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sábado, 26 de outubro de 2024

O HOMEM INVISÍVEL (1933). Dir.: James Whale.

 

NOTA: 9


O Ciclo dos Monstros Clássicos da Universal foi um dos mais importantes de todos os tempos, não apenas para o cinema de horror, mas para o próprio estúdio também, pois, foi graças aos clássicos Drácula (1931) e Frankenstein (1931), que os lucros aumentaram durante a famigerada época da Grande Depressão.

 

O HOMEM INVISÍVEL, lançado em 1933, e dirigido por James Whale, é mais um exemplar desse maravilhoso ciclo, e um dos melhores, também.

 

Aliás, eu me arrisco a dizer que o Ciclo Clássico não tem filmes ruins.

 

Além de ser um dos melhores, este aqui também é a segunda adaptação de uma obra de H.G. Wells para o cinema; a primeira havia sido A Ilha das Almas Selvagens, lançada um ano antes pela Paramount, baseada no livro A Ilha do Dr. Moreau.

 

Mas, segundo os historiadores de cinema, Wells não ficou satisfeito com o resultado da adaptação, e, quando a Universal resolveu adaptar O Homem Invisível, ele pediu que o estúdio tivesse mais cuidado e respeito com o material original.

 

Mas, falarei sobre os detalhes da produção mais para frente.

 

O Homem Invisível é um filme excelente, realizado com excelentes técnicas de direção, e efeitos especiais que até hoje impressionam.

 

Não apenas isso, este é também um dos filmes mais divertidos do Ciclo, graças à direção de James Whale, que imprime seu característico humor camp, que esteve presente no seu filme anterior, o ótimo A Casa Sinistra (1932).

 

Whale entrou no projeto graças à sua influência no estúdio, que se tornou evidente após o sucesso da adaptação da peça Journey’s End, que foi adaptada pelo estúdio no começo dos anos 30, e que possibilitou de Whale dirigisse Frankenstein, lançado em 1931, que impulsionou a carreira de Boris Karloff, e deu início a uma das franquias mais rentáveis da Universal, os filmes de terror.

 

No entanto, a produção de O Homem Invisível não foi fácil, porque o filme passou pelo processo que hoje é conhecido como “Inferno de desenvolvimento”, visto que o roteiro passou por várias pessoas diferentes, que se diferenciavam bastante do romance de Wells. Esse processo demorado continuou até Wells chamar R.C. Sheriff, que havia escrito Journey’s End, para escrever o roteiro, desta vez, parcialmente inspirado no romance de Wells e no romance The Murderer Invisible, cujos direitos foram adquiridos pelo estúdio.

 

Como eu ainda não li o livro de Wells, não sei se o filme ficou próximo do mesmo, mas, eu digo que é um roteiro muito bem escrito, com pequenas peças que vão se encaixando aos poucos, e que mistura elementos de terror e ficção cientifica com um toque especial, além de conter alguns elementos de humor negro, que se tornariam característicos de Whale durante sua curta carreira.

 

Além do roteiro inteligente, o filme conta com um ótimo elenco, liderado pelo ator Claude Rains, que atua de maneira brilhante, principalmente com sua voz impactante. Em momento nenhum, o elenco escolhido por Whale faz feio em suas performances, e cada um atua de acordo com as instruções que devem ter sido passadas pelo diretor, com menção para o colorido elenco de apoio, que conta com atores cômicos.

 

No entanto, eu acredito que o que mais chama atenção em O Homem Invisível são seus efeitos especiais, que, como eu disse, ainda surpreendem e não ofendem o espectador. Os efeitos foram criados por John Fulton, e contavam com o que mais havia de moderno na época. Para as cenas em que o ator não estava presente, foram utilizados cabos especiais, invisíveis na lente da câmera; no entanto, quando Rains estava presente com algumas peças de roupa, o ator foi coberto por um tecido preto, e fotografado contra um fundo da mesma cor, e as cenas foram combinadas na pós-produção. De acordo com os historiadores de cinema, Fulton teve mais dificuldade na cena em que o Homem Invisível está sentado diante de um espelho, tirando suas faixas de gaze. Foi uma sequência difícil porque quatro peças diferentes de filme foram fotografadas e depois combinadas.

 

Como eu disse acima, os efeitos são impressionantes até hoje, e devem ter servido de inspiração para vários técnicos e cineastas futuros, além de ter arrancados suspiros das plateias, que ainda estavam impressionadas pelos efeitos especiais de King Kong, que foi lançado no mesmo ano.

 

No entanto, apesar de gostar muito do filme, eu devo dizer que não sou muito fã desse humor camp do diretor Whale; eu considero muito exagerado em certos pontos, e isso se deve principalmente a alguns dos atores que ele escala para seus filmes; isso ficou evidente para mim em A Casa Sinistra, e me incomodou um pouco. Aqui, também temos um pouco disso, e é um pouco demais.

 

Mas isso não impede O Homem Invisível de ser um grande filme, que merece visto por fãs de cinema.

 

Enfim, O Homem Invisível é um filme excelente. Um filme de terror e ficção cientifica contado com uma maestria inspirada, auxiliada por um elenco inteligente, e por efeitos especiais que impressionam até hoje. Um roteiro muito bem escrito, que combina terror, ficção cientifica e humor negro muito bem, e deixa os elementos quase imperceptíveis. Um dos melhores filmes do Ciclo dos Monstros Clássicos da Universal Studios.



 

terça-feira, 14 de novembro de 2023

FRANKENSTEIN (Mary Shelley).

 

NOTA: 9



Desde sua publicação, no século XIX, Frankenstein, de Mary Shelley, tornou-se um clássico da literatura e um dos maiores expoentes da literatura de horror e ficção cientifica. E como todo sucesso literário, ganhou diversas adaptações para diversas mídias, principalmente para o cinema.

 

Mas hoje não vou falar sobre as adaptações, e sim, sobre o livro que deu origem a todas elas: FRANKENSTEIN, também conhecido pelo subtítulo O Prometeu Moderno.

 

De inicio, vou logo avisando. Se você espera encontrar algo semelhante ao que a Universal fez em 1931, com o Clássico de James Whale, esqueça, porque aqui temos algo completamente diferente, no que se refere à criação do Monstro, mas vamos por partes.

 

Primeiro, devo dizer que este é um livro escrito em primeira pessoa, nesse caso, pelo próprio Victor Frankenstein, que decide contar sua história a um homem que conheceu em um navio.

