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segunda-feira, 16 de setembro de 2024

OS FANTASMAS AINDA SE DIVERTEM (2024). Dir.: Tim Burton.

 

NOTA: 9.5


Beetlejuice está de volta.

 

36 anos após sua primeira aparição em Os Fantasmas se Divertem, o fantasma mais famoso do pedaço está de volta em OS FANTASMAS AINDA SE DIVERTEM, a tão aguardada continuação da comédia dark dirigida por Tim Burton, que retorna na direção também.

 

Só digo uma coisa. Eu amei esse filme! A espera valeu a pena.

 

Beetlejuice 2 é tão assustador, divertido e absurdo quanto o primeiro. Eu me diverti muito com esse filme, e posso dizer que, após cinco anos afastado do cinema, Burton continua um grande cineasta, que sabe imprimir seu toque clássico em seus filmes, e transformá-los em grandes obras.

 

O retorno de Beetlejuice era aguardado por todos nós desde os anos 90, quando Burton foi apresentado a diversas ideias para uma continuação, mas, nenhuma delas foi para frente. Não sei com detalhes quais foram essas ideias, mas digo que, enquanto pensava em como um segundo filme seria, o diretor acabou comandando a continuação de Batman, e o filme foi engavetado. Felizmente, o tempo foi generoso, e Burton entregou um de seus melhores filmes.

 

E não temos apenas o retorno do Suco, como também, de duas personagens do primeiro filme.

 

Na trama, Lydia Deetz retorna à Winter River para o funeral de seu pai, que morreu de forma súbita. Ao seu lado, estão sua madrasta Delia, e também sua filha Astrid. Enquanto se recuperam do baque da morta súbita de Charles, Astrid acaba descobrindo a maquete dos Maitland no sótão da casa, e também descobre sobre Beetlejuice. Ao mesmo tempo, ela conhece um garoto que a leva para o mundo dos mortos. Desesperada, Lydia pede ajuda à Beetlejuice para trazê-la de volta.

 

Essa é a trama de Beetlejuice 2. Eu posso dizer que gostei dela, porque é uma variação da trama do primeiro filme, onde o casal Barbara e Adam recorre ao Suco para expulsar os Deetz de sua casa. Aqui, a coisa é diferente. Os roteiristas fizeram muito bem em mostrar como os personagens evoluíram durante os 36 anos que separam os dois filmes, principalmente Lydia. Aqui, ela se tornou apresentadora de um programa sobre eventos sobrenaturais, ao mesmo tempo que precisa lidar sua filha rancorosa e rebelde. Delia, por outro lado, também apresentou mudanças, mas, se mostra a mesma mulher preocupada com a própria reputação, do que com a família.

 

Eu pessoalmente não achei ruim esse fato, na verdade, até esperava por isso, porque, convenhamos, Delia não poderia apresentar outra personalidade.

 

Quem realmente mudou foi Lydia, que, além de ser uma celebridade, também é uma mulher insegura consigo mesma, e que luta para reconquistar o amor de Astrid, que se revoltou com a mãe após perder o pai.

 

Como não acompanhei nenhuma crítica ou resenha do filme, porque queria ter a minha própria impressão do mesmo, não sei o que as pessoas acharam de Astrid, porque a garota é uma adolescente rebelde, que critica a mãe o tempo todo. Eu confesso que não sabia o que esperar dessa personagem, então, eu digo que fui surpreendido. Astrid é rancorosa, além de cética, mas, no fundo, tem um bom coração.

 

Além das três mulheres da família Deetz, temos também alguns novos personagens, como Rory, o empresário e namorado de Lydia, que acompanha a família na viagem à Winter River, e faz de tudo por ela, inclusive, recuperar seus comprimidos do lixo. O personagem é bem legal, e se mostra apito a ajudar, mas, em determinado momento do filme, suas intenções são reveladas.

 

Ao lado de Rory, temos o fantasma Wolf Jackson, um ex-ator de filmes de espionagem, que se tornou policial no Outro Lado, e possui um papel muito importante na trama, porque ele está atrás de alguém que está sugando a alma dos fantasmas. O personagem é bem divertido, e mostra que, mesmo depois de morto, não deixou seu lado canastrão de lado.

 

Para fazer companhia aos dois, temos também os ajudantes de cabeça encolhida, os Encolhidos. Eles são muito legais, e passam o filme inteiro fazendo atrapalhadas, além de trabalharem como secretários no Outro Lado, mais ou menos como vimos no primeiro filme, com a fantasma da senhora que cuidava do caso dos Maitland.

 

E por fim, temos Delores, a ex-noiva de Beetlejuice. A personagem já surge mostrando que não está para brincadeira, numa cena hilária, onde ela aparece se reconstruindo, após um pequeno acidente provocado por um faxineiro, numa ponta bem bacana de Danny DeVito. A mulher pode ser definida como uma Morticia Addams com grampos, uma vez que ela se parece muito com a matriarca da Família Addams. Uma adição muito legal ao universo do Outro Lado.

 

E claro que não poderia faltar o nosso querido fantasma mais famoso do pedaço. O Suco mostra que não mudou nada após todos esses anos, mas isso não é um defeito. O personagem não poderia ter sido escrito de outra forma, apelando para piadas de mal gosto e tiradas sagazes, além do humor ácido. E convenhamos que Michael Keaton continua com tudo no papel.

 

A direção de Burton também é um ponto positivo. Conforme mencionei acima, mesmo após cinco anos afastado do cinema, o cineasta mostrou que fazer filmes é sua paixão, e ele não falhou em momento nenhum, seja com seu elenco, seja com sua equipe. Ele conseguiu tirar grandes atuações de seus atores, e todos se mostraram bem à vontade em reprisar seus papéis. Os quesitos técnicos também não ficam atrás, com os enquadramentos e movimentos de câmera criativos, tanto no nosso mundo, quando no Outro Lado.

 

E é claro que o diretor não iria deixar de colocar sua marca no filme. É possível ver a impressão de Burton durante todo o filme, do começo ao fim, e isso fica evidente principalmente em algumas cenas importantes. A melhor delas é a narração que Beetlejuice faz sobre como conheceu Delores. A sequência é filmada como se fosse um filme gótico italiano, uma grande homenagem ao Maestro Mario Bava, devo dizer, porque parece uma sequência extraída direto de A Maldição do Demônio (1960), primeiro filme do cineasta italiano.

