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sábado, 20 de julho de 2024

NOSFERATU – O VAMPIRO DA NOITE (1979). Dir.: Werner Herzog.

 

NOTA: 10


NOSFERATU – O VAMPIRO DA NOITE é um filme maravilhoso.

 

É um daqueles casos de refilmagens que não ofendem a obra original, e merecem estar junto com ela numa sessão dupla.

 

Como já deu para perceber, o filme de Herzog é uma refilmagem do Clássico de Murnau, que é um marco do Expressionismo Alemão, além de ser a primeira adaptação para cinema do livro de Bram Stoker.

 

Aqui não é diferente, e o filme pode ser encarado dessas duas maneiras por qualquer um que adore a obra de Stoker. Até porque, o filme foi lançado em um ano que pode ser chamado de “Ano do Drácula no Cinema”, visto a quantidade de adaptações e filmes de vampiros que foram lançados.

 

A trama é basicamente a mesma do filme de Murnau, então, não vou descrevê-la aqui, e irei me concentrar apenas nos quesitos técnicos.

 

Conforme disse acima, o filme é maravilhoso, e isso se deve principalmente às habilidades de Herzog como diretor, e isso ele tem de sobra.

 

O cineasta é capaz de criar cenas lindas de várias formas, sem apelar para artifícios; tudo é feito de forma natural, e no tempo certo, e deixam o filme ainda melhor a cada revisão.

 

O principal fator que deixa o filme lindo são as locações. O filme foi rodado na Alemanha e na França, e o diretor soube aproveitar os cenários de maneira única, assim como Murnau fez em seu filme. As cenas diurnas são o grande destaque, com foco nas montanhas e vales, além de cachoeiras e grutas.

 

O castelo do conde não fica atrás. A locação é belíssima, e nas cenas diurnas, fica ainda melhor, com aspecto gótico e com decorações mórbidas, além de ser repleto de morcegos pendurados nas janelas.

 

A locação para a cidade de Wismar também é linda, e possui um aspecto de parada no tempo, além de contar com uma belíssima praça central, diante de uma torre de relógio.

 

Sempre que vejo as locações desse filme eu fico em paz, porque elas são simplesmente lindas, sem exceção.

 

Além das locações, preciso falar sobre o elenco também. Nosferatu marca mais uma parceria entre Herzog e o ator Klaus Kinski, aqui no papel do vampiro. Não é novidade para ninguém que o ator era problemático no set, e que ambos tiveram momentos difíceis em sua parceria ao longo dos anos.

 

Kinski está excelente como o vampiro, e sua caracterização se distancia completamente do filme de Murnau, e aqui, o conde é retratado como uma figura trágica, que não pode morrer, e que sofre por amar e não ser amado. E assim como no filme de Murnau, ele vai à Wismar para espalhar a peste, representada por um exército de ratos.

 

Além de Kinski, temos também as presenças de Isabelle Adjani e Bruno Ganz, como Lucy e Jonathan, respectivamente, e os dois também estão excelentes.

 

Isabelle interpreta uma Lucy fragilizada, que ama o marido e teme por sua vida quando ele vai viajar para a Transilvânia. Mas não é só isso. Sua Lucy também é uma mulher determinada, que está disposta a se sacrificar para salvar a vida do marido e também acabar com a peste. A caracterização da personagem também é excelente, com seu rosto pálido e cabelos negros; e fica ainda melhor quando ela está de camisola branca, que dá um belo contraste.

 

Ganz, por outro lado, interpreta Harker, e o personagem pode ser dividido em duas fases. No começo do filme, ele é um homem seguro, que não tem medo de viajar para uma terra distante, e não liga para as conversas supersticiosas dos locais. No entanto, após fugir do castelo, ele se transforma em outra pessoa, em um homem fragilizado, com aspecto doente, que não reconhece mais a esposa. E a coisa fica pior no final do filme.

 

Como eu disse anteriormente, Herzog sabe criar ótimas cenas, e ele faz isso com maestria. As cenas aqui acontecem aos poucos, de maneira lenta mesmo, mas não ficam entediantes. São várias cenas aqui, e fica difícil dizer qual é a melhor, mas eu destaco a sequência em o conde morde Lucy; é uma cena tensa, que deixa o espectador angustiado, porque, quando achamos que ela acabou, ela continua.

 

Além de criar cenas de ritmo lento, Herzog também faz uso de imagens de arquivo de morcegos voando em câmera lenta, para simular a chegada do vampiro, e também indicar sua presença em cena. Assim como as cenas mencionadas acima, esses takes de morcegos voando são maravilhosos, principalmente por causa dos animais que os protagonizam.

 

Assim como o filme de Murnau, o filme de Herzog é um filme sobre a peste, representada na forma de um exército de ratos. Quando eles chegam à Wismar, a bordo do navio abandonado, o caos está instalado, e as pessoas não tem outra alternativa, a não ser sucumbir e morrer. As cenas da presença da peste são tristes, e eu destaco uma em particular: a sequência em que Lucy está andando pela praça e se depara com várias pessoas adoecidas dançando alegremente e comendo ao ar livre. É a clássica representação da Dança da Morte, vista na época da Peste Negra, mas sem a presença do Ceifador. A sequência é acompanhada por uma trilha sonora lúgubre, que a deixa ainda mais melancólica.

 

E já que toquei nisso, deixe-me falar sobre a trilha sonora, antes de encerrar. Herzog utilizou música clássica, além de uma banda para compor a trilha sonora de seu filme, e a trilha não decepciona. Desde a primeira cena, nas catacumbas de múmias, a trilha fúnebre se faz presente, e passa uma sensação de tensão, que vai crescendo à medida que ela mesma vai crescendo. É uma trilha sonora perfeita para o clima lúgubre e melancólico do filme.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, primeiramente em versão individual, depois na caixa Nosferatu, que contém também o filme de Murnau. A versão disponível na caixa é restaurada e está no formato Widescreen Anamórfico, além de vir acompanhada de muitos extras.

 

Para uma ótima experiência, assista primeiro o filme de Murnau, e na sequência, embarque neste filme aqui.

