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sábado, 5 de agosto de 2023

COLHEITA MALDITA (1984). Dir.: Fritz Kiersch.

 

NOTA: 8.5


A franquia Colheita Maldita é uma das mais irregulares do cinema, principalmente por causa de suas sequências, e remakes e reboots. Tirando o primeiro filme, são todos descartáveis.

 

E é justamente sobre o primeiro filme, COLHEITA MALDITA, que vou falar hoje.

 

Eu vou ser sincero aqui. Eu acho este filme uma das adaptações mais legais da obra do mestre do terror, Stephen King. Desde a primeira vez que assisti a esse filme, em 2004, num DVD de banca, eu gostei muito da história, principalmente por causa da ambientação – mais detalhes adiante.

 

Colheita Maldita é um filme muito bom, e isso se deve primeiramente à sua técnica. É um filme muito bem dirigido, bem editado e com ótimo design de produção e fotografia inspirada.

 

Outro detalhe é o clima do longa. Sempre que eu assisto, eu tenho a impressão de estar imerso naquela história, ou então, eu tenho uma sensação de história que acontece ou se passa num fim de semana, e, conforme mencionei em outras resenhas, isso é algo que me atrai bastante nos filmes.

 

Como todos sabemos, a história, adaptada do conto As Crianças do Milharal, presente na antologia Sombras da Noite, fala sobre uma seita de crianças que cultuam uma entidade demoníaca conhecida como “Aquele que Caminha Atrás da Plantação”, e como prova de devoção, elas matam todos os adultos da pequena Gatlin, no estado do Nebraska. Essa história já foi revisitada diversas vezes, seja nas próprias continuações, seja em parodias, mas tudo começou aqui.

 

Eu acredito que o conto original foi escrito por King antes do autor ser famoso, e deve ter sido publicado em alguma revista, algo muito comum nos primeiros anos do mestre, e deve ter sido também a primeira excursão de King em historias protagonizadas por crianças, algo que se tornaria muito comum em sua bibliografia e que originou alguns de seus maiores clássicos, como IT – A Coisa – já comentado aqui – e o conto O Corpo, presente na antologia Quatro Estações. O quanto o roteiro – que na época, deveria ser escrito pelo próprio King – se baseia no conto original não sei dizer porque ainda não o li, mas assim que o fizer, trago a resenha para vocês.

 

Seja como for, o fato é que o roteiro já começa com os dois pés no peito, com um massacre de adultos em uma lanchonete e depois tem um salto temporal e então nos apresenta o casal protagonista. A partir daí, a trama foca principalmente nos dois e na sua viagem pelas estradas do Nebraska. O melhor é que o roteiro não faz questão de dar uma explicação para o que está acontecendo, do tipo, com flashbacks e outros artifícios. A trama começa com as crianças já dominadas pelo pastor-mirim Isaac e pronto, não faz muita questão de explicar a entidade nem o motivo dela estar ali, numa fala de uma das personagens nos é revelado tudo isso. É o tipo de roteiro que faz falta hoje em dia.

 

Outro ponto a ser destacado é a fotografia, realizada por um brasileiro escondido atrás de um pseudônimo, vale dizer. O fotografo fez um excelente trabalho em captar toda a ambientação seca dos cenários, principalmente do milharal e da pequena cidade. Isso se deve ao fato de ser um filme que se passa quase todo durante o dia, então tudo é visível e o terror chega a ser até um pouco maior por causa disso. Mas mesmo assim, ele fez um excelente trabalho, com seus planos abertos, revelando o ambiente ao redor dos personagens. Minha tomada preferida é uma que é mostrada em um grande plano geral, e revela o local onde é a seita das crianças, graças à duas cruzes gigantes e tochas. É uma tomada linda porque acontece no pôr do sol, então a cena vai ficando mais escura e vemos isso com os cortes da edição. E claro, a ambientação de cidade abandonada; é o tipo de coisa que me agrada em filmes desse tipo.