 

Além de homenagear um de seus ídolos, Burton fez questão de usar o máximo de efeitos práticos possível; então, temos aqui inúmeros fantasmas criados com maquiagem de verdade, além os Encolhidos, e do verme de areia, que foi todo criado em stop-motion. Eu amei as cenas com o verme, porque não havia outro jeito de criá-los, que não fosse esse.

 

No entanto, o filme tem um pequeno problema. Eu senti que Delores não foi tão bem aproveitada quanto deveria, porque, ela aparece pouco, e sua participação no final foi bem rápida. Eu esperava que a personagem tivesse um papel ainda mais importante no filme, que poderia gerar uma espécie de conflito entre ela, Beetlejuice, e Lydia, mas, infelizmente, não foi o que aconteceu... Nesse ponto, o filme perdeu um ponto.

 

Mas, apesar desse pequeno problema, eu amei assistir a Beetlejuice 2. Foi como revistar velhos amigos, que não via há muito tempo, e pude me divertir com suas nova histórias.

 

Enfim, Os Fantasmas Ainda se Divertem é um filme excelente. Uma comédia de horror contada com grande maestria, com tudo que se pode esperar de um filme de Tim Burton. A direção do cineasta é um dos pontos positivos, e ele se mostra muito capaz de comandar após sua ausência das telas. Os efeitos especiais, a maquiagem e o design de produção também merecem ser mencionados, porque remetem a tudo que tinha no primeiro filme. E o retorno do elenco principal deixa o filme ainda mais delicioso, principalmente o personagem-título, que continua mais atrevido do que nunca. Um dos melhores filmes do diretor Tim Burton.



terça-feira, 7 de maio de 2024

O BRAÇO DE MAR (Stephen King).

 

NOTA: 8.5


O BRAÇO DE MAR, presente na antologia Tripulação de Esqueletos, é um dos contos mais melancólicos e interessantes de Stephen King.

 

Aqui, o autor criou uma história de fantasmas dramática, sem apelar para o terror, seu gênero de costume, e mesmo assim, escreveu uma história muito boa.

 

A começar pela ambientação. A narrativa se passa em uma ilhota no Maine, e tem como protagonista, uma senhora idosa de 95 anos chamada Stella, que morou na ilha a vida inteira, e que nunca foi ao continente. No entanto, certo dia, durante o inverno mais rigoroso em 50 anos, ela decide ir ao continente, tendo como companhia o fantasma de seu marido.

 

No fundo, a história é basicamente assim, mas, na verdade, é um conto triste sobre uma mulher triste, que vive sozinha, visto que alguns de seus amigos e familiares já se foram. No entanto, ela ainda tem a companhia do filho e dos bisnetos, e passa o tempo contando histórias do passado da ilha para eles.

 

Mas logo, a solidão da protagonista é abalada pelas visões com seu marido falecido, que surge de vez em quando para ampará-la e para fazer companhia a ela, principalmente no final da história.

 

Ao contrário do que se pode imaginar, O Braço de Mar não é um conto de terror, e sim, um drama fantástico com elementos de suspense, visto que não há nenhum elemento de horror na narrativa.

 

Eu pessoalmente gostei muito desse conto, principalmente por causa da ambientação em uma ilhota do Maine. Durante a leitura, eu consegui imaginar como seria aquele lugar, principalmente aquela vila, onde a protagonista mora. Imagens de um filme canadense, baseado na história real de uma pintora folk, me vieram à mente, além de alguma ideia para um conto de minha autoria. Eu gosto muito dessa sensação quando estou lendo um livro, ou um conto, porque eu acabo, de certa forma, entrando na narrativa e na atmosfera.

 

As aparições do fantasma do marido de Stella também são um dos pontos altos da narrativa, porque, acontecem de maneira natural, com Stella primeiro interagindo com ele com medo, mas depois, acaba se acostumando com aquilo. O mesmo pode ser dito quando outros fantasmas surgem para acompanhá-la em sua jornada ao continente.

 

A sequência da jornada de Stella também merece menção porque é uma sequência tensa, que se passa no inverno mais rigoroso que a ilha está enfrentando, o que dificulta a jornada da protagonista, e a mesma acaba passando por alguns perrengues, antes de se encontrar com o marido e com os demais que já morreram no passado. A partir daí, vira uma sequência muito bonita, com os fantasmas dando apoio a ela em sua jornada.

 

E o final em si também é muito bonito e um pouco triste, com o destino de Stella sendo descrito pelo autor com sua técnica ímpar.

 

Esta, na verdade, é a minha segunda leitura do conto, mas, a primeira na edição da Suma; a primeira vez, foi na edição da Objetiva, mas eu não tive uma leitura agradável, porque a letra era bem pequena; com a edição da Suma, a leitura foi bem melhor e fluiu normalmente.

 

Enfim, O Braço de Mar é um conto muito bom. Uma história dramática com toques fantásticos, que prende o leitor e consegue encantá-lo ao mesmo tempo. Uma história triste e melancólica, cuja leitura é rápida, mas, envolvente. Uma narrativa de fantasmas contada com a maestria ímpar do Mestre Stephen King. Recomendado.


terça-feira, 30 de abril de 2024

GHOST STORY (Peter Straub).

 

NOTA: 7.5


Peter Straub foi um dos nomes mais conhecidos da literatura americana de suspense, e seus livros são reconhecidos como best-sellers principalmente nos Estados Unidos.

 

GHOST STORY é um de seus romances mais conhecidos, e um livro muito bom, devo dizer.

 

Eu não li outro livro do autor – tenho na minha coleção, O Talismã e A Casa Negra, escritos em parceria com Stephen King – mas ouvi dizer que ele não escrevia livros menores, apenas calhamaços, e este aqui é um deles.

 

O romance é escrito em uma riqueza de detalhes impressionante, e confesso que é preciso se concentrar bem para mergulhar na leitura, porque o autor não poupa o leitor de detalhes na narrativa, até de detalhes banais.

