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quinta-feira, 7 de março de 2024

TUBARÃO 4 – A VINGANÇA (1987). Dir.: Joseph Sargent.

 

NOTA: 5.5


Todos nós temos as nossas contas e boletos para pagar.

 

Acredito que essa é a melhor forma de definir TUBARÃO 4 – A VINGANÇA, lançado em 1987, com direção de Joseph Sargent, que contou com a participação do ator Michael Caine no elenco.

 

O filme é considerado um dos piores do mundo e também é o responsável pelo sepultamento da série, porque foi um fracasso de bilheteria.

 

Eu pessoalmente não o considero o pior filme do mundo, mas admito que o mesmo tem seus problemas.

 

A começar pela trama sem sentido de vingança, porque não fica claro quem está se vingando de quem; se é o tubarão que se vingando da família Brody; ou se é Ellen quem está vingando do tubarão... Isso nunca fica claro em momento nenhum do filme, e poderia ser mais explorado. Isso acontece na novelização do longa, que dá uma explicação ainda mais absurda para a trama de vingança.

 

O outro principal problema é a ausência dos envolvidos na série desde o primeiro filme, o que contribuiu para deixá-lo ainda mais deslocado. Não sei o motivo que levou os realizadores optarem por novos caminhos, mas o fato é que graças a isso, o filme meio que se torna um reboot, visto que ignora os eventos do filme anterior.

 

Essa ideia de reboot fica evidente na idade dos personagens, porque Sean é muito mais novo do que no filme anterior; o mesmo vale para seu irmão Michael. Além disso, a trama começa em Amity, novamente filmada em Martha’s Vineyard, e não faz nenhuma menção ao parque aquático e o emprego e a namorada de Michael. E temos aqui o retorno de Ellen, agora viúva, que acredita que o tubarão que matou Sean é descendente do tubarão que foi morto por Brody, e que está perseguindo sua família.

 

Após essa introdução em Amity, a trama se muda para as Bahamas, onde Michael vive com sua nova família. A ambientação é muito boa, e as locações são convidativas, com o sol e o calor sempre presentes, fazendo um contraste com o inverno em Amity.

 

A direção de Joseph Sargent até que é competente, e o diretor conseguiu arrancar boas performances do seu elenco; a única exceção é quando Lorraine Gary está triste pela morte do filho, e a atuação dela passa um pouco do limite, principalmente na cena da balsa.

 

Sem dúvida, o grande destaque do filme é a presença de Michael Caine, como o piloto Hougie, o interesse amoroso de Ellen. Impossível assistir a esse filme e não pensar que o ator tinha algumas contas para pagar e aceitou o papel por causa do dinheiro. O próprio ator admite que não se lembra do filme, mas se lembra da casa que comprou com o dinheiro que ganhou. Na época, ele havia sido indicado ao Oscar® de Melhor Ator Coadjuvante por Hannah e Suas Irmãs, levou o prêmio, e não pôde receber porque estava filmando este filme.

 

Outro grande problema do filme são os efeitos especiais. O tubarão não é convincente e é absolutamente inexpressivo. É até triste assistir ao Clássico de Spielberg e depois este, e ver como os efeitos decaíram fortemente. A única sequência boa na minha opinião, é quando o peixe persegue Michael dentro do navio e o filho de Ellen escapa utilizando o tanque de oxigênio de maneira inteligente. E as cenas de ataque são muito mal editadas e não fazem muito sentido.

 

Enfim, Tubarão 4 – A Vingança é um filme regular. Um filme com uma trama absurda, mas que é compensada pelo elenco carismático e uma direção competente. Os efeitos especiais não convencem e é possível perceber o quanto eles caíram em relação ao primeiro filme. Um encerramento sem inspiração para a série.



 

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

TUBARÃO 3 (1983). Dir.: Joe Alves.