 

A trilha sonora também é um ponto a ser mencionado, com seu coro infantil arrepiante.

 

Além da fotografia e do roteiro, quero destacar a direção. O diretor Fritz Kiersch não faz feio aqui e consegue arrancar ótimas performances do seu elenco, principalmente das crianças.

 

E claro, tenho que falar sobre elas. Os vilões mirins são o grande acerto do filme, e passam a sensação de maldade com facilidade, chegando a assustar de verdade. O mesmo pode ser dito das duas crianças do bem, que passam um ar de perigo e medo, visto que eles não fazem parte daquela sociedade.

 

Colheita Maldita, como sabemos, faz parte de um grupo especifico de filmes que retratam crianças como perigosas e assassinas. Eu já falei sobre elas aqui, na resenha do excelente Os Meninos (1975), mas existem vários exemplos, e este filme, acredito, é um dos mais conhecidos. E este, como sabemos, é um tema difícil de lidar, porque é difícil imaginar que crianças sejam capazes de atos cruéis, seja por qual motivo. No cinema, como mencionei, temos vários exemplos, mas na literatura, acredito que o exemplo mais famoso é O Senhor das Moscas, de William Golding, onde crianças ficam presas numa ilha e criam suas próprias regras. Seja como for, é um assunto que merece ser discutido.

 

Também não é novidade para ninguém que Colheita Maldita se tornou uma franquia a partir dos anos 90, com diversas continuações, com certeza, uma pior que a outra. Vou dar exemplos: o segundo filme é ruim; o terceiro é uma trasheira, mas não vale uma resenha; o quarto é chato; e o sexto, que traz Isaac de volta, também. Não posso dizer nada sobre os demais, porque não vi, mas nenhum deles terá resenha aqui, porque não foram lançados oficialmente no Brasil. O remake de 2009 é horrível, e não tive coragem de conferir o reboot desse ano. Melhor ficar com o primeiro mesmo.

 

Enfim, Colheita Maldita é um ótimo filme. Um longa tenso e arrepiante, com uma técnica muito boa, principalmente a fotografia, que capta a atmosfera dos cenários muito bem. O elenco jovem é o grande destaque do filme, e passam todo o medo e o terror que deveriam sem esforço, assim como a trilha sonora. Uma das melhores adaptações de Stephen King. Recomendado. 




quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

AS TRÊS MÁSCARAS DO TERROR (1963). Dir.: Mario Bava.

 

NOTA: 10



Mario Bava era um mestre. Eu já disse isso algumas vezes aqui, mas, é sempre bom ressaltar. Desde que se aventurou na direção definitivamente, com o Clássico A Maldição do Demônio (1960), Bava nos presenteou com obras que até hoje são admiradas por cineastas e fãs de cinema. Mesmo tendo se aventurado em outros gêneros, como, por exemplo, o Western, o cinema épico, e até mesmo, o cinema de super-heróis, o diretor é mais conhecido pela sua presença no Terror, principalmente no Terror Gótico.  E AS TRÊS MÁSCARAS DO TERROR (1963) é mais um exemplo.

 

Este é, sem duvida, um dos melhores trabalhos do diretor – dentre muitos outros – , e talvez a sua única aventura no gênero de antologias. E além disso, Bava contou com a presença de outro grande Mestre do terror: o astro Boris Karloff, que aqui faz o papel de anfitrião, além de estrelar o segundo – e melhor – segmento do filme, mais detalhes sobre isso adiante.

 

O filme é divido em três episódios, todos apresentados por Karloff.

 

O primeiro, O Telefone, é uma história de mistério com toques de Giallo. Após chegar em casa, uma prostituta que começa a receber ligações misteriosas. Ela então começa a suspeitar que o responsável é o seu ex-namorado, que estava preso, mas conseguiu fugir. Desesperada, ela liga para uma amiga para pedir ajuda, mas não imagina que o terror estava apenas começando.