 

O romance conta a historia da Sociedade Chowder, composta por quatro velhos amigos, que se reúnem de tempos em tempos para contar historias de terror e fantasmas, sempre na calada da noite, vestidos em trajes a rigor, com bebidas e charutos.

 

Divido em três partes, além de contar com um prologo e um epilogo, o livro é bem assustador e tenso, com cenas dignas de provocar arrepios, principalmente as cenas de pesadelos dos membros da Sociedade.

 

Como é um livro bem grande, ficamos muito tempo imersos na leitura, acompanhando a narrativa extensa do autor e seu método de contar a narrativa, descrevendo detalhes importantes dos personagens durante a descrição da cena, e isso acontece em todos os momentos. Eu pessoalmente achei isso até interessante, porque dá uma visão diferente do método de escrita de um autor especifico.

 

Eu havia visto uma resenha de uma Book Tuber que não se sentiu presa à narrativa, talvez, principalmente por causa da riqueza de detalhes com que o autor compôs sua obra; não é o meu caso, conforme mencionei acima.

 

Um dos pontos que a Book Tuber destacou em sua resenha foi a sequencia da festa, que, segundo ela, é muito extensa. Eu gostei de ler essa sequencia, porque me senti dentro daquela festa, interagindo com aqueles personagens, e testemunhando a tragédia que aconteceu no final do evento.

 

Um ano após essa tragédia, os membros da Sociedade Chowder decidem chamar o sobrinho de um deles para ajuda-los a investigar o que aconteceu com o quinto componente do grupo.

 

A partir daí, o autor destaca alguns capítulos para descrever o ponto de vista desse novo personagem, por meio de seus diários, principalmente o seu encontro com uma mulher misteriosa. E conforme ele vai nos contando, descobrimos que a mulher não é nada do que pensava.

 

No capítulo seguinte, Straub faz um relato de como os demais personagens do livro estão vivendo, com destaque para um adolescente e seu amigo rebelde. Eu confesso que fiquei um pouco confuso com a leitura desse capítulo, porque não me lembrava dos personagens descritos ali, visto a quantidade de páginas do livro. No entanto, o trecho em que os dois rapazes invadem uma casa e são atacados por uma entidade é muito bom.

 

Em meio à essa descrição detalhada dos eventos, o autor apresenta uma outra mulher misteriosa, que pode ter ligação com os membros da Sociedade Chowder, e com os acontecimentos bizarros que estão tomando conta da cidade.

 

No início da terceira parte, o autor continua focando na vida dos personagens secundários, com destaque para uma sequência de invasão domiciliar, que termina de maneira aterrorizante, com a presença de um provável lobisomem. Esse é um detalhe curioso do livro. Aparentemente, Straub diz que seus fantasmas podem assumir diferentes formas, além de interagir com todos, como se estivessem vivos. Eu acho esse um detalhe muito curioso, porque dessa forma, os fantasmas do autor têm as suas próprias regras e precisam segui-las.

 

Toda essa sequência da cidade, com todos os personagens, é um pouco monótona, porque o autor aparentemente foge do foco principal da trama, que são os membros da Sociedade Chowder, e o sobrinho de um deles, que está investigando a morte do tio.

 

Mas, em determinado momento, Straub retorna aos membros da Sociedade, e eles contam para Don – e para nós também – quem é a mulher que está rondando os demais personagens, e criando situações assustadoras. Toda essa sequência é muito boa, pois prende de fato a atenção do leitor, porque queremos saber o que aconteceu com os homens idosos quando eram mais jovens. Foi um trecho que me prendeu, porque me fez lembrar da sequência de flashback do filme.

 

E para finalizar os momentos que merecem destaque, eu menciono a sequência em que os personagens entram em uma casa abandonada, a fim de procurar os fantasmas que estão causando os problemas na cidade. É uma sequência verdadeiramente tensa, que me deixou arrepiado.

 

A escrita de Straub até que é boa, mas, na minha opinião, o livro sofre de um mal que me deixou confuso; em vários momentos, o autor foca sua atenção nos demais personagens, e confesso que me senti um pouco perdido, porque não me lembrava deles. Vocês podem dizer que ‘Salem, de Stephen King, tem o mesmo problema, mas, a leitura do livro de King foi muito mais fluida e não me atrapalhou; o mesmo não pode ser dito sobre este livro.

 

Eu mencionei acima que o autor faz questão de mostrar que seus fantasmas não são fantasmas comuns, e de fato, não são. Aqui, eles podem assumir diversas formas diferentes, sendo descritos como transmorfos, e eu achei isso muito interessante, porque as criaturas seguem suas próprias regras.

 

A interação entre os quatro amigos da Sociedade Chowder também é bem explorada, e cada um tem suas próprias características e personalidades. Fica evidente que os membros mais importantes são Ricky e Sears, visto a quantidade de tempo que o autor dedica a eles. Os demais personagens também são bem explorados, principalmente nos capítulos referentes à cidade como um todo.

 

O conflito final dos personagens com a criatura principal também é bem escrito, com direito a cenas ambientadas em outras dimensões, mas o cenário principal é o apartamento da mulher que os membros da Sociedade mataram por acidente. E o epílogo amarra muito bem o que foi apresentado no prólogo, a relação entre Don e uma menina misteriosa.

 

Enfim, Ghost Story é um livro bom. Uma história de horror contada de maneira elaborada, com muitas cenas, muitos cenários, e muitos personagens, e em determinado momento, tudo se encaixa. A escrita de Peter Straub é decente, apesar de focar muito em personagens e cenas que aparentemente, não tem relação com a história principal. Um gigantesco quebra-cabeça que é montado aos poucos, revelando uma história arrepiante e intrigante.


segunda-feira, 18 de setembro de 2023

A NOITE DAS BRUXAS (2023). Dir.: Kenneth Branagh.

 

NOTA: 9.5


Desde que se aventurou a adaptar as obras de Agatha Christie, com o excelente Assassinato no Expresso do Oriente, lançado em 2017, o ator e cineasta Kenneth Branagh tem acertado na mosca. Os filmes são muito bem feitos, principalmente os roteiros, que deixam o espectador envolvido e ansioso para desvendar o mistério.