 

Primeiramente, Frankenstein nos conta como foi sua vida em Genebra, desde seu nascimento até a entrada para a Universidade. Tanto a autora como o personagem contam tudo nos mínimos detalhes, não deixando escapar os pontos principais, entre eles, como Victor conheceu sua prima Elizabeth e seu amigo Henry.

 

Em seguida, somos apresentados à vida universitária do protagonista, quando ingressou na Universidade de Ingolstadt, uma das mais prestigiadas da Alemanha, onde conhece dois professores, e fica amigo de um deles, do Professor Waldman. E justamente nessa parte, temos o relato do narrador a respeito de suas pesquisas a respeito da vida e da morte, e o momento em que resolve dar vida à sua maior criação.

 

Esse trecho em particular é narrado em um único parágrafo, onde a autora nos conta como o personagem deu vida à sua criação, mesmo que seja de maneira realmente vaga. Como eu disse no início, não espere encontrar um laboratório com aparelhos movidos a raios e tempestades, porque o que a autora faz é um mistério, mesmo. Ela descreve como a criatura ganha vida, todo o processo até os primeiros movimentos da mesma, mas não diz em momento nenhum como ele fez isso.

 

Nos próximos capítulos, a autora nos conta como Frankenstein sobreviveu à criação de seu monstro, logo após abandoná-lo. Ela descreve as dificuldades e os problemas de saúde do protagonista, visto que ele passou anos envolvido em seu projeto. No entanto, as coisas melhoram – até certo ponto – quando Henry o visita com cartas de seus familiares, obrigando-o a voltar para casa. No entanto, as coisas não são nada animadoras, porque Frankenstein recebe uma noticia devastadora, que culmina em um julgamento e condenação de uma mulher inocente.

 

Mais adiante, Frankenstein chega a encontrar o Monstro, mas as consequências são devastadoras. Não entrarei em mais detalhes para não dar spoilers.

 

Deixe-me falar a respeito do livro.

 

A escrita da autora é muito boa, apelando para o texto em primeira pessoa, narrada pelo protagonista ao marinheiro Walton. Apesar de ter adotado essa técnica de escrita, eu às vezes gostaria que o livro fosse escrito em terceira pessoa, principalmente por causa de acontecimentos importantes da trama.

 

Muitas pessoas consideram Frankenstein um livro de horror, e não deixa de ser, mas eu também vejo como uma historia dramática, visto que os acontecimentos navegam mais para o drama do que para o terror, como foi mostrado nas adaptações. A história é dramática porque somos apresentados a fatos verdadeiramente dramáticos, principalmente quando envolvem o protagonista e também quando são narrados pela Criatura.

 

E como é narrado em primeira pessoa, o livro é focado totalmente no personagem principal; na verdade, o livro é focado em dois personagens, basicamente: o protagonista, e a Criatura, visto que eles são os principais narradores, e contam eventos importantes.

 

Acima de tudo, o livro é sobre arrependimento e angustia, simplesmente porque Frankenstein se arrepende amargamente de ter criado seu monstro, desde que o vê abrindo os olhos pela primeira vez; a partir daí a autora nos conta como o protagonista se sente em relação ao seu experimento, relatando principalmente o medo que ele tem dos atos da Criatura. Eu gostei dessa relação de angustia do personagem, mas ao mesmo tempo, achei alguns diálogos dramáticos demais, mas isso não me fez parar a leitura.

 

Provavelmente, uma questão de faz desse livro um produto de seu tempo, sejam os diálogos, que são muito grandes e até filosóficos. Existem trechos de diálogos que tomam até uma pagina inteira – ou meia pagina, dependendo da edição – e, às vezes atrapalham um pouco a leitura, mas deve ser uma técnica de escrita comum para livros dessa época, principalmente se são narrados em primeira pessoa.

 

Mas como eu disse, nada disso me atrapalhou a leitura, e aconselho você que ainda não leu, que dê uma chance à historia.

 

Deixe-me falar também sobre a criação do Monstro. Ao contrario do que foi mostrado no cinema, aqui temos um certo mistério em volta da criação, porque a autora nunca deixa claro para nós como aconteceu; a única pista são os olhos da Criatura se abrindo e é isso. A descrição também é muito diferente; aqui, o Monstro é apresentado como um ser humano com pedaços de pele faltando em diversas partes do corpo, com a pele amarelada.

 

E também temos aqui um Monstro falante, que exige a criação de uma companheira. Então, mais uma vez, ao contrario do que foi mostrado no cinema – com exceções – o Monstro é muito inteligente e articulado com o protagonista, mas não deixa de ser um assassino.

 

Enfim, Frankenstein é um livro excelente. Uma história dramática com toques de horror e ficção cientifica, contada de forma inteligente, que não atrapalha a leitura, e às vezes, a deixa mais fluída. Os dois personagens principais são o grande destaque da trama, cada um com suas características e drama peculiares. Um verdadeiro clássico da Literatura de horror e um dos maiores livros de todos os tempos.


MARY SHELLEY.

 

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

A SOMBRA VINDA DO TEMPO (H.P. Lovecraft).

 

NOTA: 8.5


O escritor H.P. Lovecraft é um dos maiores autores de horror e ficção cientifica de todos os tempos, graças às suas histórias focadas no chamado horror cósmico, e nos Mitos de Cthulhu, que se tornaram um marco em sua bibliografia.

 

A SOMBRA VINDA DO TEMPO, novela escrita pelo autor e publicada em 1936, parece fazer parte dos Mitos de Cthulhu, mas não tenho certeza porque, de acordo com cada fonte, as historias presentes nesse universo são diferentes.

 

Mesmo não tendo certeza se faz parte dos Mitos, A Sombra faz parte da fase do Terror Cósmico, que se tornou muito famoso na bibliografia do autor. Mas o que é o Terror Cósmico?

 

Bem, eu pessoalmente acho um pouco difícil de definir, visto que existem diversas definições e exemplos visuais, mas ao que parece, o conceito surgiu nas obras de Lovecraft.

 

A história é sobre um professor da Universidade Miskatonic, também presente nas obras do autor, que sofreu um período de anos de amnesia, enquanto sua mente era possuída por criaturas de outra dimensão, conhecidos aqui como a Grande Raça. Parece um resumo bem simples, não? Bem, na verdade é um pouco mais complexo que isso, porque a trama também aborda questões de viagem no tempo e no espaço.