 

Enfim, Nosferatu – O Vampiro da Noite é um filme excelente. Uma obra melancólica e fúnebre, que enche os olhos com suas locações maravilhosas, além de contar com as técnicas milenares de direção de Werner Herzog. O elenco principal também é o destaque, e os atores estão excelentes em suas performances, e a trilha sonora deixa o espectador ainda mais imerso no longa, com seu tema fúnebre e melancólico. Um exemplo de refilmagem que não ofende a obra original, e merece estar ao seu lado em uma sessão dupla. Altamente recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


sexta-feira, 1 de março de 2024

UM DRINK NO INFERNO (1996). Dir.: Robert Rodriguez.

 

NOTA: 9.5


O primeiro filme de terror a gente nunca esquece, não é verdade? E quanto ao segundo?

 

Qual foi o segundo filme de terror que vocês assistiram? O meu foi UM DRINK NO INFERNO, um misto de ação, terror e crime, comandado pela dupla Quentin Tarantino e Robert Rodriguez.

 

Infelizmente, serei obrigado a dar spoilers aqui nessa resenha, senão, a mesma ficaria incompreensível.

 

Recado dado, vamos lá.

 

Para quem já conhece, o filme é dividido em duas partes bem diferentes.

 

Na primeira, acompanhamos uma trama de crime digna dos filmes de Tarantino, com os irmãos, Seth e Richard Gecko, dois criminosos que espalham o terror pelo país e sequestram uma família, com o objetivo de fugir para o México. Na segunda parte, acompanhamos os personagens em um bar de strip-tease que se revela um antro de vampiros sugadores de sangue.

 

Passada essa introdução, vamos falar sobre o filme como um todo.

 

A começar pela direção de Robert Rodriguez, que é muito boa, e o diretor consegue conduzir as duas partes da trama com maestria, e ambas acertam em cheio.

 

A primeira parte, conforme mencionada acima, lembra muito os filmes de ação do diretor Tarantino, com a temática de sequestro e assalto a lojas e bancos, com ângulos de câmera e diálogos que poderiam ter saído diretamente de um filme de Tarantino, assim como as cenas violência.

 

Já a segunda parte, se transforma em um filme completamente diferente, com um ar de trasheira, com cenas de mortes exageradas e sangrentas ao extremo, com o sangue jorrando sem parar logo após a introdução dos vampiros, e os personagens lutando contra as criaturas com tudo que encontram no local, como tacos de bilhar e as pernas das mesas.

 

E o roteiro de Tarantino é muito bom em combinar essas duas partes, e faz tudo com maestria. Na primeira metade, tudo acontece aos poucos, com a dupla de irmãos se organizando para fugir do país, enquanto mantêm uma mulher como refém, mas as coisas não acabam bem, e os dois são obrigados a sequestrar uma família para ajudá-los a fugir.  No entanto, quando chegamos na segunda metade, o terror surge com tudo, com direito a corpos decepados e sangue jorrando com gosto; mas, após o massacre inicial, o roteiro novamente aposta no slow-burn, até desencadear para novos momentos de terror.

 

Os efeitos especiais foram criados pela KNB Effects Group, de Robert Kurtzman, Greg Nicotero, e Howard Berger, e eles não economizaram. Aqui tem de tudo, de membros falsos, passando por bonecos animatrônicos, e fantasias de monstros. Esqueça os vampiros clássicos. Aqui, temos vampiros monstruosos, com rostos deformados, e presas afiadas. Difícil dizer qual é o melhor, porque todos são muito bem feitos, e, convencem muito até hoje, assim como os efeitos de sangue.

 

Deixe-me falar um pouco mais sobre os vampiros. Além do visual monstruoso, eles são inspirados nos vampiros clássicos, e seguem algumas regras, como, por exemplo, são derrotados pela luz do sol; estacas de madeira no coração e cruzes também funcionam; e se transformam em morcegos. No entanto, o que os torna diferentes, é que eles podem ingerir outras bebidas, conforme mostrado quando somos apresentados ao bar Twittie-Twister – não vou usar a tradução aqui, para não criar polêmicas.

 

No início da resenha, eu mencionei que este foi o meu segundo filme de terror, porque eu o assisti quando era criança com a minha mãe. Até assisti-lo novamente, anos depois, eu me lembrava de algumas cenas, e sempre que o revejo, e as cenas aparecem, sinto um quentinho no coração. Por isso, este filme tem um lugar especial na minha vida.

 

Enfim, Um Drink no Inferno é um filme excelente. Um filme de ação e terror, contado com maestria pela dupla Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, com um roteiro bem afiado e direção inspirada. Os efeitos especiais são o grande destaque, com tudo que tem direito, e a KNB cria vampiros verdadeiramente assustadores. Altamente recomendado.



segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

O VÍCIO (1995). Dir.: Abel Ferrara.

 

NOTA: 8



Os filmes de vampiro estão presentes no cinema desde sempre, com uma enorme variedade de conteúdos, criados por vários cineastas ao longo dos anos.

 

O VÍCIO, lançado em 1995, dirigido por Abel Ferrara, é uma dessas variações, e uma das mais criativas, por motivos que serão descritos mais adiante.

 

Este é um dos melhores filmes de vampiro que já vi, principalmente por conta da criatividade do roteiro e da direção de Ferrara. O cineasta subverte o gênero com maestria e faz uma analogia interessante com o titulo do longa.

 

Acredito que o principal fator de criatividade seja o fato do filme ser rodado em preto e branco, o que o torna ainda mais sombrio e sinistro. Em momento nenhum as cores fazem falta, e deixam o filme ainda melhor.

 

Mesmo não tendo visto os demais filmes de Ferrara, eu imagino que o cineasta gosta de subverter os temas com os quais trabalha, e coloca as suas características nos mesmos, e aqui não deve ter sido diferente.

 

Além de ser um filme de vampiro, O Vício é também um filme sobre filosofia, e isto está presente desde o começo, visto que a protagonista é estudante de Filosofia e está prestes a concluir sua tese de doutorado. O roteiro de Nicholas St. John – colaborador frequente do cineasta – é recheado de frases que devem remeter à Filosofia, com citações e menções a filósofos conhecidos. Eu pessoalmente acho essa sacada muito interessante porque possui uma relação com os estudos da protagonista e também com a própria ideia de que vampiros podem ser filósofos.

