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sábado, 19 de outubro de 2024

O DESPERTAR DOS MORTOS (1978). Dir.: George A. Romero.

 

NOTA: 10


O DESPERTAR DOS MORTOS é, sem dúvida, o melhor filme de George A. Romero, além de ser o melhor filme de zumbis de todos os tempos.

 

Filme do meio da trilogia dos zumbis, esse filme apresentou tudo aquilo que hoje é utilizado em mídias sobre apocalipse zumbi.

 

Algumas regras já haviam sido estabelecidas em A Noite dos Mortos-Vivos, mas, em Despertar, elas foram aumentadas, e hoje em dia, tornaram-se praticamente obrigatórias.

 

Isso sem falar que, assim como seu antecessor, é um filme repleto de comentário social, desta vez, voltado para o consumismo.

 

Essa era uma característica nos filmes de Romero, mas, acredito que ficaram ainda mais em evidência dos seus filmes de zumbi, visto que o cineasta soube fazer isso com maestria, maestria essa que até hoje é discutida por cinéfilos e cineastas.

 

Além de tudo isso, Despertar também é um marco do gore, graças aos efeitos especiais do mestre Tom Savini, mas, mais detalhes sobre isso adiante.

 

Na trama, o mundo está quase todo devastado pelos zumbis. Sabendo disso, um grupo de quatro pessoas foge em um helicóptero e acaba encontrado um shopping center, onde acaba se instalando para escapar do ataque dos mortos-vivos.

 

Assim como no anterior, é uma trama simples que também está carregada de comentários sociais, mas, ao contrário do primeiro filme, é possível perceber que o orçamento foi um pouco maior aqui.

 

A grandeza do filme está presente desde os seus bastidores.

 

Romero estava com dificuldades de produzir uma continuação para o primeiro filme, mas acabou recebendo apoio do diretor Dario Argento, que já era um grande fã do cineasta, e vice-versa. Assim, Romero viajou para a Itália, onde conseguiu desenvolver o roteiro e conseguiu financiamento para realizar o filme.

 

É legal saber que Romero teve apoio de Argento para fazer o filme, o que formou uma grande amizade entre eles, que se consolidou ainda mais quando se uniram novamente para dirigir o filme Dois Olhos Satânicos (1990), antologia baseada em dois contos de Edgar Allan Poe.

 

Ainda segundo Romero, a ideia para este filme surgiu quando ele estava em um shopping center em Pittsburg, e imaginou como seria se uma horda de zumbis invadisse o lugar.

Conforme mencionado acima, a crítica da vez está no consumismo exagerado, e não deixa de ser verdade, visto que, quando as pessoas vão ao shopping, elas passam horas no local, olhando para os itens em oferta, e além disso, quando acontece alguma promoção em alguma loja, não é incomum ver um grupo de pessoas se formando na porta do estabelecimento, prontas para agarrar os itens o quanto antes. Eu já vi uma imagem dessas na internet, mas, graças a Deus, nunca presenciei algo como esse pessoalmente.

 

Agora que já comentei um pouco a respeito do comentário social presente no filme, deixe-me falar sobre os personagens.

 

O roteiro é focado em grupo de quatro pessoas, formado por dois policias da SWAT, uma repórter de TV e um piloto da emissora. A interação entre eles é muito boa, e é possível identificá-los rapidamente, assim que aparecem no filme. Fran se encaixa a princípio no perfil da mocinha indefesa, visto que ela começa o filme toda fragilizada, mas, conforme a trama avança, ela se mostra tão forte quanto os homens. Stephen é o seu namorado, e é o piloto do grupo; no início, ele também se mostra receoso em matar as criaturas, mas muda de atitude quando percebe que não há outra saída. Peter e Roger são os agentes da SWAT, e cada um possui sua própria personalidade; Roger é valente e não tem medo do perigo; Peter, por outro lado, é mais racional, mas valente, também.

 

Juntos, os personagens formam um grupo bastante unido, e se apoiam nas decisões importantes que devem ser tomadas. Além disso, eles se unem também na hora de tomar o shopping, chegando a construir quase que uma casa dentro do prédio, no local onde escolheram para se esconder. E na hora do combate, eles se unem ainda mais, cada um dentro de suas habilidades.

 

O roteiro de Romero também é muito afiado no que quis respeito ao ritmo. Logo no começo, fomos brindados com uma confusão no estúdio de TV, passando para uma guerra no conjunto habitacional de cubanos. Depois desse início frenético, as coisas começam a andar de forma mais lenta, com os personagens tomando o shopping, procurando um lugar para se esconder, depois, começam a tomar as coisas das lojas, até que conseguem se firmar no local. Mas não é só isso. A trama também se preocupa em explorar as relações entre os quatro, principalmente entre Fran e Stephen.

 

Em determinado momento, um grupo de motoqueiros saqueadores invade o prédio e provoca uma guerra com os quatro, o que leva a trama de volta à ação, visto que eles também lutam contra os zumbis das formas mais criativas possíveis.

 

Conforme mencionado acima, o filme é também um marco do gore, graças aos excelentes efeitos especiais de Tom Savini. O visual dos zumbis é básico, até, com uma tonalidade cinza e azulada, mais os efeitos de morte são o auge. Logo na primeira sequência de ação, no conjunto habitacional dos cubanos, somos presenteados com uma cabeça explodindo em frente à câmera, além de cenas de pessoas sendo mordidas. No shopping, a coisa não é muito diferente, com os zumbis sendo derrotados com tiros na cabeça, mas com efeitos diversos. No entanto, o melhor acontece quando eles matam os motoqueiros, arrancando seus órgãos na base da unha, e devorando-os vivos. No entanto, Savini deixaria o melhor para o filme seguinte da trilogia, Dia dos Mortos (1985), mas isso é assunto para outra resenha.

