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sábado, 19 de outubro de 2019

ALIEN, O 8º PASSAGEIRO (1979). Dir.: Ridley Scott.


NOTA: 10



ALIEN, O 8° PASSAGEIRO (1979)
ALIEN, O 8º PASSAGEIRO é um Clássico. Sem duvida, 40 anos depois de seu lançamento, ainda é um dos maiores filmes de horror e ficção científica de todos os tempos, que juntou os dois gêneros com maestria. 

Mas, o que o torna um filme tão grande? Bom, a começar pela própria história. Sem duvida, é um dos filmes mais tensos e claustrofóbicos já feitos, e a própria ambientação contribui para isso. E não só isso; Alien é também um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, por esses mesmos motivos e também por contar um roteiro tão bem amarrado, sem nenhuma ponta solta.

Devo dizer que Alien foi um filme que me assustou muito quando era pequeno. Minha mãe tinha alugado o VHS, e estava assistindo e me chamou e ao meu irmão para assistir uma cena; era a famosa cena da “última ceia”, talvez a cena mais famosa do filme, que pega toda a tripulação – e o elenco – de surpresa. Só essa cena já foi suficiente para me assustar; tanto que saí correndo e voltei para o meu quarto. Anos depois, tive vontade de ver o filme pela primeira vez, e não deu outra. É um filme excelente.

Alien é perfeito, não há duvida, seja pelo que já foi mencionado, seja pela direção segura de Ridley Scott, seja pelo elenco, seja pelo monstro, enfim, não importa. O fato é que é um desses filmes que devem ser vistos pelos fãs de cinema, independente do gênero.

Não é só isso. O filme é também um marco nos gêneros de ficção cientifica e terror, justamente porque conseguiu combinar esses gêneros muito bem, tudo na medida certa. É possível ver claramente que até os primeiros 20, 30 minutos, trata-se de um filme de ficção-cientifica, justamente por causa da ambientação, a nave Nostromo, mas é apenas isso. Mesmo com poucas pistas – ou nenhuma – fica claro que o filme se passa no futuro, um futuro muito distante, inclusive. Porém, ao invés de possuir um aspecto limpinho, com a nave toda em ordem, a coisa é diferente. O interior da nave é sujo, com peças defeituosas; não é uma nave “0 km”, é uma nave que já possui anos de estrada.

Esse é um dos grandes destaques. O interior da nave é muito bem feito, com suas maquinas modernas para a época, luzes piscando, equipamentos de comunicação avançados... parece mesmo que aquela nave existe e que aquele futuro existe. Mas não é apenas o interior da nave que merece nota. As cenas no espaço também são muito boas, com a nave surgindo em toda sua grandiosidade, com a câmera focando nos menores detalhes. Tudo belíssimo.

O elenco também contribui para o excelente desempenho do filme. Formado principalmente por veteranos, com exceção de Sigourney Weaver e Veronica Cartwright, é composto por personagens absolutamente realistas. É possível acreditar que todos ali são pessoas reais, que entendem e sabem o que estão fazendo ali dentro daquela nave. Nenhum dos atores está caricato, todos atuam de maneira brilhante.

O roteiro, escrito por Dan O’Bannon, a partir de uma historia que escreveu em parceria com Ronald Shussett, é um dos mais perfeitos do gênero. Como já mencionado, durante os primeiros minutos, temos a impressão de que é um filme de ficção-cientifica; porém, quando o tripulante Kane, interpretado pelo saudoso John Hurt, é atacado, a coisa muda de figura, e o filme se transforma em um filme de terror. Boa parte disso deve-se ao fato de esconderem o Alien durante o filme inteiro. Sério. Assistindo ao filme, eu estimulei que, das duas horas de duração, ele aparece umas seis vezes, mais ou menos. Claro, ele não é apresentado logo no início, isso só acontece mais adiante. Não sei se essa técnica de escondê-lo fazia parte do roteiro ou se era uma saída encontrada pela equipe, mas, o fato é que funciona. Muito bem.