 

NOTA: 8.5



Em 1975, Steven Spielberg lançou Tubarão, que rapidamente, tornou-se o primeiro blockbuster da historia, arrecadando mais de US$ 100 milhões em bilheteria. O sucesso do filme inspirou a Universal a produzir uma sequência, lançada quatro anos depois, que também foi bem-sucedida. E quatro anos depois, o estúdio lançou uma nova sequência.

 

Podem me julgar, mas eu adoro TUBARÃO 3! Para mim, é o meu favorito da franquia Tubarão, porque foi o filme que eu mais vi quando era criança.

 

Talvez o motivo seja porque eu não me assustei tanto com ele como me assustei com o primeiro filme, até porque, este aqui tem um clima diferente. Ao contrario dos anteriores, que se passam em Amity Island, aqui a ação é transferida para a Flórida, para um parque aquático, uma espécie de Sea World.

 

Além disso, ao meu ver, o filme não tinha tantas cenas assustadoras assim, e o tubarão-fêmea não metia tanto medo assim também.

 

Bom, então, como puderam ver, eu gosto desse filme e me divirto toda vez que o vejo, principalmente com as cenas envolvendo o tubarão-fêmea, mais detalhes sobre isso adiante.

 

Conforme mencionado acima, Tubarão 3 estava em desenvolvimento pela Universal, inclusive, por Richard D. Zanuck e David Brown, os produtores dos dois primeiros filmes. Segundo Brown, a ideia original era fazer uma parodia do gênero, mais focada na comédia; eles tinham inclusive um título – Jaws 3 X People 0 - ; um roteiro – escrito por John Hughes, que pode ser encontrado na internet – e um diretor em mente – o diretor Joe Dante, que fez Piranha em 1978.

 

No entanto, as ideias de ambos foram descartadas e o filme foi mandado para o Limbo. Coube então ao roteirista Carl Gottlieb – que escreveu os dois primeiros – a tarefa de reescrever o filme, com ajuda do mestre Richard Matheson – autor de Eu Sou a Lenda. Entretanto, conforme mencionou em uma entrevista, Matheson declarou que suas ideias para o filme não foram aproveitadas, mas seu nome foi mantido. Por qual motivo, jamais saberemos...

 

O fato é que aqui temos um filme completamente diferente do que havia sido apresentado na franquia – tanto que existem teorias que dizem que o filme nem deveria ter se chamado Tubarão 3, por causa do distanciamento do Clássico de Spielberg.

 

Se isso é verdade ou não, não sei. O que eu sei é que este é um ótimo filme; tem seus problemas, tem, mas nada que impeça a gente de se divertir com ele, e não leva-lo tão a sério, como muitas pessoas devem fazer.

 

Vamos aos problemas. Em certo momento do filme, dois ladrões entram no parque para roubar corais e vender no mercado ilegal, mas acabam sendo mortos pelo tubarão. Certo. No entanto, tal evento nunca mais é mencionado, nem o veículo dos homens é apreendido ou encontrado... Então, não havia motivo para essa sequência toda estar no filme. Esse problema já foi apresentado em outros lugares, e eu concordo com quem o considera um furo de roteiro. Outro problema é o 3D, muito comum na época para filmes de terror que entravam em sua segunda sequência, conforme mencionei antes. Aqui temos o velho artificio de jogar coisas na lente, como gotas d´água e pedaços das presas do monstro. E quando um filme em 3D é convertido para 2D, em lançamentos em mídia física, o efeito na imagem fica muito estranho... No entanto, na minha opinião, os piores problemas são os golfinhos – Cindy e Sandy – e algumas cenas entre Brody e Kay, sua namorada. Os golfinhos se tornam quase onipresentes, chegando ao ponto de ajudar os protagonistas no final do filme... Além disso, Kay é muito apegada a eles. Eu entendo isso, mas acho que aqui ficou muito exagerado. E as cenas entre ela e Mike às vezes ficam muito forçadas também, tanto que eles não funcionam como casal.

