Mostrando postagens com marcador ROBERT ENGLUND. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ROBERT ENGLUND. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de julho de 2022

O NOVO PESADELO DE WES CRAVEN (1994). Dir.: Wes Craven.

 

NOTA: 10



Em 1984, quando lançou A Hora do Pesadelo, Wes Craven não sabia o quão importante seu filme seria para o gênero, e o quão popular o seu vilão, o assassino Freddy Krueger, se tornaria ao longo dos anos. O sucesso do primeiro filme motivou os donos da New Line a transformar o filme em uma franquia.

 

Em 1994, Wes Craven lançou O NOVO PESADELO DE WES CRAVEN, também conhecido como O Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy Krueger.

 

Bom, vou ser sincero aqui. Este é o meu filme favorito da franquia, simplesmente porque foi o que eu mais aluguei na locadora, no VHS da saudosa América Vídeo. Também foi o meu primeiro contato com a franquia e com o personagem, por isso tenho um carinho especial por esse filme.

 

Além de ser o meu favorito da franquia, este é também o melhor depois do primeiro, na opinião de muitos fãs do terror e também dos fãs da própria franquia. Talvez o principal motivo seja o retorno de Craven, que resgatou o clima de ambiguidade do primeiro filme, além de trazer o vilão na sua forma maligna, sem o humor negro dos filmes anteriores; fora o novo design do vilão, que na minha opinião, é o melhor desde o segundo filme.

 

Aqui, Craven mostra que realmente é o dono da franquia, com sua direção madura e inspirada, e um roteiro metalinguístico extraordinário, onde o diretor apresenta uma justificativa para o vilão, transformando-o em uma entidade maligna que se libertou após o último filme da franquia, e agora, está a solta no mundo real. Eu confesso que quando assisti a esse filme pela primeira vez, eu estranhei essa ideia, porque não sabia nada sobre metalinguagem, então, para mim, era muito estranho ver o próprio diretor do filme interagindo com os atores e dirigindo o filme dentro do filme. Mas hoje em dia, eu abraço essa ideia e considero uma grande sacada, até porque, depois do desastroso filme anterior, não vejo qual caminho satisfatório a franquia poderia tomar.

 

Mas, enfim, o fato é que temos aqui uma espécie de retorno às origens, com várias homenagens à franquia, principalmente ao primeiro filme, desde o retorno de John Saxon à cena do hospital que repete a primeira cena de morte do primeiro filme.

 

O roteiro de Craven é certeiro, porque ao mesmo tempo que fala de metalinguagem, mistura elementos do filme original, quase transformando-o em um filme da franquia mesmo, com o retorno de Nancy e dos demais personagens. Aliás, acho que se fosse um filme metalinguístico, poderia ser uma sequência direta do original, visto que tanto Nancy quanto o tenente Thompson retornam. Inclusive, seria muito interessante ver Nancy crescida, casada, sendo assombrada por Freddy, assim como Heather é assombrada por ele e por um fã louco ao longo do filme.


 

Além da questão da metalinguagem, Craven também faz uso de alguns incidentes que aconteceram, como a presença dos terremotos, que inclusive, causaram terríveis desastres em L.A. durante as gravações, além da ideia de um fã louco perseguindo Heather, algo que realmente aconteceu com a atriz após o primeiro filme. Essa questão do fã louco até teria uma solução nos primeiros rascunhos do roteiro, mas o diretor optou por não resolve-la.

 

Como mencionado acima, o filme é recheado de participações de atores envolvidos na franquia ao longo dos anos. Na cena do funeral, temos uma ponta de Nick Corri, que interpretou Rod no primeiro filme, além de Tuesday Knight, que interpretou Kirsten no quarto filme. Temos também uma ponta de Lin Shaye, aqui como uma enfermeira; além do próprio Robert Shaye. Dizem que Craven cogitou até chamar Johnny Depp, mas após vê-lo no filme anterior, retirou a proposta. Ao que parece, o ator ficou chateado ao saber que não iria participar do filme... Seria legal tê-lo aqui também, talvez interpretando a si mesmo ou outro personagem... Enfim. Além do elenco, temos também a volta da casa da personagem, algo recorrente na franquia.

 

Mas o melhor de tudo, sem dúvida, é o vilão. Aqui, Craven optou por dar uma nova roupagem a ele, a fim de combinar com a ideia de se trata de uma entidade. Então, ao invés do rosto deformado, temos uma pele quase rasgada, com os músculos em evidencia, além de uma nova luva, com detalhes que lembram uma mão esquelética, desta com cinco garras; e desta vez, juntamente com seu suéter vermelho e verde, o vilão recebeu também um sobretudo, que combinou com ele. E conforme mencionado, o vilão perdeu o humor negro. O visual do vilão foi novamente criado por David Miller, e, conforme mencionei, é o melhor desde o segundo filme. No começo do filme, temos uma ponta do ator Matt Winston, filho do saudoso Stan Winston, interpretando um técnico de efeitos especiais, mais uma sacada do roteiro.

 

Além de interpretar o vilão, o ator Robert Englund também interpreta a si mesmo, numa rara presença sem maquiagem, tirando a cena do talk-show, onde aparece com um visual parecido com o visual do primeiro filme. Nessa cena, temos também a repetição da clássica frase: “You are all my children now!”, que o vilão diz no segundo filme, mais um tributo à franquia.

 

Conforme mencionado na resenha de A Hora do Pesadelo 3, Craven tinha a ideia de trazer a metalinguagem para aquele filme, mas a ideia foi descartada. Então, quando foi convidado para fazer um novo filme, ele primeiro assistiu a todos antes de finalmente apresentar essa ideia. Curioso.

 

O filme é recheado de cenas que para mim são antológicas, como a já mencionada cena do hospital, além de cena da rodovia, minha segunda favorita. Além dessas cenas, eu gosto também do confronto final, que acontece em um tipo de inferno dos sonhos. A derrota do vilão aqui é minha favorita também.

 

O Novo Pesadelo de Wes Craven estreou em 14/ou/1994. Apesar as críticas, não foi um sucesso de bilheteria, o que enterrou a franquia nos cinemas. Dois anos depois, Wes Craven ressuscitaria o terror mais uma vez com Pânico, que trouxe o gênero slasher de volta.