 

Eu pessoalmente gostei bastante dessa historia, pois tenho curiosidade de saber sobre o que se trata o Terror Cósmico de Lovecraft, e com essa leitura, tive uma amostra.

 

O texto do autor – descrito em primeira pessoa, como de costume – é muito bem escrito, e Lovecraft faz uso de descrições detalhadas para dar vida às suas criaturas e ambientes, principalmente os membros da Grande Raça, aqui descritos como uma espécie de vida capaz de viajar no tempo e espaço através da possessão de corpos.

 

Mas não estamos falando de possessão no sentido normal da palavra, visto que as criaturas se apossam do corpo e da mente do protagonista, e o fazem sofrer de amnesia e ter visões horríveis, durante muito tempo, o que culmina no fim do seu casamento e da relação com dois de seus três filhos.

 

Mas vamos falar das criaturas e do lugar de onde elas vêm. Novamente, tudo está na descrição de Lovecraft, principalmente das criaturas, que foge completamente do padrão. O autor os descreve como seres alienígenas em forma de cone, com tentáculos e tenazes e três olhos. Eu já havia ouvido falar que as criaturas de Lovecraft são incapazes de serem reproduzidas visualmente, mas aqui confesso que precisei de um pouco de ajuda, pois não tinha certeza de qual seria sua aparência. E pelo que vi, as criaturas são de fato assustadoras.

 

A respeito do lugar de onde vêm, Lovecraft o descreve como um deserto composto por altas torres escuras, além de bibliotecas, remetendo, talvez, à sua fase conhecida como Ciclo dos Sonhos, onde suas tramas eram ambientadas nos desertos da Arábia. Mesmo não tendo lido nenhuma historia dessa fase, foi essa a impressão que eu tive.

 

O personagem principal também é muito bem escrito. Lovecraft o descreve como um professor da renomada Universidade Miskatonic, especializado em Política Econômica. Segundo informações da internet, existem laços autobiográficos no personagem, principalmente no que diz respeito à sua amnesia, que se assemelha ao colapso nervoso que o autor sofreu em sua juventude. Se é verdade ou não, não sei.

 

O fato é que é possível simpatizar com esse personagem, e conforme a leitura avança, vemos que ele é genuinamente preocupado com o que lhe aconteceu, além de ser determinado em encontrar a origem das criaturas que o assombram, algo que acontece durante uma expedição ao deserto da Austrália. Quando li que ele estava retornando de uma expedição, eu rapidamente fiz uma associação com Nas Montanhas da Loucura, a grande obra-prima do autor.

 

Aliás, falando em Nas Montanhas da Loucura, devo destacar que, mais uma vez, Lovecraft cria uma espécie de multiverso, onde todas suas historias estão conectadas. Isso porque temos menção às criaturas de Nas Montanhas; à terrível cidade de Arkham; e ao terrível Necronomicon. Lovecraft já fez isso em outras de suas obras, e é sempre um prazer ler sobre essas ligações e esse multiverso.

 

E no final, Lovecraft entrega algo que parece ter sido de um filme de Indiana Jones, onde o nosso protagonista se aventura pelas ruinas de uma das torres das cidades da Grande Raça, e encontra um livro que pode conter a resposta para tudo. Contudo, as coisas não saem como planejado, e a conclusão da novela é de cair o queixo.

 

Então temos aqui mais um exemplo da maestria de Lovecraft em contar histórias, visto que o autor faz tudo com seu estilo clássico de descrever demais, tanto as coisas quanto as sensações, e confesso que é um pouco cansativo de ser ler, mas, acredito que se você fizer um esforço, pode acabar gostando, como foi o meu caso.

 

Enfim, A Sombra Vinda do Tempo é uma história muito boa. Uma trama de ficção cientifica, misturada com horror cósmico, contada com a maestria singular de H.P. Lovecraft, do jeito que somente o autor sabia fazer. Em suas paginas, o autor leva tanto o protagonista quanto o leitor, a um mundo cósmico, habitado por criaturas de outra dimensão e com isso, ficamos imersos na leitura, tentando descobrir se o que aconteceu foi real ou não. Uma ótima novela, e um dos melhores textos de Lovecraft. Altamente recomendado. 


H.P. LOVECRAFT


terça-feira, 11 de abril de 2023

A INVASÃO DOS DISCOS VOADORES (1956). Dir.: Fred F. Sears.

 

NOTA: 10


Durante os anos 50, Hollywood produziu uma variedade de filmes voltados para a invasão extraterrestre, como uma forma de retratar o que estava acontecendo no mundo naquela época.

 

A INVASÃO DOS DISCOS VOADORES é um desses filmes lançados nessa leva, e um dos melhores; e motivos para isso não faltam.

 

Conforme mencionei em resenhas anteriores, este é um exemplo daqueles filmes da década de 50 que sabiam divertir o publico com suas tramas que focavam na paranoia da invasão alienígena.

 

E claro, devo mencionar que o fator que torna o filme atrativo são os efeitos especiais, criados pelo mestre Ray Harryhausen – mais detalhes sobre isso adiante.

 

Bom, mas vamos falar sobre o filme primeiramente. Dirigido por Fred F. Sears, aqui temos um típico filme de ficção cientifica da época, com a presença dos cientistas, e principalmente dos militares, que querem impedir a ameaça.

 

É o tipo de coisa que ficou comum na época, principalmente por causa do medo da ameaça nuclear e da invasão comunista, então, os militares eram presença garantida em filmes do gênero.

 

E os personagens são muito criveis. Assim como mencionei em resenhas de filmes da mesma época, o elenco é um fator que contribui para deixar o filme mais realista; mais uma vez, vemos aqui que os atores interpretam muito bem seus papéis e passam a credibilidade. Em nenhum momento, eu achei que eles estavam atuando de maneira forçada ou exagerada; pelo contrário.

 

A direção de Fred F. Sears também é competente. O diretor cria cenas muito boas, principalmente nas sequencias da invasão em Washington, com planos abertos dando destaque para as naves e a destruição que elas provocam.