 

Despertar dos Mortos foi financiado por Dario Argento, conforme mencionei, e com isso, acabou ganhado uma versão remontada pelo cineasta italiano para o mercado europeu, que recebeu o título de Zombie. Além da versão editada por Argento, o filme também possui uma versão estendida, com 139 minutos, considerada por muitos como a Versão do Diretor; no entanto, Romero afirmava que a sua Versão do Diretor era a versão original, com 127 minutos. A versão escolhida para esta resenha é justamente a Versão do Diretor.

 

Foi lançado em Blu-ray e DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, numa edição que apresenta as três edições, em versões restauradas, com um disco só de extras. Atualmente, tais edições estão fora de catálogo.

 

Enfim, O Despertar dos Mortos é um filme excelente. O filme que apresentou as principais regras para as mídias posteriores, além de contar com uma direção inspirada, roteiro afiado, e efeitos especiais bastante criativos. Um filme que se tornou um marco do gore, e também, o melhor filme de zumbis de todos os tempos, além de ser o melhor filme do diretor George A. Romero.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


sábado, 16 de dezembro de 2023

A FILHA DO DEMÔNIO (1991). Dir.: Michele Soavi.

 

NOTA: 7.5


Durante o final da década de 80 e começo da década de 90, o cinema de horror italiano começava a dar seus últimos suspiros, com obras ruins e de gosto duvidoso; no entanto, alguns cineastas ainda tentavam extrair o máximo de conseguiam em filmes que até possuíam um certo charme. Michele Soavi foi um desses cineastas, tendo apresentado ao publico filmes que possuíam um teor lírico, mas assustadores ao mesmo tempo.

 

A FILHA DO DEMÔNIO é um desses exemplos. Lançado em 1991, produzido e co-escrito pelo mestre Dario Argento, este é um filme um tanto quanto difícil de classificar, por causa do seu roteiro um tanto elaborado, que às vezes demora um pouco para engatar e apresentar uma trama concreta.

 

A começar pelo seu prólogo, ambientado no Norte da Califórnia em 1970, onde um grupo de hippies é assassinado por um grupo de satanistas no deserto. Em seguida, somos levados para a Alemanha, onde um homem mata uma mulher e arranca seu coração, e, antes de ser preso pela policia, comete suicídio.

 

Após essa introdução, somos apresentados aos seus protagonistas, um estranho velho que quase é atropelado por Miriam, uma professora local. A partir daí, uma serie de eventos estranhos começam a acontecer, principalmente após a morte do velho, eventos que aparentemente não têm nenhuma relação entre si e com a trama propriamente dita. Ao meu ver, a própria trama se desenrola próximo ao final do filme, com a volta de personagens que haviam aparecido anteriormente.

 

Mas, apesar do roteiro um tanto confuso no início, como de costume para os demais filmes de Soavi, temos uma técnica muito boa, apostando em algumas cenas no lirismo e na beleza, além de uma direção de arte digna de nota, misturado a uma fotografia inspirada, principalmente nas cenas ambientadas no porão da casa de Miriam, com uma tonalidade azul forte, misturada com uma luz que vem de uma janela redonda.

 

Essa é uma característica muito presente nos filmes de Michele Soavi, talvez inspirado por Argento e por seus antecessores; mas o fato é que o diretor dá um toque muito pessoal em suas obras, deixando-as sempre bonitas e fantasiosas.

 

Um exemplo é uma sequência em que uma chuva de pólen cai sobre os cenários, começando pela sequência da escola; uma sequência muito bonita e muito bem feita, e que remete aos filmes anteriores – e futuros – de Soavi. Ainda sobre essa cena da escola, uma das crianças utiliza uma mascara de pássaro enquanto espera por seus pais; outro exemplo da técnica de Soavi, além de ser um indicio da presença de um pássaro em si no filme.

 

Além da beleza e do lirismo, Soavi faz uso de lentes grande-angulares em algumas cenas, principalmente na cena em que o velho pinga um estranho liquido em seus olhos. O take seja a ser um tanto desconfortante, visto que Soavi faz questão de focar nos olhos do ator Herbert Lom, de maneira profunda, enquanto ele pinga o liquido em seus olhos. Faz lembrar os takes nos olhos de Marylin Burns em O Massacre da Serra Elétrica, mas com um toque a mais.

 

Conforme mencionado acima, o roteiro não é um dos grandes pontos do filme, visto que nunca deixa claro o que está acontecendo ou qual a relação entre alguns eventos, deixando as respostas apenas para os momentos finais, onde somos apresentados à uma seita de satanistas, entre eles, o mesmo homem que apareceu no prólogo. Ao invés de explicações, temos uma enxurrada de eventos sobrenaturais acontecendo, aparentemente todos ligados ao porão da casa de Miriam. Eu já assisti ao filme algumas vezes e tive algumas dificuldades para entender o que está acontecendo.

 

Mas, apesar desse roteiro um tanto confuso, vale uma conferida, seja pela direção inspirada de Michele Soavi, seja pelo seu elenco, liderado por Kelly Curtis e Herbert Lom. Os dois atores interpretam muito bem seus papeis, principalmente Lom, que dá vida ao misterioso velho, que se revela membro da seita satânica.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Obras-Primas do Terror – Volume 8, com áudio em italiano e em versão restaurada, com um depoimento do diretor.