 

O elenco também é um ponto positivo para o filme, principalmente a atriz Lili Taylor, que interpreta a protagonista Kathleen. No inicio do filme, ela se mostra uma pessoa doce e gentil, focada nos estudos, mas após ser atacada, ela se transforma em outra pessoa, que não se importa em ferir os outros, e não dá importância para os estudos. Além disso, logo após o ataque, é possível perceber que ela não entende o que está acontecendo consigo mesma, e passa a sofrer as consequências. Essa é uma característica que me chama muito a atenção em historias de vampiros, os vampiros que não entendem sua condição e sofrem por causa disso. Mas logo isso muda, e Kathleen se transforma em uma criatura sedenta de sangue.

 

O restante do elenco não faz feio, principalmente o ator Christopher Walken, que interpreta um vampiro filosófico que carrega consigo a sabedoria dos séculos. Apesar da pouca presença, o personagem rouba a cena.

 

Conforme mencionado acima, O Vício subverte o gênero de forma criativa, visto que a própria palavra “Vampiro” não é mencionada em momento nenhum ao longo do filme. Além disso, o roteiro faz uma analogia interessante com o vicio em drogas – daí o titulo – visto que, após adquirir o gosto pelo sangue, a protagonista passa a querer consumir o mesmo cada vez mais, até decair completamente, culminando na cena do massacre. E também devo dizer que o roteirista St. John cria suas próprias regras em relação às criaturas, o que é sempre bom de se ver: seus vampiros não possuem presas e podem andar à luz do dia; e os outros elementos não são apresentados aqui, mas sinceramente não fazem falta.

 

E além disso, o diretor Ferrara nos faz questão de mostrar Nova York como um lugar dominado pelas gangues e pela degradação, algo mostrado no cinema décadas antes.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Vampiros no Cinema 3, em versão restaurada, com um making of entre os extras.

 

Enfim, O Vício é um filme muito bom. Uma historia de vampiros ousada que subverte o gênero com criatividade impar e faz uma analogia interessante com o uso de drogas. A direção de Abel Ferrara é muito boa e o diretor consegue arrancar ótimas performances de seu elenco, que não está nem um pouco exagerado. A fotografia em preto e branco também é um destaque, e deixa o filme mais sombrio e sinistro. Um ótimo filme de vampiro e um exemplar criativo do gênero.



Créditos: Versátil Home Vídeo.


segunda-feira, 7 de agosto de 2023

A CRIPTA DOS SONHOS (1973). Dir.: Roy Ward Baker.

 

NOTA: 8.5


Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

Em 1973, o estúdio lançou A CRIPTA DOS SONHOS, dirigida por Roy Ward Baker, com roteiro baseado em histórias publicadas nos quadrinhos da EC Comics.

 

Eu vou dizer logo de cara que esta é uma das que eu mais gosto, e sempre divirto com ela toda vez que assisto, e isso se deve principalmente aos segmentos apresentados aqui. Ao todo, são cinco histórias curtas, contadas por cada um dos personagens que entraram em um elevador e se depararam com uma espécie de clube no subsolo do prédio.

 

Midnight Mess: Um homem contrata um investigador para encontrar sua irmã, e após saber de seu paradeiro, mata o detetive e pega seu dinheiro. Ao chegar no vilarejo onde a irmã está morando, ele acaba descobrindo algo terrível sobre o lugar quando a noite cai.

 

The Neat Job: Um homem com mania de limpeza e organização se casa e tenta fazer sua esposa se adaptar à nova vida e às suas regras. No entanto, um dia, enquanto o marido está fora, a mulher acaba provocando uma confusão na casa e é surpreendida por ele.

 

This Trick’ll Kill You: Um casal de mágicos está de viagem na Índia e se depara com os truques de um faquir. Rapidamente, o homem revela os segredos por trás dos truques do faquir, humilhando-o. Dias depois, o mesmo homem se depara com um novo truque e decide mostra-lo a sua esposa, não imaginando as consequências.

 

Bargain in Death: Um homem decide se fingir de morto para obter o dinheiro do seguro, e para isso, pede ajuda a um amigo. O mesmo homem é enterrado no cemitério e aguarda o amigo, mas não imagina que dois estudantes de Medicina decidem utilizar seu corpo a fim de passar nas provas.

 

Drawn and Quartered: Um artista descobre que foi enganado por críticos e decide se vingar utilizando os poderes do vodu. Ao retornar à Londres, ele começa a pôr seu plano em pratica, mas não dá conta das consequências que o vodu trará para si mesmo.

 

E temos aqui mais uma antologia básica, com começo, meio e fim, e interlúdios.

 

O filme foi dirigido por Roy Ward Baker, um nome conhecido no horror inglês, tendo participado de produções voltadas ao gênero tanto na Amicus quanto na Hammer, “rival” desta primeira.

 

Devo dizer que Baker fez um bom trabalho aqui, principalmente em se tratando dos segmentos. Cada um é diferente à sua maneira, e parece que o diretor empregou diferentes estilos ao dirigi-las, algo que se tornaria comum nas antologias posteriores, principalmente aqueles dirigidas por mais de uma pessoa.

 

A Cripta é mais uma das sete antologias produzidas pela Amicus, entre os anos de 1965 e 1974, e meio que se tornaram a marca registrada do estúdio, além do fato de produzirem filmes principalmente contemporâneos – poucos são os filmes produzidos por eles que não são. O que todas essas antologias têm em comum é o fato de possuírem de quatro a cinco segmentos, serem dirigidos pela mesma pessoa, e possuírem um elenco em sua maioria estelar.

 

Aqui temos a presença de alguns nomes reconhecíveis, sem apelar para grandes astros, como Peter Cushing, Joan Collins, Christopher Lee, ou Ingrid Pitt, que trabalharam em produções anteriores do estúdio. No time de coadjuvantes, temos o ator Denholm Elliott, que participou de A Casa que Pingava Sangue (1971), e da trilogia Indiana Jones. E temos também um ou dois nomes reconhecíveis do cinema inglês fazendo pequenas participações.

 

Além de contar com nomes reconhecidos no elenco, boa parte dessas antologias contavam com histórias inspiradas nos quadrinhos da EC Comics, as séries Tales from the Crypt e Vault of Horror. Sempre que eu assisto à esta ou à outra antologia cujas bases são essas series, eu sempre penso como elas deviam ser contadas nos quadrinhos, visto que é uma mídia diferente, com suas próprias regras e limitações.