 

Mas, deixando os problemas de lado, vou me concentrar no tubarão-fêmea agora. O monstro é a melhor coisa do filme, com seus 10m de comprimentos e fome por carne humana. Desde o seu surgimento – que demora um pouco – ela se mostra como uma máquina de matar, que não poupará ninguém que estiver em seu caminho. O design do animal também é muito legal, não lembrando nada o design de Bruce e seu colega Scarface. Eu particularmente gosto muito do tubarão-fêmea, e as cenas dela são as melhores, principalmente o pandemônio que ela causa no parque diante do público apavorado; o ataque a FitzRoyce também me agrada muito; e o final quase épico nas instalações do parque. Além da fêmea, também temos o seu filhote, que desencadeia toda a trama antes do surgimento da ameaça principal. Ele protagoniza um dos melhores momentos do filme, quando os personagens decidem leva-lo para o parque para estuda-lo, numa sequência de mergulho noturno arrepiante.

 

Mas o melhor fica após que a fêmea aparece, e provoca pânico e destruição no parque, começando pelos esquiadores diante do público e terminando nos tuneis. Eu adoro essa sequência, principalmente por causa dos gritos das pessoas ali presentes, algo que me agrada muito nos filmes – o medo do público impotente diante de uma situação de terror. A sequência nos tuneis também é muito legal, novamente com o pânico das pessoas.

 

Antes de encerrar, deixe-me comentar sobre os polêmicos efeitos dos tubarões. Eu pessoalmente não vejo nenhum problema com eles, visto que eram os efeitos comuns da época, principalmente por causa do orçamento limitado. E os efeitos no final do filme, considerados os piores da história, também são bem legais, com direito até a stop-motion. Hoje em dia temos efeitos especiais muito piores, em filmes muito piores.

 

Tubarão 3 estreou em 22/jul/1983, e foi bem de bilheteria, arrecadando US$ 88 milhões. Em compensação, as criticas foram – e continuam sendo – negativas, e o filme recebeu cinco indicações ao Framboesa de Ouro, incluindo a de Pior Filme. Chegou a ser lançado em VHS e DVD no Brasil, mas atualmente está fora de catálogo.

 

Enfim, Tubarão 3 é um filme muito divertido. Uma história de suspense com toques de claustrofobia, que diverte o espectador, apesar de seus defeitos.  Os efeitos especiais do tubarão são a melhor coisa do filme e rendem cenas muito legais e memoráveis. O meu filme de tubarão favorito. Muito divertido. Recomendado.



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sexta-feira, 5 de novembro de 2021

TUBARÃO 2 (1978). Dir.: Jeannot Szwarc.

 

NOTA: 9.5



Tubarão, o Clássico de Steven Spielberg, lançado em 1975, tornou-se o primeiro filme blockbuster da história, arrecadando mais de US$ 100 milhões em bilheteria.  Motivados pelo sucesso do filme, os executivos da Universal logo se animaram para lançar uma sequência.

 

Lançado em 1978, TUBARÃO 2 foi dirigido por Jeannot Szwarc, e contou novamente com alguns membros da equipe e elenco do primeiro filme. Até hoje, é considerado a melhor sequência do filme de Spielberg, talvez por ainda contar com elementos de tensão e suspense. E realmente, é uma excelente continuação.

 

Devo dizer que esse foi um dos últimos filmes da franquia Tubarão que eu assisti, porque o meu contato com a franquia se deu da seguinte maneira: o primeiro eu assisti o Clássico; depois, veio o terceiro filme (1983); em seguida, este aqui; e por último, o quarto filme (1987). E confesso que fui pego de surpresa.

 

Sinceramente, como já estava acostumado com os filmes de tubarão, eu esperava que Tubarão 2 fosse um filme completamente diferente, com maior presença do vilão e maior número de mortes. E o que vi foi exatamente o oposto, principalmente no número de mortes, mas, mais detalhes sobre isso adiante.