 

O roteiro também é bem construído, e desde o começo, deixa claro a respeito do que se trata, mostrando os discos voadores praticamente logo na primeira cena e em seguida, desenvolvendo a história em cima da ameaça da invasão dos extraterrestres, e em seguida, apresentando os protagonistas e a sua relação com os invasores, porque o Dr. Marvin é um cientista que desenvolve foguetes, e os extraterrestres derrubam os foguetes que ele e sua equipe lançam; e também estabelece que Marvin consegue se comunicar com os alienígenas, graças ao seu gravador.

 

Mas não tem como falar do filme sem mencionar os efeitos especiais, criados pelo mestre do Stop-Motion, Ray Harryhausen. Os discos voadores têm um design maravilhoso, que realmente lembra um disco, com sua arma de raios. Para cada cena, Harryhausen tinha modelos de tamanhos diferentes e a animação é espetacular e convincente. E os alienígenas também têm um visual legal, com uma armadura que dispara raios que desintegram o alvo.

 

E a melhor cena que eles protagonizam é a invasão em Washington. As naves sobrevoam a capital dos EUA de maneira extraordinária, passando pelos prédios históricos e monumentos, causando pânico na população.

 

E claro, também não posso deixar de falar sobre o filme sem mencionar a influencia que o longa teve no diretor Tim Burton, admirador confesso de Harryhausen. Para mim, é impossível não desassociar o longa de Burton com este aqui, principalmente porque temos cenas praticamente idênticas, como um dos monumentos de Washington sendo destruído, ou quando uma das naves cai na água; e o modo de derrotar os invasores é basicamente o mesmo, com o uso de som, além do design dos OVNIs.

 

A Invasão dos Discos Voadores foi dirigido por Fred F. Sears, um dos nomes mais associados ao cinema de ficção cientifica na década de 50. Infelizmente, em 1957, o cineasta cometeu suicídio após reações negativas ao seu ultimo filme, The Giant Claw.

 

Foi lançado em DVD no Brasil em edição dupla, com a versão colorida e com a versão em preto e branco, com um segundo disco recheado de extras. Atualmente, tal edição está fora de catalogo.

 

Enfim, A Invasão dos Discos Voadores é um filme excelente. Uma obra clássica de ficção cientifica da época, com todos os aspectos presentes. Os efeitos especiais do mestre Ray Harryhausen são o grande destaque, com seus discos voadores com design único, que protagonizam cenas memoráveis. Um filme maravilhoso. 



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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

A ZONA MORTA (Stephen King).

 

NOTA: 10



Que Stephen King é um mestre na arte de contar histórias, todos sabemos disso, e, sinceramente, até agora, não li nenhum livro ou conto de sua autoria que me decepcionou.

 

E mais uma vez, eu tive um exemplo da genialidade do autor. A ZONA MORTA, lançado no final dos anos 70, é um de seus maiores clássicos.

 

Primeiramente, eu acho difícil encaixar o livro em uma única categoria, porque o autor mistura três gêneros diferentes: suspense, ficção cientifica e romance. Mas devo dizer que os três gêneros se juntam com maestria, e cada um desempenha o seu papel.

 

Eu confesso que ouvi falar dessa história pela primeira vez quando assisti à adaptação dirigida por David Cronenberg em 1983, e de cara, eu já me apaixonei, porque naquela época, eu já conhecia o autor, mesmo que pelos filmes, e então, deveria saber que algo grande estava por vir, mas, mais detalhes sobre isso na resenha do filme.

 

As inúmeras vezes que assisti ao filme foram o suficiente para querer ler o livro, e então, decidi ir atrás do mesmo. No entanto, não foi assim de imediato. A primeira vez que eu vi o livro, foi a finada biblioteca daqui da minha cidade, numa edição que era da minha mãe. Anos depois, durante uma viagem à SP, fui a um sebo com meu pai e meu irmão, e comprei o livro, em outra edição. E quando a Suma relançou, eu comprei também e foi essa a edição que eu li.

 

E que livro. A Zona Morta é um livro fantástico. Mais uma vez, King se mostrou um mestre na arte de contar histórias, e ele conseguiu contar uma história redonda, com personagens cativantes e um enredo cheio de surpresas.

Como é de seu costume, King dividiu o livro em três partes, e cada uma tem o seu mérito.

 

A primeira parte mostra a vida de Johnny antes e durante o acidente que o deixou em coma, principalmente enquanto o mundo está mudando ao seu redor. King descreve os acontecimentos com maestria, relatando tudo com detalhes impressionantes; tanto que parece que estamos lá, acompanhando tudo de perto. Vemos principalmente as mudanças nas vidas dos demais personagens, como sua ex-namorada Sarah; seus pais; e Greg Stillson. Sarah se casou com um estudante de Direito e se tornou mãe; sua mãe, Vera, afunda-se cada vez mais na loucura provocada pelo fanatismo; e Greg Stillson dá os primeiros passos em direção à carreira política.

 

O autor mostra o desenrolar desses personagens da mesma forma que mostra os acontecimentos no mundo, intercalando tudo. Dessas histórias paralelas, uma das melhores é a da mãe de Johnny. King mostra que a personagem foi se tornando vítima do fanatismo pouco a pouco, pois acredita que o filho pode acordar do coma, ao contrário de seu pai, que se mostra bem realista quanto ao futuro do filho. Eu achei que bem sensato do autor mostrar que seu pai não acredita que o filho possa voltar, e com isso, ele passa a viver a sua vida; Vera é o oposto. Ela passa a frequentar grupos de orações e a gastar dinheiro com isso, algo que acaba destruindo parcialmente a relação com o marido. Gregg Stillson, por outro lado, também começa a colocar as mangas de fora, mostrando-se um homem verdadeiramente perigoso, disposto a tudo para alcançar seu objetivo, algo mostrado já no prólogo, numa cena horrorosa.

 

Quando Johnny desperta, ele se torna uma espécie de celebridade, por causa de seus poderes, algo que ele renega, porque não acredita que os poderes podem lhe trazer benefícios. Os principais acontecimentos mostrados no filme de Cronenberg aparecem aqui: Johnny tendo a visão da casa da enfermeira pegando fogo; e a perseguição ao assassino. Essa é, na minha opinião, a melhor parte da história, porque dá um toque de suspense e tensão que prendem o leitor e o deixam arrepiado. Toda a investigação é muito bem escrita, além dos momentos anteriores, que mostram o assassino agindo em Castle Rock. Enquanto eu lia toda essa sequência da investigação, eu pude visualizar o que está no filme de Cronenberg, e isso foi muito legal, porque eu já conhecia aquela história, mas do ponto de vista do filme; agora, só precisaria conhece-la do ponto de vista do próprio autor, o mesmo vale para a revelação e a derrota do assassino. E da mesma foram que Cronenberg, King entrega uma cena sangrenta.