 

Enfim, A Filha do Demônio é um filme bom. Uma obra fantasiosa e lírica, comandada com maestria por Michele Soavi, conforme é comum em seus filmes. A fotografia e a direção de arte também merecem menção, principalmente nas cenas do porão, com uma iluminação que enche os olhos. O roteiro não é o grande atrativo, mas a direção e a técnica compensam e valem uma conferida. Recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.


segunda-feira, 6 de novembro de 2023

QUATRO MOSCAS SOBRE VELUDO CINZA (1971). Dir.: Dario Argento.

 

NOTA: 9



Entre 1970 e 1971, o diretor Dario Argento lançou sua Trilogia dos Animais, que se tornaram um marco no Giallo italiano.

 

Em 1971, mesmo ano em que lançou O Gato de Nove Caudas, Argento lançou QUATRO MOSCAS SOBRE VELUDO CINZA, ultimo filme da trilogia, e um dos melhores de sua filmografia.

 

Como boa parte de sua filmografia, Quatro Moscas é um exemplar do Giallo, aqui, sem apostar na marca registrada do gênero, o assassino de luvas pretas. Ao invés disso, temos aqui uma outra variação do gênero, apostando em um assassino diferente.

 

Mas antes de falar sobre isso, vou falar sobre a técnica. Como sempre, na primeira fase de sua carreira, Argento se mostrou um grande mestre na direção, com sua câmera criativa, com ângulos e movimentos variados, que apostam até na estranheza.

 

O roteiro, escrito pelo cineasta a partir de um argumento em parceria com Luigi Cozzi, também é o grande ponto, porque mais uma vez aposta no suspense e mistério, principalmente em revelar a identidade do assassino, além de apresentar personagens estranhos e uma lista grande de suspeitos.

 

Além de focar no suspense, o roteiro basicamente se foca em um único personagem, no caso, o musico Roberto Tobias, que é perseguido por uma pessoa misteriosa, após matar acidentalmente um homem que o acompanhava diariamente. Essa é a grande sacada do roteiro, porque, num primeiro momento, pensamos que o estranho de chapéu é um fã obsessivo, que irá transformar a vida do protagonista em um inferno, mas acontece essa virada na trama, e o protagonista é perseguido por outra pessoa, com um motivo muito particular.

 

Mas não irei entrar em mais detalhes para não revelar spoilers; só digo que a identidade do assassino me pegou de surpresa na primeira vez que assisti ao filme; e, nas próximas revisões, é possível ver que as dicas estavam lá, algo comum no gênero.

 

Como de costume no cinema italiano, principalmente nos filmes de Argento, o roteiro aposta também em personagens estranhos e misteriosos, como o escritor de histórias aleatórias, que está sempre contando o enredo para os amigos; o bizarro carteiro, que faz entregas erradas; e principalmente, a dupla que ajuda o protagonista – um homem conhecido como Deus, e outro conhecido como o Professor. Os dois protagonizam os melhores momentos do filme, principalmente o tal do Professor, que recita os versos da Bíblia.

 

Mas o melhor do filme é o mistério, apresentado logo no inicio, com a presença do homem misterioso. Depois da “morte” do homem, somos apresentados a um jogo doentio, onde o assassino envia fotos do ocorrido e pertences do morto ao protagonista, o que o obriga a pedir ajuda aos seus amigos e a um detetive particular, um dos melhores personagens do filme. Conforme mencionei acima, é difícil entender o motivo por trás dos atos do assassino, e qual será o seu próximo passo; culminando numa sequencia de assassinatos, até chegar a sua identidade.

 

Também conforme mencionado acima, Quatro Moscas aposta numa grande técnica de direção de Argento. O cineasta faz uso de métodos criativos, como movimentos rápidos, planos em POV, ângulos criativos e outros.

 

E claro, temos a trilha sonora do Maestro Ennio Morricone, uma das melhores de sua carreira, e a melhor da trilogia.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção A Arte de Dario Argento, em versão restaurada com áudio em italiano.

 

Enfim, Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza é um filme excelente. Um longa de suspense e mistério, contado com a maestria do diretor Dario Argento, com sua direção inspirada e roteiro afiado, combinado com uma trilha sonora maravilhosa do Maestro Ennio Morricone. Um quebra-cabeça, cujas as peças precisam ser encaixadas cuidadosamente, até chegar a um final de cair o queixo. O filme que encerra a Trilogia dos Bichos.


Créditos: Versátil Home Vídeo.

 

terça-feira, 2 de agosto de 2022

O GATO DE NOVE CAUDAS (1971). Dir.: Dario Argento.

 

NOTA: 9.5



Entre 1970 e 1971, o diretor Dario Argento lançou sua Trilogia dos Animais, que se tornaram um marco no Giallo italiano.

 

O GATO DE NOVE CAUDAS é o filme do meio dessa trilogia, e o meu favorito, embora não seja melhor do que o anterior, o Clássico O Pássaro das Plumas de Cristal (1970).

 

Por que é o meu favorito? Bem, o principal fator é a relação entre os protagonistas, o jornalista Carlo Giordani, e o criador de enigmas Franco Arnò, interpretados por James Franciscus e Karl Malden, respectivamente. Mas não é só isso.

 

O filme é um dos mais bem dirigidos pelo diretor, que aqui começou a apresentar algumas de suas características da carreira. Além disso, temos também uma das melhores variações do Giallo clássico, visto que aqui, não temos a presença das luvas pretas. Conforme mencionei em outras resenhas, eu gosto das variações do gênero, mas prefiro muito mais o clássico, com as clássicas luvas pretas e a navalha. No entanto, O Gato de Nove Caudas me agrada muito por ser um filme do mestre Argento, considerado um dos principais nomes do gênero.

