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segunda-feira, 22 de agosto de 2022

O PERVERSO CLÉRIGO (H.P. Lovecraft).

 

NOTA: 8.5



Assim como já elogiei Stephen King várias vezes aqui, também faço meus elogios a H.P. Lovecraft, o autor que o inspirou.

 

Mesmo não tendo seguido o caminho de novelista, Lovecraft era um mestre na arte de contar pequenas historias, sejam elas bem pequenas ou grandes, até.

 

O PERVERSO CLÉRIGO é mais um exemplo de uma historia pequena, mas que consegue prender o leitor.

 

Em poucas paginas, Lovecraft cria uma trama de mistério que rapidamente se transforma em algo inusitado, e leva, tanto o leitor, quanto o seu protagonista, para um caminho sem volta.

 

Pois bem, é isso que acontece com o protagonista – cujo nome nunca é revelado, como de praxe nas tramas do autor – que vai narrando a sua chegada ao sótão, até seu encontro com entidades de outra dimensão, pelo menos, é a minha interpretação; mas isso também não impede de ser uma historia de fantasma.

 

Mas o fato é que o básico da trama é esse. O protagonista entra no sótão, encontra um pequeno objeto e por fim, após tocá-lo, depara-se com o horror.

 

O melhor fica para o final, com plot-twist de cair o queixo ou provocar arrepios.

 

Mas o mais interessante é o mistério presente aqui. Ao meu ver, temos aqui outro caso de um objeto ou lugar maldito, que traz azar para quem estiver com ele. Essa foi a sensação que o conto me passou, visto que o personagem do velho sabia a respeito daquelas entidades, principalmente da entidade que dá nome ao conto. Um mistério assustador, devo dizer.

 

Mas, enfim, O Perverso Clérigo é um ótimo conto de terror, com uma atmosfera de mistério que vai aumentando à medida que a historia avança. A escrita de Lovecraft é o grande atrativo, e o autor prova que mais uma vez consegue contar uma grande historia, mesmo com poucas paginas. 



H.P. LOVECRAFT

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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

A ZONA MORTA (Stephen King).

 

NOTA: 10



Que Stephen King é um mestre na arte de contar histórias, todos sabemos disso, e, sinceramente, até agora, não li nenhum livro ou conto de sua autoria que me decepcionou.

 

E mais uma vez, eu tive um exemplo da genialidade do autor. A ZONA MORTA, lançado no final dos anos 70, é um de seus maiores clássicos.

 

Primeiramente, eu acho difícil encaixar o livro em uma única categoria, porque o autor mistura três gêneros diferentes: suspense, ficção cientifica e romance. Mas devo dizer que os três gêneros se juntam com maestria, e cada um desempenha o seu papel.

 

Eu confesso que ouvi falar dessa história pela primeira vez quando assisti à adaptação dirigida por David Cronenberg em 1983, e de cara, eu já me apaixonei, porque naquela época, eu já conhecia o autor, mesmo que pelos filmes, e então, deveria saber que algo grande estava por vir, mas, mais detalhes sobre isso na resenha do filme.

 

As inúmeras vezes que assisti ao filme foram o suficiente para querer ler o livro, e então, decidi ir atrás do mesmo. No entanto, não foi assim de imediato. A primeira vez que eu vi o livro, foi a finada biblioteca daqui da minha cidade, numa edição que era da minha mãe. Anos depois, durante uma viagem à SP, fui a um sebo com meu pai e meu irmão, e comprei o livro, em outra edição. E quando a Suma relançou, eu comprei também e foi essa a edição que eu li.

 

E que livro. A Zona Morta é um livro fantástico. Mais uma vez, King se mostrou um mestre na arte de contar histórias, e ele conseguiu contar uma história redonda, com personagens cativantes e um enredo cheio de surpresas.

Como é de seu costume, King dividiu o livro em três partes, e cada uma tem o seu mérito.

 

A primeira parte mostra a vida de Johnny antes e durante o acidente que o deixou em coma, principalmente enquanto o mundo está mudando ao seu redor. King descreve os acontecimentos com maestria, relatando tudo com detalhes impressionantes; tanto que parece que estamos lá, acompanhando tudo de perto. Vemos principalmente as mudanças nas vidas dos demais personagens, como sua ex-namorada Sarah; seus pais; e Greg Stillson. Sarah se casou com um estudante de Direito e se tornou mãe; sua mãe, Vera, afunda-se cada vez mais na loucura provocada pelo fanatismo; e Greg Stillson dá os primeiros passos em direção à carreira política.

 

O autor mostra o desenrolar desses personagens da mesma forma que mostra os acontecimentos no mundo, intercalando tudo. Dessas histórias paralelas, uma das melhores é a da mãe de Johnny. King mostra que a personagem foi se tornando vítima do fanatismo pouco a pouco, pois acredita que o filho pode acordar do coma, ao contrário de seu pai, que se mostra bem realista quanto ao futuro do filho. Eu achei que bem sensato do autor mostrar que seu pai não acredita que o filho possa voltar, e com isso, ele passa a viver a sua vida; Vera é o oposto. Ela passa a frequentar grupos de orações e a gastar dinheiro com isso, algo que acaba destruindo parcialmente a relação com o marido. Gregg Stillson, por outro lado, também começa a colocar as mangas de fora, mostrando-se um homem verdadeiramente perigoso, disposto a tudo para alcançar seu objetivo, algo mostrado já no prólogo, numa cena horrorosa.