 

Foi assim com Expresso, foi assim com Morte no Nilo, lançado no ano passado, e é assim também com A NOITE DAS BRUXAS, terceira incursão do cineasta no chamado “Agathaverso”, novamente dirigindo e interpretando o clássico detetive Hercule Poirot.

 

E que filme!

 

Um aviso. Acabei de sair do cinema, então, tentarei conter os spoilers. Então vamos lá.

 

Temos aqui mais um acerto na mosca do cineasta, que soube adaptar a obra da escritora com maestria, desta vez, segundo consta, tomando liberdades criativas. Como ainda não li o livro, não posso dizer que liberdades criativas foram essas, mas digo que ambientar a historia em Veneza foi um grande acerto, porque criou um clima de mistério – e por que não, terror – ainda maior para a trama, além de acender minha memoria – mais detalhes adiante.

 

Mais uma vez, eu saí muito satisfeito do cinema, e desde já, peço por mais filmes ambientados nesse universo!

 

A Noite das Bruxas é excelente. É muito bem feito, bem dirigido, com ótimo design de produção, e como de praxe, um elenco estelar. O diretor Branagh fez mais uma vez um grande trabalho aqui, tanto atuando, quanto dirigindo. Mesmo não tendo assistido a todos os seus filmes, eu sei o grande cineasta que ele é, principalmente quando resolve se aventurar no universo de Shakespeare, por exemplo. Mas devo dizer que ele também encontrou seu lugar no “Agathaverso”, e espero que continue assim.

 

Como de costume, temos aqui uma história de mistério, contada com a maestria que a autora sabia empregar em suas obras – só digo isso com base na leitura do livro que originou o primeiro filme desse universo, que vai ganhar releitura e resenha aqui. No entanto, ao contrario das demais, aqui temos também uma leve história de terror, com fantasmas e lugares amaldiçoados. Novamente, não sei como é no livro original, mas devo dizer que achei a ideia de um palazzo assombrado genial, quase igual aos filmes de terror gótico realizados na Itália nos anos 60.

 

Eu gostei bastante da ambientação e do cenário. Parecia mesmo uma casa assombrada há séculos, do tipo que ganham fama com o boca-a-boca. E claro, o fato de ambientar a historia no Dia das Bruxas foi outro acerto, porque deu voz àquela velha regra, a de que as assombrações são mais fortes na Noite das Bruxas.

 

E como é um filme de Dia das Bruxas – sim, é um filme de Dia das Bruxas! – temos tudo que se espera de um filme como esse. Isso porque a história começa com uma festa de Dia das Bruxas, dada pela dona do palazzo, a Srta. Rowena Drake. No entanto, a festa é apenas um disfarce para uma sessão espirita, que terá como convidada, a médium Joyce Reynolds, que está ali com o pretexto de entrar em contato com a filha da Srta. Drake, que morreu misteriosamente anos antes. Mas pode esperar por mais, principalmente um mistério de assassinato – obviamente, não direi quem morreu e quem matou – que obriga Poirot a sair da aposentadoria.

 

E vou parar por aqui, pois não vou entregar detalhes da trama. O filme acabou de estrear no cinema, então, corra para a sala mais próxima e confira por si mesmo.

 

Como já mencionei, o filme possui alguns elementos de terror, e isso se deve principalmente à ideia de um lugar assombrado por fantasmas, o que culmina em algumas aparições durante a projeção, e jump-scares espertos. Sim, temos jump-scares, mas eles são muito diferentes dos usados no cinema atualmente. E a presença de figuras vestidas de preto, usando as famosas máscaras também contribui para deixar o filme mais assustador.

 

Além disso, é um filme que se passa todo durante a noite, uma noite chuvosa, que obriga os personagens a ficarem trancados no palazzo, reaproveitando uma técnica narrativa utilizada no primeiro filme – os personagens ficam presos por causa de um evento natural, no caso, uma tempestade. E tal fato contribui para deixar a trama ainda mais claustrofóbica, com Poirot interrogando os suspeitos, um por um, de diferentes métodos, até que um ou mais acabem agindo de forma suspeita e quase revelando demais. E claro, a lista de suspeitos é enorme.

 

O elenco também é um grande destaque, novamente composto por grandes astros do cinema, como de costume. Todos os atores estão muito bem aqui, e não passam a sensação de atuação forçada ou caricata; eles realmente passam tudo o que os personagens devem passar, conforme está escrito, tanto no livro, quanto no roteiro. E é sempre bom ver atores de outros gêneros em papéis fora de sua zona de conforto.

 

E antes de encerrar, conforme mencionei acima, o filme despertou minha memoria por causa de sua ambientação em Veneza. Durante toda a projeção, eu tive a impressão de estar assistindo a um Giallo, principalmente Quem a Viu Morrer? (1971), do diretor Aldo Lado; ou então, ao filme Inverno de Sangue em Veneza (1973). Tal sensação foi muito boa, e despertou em mim a vontade de assistir a esses filmes novamente.

 

E que venham mais filmes do “Agathaverso”!

 

Enfim, A Noite das Bruxas é um filme excelente. Uma historia de mistério e horror contada com a maestria do cineasta Kenneth Branagh, que brilha novamente no papel do detetive Poirot. A ambientação em Veneza também é um atrativo, em especial o cenário principal, que passa uma sensação de medo, misturada com desconforto e claustrofobia. E o elenco também não faz feio, com seus nomes de peso, como é costume nas adaptações da autora Agatha Christie. Um filme excelente e assustador. Altamente recomendado.



sábado, 12 de novembro de 2022

NA SOLIDÃO DA NOITE (1945). Dir.: Vários.

 

NOTA: 9.5



Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

Mas hoje, não estou aqui para falar das antologias da Amicus, e sim, de NA SOLIDÃO DA NOITE, precursor do gênero de antologia, lançado em 1945.

 

O que posso dizer sobre esse filme? Bem, digo o seguinte: é um dos melhores filmes de terror de todos os tempos, e um dos melhores que já vi; além de ser um daqueles casos de filmes que ficam melhores a cada revista.