 

Esse é o truque. Eu já vi algumas variações do Giallo, algumas dirigidas por especialistas, mas elas não me agradaram muito. Este aqui é diferente, porque estamos vendo o nascimento do gênero pelas mãos de Dario Argento, então, a meu ver, tais alterações são bem-vindas.

 

Além disso, temos também os personagens, que são muito criveis e simpatizantes, e quando algum morre, é um pouco triste até, porque todos possuem sua importância para a trama. Os melhores são os quatro protagonistas, principalmente a menininha Lori, que acompanha Arnò o tempo todo, porque o personagem é deficiente visual.

 

Além de um Giallo, temos aqui também um filme com elementos de espionagem, visto que após a invasão no instituto, todos começam a suspeitar que foi algo envolvendo espionagem, porque uma das pesquisas era muito secreta, e poderia trazer problemas – a existência do cromossomo XYY, que poderia levar o ser humano a desenvolver tendências criminalísticas, algo que o próprio diretor e o roteirista Dardano Sacchetti pesquisaram antes de desenvolver o roteiro.

 

E a trama toda se desenvolve a partir dessa invasão, porque a partir daí, temos o Giallo clássico, com inúmeros suspeitos, cujas peças vão se encaixando aos poucos, até a conclusão, onde o culpado é revelado. Eu confesso que fiquei surpreso na primeira vez que vi o filme, pois eu não sabia que aquele personagem era o culpado, algo que o gênero faz com maestria, independente do cineasta.

 

E como de costume, temos também os personagens estranhos e engraçados: o barbeiro; Gigi, um ex-condenado especialista em arrombamentos; Morsella, o detetive que adora falar sobre receitas; e alguns dos cientistas do instituto, como por exemplo, o Dr. Braum, que se torna um dos principais suspeitos. Desses personagens, os meus favoritos são Morsella e Gigi, o Perdedor, porque eles protagonizam as cenas mais engraçadas do filme.

 

Temos também o elemento do romance, que se desenvolve entre Giordani e Anna, a filha do dono do instituto, o Dr. Tersi. Pode parecer meio obvio que os dois acabariam se envolvendo, mas eu gosto, acho muito bacana. Os dois protagonizam uma das melhores cenas do filme, uma perseguição de carro por toda a cidade, apenas para despistar a polícia.

 

Mas o que mais impressiona é a técnica. Diferentemente do que veríamos no futuro, aqui temos um Argento ainda em fase de desenvolvimento como cineasta, com seus truques de câmera para simular a presença do criminoso, no caso, a câmera em POV e closes nas pupilas, algo que seria recorrente em sua filmografia. Com sua câmera, o diretor cria cenas verdadeiramente carregadas na tensão, visto que nunca vemos a figura do criminoso, nem mesmo quando há a presença de objetos, como cigarros e seringas, por exemplo. A câmera em POV seria também utilizada por outros diretores nos Gialli futuros, e acabou se tornando também uma característica do gênero; tanto que acabou migrando para os EUA nos Slashers.

 

Além de tudo isso, temos também a relação entre os protagonistas, para mim, a melhor coisa do filme. Desde o primeiro encontro, os dois personagens se dão super bem, e rapidamente começam a investigar o ocorrido, mesmo que isso signifique correr riscos. Como eu disse, é a melhor coisa do filme, e uma inspiração para mim como escritor, porque me lembra de dois personagens que eu e meu irmão criamos quando éramos crianças. Inclusive, essa é outra característica do gênero. Os dois não são policiais e decidem bancar os detetives, porque nos Gialli, a polícia nunca é eficiente, e cabe ao protagonista descobrir a identidade do criminoso. O melhor momento é quando Giordani pede ajuda ao seu amigo Gigi para entrar na casa de Tersi a fim de descobrir alguma pista.

 

E como em todo Giallo, temos as cenas de morte. Aqui, como de costume, o diretor Argento transforma as mortes em espetáculos visuais, principalmente a cena do trem, violenta ao extremo. Mas não se engane, são cenas muito boas de se ver, e o diretor começa a dar os primeiros passos em direção às cenas de assassinatos grandiosos.

 

Não posso concluir essa resenha sem falar da cena mais tensa do filme inteiro, a cena do cemitério. Em determinado momento, Arnò se lembra do relógio que a noiva de uma das vítimas usa, e conclui que ali pode estar a peça-chave do enigma. Então, ele e Giordani vão ao cemitério encontrar o relógio, o que culmina na cena com o jornalista trancado dentro da cripta escura. Mesmo sendo uma cena que dura poucos minutos, é uma cena muito tensa, pois dá para sentir o medo no protagonista. Segundo o roteirista Sacchetti, a cena lhe serviu de inspiração para criar outras cenas tensas no futuro.

 

Como mencionado acima, O Gato de Nove Caudas é o filme do meio da Trilogia dos Animais, produzida entre 1970 e 1971, com todos os filmes dirigidos pelo mestre Dario Argento, que se tornaram clássicos em sua filmografia e no gênero Giallo.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção A Arte de Dario Argento, em versão restaurada com áudio em italiano.

 

Enfim, O Gato de Nove Caudas é um filme excelente. Uma história de mistério com toques de espionagem e cenas de ação que o deixam ainda mais divertido. Um verdadeiro quebra-cabeça, onde as peças vão se juntando aos poucos e revelando o mistério para o espectador. Aqui, temos ainda um Dario Argento em fase de desenvolvimento cinematográfico, mas que mostra sua capacidade como cineasta. Um dos melhores filmes do diretor e um clássico dos Gialli italianos.


Créditos: Versátil Home Vídeo

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sábado, 12 de fevereiro de 2022

A MANSÃO DO INFERNO (1980). Dir.: Dario Argento.