 

Na segunda parte do livro, King descreve a rotina de Johnny como professor, algo que ele faz após se recuperar do acidente; tal rotina é relatada com base na relação dele com um garoto rico que tem dificuldades em aprender, mais ou menos como acontece no filme de Cronenberg, mas aqui a coisa é mais extensa. A relação entre os dois é muito boa de acompanhar, e quando o rapaz consegue se destacar em suas atividades, é difícil não se ficar contente. Além da relação entre os dois, o autor também separa um tempo para dedicar a obsessão de Johnny por Stillson, principalmente após conhece-lo em um comício, e ter uma visão, assim como acontece na adaptação de Cronenberg. King separa um capitulo extenso para contar a história de vida do antagonista, destacando sua personalidade perigosa, algo já presente logo em sua primeira aparição no prólogo, naquela cena horrível.

 

Sobre as novas previsões de Johnny, ambas acontecem em momentos chaves. A primeira, com Stillson, acontece durante o comício do político, e assim como no filme, Johnny prevê o fim do mundo. E a segunda, envolvendo o garoto, acontece em sua festa de formatura, e o professor prevê um inferno literal, o que provoca pânico nos presentes, e rende uma auto-homenagem metalinguística bem legal, que me pegou de surpresa.

 

E o capítulo sobre a vida de Stillson também merece nota, porque é tudo escrito com riqueza de detalhes impressionante, que não fica muito maçante.

 

Além de contar como o mundo mudou ao redor de Johnny, King também faz uso de figuras reais, como jornalistas e políticos, relatando, inclusive, o encontro do protagonista com um candidato real que acabou vencendo as eleições da época.

 

Ainda sobre a previsão de Johnny a respeito do garoto. Durante a leitura, eu pude notar semelhanças – terríveis semelhanças – com o famoso incidente da boate que ardeu em chamas em 2013, que ganhou a atenção não apenas do Brasil, mas do mundo inteiro. Não sei se quem já leu o livro teve a mesma impressão, mas vou deixa-la aqui, fique à vontade para concordar ou não.

 

E conforme mencionei, Johnny também dedica seu tempo a descobrir informações a respeito de Greg Stillson, algo que ele faz de maneira obsessiva. E no final, quando Johnny decide fazer alguma coisa a respeito – quem já leu o livro ou viu o filme sabe do que estou falando – King nos presenteia com momentos de tensão extrema, que nos provocam arrepios, pelo menos para mim foi assim.


E na última parte do livro, King relata o que aconteceu com os personagens após o comício de Stillson em Phoenix, por meio de relatos, inquéritos e cartas.

 

Antes de encerrar, um pouco mais sobre o antagonista. King praticamente transforma Stillson em um super-homem, que anda por aí acompanhado de capangas armados até os dentes, a maioria, membros de gangues de motociclistas, talvez inspirado naquela notícia que os Rolling Stones – ou outra banda de rock – iam contratar os Hell’s Angels para serem seus seguranças. Existe também o rumor que King de certa previu a candidatura de Donald Trump para presidência dos EUA, o que de fato ocorreu, visto que os feitos de Stillson se assemelham ao que Trump propagou durante seu mandato. Se isso é verdade ou não, talvez nem o próprio autor saiba. Já eu consegui ver paralelos assustadores com a atual situação política do Brasil – não vou entrar em detalhes, porque isso aqui não é sobre esse assunto.

 

E claro, durante a leitura, eu não tive a menor dificuldade de visualizar Johnny e os outros personagens interpretados pelos atores do filme de Cronenberg, Johnny principalmente, mais durante o início do filme, antes do acidente.

 

Este é um dos primeiros livros do Mestre ambientados na cidadezinha de Castle Rock, cenário recorrente em suas histórias e romances.

 

Em 1983, conforme mencionado, recebeu uma excelente adaptação para o cinema dirigida por David Cronenberg, e estrelada por Christopher Walken, Herbert Lom, Brooke Adams, Tom Skerrit e Martin Sheen.

 

Enfim, A Zona Morta é um excelente livro de Stephen King. Mais uma vez, o autor se mostrou um excelente contador de histórias, com sua habilidade ímpar. O autor conseguiu criar cenas verdadeiramente tensas e trágicas, misturando os temas com maestria, além de contar a história do Estado Unidos com detalhes dignos de nota. Um verdadeiro clássico de sua bibliografia.


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terça-feira, 6 de abril de 2021

DO ALÉM (H.P. Lovecraft).


NOTA: 10



Como já mencionei anteriormente, existem alguns autores que são capazes de contar as historias mais simples em poucas páginas, e H.P. Lovecraft foi um desses autores.

 

Suas narrativas são, em sua maioria, curtas, mas conseguem prender o leitor desde a primeira linha, graças a sua capacidade de escrita, sempre fazendo uso de descrições minuciosas e adjetivos. E DO ALÉM é mais um desses exemplos.

 

Lovecraft conseguiu novamente criar uma historia fascinante e arrepiante em poucas páginas, cuja leitura é rápida mas prazerosa. Escrita antes de seus clássicos como O Chamado de Chutlhu e Nas Montanhas da Loucura, Do Além é uma de suas melhores historias.

 

Diferentemente do que faria no futuro, aqui Lovecraft combina dois gêneros que se relacionam muito bem: o terror e a ficção cientifica. Por que ficção cientifica? Porque estamos falando de uma historia que possui elementos do gênero, como a máquina criada por Crawford Thillinghast, que permite a ele entrar em contato com criaturas de outra dimensão. Não sei para vocês, mas para mim, há um toque de ficção cientifica nessa historia, sim.

 

No entanto, o que mais predomina aqui é o terror. Lovecraft faz questão de descrever situações que beiram ao mais puro terror, como a loucura de Thillinghast após utilizar a máquina, além do mistério por trás do desaparecimento de seus criados, e claro, as próprias criaturas. Tudo escrito com uma habilidade extraordinária.

 

Como mencionado, o texto de Lovecraft é rápido, mas isso não impede de ser uma leitura prazerosa. Pelo contrário, é possível, sim, ler a história e se envolver em sua narrativa, mais de uma vez, inclusive. Uma leitura que vale muito a pena. O texto original em inglês é tão fascinante quanto em português.