 

Realmente, Tubarão 2 é um ótimo filme, e o principal motivo para isso seja o próprio desenvolvimento do longa. Os produtores Richard Zanuck e David Brown – que também produziram o original – tinham várias ideias em mente para o filme, chegando inclusive, a contar com sugestões do autor Peter Benchley, e até mesmo do próprio Spielberg, que acabaram abandonando o projeto. Após algumas sugestões, eles perceberam que o publico iria gostar de rever os personagens e o cenário do filme anterior, então, eles foram trazidos de volta.

 

O filme se passa quatro anos após os incidentes do primeiro filme, então, fomos levados de volta à Amity Island, com o Chefe Brody e os demais personagens, com adições de outros, principalmente os jovens. De fato, além dos filhos de Brody, aqui temos um elenco de jovens personagens, cuja principal atividade é sair para velejar. Além dos jovens, temos também outros adultos, entre eles, o dono do grupo imobiliário de Amity, que agora assume o posto de autoridade incrédula.

 

Sim, aqui temos isso novamente. Na verdade, talvez para os mais exigentes, Tubarão 2 pode parecer uma refilmagem malfeita do primeiro filme, uma vez que temos os mesmos elementos da trama anterior. Na verdade, não é bem assim. Mesmo contando com o elemento das autoridades incrédulas, o filme é bem diferente do original, principalmente em se tratando da trama. Aqui, nós temos um pouco mais de oportunidade de acompanhar a vida na cidade, e como o Chefe Brody exerce sua função perante todos. No primeiro filme, nós até já tivemos essa oportunidade, mas aqui, podemos desfrutar um pouco mais. E é muito bom retornar à Amity Island.

 

Conforme mencionado acima, aqui nós temos o retorno do Chefe Brody, novamente interpretado por Roy Scheider; e além dele, Lorraine Gary e Murray Hamilton retornam nos seus respectivos papéis, e também é muito bom vê-los novamente em cena. E além do elenco, e dos produtores Zanuck e Brown, o roteirista Carl Cottlieb e o design de produção Joe Alves também retornaram.

 

O elenco jovem também é um destaque. Muitos dos jovens atores eram inexperientes e logo no primeiro filme, apresentaram boas performances. O melhor é que aqueles atores realmente parecem jovens locais, que gostam de passar o tempo juntos, bebendo cerveja e se divertindo em grupos. E como em todos os grupos de jovens, nós temos aqui a famosa hierarquia, onde os perdedores são separados dos demais. No entanto, quando a situação se agrava, todos se unem para sobreviver à ameaça. Muito legal.


Outra coisa que deve ser mencionada é a direção de Szwarc. O diretor é muito bom no que faz, principalmente com seus ângulos elaborados atrás do tubarão; além disso, ele se mostra um ótimo diretor de atores, visto que seu elenco arranca ótimas performances, conforme mencionado. 


Tubarão 2 voltou a contar com John Williams na trilha sonora, e, ao contrário do que muitos devem pensar, o compositor não reaproveitou a trilha do filme de Spielberg; ao contrário, aqui temos uma trilha sonora diferente, com mais tensão e momentos líricos, com direito a harpa. Mas, não se enganem, a trilha sonora do primeiro filme ainda é a melhor de todas. 

 

E claro que não posso encerrar esse texto sem mencionar o tubarão. Segundo o designer de produção, Joe Alves, a equipe de efeitos especiais utilizou os mesmos moldes usados em Bruce para construir o peixe, com algumas diferenças. Claro, temos, por exemplo, a barbatana dorsal com o mesmo design, mas a face do tubarão é diferente, principalmente porque não tem aqueles dois detalhes na mandíbula. E assim como seu antecessor, o animatrônico apresentou problemas ao ser colocado na água, o que causou atrasos na produção. Mas a melhor parte, é a característica marcante do vilão: sua face queimada, cheia de cicatrizes, resultado do seu segundo ataque. Sem duvida, é o visual mais marcante do filme. E também temos tomadas de tubarões reais, novamente cortesia de Ron e Valerie Taylor.