 

Vale lembrar também que este é um filme que era produto de sua época, e isso pode ser exemplificado pelo terceiro segmento, cujo cenário é a Índia e, com exceção do ator que interpretou o faquir, não temos quase nenhum ator indiano no elenco, algo que não seria visto com bons olhos hoje em dia.

 

Como toda antologia, temos aqui também aquelas histórias que não são tão boas, algo comum no gênero. Eu pessoalmente não gosto muito do segundo segmento, porque, mesmo apresentando um caso sério de um personagem com manias, eu sempre acho que a conclusão acaba levando para o exagero, visto que a esposa do protagonista destrói toda a casa porque tem medo do que ele pode fazer quando descobrir que ela sujou uma cômoda. Não sei se isso de fato acontece na vida real, mas eu tenho a impressão que é um pouco de exagero. O quarto segmento também é um pouco fraquinho, visto que puxa mais para o humor negro do que para o terror. O meu favorito é o primeiro segmento; e gosto também dos demais.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema na coleção Amicus Productions, em versão remasterizada sem cortes.

 

Enfim, A Cripta dos Sonhos é uma das melhores antologias da Amicus Productions. Um filme arrepiante, com clima de nostalgia. Cada uma das histórias é macabra por si mesma, o que o torna ainda melhor a cada revisão. Os mais diversos assuntos relacionados ao terror, abordados de forma simples, mas eficiente, aliados a atuações convincentes e uma direção e roteiro experientes. Sem dúvida, um dos melhores exemplos do cinema britânico de horror, e uma das melhores antologias do cinema. Macabro. Divertido. Arrepiante.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

terça-feira, 23 de maio de 2023

A CASA QUE PINGAVA SANGUE (1971). Dir.: Peter Duffell.


 NOTA: 8.5



Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

A CASA QUE PINGAVA SANGUE, lançado em 1971, é uma delas, e uma das minhas favoritas. Me arrisco a dizer que é a minha favorita, porque foi a primeira que assisti, e toda vez que assisto, o filme fica ainda melhor.

 

O roteiro, escrito por Robert Bloch, a partir de suas histórias, é composto por quatro segmentos, algo muito comum em uma antologia, dividir o filme em segmentos. Além disso, o longa parece se encaixar no gênero de casa assombrada, visto que o principal cenário é uma casa que causa um efeito estranho em seus moradores.

 

Method for Murder: Um escritor e sua esposa se mudam para uma casa no interior da Inglaterra, para que o homem possa se recuperar de um bloqueio criativo. Uma noite, ele tem uma ideia para seu novo livro, e passa a escrevê-lo de forma compulsiva. No entanto, ele também passa a ser atormentado por visões com o vilão da história.

 

Waxworks: Um homem solitário compra a casa a fim de esquecer um amor do passado. Um dia, durante um passeio pela cidade, ele descobre um museu de cera, e, intrigado, decide entrar. Lá dentro, ele se depara com a escultura de uma mulher que se parece muito com a mulher que amou. Quando um amigo vai visita-lo, o mesmo também se torna obcecado pela estranha figura, o que gera terríveis consequências.

 

Sweets to Sweet: Um homem se muda para a casa com sua filha após a morte de sua esposa. Preocupado com o estranho comportamento da filha, o homem contrata uma professora particular, que passa a ensinar a menina. Durante suas leituras, a menina descobre um livro sobre bruxaria e passa a aprender os truques descritos nas páginas.

 

The Cloak: Um temperamental ator se muda para a casa, a fim de concluir as filmagens de seu novo filme. Após uma confusão no set, ele acaba se deparando com um estranho cartão de uma loja de fantasias. Ao chegar lá, ele compra uma antiga capa de vampiro e passa a usá-la no filme. No entanto, a capa logo revela sua verdadeira natureza.

 

Mais uma vez, temos uma antologia comum, com seus segmentos simples. No entanto, aqui temos também os interlúdios, focados na investigação do Inspetor Holloway, primeiramente com a polícia, e depois com o corretor de imóveis.

 

 Além de ser uma das melhores antologias da Amicus, A Casa também é mais uma aventura do escritor Robert Bloch no estúdio, tendo participado também outras produções para o estúdio. O roteiro de Bloch é muito bom, principalmente quando se trata dos segmentos, porque, assim como em produções anteriores, o estúdio soube apresentar os mais básicos elementos do terror de forma brilhante e convincente.

 

Junto a isso, temos aqui a presença dos lordes do horror, Christopher Lee e Peter Cushing, trabalhando mais uma vez para o estúdio. Ambos estão muito bem em seus papéis, e mais uma vez, se mostram como grandes nomes do horror que eram. Ao lado deles, temos a estrela Ingrid Pitt, um dos grandes nomes do horror britânico, atuando na última história.

 

O diretor Peter Duffell fez um bom trabalho aqui, criando cenas verdadeiramente assustadoras e tensas, principalmente na primeira e na última histórias. Ambas possuem cenas de tensão, focadas nos personagens, sem o uso de trilha sonora, algo que, conforme já mencionei em outras resenhas, é um ótimo elemento para assustar.

 

A Casa é um típico filme de horror produzido na Inglaterra naquele período, o que faz parte do seu charme, graças às cenas e o clima nostálgico. Esse é o tipo de elemento que me atrai nos filmes desse período, porque eles têm um apelo diferente em relação aos filmes produzidos nos Estados Unidos, por exemplo.

 

O longa é uma antologia, certo? E como todas, sempre tem uma historia que é melhor que as outras. Aqui não é diferente. Na minha opinião, a melhor é The Cloak, a última. Toda vez que assisto a esse segmento, eu gosto mais, porque é uma história verdadeiramente arrepiante, além de focar na metalinguagem, e ser uma releitura das histórias de vampiros. O segmento é muito bom e prende a atenção por causa desses elementos, e por causa do seu final. O final do filme em si, com o Inspetor Holloway enfrentando os vampiros também é muito legal e assustador.