 

Conforme mencionado acima, o filme é o precursor do gênero de antologia, neste caso, contando com cinco histórias de horror. Na verdade, antes de entrar nas histórias propriamente ditas, o filme até começa de maneira simples, com o protagonista indo até uma casa de fazenda no interior da Inglaterra. Quando ele chega lá, começa a falar com os outros personagens a respeito de seus sonhos e pesadelos, o que intriga a todos ali. Em seguida, eles mesmos começam a contar suas próprias histórias.

 

The Hearse Driver: Um corredor de carro sofre um acidente, e vai parar no hospital, onde é atendido por uma bela enfermeira. Durante a estadia, ele tem uma estranha visão de um carro funerário estacionado abaixo de sua janela. Ao sair do hospital, ele vê o motorista do carro funerário em um ônibus e decide não embarcar. O ônibus então sofre um acidente e todos os passageiros morrem.

 

The Christmas Party: Uma adolescente está comemorando o Natal na casa de um amigo e participa de um jogo de esconde-esconde com os convidados. Durante a brincadeira, ela encontra um quarto de criança e conhece um garotinho que tem medo da irmã. Ao reencontrar os outros convidados, ela descobre que o garotinho está morto desde o século XIX.

 

The Haunted Mirror: Uma mulher compra um espelho para seu noivo. No inicio, tudo parece bem, mas, aos poucos, o homem é atormentado por estranhas visões relacionadas ao espelho. A mulher descobre que o objeto pertenceu a um homem que matou a esposa no século XIX, e precisa correr para impedir que o noivo perca a razão.

 

The Golfer’s Story: Dois campeões de golfe conhecem e se apaixonam por uma mulher e resolvem disputa-la com uma partida. Um deles ganha a partida e o outro se suicida em um lago. Às vésperas de seu casamento, o vencedor é atormentado pelo fantasma de seu amigo, que afirma que ele trapaceou no jogo e exige que o amigo assuma o erro.


The Ventriloquist’s Dummy: Um ventríloquo americano conhece outro em Paris e se surpreende com seu ato, cuja principal atração é seu boneco Hugo. Ao reencontrá-lo em Londres, o americano descobre que o ventríloquo possui sérios problemas psicológicos, e na mesma noite, é atacado por ele, que não pretende entregar seu boneco ao rival.

 

Uma antologia básica, não? Sim, no entanto, ao contrário das que vieram depois, principalmente nos anos 70, aqui, as histórias foram dirigidas por cinco pessoas diferentes, e cada uma imprimiu seu próprio estilo. Entre os diretores, temos o brasileiro Alberto Cavalcanti, que dirigiu a segunda e última historias – a do boneco, a melhor delas.

 

Além da presença do brasileiro Cavalcanti, é possível perceber aqui a principal característica das antologias: a diversidade entre as histórias. A primeira remete primeiramente a um romance, mas logo se transforma em um terror, com a presença do carro funerário; a segunda é uma história de fantasma com toques infantis, principalmente pela presença do garotinho; a terceira foca mais um suspense sobrenatural, além de apresentar elementos de horror psicológico; a quarta também é uma história de fantasma, mas com uma veia cômica; e a última, é um suspense psicológico, onde a loucura é o principal elemento.

 

Além das histórias narradas pelos personagens, temos também os interlúdios, com o protagonista interagindo com eles, que culmina na melhor parte do filme, quando o pesadelo dele se torna realidade, e ele interage com todas as histórias de uma maneira macabra e assustadora.

 

Com certeza, o episódio mais lembrado do filme é o último, The Ventriloquist’s Dummy. Sem dúvida, é o melhor episódio, com toques de suspense psicológico, com o ventríloquo atormentado por problemas mentais, que culminam numa personalidade alternativa, que ele usa em seu boneco Hugo. Falando nele, o boneco é um dos personagens mais assustadores do cinema – algo comum em bonecos de ventríloquo – e sua aparência e voz fina são dignas de pesadelos. Algo semelhante aconteceria em Magia Negra (1978), onde o ator Anthony Hopkins interpretou um ventríloquo domado por seu boneco.

 

Os demais personagens também são bem interessantes, cada um à sua maneira, principalmente o protagonista, que se mostra visivelmente atormentado por seus sonhos recorrentes; os demais apelam à sua psiquiatra para descobrir o motivo por trás dos sonhos dele e também por trás de suas próprias histórias, algo que não fica chato conforme os relatos acabam.

 

Na Solidão da Noite possui um legado importante entre os fãs de cinema, tendo como fã o diretor Martin Scorsese, que o elegeu um dos filmes mais assustadores de todos os tempos. O último episódio inspirou diversas histórias posteriores, entre elas, um segmento da série Além da Imaginação, além de outros filmes.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Obras-Primas do Terror.

 

Enfim, Na Solidão da Noite é um filme excelente. Uma história de horror composta por cinco segmentos aterrorizantes, que prendem a atenção do espectador. Cada um dos cineastas envolvidos deixa sua marca e as histórias ficam únicas por causa disso. Um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, com um grande legado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo


Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

AS TRÊS MÁSCARAS DO TERROR (1963). Dir.: Mario Bava.

 

NOTA: 10



Mario Bava era um mestre. Eu já disse isso algumas vezes aqui, mas, é sempre bom ressaltar. Desde que se aventurou na direção definitivamente, com o Clássico A Maldição do Demônio (1960), Bava nos presenteou com obras que até hoje são admiradas por cineastas e fãs de cinema. Mesmo tendo se aventurado em outros gêneros, como, por exemplo, o Western, o cinema épico, e até mesmo, o cinema de super-heróis, o diretor é mais conhecido pela sua presença no Terror, principalmente no Terror Gótico.  E AS TRÊS MÁSCARAS DO TERROR (1963) é mais um exemplo.

 

Este é, sem duvida, um dos melhores trabalhos do diretor – dentre muitos outros – , e talvez a sua única aventura no gênero de antologias. E além disso, Bava contou com a presença de outro grande Mestre do terror: o astro Boris Karloff, que aqui faz o papel de anfitrião, além de estrelar o segundo – e melhor – segmento do filme, mais detalhes sobre isso adiante.

