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segunda-feira, 27 de maio de 2024

MADHOUSE – A CASA DO TERROR (1974). Dir.: Jim Clark.

 

NOTA: 8.5


Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

Mas hoje, não estou aqui para falar sobre as antologias do estúdio, e sim, sobre MADHOUSE – A CASA DO TERROR, produzido em parceria com a American International Pictures.

 

Este é um dos filmes mais divertidos e criativos do estúdio, apesar de contar com alguns problemas, mas, mais detalhes adiante.

 

Com toda certeza, seu maior atrativo é contar com a presença dos grandes Vincent Price e Peter Cushing no elenco, além do também grande Robert Quarry.

 

Se fosse somente pela presença dos dois astros, o filme já valeria a pena, mas, o longa tem mais atrativos. A começar pela própria trama, que é repleta de criatividade e metalinguagem, além de apostar no suspense digno de Giallo, e situações sinistras.

 

No entanto, apesar da criatividade, a produção deste filme foi bem problemática.

 

Os executivos da American Internation Pictures, aliados com a Amicus Productions, adquiriram os direitos do livro Devilday, do autor Angus Hall, para adaptação. Mas, no decorrer do caminho, alterações foram feitas no roteiro, além de surgirem problemas nas gravações. O resultado foi um fracasso de bilheteria, que culminou no fim das produções de terror da AIP.

 

Na trama, Price interpreta o ator Paul Toombes, famoso no gênero terror pela sua interpretação do Dr. Morte, um sádico assassino. Numa noite de Ano Novo, Paul testemunha a morte de sua noiva e vai parar em uma instituição psiquiátrica, pois acredita que ele mesmo é o culpado. Anos depois, ele viaja a Londres, a fim de estrelar uma série de TV do personagem Dr. Morte; mas, com a sua chegada, mortes misteriosas começam a acontecer.

 

Pela sinopse, é um típico filme de suspense e terror psicológico, onde o protagonista é perturbado por um trauma do passado e coisas misteriosas começam a acontecer ao seu redor, obrigando-o a pensar se ele é o culpado ou não.

 

Eu mesmo já vi alguns filmes com uma trama semelhante, e, falando francamente, se for um filme bem-feito, eu gosto muito. Aqui, felizmente, é um desses casos, porque desde o começo, fica claro que a morte da noiva de Paul foi um gatilho para prejudicar sua mente. Aproveitando-se dessa situação, alguém começa a matar as pessoas próximas a ele, a fim de incriminá-lo. E a identidade do responsável é mantida em segredo até o final, e digo aqui, que é uma surpresa.

 

Eu não sei vocês, mas, sempre que eu vejo esse filme, eu penso que o assassino é outra pessoa, mesmo com as dicas falsas que o roteiro apresenta ao espectador.

 

Além de apostar no clima de mistério digno de Giallo – principalmente por causa dos closes das luvas pretas do assassino –, o roteiro também aposta na metalinguagem, visto que Paul viaja a Londres para participar de uma série de TV. Então, temos aqui, cenas que passam nos estúdios de gravação, além de contar com a presença do diretor e produtores da série. Este é outro tipo de filme que eu gosto de ver, porque me dá uma ideia de como é uma gravação, com o trabalho do diretor e dos produtores.

 

No entanto, apesar de ser bastante criativo, o filme apresenta alguns problemas. O maior deles é a presença dos pais de uma das vítimas do assassino, que passam boa parte do filme chantageando Paul, a fim de extorquir seu dinheiro. Eu não vejo problemas com personagens assim, pelo contrário; o problema é que os dois não são muito bem escritos e não são bem interpretados.

 

Outro problema, acontece na sequência do programa de entrevistas, porque, o assassino está na plateia, mas, a câmera foca em outro personagem deixando e entrando no estúdio após uma pessoa morrer. Eu acho essas duas sequências bem problemáticas, principalmente quando o assassino é revelado.

