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segunda-feira, 5 de abril de 2021

A NOITE DOS DEMÔNIOS (1972). Dir.: Giorgio Ferroni.

 

NOTA: 10



É incrível a variação que existe nas histórias de vampiros. Desde que surgiram no cinema, tivemos uma variedade incrível do subgênero, passando por grandes obras, clássicos obrigatórios, filmes notáveis, medianos e grandes bombas. Eu mesmo já tive contato com muitos desses filmes e posso dizer que, mesmo já tendo visto praticamente tudo, eu ainda me surpreendo com o que aparece de vez em quando.

 

A NOITE DOS DEMÔNIOS (1972), do diretor italiano Giorgio Ferroni é um dos exemplos de grandes obras do gênero. É um filme belíssimo, que, mesmo sendo contemporâneo, possui um forte aspecto gótico, e esse apenas um dos seus vários atrativos.

 

Esse é o tipo de filme de terror que não precisa ser feio para ser assustador; pelo contrario, um filme de terror pode, sim, ser lindo e ser assustador ao mesmo tempo, e exemplos disso não faltam, principalmente os filmes dirigidos pelo Maestro Mario Bava. Mas, vamos falar sobre este filme aqui.

 

Pois bem, devo dizer que a primeira coisa que me chamou a atenção nele foi justamente o seu aspecto gótico e interiorano, que, conforme comentei anteriormente, é algo que me chama muito a atenção. Eu gosto desse tipo de ambientação e clima num filme; faz com que eu me sinta bem, e deixa o filme ainda mais bonito. Realmente é o tipo de coisa que não vemos muito hoje em dia.

 

Outra coisa que acrescenta ao filme é sua trilha sonora. Assim como muitas da época, quase não temos aqui uma trilha pesada, comum nesse tipo de filme; pelo contrario, aqui a trilha é melancólica, mas muito bonita, o tipo de trilha que pode ser ouvida sozinha, sem precisar do filme. Outros pontos como a fotografia dessaturada, o figurino nostálgico e os efeitos especiais também contribuem para deixar o filme ainda melhor e mais bonito.

 

No entanto, conforme mencionado acima, este é um filme de vampiros. O roteiro é baseado na novela The Family of the Vourdalak, de Alekesy K. Tolstoy, escrita no século XIX. O Vurdalak é um vampiro que faz parte da tradição russa, e, segundo a lenda, tem o costume de sugar o sangue das pessoas que amou em vida. E é exatamente isso que acontece aqui. Tudo começa com uma maldição, que aos poucos, é transmitida aos membros da família, infectando um por um com sede de sangue. Mas não pense em encontrar vampiros com longas presas afiadas. Aqui não temos isso, somente a pele branca como papel e o uso da estaca de madeira no peito como arma. Não espere o uso de crucifixos, alho e morcegos, porque nada disso aparece. Além disso, eles podem andar livremente durante o dia. Mas esse é também um ponto positivo, uma vez que cada um cria vampiros do jeito que quiser, conforme disse o diretor John Landis num episodio da série History of Horror: quando se trata de criaturas de “fantasia” como vampiros e lobisomens e outros, não existem regras. E é verdade. Com isso, os autores podem ser criativos. E temos também a questão da maldição que é passada para os membros da família, aliados à superstição. Como disse em outra resenha, essa questão da superstição me atrai muito por causa do medo que os personagens sentem ao cair da noite.



E novamente, esse é um fator que faz deste um filme assustador. As cenas envolvendo os vampiros são as melhores possíveis, com o medo e tensão sendo construídos aos poucos, sem apelar para jump-scares e sangue em excesso. E aqui os vampiros são o que deveriam ser, criaturas sugadoras de sangue que matam suas vitimas com requintes de crueldade. Não estou dizendo que vampiros não podem ter remorso, do contrario, podem, sim; mas aqui nós não temos essa característica e podemos nos familiarizar com os vampiros tradicionalmente perversos. 