 

A franquia foi lançada no Brasil em VHS, DVD e Blu-ray ao longo dos anos, mas atualmente está fora de catálogo.

 

Enfim, O Novo Pesadelo de Wes Craven é o melhor filme da franquia depois do primeiro. O retorno de Wes Craven garante momentos de nostalgia, além de várias homenagens à franquia. O vilão Freddy Krueger também retorna em nova roupagem, com toques de sadismo e sem o humor negro. Vários atores também retornam, o que deixa o filme ainda melhor, além das cenas memoráveis. Meu favorito da franquia. Um filme excelente e um fechamento digno para a franquia. 




Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/


segunda-feira, 27 de junho de 2022

A HORA DO PESADELO 6 – PESADELO FINAL – A MORTE DE FREDDY (1991). Dir.: Rachel Talalay.

 

NOTA: 3



Antes de começar, vamos deixar uma coisa clara. Filmes ruins não são analisados aqui, a não ser que façam parte de uma franquia, e essa franquia deve estar disponível completa no Brasil. No entanto, podem ocorrer exceções. Vamos lá.

 

Em 1984, quando lançou A Hora do Pesadelo, Wes Craven não sabia o quão importante seu filme seria para o gênero, e o quão popular o seu vilão, o assassino Freddy Krueger, se tornaria ao longo dos anos. O sucesso do primeiro filme motivou os donos da New Line a transformar o filme em uma franquia.

 

A HORA DO PESADELO 6 – PESADELO FINAL – A MORTE DE FREDDY, lançado em 1991 e dirigido por Rachel Talalay, veterana na franquia, é a quinta continuação, e infelizmente, não é melhor delas.

 

A culpa, devo dizer, não é da direção, porque a diretora – estreando após anos na produção da franquia – tenta e consegue apresentar planos bem legais. O elenco também se esforça, principalmente o elenco jovem – com exceção do falso protagonista; até o astro Robert Englund tenta tirar leite de pedra, mas não está nos seus melhores dias, o que é uma pena, porque ele se tornou a cara da franquia... E o visual do vilão não é dos melhores aqui...

 

A culpa é do roteiro, escrito por Michael De Luca – que três anos depois, assinaria o roteiro do excelente À Beira da Loucura, de John Carpenter... – que tenta apresentar uma trama nova, contando para nós que Freddy tinha um filho perdido, coisa nunca explorada na franquia, além de tentar explicar a origem dos demônios dos sonhos. Infelizmente, nada disso funciona.

 

Fora a ideia de que a cidade de Springwood se tornou um lugar fantasma, onde somente os adultos vivem, imersos no medo de Freddy. Desculpe, mas nada disso lembra a Springwood do Clássico de Wes Craven. Para colaborar, os personagens adultos também são péssimos, com atuações exageradas, beirando à caricatura...

 

Pelo menos aqui, ainda temos a questão dos pais que não se importam com os problemas dos filhos, algo comum na franquia. O pior caso é o da garota que é abusada pelo padrasto.

 

No entanto, os maiores problemas desse filme são o humor negro e a explicação para a origem de Freddy.

 

Vamos começar pelo humor negro. Ao contrário dos filmes anteriores, aqui temos um Freddy 100% palhaço, que não faz mais uso da ameaça e dos métodos criativos para matar as vítimas. Chega a ser constrangedor ver um dos maiores vilões do cinema fazer papel de palhaço o tempo todo, literalmente. Fora que aqui, ele não é tão indestrutível quanto nos filmes anteriores, visto que literalmente apanha de um taco de beisebol até perder a consciência.

 

O outro problema é a explicação para a origem. Para começar, eu acho que não havia a menor necessidade de contar a origem do vilão em flashbacks, visto que na franquia inteira, nós ouvimos sobre quem era Freddy, quem eram suas vítimas e como ele morreu. Mas aqui, eles resolveram ir mais além, e inventaram uma infância abusiva, que culminou num casamento fracassado, onde o vilão matou a esposa na frente da filha... Desculpem, mas não funcionou.

 

E claro, temos também a bendita filha perdida do vilão, outro arco no roteiro que não faz o menor sentido, visto que o filme faz suspense sobre a identidade da mesma, fazendo o péssimo falso protagonista acreditar que ele mesmo era o filho perdido... Freddy não precisava passar por isso.

 

E claro, conforme mencionei acima, o design do vilão não é dos melhores aqui. Parece que a equipe de maquiagem e caracterização já estava de saco cheio de criar os efeitos e resolveram fazer tudo do jeito que deu e entregaram assim. Uma lástima, considerando que o personagem esteve nas mãos de grandes mestres da maquiagem no passado.

 

Antes de encerrar, devo destacar a patética derrota do vilão, rogada a efeitos em 3D, usados para simular o mundo dos sonhos e a mitologia dos demônios dos sonhos. Mais uma vez, tal artimanha foi simplesmente jogada no roteiro sem a menor explicação. Se tivessem utilizado isso nas outras continuações, talvez ficasse melhor, mas aqui não funciona. E no final, Freddy é derrotado do modo mais idiota possível, diferente dos modos criativos dos filmes anteriores, com uma banana de dinamite e uma frase de efeito! E os efeitos em 3D não servem para absolutamente nada.

 

Pelo menos, o filme tem uma trilha sonora bacana – principalmente nos créditos de abertura e finais – e uma ponta de Johnny Depp, numa cena bizarra, mas que surpreende por causa de presença do ator.

 

A franquia foi lançada em VHS, DVD e Blu-ray no Brasil ao longo dos anos, mas atualmente, está fora de catálogo.

 

Enfim, A Hora do Pesadelo 6 – Pesadelo Final – A Morte de Freddy é o mais fraco da franquia. Um filme com um roteiro que tenta explicar algumas coisas sobre o vilão e sobre a própria franquia, mas que infelizmente, falha nesse sentido. O vilão Freddy está em sua pior forma aqui, tanto na caracterização quanto nas ações, abusando do humor negro e perdendo o tom de ameaça dos filmes anteriores, principalmente do Clássico de Wes Craven. A direção de Rachel Talalay pelo menos faz uso de planos elaborados, mas é só isso. Um filme fraco e uma triste pré-conclusão para a franquia. 



Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/


sábado, 11 de junho de 2022

A HORA DO PESADELO 5 – O MAIOR HORROR DE FREDDY (1989). Dir.: Stephen Hopkins.

 

NOTA: 8



Em 1984, quando lançou A Hora do Pesadelo, Wes Craven não sabia o quão importante seu filme seria para o gênero, e o quão popular o seu vilão, o assassino Freddy Krueger, se tornaria ao longo dos anos. O sucesso do primeiro filme motivou os donos da New Line a transformar o filme em uma franquia.

 

Um ano após O Mestre dos Sonhos, a distribuidora lançou A HORA DO PESADELO 5 – O MAIOR HORROR DE FREDDY, comandado por Stephen Hopkins, marcando o retorno de Alice Johnson, após derrota-lo no filme anterior.

 

Bem, vou ser sincero aqui. Ao contrário do que muitos dizem, eu gosto desse filme, principalmente porque ainda mantém o grau de qualidade da franquia, além de trazer a protagonista Alice de volta, e trazer novas formas criativas para Freddy matar suas vítimas; além, é claro, da expansão da história do maníaco, e a ideia de que desta vez, ele não está matando nos sonhos dos jovens, e sim, nos sonhos do bebê não-nascido de Alice.

 

Segundo a produtora Sara Risher, a ideia original era trazer temas mais pesados, como o aborto, mas, devido a diferenças criativas, a ideia foi alterada e novos roteiristas foram chamados, o que, infelizmente, acabou trazendo problemas para o filme.

 

Mas mesmo assim, eu acho a temática interessante, visto que desta vez, os jovens protagonistas estão perdidos e precisam encontrar uma nova maneira de destruir o vilão, algo que é revelado logo após a sua ressurreição.

 

Sobre essa cena, posso dizer que é uma das mais bizarras da franquia, visto que tudo começa com um bebê deformado e termina em uma versão ainda mais deformada do vilão, que pessoalmente, me incomoda um pouco, mas não tanto a ponto de acabar com a minha experiência toda vez que assisto. Também posso dizer que nessa cena, temos um pouco do Freddy Krueger diabólico do primeiro filme, mas temos também a volta dos toques de humor negro, ainda que reduzidos, em comparação ao filme anterior. No entanto, uma coisa não me agrada nessa cena: o tamanho das garras afiadas do vilão. Mesmo que dure poucos segundos, as garras são mostradas exageradamente grandes, em comparação ao restante da franquia. Felizmente, esse erro é corrigido com o passar do filme.

 

Além do retorno em grande estilo do vilão, temos a volta de Alice e Dan, o casal protagonista do filme anterior. Novamente, esse é um toque que me agrada na franquia, a possibilidade de tornar Krueger, uma entidade universal, que ameaça os pesadelos de todos. E acho que posso dizer, sem medo de errar, que Alice se tornou uma das melhores final-girls da franquia ao lado de Nancy. E aqui, não temos a garota perdida, que não sabe como lidar com a ameaça do assassino dos sonhos; pelo contrário, quando descobre que Freddy está vivo novamente, Alice rapidamente pede ajuda ao seu novo grupo de amigos, pois a essa altura, ela sabe do que o assassino é capaz.

 

E como de costume, temos novamente cenas de morte criativas, uma para cada vítima especifica. A melhor, sem dúvida, é quando – Spoiler! – Dan é fundido à uma moto antes de morrer, transformando-se numa criatura grotesca com efeitos de Body Horror dignos de arrepios. A segunda melhor é a do garoto viciado em quadrinhos, que acaba sendo morto da forma mais criativa possível, mas não sem antes de enfrentar o Super Freddy, uma versão em HQ do vilão, e talvez, uma das figuras mais lembradas do filme.

 

Além das cenas de morte criativas, temos também os pais que não se importam com os filhos, pois não acreditam em seus medos, marca registrada da franquia, que retornaria no filme seguinte. A pior deles é a mãe de Greta, que sonha em transformar a filha em uma Top Model, obrigando-a a passar por situações humilhantes, apenas para satisfazer seus caprichos, conforme mostrado na horrorosa cena do jantar. Os pais de Dan também não ficam atrás, e mostram que não se importam com Alice quando tentam tirar seu filho, a fim de cria-lo como se fosse seu. Horrível.

 

Além dessas duas características, temos também a volta dos cenários e cenas mirabolantes, mergulhados no surrealismo. Sem dúvida, aqui temos algumas das cenas mais surreais da franquia, visto que o diretor optou por gravá-las com o auxílio de lentes distorcidas, principalmente na cena do manicômio, onde vemos o terrível destino de Amanda Krueger. As outras cenas de pesadelo possuem quase o mesmo aspecto, além de serem mergulhadas nas cores pulsantes e luzes fortes. Novamente, um belo exemplo da marca do cineasta escolhido para comandar o filme.

 

Aliás, vale ressaltar que A Hora do Pesadelo 5 foi um filme marcado por problemas nos bastidores, visto que a equipe teve um tempo muito apertado para produzir o filme, além de alterações no roteiro, que era escrito às pressas, principalmente o final, que, na minha opinião, não foi tão satisfatório quando nos filmes anteriores, apesar da boa estratégia apresentada, a presença de Amanda Krueger.

 

Antes de encerrar, quero destacar novamente o vilão Freddy Krueger. Não é novidade nenhuma que ele é a melhor coisa da franquia, e aqui, ele continua afiado. E claro, tudo isso se deve ao astro Robert Englund, que também aparece sem a maquiagem na horrorosa cena do manicômio. A caracterização do personagem continua muito boa, tudo porque trouxeram David Miller de volta, então, pode-se dizer que aqui, temos um visual mais ou menos – mais ou menos!! – próximo ao visual do primeiro filme. Além disso, eles não se esqueceram de apresentar as garras arranhando canos de aço. E a sequência da derrota do vilão também é muito legal, novamente com o vilão se transformando em uma coisa disforme.

