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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 3 (1982). Dir.: Steve Miner.

 

NOTA: 8



Um ano após sua primeira aparição oficinal no cinema, Jason está de volta, desta vez para ficar, ainda em sua melhor forma.

 

Não sei se já comentei isso, mas, para mim, a franquia Sexta-Feira 13 funciona somente com os quatro primeiros filmes e também com o nono filme – um dos meus favoritos. Eu gosto muito da fase inicial da franquia, que era mais focada na trama e no suspense no que nas cenas de morte, ao contrário do que aconteceu com os filmes seguintes; além disso, os primeiros filmes eram bem feitos, e tinham desenvolvimento. Hoje, vou falar sobre o terceiro filme da franquia, lançado um ano após o primeiro: SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 3, também dirigida por Steve Miner.

 

Cria dos anos 80, o filme acabou sendo lançado em 3D nos cinemas, e contou com aqueles efeitos estúpidos de coisas sendo jogadas na tela, mas, mais detalhes adiante.

 

O filme é um dos mais divertidos da franquia, simplesmente porque ele é repleto de situações absurdas, mas, ao contrário dos filmes de hoje em dia, ainda é focado na tensão e no suspense do que nas cenas de morte. Durante boa parte do filme, nós acompanhamos os outros personagens, os jovens que resolvem passar o fim de semana nas cercanias do Crystal Lake, usando drogas e fazendo sexo, algo comum na franquia. Mas apesar disso, nós também podemos ver o vilão, mas somente nas sombras, em planos abertos ou planos fechados. E como disse na resenha do filme anterior, Jason está em sua melhor forma – mais detalhes sobre isso adiante.

 

No entanto, apesar de contarmos com Jason em sua melhor forma, na minha opinião, este já começa a apresentar alguns problemas, principalmente no que diz respeito aos personagens e aos “efeitos” em 3D.

 

Para começar, aqui nós temos personagens completamente genéricos, quase desprovidos de carisma e profundidade. O casal que transa só quer saber disso – principalmente o garoto; temos também um casal de hippies que passa o filme inteiro chapado, além do gordinho que adora fazer piadas para chamar a atenção de todos. Isso sem falar na mocinha, que é completamente sem sal, e, apesar de ter um background com o vilão, não convence. Não sei se o problema foi a escalação da atriz, mas o fato é que ela realmente não funciona, além de ser um pouco caricata. E tem também a questão do background dela com o vilão. Em certo momento da trama, ela relata ao namorado o que aconteceu – uma cena tensa, por sinal – numa noite após brigar com os pais: enquanto descansava aos pés de uma árvore, ela se deparou com um homem deformado que a ameaçou com uma faca; apesar de conseguir lutar com o agressor, ela diz que acabou perdendo a consciência e não se lembra do que aconteceu depois, o que nos leva a pensar que talvez o vilão tenha feito alguma coisa terrível... Eu pessoalmente não sei se é verdade, porque não consigo imaginá-lo cometendo tal ato. Mas, tirando esse detalhe, o medo e a desconfiança da protagonista ficam bem evidentes, e isso é convincente, porque a mostra como uma vítima de uma experiência traumática tentando se reerguer e voltar ao normal, mesmo sendo difícil. Como eu disse, esse detalhe é muito bem explorado, o problema é performance da atriz...

 

E sobre o casal que transa, tem um detalhe. Em certos momentos, é mencionado que a garota está grávida, mas antes, a protagonista brinca com o fato dela precisar ir ao banheiro toda hora, o que leva ao diálogo. Eu não sou um especialista, mas, pelo que eu sei, a mulher grávida vai realmente ao banheiro com certa frequência, mas após o crescimento do feto, porque ele automaticamente aperta a bexiga, mas aqui, a barriga da garota ainda nem cresceu! Então, no meu ponto de vista, foi uma falha do roteiro. Corrijam-me se eu estiver errado. E como mencionei, o garoto passa o filme todo querendo transar com ela, além de ser aquele típico mala que gosta de se exibir.