 

Em 1986, recebeu uma excelente adaptação para o cinema dirigida por Stuart Gordon e estrelada por Jeffrey Combs, Barbara Crampton e Ken Foree.

 

Enfim, Do Além é fascinante. Uma história arrepiante de horror com toques de ficção cientifica que causa calafrios no leitor. Uma das melhores historias de H.P. Lovecraft. Altamente recomendado.


H.P. LOVECRAFT

 

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Essa resenha corresponde à tradução em português disponível tanto na primeira quanto na segunda edição do livro GRANDES CONTOS DE H.P. LOVECRAFT, lançados pela editora Martin Claret. Ambas as edições possuem o mesmo conteúdo. Também corresponde ao texto original em inglês, disponível no livro H.P. LOVECRAFT – THE COMPLETE FICTION, lançado pela editora Barnes & Nobles.



sexta-feira, 1 de maio de 2020

A GUERRA DOS MUNDOS (1953). Dir.: Byron Haskin.


NOTA: 9.5



A GUERRA DOS MUNDOS (1953)
A GUERRA DOS MUNDOS é um dos maiores clássicos do cinema, e a segunda melhor adaptação de H.G. Wells. 

Lançado em 1953, até hoje, é reconhecido como um dos melhores exemplares do gênero de ficção científica, tendo influenciado diversos filmes posteriores. E mesmo hoje em dia, mais de sessenta anos após seu lançamento, ainda é um filme espetacular, principalmente por causa dos efeitos especiais – mais detalhes adiante.

Para mim, o faz deste um filme tão especial, é a nostalgia; não nostalgia por ter vivido naquela época (porque eu não vivi naquela época), mas sim por ver como o cinema era antigamente, sem efeitos digitais mirabolantes. Mesmo hoje em dia, é um filme que, do meu ponto de vista, não envelheceu mal e continua muito bem feito. Mas não é só isso. É interessante assistir aos filmes do passado e prestar atenção nos métodos de realização dos mesmos. Comparando com hoje, tudo parece muito mais simples e sem preocupação, chegando até ser divertido, principalmente nos filmes de gênero. Mas acima de tudo, eles passavam credibilidade. Conforme mencionei na resenha de O Monstro do Mar Revolto, era possível acreditar que aqueles personagens eram reais, e aqui acontece a mesma coisa, principalmente com cientistas e militares. E boa parte disso se deve ao roteiro: não existem muitos diálogos expositivos, ou explicações e teorias que se repetem ao longo da narrativa, pelo contrário; os diálogos são de fácil compreensão e não se repetem, o que os torna mais criveis. Você acredita que são cientistas de verdade e militares de verdade, justamente porque não precisam de um roteiro explicativo; é bem realista. É o tipo de coisa que faz falta no cinema atual.

Apesar do livro de Wells se passar na Inglaterra Vitoriana – época em que o autor viveu – o roteiro é ambientado na Califórnia dos anos 50, possivelmente por questões orçamentais; mas isso não é um problema. O filme faz parte de uma espécie de “realidade alternativa”, onde o material-base para a adaptação não existe, o que é bem interessante e bizarro, até. Além disso, o cinema de ficção cientifica da época sempre contou com filmes contemporâneos, então, uma adaptação fiel da obra, ambientada era Inglaterra Vitoriana provavelmente seria estranho; então a historia foi alterada para a realidade da época. É um dos melhores exemplos de adaptação que funcionam, porque capturam o espirito do material-base e não exatamente a época em que o mesmo foi escrito. Sem contar que o filme possui aquele aspecto do cinema sci-fi dos anos 50, o que contribui para a nostalgia.

Com certeza, um dos fatores que tornam A Guerra dos Mundos um filme espetacular, são os efeitos especiais, principalmente o design das naves dos Marcianos. Segundo o colecionador e historiador de cinema Bob Burns, o diretor de arte Al Nozaki tinha a ideia de criar um design diferente, porque todas as naves vistas até então, tinham quase sempre o mesmo design. Então, Nozaki apresentou um design semelhante à uma arraia-jamanta, cuja a arma de raios era acoplada em cima da nave e tinha aparência de cobra. O resultado foi um dos melhores e mais originais designs de discos voadores da história do Cinema. E de fato, as naves – ou maquinas de guerra, como são chamadas – são a melhor coisa do filme, e roubam a cena quando estão em tela. É impossível não se fascinar por elas, com sua cor escura e luzes verdes, principalmente quando aparecem voando e destruindo a cidade com seus raios de calor. O design dos marcianos é também um ponto a favor. Ao invés de cria-los a partir da concepção original de Wells, os cineastas apresentaram os extraterrestres como seres bípedes, com dois longos braços e três olhos. Também um design original e memorável. Graças aos efeitos especiais, o filme foi premiado com um Oscar® em 1954.


Este filme é dividido em três partes: o primeiro ataque dos Marcianos; o contra-ataque dos militares, e a evacuação e destruição de Los Angeles, cada uma com cenas memoráveis. Não direi muito sobre elas para não dar spoiler. Vou apenas falar da terceira parte. As melhores cenas da terceira parte são a evacuação e a destruição de Los Angeles. A cena da evacuação é uma das melhores que já vi, porque é muito bem filmada, inclusive, pode até ser utilizada como referencia para esses tempos que estamos vivendo, onde a humanidade está mais preocupada em salvar a própria pele do que ajudar o próximo. Realmente uma sequencia impressionante. A destruição de Los Angeles não fica para trás, com as naves voando por entre os prédios e destruindo os mesmos com seus raios de calor; em meio a isso, o protagonista correndo pelas ruas desertas, procurando a mocinha. Um perfeito cenário de apocalipse.

Uma curiosidade sobre as naves dos Marcianos. O diretor Byron Haskin reaproveitou as mesmas em seu filme Robson Crusoé em Marte, lançado em 1964.

A Guerra dos Mundos foi produzido por George Pal, considerado um dos mais importantes cineastas de ficção cientifica, tendo produzido também, a adaptação de “A Máquina do Tempo”, lançada em 1960 e estrelada por Rod Taylor, também considerada um marco do cinema de ficção cientifica. Foi lançado em Agosto de 1953, e tornou-se um sucesso de critica e de bilheteria. Até hoje, é considerado um dos maiores filmes de ficção cientifica de todos os tempos. Em 2011, foi selecionado para preservação no National Film Regisrty pela Biblioteca do Congresso dos EUA. Os Marcianos ocuparam a 27ª na lista dos 50 Maiores Vilões do Cinema do AFI (American Film Institute).