 

Como é um filme co-produzido pela AIP, Madhouse tem de fato, cara de ser uma produção do estúdio, principalmente por causa das presenças de Vincent Price e Robert Quarry, que atuaram em produções da AIP anteriormente. Aliás, o filme faz uso de imagens de arquivo dos filmes de Price no Ciclo Edgar Allan Poe, de Roger Corman, que se passam por filmes do Dr. Morte, um belo exemplo da picaretagem do estúdio.

 

Antes de encerrar, uma curiosidade bem bacana. Na sequência da festa à fantasia, tanto Robert Quarry, quanto Peter Cushing aparecem vestidos de vampiros; só que Cushing está vestido de Drácula, e Quarry está vestido de Conde Yorga, seu personagem mais famoso na AIP.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, na caixa Amicus Productions, em versão remasterizada, com um documentário como extra.

 

Enfim, Madhouse – A Casa do Terror é um filme muito bom. Uma trama arrepiante, cheia de mistério com uma direção competente. A presença dos astros Vincent Price e Peter Cushing é o grande destaque, e os astros dão um show de atuação, especialmente Price, que transita entre a sanidade e a loucura de maneira ímpar. O roteiro é bem redondo, mas apresenta alguns problemas que chegam a atrapalhar a experiência. Mesmo assim, este é uma das melhores produções da American International Pictures, aqui em parceria com a Amicus. Muito bem recomendado. 


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

A CRIPTA DOS SONHOS (1973). Dir.: Roy Ward Baker.

 

NOTA: 8.5


Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

Em 1973, o estúdio lançou A CRIPTA DOS SONHOS, dirigida por Roy Ward Baker, com roteiro baseado em histórias publicadas nos quadrinhos da EC Comics.

 

Eu vou dizer logo de cara que esta é uma das que eu mais gosto, e sempre divirto com ela toda vez que assisto, e isso se deve principalmente aos segmentos apresentados aqui. Ao todo, são cinco histórias curtas, contadas por cada um dos personagens que entraram em um elevador e se depararam com uma espécie de clube no subsolo do prédio.

 

Midnight Mess: Um homem contrata um investigador para encontrar sua irmã, e após saber de seu paradeiro, mata o detetive e pega seu dinheiro. Ao chegar no vilarejo onde a irmã está morando, ele acaba descobrindo algo terrível sobre o lugar quando a noite cai.

 

The Neat Job: Um homem com mania de limpeza e organização se casa e tenta fazer sua esposa se adaptar à nova vida e às suas regras. No entanto, um dia, enquanto o marido está fora, a mulher acaba provocando uma confusão na casa e é surpreendida por ele.

 

This Trick’ll Kill You: Um casal de mágicos está de viagem na Índia e se depara com os truques de um faquir. Rapidamente, o homem revela os segredos por trás dos truques do faquir, humilhando-o. Dias depois, o mesmo homem se depara com um novo truque e decide mostra-lo a sua esposa, não imaginando as consequências.

 

Bargain in Death: Um homem decide se fingir de morto para obter o dinheiro do seguro, e para isso, pede ajuda a um amigo. O mesmo homem é enterrado no cemitério e aguarda o amigo, mas não imagina que dois estudantes de Medicina decidem utilizar seu corpo a fim de passar nas provas.

 

Drawn and Quartered: Um artista descobre que foi enganado por críticos e decide se vingar utilizando os poderes do vodu. Ao retornar à Londres, ele começa a pôr seu plano em pratica, mas não dá conta das consequências que o vodu trará para si mesmo.

 

E temos aqui mais uma antologia básica, com começo, meio e fim, e interlúdios.

 

O filme foi dirigido por Roy Ward Baker, um nome conhecido no horror inglês, tendo participado de produções voltadas ao gênero tanto na Amicus quanto na Hammer, “rival” desta primeira.

 

Devo dizer que Baker fez um bom trabalho aqui, principalmente em se tratando dos segmentos. Cada um é diferente à sua maneira, e parece que o diretor empregou diferentes estilos ao dirigi-las, algo que se tornaria comum nas antologias posteriores, principalmente aqueles dirigidas por mais de uma pessoa.