Alien é um filme claustrofóbico, não há duvidas. A própria ambientação da nave faz dele um filme claustrofóbico, porque os personagens não têm para onde correr, depois que o monstro é solto dentro da nave! Segundo a crítica da TV Guide, Maitland McDonagh, o filme soluciona o maior problema das historias de casa mal-assombrada: os personagens não têm para onde fugir! E a própria fotografia também contribui. Toda a atmosfera e a paleta de cores escuras, deixam o filme ainda mais claustrofóbico, e a experiência de assisti-lo, mais assustadora. De verdade. Mesmo tendo assistido algumas vezes, não deixo de me sentir desconfortável ao assisti-lo.

A ideia para Alien surgiu após Dan O’Bannon realizar Dark Star (1974), filme de estreia do amigo John Carpenter. O’Bannon tinha a intenção de fazer outro filme sobre alienígenas dentro de uma nave, mas desta vez, queria que fosse uma criatura real. Ronald Shussett entrou em contato com ele após assistir ao filme de Carpenter. No entanto, eles seguiram caminhos diferentes. O’Bannon foi trabalhar na adaptação do livro Duna, que viria a ser dirigida por Alejandro Jodorowsky – mas que nunca aconteceu, como sabemos; Shussett, por outro lado, estava envolvido na futura adaptação de O Vingador do Futuro, que acabou roteirizada por O’Bannon. Durante a produção de Jodorowsky, O’Bannon conheceu o artista sueco H.R. Giger, e o convenceu a se juntar ao projeto, após ver uma de suas obras. O’Bannon e Shussett ofereceram o projeto a vários estúdios, mesmo não tendo finalizado o roteiro. Quem demonstrou interesse em produzi-lo foi Roger Corman, mas o produtor Walter Hill aceitou o desafio e levou a historia para a 20th Century-Fox. Os executivos, por outro lado, mostraram-se relutantes, pois temiam que poderia ser mais um filme de monstro espacial de baixo orçamento. O que motivou a produção do filme, foi o sucesso de Star Wars, lançado pelo estúdio em 1977. O’Bannon demonstrou interesse em dirigir, mas foi afastado, dando lugar a Ridley Scott, que chamou a atenção do estúdio após seu trabalho em Os Duelistas. A Fox cedeu um orçamento de 8 milhões de dólares. As filmagens aconteceram na Inglaterra, num período de três meses. Quando foi lançado, o filme tornou-se um sucesso de critica de bilheteria.

Uma das questões mais comentadas sobre o filme, é o fato de que talvez fosse o filme que deu a primeira heroína de ação para o cinema, no caso, a Tenente Ripley, que fez de Sigourney Weaver uma estrela. Durante todo o filme, fica claro que Ripley é a única que tem calibre para combater o Alien, além de ser uma personagem forte, que não baixa a cabeça para nada e para ninguém. Ripley é determinada, passa por cima das ordens do Capitão Dallas quando ele lhe ordena que Kane seja levado a bordo após ser atacado; mas ela se recusa e acaba comprando briga com os tripulantes. Ela também não se deixa enganar pelos mecânicos Parker e Brett, e, após Dallas ser eliminado, ela assume o comando da nave e sugere explodi-la com o monstro a bordo. Ou seja, é uma personagem casca-grossa. Agora, se Alien é de fato, um filme “feminista”, não sei dizer com certeza, mesmo vendo o quão forte e determinada Ripley é. O debate permanece.

Agora, sobre a Criatura. Como mencionei acima, eu acredito que ela aparece umas seis vezes no filme inteiro, mas essas 6 vezes são belíssimas. O Monstro é um ser assustador. Alto, magro, com uma cabeça grande, sangue acido, uma boca cheia de dentes afiados, um apetite insaciável, é uma das maiores criaturas do cinema de todos os tempos. Um monstro implacável, que ninguém, absolutamente ninguém consegue impedir. Desenhado por H.R. Giger, o monstro passou por varias etapas até atingir sua forma final. Uma das alterações sugeridas por Giger foi a ausência de olhos; segundo ele, se a criatura não tivesse olhos, ela seria muito mais perigosa. E funcionou. É muito difícil, na verdade, impossível, imaginá-lo com olhos hoje em dia. Quem também ajudou em sua confecção, foi o italiano Carlo Rambaldi, mestre dos efeitos especiais. Rambaldi ficou responsável pela cabeça do alienígena, que contava com cerca 900 partes moveis, entre elas, a icônica boca em miniatura que se projeta para frente. Quem o interpretou foi um estudante de design chamado Bolaji Badejo, que foi descoberto em um bar de Londres. Em momento nenhum, dá para dizer que o monstro é um homem dentro de uma roupa, pelo contrário, parece mesmo uma criatura de verdade. E todo o seu design contribui para deixa-lo ainda mais misterioso, porque ele consegue se esconder no interior da nave, imitando pedaços da estrutura, ou entrando em buracos e fendas onde não caberia um ser humano. Ou seja, não se sabe onde ele está. Um dos maiores monstros do cinema, sem duvida.