 

Enfim, A Casa que Pingava Sangue é um filme muito divertido. Uma antologia clássica, com seus segmentos brilhantes, cada um com seu charme próprio. Um clima de nostalgia e mistério preenchem o filme e o deixam ainda melhor a cada revisão. A presença de grandes astros do horror britânico também é um destaque, combinado com o roteiro inspirado de Robert Bloch. Uma das melhores antologias da Amicus Productions. 



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terça-feira, 26 de julho de 2022

ENTREVISTA COM O VAMPIRO (Anne Rice).

 

NOTA: 10


EM MEMÓRIA DE ANNE RICE



Ao longo de sua carreira, Anne Rice foi uma das autoras mais populares de todos os tempos, principalmente graças às Crônicas Vampirescas, que ganharam milhões de fãs ao redor do mundo. ENTREVISTA COM O VAMPIRO foi o primeiro livro da série, além de ser o primeiro livro da autora.

 

Esse não foi o meu primeiro contato com o universo vampiresco de Anne Rice; há alguns anos, eu resolvi encarar o livro Pandora, e achei excelente – merece releitura e resenha. E também, eu tinha certo conhecimento em relação a esta história, até porque eu já vira o filme dezenas de vezes, mas nunca cheguei a ler o livro. Cheguei a buscar um exemplar na internet, mas nunca conseguia encontrar, até que a Editora Rocco se propôs a relança-lo em capa dura e novo projeto gráfico, mas com a clássica tradução da autora Clarice Lispector. Dito e feito.

 

Este aqui é um dos melhores livros de vampiro que já li na vida. Anne Rice é uma autora habilidosa e conta uma história dramática e assustadora, com tudo que tem direito.

 

A história, quem já leu – ou viu o filme – conhece, e é muito boa. O vampiro Louis – e a autora – conta sua história com precisão impressionante, e as descrições contribuem para deixar a leitura ainda melhor, e principalmente, fica fácil associar ao filme.

 

O modo como a autora estrutura o livro também merece menção. Ela consegue misturar as passagens do passado do protagonista com o presente de maneira quase imperceptível, tal o nível de mergulho na obra.

 

E claro, temos os personagens. Lestat é sem dúvida, o melhor vampiro da literatura, depois de Drácula, claro. A autora o descreve como um ser perverso, que sente gosto pelo sangue e por matar, seja por necessidade, seja por diversão – algo visto no filme com perfeição. Louis é a figura do vampiro melancólico, que passa a eternidade se lamentando e sofrendo por sua condição, algo que eu abraço também. A vampirinha Cláudia é uma das melhores personagens vampiras da literatura. Não sei se antes dela, existiu alguma personagem como ela, mas, ela é muito boa. Talvez a melhor característica da menina, seja o fato de que ela nunca vai crescer depois de virar vampiro, algo que eu acho muito legal, mas não concordo completamente.

 

Antes de mencionar a passagem deles por Paris, deixa eu falar sobre a segunda parte do livro, onde eles viajam pela Europa, principalmente por Varna, onde encontram diversas superstições sobre vampiros. Em especial, uma sequência em que eles passam a noite numa hospedaria é muito boa. Ali, eles encontram diversas pessoas que tem muito medo dos vampiros, tanto que enfeitam o lugar com coroas de alho e crucifixo; ou seja, a superstição clássica presente nas histórias de vampiros. Dessas pessoas, um homem que está prestes a enterrar a esposa é o melhor, porque ele conta para Louis como foi o seu próprio encontro com um vampiro que acabou de ser enterrado. É uma cena muito boa, digna dos filmes de vampiro da Hammer, por exemplo; inclusive, já digo que virou uma das minhas partes favoritas do livro.

 

No entanto, a melhor parte acontece em Paris, quando Louis e Cláudia conhecem o enigmático Armand e o Teatro dos Vampiros. A autora os descreve como os vampiros realmente devem ser: seres da escuridão, que vestem negro e tem a pele branca como papel, além de serem cruéis e ao mesmo tempo, enigmáticos, principalmente Armand, o segundo melhor personagem da história. Eu já havia conhecido essa parte no filme, mas no livro é muito melhor, porque as descrições são mais profundas, assim como os dilemas do protagonista. Além disso, a personagem Madeleine tem uma participação maior após virar vampira; e temos também outra vampira com mais destaque. Mas o melhor fica com a ideia do Teatro dos Vampiros, algo que a autora descobriu que existe realmente em Paris anos após publicar o livro. Eu acho muito interessante essa ideia de um teatro composto somente por vampiros, que todas as noites encenam suas peças mórbidas para o público parisiense. No filme, isso já era sensacional, mas no livro, é muito melhor. Não posso deixar de mencionar a maravilhosa primeira peça, com a mortal interagindo com os vampiros no palco, aterrorizada. Mesmo lendo o livro, eu não ainda não sei se a mortal é uma atriz ou não. E para finalizar essa parte, temos aqui um conflito do protagonista com seus sentimentos por Armand, que vão consumindo-o por dentro e fazendo-o sofrer mais ainda. Confesso que enquanto eu lia, eu estava esperando que algo fosse acontecer. Enfim, essa é a melhor parte da história, sem dúvida.

 

E o que vem depois não fica atrás, com Louis e Armand viajando pelo mundo, conhecendo lugares famosos, além de lidar com seus próprios problemas, principalmente por causa do que aconteceu em Paris, além disso, temos também o reencontro entre Louis e Lestat, uma das cenas mais tristes do livro, que acontece já em Nova Orleans no século XX. E a conclusão da história também é muito boa.

 

Não é novidade que em 1994, o livro ganhou uma adaptação para o cinema, dirigida por Neil Jordan e roteirizada pela própria autora. E ainda esse ano, a AMC irá lançar uma nova adaptação do livro, desta vez para a televisão, com os mesmos personagens, mas também com alterações na questão da época.

 

Anne Rice nos deixou em dezembro de 2021. Suas obras, no entanto, viverão para sempre, principalmente suas Crônicas Vampirescas, que até hoje, têm legiões de fãs espalhados pelo mundo.

 

Enfim, Entrevista com o Vampiro é um livro excelente. Uma história trágica de horror e sofrimento contada com maestria. A escrita da autora é fantástica e transporta o leitor para dentro da obra e o envolve completamente. Seus vampiros são a representação do puro Mal, com todas as características, além de novas regras. Um dos melhores livros de vampiro de todos os tempos. 