E como mencionado acima, o filme apresentou alguns problemas nas filmagens, que também envolveram as câmeras utilizadas, principalmente devido às condições do tempo. Os barcos a vela também trouxeram problemas, principalmente quando começam a tombar durante o ataque do tubarão. Outras dificuldades técnicas incluem o uso das câmeras submarinas, na cena do jet-ski. A ilha artificial também trouxe problemas, visto que acabou se soltando de seu ponto de apoio e se deslocou em direção à Cuba. E o tubarão também apresentou dificuldades para funcionar em determinadas cenas. 

 

Tubarão 2 foi novamente rodado em Martha’s Vineyard, em Massachusetts. No entanto, a equipe permaneceu na locação durante 3 ou 4 semanas, e foram para a Flórida para filmar as cenas no mar. E além disso, algumas cenas debaixo d’água foram rodadas na Califórnia e nos tanques da MGM, e o realismo mais uma vez ficou evidente.

 

Para finalizar, Tubarão 2 teve sua contagem de cadáveres reduzida, visto que, segundo Zanuck e Brown, eles iriam perder seu público-alvo, os adolescentes, que iriam ao cinema para se divertir. E, após o sucesso do filme, os dois produtores logo se entusiasmaram para produzir uma nova sequência, o famigerado Tubarão 3 X People 0, que nunca foi produzido, mas chegou a ter um roteiro escrito por John Hughes e chegou a escalar o diretor Joe Dante para comandá-lo, mas, como sabemos, o projeto foi abortado.

 

Tubarão 2 foi lançado em 16/jun/1978, e tornou-se um sucesso de bilheteria, arrecadando US$ 208 milhões de dólares, apesar das críticas mistas. Foi lançado no Brasil em DVD, mas atualmente, está fora de catálogo.

 

O sucesso do filme inspirou a produção das próximas sequências, Tubarão 3, lançado em 1983 e dirigido por Joe Alves; e Tubarão – A Vingança, lançado em 1987 e dirigido por Joseph Sargent. No entanto, apesar do sucesso deste filme, as duas ultimas sequências são consideradas as piores, principalmente o último filme, que sepultou a franquia, mas não as imitações de quinta categoria...

 

Enfim, Tubarão 2 é um filme excelente. Uma sequência digna do primeiro filme, mesmo não contando com o brilhantismo de seu antecessor, mas mesmo assim, querido por muitos. O retorno do elenco original, aliados a um roteiro inspirado e uma direção afiada, fazem desta a melhor sequência do Clássico de Steven Spielberg. Um filme cheio de tensão e medo. Maravilhoso. 




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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

TUBARÃO (1975). Dir.: Steven Spielberg


NOTA: 10




TUBARÃO (1975)
TUBARÃO (1975) é um Clássico Absoluto. Um dos maiores filmes de todos os tempos, e um dos filmes mais assustadores da historia. 

Até hoje, mais de 40 anos depois, possui imensa importância para o Cinema, seja nos aspectos técnicos, seja em relação à historia, enfim, um filme importante.

Produzido durante a Nova Hollywood – movimento marcado pela reinvenção da indústria, durante a década de 70 – , foi um filme marcado por contratempos, a maioria envolvendo o tubarão animatrônico, conforme comentarei mais adiante.

Seja como for, o fato que é o filme possui seu lugar ao sol no hall dos clássicos do cinema, isso é indiscutível.

Tubarão é perfeito. O roteiro, adaptado do romance de Peter Benchley, lançado dois anos antes, é linear, e não apresenta nenhuma falha. Tudo que acontece, acontece no momento certo, sem problemas. A direção de Spielberg – em seu terceiro trabalho – é excelente, e aqui, já é possível ver que ele apresentaria seu estilo como cineasta autoral. Além da direção, a trilha sonora de John Williams também contribuiu para o sucesso do filme.