Em 2005, o diretor Steven Spielberg dirigiu uma nova adaptação do livro de Wells, estrelada por Tom Cruise.

Em 2020, a Criterion Collection anunciou o lançamento do filme em Blu-ray, em versão restaurada em 4k. Vamos aguardar. Infelizmente, é certo que essa versão nunca será lançada aqui no Brasil. O filme chegou a ser lançado em DVD no Brasil, mas atualmente está fora de catalogo.

A Guerra dos Mundos é, sem duvida, um dos maiores filmes de ficção cientifica de todos os tempos. Uma historia muito bem contada, em todos os sentidos. Um filme que até hoje, é motivo de referencia para cinéfilos e cineastas. Um épico da ficção cientifica e um clássico do gênero, e uma das maiores adaptações de H.G. Wells. Excelente.

Altamente recomendado.










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sábado, 19 de outubro de 2019

ALIEN, O 8º PASSAGEIRO (1979). Dir.: Ridley Scott.


NOTA: 10



ALIEN, O 8° PASSAGEIRO (1979)
ALIEN, O 8º PASSAGEIRO é um Clássico. Sem duvida, 40 anos depois de seu lançamento, ainda é um dos maiores filmes de horror e ficção científica de todos os tempos, que juntou os dois gêneros com maestria. 

Mas, o que o torna um filme tão grande? Bom, a começar pela própria história. Sem duvida, é um dos filmes mais tensos e claustrofóbicos já feitos, e a própria ambientação contribui para isso. E não só isso; Alien é também um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, por esses mesmos motivos e também por contar um roteiro tão bem amarrado, sem nenhuma ponta solta.

Devo dizer que Alien foi um filme que me assustou muito quando era pequeno. Minha mãe tinha alugado o VHS, e estava assistindo e me chamou e ao meu irmão para assistir uma cena; era a famosa cena da “última ceia”, talvez a cena mais famosa do filme, que pega toda a tripulação – e o elenco – de surpresa. Só essa cena já foi suficiente para me assustar; tanto que saí correndo e voltei para o meu quarto. Anos depois, tive vontade de ver o filme pela primeira vez, e não deu outra. É um filme excelente.

Alien é perfeito, não há duvida, seja pelo que já foi mencionado, seja pela direção segura de Ridley Scott, seja pelo elenco, seja pelo monstro, enfim, não importa. O fato é que é um desses filmes que devem ser vistos pelos fãs de cinema, independente do gênero.

Não é só isso. O filme é também um marco nos gêneros de ficção cientifica e terror, justamente porque conseguiu combinar esses gêneros muito bem, tudo na medida certa. É possível ver claramente que até os primeiros 20, 30 minutos, trata-se de um filme de ficção-cientifica, justamente por causa da ambientação, a nave Nostromo, mas é apenas isso. Mesmo com poucas pistas – ou nenhuma – fica claro que o filme se passa no futuro, um futuro muito distante, inclusive. Porém, ao invés de possuir um aspecto limpinho, com a nave toda em ordem, a coisa é diferente. O interior da nave é sujo, com peças defeituosas; não é uma nave “0 km”, é uma nave que já possui anos de estrada.

Esse é um dos grandes destaques. O interior da nave é muito bem feito, com suas maquinas modernas para a época, luzes piscando, equipamentos de comunicação avançados... parece mesmo que aquela nave existe e que aquele futuro existe. Mas não é apenas o interior da nave que merece nota. As cenas no espaço também são muito boas, com a nave surgindo em toda sua grandiosidade, com a câmera focando nos menores detalhes. Tudo belíssimo.

O elenco também contribui para o excelente desempenho do filme. Formado principalmente por veteranos, com exceção de Sigourney Weaver e Veronica Cartwright, é composto por personagens absolutamente realistas. É possível acreditar que todos ali são pessoas reais, que entendem e sabem o que estão fazendo ali dentro daquela nave. Nenhum dos atores está caricato, todos atuam de maneira brilhante.

O roteiro, escrito por Dan O’Bannon, a partir de uma historia que escreveu em parceria com Ronald Shussett, é um dos mais perfeitos do gênero. Como já mencionado, durante os primeiros minutos, temos a impressão de que é um filme de ficção-cientifica; porém, quando o tripulante Kane, interpretado pelo saudoso John Hurt, é atacado, a coisa muda de figura, e o filme se transforma em um filme de terror. Boa parte disso deve-se ao fato de esconderem o Alien durante o filme inteiro. Sério. Assistindo ao filme, eu estimulei que, das duas horas de duração, ele aparece umas seis vezes, mais ou menos. Claro, ele não é apresentado logo no início, isso só acontece mais adiante. Não sei se essa técnica de escondê-lo fazia parte do roteiro ou se era uma saída encontrada pela equipe, mas, o fato é que funciona. Muito bem.

Alien é um filme claustrofóbico, não há duvidas. A própria ambientação da nave faz dele um filme claustrofóbico, porque os personagens não têm para onde correr, depois que o monstro é solto dentro da nave! Segundo a crítica da TV Guide, Maitland McDonagh, o filme soluciona o maior problema das historias de casa mal-assombrada: os personagens não têm para onde fugir! E a própria fotografia também contribui. Toda a atmosfera e a paleta de cores escuras, deixam o filme ainda mais claustrofóbico, e a experiência de assisti-lo, mais assustadora. De verdade. Mesmo tendo assistido algumas vezes, não deixo de me sentir desconfortável ao assisti-lo.