Alien tornou-se um sucesso de bilheteria e agradou críticos do mundo inteiro. Em 1980, Giger, Rambaldi, Brian Johnson, Nick Allder e Denys Ayling foram premiados com um Oscar® de Melhores Efeitos Visuais pelo seu trabalho. O filme também foi indicado na categoria de Melhor Direção de Arte, além de levar o Saturn Awards de Melhor Filme de Ficção Científica, Melhor Direção e Melhor Atriz Coadjuvante. Em 2002, foi escolhido pelo National Film Regisrty para preservação. O Alien possui a 14º posição na Lista dos 50 Maiores Vilões do Cinema do American Film Institute, e Ripley ocupa a 8º posição na Lista dos 50 Maiores Heróis do Cinema, pela sequencia Aliens, O Resgate.

O sucesso do filme motivou a Fox a produzir três continuações: Aliens, O Resgate (1986), dirigido por James Cameron; Alien³ (1992), de David Fincher; e Alien, A Ressurreição (1997), de Jean-Pierre Jeunet. Em 2012, Ridley Scott retornou a franquia com o ótimo Prometheus, prequel estrelada por Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron e Guy Pierce. Apesar de ser um divisor de criticas, eu gostei muito do filme. Scott retomou a franquia também em Alien: Convenant, considerado por muitos como inferior à saga. Tanto Prometheus como Alien: Convenant serviram como prequels, e tinham como objetivo, contar a historia da franquia anos antes do primeiro filme, e encerrá-la com outra sequencia, que antecederá diretamente o primeiro. No entanto, o fracasso de Convenent parece ter abortado os planos de Ridley Scott para continuar a saga. Veremos. Uma observação: eu gosto muito de Alien³; na minha opinião, é um filme injustiçado, que foi prejudicado por problemas de bastidores.

O filme também gerou uma serie de livros, quadrinhos e jogos de videogame, que expandem seu universo e contam novas historias, além de contar historias antes de algumas das sequencias. Ou seja, Alien é uma franquia lucrativa.

Em 1980, foi lançado um filme italiano chamado Alien 2: Sulla Terra, dirigido por Ciro Ippolitto. O filme não possui nenhuma relação com o filme de Ridley Scott, mas é muito divertido. Dizem que o filme de Cameron foi batizado de “Aliens” por causa dessa “sequencia” não oficial.

Enfim, Alien, O 8º Passageiro é um clássico. Um dos maiores filmes de todos os tempos. Uma historia claustrofóbica de horror que não deixa o espectador respirar. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Um filme inesquecível. Excelente.

Altamente recomendado.










Confira também a resenha em:
https://livrosfilmesdehorror.home.blog/2019/10/19/alien-o-8o-passageiro-1979-dir-ridley-scott/

Acesse também:
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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

OS MORTOS-VIVOS (1981). Dir.: Gary A. Sherman.


AVISO!

ESSA RESENHA CONTÉM SPOILERS!


NOTA: 10


OS MORTOS-VIVOS (1981)
OS MORTOS VIVOS (1981) é um filme excelente. Original, assustador, impressionante e com um final de cair o queixo.

Esse é sem duvida, um dos melhores filmes de terror que já tive o prazer de assistir. Já tinha conhecimento de sua existência graças a uma resenha publicada no site Boca do Inferno, e já de cara, fiquei curioso, porque o que mais me chamou a atenção, era o fato de que o filme tinha um final surpresa. E é verdade. Na primeira vez que eu vi, fiquei chocado. Não me lembrava de ter visto um final tão soco no estomago como o apresentado nesse filme – acho que nem os finais do Shyamalan são tão pesados.

É o tipo de filme que não deve, em hipótese alguma, ser visto pela metade. É necessário assisti-lo desde o começo para entender o que está acontecendo, porque os primeiros sinais de mistério surgem logo depois da sequencia de abertura. E depois que surgem, não param mais. É uma surpresa atrás da outra, o que impede o espectador de parar para respirar. É sério.