 

Quando Johnny desperta, ele se torna uma espécie de celebridade, por causa de seus poderes, algo que ele renega, porque não acredita que os poderes podem lhe trazer benefícios. Os principais acontecimentos mostrados no filme de Cronenberg aparecem aqui: Johnny tendo a visão da casa da enfermeira pegando fogo; e a perseguição ao assassino. Essa é, na minha opinião, a melhor parte da história, porque dá um toque de suspense e tensão que prendem o leitor e o deixam arrepiado. Toda a investigação é muito bem escrita, além dos momentos anteriores, que mostram o assassino agindo em Castle Rock. Enquanto eu lia toda essa sequência da investigação, eu pude visualizar o que está no filme de Cronenberg, e isso foi muito legal, porque eu já conhecia aquela história, mas do ponto de vista do filme; agora, só precisaria conhece-la do ponto de vista do próprio autor, o mesmo vale para a revelação e a derrota do assassino. E da mesma foram que Cronenberg, King entrega uma cena sangrenta.

 

Na segunda parte do livro, King descreve a rotina de Johnny como professor, algo que ele faz após se recuperar do acidente; tal rotina é relatada com base na relação dele com um garoto rico que tem dificuldades em aprender, mais ou menos como acontece no filme de Cronenberg, mas aqui a coisa é mais extensa. A relação entre os dois é muito boa de acompanhar, e quando o rapaz consegue se destacar em suas atividades, é difícil não se ficar contente. Além da relação entre os dois, o autor também separa um tempo para dedicar a obsessão de Johnny por Stillson, principalmente após conhece-lo em um comício, e ter uma visão, assim como acontece na adaptação de Cronenberg. King separa um capitulo extenso para contar a história de vida do antagonista, destacando sua personalidade perigosa, algo já presente logo em sua primeira aparição no prólogo, naquela cena horrível.

 

Sobre as novas previsões de Johnny, ambas acontecem em momentos chaves. A primeira, com Stillson, acontece durante o comício do político, e assim como no filme, Johnny prevê o fim do mundo. E a segunda, envolvendo o garoto, acontece em sua festa de formatura, e o professor prevê um inferno literal, o que provoca pânico nos presentes, e rende uma auto-homenagem metalinguística bem legal, que me pegou de surpresa.

 

E o capítulo sobre a vida de Stillson também merece nota, porque é tudo escrito com riqueza de detalhes impressionante, que não fica muito maçante.

 

Além de contar como o mundo mudou ao redor de Johnny, King também faz uso de figuras reais, como jornalistas e políticos, relatando, inclusive, o encontro do protagonista com um candidato real que acabou vencendo as eleições da época.

 

Ainda sobre a previsão de Johnny a respeito do garoto. Durante a leitura, eu pude notar semelhanças – terríveis semelhanças – com o famoso incidente da boate que ardeu em chamas em 2013, que ganhou a atenção não apenas do Brasil, mas do mundo inteiro. Não sei se quem já leu o livro teve a mesma impressão, mas vou deixa-la aqui, fique à vontade para concordar ou não.

 

E conforme mencionei, Johnny também dedica seu tempo a descobrir informações a respeito de Greg Stillson, algo que ele faz de maneira obsessiva. E no final, quando Johnny decide fazer alguma coisa a respeito – quem já leu o livro ou viu o filme sabe do que estou falando – King nos presenteia com momentos de tensão extrema, que nos provocam arrepios, pelo menos para mim foi assim.


E na última parte do livro, King relata o que aconteceu com os personagens após o comício de Stillson em Phoenix, por meio de relatos, inquéritos e cartas.

 

Antes de encerrar, um pouco mais sobre o antagonista. King praticamente transforma Stillson em um super-homem, que anda por aí acompanhado de capangas armados até os dentes, a maioria, membros de gangues de motociclistas, talvez inspirado naquela notícia que os Rolling Stones – ou outra banda de rock – iam contratar os Hell’s Angels para serem seus seguranças. Existe também o rumor que King de certa previu a candidatura de Donald Trump para presidência dos EUA, o que de fato ocorreu, visto que os feitos de Stillson se assemelham ao que Trump propagou durante seu mandato. Se isso é verdade ou não, talvez nem o próprio autor saiba. Já eu consegui ver paralelos assustadores com a atual situação política do Brasil – não vou entrar em detalhes, porque isso aqui não é sobre esse assunto.

 

E claro, durante a leitura, eu não tive a menor dificuldade de visualizar Johnny e os outros personagens interpretados pelos atores do filme de Cronenberg, Johnny principalmente, mais durante o início do filme, antes do acidente.

 

Este é um dos primeiros livros do Mestre ambientados na cidadezinha de Castle Rock, cenário recorrente em suas histórias e romances.

 

Em 1983, conforme mencionado, recebeu uma excelente adaptação para o cinema dirigida por David Cronenberg, e estrelada por Christopher Walken, Herbert Lom, Brooke Adams, Tom Skerrit e Martin Sheen.

 

Enfim, A Zona Morta é um excelente livro de Stephen King. Mais uma vez, o autor se mostrou um excelente contador de histórias, com sua habilidade ímpar. O autor conseguiu criar cenas verdadeiramente tensas e trágicas, misturando os temas com maestria, além de contar a história do Estado Unidos com detalhes dignos de nota. Um verdadeiro clássico de sua bibliografia.


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terça-feira, 24 de agosto de 2021

CANDYMAN (Clive Barker).

 

NOTA: 9.5



Eu já mencionei algumas vezes aqui que Clive Barker é um dos maiores escritores de horror de todos os tempos. Sua obra mais famosa, Hellraiser, é sem dúvida, um dos trabalhos mais assustadores e originais que já vi. Também ambientado no mesmo universo, o livro Evangelho de Sangue até que é divertido e grotesco, mas não chega aos pés da obra anterior.

 

E hoje, vou falar sobre outra obra do autor, talvez a mais famosa depois de Hellraiser: CANDYMAN, ou O Proibido, como também é conhecido.