 

A Hora do Pesadelo 5 foi lançado em 11/ago/1989, e conseguiu arrecadar ótimos resultados na bilheteria, apesar das críticas negativas. A franquia foi lançada em VHS, DVD e Blu-ray no Brasil ao longo dos anos, mas atualmente, está fora de catálogo.

 

Enfim, A Hora do Pesadelo 5 é um ótimo filme. Um longa que traz de volta os elementos clássicos da franquia, juntamente com a protagonista do filme anterior, além de novos detalhes sobre o passado do vilão. Robert Englund mais uma vez entrega uma ótima performance, e Freddy novamente faz uso de métodos criativos para matar suas vítimas. Um filme muito divertido. 




Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/

segunda-feira, 6 de junho de 2022

A HORA DO PESADELO 4 – O MESTRE DOS SONHOS (1988). Dir.: Renny Harlin.

 

NOTA: 8.5



Em 1984, quando lançou A Hora do Pesadelo, Wes Craven não sabia o quão importante seu filme seria para o gênero, e o quão popular o seu vilão, o assassino Freddy Krueger, se tornaria ao longo dos anos. O sucesso do primeiro filme motivou os donos da New Line a transformar o filme em uma franquia de sucesso.

 

Em 1988, a New Line lançou A HORA DO PESADELO 4 – O MESTRE DOS SONHOS, terceira continuação da franquia, com direção de Renny Harlin.

 

Aqui, temos outro ótimo filme, com o mesmo clima dos anteriores, que apresenta pela primeira vez o polêmico humor negro do vilão Freddy Krueger.

 

Além do humor negro, temos também o retorno de Kristen e seus amigos do filme anterior, aqui novamente às voltas com Krueger. Mas, conforme sabemos – spoilers! – esse novo filme não é sobre eles, e sim sobre a amiga de Kristen, Alice Johnson, que se torna o novo alvo do vilão.

 

Conforme mencionei na resenha do filme anterior, eu acho esse um grande toque da franquia, pois apresenta para nós a possibilidade de Krueger ser uma entidade universal, que ameaça os sonhos de outras pessoas, e não apenas de Nancy Thompson, protagonista do primeiro filme.

 

Pois bem, aqui temos um novo grupo de adolescentes atormentados pelo vilão, que precisam unir forças para tentar destruí-lo. Além das novas vítimas, temos também os adultos que não se importam com os problemas dos filhos, algo muito comum na franquia.

 

E assim como nos filmes anteriores, temos aqui uma direção criativa, com cenários e cenas exuberantes, fantasiosos, outra coisa muito comum na franquia. O diretor Harlin fez um ótimo trabalho, além de dar um toque único para a franquia.

 

Aliás, esse é outro toque. Cada diretor deu o seu toque único à franquia, mas não perderam a essência da mesma, e o trabalho de Harlin é um dos melhores.

 

O roteiro também não fica atrás, com cenas memoráveis e dignas de nota, como por exemplo, a cena da pizza de almas, a cena da barata e a derrota de Freddy. Cada uma dessas cenas é bem feita e tem o seu mérito.

 

O elenco jovem também é um destaque. Nenhum dos jovens atua de forma caricata e dão seu próprio ar aos personagens. Cada um dos jovens tem a sua própria característica, o que os torna presas fáceis para o vilão. E temos aqui grandes cenas de morte, sendo uma delas mencionada acima. Eu pessoalmente acho esse um dos atrativos da franquia – as formas criativas com que Freddy mata suas vítimas, chegando a ser melhores do que a dos slashers que vieram depois dele.

 

E claro, temos o vilão novamente em forma. Como todos sabemos, a partir deste aqui, vemos o assassino abusar do humor negro na hora de se apresentar para as vítimas, algo que para os mais exigentes, pode ser uma falha, mas para mim, não há problema, visto que Krueger faz uso do humor desde o primeiro filme, sim! Eu encaro essa tendência como uma arma a mais para o vilão, além de dar-lhe mais personalidade.

 

No entanto, apesar de suas qualidades, um dos problemas do filme é a presença de Kristen Parker, aqui interpretada por Tuesday Knight, que substituiu Patricia Arquette, que estava grávida na época. Eu sinceramente acho muito estranho ver a atriz interpretando a personagem, que apesar do seu esforço, não convence. Talvez, os realizadores pudessem ter escalado outra atriz, ou então, reescrever o roteiro. Mas, enfim...

 

Antes de encerrar, quero destacar os efeitos especiais. Temos aqui talvez, alguns dos melhores efeitos da franquia, visto que os responsáveis fazem verdadeiros truques de mágica para trazer o roteiro à vida, principalmente nas cenas de mortes. A melhor delas, sem dúvida, é a cena da barata, onde uma das personagens vai se transformando num inseto antes de ser eliminada. Uma cena nojenta, mas, em se tratando de pessoas virando insetos, teremos sempre A Mosca (1986), o Clássico absoluto de David Cronenberg, onde Jeff Goldblum se transforma em mosca. Outra cena memorável, é a cena da pizza de almas, que mistura miniaturas e cenários em tamanho real. E temos também um exemplo parecido na cena de derrota de Freddy, onde o técnico Screaming Mad George teve que criar um peito gigante do vilão para os atores interagirem.

 

Mas o melhor é a caracterização do vilão, novamente comandada por Kevin Yagher, com auxílio de Howard Berger, da KNB Effects Group. Eu pessoalmente gosto muito do trabalho de Yagher na franquia, visto que ele deu seu próprio ar ao astro, e talvez, um de seus visuais mais memoráveis. E Robert Englund continua perfeito, numa atuação inspirada.

 

A Hora do Pesadelo 4 foi lançado em 04/mai/1988 nos EUA e foi um sucesso de bilheteria, motivando a New Line a produzir uma nova sequência para o ano seguinte. A franquia foi lançada em VHS, DVD e Blu-ray no Brasil ao longo dos anos, mas atualmente, está fora de catálogo.

 

Enfim, A Hora do Pesadelo 4 é um dos melhores da franquia. A direção de Renny Harlin é um dos atrativos do longa, com cenas hipnotizantes e coloridas. Robert Englund entrega uma atuação inspirada no papel do vilão Freddy Krueger, que começa a apresentar os primeiros indícios de humor negro, algo que contribui para deixar o filme ainda melhor. Os efeitos especiais também merecem menção, principalmente nas cenas de mortes. Um longa criativo e divertido.