O roteiro, escrito por Ronald Shussett e Dan O’Bannon - os criadores de Alien (1979) - é perfeito, redondo e muito bem amarrado. Não existe nenhuma falha na narrativa, e tudo acontece do jeito certo. E como já disse, não poupa o espectador. Porém, o maior problema do filme é o fato de que não dá para falar sobre ele sem entregar spoilers – tentarei fazer isso aqui, mas não prometo nada! É tanta coisa que pega o espectador de surpresa, que fica difícil não entregar pelo menos uma. Talvez, o máximo que pode ser dito é que é um filme de zumbis. Talvez, e olhe lá, difícil dizer mais sem estragar a surpresa.

Bom, além de ser um filme inteligente, é um filme assustador, com imagens que já tornaram-se antológicas – mais sobre isso adiante. É um filme assustador porque existem cenas que fazem qualquer um pular da cadeira, sem esforço. Elas surgem no momento mais inesperado, com uma trilha sonora alta, digna de provocar medo – quase um jump scare, mas um jump scare muito bem feito, diga-se. Esses jump-scares acontecem nas cenas de assassinato, e olhe, que cenas de assassinato. Ao contrario dos Slashers que estavam em vigor na época, aqui nós temos cenas verdadeiramente pesadas, violentas, cruéis: gargantas cortadas, rostos desfigurados e derretidos e membros decepados. Tudo feito de maneira brilhante, realista, até, digna de causar arrepios. Mas claro que as cenas assustadoras não se resumem apenas às cenas de assassinato. Existem também momentos em que o simples olhar de um personagem é assustador; até porque, aquelas pessoas são, de fato, assustadoras e bizarras. E o medo também acontece na forma como tais cenas são construídas: aos poucos, sem pressa, tudo para deixar o espectador mais assustado. E consegue.

O protagonista, o xerife Dan Gillis, é o típico personagem de bom coração de filmes assim. Autoridade na pequena cidade, ele mostra-se um homem que quer, a todo custo, desvendar os crimes que estão acontecendo, sempre confiando na razão e não em forças sobrenaturais. Sua esposa, Janet, é professora na escola local, e a típica esposa apaixonada e devotada ao marido, sempre preparando seu jantar quando ele chega em casa depois do trabalho. Juntos, eles formam um casal simpático, talvez, um casal de mocinhos, mas a coisa não é bem assim. Agora, o personagem mais sinistro é o Sr. Dobbs, o agente funerário. Um velhinho alto, magro, de óculos grandes, que sempre ouve musicas antigas enquanto trabalha. Dobbs é obcecado pelo trabalho. Mas não é o tipo de obsessão boa, não. Seu trabalho na funerária é o de reconstruir os corpos que recebe; e sempre faz o serviço com um sorriso maléfico no rosto, referindo-se a eles como “obras-primas” depois de concluídos. Um sujeito sinistro, no mínimo. Os outros personagens também não ficam atrás. Temos os pescadores, a garçonete, o frentista, o homem do guincho... Todos sinistros.

Como mencionado acima, Os Mortos-Vivos pode ser considerado um filme de zumbis. Mas não espere aqueles zumbis que arrastam os pés, que andam com os braços estendidos, não. Aqui, os zumbis são quem a gente menos espera. E o melhor, o roteiro não dá uma explicação para o que está acontecendo na cidade, e, francamente, para mim, isso não importa. É como o tal conteúdo da mala do Pulp Fiction (1994). A gente nunca sabe o que tem lá dentro, porque não é mostrado, e não faz a menor diferença. Aqui, é a mesma coisa. O máximo que o roteiro faz, é apresentar uma frase presente num livro sobre bruxaria, que diz como os mortos podem ser trazidos de volta, e só. Não precisa de mais nada.

