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sábado, 16 de dezembro de 2023

A FILHA DO DEMÔNIO (1991). Dir.: Michele Soavi.

 

NOTA: 7.5


Durante o final da década de 80 e começo da década de 90, o cinema de horror italiano começava a dar seus últimos suspiros, com obras ruins e de gosto duvidoso; no entanto, alguns cineastas ainda tentavam extrair o máximo de conseguiam em filmes que até possuíam um certo charme. Michele Soavi foi um desses cineastas, tendo apresentado ao publico filmes que possuíam um teor lírico, mas assustadores ao mesmo tempo.

 

A FILHA DO DEMÔNIO é um desses exemplos. Lançado em 1991, produzido e co-escrito pelo mestre Dario Argento, este é um filme um tanto quanto difícil de classificar, por causa do seu roteiro um tanto elaborado, que às vezes demora um pouco para engatar e apresentar uma trama concreta.

 

A começar pelo seu prólogo, ambientado no Norte da Califórnia em 1970, onde um grupo de hippies é assassinado por um grupo de satanistas no deserto. Em seguida, somos levados para a Alemanha, onde um homem mata uma mulher e arranca seu coração, e, antes de ser preso pela policia, comete suicídio.

 

Após essa introdução, somos apresentados aos seus protagonistas, um estranho velho que quase é atropelado por Miriam, uma professora local. A partir daí, uma serie de eventos estranhos começam a acontecer, principalmente após a morte do velho, eventos que aparentemente não têm nenhuma relação entre si e com a trama propriamente dita. Ao meu ver, a própria trama se desenrola próximo ao final do filme, com a volta de personagens que haviam aparecido anteriormente.

 

Mas, apesar do roteiro um tanto confuso no início, como de costume para os demais filmes de Soavi, temos uma técnica muito boa, apostando em algumas cenas no lirismo e na beleza, além de uma direção de arte digna de nota, misturado a uma fotografia inspirada, principalmente nas cenas ambientadas no porão da casa de Miriam, com uma tonalidade azul forte, misturada com uma luz que vem de uma janela redonda.

 

Essa é uma característica muito presente nos filmes de Michele Soavi, talvez inspirado por Argento e por seus antecessores; mas o fato é que o diretor dá um toque muito pessoal em suas obras, deixando-as sempre bonitas e fantasiosas.

 

Um exemplo é uma sequência em que uma chuva de pólen cai sobre os cenários, começando pela sequência da escola; uma sequência muito bonita e muito bem feita, e que remete aos filmes anteriores – e futuros – de Soavi. Ainda sobre essa cena da escola, uma das crianças utiliza uma mascara de pássaro enquanto espera por seus pais; outro exemplo da técnica de Soavi, além de ser um indicio da presença de um pássaro em si no filme.

 

Além da beleza e do lirismo, Soavi faz uso de lentes grande-angulares em algumas cenas, principalmente na cena em que o velho pinga um estranho liquido em seus olhos. O take seja a ser um tanto desconfortante, visto que Soavi faz questão de focar nos olhos do ator Herbert Lom, de maneira profunda, enquanto ele pinga o liquido em seus olhos. Faz lembrar os takes nos olhos de Marylin Burns em O Massacre da Serra Elétrica, mas com um toque a mais.

 

Conforme mencionado acima, o roteiro não é um dos grandes pontos do filme, visto que nunca deixa claro o que está acontecendo ou qual a relação entre alguns eventos, deixando as respostas apenas para os momentos finais, onde somos apresentados à uma seita de satanistas, entre eles, o mesmo homem que apareceu no prólogo. Ao invés de explicações, temos uma enxurrada de eventos sobrenaturais acontecendo, aparentemente todos ligados ao porão da casa de Miriam. Eu já assisti ao filme algumas vezes e tive algumas dificuldades para entender o que está acontecendo.

 

Mas, apesar desse roteiro um tanto confuso, vale uma conferida, seja pela direção inspirada de Michele Soavi, seja pelo seu elenco, liderado por Kelly Curtis e Herbert Lom. Os dois atores interpretam muito bem seus papeis, principalmente Lom, que dá vida ao misterioso velho, que se revela membro da seita satânica.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Obras-Primas do Terror – Volume 8, com áudio em italiano e em versão restaurada, com um depoimento do diretor.

 

Enfim, A Filha do Demônio é um filme bom. Uma obra fantasiosa e lírica, comandada com maestria por Michele Soavi, conforme é comum em seus filmes. A fotografia e a direção de arte também merecem menção, principalmente nas cenas do porão, com uma iluminação que enche os olhos. O roteiro não é o grande atrativo, mas a direção e a técnica compensam e valem uma conferida. Recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.


segunda-feira, 15 de julho de 2019

NOITES DE TERROR (1981). Dir.: Andrea Bianchi.


NOTA: 8.5




NOITES DE TERROR (1981)
NOITES DE TERROR (1981), do diretor Andrea Bianchi, é uma baboseira trash. Mas, é uma baboseira trash muito divertida! É sem dúvida, um dos melhores filmes italianos de zumbis já feitos, e fica melhor a cada revisão.