 

E claro, temos o gordinho e o casal de hippies. O gordinho é o típico inseguro, que não consegue fazer amizade com ninguém, por isso, passa o filme inteiro fazendo brincadeiras com os outros para chamar a atenção de todos, o que chega a ser irritante, falando francamente. E o casal de hippies passa o filme todo fumando maconha. Ou seja, estereótipos ao extremo.

 

Talvez os únicos personagens interessantes – fora o vilão – sejam o namorado da mocinha, a namorada do garoto gordinho e um trio de punks. Eu acho que esses personagens bem melhores que os outros, e francamente, mereciam um pouco mais de destaque no filme, principalmente os punks, que rendem momentos engraçados, além de terem uma caracterização estereotipada até a medula.

 

Mas, vamos falar dos “efeitos especiais”. Conforme mencionado no cartaz e no trailer, Sexta-Feira 13 – Parte 3 foi rodado em 3D, e como consequência, somos bombardeados por cenas de objetos sendo “jogados” na tela. Eu pessoalmente nunca fui fã de filmes em 3D, mesmo os mais antigos, e confesso que tais efeitos me incomodam, não pela qualidade, mas pela quantidade de cenas. Pessoalmente, eu preferiria que o filme não fosse rodado em 3D, e sim em 2D; seria bem melhor. No entanto, também somos brindados com cenas clássicas, como por exemplo a cena do arpão e a cena do olho saltando.

 

E claro, não posso encerrar sem falar da direção e do vilão.

 

Sexta-Feira 13 – Parte 3 foi dirigido por Steve Miner, em sua última participação na franquia, e novamente, o diretor fez um ótimo trabalho. Ele se mostrou novamente um diretor competente, principalmente nas cenas de suspense. Temos aqui ótimos planos abertos, além de movimentos e ângulos de câmera criativos. No entanto, o mesmo não pode ser dito a respeito do elenco, conforme mencionado acima.

 

E claro, temos o vilão. Conforme já mencionei, Jason está novamente em sua melhor forma, diferente do que serie mostrado nos filmes seguintes. Assim como no anterior, temos aqui um Jason atlético, que corre atrás das vítimas, além de ter movimentos ágeis, principalmente quando vai atacar alguém. Além disso, temos aqui, a introdução da famosa máscara de hóquei, que se tornou a marca registrada do vilão. O engraçado é que tal fato acontece de maneira aleatória, porque o assassino passa a usá-la após atacar o garoto gordinho, que a usou para fazer outra de suas brincadeiras. Eu pessoalmente achei tal momento muito aleatório, mas vamos admitir que é muito legal ver o nosso querido Jason com sua máscara pela primeira vez. E claro – AVISO DE SPOILER! temos a oportunidade de ver o rosto dele no final do filme, algo que se tornaria clássico na franquia. E um detalhe importante: a maquiagem do vilão foi criada pelo Mestre Stan Winston! Mesmo não creditado, existem fotos na internet de Winston ao lado do ator caracterizado com a maquiagem. Muito legal. E respectivamente, 16 anos e 17 anos depois (1998 e 1999), Winston voltaria a trabalhar com o diretor em Halloween H2O, criando a máscara de Michael Myers; e em Pânico no Lago, sendo responsável pelo crocodilo.

 

Assim como o anterior, foi distribuído pela Paramount, que possuía dos direitos da franquia, e foi distribuído no exterior, inclusive aqui no Brasil, pelo estúdio, ao contrário do que aconteceu com o primeiro. Foi lançado em VHS e DVD por aqui, mas atualmente está fora de catálogo. Lá fora, recentemente foi lançado em um box gigante em Blu-ray com todos os filmes da franquia; se tal box chegará aqui, talvez nunca saberemos.

 

Enfim, Sexta-Feira 13 – Parte 3 é um ótimo filme. Um dos mais divertidos da franquia, com uma direção competente, além de cenas memoráveis e momentos absurdos. Jason Voorhees está em forma, mostrando sua agilidade e competência como um dos maiores vilões do Slasher, além de apresentar sua famosa máscara de hóquei. Mesmo com seus defeitos, é um filme que consegue divertir e arrepiar sem fazer o menor esforço. Recomendado. 