A ideia para Alien surgiu após Dan O’Bannon realizar Dark Star (1974), filme de estreia do amigo John Carpenter. O’Bannon tinha a intenção de fazer outro filme sobre alienígenas dentro de uma nave, mas desta vez, queria que fosse uma criatura real. Ronald Shussett entrou em contato com ele após assistir ao filme de Carpenter. No entanto, eles seguiram caminhos diferentes. O’Bannon foi trabalhar na adaptação do livro Duna, que viria a ser dirigida por Alejandro Jodorowsky – mas que nunca aconteceu, como sabemos; Shussett, por outro lado, estava envolvido na futura adaptação de O Vingador do Futuro, que acabou roteirizada por O’Bannon. Durante a produção de Jodorowsky, O’Bannon conheceu o artista sueco H.R. Giger, e o convenceu a se juntar ao projeto, após ver uma de suas obras. O’Bannon e Shussett ofereceram o projeto a vários estúdios, mesmo não tendo finalizado o roteiro. Quem demonstrou interesse em produzi-lo foi Roger Corman, mas o produtor Walter Hill aceitou o desafio e levou a historia para a 20th Century-Fox. Os executivos, por outro lado, mostraram-se relutantes, pois temiam que poderia ser mais um filme de monstro espacial de baixo orçamento. O que motivou a produção do filme, foi o sucesso de Star Wars, lançado pelo estúdio em 1977. O’Bannon demonstrou interesse em dirigir, mas foi afastado, dando lugar a Ridley Scott, que chamou a atenção do estúdio após seu trabalho em Os Duelistas. A Fox cedeu um orçamento de 8 milhões de dólares. As filmagens aconteceram na Inglaterra, num período de três meses. Quando foi lançado, o filme tornou-se um sucesso de critica de bilheteria.

Uma das questões mais comentadas sobre o filme, é o fato de que talvez fosse o filme que deu a primeira heroína de ação para o cinema, no caso, a Tenente Ripley, que fez de Sigourney Weaver uma estrela. Durante todo o filme, fica claro que Ripley é a única que tem calibre para combater o Alien, além de ser uma personagem forte, que não baixa a cabeça para nada e para ninguém. Ripley é determinada, passa por cima das ordens do Capitão Dallas quando ele lhe ordena que Kane seja levado a bordo após ser atacado; mas ela se recusa e acaba comprando briga com os tripulantes. Ela também não se deixa enganar pelos mecânicos Parker e Brett, e, após Dallas ser eliminado, ela assume o comando da nave e sugere explodi-la com o monstro a bordo. Ou seja, é uma personagem casca-grossa. Agora, se Alien é de fato, um filme “feminista”, não sei dizer com certeza, mesmo vendo o quão forte e determinada Ripley é. O debate permanece.

Agora, sobre a Criatura. Como mencionei acima, eu acredito que ela aparece umas seis vezes no filme inteiro, mas essas 6 vezes são belíssimas. O Monstro é um ser assustador. Alto, magro, com uma cabeça grande, sangue acido, uma boca cheia de dentes afiados, um apetite insaciável, é uma das maiores criaturas do cinema de todos os tempos. Um monstro implacável, que ninguém, absolutamente ninguém consegue impedir. Desenhado por H.R. Giger, o monstro passou por varias etapas até atingir sua forma final. Uma das alterações sugeridas por Giger foi a ausência de olhos; segundo ele, se a criatura não tivesse olhos, ela seria muito mais perigosa. E funcionou. É muito difícil, na verdade, impossível, imaginá-lo com olhos hoje em dia. Quem também ajudou em sua confecção, foi o italiano Carlo Rambaldi, mestre dos efeitos especiais. Rambaldi ficou responsável pela cabeça do alienígena, que contava com cerca 900 partes moveis, entre elas, a icônica boca em miniatura que se projeta para frente. Quem o interpretou foi um estudante de design chamado Bolaji Badejo, que foi descoberto em um bar de Londres. Em momento nenhum, dá para dizer que o monstro é um homem dentro de uma roupa, pelo contrário, parece mesmo uma criatura de verdade. E todo o seu design contribui para deixa-lo ainda mais misterioso, porque ele consegue se esconder no interior da nave, imitando pedaços da estrutura, ou entrando em buracos e fendas onde não caberia um ser humano. Ou seja, não se sabe onde ele está. Um dos maiores monstros do cinema, sem duvida.

Alien tornou-se um sucesso de bilheteria e agradou críticos do mundo inteiro. Em 1980, Giger, Rambaldi, Brian Johnson, Nick Allder e Denys Ayling foram premiados com um Oscar® de Melhores Efeitos Visuais pelo seu trabalho. O filme também foi indicado na categoria de Melhor Direção de Arte, além de levar o Saturn Awards de Melhor Filme de Ficção Científica, Melhor Direção e Melhor Atriz Coadjuvante. Em 2002, foi escolhido pelo National Film Regisrty para preservação. O Alien possui a 14º posição na Lista dos 50 Maiores Vilões do Cinema do American Film Institute, e Ripley ocupa a 8º posição na Lista dos 50 Maiores Heróis do Cinema, pela sequencia Aliens, O Resgate.

O sucesso do filme motivou a Fox a produzir três continuações: Aliens, O Resgate (1986), dirigido por James Cameron; Alien³ (1992), de David Fincher; e Alien, A Ressurreição (1997), de Jean-Pierre Jeunet. Em 2012, Ridley Scott retornou a franquia com o ótimo Prometheus, prequel estrelada por Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron e Guy Pierce. Apesar de ser um divisor de criticas, eu gostei muito do filme. Scott retomou a franquia também em Alien: Convenant, considerado por muitos como inferior à saga. Tanto Prometheus como Alien: Convenant serviram como prequels, e tinham como objetivo, contar a historia da franquia anos antes do primeiro filme, e encerrá-la com outra sequencia, que antecederá diretamente o primeiro. No entanto, o fracasso de Convenent parece ter abortado os planos de Ridley Scott para continuar a saga. Veremos. Uma observação: eu gosto muito de Alien³; na minha opinião, é um filme injustiçado, que foi prejudicado por problemas de bastidores.

O filme também gerou uma serie de livros, quadrinhos e jogos de videogame, que expandem seu universo e contam novas historias, além de contar historias antes de algumas das sequencias. Ou seja, Alien é uma franquia lucrativa.

Em 1980, foi lançado um filme italiano chamado Alien 2: Sulla Terra, dirigido por Ciro Ippolitto. O filme não possui nenhuma relação com o filme de Ridley Scott, mas é muito divertido. Dizem que o filme de Cameron foi batizado de “Aliens” por causa dessa “sequencia” não oficial.

Enfim, Alien, O 8º Passageiro é um clássico. Um dos maiores filmes de todos os tempos. Uma historia claustrofóbica de horror que não deixa o espectador respirar. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Um filme inesquecível. Excelente.

Altamente recomendado.










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