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sexta-feira, 26 de março de 2021

EVANGELHO DE SANGUE (Clive Barker).

 

NOTA: 8



Não há duvidas que o universo de Hellraiser, criado pelo escritor Clive Barker, é um dos mais ricos do terror. Em Hellraiser, o autor deu uma pequena amostra de como esse universo funciona, apresentando aquele que seria o personagem principal desse universo: o Cenobita Pinhead. Além disso, Barker mostrou que não estava para brincadeira, e criou uma historia banhada em sangue e sexo.

 

EVANGELHO DE SANGUE é mais uma historia do autor ambientada nesse universo, e também serve como uma espécie de prequel dos eventos narrados em Hellraiser. Aqui, o autor apresenta os dois principais elementos do universo de Hellraiser: a caixa de Lemarchand e o próprio Pinhead, descrevendo ambos nos mínimos detalhes, ao contrario do que fizera no livro anterior. Mas não é só isso.

 

Em Evangelho de Sangue, Barker mostra mais uma vez que é um escritor afiado, com uma escrita que penetra na mente do leitor com uma força impressionante. As descrições que ele faz dos cenários é muito bem feita, e não fica difícil para o leitor imaginá-los em sua mente; o mesmo vale para as cenas ambientadas no Inferno, quando Harry e seus amigos vão resgatar Norma. Não sei como foi para os outros leitores, mas eu consegui visualizar aquele Inferno como um lugar de fantasia, com um tom branco ou cinza, ou invés do tradicional vermelho. Barker o descreve quase como uma espécie de jardim morto, com tudo que tem direito. O mesmo vale para os demônios. Eles são descritos como criaturas humanoides, mas sem os chifres e asas de morcego. Sem duvida, uma visão diferente e original.

 

E da mesma forma que fizera no livro anterior, Barker começa a historia com os dois pés no peito, apresentando cenas grotescas de violência e sexo já no prologo. E o restante da historia vai pelo mesmo caminho. Durante toda a leitura, o leitor não é poupado de cenas dignas de pesadelos, com toques grotescos de violência, e principalmente, sexo. Isso mesmo. Barker mistura sangue e sexo em todos os momentos, de uma forma assustadoramente natural, e cada vez que isso acontece, é chocante, e o autor não mostra pudor nenhum, principalmente quando descreve o que as criaturas estão fazendo com seus “membros” – para usar um termo “leve”. É praticamente um terror pornográfico.

 

E falando em terror, novamente, esqueça os torture porn da vida: as cenas de horror descritas por Barker são dignas de pesadelo, com o sangue escorrendo aos montes; claro, não chegam aos pés do livro anterior, mas conseguem ser quase tão grotescas quanto – não há outra palavra para descrever. Com certeza, não é tipo de leitura recomendada para leitores de coração fraco.

 

Os personagens humanos são muito bons e quase parecem pessoas reais, com a diferença que todos têm ligação com o sobrenatural, principalmente o protagonista, o detetive Harry D’Amour. Desde que ele surgiu na historia, eu o visualizei como um detetive particular de filme noir, com o casaco e o chapéu. Aliás, as cenas de investigação do personagem quase parecem com cenas de um filme noir, daqueles clássicos, estrelados por Humphery Bogart. Os outros personagens também são bem descritos, cada um com sua característica própria.

 

No entanto, apesar de contar uma historia muito boa, Barker cometeu alguns erros. O primeiro deles acontece no prologo, quando ele apresenta um demônio-fêmea que nasceu em uma cena grotesca. Eu achei que aquela personagem seria relevante para a historia, mas ela simplesmente desaparece. Eu pelo menos não consegui reencontrá-la. Outro ponto negativo acontece no Inferno, quando Pinhead comete um ato de violência contra Norma, ato esse que não faz parte de seu repertorio. E eu também achei a historia de Lúcifer incompleta.