ANNE RICE

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quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

AS TRÊS MÁSCARAS DO TERROR (1963). Dir.: Mario Bava.

 

NOTA: 10



Mario Bava era um mestre. Eu já disse isso algumas vezes aqui, mas, é sempre bom ressaltar. Desde que se aventurou na direção definitivamente, com o Clássico A Maldição do Demônio (1960), Bava nos presenteou com obras que até hoje são admiradas por cineastas e fãs de cinema. Mesmo tendo se aventurado em outros gêneros, como, por exemplo, o Western, o cinema épico, e até mesmo, o cinema de super-heróis, o diretor é mais conhecido pela sua presença no Terror, principalmente no Terror Gótico.  E AS TRÊS MÁSCARAS DO TERROR (1963) é mais um exemplo.

 

Este é, sem duvida, um dos melhores trabalhos do diretor – dentre muitos outros – , e talvez a sua única aventura no gênero de antologias. E além disso, Bava contou com a presença de outro grande Mestre do terror: o astro Boris Karloff, que aqui faz o papel de anfitrião, além de estrelar o segundo – e melhor – segmento do filme, mais detalhes sobre isso adiante.

 

O filme é divido em três episódios, todos apresentados por Karloff.

 

O primeiro, O Telefone, é uma história de mistério com toques de Giallo. Após chegar em casa, uma prostituta que começa a receber ligações misteriosas. Ela então começa a suspeitar que o responsável é o seu ex-namorado, que estava preso, mas conseguiu fugir. Desesperada, ela liga para uma amiga para pedir ajuda, mas não imagina que o terror estava apenas começando.

 

O próximo segmento, O Vurdalak, é o melhor deles, sem a menor dúvida. Na história, um homem encontra um cadáver sem cabeça e o leva para a casa de uma família, e logo descobre que se trata de um assassino que vivia na região. No entanto, ele não sabe que a família está esperando o pai voltar para casa, mas ao mesmo tempo, todos estão com medo, pois acreditam que ele pode ter sido vítima de uma maldição vampiresca.

 

O último segmento, A Gota D’Água, é uma clássica história de fantasma. Uma enfermeira recebe um telefonema para ir à casa de uma médium que morreu durante uma sessão para ajudar a empregada a prepara-la para o funeral. No entanto, ela acaba roubando o anel da falecida, e passa a ser atormentada pelo seu fantasma.

 

Com o roteiro adaptado de obras escritas por F.G. Synder, Ivan Chekhov e Aleksey K. Tolstoy, As Três Máscaras do Terror é uma antologia clássica, apresentada em episódios de curta duração; ou seja, um exemplar clássico do gênero, correto? Sim, mas tem mais um detalhe: foi dirigido pelo Maestro Mario Bava, e posso dizer que isso é o que a diferencia das demais. Afinal, Bava era um maestro do cinema de horror, e aqui, dá mais uma prova do seu enorme talento.

 

O filme é um espetáculo de cores, principalmente os dois últimos segmentos, mas não é só isso. Mesmo apostando em recursos limitados, o diretor foi capaz de criar cenas e sequencias memoráveis, dignas de estudo para cinéfilos e fãs de cinema.



Logo na introdução, apresentada pelo astro Boris Karloff, somos brindados com um show de cores pulsantes na tela, que já enchem os olhos e dão uma dica do que vem por aí. Em seguida, no primeiro episódio, podemos ver o quanto o maestro sabia lidar com apenas um cenário e poucos atores, mesmo porque é exatamente isso que é mostrado na tela. Bava sabia exatamente o que fazer com o que tinha nas mãos e entregou um segmento tenso e arrepiante. No entanto, é certo dizer que ele guardou o melhor para os dois segmentos seguintes. Ambos são exemplares clássicos do terror gótico que o diretor que sabia fazer, com seus cenários exuberantes, dignos de foto, luzes coloridas pulsantes e cores vibrantes. Um verdadeiro espetáculo visual.


 

Além disso, temos aqui a representação de três grandes gêneros do terror, conforme mencionado acima. O Telefone é um suspense psicológico com toques de Giallo, subgênero que estava dando seus primeiros passos no cinema; temos o clima de tensão e também as ligações misteriosas, que se tornariam uma das marcas do gênero, além da presença das luvas pretas segurando uma faca brilhante. O Vurdalak é uma história de vampiros, nesse caso, do vampiro da tradição russa, que volta para se alimentar do sangue das pessoas que mais amou em vida – conforme dito na resenha de A Noite dos Demônios (1972), que também adaptou a novela de Tolstoy; e como toda história de vampiros, temos a presença das vítimas com os pescoços marcados pelos caninos afiados, além também do fato de que elas voltam para matar seus familiares. E por fim, A Gota D’Água é uma clássica história de fantasma com toques de terror psicológico, onde a personagem principal é levada à loucura. Temos a figura do fantasma que volta para assombrar a pessoa que o prejudicou, assim como vemos nos filmes de terror japonês, e leva-la a ter seu merecido fim, além, é claro, de termos também o tema do objeto maldito que vai passando de pessoa para pessoa, desencadeando um ciclo sem fim.

 

Ainda sobre o primeiro segmento, podemos também notar que a história toca em um dos grandes tabus da humanidade: a representação da homossexualidade na tela, ainda mais naquela época. Mesmo abordada de forma até sutil, é difícil não fazer essa associação; e além disso, temos também pequenos momentos de erotismo e sensualidade, novamente, algo inédito e ousado para a época.

 

Mesmo assim, é impossível assistir à As Três Máscaras do Terror e não se maravilhar, principalmente com a fotografia. Conforme mencionado acima, é um filme colorido, com as cores pulsando e vibrando na tela, enchendo os olhos do espectador. Bava era muito conhecido principalmente por seus filmes coloridos, e aqui podemos ver o motivo. O maestro soube muito bem onde colocar as cores, dado o seu conhecimento anterior como diretor de fotografia, e com isso, nos brindou com momentos dignos de obras de artes. Aliás, todo o trabalho do diretor é soberbo. Seu elenco atua muito bem, principalmente o astro Boris Karloff, com destaque para sua atuação no segundo episódio, onde ele interpretou o único vampiro de sua carreira, com sua capa negra com o capuz coberto de pelos. Os efeitos especiais também são maravilhosos, principalmente a cena da cavalgada na floresta noturna, homenageada por Tim Burton em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999); o fantasma da médium no último episódio também não fica atrás, com seu sorriso permanente e suas mãos em formato de garra. E claro, temos o som do vento soprando na noite. Conforme mencionei anteriormente, eu adoro quando tal efeito de som, pois dá uma sensação indescritível.