 

O filme é divido em três episódios, todos apresentados por Karloff.

 

O primeiro, O Telefone, é uma história de mistério com toques de Giallo. Após chegar em casa, uma prostituta que começa a receber ligações misteriosas. Ela então começa a suspeitar que o responsável é o seu ex-namorado, que estava preso, mas conseguiu fugir. Desesperada, ela liga para uma amiga para pedir ajuda, mas não imagina que o terror estava apenas começando.

 

O próximo segmento, O Vurdalak, é o melhor deles, sem a menor dúvida. Na história, um homem encontra um cadáver sem cabeça e o leva para a casa de uma família, e logo descobre que se trata de um assassino que vivia na região. No entanto, ele não sabe que a família está esperando o pai voltar para casa, mas ao mesmo tempo, todos estão com medo, pois acreditam que ele pode ter sido vítima de uma maldição vampiresca.

 

O último segmento, A Gota D’Água, é uma clássica história de fantasma. Uma enfermeira recebe um telefonema para ir à casa de uma médium que morreu durante uma sessão para ajudar a empregada a prepara-la para o funeral. No entanto, ela acaba roubando o anel da falecida, e passa a ser atormentada pelo seu fantasma.

 

Com o roteiro adaptado de obras escritas por F.G. Synder, Ivan Chekhov e Aleksey K. Tolstoy, As Três Máscaras do Terror é uma antologia clássica, apresentada em episódios de curta duração; ou seja, um exemplar clássico do gênero, correto? Sim, mas tem mais um detalhe: foi dirigido pelo Maestro Mario Bava, e posso dizer que isso é o que a diferencia das demais. Afinal, Bava era um maestro do cinema de horror, e aqui, dá mais uma prova do seu enorme talento.

 

O filme é um espetáculo de cores, principalmente os dois últimos segmentos, mas não é só isso. Mesmo apostando em recursos limitados, o diretor foi capaz de criar cenas e sequencias memoráveis, dignas de estudo para cinéfilos e fãs de cinema.



Logo na introdução, apresentada pelo astro Boris Karloff, somos brindados com um show de cores pulsantes na tela, que já enchem os olhos e dão uma dica do que vem por aí. Em seguida, no primeiro episódio, podemos ver o quanto o maestro sabia lidar com apenas um cenário e poucos atores, mesmo porque é exatamente isso que é mostrado na tela. Bava sabia exatamente o que fazer com o que tinha nas mãos e entregou um segmento tenso e arrepiante. No entanto, é certo dizer que ele guardou o melhor para os dois segmentos seguintes. Ambos são exemplares clássicos do terror gótico que o diretor que sabia fazer, com seus cenários exuberantes, dignos de foto, luzes coloridas pulsantes e cores vibrantes. Um verdadeiro espetáculo visual.


 

Além disso, temos aqui a representação de três grandes gêneros do terror, conforme mencionado acima. O Telefone é um suspense psicológico com toques de Giallo, subgênero que estava dando seus primeiros passos no cinema; temos o clima de tensão e também as ligações misteriosas, que se tornariam uma das marcas do gênero, além da presença das luvas pretas segurando uma faca brilhante. O Vurdalak é uma história de vampiros, nesse caso, do vampiro da tradição russa, que volta para se alimentar do sangue das pessoas que mais amou em vida – conforme dito na resenha de A Noite dos Demônios (1972), que também adaptou a novela de Tolstoy; e como toda história de vampiros, temos a presença das vítimas com os pescoços marcados pelos caninos afiados, além também do fato de que elas voltam para matar seus familiares. E por fim, A Gota D’Água é uma clássica história de fantasma com toques de terror psicológico, onde a personagem principal é levada à loucura. Temos a figura do fantasma que volta para assombrar a pessoa que o prejudicou, assim como vemos nos filmes de terror japonês, e leva-la a ter seu merecido fim, além, é claro, de termos também o tema do objeto maldito que vai passando de pessoa para pessoa, desencadeando um ciclo sem fim.

 

Ainda sobre o primeiro segmento, podemos também notar que a história toca em um dos grandes tabus da humanidade: a representação da homossexualidade na tela, ainda mais naquela época. Mesmo abordada de forma até sutil, é difícil não fazer essa associação; e além disso, temos também pequenos momentos de erotismo e sensualidade, novamente, algo inédito e ousado para a época.

 

Mesmo assim, é impossível assistir à As Três Máscaras do Terror e não se maravilhar, principalmente com a fotografia. Conforme mencionado acima, é um filme colorido, com as cores pulsando e vibrando na tela, enchendo os olhos do espectador. Bava era muito conhecido principalmente por seus filmes coloridos, e aqui podemos ver o motivo. O maestro soube muito bem onde colocar as cores, dado o seu conhecimento anterior como diretor de fotografia, e com isso, nos brindou com momentos dignos de obras de artes. Aliás, todo o trabalho do diretor é soberbo. Seu elenco atua muito bem, principalmente o astro Boris Karloff, com destaque para sua atuação no segundo episódio, onde ele interpretou o único vampiro de sua carreira, com sua capa negra com o capuz coberto de pelos. Os efeitos especiais também são maravilhosos, principalmente a cena da cavalgada na floresta noturna, homenageada por Tim Burton em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999); o fantasma da médium no último episódio também não fica atrás, com seu sorriso permanente e suas mãos em formato de garra. E claro, temos o som do vento soprando na noite. Conforme mencionei anteriormente, eu adoro quando tal efeito de som, pois dá uma sensação indescritível.

 

Sem dúvida, As Três Máscaras do Terror é um dos melhores filmes do Maestro Mario Bava, e um dos mais belos filmes de terror de todos os tempos. Quem disse que filme de terror não pode ser lindo e colorido, mas viu esse filme.

 

Foi lançado em 1963 na Itália, e no mesmo ano, a A.I.P. tratou de lançar uma versão alternativa nos Estados Unidos, que ganhou o título Black Sabbath, pelo qual também é conhecido. Os episódios foram trocados de ordem, além de contar com cenas alteradas – principalmente a introdução – e nova trilha sonora. No entanto, mesmo contando com a verdadeira voz do astro Boris Karloff, eu não gostei na versão internacional; eu prefiro muito mais a versão original italiana. Eu sei que algumas pessoas gostam das duas versões – ou até de uma delas – mas eu prefiro a versão oficial.