 

NOTA: 9.5



Dario Argento é um dos grandes nomes do cinema de horror italiano. Nos primeiros anos de carreira, lançou grandes clássicos do gênero, entre eles, a Trilogia dos Bichos (1970-1971), além de Suspiria (1977) e Prelúdio para Matar (1975), sua grande obra-prima, e o maior Giallo de todos os tempos. 

 

Em 1980, Argento se uniu ao mestre do terror italiano, o Maestro Mario Bava, e juntos, produziram A MANSÃO DO INFERNO, o filme do meio da Trilogia das Mães, iniciada com Suspiria (1977). O que posso dizer sobre esse filme? Bem, vou ser claro: é um dos meus filmes favoritos do diretor, e também um dos seus melhores.

 

Inferno é um filme belíssimo, um verdadeiro espetáculo visual, e motivos para isso não faltam. Mais uma vez, Argento se mostra um mestre na direção, e também se mostra um grande contador de histórias, uma vez que aqui entrega mais um grande filme, do jeito que ele sabia fazer na época.

 

O diretor faz um dos seus melhores filmes, uma rara excursão no terror, visto que na época ele era mais conhecido por seus exemplares do Giallo, gênero que o consagrou no cinema. E aqui, fica evidente a presença do gênero, até porque, acredito que era difícil para o diretor se distanciar do mesmo, e sinceramente, eu não vejo nenhum problema nisso; na verdade, é algo até natural.

 

Inferno é um verdadeiro espetáculo visual, e grande parte se deve à fotografia. O filme é muito colorido, com cores que pulsam na tela, principalmente o azul, o vermelho e o rosa, cores utilizadas por Bava no seu O Chicote e o Corpo (1963); e graças a isso, o filme mais parece um longa do Maestro do que um longa de Argento. Além da fotografia, Bava também trabalhou na equipe de produção do filme.


O Maestro foi responsável pelos efeitos especiais, e também foi diretor da segunda equipe, além de ter substituído Argento na direção quando o mesmo precisou se afastar por problemas de saúde. Algumas das cenas comandadas pelo Maestro são as cenas debaixo d’água e a sequência dos ratos. E há até uma foto de bastidores onde ambos dividem o set de filmagens.


Inferno foi o último filme que contou com a colaboração de Mario Bava; o Maestro faleceu em 27/abr/1980.

 

Com certeza, o fato de ter sido o filme onde ambos trabalharam juntos, faz deste um verdadeiro deslumbre, e também deve servir como atrativo para os fãs do terror italiano, porque, conforme mencionado acima, o diretor Argento estava em alta na época, e entrega grandes filmes; e quanto ao Maestro Bava, não há comentários.




Inferno marcou uma nova parceria do diretor com sua companheira, a saudosa Daria Nicolodi, aqui no papel de atriz. A atriz entrega uma ótima atuação, no papel de uma condessa decadente e de saúde frágil, que se alia ao protagonista em sua busca por sua irmã. Além dela, temos ótimos atores, entre eles, a atriz Alida Valli, que já trabalhou com o diretor em Suspiria, além de ter trabalhado com o Maestro em Lisa e o Diabo (1973); a atriz interpreta a misteriosa senhoria do prédio, e sua performance é digna de calafrios. Outros como Feodor Chaliapin Jr.; Ania Pieroni; Irene Miracle e Gabriele Lavia também entregam grandes atuações, em papéis secundários, mas muito importantes para a trama.



Conforme mencionado acima, Inferno é o filme do meio da Trilogia das Mães, iniciada com Suspiria (1977) e concluída com A Mãe das Lágrimas (2007), que infelizmente, marca a fase decadente do cineasta. Recentemente, surgiram boatos a respeito da jovem que segue o protagonista na sequência da aula de música, interpretada por Ania Pieroni. Dizem que a personagem é a Mãe das Lágrimas em sua juventude. Quanto a isso, não sei o que dizer; o que posso dizer é que a atriz tem presença forte, com seus grandes olhos verdes.



Outra coisa que me atrai nesse filme, além da fotografia colorida, é o som. Sério, os efeitos de som aqui são maravilhosos e enchem os ouvidos, principalmente o som dos passos.

 

Além do som, é notável a habilidade de Argento em dar destaque para coisas “sem importância”, como por exemplo, a chuva e cacos de vidro, assim como fizera em Suspiria. Sobre a sequência da biblioteca, o que chama a atenção é o modo como as gotas caem na roupa de uma personagem, além do modo como a água cai do céu. Maravilhoso.

 


Conforme mencionado, Bava dirigiu a famigerada sequência dos ratos, uma sequência repugnante, onde os animais surgem aos poucos de um cano de esgoto, até o cobrirem por completo. Eu pessoalmente tenho PAVOR DE RATOS, e se estivesse presente na cena, ficaria muito, mas muito nervoso. Mas voltando a sequência, posso dizer que a punição que o personagem ali presente merece, porque ele é cruel com alguns gatos que invadem seu estabelecimento. Não sou fã de gatos, mas admito que o que ele faz com eles é cruel. A cena do esfaqueamento é digna do trabalho de Argento, que lembra muito seus Gialli anteriores, apesar de parecer um pouco deslocada. Eu pessoalmente faço uma comparação com a cena do cachorro em Suspiria, onde o animal foi tomado por forças sobrenaturais; aqui, acredito que não é diferente.

 


Sobre a cena como um todo, ela digna de um filme do Maestro, com as cores pulsantes e a luz que se projeta por detrás da árvore. Além disso, é rodada em grandes planos gerais, onde fica impossível focar em uma única coisa em particular.