 

Sem dúvida, As Três Máscaras do Terror é um dos melhores filmes do Maestro Mario Bava, e um dos mais belos filmes de terror de todos os tempos. Quem disse que filme de terror não pode ser lindo e colorido, mas viu esse filme.

 

Foi lançado em 1963 na Itália, e no mesmo ano, a A.I.P. tratou de lançar uma versão alternativa nos Estados Unidos, que ganhou o título Black Sabbath, pelo qual também é conhecido. Os episódios foram trocados de ordem, além de contar com cenas alteradas – principalmente a introdução – e nova trilha sonora. No entanto, mesmo contando com a verdadeira voz do astro Boris Karloff, eu não gostei na versão internacional; eu prefiro muito mais a versão original italiana. Eu sei que algumas pessoas gostam das duas versões – ou até de uma delas – mas eu prefiro a versão oficial.

 

Chegou a ser lançado em DVD no Brasil pela distribuidora DarkSide – somente a versão italiana – , mas esteve fora de catálogo por anos, até ser lançado em DVD pela Versátil Home Vídeo, em belíssima versão restaurada, também com a versão internacional, até então, inédita no Brasil.

 

Enfim, As Três Máscaras do Terror é um filme belíssimo. Um verdadeiro espetáculo visual, com cores vibrantes que enchem os olhos do espectador, além de uma direção criativa do Maestro Bava, do jeito que somente ele sabia fazer. O astro Boris Karloff entrega uma atuação espetacular sob o comando do Maestro, interpretando o único vampiro de sua carreira. Uma trilogia de horror com toques de fantasia. Uma verdadeira obra de arte do cinema de horror. 


Créditos: Versátil Home Vídeo


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quinta-feira, 27 de maio de 2021

DRÁCULA – O PRÍNCIPE DAS TREVAS (1966). Dir.: Terence Fisher.


NOTA: 10



Entre 1958 e 1974, a Hammer Films produziu uma série de filmes protagonizados pelo Conde Drácula, criado pelo escritor Bram Stoker. Ao todo, foram nove filmes, sete deles estrelados pelo grande Christopher Lee, no papel que o consagrou como astro do horror. Somente dois filmes não contaram com o astro no elenco.

 

DRÁCULA – O PRÍNCIPE DAS TREVAS, o terceiro filme da série, é o segundo filme que contou com o astro no elenco. Lançado em 1966 e dirigido por Terence Fisher, em seu último envolvimento com a série, este é o melhor filme de todos os nove, melhor até que o primeiro filme, O Vampiro da Noite (1958). E motivos para isso não faltam.

 

É um filme muito bem feito, com todo o charme presente nos dois filmes anteriores, além de contar com uma ótima direção e ótimos atores. Impossível encontrar um defeito, mesmo porque eles não existem.

 

É um filme onde tudo acontece na hora certa, sem apelar para sustos artificiais e efeitos especiais duvidosos. Pelo contrário, aqui temos um verdadeiro filme de terror gótico, com tudo que o gênero soube trazer para nós.

 

A começar pela atmosfera. O filme tem aquela atmosfera interiorana que é sempre muito agradável e convidativa e que parece ficar melhor a cada revisão. Em seguida, quando os personagens já estão dentro do castelo, temos aquela atmosfera de medo e mistério que nunca vai embora, e depois, retornamos para a atmosfera anterior.

 

Outra coisa que torna o filme espetacular é a direção de arte. O castelo do conde é o melhor cenário do filme, com sua ambientação isolada e abandonada, mas mesmo assim, banhada na cor vermelha. O mosteiro também é um dos melhores, principalmente o escritório do Padre Sandor, que possui um aspecto familiar. E as paisagens também não ficam atrás, com a floresta e a choupana. Realmente, é o tipo de coisa que não se vê mais hoje em dia.

 

E claro, não posso deixar de citar o elenco. O diretor Fisher é um ótimo diretor de atores, e soube arrancar atuações realistas de seus interpretes; nenhum dos atores atua de maneira forçada ou caricata e os personagens são realmente criveis. No entanto, quem rouba a cena, é o astro Christopher Lee, em sua melhor interpretação do conde. Mesmo com pouca presença em tela, Lee conseguiu criar o melhor Drácula da série, com seu ar maligno e perverso. E o melhor, ele não precisou dizer nada. Diz a lenda que o astro não gostou do roteiro, e aceitou participar do filme apenas com a condição de que iria aparecer depois de 50 minutos de rodagem e que não diria uma palavra. Bem, dito e feito. O conde aparece somente após a metade do filme, mas enche a tela com sua presença. Maravilhoso, sem dúvida.

 

E o astro protagonizou cenas memoráveis. Minha favorita é quando ele sai do castelo atrás da mocinha, com a capa voando com o vento e se abrindo como asas de morcego. Uma cena que mostra a elegância do ator e do personagem. E como de costume, temos também o Drácula sedutor, que hipnotiza suas vítimas antes de ataca-las e cobre-se com a capa quando vai mordê-las. O Drácula Clássico.

 

Bem, como mencionado, esses são os atributos que fazem deste um grande filme de terror, e um dos melhores filmes de vampiro de todos os tempos.

 

Foi lançado em DVD no Brasil em três ocasiões. As duas primeiras, em edições individuais; a terceira, no Box Drácula – The Ultimate Hammer Collection. Lá fora, foi lançado em Blu-ray duas vezes, em versões maravilhosamente restauradas e coloridas.

 

Enfim, Drácula – O Príncipe das Trevas é um filme excelente. Uma obra assustadora e fascinante, com cenas que prendem a atenção e enchem os olhos. Christopher Lee entrega sua melhor atuação como Drácula, sem a menor dúvida. O melhor filme da série do Drácula da Hammer Films, e um dos melhores filmes do estúdio, com todo o charme que somente eles sabiam fazer. Altamente recomendado.