 

Chegou a ser lançado em DVD no Brasil pela distribuidora DarkSide – somente a versão italiana – , mas esteve fora de catálogo por anos, até ser lançado em DVD pela Versátil Home Vídeo, em belíssima versão restaurada, também com a versão internacional, até então, inédita no Brasil.

 

Enfim, As Três Máscaras do Terror é um filme belíssimo. Um verdadeiro espetáculo visual, com cores vibrantes que enchem os olhos do espectador, além de uma direção criativa do Maestro Bava, do jeito que somente ele sabia fazer. O astro Boris Karloff entrega uma atuação espetacular sob o comando do Maestro, interpretando o único vampiro de sua carreira. Uma trilogia de horror com toques de fantasia. Uma verdadeira obra de arte do cinema de horror. 


Créditos: Versátil Home Vídeo


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sexta-feira, 2 de julho de 2021

O CHICOTE E O CORPO (1963). Dir.: Mario Bava.

 

NOTA: 10



Não há duvidas que Mario Bava era um mestre do cinema de horror, conforme já mencionei em outras resenhas aqui.

 

Bem, hoje, irei falar sobre mais um de seus filmes: O CHICOTE E O CORPO (1963), um dos meus favoritos dele, e que conta com o astro Christopher Lee no elenco.

 

O que dizer sobre esse filme? Bom, devo dizer o óbvio: é um filme maravilhoso, e tudo isso se deve ao próprio Bava. O diretor sabia muito bem como queria contar uma historia e o que deveria usar para isso, e aqui, ele faz isso de sua melhor arma: a criatividade. Bava era extremamente criativo com o uso da câmera e da luz, e graças a isso, foi o responsável pelos mais belos filmes de terror de todos os tempos.

 

O Chicote e o Corpo é um deles, e como mencionei, um dos meus favoritos. É uma verdadeira história de terror gótico, de castelo assombrado, com tudo que tem direito, e que somente o gênero poderia trazer de melhor. E mais, é visualmente deslumbrante. Toda vez que eu assisto ao filme, eu me surpreendo com as imagens colocadas na tela. Eu não me canso de assistir a esse filme. E fica melhor a cada revisão.

 

É o tipo de filme de terror que os italianos sabiam fazer, com todos os toques góticos e sobrenaturais, misturados com uma pitada de suspense psicológico.

 

A fotografia é o principal destaque do filme. Assim como fizera em seus outros filmes, Bava criou uma obra colorida, onde todas as cores pulsam na tela em tons vivos. Sim, é um filme de terror colorido, do tipo de faz falta hoje em dia. Não se engane, eu gosto de filmes de terror em preto e branco, mas, com filmes de terror coloridos, parece que a coisa é mais diferente. E na versão lançada em DVD pela Versátil, a qualidade é muito melhor do que as outras versões disponíveis.

 

E claro, Bava também foi o responsável pela direção de fotografia e pelos efeitos especiais, e como sempre, mostrou-se muito habilidoso e fez um excelente trabalho, uma vez que ele começou sua carreira no cinema atuando nessas respectivas áreas.

 

Como todo filme de terror gótico, a história é ambientada num castelo, nesse caso, um castelo à beira-mar. Bava soube fazer uso do cenário, sempre destacando seu interior claustrofóbico e seu exterior clássico, com as torres que se destacam ao longe. A praia é também um ótimo cenário, com as ondas quebrando na areia, e completamente deserta.

 

O elenco também é um ponto positivo, com destaque para o grande Christopher Lee, em sua segunda colaboração com Bava. Mesmo com pouca presença em tela, o astro dá um show de atuação no papel de Kurt Menliff, o vilão do filme. O personagem é um verdadeiro sádico, que sente prazer perverso em torturar a esposa do irmão, que foi sua amante, com requintes de crueldade, agredindo-a com o chicote, a fim de despertar seu apetite sexual. Aliás, esse é um ponto que deve ser mencionado. O filme possui um forte tom de erotismo, apesar de não conter cenas de nudez, mas mesmo assim, é possível captar os toques de erotismo e sensualidade.

 

E claro, O Chicote e o Corpo é um excelente filme de fantasmas com toques de suspense. Os italianos sabiam fazer grandes filmes de fantasmas, misturados com outros gêneros, e nesse caso, temos uma mistura de história de fantasma com história de assassinato misterioso, uma vez que temos duas cenas de assassinatos e não sabemos quem é o culpado. Eu acho uma ótima combinação para esse filme, porque prende ainda mais a atenção do espectador.

 

E sendo um filme de fantasmas, temos também o espírito que ronda o castelo e assombra seus familiares, nesse caso, Nevenka, conduzindo-a a episódios de histeria e levando-a a loucura completa. E isso funciona muito bem.

 

Antes de encerrar, devo mencionar o som. Conforme mencionei na resenha de Seis Mulheres para o Assassino (1964), também de Bava, o som é um elemento a parte. E aqui, não é diferente. O áudio em italiano é maravilhoso, e parece ecoar para fora da tela, como se estivéssemos no assistindo no cinema; além disso, o vento é quase um personagem, soprando desde o começo do filme, deixando clara a sua presença. Eu gosto muito de filmes de terror onde o vento pode ser ouvido, para mim passa uma sensação agradável e fantasmagórica. E a trilha sonora de Carlo Rustichelli é maravilhosa, com um ar melancólico que casa muito bem com o filme.

 

Esses são os atrativos que fazem deste um excelente filme de terror italiano, do tipo que somente eles sabiam fazer.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror, em versão restaurada com áudio em italiano. 

 

Enfim, O Chicote e o Corpo é um filme excelente. Uma historia de fantasmas com elementos eróticos e psicológicos que prendem a atenção do espectador. A direção de Mario Bava é o melhor aspecto do filme, e, aliado a uma fotografia colorida, deixam-no ainda mais bonito, e melhor a cada revisão. O astro Christopher Lee entrega uma excelente atuação. Um verdadeiro espetáculo visual, do jeito que somente Bava sabia fazer. Altamente recomendado.