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sábado, 20 de março de 2021

PUMPKINHEAD - A VINGANÇA DO DIABO (1988). Dir.: Stan Winston.

 

NOTA: 9



Stan Winston foi um dos grandes mestres dos efeitos especiais do cinema. Desde os anos 80, ele foi o responsável pelas maiores criaturas do cinema de fantasia. Seus trabalhos incluem o androide do Exterminador do Futuro (1984), os dinossauros de Jurassic Park (1993), o Pinguim de Batman, o Retorno (1992) e Edward Mãos-de-Tesoura (1990), entre outros. Todas essas criaturas foram criadas dentro de seu estúdio, com o auxilio de grandes profissionais.

 

Além de ser o responsável por essas e outras criaturas fantásticas, Winston também foi o diretor de um dos melhores filmes de terror dos anos 80, mas que infelizmente, não é tão conhecido assim: PUMPKINHEAD - A VINGANÇA DO DIABO, lançado em 1988.

 

Devo dizer o seguinte sobre esse filme: é, sem duvida, um dos melhores filmes do gênero, que contou com uma direção segura do mestre e claro, efeitos especiais de ponta, que deram vida a um monstro espetacular e assustador.

 

O filme é excelente. Ao contrario dos demais exemplares que surgiram na mesma década, esse é um filme de terror sério, sem nenhum espaço para alivio cômico, e com uma atmosfera de tragédia, pesadelo e conto de fadas. Sim, conto de fadas. Por quê? Porque o tempo todo parece que estamos assistindo a uma fábula, com uma criatura assustadora e uma moral no final, além do clima sombrio e assustador dos contos de fadas de antigamente, como eram contados realmente.

 

Além disso, outra coisa que torna o filme digno de nota é a sua concepção. O roteiro foi inspirado num poema de Ed Justin e numa lenda do folclore americano – que se é real ou não, não sei – e o tempo todo essa questão dessa criatura mitológica é mostrada na tela, principalmente levando em conta a ambientação interiorana americana, com as pessoas pobres, sujas, que moram em casas simples. Tudo é mostrado de forma convincente, o que aumenta ainda mais o grau de realismo. E a lenda do Cabeça de Abóbora aumenta ainda mais essa sensação, uma vez que o filme mostra que a criatura é vista como maldita pela região, e seus habitantes não querem nem ajudar quem está a sua mercê. Ou seja, é o tipo de lenda que circula com força pela região e assusta as pessoas há gerações.

 

Outro ponto positivo é a direção. Anteriormente, Winston vinha de direção de segunda equipe em O Exterminador do Futuro, mas aqui, ele estreou de fato no comando de um longa com o pé direito. Winston faz um excelente trabalho, e sua direção é segura e até madura, e ele se mostra um grande diretor de atores, uma vez que o elenco entrega atuações convincentes, fazendo a gente acreditar que aquelas pessoas são reais. E a caracterização deles também é muito boa, com destaque para o personagem Ed Harley, interpretado por Lance Henriksen, com seu ar de ingenuidade de homem do campo. Um trabalho de gênio. Além disso, a direção de fotografia também é um ponto positivo. Basicamente, o filme possui três cores, o laranja, o vermelho e o azul. O laranja é usado para as sequencias diurnas; o vermelho para as cenas a luz de velas e na casa da bruxa; e o azul para a noite. E as cores pulsam na tela de forma brilhante, principalmente o vermelho e o azul. É quase um filme do Maestro Mario Bava, quase porque ninguém é capaz de refazer o que ele fazia, que fique claro.


A direção de arte e o design também não ficam para trás. Como é um filme ambientado no interior dos Estados Unidos, a gente talvez espera encontrar pequenas comunidades, de casas simples, com animais perambulando. Pois é exatamente isso que é mostrado aqui, sem pudor. Toda a simplicidade, a falta de recursos e a sujeira são mostrados com detalhes impressionantes que beiram ao realismo. A paisagem é abandonada, com aspecto gótico e assombrado; o tipo de paisagem que mete medo em qualquer um. Um dos destaques vai para a casa da bruxa; toda decorada com animais mortos, ossos e crânios e uma lareira que lança labaredas amarelas. Ou seja, a casa de bruxa clássica dos contos de fadas. O cemitério de aboboras também merece menção. Um lugar cheio de nevoa, com arvores podres e aboboras velhas. Um lugar assustador. E tem também uma pequena igreja gótica em ruínas, muito bem feita também.