 

Antes de encerrar, devo dar um parecer sobre os efeitos especiais, criados pelo mestre Carlo Rambaldi. Quem está familiarizado com seu trabalho, sabe que ele não brincava em serviço, e foi responsável pelas mais extraordinárias criações do cinema fantástico. Aqui, mais uma vez, ele mostra seu talento ao criar cenas arrepiantes, com direito a corações arrancados, peitos perfurados e rostos derretendo. Um trabalho de mestre que não fica datado.

 

A Noite dos Demônios foi dirigido por Giorgio Ferroni, em sua segunda excursão no gênero. Doze anos antes, ele foi responsável pelo também excelente O Moinho das Mulheres de Pedra, um clássico do terror gótico italiano. Infelizmente, apesar sua considerável filmografia, o diretor só se aventurou no gênero com esses dois filmes, e A Noite dos Demônios foi seu ultimo trabalho na direção.

 

The Family of the Vourdalak foi adaptada para o cinema anteriormente em 1963, no também excelente As Três Máscaras do Terror, antologia dirigida pelo Maestro Mario Bava, no segundo segmento, estrelado por Boris Karloff, interpretando o único vampiro de sua carreira.

 

Foi lançado em DVD no Brasil na excelente coleção Vampiros no Cinema, da Versátil Home Vídeo, em versão original em italiano.

 

Enfim, A Noite dos Demônios é um belíssimo filme de terror. Uma historia de horror com toques interioranos e com forte aspecto gótico, mesmo sendo contemporâneo. Um filme arrepiante que prende a atenção do espectador com suas imagens poéticas e assustadoras. Um dos melhores filmes de vampiro de todos os tempos, e um clássico do terror gótico italiano. Maravilhoso. Excelente. Altamente recomendado. 



Créditos: Versátil Home Vídeo


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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

UMA LAGARTIXA NUM CORPO DE MULHER (1971). Dir.: Lucio Fulci.

 

NOTA: 9



Como já mencionei em outras resenhas, o diretor Lucio Fulci era o Padrinho do Gore. Desde que se aventurou no gênero terror, no final dos 70, Fulci mostrou que entendia da arte de assustar o publico com cenas repletas de sangue. Porém, antes de se tornar um dos mestres do terror da Itália, Fulci resolveu se aventurar no Giallo, que na época, estava em alta no país. O diretor iniciou a carreira no gênero com Uma Sobre a Outra (1969), passando pelo polêmico O Segredo do Bosque dos Sonhos (1972), Premonição (1977), e este aqui, UMA LAGARTIXA NUM CORPO DE MULHER, lançado em 1971.

 

O filme, que marca sua primeira parceria com a atriz brasileira Florinda Bolkan, é um dos melhores exemplares do gênero. Com uma trama cheia de mistérios e reviravoltas, o filme consegue prender a atenção do espectador, e deixa-lo intrigado para resolver o mistério.

 

Como já disse outra vezes, o Giallo foi um subgênero que, da mesma forma que o terror, por exemplo, teve suas variações, e esse filme é uma delas. Sim, porque ele não apresenta o tradicional assassino de luvas pretas que sai matando mulheres com requintes de crueldade. Aqui, a trama é bem diferente; o roteiro apresenta uma ideia até original para o gênero, a ideia de que, às vezes, nosso subconsciente nos prega peças. Não digo que esse tema específico não foi abordado outras vezes em outras mídias, até acredito que sim; estou dizendo que, no gênero Giallo, eu vi poucos filmes que tocaram nesse assunto. Claro, a ideia da testemunha ocular que viu algo, mas não tem certeza, é algo recorrente, mas não chegou a ser explorada por um viés cientifico. Então, aqui, temos, sim, a protagonista que não sabe o que viu, mas abordado de outra forma. Segundo o roteiro, tudo acontece no subconsciente da personagem, que sofre de insônia e parece apresentar transtornos psicológicos.

 

Tal argumento é muito bem abordado pelo filme, principalmente nas cenas de investigação, quando os policiais decidem entrevistar o terapeuta. Admito que às vezes, as explicações dele parecem um tanto confusas, mas, se fizermos um esforço, podemos entender o que está sendo dito para nós, e até compreender a chave do mistério. Um mistério, que, como é comum no gênero, só é revelado no final do filme.