 

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quarta-feira, 26 de maio de 2021

AS PROFECIAS DO DR. TERROR (1965). Dir.: Freddie Francis.

 

NOTA: 8.5 



Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

AS PROFECIAS DO DR. TERROR foi a primeira delas. Lançado em 1965, foi dirigido por Freddie Francis, e estrelado por Peter Cushing, Christopher Lee e Donald Sutherland. O estúdio se inspirou no Clássico Na Solidão da Noite (1945), a primeira antologia lançada nos cinemas. Dr. Terror é uma das melhores antologias da Amicus e uma das minhas favoritas, e como todo exemplar do gênero, é composto por pequenas histórias, aqui, contadas pelo personagem título, interpretado por Cushing.

 

A primeira, Werewolf, fala sobre um arquiteto que retorna para a antiga casa de sua família, a fim de realizar reformas para o novo proprietário. Durante a reforma, ele descobre o tumulo de um antigo lobisomem, que acreditava estar desaparecido. Quando o lobisomem retorna, o arquiteto precisa correr para enfrenta-lo, antes que ele mate novamente. No entanto, o que ele não imagina é que outro lobisomem está mais próximo do que ele pensa.

 

Na segunda história, Creeping Vine, uma família retorna para sua casa após um período de férias. Rapidamente, o marido descobre que uma trepadeira está agindo de forma estranha, atacando a todos ao seu redor. Ele então recorre aos cientistas para descobrir o que está acontecendo. Quando um deles é morto pela trepadeira, a família se vê presa em sua própria casa, talvez sem a possibilidade de fuga.

 

Em Voodoo, um músico viaja com sua banda até as Antilhas, a fim de fazer um show num clube local. Após o show, o trompetista descobre a respeito de um deus local, e movido pela curiosidade, decide assistir a uma cerimônia, e acaba fascinado pela música tribal, e decide se apropriar dela, apesar dos avisos dos sacerdotes. Durante uma apresentação em Londres, coisas estranhas acontecem no clube, mas o músico não se intimida. No entanto, ele acaba descobrindo as consequências de seu ato.

 

Na história seguinte, Disembodied Hand, um severo crítico de artes é humilhado por um artista durante uma exposição. Tomado pelo ódio, ele o atropela, causando a perda de sua mão, levando-o a depressão e ao suicídio. Porém, o crítico passa a ser perseguido pela mão decepada do artista, o que traz consequências desastrosas.

 

A última história, Vampire, é sobre um médico recém-casado que retorna a Nova Inglaterra com sua esposa. No início, as coisas ocorrem bem, mas, logo um garotinho surge no consultório com estranhas marcas no pescoço, chamando a atenção de outro médico. Nas noites seguintes, novas coisas estranhas acontecem, levando o segundo médico a chegar a uma conclusão: o rapaz se casou com uma vampira. Hesitante, ele decide matá-la, mas não imagina as consequências terríveis de seu ato.

 

Uma antologia básica, não é mesmo? Com histórias curtas, com poucos personagens e que vão direto ao ponto, certo? Isso mesmo. Mas, o que faz desse um filme muito bom é a sua execução. Dr. Terror é um filme muito bem feito, com ótimos atores, um roteiro direto, e momentos verdadeiramente arrepiantes. É aquele tipo de filme que, mesmo sendo simples, consegue alcançar seu objetivo, e o faz muito bem.

 

Eu gosto muito desse tipo de filme, que faz uso de coisas e cenas simples para assustar o espectador, e a Amicus faz isso muito bem. Além disso, mesmo sendo dirigido por um único diretor, cada história apresenta um aspecto diferente, o que deixa o filme ainda mais atraente, e melhor a cada revisão. O diretor Freddie Francis conseguiu criar um filme digno de nota, colorido, divertido e assustador. O diretor é um antigo colaborador da casa, tendo sido responsável pela direção de A Maldição da Caveira (1965), As Torturas do Dr. Diabolo (1967), Contos do Além (1972), As Bonecas da Morte (1966), entre outros filmes do estúdio, além de ser o responsável por Drácula – O Perfil do Diabo (1968) e O Monstro de Frankenstein (1964), da Hammer. Um especialista no gênero.

 

Eu sou um admirador de antologias, justamente por conta da simplicidade. São filmes de longa-metragem, mas que contam com histórias curtas, com poucos personagens, e que conseguem contar muito mais do que um filme próprio. E tudo era feito da forma mais simples, mas real possível, capaz de prender a atenção do espectador, e assustá-lo sem fazer muito esforço. E o mais interessante, é que cada história parece transitar em gêneros diversos, apesar do filme como um todo ser um filme de terror, o que também é muito comum nas antologias, principalmente nas antologias que eu já vi.

 

E claro, contavam com um grande elenco. Aqui, nós temos a dupla de cavalheiros do terror, Christopher Lee e Peter Cushing, além de Michael Gough, e Donald Sutherland, e cada um tem seu próprio mérito, principalmente Cushing, que entrega uma performance arrepiante como o Dr. Terror, o vidente que prevê o futuro dos quatro homens dentro da cabine, futuros terríveis, diga-se de passagem. Dos quatro personagens, o melhor é o Sr. Marsh, o crítico de arte interpretado por Lee, arrogante e cético até o ultimo fio de cabelo, até mesmo quando tem seu futuro revelado pelo doutor. Os outros personagens também são muito bons, cada um com sua peculiaridade.

 

E as histórias? As histórias também são muito boas, cada uma a sua maneira. Como é de praxe nas antologias, temos histórias assustadoras e quase sempre uma história absurda, e aqui não é diferente. As minhas favoritas são a primeira e a última, que falam sobre lobisomens e vampiros, respectivamente. E como acabei de dizer, tudo feito de maneira simples e rápida, mas eficiente.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, na coleção Amicus Productions – Vol.2, em versão remasterizada.

 

Enfim, As Profecias do Dr. Terror é um filme muito bom, que consegue assustar o espectador sem esforço. Uma das melhores antologias de terror, produzidas de maneira simples, mas eficiente, que conta uma ótima direção e um elenco de estrelas. Um clássico da Amicus Productions e um de seus melhores filmes. Altamente recomendado. 


Créditos: Obras-Primas do Cinema


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