Créditos: Versátil Home Vídeo

 

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sexta-feira, 26 de março de 2021

EVANGELHO DE SANGUE (Clive Barker).

 

NOTA: 8



Não há duvidas que o universo de Hellraiser, criado pelo escritor Clive Barker, é um dos mais ricos do terror. Em Hellraiser, o autor deu uma pequena amostra de como esse universo funciona, apresentando aquele que seria o personagem principal desse universo: o Cenobita Pinhead. Além disso, Barker mostrou que não estava para brincadeira, e criou uma historia banhada em sangue e sexo.

 

EVANGELHO DE SANGUE é mais uma historia do autor ambientada nesse universo, e também serve como uma espécie de prequel dos eventos narrados em Hellraiser. Aqui, o autor apresenta os dois principais elementos do universo de Hellraiser: a caixa de Lemarchand e o próprio Pinhead, descrevendo ambos nos mínimos detalhes, ao contrario do que fizera no livro anterior. Mas não é só isso.

 

Em Evangelho de Sangue, Barker mostra mais uma vez que é um escritor afiado, com uma escrita que penetra na mente do leitor com uma força impressionante. As descrições que ele faz dos cenários é muito bem feita, e não fica difícil para o leitor imaginá-los em sua mente; o mesmo vale para as cenas ambientadas no Inferno, quando Harry e seus amigos vão resgatar Norma. Não sei como foi para os outros leitores, mas eu consegui visualizar aquele Inferno como um lugar de fantasia, com um tom branco ou cinza, ou invés do tradicional vermelho. Barker o descreve quase como uma espécie de jardim morto, com tudo que tem direito. O mesmo vale para os demônios. Eles são descritos como criaturas humanoides, mas sem os chifres e asas de morcego. Sem duvida, uma visão diferente e original.

 

E da mesma forma que fizera no livro anterior, Barker começa a historia com os dois pés no peito, apresentando cenas grotescas de violência e sexo já no prologo. E o restante da historia vai pelo mesmo caminho. Durante toda a leitura, o leitor não é poupado de cenas dignas de pesadelos, com toques grotescos de violência, e principalmente, sexo. Isso mesmo. Barker mistura sangue e sexo em todos os momentos, de uma forma assustadoramente natural, e cada vez que isso acontece, é chocante, e o autor não mostra pudor nenhum, principalmente quando descreve o que as criaturas estão fazendo com seus “membros” – para usar um termo “leve”. É praticamente um terror pornográfico.

 

E falando em terror, novamente, esqueça os torture porn da vida: as cenas de horror descritas por Barker são dignas de pesadelo, com o sangue escorrendo aos montes; claro, não chegam aos pés do livro anterior, mas conseguem ser quase tão grotescas quanto – não há outra palavra para descrever. Com certeza, não é tipo de leitura recomendada para leitores de coração fraco.

 

Os personagens humanos são muito bons e quase parecem pessoas reais, com a diferença que todos têm ligação com o sobrenatural, principalmente o protagonista, o detetive Harry D’Amour. Desde que ele surgiu na historia, eu o visualizei como um detetive particular de filme noir, com o casaco e o chapéu. Aliás, as cenas de investigação do personagem quase parecem com cenas de um filme noir, daqueles clássicos, estrelados por Humphery Bogart. Os outros personagens também são bem descritos, cada um com sua característica própria.

 

No entanto, apesar de contar uma historia muito boa, Barker cometeu alguns erros. O primeiro deles acontece no prologo, quando ele apresenta um demônio-fêmea que nasceu em uma cena grotesca. Eu achei que aquela personagem seria relevante para a historia, mas ela simplesmente desaparece. Eu pelo menos não consegui reencontrá-la. Outro ponto negativo acontece no Inferno, quando Pinhead comete um ato de violência contra Norma, ato esse que não faz parte de seu repertorio. E eu também achei a historia de Lúcifer incompleta.

 

Aliás, esse é outro ponto. Barker criou um universo tão original para os Cenobitas, com um deus próprio, o Leviatã e também o Engenheiro, e aqui, ele apresenta justamente Lúcifer como líder do Inferno. Apesar de descrever uma batalha épica entre ele e Pinhead, eu achei que o autor poderia ter utilizado outra criatura para comandar o Inferno, até porque, como eu disse, a descrição do Inferno não combina com a imagem clássica que temos dele.

 

No entanto, devo dizer que o autor criou, sem duvida, uma batalha épica. Ele mostra que Pinhead está disposto a tudo para tomar o poder e não tem medo de derrubar Lúcifer, mesmo que para isso, tenha que derrubar o próprio Inferno. Toda essa sequencia da luta entre eles é espetacular, com direito a armadura e sangue, muito sangue. E quando Lúcifer ressurge, a atmosfera épica continua. E no final, temos quase um Pinhead arrependido do que fez. Muito bom.

 

E aqui também temos a Caixa de Lemarchand, que abre o portal para o Inferno dos Cenobitas. Como mencionado acima, quando Barker a introduz, faz questão de descrevê-la nos mínimos detalhes, descrevendo até a musiquinha que ela produz ao ser aberta. Por um momento, eu até havia me esquecido dela, mas quando ela retorna, é uma surpresa. E ainda falando do universo de Hellraiser, aqui temos também as clássicas correntes com ganchos; e elas fazem um estrago. Sério.

 

Bem, seja como for, o fato é que Evangelho de Sangue é um livro muito bom; não chega aos pés de Hellraiser, mas, se me perguntassem se merecia uma adaptação para o cinema, eu diria que sim, dependendo de quem assumisse as rédeas.

 

Enfim, Evangelho de Sangue é um livro muito bom. Uma historia épica de terror com toques grotescos de sangue e sexo. A escrita de Clive Barker prende o leitor com suas cenas dignas de pesadelo. Uma viagem literal ao Inferno, onde poucos saem com vida. O reencontro com Pinhead, o principal personagem do universo de Hellraiser. Um livro sangrento e arrepiante. Recomendado.



 

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