 


Bem, aqui temos também outra amostra do gosto que Argento tem por gatos, conforme mostrou logo na Trilogia dos Bichos. Aqui, os animais fazem um estrago com uma das personagens, com direito a closes extremos de suas patas e garras afiadas se projetando para fora; além disso, a cena também apresenta elementos de Giallo, conforme dito diversas vezes aqui. 

 


Para encerrar, quero destacar a trilha sonora, composta pelo falecido Keith Emerson, com destaque para Mater Tenebrarum, presente na cena em que Mark, o protagonista, se arrasta pelo interior do prédio, trilha essa que se repete nos créditos finais. Além da trilha de Emerson, temos também trechos com ópera, principalmente a ópera de Verdi – Va’ pensiero, de Nabucco. A mesma toca em momentos chaves da trama, e pessoalmente, eu acho muito bonito. 

 

E por fim, quero deixar aqui as minhas impressões a respeito da Mãe das Trevas, principalmente da sua forma final. A mesma é interpretada pela atriz Veronica Lazar, que também atuou em Terror nas Trevas (1981), de Lucio Fulci; mesmo com pouca presença, ela consegue passar um ar de mistério, principalmente quando está junto de um velho cadeirante. E sua forma final é muito bonita; o mesmo vale para a maquiagem dos seus servos, com suas mãos putrefatas com unhas compridas e afiadas.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, em belíssima versão restaurada com áudio em italiano, na coleção Obras-Primas do Terror Vol.2, dedicada ao terror italiano.

 

Enfim, A Mansão do Inferno é um excelente filme do diretor Dario Argento. Um verdadeiro espetáculo visual, com cores que pulsam na tela e deixam o filme mais bonito, além de outros aspectos que contribuem para deixa-lo ainda melhor a cada revisão. A união de Dario Argento com o Maestro Mario Bava é o grande fator que chama a atenção para este filme, além da habilidade de Argento como diretor e roteirista. Um espetáculo de cores e som. 



Créditos: Versátil Home Vídeo



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sábado, 9 de maio de 2020

O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL (1970). Dir.: Dario Argento.



NOTA: 10



O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL
(1970)
Segundo o próprio Dario Argento, o Giallo é um gênero italiano. Surgiu no país na literatura, com uma pequena editora que lançava os livros de suspense com as capas amarelas – “giallo” quer dizer “amarelo” em Italiano – para diferenciá-las dos demais. A partir de 1963, o gênero migrou para o cinema, graças ao Maestro Mario Bava, que lançou o filme A Garota que Sabia Demais, que possuía algumas características que se tornariam clássicas no gênero. No ano seguinte, foi lançado Seis Mulheres para o Assassino, também do maestro Bava, filme responsável por apresentar as principais características do gênero: as mortes mirabolantes, a ineficiência da policia, a misoginia, as pistas falsas, e principalmente, o assassino de luvas pretas. Apesar desse pontapé inicial, não foram muitos os cineastas que resolveram se aventurar nesse gênero. Até que, em 1970, a coisa mudou.

Além de ser o primeiro filme do diretor Dario Argento, O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL, foi também o filme responsável por lançar de vez o Giallo no cinema. E já em sua estreia, Argento mostrou a que veio.

A história é contada de forma brilhante, com ótima direção, roteiro bem amarrado e ótimas atuações. É o tipo de filme onde tudo funciona a seu favor, e a cada revisão, parece ficar melhor; pelo menos para mim é assim. E mesmo tendo visto várias vezes, é um filme que gosto muito de assistir.

Não sei ao certo quando meu interesse pela obra de Argento começou, mas, desde que resolvi me aventurar em sua filmografia – a melhor parte, pelo menos – me tornei fã e admirador do cineasta, fazendo de seus filmes, uma inspiração. E este aqui é um dos meus favoritos.

Conforme já mencionei, O Pássaro é um filme onde tudo funciona, a começar pelo roteiro. Conforme Argento comentou em entrevistas, ele tinha interesse em modificar as regras do suspense. O que de fato, ele conseguiu. O roteiro é muito bem escrito, e consegue levar o protagonista, o escritor Sam Dalmas, a uma teia cheia de enigmas, que parecem aumentar à medida que ele resolve investigar por conta própria. Esta é também outra característica do gênero: a investigação que o protagonista faz por conta própria – quase sempre motivado por algo que testemunhou anteriormente – uma vez que a policia não consegue resolver os crimes. O fato da policia não conseguir resolvê-los, já fora estabelecido por Bava, mas, antes deste aqui, não me lembro de outro exemplar onde o protagonista resolve investigar o mistério; talvez nos filmes que vieram depois de Bava, mas não posso afirmar com certeza absoluta. O fato é que aqui, Dalmas faz exatamente isso, uma vez que o Comissário Morossini e seus homens estão em um beco sem saída.

Já no primeiro filme, Argento apresentou uma de suas principais características: o uso de câmeras subjetivas. É incrível o que a câmera faz em determinadas cenas, principalmente simula os POV’s – pontos de vista. E um cena em especial, Argento e o diretor de fotografia, Vittorio Storano, posicionam a câmera sobre um lance de escadas de um prédio, dando uma ótima perspectiva do ambiente. Outra que o diretor soube fazer muito bem foi enquadrar as mulheres. Segundo o próprio Argento, essa habilidade surgiu ao seu costume de observar o trabalho da mãe, a fotógrafa brasileira Elda Luxardo, que passava horas fotografando atores e atrizes italianos famosos. E dá para perceber que o diretor aprendeu muito bem. Os enquadramentos são perfeitos, principalmente das mulheres. Acho que nunca vi um filme em que as atrizes foram tão bem enquadradas pela câmera, algo que o cineasta utilizou em seus filmes futuros.