Tubarão foi um filme que me assustou muito quando eu era pequeno. Por anos, foi um filme que só consegui assistir a partir da sequencia do feriado do 4 de Julho – Dia da Independência Americana – até o final. E o final era a minha parte favorita, quando o vilão aparece em toda sua gloria. Mais sobre isso adiante.

O engraçado também é que meu irmão era apaixonado por esse filme, não apenas por esse filme, mas pelos tubarões. E isso perdurou por anos; eu já tinha interesse pelo filme, mas não era tanto assim, tanto que, quando passou na TV, ele pediu pra gravar, porque ele gostou da chamada, provavelmente, e queria ver o filme. Meu amor verdadeiro pelo filme – e pelos tubarões – só surgiu anos depois, mais ou menos, em 2000, quando o filme completou 25 anos, e foi lançado em VHS duplo. E acho que não apenas isso, mas também outras coisas relacionadas ao filme aumentaram meu interesse e por consequência, meu amor por ele também.

Seja como for, o fato é que é um filme que merece ser visto, e fica muito melhor cada vez que se vê. Parece um daqueles filmes que a gente assiste, e encontra algo novo, que havíamos visto antes. E não fica chato; pelo contrario, passa as mesmas sensações toda vez! É o tipo de coisa que dá gosto de fazer: assistir Tubarão, principalmente depois de muito tempo desde a última vez. E a sensação de medo, por exemplo, não passa, não importa a cena. Por exemplo, a cena em que o garoto é morto pelo tubarão – inclusive, uma cena que me assustou muito quando eu era pequeno – é brilhante. A maneira como ela é construída, de certa forma, passa essa sensação. Spielberg mostrou-se um mestre, quando optou por focá-la no Chefe Brody, e no seu medo de entrar na água, porque ele sabe que há um tubarão ali, mas mesmo assim, omite o fato e deixa todos entrarem na água. E quando o baque vem, ele vem com tudo e de uma forma brilhante.

As demais cenas também são assim, construídas com brilhantismo, mesmo aquelas que não mostram nada de assustador. As cenas envolvendo a cidadezinha de Amity são maravilhosas; coloridas, sempre iluminadas pelo sol do verão; têm um aspecto de cidade pequena, que chama a atenção, e torna-se convidativo. Eu pessoalmente, nunca me canso de ver essas cenas, e posso dizer que, te certa forma, elas me influenciaram quando penso em uma historia de monstro marinho.

É o tipo de filme que não precisa mostrar o personagem-título para mostrar que é sobre ele – na verdade, aprendi com As Aventuras de Tintim que narrativas não precisam ser dessa forma. Mesmo com a ausência física do tubarão, Spielberg faz questão de sugeri-lo o tempo todo, principalmente na cena do livro, uma das minhas favoritas. Brody foleia o livro e vê fotos de tubarões – principalmente do grande tubarão branco – o tempo todo, o que sugere que ele está sempre presente, sempre atrás de nós. Outra cena que ilustra isso muito bem, é a cena em que Brody está sentado em sua mesa de jantar, triste pelo que aconteceu anteriormente. Novamente, uma cena belíssima, muito bem orquestrada, atuada e dirigida. O mesmo vale para o restante do filme.

O Chefe Brody de Roy Scheider é excelente. O típico herói disfarçado de não-herói, desastrado, medroso, engraçado; o Quint de Robert Shaw também é excelente. Assim como Brody, pode-se ver que é o típico pescador de ilha, rabugento, de opinião própria e que se considera o melhor pescador da ilha; e o Matt Hooper de Richard Dreyfuss também é excelente; o Oceanógrafo competente, que sabe o que está fazendo, disposto a ajudar Brody a descobrir a verdade, enfim... O mesmo vale para todos os personagens.