 

O roteiro faz uso de algo que já vi em outros exemplares. Em certo ponto da trama, as evidencias coletadas pela policia apontam para um determinado personagem, apesar do mesmo negar sua participação no caso. Pois bem, o filme utiliza desse argumento, e ao mesmo tempo, apresenta outros personagens que podem também ser culpados pelo crime, o que obriga o espectador a pensar um pouco mais. É uma tática muito boa, que funciona.

 

Eu confesso que na primeira vez que assisti ao filme, tive minhas dúvidas, principalmente a respeito do crime e do titulo; mas, conforme fui assistindo outras vezes, comecei a “pescar” as dicas apresentadas no roteiro e passei a compreender o que estava sendo apresentado. É uma coisa que acontece em muitos Gialli, porque as peças do quebra-cabeça nos são entregues aos poucos, então, temos que raciocinar antes de começar a montá-lo. Fulci faz uso desses enigmas com maestria, e consegue, sem esforço, deixar o espectador em dúvida. Ouso até dizer que essa dúvida fica conosco até mesmo depois do mistério ser resolvido, obrigando-nos a rever o filme.

 

Como mencionado acima, o filme marca a primeira parceria entre o diretor e a atriz brasileira Florinda Bolkan. A performance da atriz é excelente. Sua personagem parece tomada pela paranóia constante, provavelmente ocasionada por seus problemas psicológicos. Florinda passa, com total veracidade, tudo aquilo que a personagem está sentindo, seja medo, duvida, ódio... uma atuação excelente. Seus colegas de elenco não ficam atrás. O ator Jean Sorel, que já trabalhou com o diretor em Uma Sobre a Outra, também entrega uma ótima performance como o marido da protagonista; mas, quem rouba a cena, de fato, é o ator Stanley Baker, no papel do inspetor encarregado do caso; parece mesmo que ele é um policial, que não mede esforços para resolver o enigma e prender o culpado. Os outros atores também entregam boas atuações, e seus personagens também tornam-se criveis. Porem, o filme tem um defeito. A vizinha da protagonista é interpretada pela atriz Anita Strindberg, não-creditada. Eu sei que ela é uma das musas do Giallo, mas, como disse na resenha de No Quarto Escuro de Satã, eu não gosto dela, não acho que seja uma boa atriz. Sua participação no filme é pouca, mas, mesmo assim, não me agrada.

 

O responsável pelos efeitos especiais foi o mestre Carlo Rambaldi, famoso por criar o monstro de Alien, o 8º Passageiro e o E.T. de E.T., o Extraterrestre. Com vasto currículo, Rambaldi já trabalhou com alguns mestres do cinema, e no terror, seus truques merecem ser mencionados. Como já sabemos, Fulci tornou-se conhecido por ser o Padrinho do Gore, algo que desempenhou com maestria. Pois bem, mesmo não sendo um filme de terror, aqui temos alguns efeitos de gore, principalmente nos sonhos da protagonista. E Fulci já deu uma amostra do que faria no futuro, porque o gore é caprichado, com direito a tripas expostas e sangue escorrendo. Porem, a cena mais famosa do filme é a tal “cena dos cachorros”, que causou um grande alvoroço na época, devido a sua veracidade. O caso foi tanto que Rambaldi teve de levar os bonecos para o tribunal, a fim de provar que não eram verdadeiros. A cena é, de fato, chocante e impressionante. Um verdadeiro tapa na cara.

 

Além dos efeitos especiais de Carlo Rambaldi, o filme também contou com a trilha sonora do grande Maestro Ennio Morricone. A trilha do Maestro é excelente, com aspecto de fantasia, principalmente nas sequencias de sonho da protagonista. Nas cenas de suspense, a trilha muda de foco, tornando-se até um pouco sombria. Um belo exemplo do trabalho promissor do saudoso Maestro Ennio Morricone.

 

Para finalizar, vou destacar a sequencia em que a protagonista é perseguida por um dos suspeitos do crime dentro do Alexander Palace. Mesmo não sendo um filme de terror, esse é o momento mais assustador do filme, porque é impossível saber o que vai acontecer. A tensão está presente em todos os momentos, e parece que vai aumentando a medida que o homem se aproxima dela. Uma sequencia impressionante, digna de pesadelos.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Giallo Vol.2, em excelente versão restaurada.