 

A Cripta é mais uma das sete antologias produzidas pela Amicus, entre os anos de 1965 e 1974, e meio que se tornaram a marca registrada do estúdio, além do fato de produzirem filmes principalmente contemporâneos – poucos são os filmes produzidos por eles que não são. O que todas essas antologias têm em comum é o fato de possuírem de quatro a cinco segmentos, serem dirigidos pela mesma pessoa, e possuírem um elenco em sua maioria estelar.

 

Aqui temos a presença de alguns nomes reconhecíveis, sem apelar para grandes astros, como Peter Cushing, Joan Collins, Christopher Lee, ou Ingrid Pitt, que trabalharam em produções anteriores do estúdio. No time de coadjuvantes, temos o ator Denholm Elliott, que participou de A Casa que Pingava Sangue (1971), e da trilogia Indiana Jones. E temos também um ou dois nomes reconhecíveis do cinema inglês fazendo pequenas participações.

 

Além de contar com nomes reconhecidos no elenco, boa parte dessas antologias contavam com histórias inspiradas nos quadrinhos da EC Comics, as séries Tales from the Crypt e Vault of Horror. Sempre que eu assisto à esta ou à outra antologia cujas bases são essas series, eu sempre penso como elas deviam ser contadas nos quadrinhos, visto que é uma mídia diferente, com suas próprias regras e limitações.

 

Vale lembrar também que este é um filme que era produto de sua época, e isso pode ser exemplificado pelo terceiro segmento, cujo cenário é a Índia e, com exceção do ator que interpretou o faquir, não temos quase nenhum ator indiano no elenco, algo que não seria visto com bons olhos hoje em dia.

 

Como toda antologia, temos aqui também aquelas histórias que não são tão boas, algo comum no gênero. Eu pessoalmente não gosto muito do segundo segmento, porque, mesmo apresentando um caso sério de um personagem com manias, eu sempre acho que a conclusão acaba levando para o exagero, visto que a esposa do protagonista destrói toda a casa porque tem medo do que ele pode fazer quando descobrir que ela sujou uma cômoda. Não sei se isso de fato acontece na vida real, mas eu tenho a impressão que é um pouco de exagero. O quarto segmento também é um pouco fraquinho, visto que puxa mais para o humor negro do que para o terror. O meu favorito é o primeiro segmento; e gosto também dos demais.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema na coleção Amicus Productions, em versão remasterizada sem cortes.

 

Enfim, A Cripta dos Sonhos é uma das melhores antologias da Amicus Productions. Um filme arrepiante, com clima de nostalgia. Cada uma das histórias é macabra por si mesma, o que o torna ainda melhor a cada revisão. Os mais diversos assuntos relacionados ao terror, abordados de forma simples, mas eficiente, aliados a atuações convincentes e uma direção e roteiro experientes. Sem dúvida, um dos melhores exemplos do cinema britânico de horror, e uma das melhores antologias do cinema. Macabro. Divertido. Arrepiante.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

terça-feira, 23 de maio de 2023

A CASA QUE PINGAVA SANGUE (1971). Dir.: Peter Duffell.


 NOTA: 8.5



Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

A CASA QUE PINGAVA SANGUE, lançado em 1971, é uma delas, e uma das minhas favoritas. Me arrisco a dizer que é a minha favorita, porque foi a primeira que assisti, e toda vez que assisto, o filme fica ainda melhor.

 

O roteiro, escrito por Robert Bloch, a partir de suas histórias, é composto por quatro segmentos, algo muito comum em uma antologia, dividir o filme em segmentos. Além disso, o longa parece se encaixar no gênero de casa assombrada, visto que o principal cenário é uma casa que causa um efeito estranho em seus moradores.