 

Aliás, esse é outro ponto. Barker criou um universo tão original para os Cenobitas, com um deus próprio, o Leviatã e também o Engenheiro, e aqui, ele apresenta justamente Lúcifer como líder do Inferno. Apesar de descrever uma batalha épica entre ele e Pinhead, eu achei que o autor poderia ter utilizado outra criatura para comandar o Inferno, até porque, como eu disse, a descrição do Inferno não combina com a imagem clássica que temos dele.

 

No entanto, devo dizer que o autor criou, sem duvida, uma batalha épica. Ele mostra que Pinhead está disposto a tudo para tomar o poder e não tem medo de derrubar Lúcifer, mesmo que para isso, tenha que derrubar o próprio Inferno. Toda essa sequencia da luta entre eles é espetacular, com direito a armadura e sangue, muito sangue. E quando Lúcifer ressurge, a atmosfera épica continua. E no final, temos quase um Pinhead arrependido do que fez. Muito bom.

 

E aqui também temos a Caixa de Lemarchand, que abre o portal para o Inferno dos Cenobitas. Como mencionado acima, quando Barker a introduz, faz questão de descrevê-la nos mínimos detalhes, descrevendo até a musiquinha que ela produz ao ser aberta. Por um momento, eu até havia me esquecido dela, mas quando ela retorna, é uma surpresa. E ainda falando do universo de Hellraiser, aqui temos também as clássicas correntes com ganchos; e elas fazem um estrago. Sério.

 

Bem, seja como for, o fato é que Evangelho de Sangue é um livro muito bom; não chega aos pés de Hellraiser, mas, se me perguntassem se merecia uma adaptação para o cinema, eu diria que sim, dependendo de quem assumisse as rédeas.

 

Enfim, Evangelho de Sangue é um livro muito bom. Uma historia épica de terror com toques grotescos de sangue e sexo. A escrita de Clive Barker prende o leitor com suas cenas dignas de pesadelo. Uma viagem literal ao Inferno, onde poucos saem com vida. O reencontro com Pinhead, o principal personagem do universo de Hellraiser. Um livro sangrento e arrepiante. Recomendado.



 

Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/



sexta-feira, 10 de abril de 2020

HELLRAISER (Clive Barker).


NOTA: 10



HELLRAISER
HELLRAISER é um livro assustador, visceral, sangrento e excelente.

Escrito por Clive Barker nos anos 80, é um dos melhores livros de terror que já tive o prazer de ler. Eu havia comprado a minha edição – lançada pela DarkSide Books – em uma Bienal do Livro, há alguns anos, mas não tive a oportunidade de ler. Bem, já corrigi esse erro.

O livro é excelente. Uma obra assustadora e violenta, repleta de sangue e sexo, tudo combinado de maneira brilhante. Mas, na verdade, a historia não é nova para mim.

Eu já havia visto o filme algumas vezes, e realmente, é um clássico do terror. Porem, eu não sabia que o longa era baseado em um livro, achei que era um roteiro original de Barker – mesmo porque isso não é mencionado nos créditos. Só fui descobrir que Pinhead e sua turma surgiram na literatura quando a DarkSide lançou o livro aqui no Brasil, mais detalhes adiante. E não tive duvidas. Eu tinha que adquirir esse livro. Bom, dito e feito.

Conforme mencionei em outras resenhas, existem autores que não precisam escrever um calhamaço de mil páginas para contar uma boa historia; claro, existem aqueles que o fazem, mas ao meu ver, não contam nada – salvo exceções. Hellraiser é um exemplo de livro curto que tem muita historia para contar. E que historia.