 

Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/


segunda-feira, 23 de maio de 2022

A HORA DO PESADELO 3 – OS GUERREIROS DOS SONHOS (1987). Dir.: Chuck Russell.

 

NOTA: 9.5



Em 1984, quando lançou A Hora do Pesadelo, Wes Craven não sabia o quão importante seu filme seria para o gênero, e o quão popular o seu vilão, o assassino Freddy Krueger, se tornaria ao longo dos anos. O sucesso do primeiro filme motivou os donos da New Line a transformar o filme em uma franquia de sucesso.

 

A HORA DO PESADELO 3 – OS GUERREIROS DOS SONHOS, lançado em 1987 e dirigido por Chuck Russell, é a segunda continuação da franquia, e um dos favoritos dos fãs.

 

Motivos para isso não faltam. A Hora do Pesadelo 3 é sem dúvida um dos melhores da franquia, isso graças ao retorno de Craven à franquia, após se recusar a participar do filme anterior, porque ele nunca considerou a possibilidade de criar uma continuação. Pois bem, aqui, Craven retornou e fez um ótimo trabalho, ao lado de Frank Darabont, Bruce Wagner e do diretor. No entanto, o roteiro de Craven sofreu mudanças – mais detalhes sobre isso adiante.

 

Fazendo uma análise, é justo dizer que este é um dos melhores da franquia, não apenas por causa do roteiro, mas por causa do filme como um todo. Tem uma ótima direção, uma fotografia excelente, que assim como no primeiro filme, não faz distinção entre o que é real e o que sonho, um elenco afiado e efeitos especiais dignos de nota.

 

Sem dúvida, um dos atrativos do filme é a volta de Heather Langenkamp, interpretando a mocinha Nancy Thompson pela segunda vez, aqui, uma especialista em sonhos que auxilia as novas vítimas de Krueger. Eu pessoalmente considero a presença da personagem algo inesperado, porque à primeira vista, nós pensamos que o roteiro vai focar em novos personagens, mas então temos essa surpresa. E o melhor é que Nancy continua sendo a personagem forte do primeiro filme, disposta a tudo para salvar as crianças das garras do vilão. Além dela, temos também o retorno de John Saxon, reprisando seu papel como o Tenente Thompson, aqui em estado de decadência. Apesar da pouca presença, o personagem também tem sua importância para a trama.

 

Além dos personagens clássicos, temos também os novos jovens, internados na clínica psiquiátrica por diferentes motivos, mas que na hora de dormir, são atormentados por Krueger. Cada um tem a sua característica própria, que será usada mais tarde na trama para combater o vilão; mas ao mesmo tempo, servem como alvo para ele, visto que Krueger usa dessas mesmas características para mata-los, vide a cena da marionete, por exemplo – a melhor do filme.

 

Aqui temos também a introdução de novas vítimas para Krueger, algo explorado nas demais continuações, e que pessoalmente, eu gosto muito, pois mostra que o vilão é uma entidade universal, que assombra os sonhos de todos, sem distinção.

 

No entanto, a melhor coisa do filme é sem dúvida o vilão – e sempre será. Aqui, temos um Freddy Krueger mais poderoso, capaz de se transformar em muitas coisas para caçar os jovens: uma minhoca gigante, uma televisão e até um ser celestial. Quem leva o crédito, claro, é o ator Robert Englund, completamente à vontade no papel, já dando os primeiros sinais de humor negro, algo muito debatido pelos fãs.

 

Além de seus novos poderes, o vilão também ganha uma origem, na forma de uma misteriosa freira que aparece para o Dr. Gordon ao longo do filme: Krueger é o filho bastardo de um grupo de maníacos que estupraram uma jovem funcionaria do antigo sanatório onde ela trabalhava. Origem mais cruel que essa, não sei se conheço.

 

Além de sua origem, temos aqui o retorno de Kevin Yagher e Mark Shostrom na maquiagem, e ambos fizeram um trabalho incrível, um dos melhores da franquia. E claro, temos também os efeitos especiais, principalmente ópticos e stop-motion. Mesmo parecendo datados para os mais exigentes, eu gosto muito deles, principalmente do esqueleto em stop-motion de Freddy.

 

Porém, apesar de muito legal, o esqueleto faz parte do momento mais fraco do filme, onde os heróis precisam enterrar os restos de Krueger em solo sagrado, mas o enterram no ferro-velho. Mesmo tendo apresentado uma resposta para o problema, eu não sou muito fã dessa parte; acho que poderiam ter levado os restos para o cemitério e enterrado lá.

 

Antes de encerrar, eu comentei que o roteiro original de Craven sofreu mudanças, o que deixou o cineasta infeliz. De fato, Craven tinha uma ideia diferente para o filme: ele queria fazer uma história sobre metalinguagem, apresentando Krueger no mundo real e ameaçando os envolvidos com a produção – algo que ele utilizou no excelente O Novo Pesadelo de Wes Craven (1994), que ele escreveu e dirigiu. A ideia foi descartada e os demais roteiristas foram chamados para completar o trabalho, entre eles, Frank Darabont, em uma passagem curiosa pela franquia.

 

Mas apesar das mudanças no roteiro, A Hora do Pesadelo 3 foi bem de bilheteria e até hoje é considerado um dos melhores da franquia.

 

A franquia foi lançada em VHS, DVD e Blu-ray no Brasil ao longo dos anos, mas atualmente, está fora de catálogo.

 

Enfim, A Hora do Pesadelo 3 é um dos melhores da franquia. Um filme onde todos os detalhes contribuem para seu sucesso. Freddy Krueger está em forma aqui, apresentando seus poderes pela primeira vez e matando de maneiras criativas e carregadas de humor negro. O retorno de personagens clássicos, além de Wes Craven, deixa o filme ainda melhor. Um filme excelente.



 

Acesse também:



segunda-feira, 16 de maio de 2022

A HORA DO PESADELO 2 – A VINGANÇA DE FREDDY (1985). Dir.: Jack Sholder.