E o mais legal, é o que filme não tem vergonha nenhuma de se assumir trash, seja pela caracterização dos zumbis, pelas atuações canastronas dos atores, pela direção ou pelo roteiro; o fato é que é um filme trash e ponto. Além de ser um filme trash, é também um dos mais absurdos, principalmente por conta de algumas cenas.

Uma pena que não se fazem mais filmes assim hoje em dia, com essa carga de trasheira, que fazem a gente rir. E não só isso; o filme também tem um clima de interior, com uma belíssima ambientação no casarão em fim de tarde, o que deixa-o ainda mais atraente, pelo menos para mim.

O diretor Bianchi sabe filmar cenas externas, com seus enquadramentos, ele pega muito bem os cenários, de uma forma até convidativa. É sério, desde a primeira vez que vi o filme, fiquei com vontade de conhecer aquele cenário, porque é muito bonito. De verdade.

Mas não é apenas o cenário que é atraente. Os efeitos de maquiagem dos zumbis são excelentes. Os zumbis são putrefatos, com vermes saindo das órbitas, os crânios cheios de terra, roupas maltrapilhas e andar lento. Aquele tipo de caracterização que não dá pra levar a sério, mas que é bem legal, daquele jeito exagerado que os italianos gostavam de fazer.

Os atores também não ficam atrás. São todos um bando de canastrões, fazendo caras e bocas e gestos exagerados na presença dos mortos-vivos. Impossível dizer qual é o “pior”, uma vez que todos exageram nas atuações. O pior é que nenhum dos personagens desperta nosso interesse; eles são simpáticos, cada um a sua maneira, mas não são interessantes, aqueles por quem a gente torce no final do filme. Eles não são assim! Desde que os zumbis surgem, a gente torce por eles, para que eles acabem com os vivos! É sério! O casal de “mocinhos” não convence, são dois completos idiotas; o mesmo vale para os outros.

Mas, tirando esse “detalhe”, é possível se divertir com Noites de Terror, seja pelos fatores já mencionados acima, seja pelo roteiro. Parece que nada faz sentido nesse filme! Para o expectador mais exigente, talvez seja assim mesmo, mas pra mim, não é bem assim. Eu sou do tipo que gosta de preencher os “furos” de um roteiro, até porque, nem sempre as pessoas dizem quais são. Talvez o principal aqui esteja no começo do filme, quando o professor – sempre barbudo, não é? – descobre um desenho num pedaço de pedra em uma caverna próxima, e, quando retorna, disposto a descobrir o restante, os zumbis são despertados. Para o expectador mais exigente, talvez não faça o menor sentido, mas para mim, é assim: o desenho que o professor removeu da parede da caverna mantinha os mortos aprisionados, e, uma vez que foi removido, eles foram libertados. E a tal da “Profecia da Aranha Negra”, descrita no filme, pode estar presente naquelas inscrições na caverna. Enfim, a minha interpretação é essa.

Como mencionado acima, os efeitos especiais são um destaque. Criados por Gino De Rossi – não o Maestro Giannetto de Rossi! – em parceria com Rosario Prestopino, eles são mesmo sensacionais, como já mencionado também. Não dá pra dizer qual zumbi é o melhor, mas, o meu favorito é o que surge por debaixo da terra, quando o casal protagonista está namorando na grama. De verdade, é um dos melhores. Destaco também o primeiro zumbi que aparece, logo no começo do filme, e mata o professor. O mesmo já não pode ser dito no final do filme, quando surge um zumbi com uma mascara de caveira. Por mais que tenham tentado torna-lo convincente, pra mim não funcionou.

Mas não são apenas os zumbis que fazem “a festa”. O filme é repleto de cenas gore, desde o começo. Sério. Eu falo de corpos sendo abertos, com os órgãos expostos, sendo comidos pelos zumbis, e sangue, muito sangue! Não sei como esse filme não foi parar na famigerada lista dos “Videos Nasties”, criada na Inglaterra nos anos 80. É sério, só pela primeira cena verdadeiramente gore, o filme poderia entrar nela sem esforço. Por mais nojentas que elas sejam, são bem divertidas, porque a própria burrice dos personagens contribui para que eles morram. A melhor cena é a cena da foice, onde uma das personagens é decapitada por uma foice gigante. Mais essa! Aqui, os zumbis utilizam armas para entrar na casa: foices, machados, enxadas, toras. Muito legal.

O filme chegou a ser lançado em VHS no Brasil, duas vezes, por duas distribuidoras. Na minha opinião, a mais picareta foi a Poderosa, que lançou com o título A Noite dos Mortos-Vivos, igual ao Clássico do saudoso George A. Romero! A outra, lançou com o título A Noite do Terror, com um zumbi com uma metralhadora na capa! Picaretagem da boa!

Mesmo assim, permaneceu raro durante muitos anos, até ser lançado em DVD pela Versátil Home Vídeo, em versão restaurada sem cortes, com áudio original em italiano, na excelente coleção Zumbis no Cinema 2.

Enfim, Noites de Terror é um filme muito legal. Um dos melhores filmes italianos de zumbis. Uma pérola trash muito divertida.

Recomendado.




Créditos: Versátil Home Vídeo






AVISO.

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