 

Enfim, Uma Lagartixa Num Corpo de Mulher é um filme excelente. Uma historia enigmática de investigação policial, com elementos de erotismo e terror. Um roteiro muito bem escrito, que não entrega de cara a solução para o espectador, obrigando-o a raciocinar conforme vai acompanhando o filme. Uma direção madura de Lucio Fulci contribui para deixar o filme ainda melhor, combinado com a excelente atuação da atriz brasileira Florinda Bolkan. Um excelente exemplar do gênero Giallo.



Créditos: Versátil Home Vídeo





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sábado, 19 de outubro de 2019

ALIEN, O 8º PASSAGEIRO (1979). Dir.: Ridley Scott.


NOTA: 10



ALIEN, O 8° PASSAGEIRO (1979)
ALIEN, O 8º PASSAGEIRO é um Clássico. Sem duvida, 40 anos depois de seu lançamento, ainda é um dos maiores filmes de horror e ficção científica de todos os tempos, que juntou os dois gêneros com maestria. 

Mas, o que o torna um filme tão grande? Bom, a começar pela própria história. Sem duvida, é um dos filmes mais tensos e claustrofóbicos já feitos, e a própria ambientação contribui para isso. E não só isso; Alien é também um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, por esses mesmos motivos e também por contar um roteiro tão bem amarrado, sem nenhuma ponta solta.

Devo dizer que Alien foi um filme que me assustou muito quando era pequeno. Minha mãe tinha alugado o VHS, e estava assistindo e me chamou e ao meu irmão para assistir uma cena; era a famosa cena da “última ceia”, talvez a cena mais famosa do filme, que pega toda a tripulação – e o elenco – de surpresa. Só essa cena já foi suficiente para me assustar; tanto que saí correndo e voltei para o meu quarto. Anos depois, tive vontade de ver o filme pela primeira vez, e não deu outra. É um filme excelente.

Alien é perfeito, não há duvida, seja pelo que já foi mencionado, seja pela direção segura de Ridley Scott, seja pelo elenco, seja pelo monstro, enfim, não importa. O fato é que é um desses filmes que devem ser vistos pelos fãs de cinema, independente do gênero.

Não é só isso. O filme é também um marco nos gêneros de ficção cientifica e terror, justamente porque conseguiu combinar esses gêneros muito bem, tudo na medida certa. É possível ver claramente que até os primeiros 20, 30 minutos, trata-se de um filme de ficção-cientifica, justamente por causa da ambientação, a nave Nostromo, mas é apenas isso. Mesmo com poucas pistas – ou nenhuma – fica claro que o filme se passa no futuro, um futuro muito distante, inclusive. Porém, ao invés de possuir um aspecto limpinho, com a nave toda em ordem, a coisa é diferente. O interior da nave é sujo, com peças defeituosas; não é uma nave “0 km”, é uma nave que já possui anos de estrada.

Esse é um dos grandes destaques. O interior da nave é muito bem feito, com suas maquinas modernas para a época, luzes piscando, equipamentos de comunicação avançados... parece mesmo que aquela nave existe e que aquele futuro existe. Mas não é apenas o interior da nave que merece nota. As cenas no espaço também são muito boas, com a nave surgindo em toda sua grandiosidade, com a câmera focando nos menores detalhes. Tudo belíssimo.

O elenco também contribui para o excelente desempenho do filme. Formado principalmente por veteranos, com exceção de Sigourney Weaver e Veronica Cartwright, é composto por personagens absolutamente realistas. É possível acreditar que todos ali são pessoas reais, que entendem e sabem o que estão fazendo ali dentro daquela nave. Nenhum dos atores está caricato, todos atuam de maneira brilhante.