 

Method for Murder: Um escritor e sua esposa se mudam para uma casa no interior da Inglaterra, para que o homem possa se recuperar de um bloqueio criativo. Uma noite, ele tem uma ideia para seu novo livro, e passa a escrevê-lo de forma compulsiva. No entanto, ele também passa a ser atormentado por visões com o vilão da história.

 

Waxworks: Um homem solitário compra a casa a fim de esquecer um amor do passado. Um dia, durante um passeio pela cidade, ele descobre um museu de cera, e, intrigado, decide entrar. Lá dentro, ele se depara com a escultura de uma mulher que se parece muito com a mulher que amou. Quando um amigo vai visita-lo, o mesmo também se torna obcecado pela estranha figura, o que gera terríveis consequências.

 

Sweets to Sweet: Um homem se muda para a casa com sua filha após a morte de sua esposa. Preocupado com o estranho comportamento da filha, o homem contrata uma professora particular, que passa a ensinar a menina. Durante suas leituras, a menina descobre um livro sobre bruxaria e passa a aprender os truques descritos nas páginas.

 

The Cloak: Um temperamental ator se muda para a casa, a fim de concluir as filmagens de seu novo filme. Após uma confusão no set, ele acaba se deparando com um estranho cartão de uma loja de fantasias. Ao chegar lá, ele compra uma antiga capa de vampiro e passa a usá-la no filme. No entanto, a capa logo revela sua verdadeira natureza.

 

Mais uma vez, temos uma antologia comum, com seus segmentos simples. No entanto, aqui temos também os interlúdios, focados na investigação do Inspetor Holloway, primeiramente com a polícia, e depois com o corretor de imóveis.

 

 Além de ser uma das melhores antologias da Amicus, A Casa também é mais uma aventura do escritor Robert Bloch no estúdio, tendo participado também outras produções para o estúdio. O roteiro de Bloch é muito bom, principalmente quando se trata dos segmentos, porque, assim como em produções anteriores, o estúdio soube apresentar os mais básicos elementos do terror de forma brilhante e convincente.

 

Junto a isso, temos aqui a presença dos lordes do horror, Christopher Lee e Peter Cushing, trabalhando mais uma vez para o estúdio. Ambos estão muito bem em seus papéis, e mais uma vez, se mostram como grandes nomes do horror que eram. Ao lado deles, temos a estrela Ingrid Pitt, um dos grandes nomes do horror britânico, atuando na última história.

 

O diretor Peter Duffell fez um bom trabalho aqui, criando cenas verdadeiramente assustadoras e tensas, principalmente na primeira e na última histórias. Ambas possuem cenas de tensão, focadas nos personagens, sem o uso de trilha sonora, algo que, conforme já mencionei em outras resenhas, é um ótimo elemento para assustar.

 

A Casa é um típico filme de horror produzido na Inglaterra naquele período, o que faz parte do seu charme, graças às cenas e o clima nostálgico. Esse é o tipo de elemento que me atrai nos filmes desse período, porque eles têm um apelo diferente em relação aos filmes produzidos nos Estados Unidos, por exemplo.

 

O longa é uma antologia, certo? E como todas, sempre tem uma historia que é melhor que as outras. Aqui não é diferente. Na minha opinião, a melhor é The Cloak, a última. Toda vez que assisto a esse segmento, eu gosto mais, porque é uma história verdadeiramente arrepiante, além de focar na metalinguagem, e ser uma releitura das histórias de vampiros. O segmento é muito bom e prende a atenção por causa desses elementos, e por causa do seu final. O final do filme em si, com o Inspetor Holloway enfrentando os vampiros também é muito legal e assustador.

 

Enfim, A Casa que Pingava Sangue é um filme muito divertido. Uma antologia clássica, com seus segmentos brilhantes, cada um com seu charme próprio. Um clima de nostalgia e mistério preenchem o filme e o deixam ainda melhor a cada revisão. A presença de grandes astros do horror britânico também é um destaque, combinado com o roteiro inspirado de Robert Bloch. Uma das melhores antologias da Amicus Productions. 