 

Bom, esse é um dos melhores textos do autor que já li, e motivos para isso não faltam. Barker conseguiu criar uma história verdadeiramente assustadora, com uma temática apropriada: lendas urbanas. Eu pessoalmente acho o próprio termo assustador, porque sempre passa a impressão de algo macabro que aconteceu nas cidades ao longo dos anos. Bem, aqui temos exatamente isso.

 

Candyman é uma excelente historia sobre o assunto, apesar de não focar totalmente nisso. Na verdade, no início, temos a impressão de que estamos lendo uma história sobre investigação, uma vez que a protagonista, a universitária Helen, decide se aventurar nos bairros decadentes de Liverpool a fim de encontrar mais e mais material para sua tese, no caso, as pichações locais. Somente após a protagonista ouvir relatos sobre homicídios na região, é que a historia muda de foco e passa a se concentrar na lenda urbana do personagem-título, também conhecido “O Proibido”, visto que todos têm medo de falar sobre ele.

 

Esse é o grande ponto da história, na minha opinião. Barker criou uma entidade tão perversa que até os moradores da região têm medo de pronunciar seu nome, e honestamente, isso é o tipo de coisa que me atrai muito em histórias de terror; essa coisa da entidade maldita que traz mau-agouro para todos é uma das melhores representações de algo terrível, e já tivemos grandes exemplos, e este é mais um deles.

 

E sendo uma história de Clive Barker, não poderiam faltar cenas grotescas, e aqui temos ótimas delas. O autor até faz uso de um dos maiores tabus do horror para conduzir as investigações da protagonista e fazê-la adentrar no território da entidade do título – não direi qual é o tabu para não entregar spoilers; digo apenas que o autor não mostra nenhum pudor ao falar dele. E temos também algum conteúdo sexual, principalmente quando Helen encontra a entidade.

 

E falando em Candyman, foi separar um tempo para falar sobre ele. Quem já viu o filme, sabe como ele é fisicamente, mas, ao ler a história original, a coisa é bem diferente. Não espere encontrar o Candyman imortalizado por Tony Todd; ao contrário, temos aqui em ser grotesco e repugnante, mas que consegue ser sedutor e charmoso. Não sei para quem já leu, mas eu o imaginei como um homem mesmo, elegantemente vestido, mas não idêntico ao Candyman de Tony Todd, principalmente por causa da cor de sua pele. Sim, aqui, não temos o forte comentário social presente no filme de Bernard Rose, somente uma história sobre uma lenda urbana.

 

Acredito que essa seja a maior surpresa para quem vai ler a história pela primeira vez, porque a questão racial é tão forte no filme, que parece que também foi tirada do texto original, mas não é esse o caso.

 

Mas nada disso nos impede de criar uma conexão com o filme conforme lemos o livro. Eu mesmo, enquanto lia determinadas cenas, pude visualizar as mesmas presentes no filme, principalmente a cena da pichação que simboliza a entidade, o jantar e o encontro da protagonista com Candyman. Não seria surpresa se eu pudesse até ouvir a trilha sonora do filme.

 

Candyman foi lançado na coletânea Livros de Sangue de Clive Barker, mas a mesma se encontrava fora de catalogo há anos. Foi relançado no Brasil pela editora DarkSide Books em belíssima edição individual, com texto de apoio.

 

Em tempo: resolvi ler o livro para me preparar para o novo filme, que estreia em Agosto de 2021, com produção de Jordan Peele, o mestre da crítica social do cinema de terror atual.

 

Enfim, Candyman é excelente. Uma história de horror com elementos investigativos que prende a atenção do leitor até última pagina. A escrita de Clive Barker é perfeita, e o autor cria uma ambientação capaz de deixar o leitor arrepiado, além de dar vida a uma de suas criaturas mais famosas. Um livro arrepiante. Uma leitura rápida, mas digna de nota. Altamente recomendado.


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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

DRAGÃO VERMELHO (Thomas Harris).

 

NOTA: 9



Não há dúvidas que o Dr. Hannibal Lecter é um dos personagens mais temidos e amados de todos os tempos; talvez, o assassino favorito de todos. Seu auge foi em O Silencio dos Inocentes, segundo livro da Trilogia do personagem criado por Thomas Harris. Porém, antes de entrar na graça do público no livro do meio da trilogia, o personagem deu as caras, ainda que de forma discreta em DRAGÃO VERMELHO, primeiro livro da trilogia. Mas, ao contrário do que muitos pensam, o livro não é sobre o Dr. Hannibal Lecter, e sim, sobre o ex-agente do FBI, Will Graham, e sua busca pelo assassino conhecido como Fada do Dente.

 

Dragão Vermelho é um livro excelente, uma história policial escrita com maestria, com uma narrativa repleta de adrenalina, que prende o leitor desde o começo, tornando impossível abandonar a leitura. E o autor faz isso muito bem.

 

As cenas descritas por ele são muito intensas, com detalhes impressionantes do processo de investigação do FBI, além das cenas dos homicídios, também descritas com riqueza impressionante. Desde a primeira cena, a ação não para, e o leitor se vê obrigado a continuar a leitura, apenas para descobrir o desfecho. E existem muitas cenas assim. Uma delas é quando eles recebem uma carta do assassino para o Dr. Lecter, escrita num papel higiênico. Todo o processo para descobrir a origem do mesmo, bem como o tipo de material, é tudo descrito nos mínimos detalhes, como se o próprio autor estivesse lá, acompanhando todo o processo. É de roer as unhas, principalmente porque, segundo está no livro, o tempo é curto.