E por fim, não posso deixar de mencionar os efeitos especiais, criados pelo estúdio de Winston. O Cabeça de Abobora é uma das melhores e mais assustadoras criaturas do cinema de horror: alto, esquelético, de pernas e braços longos, garras afiadas e uma cabeça em formato de abobora. Uma criatura digna de pesadelos. O monstro foi interpretado por Tom Woodruff Jr., que passou o filme inteiro dentro de uma fantasia de borracha. Pois bem, aí que está a magia. Os efeitos são tão bons que a gente esquece que aquilo é um homem numa fantasia; parece de fato um monstro de verdade. Tudo criado com efeitos práticos, que não ficam datados e fazem muita falta hoje em dia. O filme também tem boas cenas de gore, com destaque para a cena da janela; um banho de sangue. Mas quem ganha destaque mesmo é o monstro, e suas cenas são arrepiantes. O filme faz questão de escondê-lo até o ultimo instante, mostrando apenas detalhes de suas mãos e garras. E quando ele finalmente aparece, a espera é compensada. 

 

Uma ultima coisa que vale comentar é a relação entre Harley e seu filho Billy. Desde que eles aparecem, fica claro que os dois são sozinhos e mundo e dependem um do outro para sobreviver. Harley é um pai amoroso, que cuida do filho com carinho e demonstra seu amor o tempo todo. As cenas em que ambos aparecem juntos são dignas de lagrimas nos olhos, de tão bonitas. E quando a tragédia acontece, nós ficamos com pena do pai. E a cena da tragédia é toda construída de maneira brilhante, com cortes para o pai e o filho e para os jovens na motocicleta. Qualquer um que assiste é capaz de adivinhar o que vai acontecer, sem esforço.

 

Pumpkinhead foi lançado primeiramente em 1988 de maneira limitada. O que aconteceu foi que a produtora, a De Laurentiis Entertainment Group, enfrentou problemas financeiros e acabou indo à falência. Em seguida, foi lançado novamente em Janeiro de 1989 pela MGM, mas não obteve bons resultados de bilheteria. No entanto, com o passar dos anos, acabou adquirindo status de cult entre os fãs do gênero. Recebeu quatro continuações, uma direto para o vídeo, e duas para a TV, uma delas com Doug Bradley no elenco. Dessas continuações, somente a primeira, Pumpkinhead II - O Retorno (1994), vale a pena.


Stan Winston faleceu em 15/jun/2008. Até hoje, é reconhecido como um dos maiores criadores de efeitos especiais, e suas criações são reverenciadas por vários cinéfilos e cineastas. 


Foi lançado em VHS no Brasil com o título de A Vingança do Diabo, mas também é conhecido por aqui como Sangue Demoníaco. Após anos fora de catalogo, foi lançado aqui em DVD pela 1Films Entretenimento, em edição especial em DVD duplo, com um disco cheio de extras.

 

Enfim, Pumpkinhead, A Vingança do Diabo é um filme excelente. Uma historia de horror com elementos de fantasia e conto de fadas, que consegue assustar sem o menor esforço. A direção segura e madura de Stan Winston, combinados com uma fotografia colorida e efeitos especiais de ponta, fazem deste um dos melhores filmes de terror dos anos 80. O Cabeça de Abóbora é uma das melhores e mais assustadoras criaturas do cinema de horror. Um filme assustador. Altamente recomendado.



Créditos: 1Films Entretenimento.