Como em todo filme de zumbis, os efeitos especiais são destaque. E não é pra menos. O responsável por eles foi o saudoso Stan Winston, em inicio de carreira. Como ele mesmo declarou, ele fez tudo sozinho, até porque, o hoje famoso Stan Winston Studio não existia, então, ele teve que arregaçar as mangas. E conseguiu fazer coisas extraordinárias. A melhor, sem dúvida, é o corpo da primeira vitima, com o rosto todo enfaixado, somente com um olho e a boca à mostra. Uma imagem perfeita, que mesmo presente por poucos segundos, já fica na memória. E a cena da agulha também. Segundo Winston, tudo presente naquela cena é um efeito especial, até mesmo o corpo enfaixado. E o resultado é de causar frio na espinha. A outra grande cena, é a cena da reconstrução facial. Winston também fez tudo aquilo sozinho, e o resultado também é de cair o queixo, tanto que ele declarou que foi o efeito que mais o deixou orgulhoso. Nada mal para o homem que se tornou responsável pelas maiores criaturas do cinema de fantasia atual, como os dinossauros da trilogia Jurassic Park, o Pinguim de Batman – O Retorno, O Exterminador do Futuro e Edward Mãos-de-Tesoura, por exemplo. Stan Winston faleceu em 15/jun/2008.

Além dos excelentes efeitos especiais, o filme também é cheio de cenas memoráveis, além das já mencionadas. Outra que merece destaque é quando uma multidão está caminhando em direção ao carro de uma família em apuros. É uma cena brilhante, escura, onde não vemos os rostos das pessoas, apenas as silhuetas, e somente uma luz iluminando as pessoas por trás. Sem duvida, uma cena apavorante. Outra – e foi essa que me surpreendeu primeiro – acontece antes, quando o frentista, que estava de costas, vira-se para a câmera e mostra seu rosto: a revelação é chocante, e como eu disse, foi a que me surpreendeu primeiro. E por ultimo, destaco aquela em que todos colocam flores no tumulo da esposa do xerife, no final do filme. Macabra e muito bem feita.

Os aspectos técnicos também não ficam atrás. Vou destacar a fotografia. Sem duvida, o melhor momento acontece acima, mas existem outras cenas onde o diretor de fotografia fez um ótimo trabalho. Posso estar enganado, mas acho que ele fez uso de luz natural em algumas cenas, principalmente na cena do hotel, e nas cenas noturnas. Todas são muito bem feitas, bem montadas, dirigidas e atuadas. Os atores também não fazem feio. Em momento nenhum, eles mostram-se exagerados ou caricatos; pelo contrário, dá pra imaginá-los como pessoas reais, principalmente o xerife Gillis. Quando ele faz a descoberta chocante no final do filme, as expressões de medo e descrença em seu rosto são verdadeiras. A cena em que ele confronta Dobbs e a esposa é brilhante e muito pesada.

Os Mortos-Vivos foi rodado na cidade de Mendocino, na Califonia. Não sei se a ideia era de que a historia se passasse na Nova Inglaterra, mas o fato é que isso não atrapalha em nada. A locação é belíssima, com sua atmosfera de cidade pequena, costeira, uma verdadeira comunidade de pescadores. Anteriormente, a cidade foi usada como locação em O Altar do Diabo (1970), de Daniel Haller, baseado em O Horror de Dunwich, de H.P. Lovecraft.

Como mencionado acima, o roteiro foi escrito por Ronald Shussett e Dan O’Bannon, e foi vendido como “from the creators of Alien”, inclusive nos trailers. No entanto, O’Bannon declarou que Shussett escreveu o roteiro sozinho, e apenas colocou seu nome no projeto com a promessa de que isso aumentariam suas chances. Porém, ao perceber que suas ideias não foram incluídas, O’Bannon pediu que seu nome fosse removido do projeto, mas isso não aconteceu.

O filme não fez muito dinheiro nas bilheterias, mas o trabalho de Winston foi bastante elogiado; porém, o filme acabou parando na famigerada lista dos “Vídeo Nasties” britânica em 1990 com 30 segundos de cortes – foi lançado sem cortes apenas em 1999. Hoje em dia, o filme possui uma aura cult e é considerado um dos melhores filmes de terror dos anos 80.

O filme chegou a ser lançado em DVD no Brasil há alguns anos, – não sei se saiu em VHS – mas, hoje em dia, está fora de catálogo.

Enfim, Os Mortos-Vivos é um filme excelente. Uma historia fascinante e assustadora. Um filme inteligente e cheio de surpresas. Um pequeno clássico do terror dos anos 80. Brilhante.

Altamente recomendado.










Agradecimentos: Site "Boca do Inferno".


AVISO.

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