O roteiro, escrito por Dan O’Bannon, a partir de uma historia que escreveu em parceria com Ronald Shussett, é um dos mais perfeitos do gênero. Como já mencionado, durante os primeiros minutos, temos a impressão de que é um filme de ficção-cientifica; porém, quando o tripulante Kane, interpretado pelo saudoso John Hurt, é atacado, a coisa muda de figura, e o filme se transforma em um filme de terror. Boa parte disso deve-se ao fato de esconderem o Alien durante o filme inteiro. Sério. Assistindo ao filme, eu estimulei que, das duas horas de duração, ele aparece umas seis vezes, mais ou menos. Claro, ele não é apresentado logo no início, isso só acontece mais adiante. Não sei se essa técnica de escondê-lo fazia parte do roteiro ou se era uma saída encontrada pela equipe, mas, o fato é que funciona. Muito bem.

Alien é um filme claustrofóbico, não há duvidas. A própria ambientação da nave faz dele um filme claustrofóbico, porque os personagens não têm para onde correr, depois que o monstro é solto dentro da nave! Segundo a crítica da TV Guide, Maitland McDonagh, o filme soluciona o maior problema das historias de casa mal-assombrada: os personagens não têm para onde fugir! E a própria fotografia também contribui. Toda a atmosfera e a paleta de cores escuras, deixam o filme ainda mais claustrofóbico, e a experiência de assisti-lo, mais assustadora. De verdade. Mesmo tendo assistido algumas vezes, não deixo de me sentir desconfortável ao assisti-lo.

A ideia para Alien surgiu após Dan O’Bannon realizar Dark Star (1974), filme de estreia do amigo John Carpenter. O’Bannon tinha a intenção de fazer outro filme sobre alienígenas dentro de uma nave, mas desta vez, queria que fosse uma criatura real. Ronald Shussett entrou em contato com ele após assistir ao filme de Carpenter. No entanto, eles seguiram caminhos diferentes. O’Bannon foi trabalhar na adaptação do livro Duna, que viria a ser dirigida por Alejandro Jodorowsky – mas que nunca aconteceu, como sabemos; Shussett, por outro lado, estava envolvido na futura adaptação de O Vingador do Futuro, que acabou roteirizada por O’Bannon. Durante a produção de Jodorowsky, O’Bannon conheceu o artista sueco H.R. Giger, e o convenceu a se juntar ao projeto, após ver uma de suas obras. O’Bannon e Shussett ofereceram o projeto a vários estúdios, mesmo não tendo finalizado o roteiro. Quem demonstrou interesse em produzi-lo foi Roger Corman, mas o produtor Walter Hill aceitou o desafio e levou a historia para a 20th Century-Fox. Os executivos, por outro lado, mostraram-se relutantes, pois temiam que poderia ser mais um filme de monstro espacial de baixo orçamento. O que motivou a produção do filme, foi o sucesso de Star Wars, lançado pelo estúdio em 1977. O’Bannon demonstrou interesse em dirigir, mas foi afastado, dando lugar a Ridley Scott, que chamou a atenção do estúdio após seu trabalho em Os Duelistas. A Fox cedeu um orçamento de 8 milhões de dólares. As filmagens aconteceram na Inglaterra, num período de três meses. Quando foi lançado, o filme tornou-se um sucesso de critica de bilheteria.

Uma das questões mais comentadas sobre o filme, é o fato de que talvez fosse o filme que deu a primeira heroína de ação para o cinema, no caso, a Tenente Ripley, que fez de Sigourney Weaver uma estrela. Durante todo o filme, fica claro que Ripley é a única que tem calibre para combater o Alien, além de ser uma personagem forte, que não baixa a cabeça para nada e para ninguém. Ripley é determinada, passa por cima das ordens do Capitão Dallas quando ele lhe ordena que Kane seja levado a bordo após ser atacado; mas ela se recusa e acaba comprando briga com os tripulantes. Ela também não se deixa enganar pelos mecânicos Parker e Brett, e, após Dallas ser eliminado, ela assume o comando da nave e sugere explodi-la com o monstro a bordo. Ou seja, é uma personagem casca-grossa. Agora, se Alien é de fato, um filme “feminista”, não sei dizer com certeza, mesmo vendo o quão forte e determinada Ripley é. O debate permanece.