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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

CONTOS DO ALÉM (1972). Dir.: Freddie Francis.

 

NOTA: 8



Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

Em 1972, o diretor Freddie Francis lançou CONTOS DO ALÉM, adaptação das histórias de horror publicadas pela EC Comics nos anos 50. Pois bem, conforme mencionado acima, esta é mais uma das antologias da Amicus, e mais uma vez, o estúdio conseguiu entregar um ótimo resultado.

 

Como todos os filmes do gênero, o longa é divido em segmentos, aqui apresentados por um monge misterioso dentro de uma cripta, mais ou menos como seria feito na antológica série de TV da HBO.

 

O primeiro deles, ...And All Through the House fala sobre uma mulher que mata seu marido na véspera de Natal a fim de receber o dinheiro de seu seguro de vida. Porém, ela não sabe que um maníaco vestido de Papai Noel está a solta e está rondando a casa.

 

No próximo segmento, Reflection of Death, um homem abandona a família para fugir com sua amante; no entanto, eles sofrem um acidente, e o homem consegue escapar e descobre que sua esposa está casada com outro homem. As coisas tornaram-se ainda mais sinistras quando ele reencontra sua amante, que também sobreviveu ao acidente.

 

Em Poetic Justice, o mais triste de todos, um jovem rico tenta se livrar de seu vizinho idoso, a fim de expandir sua propriedade. Para isso, ele passa a atormentá-lo das maneiras mais cruéis, culminando em um desfecho trágico para o vizinho. Mas, ele não sabe que o mesmo voltará para fazer justiça.

 

No penúltimo, Wish You Were Here, um casal descobre que está a ponto de declarar falência, então a esposa faz três pedidos a uma estátua de Hong Kong, mal sabendo das terríveis consequências.

 

O segmento final, Blind Alleys é sobre um oficial do Exército que consegue emprego como diretor de uma clínica para cegos. No início, ele promete realizar mudanças na instituição, mas os poucos, vai mostrando seu verdadeiro lado ganancioso, o que poderá lhe custar muito caro.

 

Como podem ver, aqui temos uma antologia bem simples, com histórias curtas, com poucos personagens e que vão direto ao ponto; ou seja, uma estrutura típica do gênero.

 

Pois bem, cada uma das histórias tem seu próprio mérito, e conseguem provocar calafrios sem o menor esforço. Na primeira, temos como trilha sonora as musicas clássicas da época do Natal, enquanto a protagonista realiza seus atos maliciosos; na segunda, temos o mistério do homem que nunca mostra o rosto, então somos brindados com cenas em PDV; na terceira, não temos a trilha sonora; na penúltima, a própria figura da estátua é um espetáculo sinistro; e por fim, na última, os próprios personagens contribuem para nos dar calafrios. E o resultado funciona.

 

Eu já mencionei que a Amicus produziu ótimas antologias, e esta aqui é uma delas, no entanto, devo salientar que nem todas as histórias me agradam. Uma delas é a terceira, Poetic Justice, onde o personagem do grande Peter Cushing sofre horrores nas mãos de seu vizinho rico. Tudo que acontece com ele ao longo da história é muito triste, que chega a cortar o coração, e as maldades do rapaz vão aumentando até que o velhinho não aguenta mais... E na última, o cão do personagem também sofre nas mãos dos cegos, assim como eles; mas, pessoalmente, eu fico mais triste com o que acontece com o cachorro. Essas duas histórias não me agradam nem um pouco, e tiram um pouco do prestigio do filme para mim. Em compensação, as outras são muito boas que tiram um pouco do gosto amargo da experiência.

 

Aliás, esse é um dos pontos que servem para diferenciar as antologias do estúdio entre si; basta apenas pensar em uma ou mais de uma historias chaves, e fica fácil não se perder.