EXTRA:

O poema de Ed Justin, que serviu que serviu inspiração para o filme:

“Keep away from Pumpkinhead,
Unless you’re tired of living,
His enemies are mostly dead,
He’s mean and unforgiving,
Laugh at him and you’re undone,
But in some dreadful fashion,
Vengeance, he considers fun,
And plans it with a passion,
Time will not erase or blot,
A plot that he has brewing,
It’s when you think that he’s forgot,
He’ll conjure your undoing,
Bolted doors and windows barred,
Guard dogs prowling in the yard,
Won’t protect you in your bed,
Nothing will, from Pumpkinhead!”

Agradecimentos: https://www.horrorgeeklife.com/2017/03/02/pumpkinhead-poem/

 

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

EDWARD MÃOS-DE-TESOURA (1990). Dir.: Tim Burton.

 

NOTA: 10



O que posso dizer sobre EDWARD MÃOS-DE-TESOURA (1990), obra-prima do diretor Tim Burton? Bom, vou dizer o seguinte: esse é um dos filmes da minha vida. Ponto. Eu amo esse filme.

 

Desde a primeira vez que o assisti, há vinte anos, eu me apaixonei pela historia logo de cara. Na época, eu já era fã declarado do Tim Burton, tendo assistido A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999) e Marte Ataca! (1996) inúmeras vezes. Mas, com Edward Mãos-de-Tesoura, eu posso dizer que a coisa foi bem diferente. Eu confesso que o filme era bem diferente do que eu esperava, se bem que eu não tinha a menor ideia de como o filme era, e rapidamente ele me encantou.

 

O filme é lindo. É um caso em que tudo contribui para deixa-lo lindo, desde o roteiro, passando pela direção, atuações, direção de arte, trilha sonora... Enfim, tudo. E assistindo a ele pela enésima vez, minha opinião não mudou. É o tipo de filme que fica melhor a cada revisão.

 

O roteiro, escrito por Caroline Thompson, a partir de um tratamento escrito em parceria com o diretor, não possui falhas ou furos. Tudo encaminha do jeito certo, para as direções corretas; os diálogos são criveis e os personagens também. A direção madura de Tim Burton também é digna de nota. Em seu quarto filme, o diretor já se mostrou competente e hábil naquilo que ele queria mostrar na tela e no modo como queria mostrar. Outro ponto positivo vai para a direção de arte. As casas da vizinhança no subúrbio ganharam tons pasteis, mas coloridos; mas o principal vai para o castelo de Edward. Situado no alto da colina, o castelo é o perfeito castelo de conto de fadas. Seu interior é todo gótico, cheio de teias de aranha e pó; as janelas e portas são enormes e difíceis de abrir... Enfim, tem tudo aquilo que existe numa historia gótica de verdade. E a trilha sonora... A trilha sonora é um caso à parte.

 

Composta por Danny Elfman, colaborador recorrente do diretor, a trilha é belíssima. Uma verdadeira trilha sonora de conto de fadas, com coro infantil do começo ao fim. É o tipo de musica que podemos ouvir sem precisar assistir ao filme. Maravilhosa.

 

E as atuações? Bem, assim como tudo no filme, o elenco é perfeito. A escolha de Johnny Depp para o papel não poderia ter sido melhor. Difícil imaginar outro ator no papel. Depp trouxe toda a doçura e inocência presentes no roteiro. O visual do personagem também é um destaque, com seu rosto branco como papel, todo vestido de preto. O diretor se inspirou no visual de Cesare, o sonambulo de O Gabinete do Dr. Caligari (1920), um Clássico do Expressionismo Alemão, para compor o visual de Edward. Um visual excelente. O restante do elenco também dá um show. Todos conseguiram passar exatamente aquilo que estava no roteiro, e tornaram os personagens criveis, como se fossem pessoas reais, que vemos todos os dias.

 

O filme marca a última aparição de Vincent Price no cinema. O diretor era fã declarado do ator, tendo assistido a todos os seus filmes de terror na infância, então, ele resolveu prestar uma homenagem ao ídolo. Aqui, o ator interpreta o inventor de Edward, que morreu antes de concluí-lo, o que o deixou com suas mãos de tesoura. A presença do antigo astro dos filmes de terror dá um toque a mais ao filme, tornando-o ainda mais belo; e também não deixa de ser emocionante vê-lo em cena, em sua última aparição. Sem duvida, o momento mais emocionante é a cena da morte do inventor, que precisava ser mostrada. É um cena linda, que causa arrepios e até um nó na garganta. Impossível não se emocionar.


