estúdio. Christopher Lee era um dos ídolos de Burton, ao lado de Vincent Price, e sua presença é impactante. O ator aparece por poucos minutos, mas valem a pena. A presença dele é imponente, que inspira e exige respeito de quem está ali. Burton até menciona nos comentários que todos da equipe pararam para prestar a atenção no ator, dada a sua magnitude. Em outra cena, Burton cita suas inspirações também em Roger Corman e em Mario Bava. Novamente, a fotografia e a ambientação contribuem. Além de lembrar os filmes da Hammer, o filme também lembra os filmes do Ciclo Edgar Allan Poe, estrelados por Vincent Price, que Corman dirigiu nos anos 60. Eu já tive o prazer de assistir alguns dos filmes do Ciclo Edgar Allan Poe, e posso dizer que a semelhança é impressionante. A floresta assombrada parece muito com as florestas dos filmes de Corman. Aliás, um detalhe. A cena de investigação de Ichabod na floresta possui uma das melhores tomadas do cinema de horror. O investigador avista uma estranha figura branca andando por entre as arvores retorcidas e decide ver o que é; para mim, é uma bela cena de floresta mal-assombrada, e com certeza, vai servir de inspiração no futuro. Mas, voltando, parece mesmo que eu estava vendo um filme de Roger Corman, e parecia que Vincent Price iria aparecer a qualquer momento. A inspiração em Mario Bava também é evidente. A cena em que Ichabod é perseguido por um falso Cavaleiro Sem Cabeça lembra muito as cenas de A Máscara de Satã (1960) e As Três Máscaras do Terror (1963); além disso, existem também duas outras homenagens ao filme de estreia de Bava, todas muito bem feitas e respeitosas. Existe também uma homenagem ao Clássico Frankenstein (1931), estrelado por Boris Karloff: a cena do moinho. Burton já declarou que sua primeira lembrança de moinhos veio do filme de James Whale, e assim como as homenagens à Bava e Corman, ele a presta com todo o respeito que o filme merece. No entanto, além de homenagear seus filmes favoritos, o diretor também homenageia a si mesmo. Os espantalhos que aparecem no milharal no começo do filme lembram a fantasia de espantalho de Jack Skellington; o vestido que Katrina usa em determinada cena lembra a roupa de Beetlejuice; e as participações de seus ídolos, Christopher Lee e Michael Gough, remetem à presença de seu ídolo máximo em Vincent (1982) e em Edward Mãos-de-Tesoura (1990). 

A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça foi lançado em novembro de 1999 e tornou-se um sucesso de bilheteria. O filme marca a terceira colaboração entre Tim Burton e Johnny Depp, iniciada em 1990 com o inigualável Edward Mãos-de-Tesoura. Os dois trabalharam juntos novamente em Ed Wood (1994), cinebiografia do “pior diretor de todos os tempos”; A Fantástica Fábrica de Chocolates (2004); A Noiva-Cadáver (2005); Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007); Alice no País das Maravilhas (2010) e Sombras da Noite (2012), baseado na série de TV “Dark Shadows”, de Dan Curtis.

Enfim, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça é um filme maravilhoso. Um dos meus filmes favoritos. Uma historia de amor com elementos de suspense. Um verdadeiro conto de fadas. Excelente.









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sexta-feira, 15 de março de 2019

A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA (Washington Irving).


NOTA: 10


A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA
A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça é meu livrinho favorito. Uma historinha que sempre fez parte da minha vida, desde que assisti à versão da Disney. 
Durante muito tempo, a versão animada foi a única que conheci, até que assisti às duas versões lançadas em 1999, o filme de Tim Burton e um telefilme distribuído pela extinta Hallmark Television. Ambas são maravilhosas.
Mas, voltando à história original de Irving, por anos, busquei o livro, mas nunca encontrei. Cheguei, inclusive, a procurar para baixar na internet, mas não havia tradução brasileira. No fim, acabei baixando algumas versões americanas, inclusive em audiobook no YouTube, e fiquei maravilhado. Achei o texto muito divertido, engraçado mesmo, nada assustador. Mas as buscas por um livro físico traduzido continuaram. Até que finalmente encontrei em um sebo virtual e comprei, numa edição da Leya, do selo Eternamente Clássicos.
Que livrinho maravilhoso!
Minha opinião a respeito da história não mudou. É deliciosa, arrepiante e engraçada! Levei cerca de uma hora para ler e amei cada momento.
Sem dúvida, uma das melhores histórias que já li na vida.
A narrativa de Irving é rápida e simples, sem diálogos, e do tipo que se lê em voz alta. 
Ichabod Crane é o meu personagem literário favorito, um personagem que eu sempre quis ser, desde bem pequeno.
Além das adaptações mencionadas acima, outras que merecem destaque são um telefilme lançado em 1980, estrelado por Jeff Goldblum e um episódio da série infantil Wishbone, onde ele faz o papel principal. Ambas as versões são super divertidas e contam a história com muito humor.
Uma pequena história de fantasmas, fantasia, romance e humor. Uma historinha que faz parte da minha vida! Perfeita não apenas para o Halloween, mas para todos os momentos!


Deliciosa! Excelente!

AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.