 

Esse é o outro fator. O tempo. Conforme o autor descreve, o assassino tem um determinado tempo para agir, de acordo com o calendário lunar, então, eles precisam agir com rapidez, a fim de impedir que outras pessoas sejam assassinadas. E a medida que a leitura avança, parece que o relógio também avança.

 

Os personagens são um dos pontos positivos da história. O autor os descreve como pessoas reais, cheias de problemas, falhas e humanidade; não é difícil simpatizar com eles, principalmente com o protagonista, o ex-agente Will Graham. Harris deixa claro que o policial possui uma historia conturbada, com vários traumas do passado, principalmente se levarmos em conta sua relação com o Dr. Lecter, que ele próprio ajudou a prender no passado. A cena em que os dois se encontram na cela é angustiante; dá para sentir o medo do policial e seu desespero para sair dali. E tudo isso acaba se refletindo na vida pessoal do detetive, a ponto de quase destruir sua família.

 

E claro, não dá para falar desse livro sem mencionar o Dr. Lecter. Mesmo com pouco tempo na narrativa, ele se torna o seu ponto alto, principalmente se levarmos em conta nossas experiências anteriores com o personagem, seja nos filmes ou nos demais livros da trilogia. Lecter é excelente. Um vilão frio e calculista, cujo único passatempo é se divertir a custas do medo alheio.

 

Outro personagem de destaque é o assassino, o Sr. Francis Dolarhyde, também conhecido como Fada do Dente. Harris deixa claro que o personagem possui algum ou vários traumas de infância, e que tais traumas o consumiram por inteiro, fazendo-o chegar a completa insanidade. É um personagem muito bem escrito, e por que não dizer, assustador. Ele não demonstra pudor ao executar seus crimes, utilizando de métodos bárbaros para atingir seu objetivo, transformar-se no Grande Dragão Vermelho, personificado pela clássica pintura de William Blake.

 

Aqueles que conhecem a historia graças às adaptações para o cinema, sabem que em certo momento, surge uma personagem feminina, que se torna uma espécie de interesse romântico e por que não, humano, do assassino. Pois bem, tais momentos surgem na historia no momento certo, mostrando que o autor não tem a menor pressa em desenvolver a narrativa e os personagens, conforme já mencionado. E quando esses momentos acontecem, a gente rapidamente se lembra de tê-los visto nos filmes, o que torna a leitura ainda mais rica, na minha opinião.

 

Pois bem, Dragão Vermelho é excelente. Uma narrativa policial intrigante e arrepiante, que prende o leitor desde a primeira página. A escrita de Thomas Harris é fascinante, digna de nota. Um livro cheio de suspense, mistério e ação, que pode deixar o leitor com medo de dormir com a luz apagada. Arrepiante. Assustador. Altamente recomendado. 


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quinta-feira, 19 de março de 2020

THE OUTSIDER (2020).


NOTA: 9



THE OUTSIDER
THE OUTSIDER é uma das melhores adaptações de Stephen King que foram lançadas nesse primeiro semestre. Além disso, é uma das melhores séries que já vi nesse primeiro semestre.

Sem duvida o que contribuiu para isso foi o fato de terem decidido adaptar o livro de mesmo nome em formato de série, ao invés de adaptarem para o cinema; isso porque o livro de Stephen King – que eu ainda não li – é bem grandinho e deve ter muito mais historias para contar.

Como em toda adaptação, eu sei que mudanças na narrativa tiveram que ser feitas, até para não correr risco de deixa-la mais extensa e com isso, fazer o publico perder o interesse. Bom, no meu caso, não vi isso como problema. Não posso dizer quais mudanças foram boas até porque, não li o livro, mas já posso dizer que quando o assunto é adaptações de Stephen King, existem alterações na trama que funcionam muito bem, e aqui foi um caso.

The Outsider é excelente. Como o próprio Stephen King declarou em um dos especiais da HBO GO, um dos gêneros que mais lhe chamou a atenção na literatura era o gênero de detetives. Mas, sendo o gênio que é, ele resolveu ir mais além, e criou uma historia de detetive que foge dos padrões.

À primeira vista, a série parece uma das inúmeras series policiais que vemos por aí, mas, a medida que a historia avança, já nos primeiros capítulos, fica claro que a situação não é bem assim. O monstro utilizado por King é um dos mais enigmáticos que já vi em uma obra sua – até mais enigmático que Pennywise, o Palhaço Dançarino! Novamente, não sei como o autor abordou a criatura no livro, mas aqui, eles o fizeram que forma interessante. Isso porque o monstro em si, quase nunca aparece, apenas as metamorfoses que sofre ao longo da trama e os efeitos físicos que suas vitimas sofrem.

Esse é um dos destaques da série. A equipe optou por utilizar efeitos práticos de maquiagem, utilizando efeitos digitais somente em casos extremos, e mesmo assim, não estragaram a experiência. A maquiagem é muito boa e chega a dar nos nervos.

A estética também é muito boa. A fotografia não é carregada de filtros, principalmente nas cenas noturnas, o que dá um ar mais natural para as cenas; a edição não é confusa, como acontece em muitos filmes e algumas series atuais; e o design de produção também acerta. O elenco também foi um acerto, principalmente o ator Jason Bateman, que aparece nos dois primeiros episódios.

Todos os episódios foram muito bem escritos e dirigidos e atuados, e seguem a linha narrativa, sem apelar para muitos flashbacks. A única vez que um flashback foi utilizado foi no penúltimo episodio, que mostrou a destruição da uma caverna que serviu para a conclusão da historia.

Enfim, The Outsider é uma das melhores adaptações de Stephen King desse primeiro semestre.

Uma série tensa, assustadora, cheia de mistérios. Muito bem feita, roteirizada, atuada e dirigida. Uma historia redonda, sem pontas soltas, que não apela para sustos falsos.