Edward Mãos-de-Tesoura é a clássica historia de alguém solto em um mundo que não conhece. Eu particularmente adoro esse tipo de historia porque eu me identifico com o estranho solto naquele mundo. Tudo é novo para ele, justamente porque ele passou a vida inteira isolado no castelo no alto da colina. Impossível não se emocionar com o fascínio de Edward ao conhecer a vizinhança. Ele de fato para um garotinho empolgado com tudo que vê ao seu redor. Como eu disse, eu gosto muito desse tipo de historia. 


Mas também existe o outro lado, ponto de virada, onde a vizinhança passa e rejeitá-lo. Eu fiquei emocionado na primeira vez que eu assisti, porque eu queria defender o protagonista dos ataques da população e também do vilão, mas infelizmente, não podia. É o tipo de reação que todos nós temos quando assistimos a um filme com uma historia como essa, porque ficamos do lado do protagonista e queremos que tudo acabe bem. E devido à sua ingenuidade, Edward acaba se tornando um alvo fácil para o vilão, que arma um plano, mas ele acaba se prejudicando.

 

Além de tudo isso, o filme é também uma belíssima historia de amor. Quando chega na casa de Peg, a representante da Avon do bairro, Edward vê uma foto de sua filha mais velha, Kim, e se apaixona por ela. Quando os dois finalmente se conhecem, Kim não tem uma boa impressão dele, mas, após tentar salvá-lo quando ele cai na armadilha de seu namorado, passa a enxergá-lo com outros olhos. E claro, a gente torce para que eles fiquem juntos no final, mas, o rumo da historia acaba sendo diferente, e muito melhor.

 

Conforme mencionei no inicio, eu assisti esse filme pela primeira vez há vinte anos, e desde então, não me canso de assistir. Sempre que me dá vontade, eu coloco para rodar e assisto, do começo ao fim. Foi o primeiro filme em DVD que eu ganhei da minha mãe, o que o torna ainda mais especial para mim.

 

Enfim, Edward Mãos-de-Tesoura é um filme belíssimo. Um verdadeiro conto de fadas, com todos os elementos do gênero, e que fica melhor a cada revisão. Um filme impecável. A obra-prima de Tim Burton, e se, duvida, a sua melhor criação. Um filme perfeito.

 

Para conferir a resenha no Canal LFH, acesse o link do canal. 

https://www.youtube.com/channel/UCR5ejd7xqh0SIOeZEpED16w






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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

OS MORTOS-VIVOS (1981). Dir.: Gary A. Sherman.


AVISO!

ESSA RESENHA CONTÉM SPOILERS!


NOTA: 10


OS MORTOS-VIVOS (1981)
OS MORTOS VIVOS (1981) é um filme excelente. Original, assustador, impressionante e com um final de cair o queixo.

Esse é sem duvida, um dos melhores filmes de terror que já tive o prazer de assistir. Já tinha conhecimento de sua existência graças a uma resenha publicada no site Boca do Inferno, e já de cara, fiquei curioso, porque o que mais me chamou a atenção, era o fato de que o filme tinha um final surpresa. E é verdade. Na primeira vez que eu vi, fiquei chocado. Não me lembrava de ter visto um final tão soco no estomago como o apresentado nesse filme – acho que nem os finais do Shyamalan são tão pesados.

É o tipo de filme que não deve, em hipótese alguma, ser visto pela metade. É necessário assisti-lo desde o começo para entender o que está acontecendo, porque os primeiros sinais de mistério surgem logo depois da sequencia de abertura. E depois que surgem, não param mais. É uma surpresa atrás da outra, o que impede o espectador de parar para respirar. É sério.