 

Bom, o filme foi dirigido por Freddie Francis, um dos grandes nomes do terror britânico, tendo trabalhado tanto na Amicus quanto na Hammer, e aqui ele faz um ótimo trabalho. As atuações também são muito boas, principalmente do grande Peter Cushing, que passa a aura de bom velhinho bom facilidade, e do ator Ralph Richardson, como o Guardião da Cripta; o restante do elenco também está muito bem, mas o meu credito vai para esses dois atores.

 

Contos do Além também apresenta uma boa sacada no penúltimo segmento, que nada mais é do que uma variação do conto A Pata do Macaco, de W.W. Jacobs, visto que o item em questão concede três desejos aos personagens, desejos que também trazem consequências terríveis. O próprio conto é mencionado no segmento, o que contribui para deixa-lo ainda mais legal. Eu já pensei em escrever uma história com essa temática, visto que o conto de Jacobs inspirou tantas variações além desta.

 

Além da citação ao conto de Jacobs, aqui temos também uma das histórias mais conhecidas do universo de Contos da Cripta: a historia do Papel Noel perverso, que acabou fazendo parte da primeira temporada da antológica série de TV da HBO.

 

Pois bem, conforme mencionado aqui, Contos do Além é uma das melhores antologias da Amicus, do tipo que o estúdio sabia fazer.

 

Foi lançado no Brasil em DVD pela Obras-Primas do Cinema na coleção Amicus Productions em versão remasterizada.

 

Enfim, Contos do Além é um ótimo filme. Uma antologia clássica, com seus pequenos segmentos arrepiantes, que também fazem o espectador refletir. Ótimas atuações, aliadas a uma direção afiada, fazem deste um dos melhores exemplares do gênero. Altamente recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema



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quarta-feira, 26 de maio de 2021

AS PROFECIAS DO DR. TERROR (1965). Dir.: Freddie Francis.

 

NOTA: 8.5 



Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

AS PROFECIAS DO DR. TERROR foi a primeira delas. Lançado em 1965, foi dirigido por Freddie Francis, e estrelado por Peter Cushing, Christopher Lee e Donald Sutherland. O estúdio se inspirou no Clássico Na Solidão da Noite (1945), a primeira antologia lançada nos cinemas. Dr. Terror é uma das melhores antologias da Amicus e uma das minhas favoritas, e como todo exemplar do gênero, é composto por pequenas histórias, aqui, contadas pelo personagem título, interpretado por Cushing.

 

A primeira, Werewolf, fala sobre um arquiteto que retorna para a antiga casa de sua família, a fim de realizar reformas para o novo proprietário. Durante a reforma, ele descobre o tumulo de um antigo lobisomem, que acreditava estar desaparecido. Quando o lobisomem retorna, o arquiteto precisa correr para enfrenta-lo, antes que ele mate novamente. No entanto, o que ele não imagina é que outro lobisomem está mais próximo do que ele pensa.

 

Na segunda história, Creeping Vine, uma família retorna para sua casa após um período de férias. Rapidamente, o marido descobre que uma trepadeira está agindo de forma estranha, atacando a todos ao seu redor. Ele então recorre aos cientistas para descobrir o que está acontecendo. Quando um deles é morto pela trepadeira, a família se vê presa em sua própria casa, talvez sem a possibilidade de fuga.

 

Em Voodoo, um músico viaja com sua banda até as Antilhas, a fim de fazer um show num clube local. Após o show, o trompetista descobre a respeito de um deus local, e movido pela curiosidade, decide assistir a uma cerimônia, e acaba fascinado pela música tribal, e decide se apropriar dela, apesar dos avisos dos sacerdotes. Durante uma apresentação em Londres, coisas estranhas acontecem no clube, mas o músico não se intimida. No entanto, ele acaba descobrindo as consequências de seu ato.

 

Na história seguinte, Disembodied Hand, um severo crítico de artes é humilhado por um artista durante uma exposição. Tomado pelo ódio, ele o atropela, causando a perda de sua mão, levando-o a depressão e ao suicídio. Porém, o crítico passa a ser perseguido pela mão decepada do artista, o que traz consequências desastrosas.