 

O próximo segmento, O Vurdalak, é o melhor deles, sem a menor dúvida. Na história, um homem encontra um cadáver sem cabeça e o leva para a casa de uma família, e logo descobre que se trata de um assassino que vivia na região. No entanto, ele não sabe que a família está esperando o pai voltar para casa, mas ao mesmo tempo, todos estão com medo, pois acreditam que ele pode ter sido vítima de uma maldição vampiresca.

 

O último segmento, A Gota D’Água, é uma clássica história de fantasma. Uma enfermeira recebe um telefonema para ir à casa de uma médium que morreu durante uma sessão para ajudar a empregada a prepara-la para o funeral. No entanto, ela acaba roubando o anel da falecida, e passa a ser atormentada pelo seu fantasma.

 

Com o roteiro adaptado de obras escritas por F.G. Synder, Ivan Chekhov e Aleksey K. Tolstoy, As Três Máscaras do Terror é uma antologia clássica, apresentada em episódios de curta duração; ou seja, um exemplar clássico do gênero, correto? Sim, mas tem mais um detalhe: foi dirigido pelo Maestro Mario Bava, e posso dizer que isso é o que a diferencia das demais. Afinal, Bava era um maestro do cinema de horror, e aqui, dá mais uma prova do seu enorme talento.

 

O filme é um espetáculo de cores, principalmente os dois últimos segmentos, mas não é só isso. Mesmo apostando em recursos limitados, o diretor foi capaz de criar cenas e sequencias memoráveis, dignas de estudo para cinéfilos e fãs de cinema.



Logo na introdução, apresentada pelo astro Boris Karloff, somos brindados com um show de cores pulsantes na tela, que já enchem os olhos e dão uma dica do que vem por aí. Em seguida, no primeiro episódio, podemos ver o quanto o maestro sabia lidar com apenas um cenário e poucos atores, mesmo porque é exatamente isso que é mostrado na tela. Bava sabia exatamente o que fazer com o que tinha nas mãos e entregou um segmento tenso e arrepiante. No entanto, é certo dizer que ele guardou o melhor para os dois segmentos seguintes. Ambos são exemplares clássicos do terror gótico que o diretor que sabia fazer, com seus cenários exuberantes, dignos de foto, luzes coloridas pulsantes e cores vibrantes. Um verdadeiro espetáculo visual.


 

Além disso, temos aqui a representação de três grandes gêneros do terror, conforme mencionado acima. O Telefone é um suspense psicológico com toques de Giallo, subgênero que estava dando seus primeiros passos no cinema; temos o clima de tensão e também as ligações misteriosas, que se tornariam uma das marcas do gênero, além da presença das luvas pretas segurando uma faca brilhante. O Vurdalak é uma história de vampiros, nesse caso, do vampiro da tradição russa, que volta para se alimentar do sangue das pessoas que mais amou em vida – conforme dito na resenha de A Noite dos Demônios (1972), que também adaptou a novela de Tolstoy; e como toda história de vampiros, temos a presença das vítimas com os pescoços marcados pelos caninos afiados, além também do fato de que elas voltam para matar seus familiares. E por fim, A Gota D’Água é uma clássica história de fantasma com toques de terror psicológico, onde a personagem principal é levada à loucura. Temos a figura do fantasma que volta para assombrar a pessoa que o prejudicou, assim como vemos nos filmes de terror japonês, e leva-la a ter seu merecido fim, além, é claro, de termos também o tema do objeto maldito que vai passando de pessoa para pessoa, desencadeando um ciclo sem fim.

 

Ainda sobre o primeiro segmento, podemos também notar que a história toca em um dos grandes tabus da humanidade: a representação da homossexualidade na tela, ainda mais naquela época. Mesmo abordada de forma até sutil, é difícil não fazer essa associação; e além disso, temos também pequenos momentos de erotismo e sensualidade, novamente, algo inédito e ousado para a época.