 

NOTA: 9



Vou ser sincero aqui. A HORA DO PESADELO 2 – A VINGANÇA DE FREDDY, lançado em 1985, é um dos meus favoritos da franquia, e um dos melhores, apesar das inúmeras polêmicas que o envolvem.

 

Eu tive meu primeiro contato com o filme na sessão de terror da TNT, há alguns anos, e logo de cara, eu morri de medo, principalmente porque a imagem era muito escura e o filme era muito violento, e então, eu acabei não gostando. Hoje, no entanto, a minha opinião é diferente, conforme mencionado no parágrafo acima.

 

O fato é que A Vingança de Freddy é um dos mais assustadores da franquia, principalmente por causa do vilão, que aqui está mais diabólico do que nunca – mais detalhes adiante.

 

Eu acho esse filme excelente, principalmente porque a franquia ainda estava no começo, então, os filmes eram bem-feitos – não que isso não continuasse no restante da franquia, mas aqui, ainda temos a melhor fase.

 

Aqui temos um caso em que direção e roteiro combinam para obter o resultado que vemos. A direção de Jack Sholder é competente, e o diretor capricha principalmente nas cenas de tensão e horror, mais ou menos como Wes Craven fez no filme anterior. Além disso, ele faz questão de nos lembrar que Freddy está sempre presente, destacando as cores vermelho e verde.

 

O elenco também é um destaque, principalmente o trio de protagonistas. O diretor Sholder fez um bom trabalho dirigindo os atores e conseguiu extrair grandes performances deles. O protagonista, interpretado por Mark Patton, é um dos melhores da franquia. É possível ver o quanto ele sofre nas garras do vilão e não pode contar com a ajuda de ninguém. O restante do elenco também convence.

 

No entanto, ninguém é melhor do que Robert Englund, interpretando o vilão pela segunda vez. Conforme mencionado acima, aqui temos o Freddy mais diabólico da franquia, e não é para menos. Aqui, o vilão está na sua forma mais perversa e sanguinária e ele não poupa ninguém. O assassino mostra as garras e causa um banho de sangue e terror psicológico, atormentando o protagonista de todas as formas. Difícil escolher qual a menor cena, mas na minha opinião, o melhor acontece na festa da piscina, onde o vilão faz a sua própria festa, massacrando os jovens com suas garras sem piedade.

 

O visual do vilão também merece destaque, tudo graças à maquiagem de Kevin Yagher, que o transforma em um ser deformado pelas queimaduras. Melhor que isso, só no primeiro filme.

 

No entanto, é impossível falar desse filme sem mencionar as diversas polêmicas que o envolvem. Não vou entrar em detalhes e nem dar a minha opinião para não criar mais polêmicas, mas eu não vejo problema nenhum; não me incomoda nem um pouco. Porém, isso não impediu o filme de ser massacrado após seu lançamento, o que acabou com a carreira do protagonista. Por outro lado, a questão homoerótica também ajudou o filme a ganhar fãs dentro da comunidade LGBT. Tais questões foram desmentidas e depois assumidas pelo roteirista anos depois.

 

Para melhor imersão nas questões, recomendo o documentário Scream Queen – My Nightmare on Elm Street, que conta a trajetória do filme e do protagonista.

 

Bom, polêmicas à parte, eu gosto muito desse filme e acho um dos melhores da franquia.

 

A Hora do Pesadelo 2 foi lançado em 1º/nov/1985 e tornou-se um sucesso de bilheteria. No Brasil, foi lançado nos cinemas em 23/jul/1987.

 

A franquia foi lançada em VHS, DVD e Blu-ray no Brasil ao longo dos anos, mas atualmente, está fora de catálogo.

 

Enfim, A Hora do Pesadelo 2 – A Vingança de Freddy é um dos melhores da franquia. Um filme verdadeiramente assustador, com cenas dignas de pesadelos, além de muito sangue e tensão. O vilão Freddy Krueger está em sua melhor forma aqui, mais diabólico do que nunca. Direção e roteiro afiados contribuem para deixar o filme ainda melhor. Um dos meus favoritos da franquia. Um filme excelente. 





Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/


sexta-feira, 8 de abril de 2022

A HORA DO PESADELO (1984). Dir.: Wes Craven.

 

NOTA: 9.5



Na década de 80, o gênero Slasher já apresentava sinais de desgaste, graças a filmes de baixa qualidade e sequências duvidosas de grandes clássicos do gênero. Mas, eis que em 1984, o diretor Wes Craven brindou o gênero com aquele que seria o filme que o mudou para sempre: o Clássico A HORA DO PESADELO.

 

Acredito que dizer qualquer coisa desse filme seria chover no molhado, mas, o fato é que este é um dos maiores Slashers de todos os tempos, graças à trama inovadora para o gênero, além de ter introduzido um dos grandes monstros do cinema de horror moderno: o maníaco Freddy Krueger, que viria a se tornar um dos maiores vilões do cinema e um dos ícones da Cultura Pop.

 

Bom, vamos ser sinceros. A Hora do Pesadelo é um filme excelente. O diretor Wes Craven teve como base, relatos de pessoas no Camboja que tinham pesadelos e por isso tinham medo de dormir, cominando na morte de um deles; além do medo que um mendigo que vivia perto de sua casa lhe dava quando criança. O roteiro de Craven é espetacular, misturando fantasia e realidade com maestria, além de mostrar os problemas de sua protagonista com os pais separados.

 

Os conflitos entre a protagonista e seus pais é um dos pontos altos do filme, e dão um ar mais real ao filme e um clima de falta de esperança, obrigando Nancy e os jovens a agirem por conta própria. A personagem Tina também é um exemplo, com sua mãe claramente ausente, que leva homens para casa e assim como todos os outros, não se importa com os pesadelos da filha; e o mesmo vale para os outros adultos do longa.

 

No entanto, uma das melhores coisas do filme é a sua atmosfera. O roteiro de Craven, combinados com a fotografia, nos deixam em dúvida sobre o que é realidade e o que é sonho. A fotografia fez um excelente trabalho em combinar o mundo real com o mundo de fantasia e isso fica ainda melhor a cada revisão do filme, além de dar a impressão que os jovens estão sempre presos no mundo dos sonhos.