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sábado, 6 de abril de 2019

ASSASSINATOS NA FRATERNIDADE SECRETA (1983). Dir.: Mark Rosman.


NOTA: 8


ASSASSINATOS NA 
FRATERNIDADE SECRETA (1983)
ASSASSINATOS NA FRATERNIDADE SECRETA é um Slasher clássico. Como todos os filmes desse gênero produzidos nessa época, apresenta todos os elementos que estiveram presentes no gênero desde o Clássico Halloween (1978), de John Carpenter. E uma das características era que os produtores e roteiristas sempre inventavam historias que se passavam em fraternidades ou acampamentos. Esse filme segue o primeiro exemplo.

Porém, o que o torna um Slasher singular é a forma como a trama é contada. No inicio do filme, temos a clássica situação em que algo ruim aconteceu a um personagem, o que mais adiante, irá desencadear a onda de assassinatos que o público tanto espera. E de fato, aqui isso acontece, e o diretor não revela de cara o que é, mas é possível perceber que foi muito ruim. Porém, a partir daí, quando a historia de fato começa, tudo parece encaminhar para algo diferente, uma vez que não há praticamente nenhum indicio de que algo ruim aconteceu, a não ser o comportamento da Sra. Slater, dona da casa de fraternidade onde se passa a historia. O tal evento ruim só acontece momentos depois do começo do filme.

Normalmente, é o oposto. O evento ruim acontece no começo do filme, e torna-se o gatilho para os eventos sangrentos que o roteiro apresenta. Aqui, ao que parece, o diretor resolveu colocar dois eventos ruins na trama, sendo que de inicio, não dá pra perceber a ligação entre eles, como aconteceu comigo na primeira vez que assisti ao filme.

Aliás, é bem assim mesmo que o filme funciona. Para quem o assiste pela primeira vez, pode achar estranha a presença de buracos no roteiro, mas, sinceramente, se o espectador fizer um esforço, é possível preencher esses buracos; e foi o que aconteceu comigo. Para mim, isso é que é legal em situações assim – eu mesmo preencho os buracos (se é que eles existem) no roteiro, e tirar minhas próprias conclusões. No entanto, o diretor acabou respondendo uma das minhas duvidas em relação à historia – a presença do assassino na casa.

Bom, vamos então ao que importa nesse tipo de filme, a carnificina. Como em boa parte dos filmes dessa época, ela acontece aos poucos, às vezes de forma aleatória e sem motivo, mas, conforme a historia avança, as mortes começam de fato a fazer sentido. E aqui, é exatamente isso. Durante a festa promovida pelas garotas, o assassino primeiro mata um convidado aleatório – talvez para dar inicio aos homicídios em si, ou então para ele exercitar, não sei. Esse é, na minha opinião, o ponto fraco do roteiro; não havia necessidade de uma morte aleatória, uma vez que o cadáver desaparece e nem é mencionado novamente. Mas, a partir daí, a verdadeira carnificina começa, e de fato, vale a pena esperar. No gênero Slasher, o assassino é sempre criativo na hora de matar suas vitimas, utilizando o que estiver à mão para isso, e nesse filme, não é diferente. E como sempre, depois da primeira, a próxima consegue ser mais legal, e assim por diante. O problema, é que a sanguinolência é implícita – talvez por pretensão do diretor ou porque as cenas foram cortadas e nunca recuperadas – o que pode torna-lo um Slasher “light” em comparação aos seus “irmãos”. Mas isso não o deixa menos interessante e assustador em certos momentos.

Essa também é outra característica: a tensão construída aos poucos, e, dependendo do roteiro e da direção, funciona muito bem. Em certos momentos, principalmente na primeira vez que assisti ao filme, eu senti um arrepio na espinha, e cheguei a pular de susto. E nas outras vezes que assisti ao filme, não foi diferente.

Falando sobre as personagens principais, elas seguem aquela regra estabelecida no gênero: a heroína é a inocente do grupo, que faz o bem; as outras são as rebeldes, algumas vão além, não se preocupando com os outros e nem com o grupo. E em Fraternidade, a coisa não é diferente. A protagonista é boazinha, e não concorda com a brincadeira proposta pela líder do grupo, principalmente quando as coisas saem do controle. A antagonista é o oposto dela, perversa, egoísta, promiscua... e as outras garotas têm personalidades divididas: algumas pensam igual à líder do grupo; outras se preocupam com que pode acontecer, mas procuram não pensar nisso. Infelizmente, dependendo do filme, eu não consigo gostar da protagonista, e nesse filme isso acontece às vezes, principalmente no começo da historia.

Agora, falarei sobre o principal personagem da historia: o Assassino. O assassino é o ponto mais interessante dos Slashers, seja pela sua motivação, seja pela sua revelação no final, ou seja pelos métodos que usa para executar as vitimas. Nesse filme, o diretor faz questão de escondê-lo o tempo todo, às vezes, mostrando apenas sua arma trespassando as personagens. Como de costume, a revelação de quem ele é acontece no final, mas, ao contrario dos demais, aqui, a identidade é revelada por meio de um personagem secundário, ao contrario do que acontece nos demais filmes, onde um dos personagens adolescentes se revela como o assassino. Mas, aqui não é assim. O assassino é alguém alheio às personagens, alguém que elas não conhecem e nunca viram. Mas isso não faz dele menos interessante; pelo contrario. E a clássica fantasia que ele usa, é uma das melhores: UM PALHAÇO MISTURADO COM BOBO DA CORTE! Genial e assustador ao mesmo tempo! O engraçado é que, quando eu e meu irmão vimos essa fantasia no ótimo documentário Going to Pieces – The Rise and Fall of the Slasher Film, ele achou essa fantasia ridícula. Eu adorei; acho que é uma das melhores do gênero.