Outra coisa que funciona muito bem é a trilha sonora, composta pelo Maestro Ennio Morricone. Ao invés de uma trilha pesada, Morricone utilizou vozes femininas para fazer um coro parecido com uma canção infantil. É uma trilha que combina muito bem com a atmosfera.

Mas talvez as melhores coisas do filme sejam as cenas de assassinato, e o próprio assassino. Como já havia dito no começo, um dos atributos que tornaram o Giallo conhecido, foi a figura do assassino em roupas escuras, usando luvas de couro pretas, e aqui temos isso na melhor forma. O assassino encaixa-se perfeitamente na descrição clássica: usa roupas pretas, jaqueta com a gola levantada para esconder o rosto, chapéu, e claro, as luvas de couro pretas. Não tem nada melhor do que isso. Apesar de gostar das variações do gênero, eu sou fã do Giallo que tenha o assassino com luvas.

Agora, sobre os assassinatos. Se em Seis Mulheres para o Assassino, Mario Bava conseguiu transformar cenas de assassinato em obras de arte, aqui, Argento faz a mesma coisa. Apesar de o assassino ter matado cinco mulheres durante o filme, Argento só mostra duas delas sendo assassinadas, e ambas as cenas são muito bem feitas, construídas da maneira mais simples, mas com clima de suspense que deixa tudo mais tenso, deixando o espectador roendo as unhas. E quando os assassinatos acontecem, são fantásticos desse ver; não que o homicídio seja uma coisa bonita; eu me refiro ao modo como as cenas são filmadas. Não espere um banho de sangue. O sangue é espirrado na tela na quantidade certa e do jeito certo. A melhor cena de assassinato é a segunda, com uma navalha enorme fazendo seu trabalho; uma cena quase claustrofóbica. Argento levaria essa técnica de transformar cenas de assassinato em obras de arte para seus filmes futuros.

Uma das coisas pela qual Argento é questionado são as atuações do seu elenco. Há quem diga os aspectos técnicos do filme são melhores que as atuações, mas eu não vejo problema. As atuações são muito boas, principalmente dos quatro personagens principais. Outro “ponto negativo” é o fato de o protagonista não conseguir identificar o som do pássaro do título – o Grou coroado oriental – já que ele também estuda aves raras. Minha explicação é que, no calor da investigação, ele não se lembrou da espécie, ou então, não chegou a ler sobre ela. Essa é a minha interpretação.

O Pássaro das Plumas de Cristal foi lançado em Fevereiro de 1970 na Itália, e foi um sucesso de bilheteria; nos Estados Unidos, ficou em primeiro lugar por três semanas, tornando-se um sucesso por lá também.

O sucesso do filme foi responsável da introdução do Giallo no cinema, levando vários cineastas a produzir seus próprios filmes do gênero, muitos deles com nomes de animais nos títulos.

O filme é o primeiro da chamada “Trilogia dos Bichos”, composta também pelos filmes O Gato de Nove Caudas e Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza, ambos lançados em 1971, também escritos e dirigidos por Dario Argento.

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, em versão restaurada, com áudio italiano, na coleção A Arte de Dario Argento, juntamente com os outros filmes da “Trilogia dos Bichos”, e Terror na Ópera (1987), um de seus últimos grandes trabalhos.

Enfim, O Pássaro das Plumas de Cristal é um dos maiores exemplares do Giallo italiano. Um filme com atmosfera de suspense muito bem construída, que deixa o espectador arrepiado. A direção experiente de Dario Argento contribui para o ótimo desempenho do filme, além de mostrar o quão habilidoso ele se tornaria. O filme responsável por catapultar o Giallo no cinema, além de ter influenciado uma serie de cineastas a seguir o mesmo caminho. Um filme excelente, que merece ser visto e apreciado. Maravilhoso. Altamente recomendado.



Créditos: Versátil Home Vídeo




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sábado, 16 de março de 2019

SUSPIRIA (1977). Dir.: Dario Argento.


NOTA: 10


SUSPIRIA (1977)
Assistir a Suspiria (1977) foi uma experiência maravilhosa.

Segunda obra-prima de Dario Argento, o filme foi lançado dois anos após sua primeira obra-prima, o também maravilhoso Prelúdio Para Matar.

O longa é um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, além de ser um dos filmes mais assustadores da história, adjetivos que lhe cabem como uma luva!

Co-escrito por Argento e sua então companheira Daria Nicolodi – inspirados por um livro de Thomas de Quincey – o roteiro fala de uma jovem americana que vai para uma escola de dança na Alemanha e acaba descobrindo um culto de bruxas. Uma trama simples, não é? Bom, como já comentei em Prelúdio, nas mãos de um cineasta qualquer, seria sim, uma história bem simples. Porém, Dario Argento não é um cineasta qualquer.

Como fizera na Trilogia dos Bichos, lançada anteriormente, o diretor coloca sua marca em todos os aspectos do filme, desde a iluminação até a direção de arte. Aliás, ambos são os destaques do filme. A começar pela fotografia, que usa e abusa das cores brilhantes e pulsantes, especialmente o Vermelho, o Azul e o Verde – provavelmente uma homenagem à Mario Bava, conforme descrito na belíssima edição em Blu-Ray lançada pela Versátil (infelizmente, para quem ainda não adquiriu, está fora de catálogo). As cores saltam na tela de uma forma incrível que enchem os olhos e não incomodam, como às vezes acontece... Já a direção de arte também é um deleite. Se por fora, a escola parece normal, por dentro ela é um maravilhoso prédio gótico, iluminado e colorido. Possivelmente, esse estilo gótico também é uma homenagem ao Maestro Bava, não sei.