O roteiro, escrito por Ronald Shussett e Dan O’Bannon - os criadores de Alien (1979) - é perfeito, redondo e muito bem amarrado. Não existe nenhuma falha na narrativa, e tudo acontece do jeito certo. E como já disse, não poupa o espectador. Porém, o maior problema do filme é o fato de que não dá para falar sobre ele sem entregar spoilers – tentarei fazer isso aqui, mas não prometo nada! É tanta coisa que pega o espectador de surpresa, que fica difícil não entregar pelo menos uma. Talvez, o máximo que pode ser dito é que é um filme de zumbis. Talvez, e olhe lá, difícil dizer mais sem estragar a surpresa.

Bom, além de ser um filme inteligente, é um filme assustador, com imagens que já tornaram-se antológicas – mais sobre isso adiante. É um filme assustador porque existem cenas que fazem qualquer um pular da cadeira, sem esforço. Elas surgem no momento mais inesperado, com uma trilha sonora alta, digna de provocar medo – quase um jump scare, mas um jump scare muito bem feito, diga-se. Esses jump-scares acontecem nas cenas de assassinato, e olhe, que cenas de assassinato. Ao contrario dos Slashers que estavam em vigor na época, aqui nós temos cenas verdadeiramente pesadas, violentas, cruéis: gargantas cortadas, rostos desfigurados e derretidos e membros decepados. Tudo feito de maneira brilhante, realista, até, digna de causar arrepios. Mas claro que as cenas assustadoras não se resumem apenas às cenas de assassinato. Existem também momentos em que o simples olhar de um personagem é assustador; até porque, aquelas pessoas são, de fato, assustadoras e bizarras. E o medo também acontece na forma como tais cenas são construídas: aos poucos, sem pressa, tudo para deixar o espectador mais assustado. E consegue.

O protagonista, o xerife Dan Gillis, é o típico personagem de bom coração de filmes assim. Autoridade na pequena cidade, ele mostra-se um homem que quer, a todo custo, desvendar os crimes que estão acontecendo, sempre confiando na razão e não em forças sobrenaturais. Sua esposa, Janet, é professora na escola local, e a típica esposa apaixonada e devotada ao marido, sempre preparando seu jantar quando ele chega em casa depois do trabalho. Juntos, eles formam um casal simpático, talvez, um casal de mocinhos, mas a coisa não é bem assim. Agora, o personagem mais sinistro é o Sr. Dobbs, o agente funerário. Um velhinho alto, magro, de óculos grandes, que sempre ouve musicas antigas enquanto trabalha. Dobbs é obcecado pelo trabalho. Mas não é o tipo de obsessão boa, não. Seu trabalho na funerária é o de reconstruir os corpos que recebe; e sempre faz o serviço com um sorriso maléfico no rosto, referindo-se a eles como “obras-primas” depois de concluídos. Um sujeito sinistro, no mínimo. Os outros personagens também não ficam atrás. Temos os pescadores, a garçonete, o frentista, o homem do guincho... Todos sinistros.

Como mencionado acima, Os Mortos-Vivos pode ser considerado um filme de zumbis. Mas não espere aqueles zumbis que arrastam os pés, que andam com os braços estendidos, não. Aqui, os zumbis são quem a gente menos espera. E o melhor, o roteiro não dá uma explicação para o que está acontecendo na cidade, e, francamente, para mim, isso não importa. É como o tal conteúdo da mala do Pulp Fiction (1994). A gente nunca sabe o que tem lá dentro, porque não é mostrado, e não faz a menor diferença. Aqui, é a mesma coisa. O máximo que o roteiro faz, é apresentar uma frase presente num livro sobre bruxaria, que diz como os mortos podem ser trazidos de volta, e só. Não precisa de mais nada.