Enfim, Assassinatos na Fraternidade Secreta é um Slasher bem divertido, com um roteiro bem escrito, ótima direção e edição e clima de suspense de qualidade.

Permaneceu inédito no Brasil por muitos anos, até ser lançado em DVD pela Versátil Home Vídeo, na excelente coleção Slashers Vol.1.


Recomendável. 




Créditos da imagem: Versátil Home Vídeo


segunda-feira, 18 de março de 2019

AR FRIO (H.P. Lovecraft).


NOTA: 9


AR FRIO
AR FRIO é um conto fantástico. Uma historia de horror com toques ficção cientifica e mistério.

Escrito por Lovecraft no final dos anos 20, é um de seus melhores trabalhos, e um dos mais arrepiantes. Em poucas paginas, o autor cria uma trama simples, mas repleta de enigmas, que são revelados aos poucos, e de forma chocante.

O que também torna este um texto incrível é que, de certa forma, ele consegue fazer com que o leitor entre naquele lugar junto com o personagem principal – e narrador – e descobrir o que esconde o doutor que está hospedado no andar superior. E a medida que o mistério vai se desenrolando, logo percebemos que o protagonista não deveria ter feito aquilo, mas, infelizmente é tarde demais. De algum modo, ele torna-se cumplice do medico, não apenas no que diz respeito a sua estranha doença, mas também no que vem em seguida, quando a maquina que ele mantem em seu quarto – cujo proposito é macabro – começa a apresentar defeitos. Então, a partir daí, é possível perceber que não há saída.

Durante o tempo em que produziu o texto, Lovecraft passou parte de sua vida em Nova York, acompanhando sua esposa. Conforme relatou, foi uma terrível experiência, uma vez que estava fora de casa, e ajudou a intensificar seus medos, que ele transferiu para o papel, tanto aqui como em Ele, talvez o trabalho que mais reflete seu período na Grande Maçã.

Enfim, Ar Frio é excelente. Contém elementos de horror, talvez, um certo clima de investigação, e principalmente, de ficção cientifica. E tudo isso foi combinado de forma majestosa, culminando num final chocante.

Em 1993, recebeu uma adaptação no filme Necronomicon – O Livro Proibido dos Mortos, excelente antologia baseada nos textos do autor.

Um dos melhores trabalhos de H.P. Lovecraft.



H.P. LOVECRAFT






domingo, 17 de março de 2019

OS RATOS NAS PAREDES (H.P. Lovecraft).


NOTA: 9.5


OS RATOS NAS PAREDES
Escrito por Lovecraft nos anos 20, OS RATOS NAS PAREDES é um dos seus melhores trabalhos, e talvez um dos mais conhecidos fora do Ciclo dos Mitos de Cthulhu, ao lado de A Tumba e Herbert West Reanimator.

Com uma narrativa repleta de tensão e suspense, Lovecraft tem aqui uma historia sufocante, construída aos poucos, mas que consegue prender a atenção e provocar arrepios.
Considerado como uma rara excursão do autor ao terror gótico, Ratos pode, sim, ser considerado como tal, uma vez que apresenta elementos presentes nesse tipo de texto: a família com segredos, a atmosfera e a arquitetura do local da narrativa.

O que também o torna um texto surpreendente é a forma como é construído. Ao invés de revelar logo de cara o terror, Lovecraft primeiro nos leva ao passado da família De La Poer, uma família antiga, cercada de mistérios e segredos obscuros. Nos primeiros parágrafos, o personagem principal narra a historia de seus ancestrais, e não é uma historia boa: assassinatos, loucura, ligações com seres pagãos... Enfim, uma família repleta de esqueletos nos armários. Mas, mesmo sabendo da historia, o protagonista mostra-se determinado a residir no castelo da família, após restaurá-lo. Porém, quase que imediatamente após sua chegada, seus gatos, em especial seu gato preto Nigger-Man, começam a se comportar de forma estranha, o que leva-o a investigar o que está acontecendo. A partir daí, Lovecraft leva seu protagonista ao inferno, de uma certa forma.

As cenas dentro do castelo são aterrorizantes, escritas com riqueza de detalhes, principalmente nos momentos finais da historia. Juro. Confesso que me imaginei naquele lugar junto com os personagens, o que de certa forma, aumentou minha sensação de claustrofobia. De fato, é possível sentir claustrofobia durante a leitura. E o final, é de cair o queixo.

Enfim, OS RATOS NAS PAREDES é um dos melhores textos de H.P. Lovecraft. Uma trama de terror genuína, com todos os elementos necessários para criar medo no leitor.


Um texto brilhante e assustador. Excelente.



H.P. LOVECRAFT

    LOBOS (1981). Dir.: Michael Wadleigh.



    Resenha publicada em homenagem ao ator Albert Finney, que faleceu em Fevereiro.

    NOTA: 10


    LOBOS (1981)
    LOBOS é um filme excelente. Um dos melhores filmes sobre animais assassinos já produzidos.

    Dirigido por Michael Wadleigh, o filme é baseado no livro de estreia do escritor Whitley Strieber, autor de Fome de Viver e do polêmico Comunhão.

    O que o torna um filme brilhante é a sua execução. Toda a trama desenvolve-se lentamente, deixando o terror nas sombras, revelando-o apenas nos momentos finais. Durante boa parte do filme, somos apresentados a uma historia policial clássica, com todos os elementos.