Fora a direção de fotografia e a direção de arte, quem também brilha é a sua protagonista, Susy, interpretada por Jessica Harper. Originalmente imaginada pelo diretor como uma menina de 11 anos, a jovem é o brilho do filme, fato esse que o diretor repetiria em Phenomena (1985), em que a protagonista é interpretada por Jennifer Connelly. Mas, voltando à Jessica Harper, a atriz está no seu melhor papel no cinema fantástico, ao lado de O Fantasma do Paraíso de Brian de Palma. Claro que o restante do elenco também dá um show com destaque para as duas atrizes veteranas principais, Alida Valli e Joan Bennett. Alida Valli entrega uma performance assustadora, com seu sorriso maléfico e figurino negro. Joan Bennett, por outro lado, está gélida, crua, fria e sinistra, e revela-se como uma super vilã de conto de fadas.

Aliás, falando em conto de fadas, a principal inspiração para Argento foi o Clássico Branca de Neve e os Sete Anões, de Walt Disney, lançado em 1937. Dizem que o diretor reproduziu o filme para a equipe a fim de obter a mesma paleta de cores. Não duvido. Inclusive, acho uma estratégia fantástica para a realização de um filme de terror!

E falando em filme de terror, Suspiria é um verdadeiro Filme de Terror! Desde o inicio, Argento não nega fogo, com grandes toques de violência e sangue. E no que diz respeito ao diretor, tais cenas se transformam em obras de arte. A cena do primeiro assassinato – que termina com uma das imagens mais icônicas do cinema de horror – é arrepiante desde o inicio e o diretor a executa com maestria, dando, inclusive, seus toques de Giallo. A partir daí, segure-se na cadeira. São momentos de muita tensão, banhadas às cores brilhantes, e, o maior truque do cinema de horror, na minha opinião: a ausência de trilha sonora! Aliás, uma das cenas mais assustadoras do filme faz uso desse truque. Não é uma cena de assassinato e não envolve sangue. Na verdade, é uma cena em que o personagem Daniel é expulso da escola porque seu cão-guia machucou um menino. Sério. É a cena que mais me deu medo no filme inteiro! Muito bem feita, tanto na direção quanto nas performances dos atores.

Bom, não posso falar mais, senão vou entregar spoilers.

Como já disse, Suspiria recebeu um lançamento de pompa em Blu-Ray aqui no Brasil. Foi lançado na coleção Argento Essencial, que também contou com a obra Prelúdio Para Matar. A versão disponível na caixa é excelente, muito bem restaurada e colorida. Porém, infelizmente, a caixa teve lançamento limitado, e hoje está fora de catalogo... Felizmente, eu consegui o meu.

Enfim, assistir Suspiria foi uma experiência maravilhosa. Suspiria é Maravilhoso. Colorido. Assustador.


Um dos maiores filmes de terror de todos os tempos. Um dos Filmes Mais Assustadores da História.



PRELÚDIO PARA MATAR (1975). Dir.: Dario Argento.


NOTA: 10


PRELÚDIO PARA MATAR (1975)
Dentre todos os filmes de Dario Argento, PRELÚDIO PARA MATAR é considerado sua obra-prima. E não é para menos.

O filme é um dos melhores que já tive o prazer de assistir.

A trama fala sobre um músico que testemunha um homicídio e passa a investigá-lo com a ajuda de uma repórter. 

Parece simples, não? Bem, nas mãos de um cineasta qualquer poderia ser; mas, nas mãos de Dario Argento, é um verdadeiro espetáculo. 

Um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, Prelúdio Para Matar é um verdadeiro show de horror e suspense. Uma trama super redonda, repleta de momentos de pular da cadeira. 

Um clima de mistério toma conta do filme o tempo todo, e não deixa o espectador respirar - pelo menos comigo foi assim. As cenas de assassinato estão entre as melhores do gênero, com destaque para a cena do bonequinho.

O filme também marca o primeiro encontro de Argento com Daria Nicolodi, que se tornaria sua companheira na década seguinte. A atriz interpreta a parceira - e par romântico - do músico, e posso dizer que as melhores cenas são dela. Ela está maravilhosa e engraçada, e consegue ser mais durona que o protagonista. 

Dentre os melhores momentos de tensão, destaco a sequência em que o 'herói' percorre os corredores de uma velha mansão que pode ter ligação com os homicídios. Nunca havia sentido tanto medo em um Giallo na vida.

Como o título entrega, o Vermelho é a cor que predomina na tela. E isso em maravilhosos tons vivos, da cor do sangue mesmo. Nem no último filme da Trilogia das Cores que eu assisti na faculdade, eu vi um Vermelho tão vivo! 

A câmera de Argento também é a estrela, com seus movimentos impossíveis de serem imitados e closes nos olhos do assassino - marca registrada do diretor. Os closes nos olhos do assassino são maravilhosos, melhores até do que aqueles dos filmes de Lucio Fulci.

O assassino também é um destaque, com seu visual clássico para o gênero: roupa de couro, chapéu cobrindo o rosto, e, principalmente, as luvas pretas e a arma utilizada para os homicídios. 

Tudo em Prelúdio para Matar é maravilhoso. Não há nenhum defeito na trama, nem furos no roteiro (uma das características de Argento apontadas por muitos, mas que eu não vejo em nenhum de seus filmes), e medo percorreu a minha pele. 


Um dos Filmes Mais Assustadores de todos os tempos. Um dos melhores Gialli que já assisti na vida. Uma aula de como fazer um Giallo. 



AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.