Como em todo filme de zumbis, os efeitos especiais são destaque. E não é pra menos. O responsável por eles foi o saudoso Stan Winston, em inicio de carreira. Como ele mesmo declarou, ele fez tudo sozinho, até porque, o hoje famoso Stan Winston Studio não existia, então, ele teve que arregaçar as mangas. E conseguiu fazer coisas extraordinárias. A melhor, sem dúvida, é o corpo da primeira vitima, com o rosto todo enfaixado, somente com um olho e a boca à mostra. Uma imagem perfeita, que mesmo presente por poucos segundos, já fica na memória. E a cena da agulha também. Segundo Winston, tudo presente naquela cena é um efeito especial, até mesmo o corpo enfaixado. E o resultado é de causar frio na espinha. A outra grande cena, é a cena da reconstrução facial. Winston também fez tudo aquilo sozinho, e o resultado também é de cair o queixo, tanto que ele declarou que foi o efeito que mais o deixou orgulhoso. Nada mal para o homem que se tornou responsável pelas maiores criaturas do cinema de fantasia atual, como os dinossauros da trilogia Jurassic Park, o Pinguim de Batman – O Retorno, O Exterminador do Futuro e Edward Mãos-de-Tesoura, por exemplo. Stan Winston faleceu em 15/jun/2008.

Além dos excelentes efeitos especiais, o filme também é cheio de cenas memoráveis, além das já mencionadas. Outra que merece destaque é quando uma multidão está caminhando em direção ao carro de uma família em apuros. É uma cena brilhante, escura, onde não vemos os rostos das pessoas, apenas as silhuetas, e somente uma luz iluminando as pessoas por trás. Sem duvida, uma cena apavorante. Outra – e foi essa que me surpreendeu primeiro – acontece antes, quando o frentista, que estava de costas, vira-se para a câmera e mostra seu rosto: a revelação é chocante, e como eu disse, foi a que me surpreendeu primeiro. E por ultimo, destaco aquela em que todos colocam flores no tumulo da esposa do xerife, no final do filme. Macabra e muito bem feita.

Os aspectos técnicos também não ficam atrás. Vou destacar a fotografia. Sem duvida, o melhor momento acontece acima, mas existem outras cenas onde o diretor de fotografia fez um ótimo trabalho. Posso estar enganado, mas acho que ele fez uso de luz natural em algumas cenas, principalmente na cena do hotel, e nas cenas noturnas. Todas são muito bem feitas, bem montadas, dirigidas e atuadas. Os atores também não fazem feio. Em momento nenhum, eles mostram-se exagerados ou caricatos; pelo contrário, dá pra imaginá-los como pessoas reais, principalmente o xerife Gillis. Quando ele faz a descoberta chocante no final do filme, as expressões de medo e descrença em seu rosto são verdadeiras. A cena em que ele confronta Dobbs e a esposa é brilhante e muito pesada.

Os Mortos-Vivos foi rodado na cidade de Mendocino, na Califonia. Não sei se a ideia era de que a historia se passasse na Nova Inglaterra, mas o fato é que isso não atrapalha em nada. A locação é belíssima, com sua atmosfera de cidade pequena, costeira, uma verdadeira comunidade de pescadores. Anteriormente, a cidade foi usada como locação em O Altar do Diabo (1970), de Daniel Haller, baseado em O Horror de Dunwich, de H.P. Lovecraft.

Como mencionado acima, o roteiro foi escrito por Ronald Shussett e Dan O’Bannon, e foi vendido como “from the creators of Alien”, inclusive nos trailers. No entanto, O’Bannon declarou que Shussett escreveu o roteiro sozinho, e apenas colocou seu nome no projeto com a promessa de que isso aumentariam suas chances. Porém, ao perceber que suas ideias não foram incluídas, O’Bannon pediu que seu nome fosse removido do projeto, mas isso não aconteceu.

O filme não fez muito dinheiro nas bilheterias, mas o trabalho de Winston foi bastante elogiado; porém, o filme acabou parando na famigerada lista dos “Vídeo Nasties” britânica em 1990 com 30 segundos de cortes – foi lançado sem cortes apenas em 1999. Hoje em dia, o filme possui uma aura cult e é considerado um dos melhores filmes de terror dos anos 80.

O filme chegou a ser lançado em DVD no Brasil há alguns anos, – não sei se saiu em VHS – mas, hoje em dia, está fora de catálogo.

Enfim, Os Mortos-Vivos é um filme excelente. Uma historia fascinante e assustadora. Um filme inteligente e cheio de surpresas. Um pequeno clássico do terror dos anos 80. Brilhante.

Altamente recomendado.










Agradecimentos: Site "Boca do Inferno".


AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.