    Mas não apenas a trama policial merece destaque, como também a trama de suspense, construída aos poucos, na base da sugestão. Não sei se o diretor optou por fazê-lo por razões orçamentárias ou de proposito; o caso é que a coisa funciona brilhantemente. Assim como Spielberg fez em Tubarão, Wadleigh faz uso da câmera subjetiva para simular a presença dos lobos na cidade de Nova York; porém, ele o faz com o uso de câmeras especiais, com efeitos infravermelhos, que visualizam o calor das vítimas, por exemplo.

    Outra coisa bem realizada são os truques que o diretor usa para indicar que os animais estão sempre presentes, seja com o personagem especialista, interpretado por Tom Noonan, seja com os personagens indígenas, que constituem um elemento chave da historia. Todos os elementos funcionam e aumentam ainda mais o suspense e a vontade de ver os lobos. E quando eles surgem, – próximo ao final do filme – é possível ver que todos os truques valeram a pena, da mesma forma que no Clássico de Spielberg.

    Como mencionado acima, a trama é construída aos poucos, em slowburn, e isso, para alguns, pode ser um ponto fraco. Mas, pessoalmente, eu gostei da maneira como tudo foi orquestrado; até porque, não sei se o resultado ficaria tão bom se os lobos surgissem logo no começo do filme.

    Não sei como as coisas funcionam em outros filmes de animais assassinos, principalmente cães, mas aqui, a matança causada pelos lobos tem um motivo: a sobrevivência. Como explica o personagem de Eddie Holt, interpretado por Edward James Olmos, ao personagem principal, interpretado por Albert Finney, tudo está acontecendo por causa da destruição causada pelos homens no passado, o que deixou os animais sem lugar para morar, e a beira da extinção, uma pista deixada brevemente pelo personagem de Noonan, anteriormente. Ou seja, os papeis se inverteram.

    Porém, a policia não vê as coisas dessa forma, e, até verem de fato os lobos, acreditam que os crimes são trabalho de um grupo terrorista que está agindo nos Estados Unidos. As sequencias de investigações são muito bem construídas e convincentes. É possível ver que aqueles personagens estão querendo apenas fazer o seu trabalho e garantir a segurança do publico.

    Os aspectos técnicos também contribuem para a eficiência do filme. Não conheço o trabalho de Wadleigh, então, não posso afirmar se os seus outros filmes seguem a mesma linha técnica, mas aqui, tudo funciona. A fotografia de Gerry Fisher está perfeita, captando nos tons sujos e decadentes de Nova York com maestria; as câmeras steadicam também fazem bonito, principalmente nas cenas envolvendo a ponte do Brooklyn, onde os índios se escondem durante a noite e trabalham durante o dia. A trilha sonora é magistral, e garante arrepios na espinha.

    Além de ser um filme de terror policial, LOBOS também é um filme de terror sobrenatural, e isso é mostrado nas sequencias em que Holt passa por uma transformação na praia, e também na sequencia final. O tema da troca de formas na cultura indígena é muito bem explorado no filme, e, como já mencionado, possui um papel chave na trama, uma vez que fica no ar a duvida se os lobos são de fato lobos, ou índios em metamorfose. O aspecto sobrenatural também é sugerido na sequencia do primeiro assassinato, uma vez que a policia imagina que membros de um culto Vodu estão envolvidos no caso, mas isso é logo descartado. Seja como for, o resultado é arrepiante.

    Os animais do título são o verdadeiro destaque. Mesmo com pouca presença, eles enchem a tela com seu ar ameaçador e sua beleza. Eles surgem apenas no final do filme, e o fazem de maneira brilhante. Todos os lobos presentes na historia são negros e a fotografia noturna contribui para o clima de mistério da sequencia em que eles surgem. Eles passam o filme inteiro escondidos em uma igreja em ruinas na parte velha da cidade, e, sinceramente, o ambiente possui um clima gótico que contribui para o ar de mistério e suspense do filme.


    Enfim, LOBOS é um filme de primeira. Um filme de terror com elementos de trama policial e mistério e terror sobrenatural, tudo muito bem amarrado em uma trama redonda e bem construída.




    THE ASSASSINATION OF GIANNI VERSACE: AMERICAN CRIME STORY (2018).


    NOTA: 10


    THE ASSASSINATION OF GIANNI VERSACE:
    AMERICAN CRIME STORY (2018)
    Apesar de não assistir à temporada anterior, devo dizer que esta foi a melhor temporada de American Crime Story.

    Em seus 9 episódios, a série contou de forma verdadeira a história do assassinato do estilista Gianni Versace, ocorrido na Flórida em 1997. Os realizadores não tiveram medo - e nem pudores - ao retratar as vidas de Versace e seu assassino, Andrew Cunanan, até o dia de sua morte.

    Confesso que quando soube que este seria o assunto da nova temporada, achei que iriam retratar, além do homicídio, a caçada à Cunanan, até o desfecho sangrento. Mas, como pude ver, estava enganado. Apesar de retratar o crime de Versace, a temporada, no fundo, contou a história de Andrew Cunanan. Mesmo tendo um certo conhecimento sobre a vida do assassino, graças aos documentários do Discovery Channel, fiquei surpreso ao acompanhar a trajetória de Cunanan até o dia do assassinato de Versace. Em vários momentos, fiquei dividido entre sentir ódio e pena do assassino, uma vez que sua vida inteira era uma grande mentira, criada por ele mesmo.

    Em relação ao elenco, digo apenas o seguinte: todos foram maravilhosos em suas performances. Porém, Édgar Ramirez e Darren Criss forma os que mais brilharam nos papéis de Versace e Cunanan, respectivamente. Ambos se transformaram nos personagens, de uma maneira que eu nunca havia visto. Penélope Cruz também brilhou no papel de Donatella Versace, irmã do estilista. Ao que parece, desde o início, ela foi o destaque da temporada, e realmente, ela se saiu muito bem no papel, mostrando total controle sobre as emoções que a personagem sentia em determinados momentos. E Ricky Martin, também se saiu muito bem no papel do amante de Versace. Apesar de pouca presença, sua atuação foi muito comovente. Os demais atores, nos papéis secundários, também se saíram muito bem. A direção de arte histórica também merece destaque, bem como os roteiros dos episódios.