Conforme Spielberg declarou, a trilha sonora foi um dos fatores que contribuíram para o sucesso do filme. É de verdade. Desde a primeira cena, a música surge na tela, e continua pelo filme, e nunca mais sai da nossa cabeça. Conforme minha mãe disse algumas vezes, ela teve o prazer de assistir ao filme no cinema, e segundo ela, parecia que quando a música tocava, o tubarão estava na sala do cinema, debaixo das poltronas. Pior que é verdade. É o tipo de música que não nos abandona, que gruda mesmo, e, só de ouvi-la, já sabemos de que filme é. Conforme o compositor John Williams declarou, é o tipo de situação em que a música e a imagem combinam perfeitamente, e tornam-se inesquecíveis, assim como a cena do chuveiro em Psicose (1960).

Não é novidade nenhuma que o filme foi marcado por problemas na produção, a maioria deles envolvendo o tubarão mecânico, chamado de “Bruce” pela produção, em homenagem ao advogado de Spielberg na época. O monstro foi criado por Robert Mattey, que também havia criado a lula-gigante de 20.000 Léguas Submarinas (1954), produzido pelos Estúdios Disney. Joe Alves, o designer de produção, declarou que a proposta de construir um tubarão em tamanho natural inicialmente fora recebido com ressalvas, mas quando entrou em contato com Mattey, a resposta foi diferente. Primeiro, eles fizeram o teste do tubarão no seco, para ver se o mecanismo iria funcionar, e funcionou. Porém quando fizeram os testes no mar, a coisa foi diferente. O equipamento sofreu com a brutalidade do mar, que prejudicou o funcionamento do robô por meses, o que atrasou a produção, culminando inclusive, na possibilidade de Spielberg ser demitido, e o filme, cancelado. No entanto, os produtores sabiam que o filme não poderia ser cancelado, porque, se tirassem o rolo da câmera, não poderiam coloca-lo de volta; então, eles tiveram que continuar a filmar, mesmo que fossem tomadas pequenas. O tubarão só foi funcionar de fato em meados de Setembro, e continuou assim até o final das filmagens; no entanto, mesmo com o tubarão funcionando, algumas cenas apresentaram dificuldades, como a cena do garoto sendo morto pelo monstro.

Os problemas de produção não foram causados apenas pelo tubarão. O barco Orca chegou a afundar durante as filmagens, porque um dos ganchos que prendiam os barris foi puxado com muita força, o que arrancou a parte de trás. Como resultado, toda a  equipe teve que ser removida às pressas.

A cena do ataque à gaiola foi filmada nos tanques da MGM, após a fotografia principal na Nova Inglaterra. Na ocasião, Richard Dreyfuss não estava disponível, então, chamaram um duble para realizar a cena. A cena em que o tubarão destrói a gaiola foi aproveitada de uma filmagem com tubarões reais realizada na Austrália, onde um tubarão prendeu-se em uma das gaiolas. A ideia de filmar tubarões de verdade foi da própria produção, com o objetivo de trazer mais veracidade para o filme, e deu muito certo.

Tubarão foi filmado na ilha de Martha’s Vineyard, na Nova Inglaterra. A cidade de Edgartown serviu como cenário para o filme, o que levou a produção a escalar alguns membros da própria comunidade para alguns papéis e também como figurantes. O resultado é impressionante. Segundo os produtores, a locação nunca havia sido utilizada em um filme antes, então, eles foram precavidos, a fim de não causar estranhamento entre os residentes da comunidade, principalmente nas cenas envolvendo o tubarão. As cenas de pânico na praia foram um desafio, por causa da temperatura da água, e porque também as pessoas não entravam na água naquela época, inicio do verão. Mesmo assim, a produção conseguiu excelentes resultados.

Spielberg optou por filmar em locação, então, segundo ele, era importante que a câmera não focasse nenhum ponto de terra, na sequencia da caçada ao tubarão. Segundo ele, se a câmera capturasse algum ponto de terra, a credibilidade seria comprometida.