Como foi meu primeiro contato com a obra literária de Clive Barker, não sei ao certo como ele aborda seus temas, ou qual a linguagem que ele utiliza para tal, mas, posso dizer o seguinte: Barker é um gênio. Esta é uma das historias de horror mais originais já criadas nos últimos tempos – tanto o livro quanto o filme – e uma das melhores também. Logo no primeiro capitulo, Barker foi ao ponto: apresentou o vilão da historia, contou sobre o que ele gosta e sobre quem ele é, e também apresentou os Cenobitas, os seres que habitam outra dimensão, e podem ser invocados pela Caixa de Lemarchand, um pequeno quebra-cabeça que possui um papel importante na historia. E também Barker não faz cerimonia, e mostra que a historia é visceral e repleta de conotações sexuais, isso já no inicio. A primeira vez que Frank usa a caixa e surge um dos Cenobitas, é apavorante; muito disso vale pela descrição. Barker descreve muito bem as ações e os cenários, e faz a gente que acreditar que tudo aquilo é real, além de tornar fácil a visualização de tudo.

O texto é visceral. Barker escreve as cenas de horror com grande maestria, e não fica difícil para o leitor fazer caretas enquanto lê o livro; caretas de nojo, mesmo. Eu cheguei a fazer algumas durante a leitura. E existe motivo. Não me lembro de ter lido algum livro com cenas de morte e tortura tão pesadas e violentas, muito mais do que os torture-porn da vida; corpos mutilados, ganchos, desmembramentos... Um prato cheio para os fãs do horror. Isso sem falar do conteúdo sexual. Esqueça 50 Tons de Cinza! Assim como o terror é visceral, o sexo, também. As cenas de sexo fazem qualquer livro adulto de hoje parecer historia de criança. Sério. Muito bem escrito.

Quem é fã de Hellraiser sabe que os filmes se resumem a um grupo de personagens: os Cenobitas, liderados pelo inesquecível Pinhead. Pois bem, quem já viu os filmes, sabe que eles foram apresentados no primeiro filme, lançado em 1987. E em toda sua gloria. Aqui, no livro, não tão diferente assim. Como mencionado acima, Barker apresenta um deles logo no primeiro capitulo da historia, mas só reserva espaço para eles brilharem novamente, mais adiante. Mas não tem importância. Mesmo sendo identificados pelo nome, é fácil saber quais Cenobitas estão presentes no livro. Eu acredito que sejam o Pinhead e a Fêmea, com base nos diálogos, muito parecidos com os diálogos do filme.

Os outros personagens também são muito bons, principalmente a Kirsty, que se tornou a “final-girl” do primeiro filme. Bem, assim como no filme, aqui ela está ótima, e poderia ser a protagonista da historia sem esforço, mas, eu acredito que quem protagoniza a historia de fato sejam o Frank e a Julia. Apesar de não aparecer muito, Frank é um personagem perturbador, tanto na forma humana, e quando retornada dimensão dos Cenobitas. Inclusive, eu acredito que ele volta muito pior da dimensão dos Cenobitas. O mesmo não pode ser dito de Rory, seu irmão, que, infelizmente, não é tão interessante, e é quase um personagem apagado. E, ao contrario do filme, aqui, Julia está ótima. Desde que surge pela primeira vez, ela não esconde sua personalidade: amargurada, arrependida de ter se casado com Rory, e completamente devota e submissa a Frank.

Sobre a edição lançada por aqui pela DarkSide, o seguinte. Como sempre, a editora caprichou no lançamento, e fez um trabalho excelente. O acabamento é maravilhoso, com todos os detalhes que remetem ao filme; a tradução está excelente, e a formatação também, e não atrapalha a leitura. Sem duvida, a DarkSide Books é uma editora que respeita e ama seus fãs, e traz sempre produtos de qualidade.

Como todos sabem, Clive Barker acabou adaptando seu livro para o cinema em 1987, um ano depois da publicação original. O filme é, sem dúvida, um Clássico do Terror, que deu origem a um dos personagens mais queridos do gênero: Pinhead.

Enfim, Hellraiser é, sem duvida, um excelente livro de horror. Uma historia visceral de sangue e sexo, combinados de maneira brilhante. Uma historia perturbadora e violenta, mas escrita com maestria. Uma das historias de horror mais originais que já li. Maravilhoso.

Altamente recomendado.





AVISO.

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