Agora, sobre a Criatura. Como mencionei acima, eu acredito que ela aparece umas seis vezes no filme inteiro, mas essas 6 vezes são belíssimas. O Monstro é um ser assustador. Alto, magro, com uma cabeça grande, sangue acido, uma boca cheia de dentes afiados, um apetite insaciável, é uma das maiores criaturas do cinema de todos os tempos. Um monstro implacável, que ninguém, absolutamente ninguém consegue impedir. Desenhado por H.R. Giger, o monstro passou por varias etapas até atingir sua forma final. Uma das alterações sugeridas por Giger foi a ausência de olhos; segundo ele, se a criatura não tivesse olhos, ela seria muito mais perigosa. E funcionou. É muito difícil, na verdade, impossível, imaginá-lo com olhos hoje em dia. Quem também ajudou em sua confecção, foi o italiano Carlo Rambaldi, mestre dos efeitos especiais. Rambaldi ficou responsável pela cabeça do alienígena, que contava com cerca 900 partes moveis, entre elas, a icônica boca em miniatura que se projeta para frente. Quem o interpretou foi um estudante de design chamado Bolaji Badejo, que foi descoberto em um bar de Londres. Em momento nenhum, dá para dizer que o monstro é um homem dentro de uma roupa, pelo contrário, parece mesmo uma criatura de verdade. E todo o seu design contribui para deixa-lo ainda mais misterioso, porque ele consegue se esconder no interior da nave, imitando pedaços da estrutura, ou entrando em buracos e fendas onde não caberia um ser humano. Ou seja, não se sabe onde ele está. Um dos maiores monstros do cinema, sem duvida.

Alien tornou-se um sucesso de bilheteria e agradou críticos do mundo inteiro. Em 1980, Giger, Rambaldi, Brian Johnson, Nick Allder e Denys Ayling foram premiados com um Oscar® de Melhores Efeitos Visuais pelo seu trabalho. O filme também foi indicado na categoria de Melhor Direção de Arte, além de levar o Saturn Awards de Melhor Filme de Ficção Científica, Melhor Direção e Melhor Atriz Coadjuvante. Em 2002, foi escolhido pelo National Film Regisrty para preservação. O Alien possui a 14º posição na Lista dos 50 Maiores Vilões do Cinema do American Film Institute, e Ripley ocupa a 8º posição na Lista dos 50 Maiores Heróis do Cinema, pela sequencia Aliens, O Resgate.

O sucesso do filme motivou a Fox a produzir três continuações: Aliens, O Resgate (1986), dirigido por James Cameron; Alien³ (1992), de David Fincher; e Alien, A Ressurreição (1997), de Jean-Pierre Jeunet. Em 2012, Ridley Scott retornou a franquia com o ótimo Prometheus, prequel estrelada por Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron e Guy Pierce. Apesar de ser um divisor de criticas, eu gostei muito do filme. Scott retomou a franquia também em Alien: Convenant, considerado por muitos como inferior à saga. Tanto Prometheus como Alien: Convenant serviram como prequels, e tinham como objetivo, contar a historia da franquia anos antes do primeiro filme, e encerrá-la com outra sequencia, que antecederá diretamente o primeiro. No entanto, o fracasso de Convenent parece ter abortado os planos de Ridley Scott para continuar a saga. Veremos. Uma observação: eu gosto muito de Alien³; na minha opinião, é um filme injustiçado, que foi prejudicado por problemas de bastidores.

O filme também gerou uma serie de livros, quadrinhos e jogos de videogame, que expandem seu universo e contam novas historias, além de contar historias antes de algumas das sequencias. Ou seja, Alien é uma franquia lucrativa.

Em 1980, foi lançado um filme italiano chamado Alien 2: Sulla Terra, dirigido por Ciro Ippolitto. O filme não possui nenhuma relação com o filme de Ridley Scott, mas é muito divertido. Dizem que o filme de Cameron foi batizado de “Aliens” por causa dessa “sequencia” não oficial.

Enfim, Alien, O 8º Passageiro é um clássico. Um dos maiores filmes de todos os tempos. Uma historia claustrofóbica de horror que não deixa o espectador respirar. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Um filme inesquecível. Excelente.

Altamente recomendado.










Confira também a resenha em:
https://livrosfilmesdehorror.home.blog/2019/10/19/alien-o-8o-passageiro-1979-dir-ridley-scott/

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