 

A última história, Vampire, é sobre um médico recém-casado que retorna a Nova Inglaterra com sua esposa. No início, as coisas ocorrem bem, mas, logo um garotinho surge no consultório com estranhas marcas no pescoço, chamando a atenção de outro médico. Nas noites seguintes, novas coisas estranhas acontecem, levando o segundo médico a chegar a uma conclusão: o rapaz se casou com uma vampira. Hesitante, ele decide matá-la, mas não imagina as consequências terríveis de seu ato.

 

Uma antologia básica, não é mesmo? Com histórias curtas, com poucos personagens e que vão direto ao ponto, certo? Isso mesmo. Mas, o que faz desse um filme muito bom é a sua execução. Dr. Terror é um filme muito bem feito, com ótimos atores, um roteiro direto, e momentos verdadeiramente arrepiantes. É aquele tipo de filme que, mesmo sendo simples, consegue alcançar seu objetivo, e o faz muito bem.

 

Eu gosto muito desse tipo de filme, que faz uso de coisas e cenas simples para assustar o espectador, e a Amicus faz isso muito bem. Além disso, mesmo sendo dirigido por um único diretor, cada história apresenta um aspecto diferente, o que deixa o filme ainda mais atraente, e melhor a cada revisão. O diretor Freddie Francis conseguiu criar um filme digno de nota, colorido, divertido e assustador. O diretor é um antigo colaborador da casa, tendo sido responsável pela direção de A Maldição da Caveira (1965), As Torturas do Dr. Diabolo (1967), Contos do Além (1972), As Bonecas da Morte (1966), entre outros filmes do estúdio, além de ser o responsável por Drácula – O Perfil do Diabo (1968) e O Monstro de Frankenstein (1964), da Hammer. Um especialista no gênero.

 

Eu sou um admirador de antologias, justamente por conta da simplicidade. São filmes de longa-metragem, mas que contam com histórias curtas, com poucos personagens, e que conseguem contar muito mais do que um filme próprio. E tudo era feito da forma mais simples, mas real possível, capaz de prender a atenção do espectador, e assustá-lo sem fazer muito esforço. E o mais interessante, é que cada história parece transitar em gêneros diversos, apesar do filme como um todo ser um filme de terror, o que também é muito comum nas antologias, principalmente nas antologias que eu já vi.

 

E claro, contavam com um grande elenco. Aqui, nós temos a dupla de cavalheiros do terror, Christopher Lee e Peter Cushing, além de Michael Gough, e Donald Sutherland, e cada um tem seu próprio mérito, principalmente Cushing, que entrega uma performance arrepiante como o Dr. Terror, o vidente que prevê o futuro dos quatro homens dentro da cabine, futuros terríveis, diga-se de passagem. Dos quatro personagens, o melhor é o Sr. Marsh, o crítico de arte interpretado por Lee, arrogante e cético até o ultimo fio de cabelo, até mesmo quando tem seu futuro revelado pelo doutor. Os outros personagens também são muito bons, cada um com sua peculiaridade.

 

E as histórias? As histórias também são muito boas, cada uma a sua maneira. Como é de praxe nas antologias, temos histórias assustadoras e quase sempre uma história absurda, e aqui não é diferente. As minhas favoritas são a primeira e a última, que falam sobre lobisomens e vampiros, respectivamente. E como acabei de dizer, tudo feito de maneira simples e rápida, mas eficiente.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, na coleção Amicus Productions – Vol.2, em versão remasterizada.

 

Enfim, As Profecias do Dr. Terror é um filme muito bom, que consegue assustar o espectador sem esforço. Uma das melhores antologias de terror, produzidas de maneira simples, mas eficiente, que conta uma ótima direção e um elenco de estrelas. Um clássico da Amicus Productions e um de seus melhores filmes. Altamente recomendado. 


Créditos: Obras-Primas do Cinema


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