Os produtores Richard Zanuck e David Brown mostraram interesse em adaptar o romance de Peter Benchley ainda em 1973, após lerem o livro. O próprio Benchley também demonstrou interesse em adaptá-lo, então escreveu o primeiro rascunho do roteiro, que mostrou-se muito próximo ao livro, o que apresentou problemas. Então, outros roteiristas foram chamados, e novas adaptações foram feitas, sempre com Benchley envolvido. O rascunho final foi escrito por Benchley e por Carl Gottlieb, que foi inicialmente contratado como ator pelo próprio Spielberg. O processo de escrever o roteiro teve que ser rápido, porque o sindicato determinou que nenhum filme poderia ser rodado antes do final daquele ano, o que também apresentou problemas.

Tubarão estreou em 20/jun/1975, em Dallas. Zanuck e Brown ficaram apreensivos, pois temiam que o tubarão animatrônico provocaria risadas na plateia. Mas, conforme eles comprovaram, foi exatamente o oposto. Ao todo, o filme arrecadou mais de US$ 100 milhões, tornando-se um fenômeno de bilheteria, inaugurando o fenômeno dos blockbusters. Até hoje, a arrecadação do filme é uma das maiores de todos os tempos.

Até hoje, Tubarão é reconhecido como um Clássico do Cinema, e um dos maiores filmes de todos os tempos, ocupando diversas posições nas listas do AFI:

  • A fala “You’re gonna need a bigger boat”, improvisada por Roy Scheider, ocupa a 35ª posição na lista do 100 Years... 100 Movie Quotes;
  • O tubarão “Bruce” ocupa a 18ª posição no ranking dos Maiores Vilões do Cinema, na lista do 100 Years... 100 Heroes and Villains;
  • O filme ocupa a 48ª posição na lista do 100 Years... 100 Greast American Films;
  • Também ocupa a 56ª posição na lista do 10º aniversário do AFI do 100 Years... 100 Greast American Films;

Além desse reconhecimento, o filme também foi escolhido para preservação pelo National Film Registry.

Os realizadores de Procurando Nemo (2003) prestaram homenagem ao filme, batizando um dos personagens – um grande tubarão branco – de Bruce.

Tubarão ocupa a 1ª posição na Lista do Bravo’s 100 Scariest Movie Moments, e a 10ª posição na lista dos 100 Filmes Mais Assustadores da História, criada pela extinta revista SET em 2009.

Além de sua contribuição para o cinema, o filme – e o livro de Benchley – despertou o interesse do publico pelos tubarões, o que ajudou a preservá-los como espécie e também serviu para desmistificar a reputação de comedores de homens, algo que Peter Benchley se arrependeu até o dia de sua morte.

O filme também consolidou a carreira de Steven Spielberg, que hoje em dia, é considerado um dos maiores cineastas de todos os tempos.

O sucesso nas bilheterias motivou a realização de três continuações, lançadas entre 1978 e 1987. Além das sequencias, também gerou diversos imitadores, muitos deles, dignos de nota, lançados nos anos 70 e 80; hoje em dia, o subgênero “tubarão” está renegado apenas às produções lamentáveis da Asylium, responsável pelos Sharknados da vida...

O ultimo filme de tubarão assassino que é digno de nota, é o filme Águas Rasas, lançado em 2016.

O astro Roy Scheider faleceu em 2008. Robert Shaw faleceu em 1978. Até hoje, ambos são lembrados pelos seus papeis, bem como o ator Richard Dreyfuss. O autor Peter Benchley faleceu em 2006. Richard D. Zanuck faleceu em 2012. David Brown faleceu em 2010.

Enfim, Tubarão é um Clássico do Cinema. Um dos maiores filmes de todos os tempos. Um dos Filmes Mais Assustadores da História.

Excelente. Maravilhoso. Um filme inesquecível.

Altamente recomendado.







AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.