 

E claro, não dá para falar sobre esse filme sem mencionar o seu vilão. Freddy Krueger é o melhor personagem do filme, sem a menor dúvida. Seu visual icônico, com o suéter verde e vermelho, o chapéu e as garras, marcou-o para sempre como um dos maiores personagens do cinema de horror e um dos grandes ícones da Cultura Pop. O melhor é que Craven soube quando colocá-lo em tela, deixando-o quase sempre nas sombras, mostrando apenas detalhes do personagem. Mas não se engane, isso nos deixa ainda mais curiosos para saber quem é o vilão. E a atuação de Robert Englund contribui para tudo isso.

 

A trilha sonora também é muito boa, principalmente nos momentos de terror e nos consegue deixar arrepiados.

 

Como todo exemplar do gênero Slasher, temos também grandes cenas de morte por aqui. Felizmente, o filme não é cheio de cenas de morte do começo ao fim; as vítimas morrem no tempo certo, investindo mais na história, algo que faz falta hoje em dia. Temos aqui três cenas de morte. A primeira é de Tina, que morre em seu quarto, carregada pelo vilão pelas paredes e pelo teto. O segundo é o namorado dela, Rod, que é enforcado na cela com o lençol da cama. Mas nenhuma delas supera a morte do namorado de Nancy, interpretado por um estreante Johnny Depp: seu personagem é engolido pela cama, que em seguida se transforma num vulcão de sangue.  

 

A Hora do Pesadelo foi lançado em 9/nov/1984 e tornou-se um sucesso de crítica e de bilheteria. O filme foi responsável por introduzir Freddy Krueger na Cultura Pop, transformando-o em um dos maiores vilões do cinema. O personagem ocupa a 40ª posição na lista dos 50 Maiores Vilões do Cinema do American Film Institute. Recentemente, o filme foi escolhido para preservação pela Biblioteca do Congresso. O filme gerou seis continuações, além de diversos produtos derivados.

 

Wes Craven faleceu em 30/ago/2015. Até hoje, A Hora do Pesadelo é considerado como um dos seus melhores filmes, além de ter sido o responsável por revitalizar o subgênero Slasher.

 

Atualmente, a franquia está fora de catálogo no Brasil.

 

Enfim, A Hora do Pesadelo é um filme excelente. Uma trama assustadora e sombria com toques de originalidade ímpar. Uma direção e roteiro inspirados, combinados com um elenco afiado, fazem deste um dos grandes clássicos do terror de todos os tempos. Freddy Krueger se tornou um dos maiores vilões do cinema e um dos marcos da Cultura Pop. A obra-prima do diretor Wes Craven. 




Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/


quinta-feira, 8 de agosto de 2019

OS MORTOS-VIVOS (1981). Dir.: Gary A. Sherman.


AVISO!

ESSA RESENHA CONTÉM SPOILERS!


NOTA: 10


OS MORTOS-VIVOS (1981)
OS MORTOS VIVOS (1981) é um filme excelente. Original, assustador, impressionante e com um final de cair o queixo.

Esse é sem duvida, um dos melhores filmes de terror que já tive o prazer de assistir. Já tinha conhecimento de sua existência graças a uma resenha publicada no site Boca do Inferno, e já de cara, fiquei curioso, porque o que mais me chamou a atenção, era o fato de que o filme tinha um final surpresa. E é verdade. Na primeira vez que eu vi, fiquei chocado. Não me lembrava de ter visto um final tão soco no estomago como o apresentado nesse filme – acho que nem os finais do Shyamalan são tão pesados.

É o tipo de filme que não deve, em hipótese alguma, ser visto pela metade. É necessário assisti-lo desde o começo para entender o que está acontecendo, porque os primeiros sinais de mistério surgem logo depois da sequencia de abertura. E depois que surgem, não param mais. É uma surpresa atrás da outra, o que impede o espectador de parar para respirar. É sério.

O roteiro, escrito por Ronald Shussett e Dan O’Bannon - os criadores de Alien (1979) - é perfeito, redondo e muito bem amarrado. Não existe nenhuma falha na narrativa, e tudo acontece do jeito certo. E como já disse, não poupa o espectador. Porém, o maior problema do filme é o fato de que não dá para falar sobre ele sem entregar spoilers – tentarei fazer isso aqui, mas não prometo nada! É tanta coisa que pega o espectador de surpresa, que fica difícil não entregar pelo menos uma. Talvez, o máximo que pode ser dito é que é um filme de zumbis. Talvez, e olhe lá, difícil dizer mais sem estragar a surpresa.

Bom, além de ser um filme inteligente, é um filme assustador, com imagens que já tornaram-se antológicas – mais sobre isso adiante. É um filme assustador porque existem cenas que fazem qualquer um pular da cadeira, sem esforço. Elas surgem no momento mais inesperado, com uma trilha sonora alta, digna de provocar medo – quase um jump scare, mas um jump scare muito bem feito, diga-se. Esses jump-scares acontecem nas cenas de assassinato, e olhe, que cenas de assassinato. Ao contrario dos Slashers que estavam em vigor na época, aqui nós temos cenas verdadeiramente pesadas, violentas, cruéis: gargantas cortadas, rostos desfigurados e derretidos e membros decepados. Tudo feito de maneira brilhante, realista, até, digna de causar arrepios. Mas claro que as cenas assustadoras não se resumem apenas às cenas de assassinato. Existem também momentos em que o simples olhar de um personagem é assustador; até porque, aquelas pessoas são, de fato, assustadoras e bizarras. E o medo também acontece na forma como tais cenas são construídas: aos poucos, sem pressa, tudo para deixar o espectador mais assustado. E consegue.