    Enfim, uma temporada maravilhosa, verdadeira e corajosa. Um grande trunfo da TV em 2018.


    A TUMBA (H.P. Lovecraft)


    Esta resenha corresponde ao texto publicado na primeira e na segunda edição de "Grandes Contos de H.P. Lovecraft", lançado pela Editora Martin Claret. Ambas as edições apresentam o mesmo conteúdo. 


    NOTA: 9.5


    A TUMBA
    Escrito no inicio de carreira de Lovecraft, A TUMBA é talvez um de seus trabalhos mais conhecidos.

    Uma historia arrepiante de fantasmas e horror psicológico, repleta de elementos do terror gótico.

    A historia é narrada por Jervas Dudley, membro de uma família aristocrática da Nova Inglaterra que acaba descobrindo uma tumba misteriosa. Movido por forças desconhecidas, e, possivelmente, sobrenaturais, Dudley sente um desejo quase incontrolável de adentrar no local e descobrir o que há lá dentro. Dentre suas pesquisas sobre o local, ele descobre que a tumba é do descendente de uma família abastada já inexistente. Porém, a medida que seu desejo de adentrar na tumba aumenta, ele acaba fazendo uma descoberta arrepiante sobre si mesmo e sobre a tumba.

    O texto de Lovecraft é ágil, de fácil compreensão, e repleto de elementos associados ao terror gótico. Sua descrição da cripta onde a tumba está localizada é fascinante, e, durante a leitura, eu me imaginei dentro daquele lugar escuro, úmido e assustador. A descrição da tumba do falecido descendente da família abastada é fascinante, e, com certeza, me fez lembrar dos elementos que eu associo ao terror, em especial crânios e ossos humanos.

    O restante da historia também é de uma qualidade impar, quase sempre focada no interior da cripta e na obsessão de seu protagonista em descobrir o que há lá; e de certa forma, o leitor também junta-se a ele nessa expedição ao sobrenatural. Falando em sobrenatural, A Tumba pode ser considerada uma historia de fantasmas, mesmo que sem a presença de um. Como já mencionei, a própria ambientação lembra muito o cenário de uma historia de fantasmas, principalmente as historias de casas mal-assombradas.

    Em suas poucas páginas, Lovecraft nos conta uma historia arrepiante, cheia de mistério, sensações estranhas e surpresas de cair o queixo.

    A Tumba é um conto fascinante, perfeito para uma noite de chuva.


    Maravilhoso. Simples. Assustador. Um pequeno clássico de H.P. Lovecraft.


    H.P. LOVECRAFT

    O PILOTO DA NOITE (Stephen King).


    NOTA: 9.5


    O PILOTO DA NOITE
    Vou começar essa resenha dizendo o seguinte: eu descobri a existência desse conto, por causa da adaptação de 1997 – Voo Noturno - o primeiro filme de Stephen King que eu vi na vida, e que me assustou pra caramba.

    Bom, em relação ao conto, tive pouco conhecimento sobre ele, apenas o fato de que era centrado apenas no personagem de Richard Dees, o protagonista antipático. Ou seja, os demais personagens presentes no filme praticamente não existem; o mesmo pode ser dito sobre algumas cenas.

    Também não sabia bem onde o conto poderia ser encontrado – descobri que estava no livro “Pesadelos e Paisagens Noturnas – Vol.01” durante uma visita à Bienal do Livro. O processo para encontra-lo foi parecido com A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça. Passei a procura-lo em todo lugar, fosse em português ou em inglês, mas não encontrei. Até que encontrei os dois livros – “Pesadelos e Paisagens Noturnas “Vol.1” e “Vol.2” e comprei. E nesse feriado, resolvi ler o conto.

    E que leitura!

    De uma simplicidade impar, O Piloto da Noite é assustador. Focado apenas em Dees, o repórter de um jornal sensacionalista, cuja missão é identificar quem é o tal Piloto da Noite, um homem que vai de aeroporto em aeroporto, matando pessoas com requintes de violência. A pedido de seu editor, Dees começa sua caçada num aeroporto no Maine, onde o mecânico local relata que seu amigo e colega de trabalho foi morto pelo tal piloto misterioso. A partir daí, King leva seu personagem aos outros locais do crime, ouvindo relatos dos amigos das vitimas, sempre pensando no produto final: a Edição Especial dedicada ao Piloto da Noite, que sem duvida, será um campeão de vendas. Durante as 40 páginas da historia, Dees passa praticamente o tempo todo no cangote do tal Piloto, que parece estar sempre um passo a sua frente. Basicamente, o repórter chega aos locais pouco tempo após os homicídios, questão de semanas. O encontro final entre Dees e o Piloto da Noite é o melhor momento da historia. Uma cena apavorante, repleta de sugestão e, claro, sangue, muito sangue.

    Confesso que durante toda a leitura – que levou três dias – eu me peguei lembrando das cenas do filme do qual esse conto é baseado, principalmente a primeira entrevista de Dees com o mecânico e o final sangrento. Também comecei a citar os diálogos entre Dees e o Piloto no seu encontro.

    Para finalizar, O Piloto da Noite é um conto assustador, uma pequena mistura de historia de policial com terror.

    Um pequeno texto simples, rápido, mas cheio de tensão, suspense e sangue. Um dos melhores textos do Mestre Stephen King. 




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