O protagonista, o xerife Dan Gillis, é o típico personagem de bom coração de filmes assim. Autoridade na pequena cidade, ele mostra-se um homem que quer, a todo custo, desvendar os crimes que estão acontecendo, sempre confiando na razão e não em forças sobrenaturais. Sua esposa, Janet, é professora na escola local, e a típica esposa apaixonada e devotada ao marido, sempre preparando seu jantar quando ele chega em casa depois do trabalho. Juntos, eles formam um casal simpático, talvez, um casal de mocinhos, mas a coisa não é bem assim. Agora, o personagem mais sinistro é o Sr. Dobbs, o agente funerário. Um velhinho alto, magro, de óculos grandes, que sempre ouve musicas antigas enquanto trabalha. Dobbs é obcecado pelo trabalho. Mas não é o tipo de obsessão boa, não. Seu trabalho na funerária é o de reconstruir os corpos que recebe; e sempre faz o serviço com um sorriso maléfico no rosto, referindo-se a eles como “obras-primas” depois de concluídos. Um sujeito sinistro, no mínimo. Os outros personagens também não ficam atrás. Temos os pescadores, a garçonete, o frentista, o homem do guincho... Todos sinistros.

Como mencionado acima, Os Mortos-Vivos pode ser considerado um filme de zumbis. Mas não espere aqueles zumbis que arrastam os pés, que andam com os braços estendidos, não. Aqui, os zumbis são quem a gente menos espera. E o melhor, o roteiro não dá uma explicação para o que está acontecendo na cidade, e, francamente, para mim, isso não importa. É como o tal conteúdo da mala do Pulp Fiction (1994). A gente nunca sabe o que tem lá dentro, porque não é mostrado, e não faz a menor diferença. Aqui, é a mesma coisa. O máximo que o roteiro faz, é apresentar uma frase presente num livro sobre bruxaria, que diz como os mortos podem ser trazidos de volta, e só. Não precisa de mais nada.

Como em todo filme de zumbis, os efeitos especiais são destaque. E não é pra menos. O responsável por eles foi o saudoso Stan Winston, em inicio de carreira. Como ele mesmo declarou, ele fez tudo sozinho, até porque, o hoje famoso Stan Winston Studio não existia, então, ele teve que arregaçar as mangas. E conseguiu fazer coisas extraordinárias. A melhor, sem dúvida, é o corpo da primeira vitima, com o rosto todo enfaixado, somente com um olho e a boca à mostra. Uma imagem perfeita, que mesmo presente por poucos segundos, já fica na memória. E a cena da agulha também. Segundo Winston, tudo presente naquela cena é um efeito especial, até mesmo o corpo enfaixado. E o resultado é de causar frio na espinha. A outra grande cena, é a cena da reconstrução facial. Winston também fez tudo aquilo sozinho, e o resultado também é de cair o queixo, tanto que ele declarou que foi o efeito que mais o deixou orgulhoso. Nada mal para o homem que se tornou responsável pelas maiores criaturas do cinema de fantasia atual, como os dinossauros da trilogia Jurassic Park, o Pinguim de Batman – O Retorno, O Exterminador do Futuro e Edward Mãos-de-Tesoura, por exemplo. Stan Winston faleceu em 15/jun/2008.

Além dos excelentes efeitos especiais, o filme também é cheio de cenas memoráveis, além das já mencionadas. Outra que merece destaque é quando uma multidão está caminhando em direção ao carro de uma família em apuros. É uma cena brilhante, escura, onde não vemos os rostos das pessoas, apenas as silhuetas, e somente uma luz iluminando as pessoas por trás. Sem duvida, uma cena apavorante. Outra – e foi essa que me surpreendeu primeiro – acontece antes, quando o frentista, que estava de costas, vira-se para a câmera e mostra seu rosto: a revelação é chocante, e como eu disse, foi a que me surpreendeu primeiro. E por ultimo, destaco aquela em que todos colocam flores no tumulo da esposa do xerife, no final do filme. Macabra e muito bem feita.

Os aspectos técnicos também não ficam atrás. Vou destacar a fotografia. Sem duvida, o melhor momento acontece acima, mas existem outras cenas onde o diretor de fotografia fez um ótimo trabalho. Posso estar enganado, mas acho que ele fez uso de luz natural em algumas cenas, principalmente na cena do hotel, e nas cenas noturnas. Todas são muito bem feitas, bem montadas, dirigidas e atuadas. Os atores também não fazem feio. Em momento nenhum, eles mostram-se exagerados ou caricatos; pelo contrário, dá pra imaginá-los como pessoas reais, principalmente o xerife Gillis. Quando ele faz a descoberta chocante no final do filme, as expressões de medo e descrença em seu rosto são verdadeiras. A cena em que ele confronta Dobbs e a esposa é brilhante e muito pesada.

Os Mortos-Vivos foi rodado na cidade de Mendocino, na Califonia. Não sei se a ideia era de que a historia se passasse na Nova Inglaterra, mas o fato é que isso não atrapalha em nada. A locação é belíssima, com sua atmosfera de cidade pequena, costeira, uma verdadeira comunidade de pescadores. Anteriormente, a cidade foi usada como locação em O Altar do Diabo (1970), de Daniel Haller, baseado em O Horror de Dunwich, de H.P. Lovecraft.

Como mencionado acima, o roteiro foi escrito por Ronald Shussett e Dan O’Bannon, e foi vendido como “from the creators of Alien”, inclusive nos trailers. No entanto, O’Bannon declarou que Shussett escreveu o roteiro sozinho, e apenas colocou seu nome no projeto com a promessa de que isso aumentariam suas chances. Porém, ao perceber que suas ideias não foram incluídas, O’Bannon pediu que seu nome fosse removido do projeto, mas isso não aconteceu.

O filme não fez muito dinheiro nas bilheterias, mas o trabalho de Winston foi bastante elogiado; porém, o filme acabou parando na famigerada lista dos “Vídeo Nasties” britânica em 1990 com 30 segundos de cortes – foi lançado sem cortes apenas em 1999. Hoje em dia, o filme possui uma aura cult e é considerado um dos melhores filmes de terror dos anos 80.

O filme chegou a ser lançado em DVD no Brasil há alguns anos, – não sei se saiu em VHS – mas, hoje em dia, está fora de catálogo.

Enfim, Os Mortos-Vivos é um filme excelente. Uma historia fascinante e assustadora. Um filme inteligente e cheio de surpresas. Um pequeno clássico do terror dos anos 80. Brilhante.

Altamente recomendado.










Agradecimentos: Site "Boca do Inferno".


AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.