 

Mesmo assim, é impossível assistir à As Três Máscaras do Terror e não se maravilhar, principalmente com a fotografia. Conforme mencionado acima, é um filme colorido, com as cores pulsando e vibrando na tela, enchendo os olhos do espectador. Bava era muito conhecido principalmente por seus filmes coloridos, e aqui podemos ver o motivo. O maestro soube muito bem onde colocar as cores, dado o seu conhecimento anterior como diretor de fotografia, e com isso, nos brindou com momentos dignos de obras de artes. Aliás, todo o trabalho do diretor é soberbo. Seu elenco atua muito bem, principalmente o astro Boris Karloff, com destaque para sua atuação no segundo episódio, onde ele interpretou o único vampiro de sua carreira, com sua capa negra com o capuz coberto de pelos. Os efeitos especiais também são maravilhosos, principalmente a cena da cavalgada na floresta noturna, homenageada por Tim Burton em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999); o fantasma da médium no último episódio também não fica atrás, com seu sorriso permanente e suas mãos em formato de garra. E claro, temos o som do vento soprando na noite. Conforme mencionei anteriormente, eu adoro quando tal efeito de som, pois dá uma sensação indescritível.

 

Sem dúvida, As Três Máscaras do Terror é um dos melhores filmes do Maestro Mario Bava, e um dos mais belos filmes de terror de todos os tempos. Quem disse que filme de terror não pode ser lindo e colorido, mas viu esse filme.

 

Foi lançado em 1963 na Itália, e no mesmo ano, a A.I.P. tratou de lançar uma versão alternativa nos Estados Unidos, que ganhou o título Black Sabbath, pelo qual também é conhecido. Os episódios foram trocados de ordem, além de contar com cenas alteradas – principalmente a introdução – e nova trilha sonora. No entanto, mesmo contando com a verdadeira voz do astro Boris Karloff, eu não gostei na versão internacional; eu prefiro muito mais a versão original italiana. Eu sei que algumas pessoas gostam das duas versões – ou até de uma delas – mas eu prefiro a versão oficial.

 

Chegou a ser lançado em DVD no Brasil pela distribuidora DarkSide – somente a versão italiana – , mas esteve fora de catálogo por anos, até ser lançado em DVD pela Versátil Home Vídeo, em belíssima versão restaurada, também com a versão internacional, até então, inédita no Brasil.

 

Enfim, As Três Máscaras do Terror é um filme belíssimo. Um verdadeiro espetáculo visual, com cores vibrantes que enchem os olhos do espectador, além de uma direção criativa do Maestro Bava, do jeito que somente ele sabia fazer. O astro Boris Karloff entrega uma atuação espetacular sob o comando do Maestro, interpretando o único vampiro de sua carreira. Uma trilogia de horror com toques de fantasia. Uma verdadeira obra de arte do cinema de horror. 


Créditos: Versátil Home Vídeo


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segunda-feira, 5 de abril de 2021

A NOITE DOS DEMÔNIOS (1972). Dir.: Giorgio Ferroni.

 

NOTA: 10



É incrível a variação que existe nas histórias de vampiros. Desde que surgiram no cinema, tivemos uma variedade incrível do subgênero, passando por grandes obras, clássicos obrigatórios, filmes notáveis, medianos e grandes bombas. Eu mesmo já tive contato com muitos desses filmes e posso dizer que, mesmo já tendo visto praticamente tudo, eu ainda me surpreendo com o que aparece de vez em quando.

 

A NOITE DOS DEMÔNIOS (1972), do diretor italiano Giorgio Ferroni é um dos exemplos de grandes obras do gênero. É um filme belíssimo, que, mesmo sendo contemporâneo, possui um forte aspecto gótico, e esse apenas um dos seus vários atrativos.

 

Esse é o tipo de filme de terror que não precisa ser feio para ser assustador; pelo contrario, um filme de terror pode, sim, ser lindo e ser assustador ao mesmo tempo, e exemplos disso não faltam, principalmente os filmes dirigidos pelo Maestro Mario Bava. Mas, vamos falar sobre este filme aqui.

 

Pois bem, devo dizer que a primeira coisa que me chamou a atenção nele foi justamente o seu aspecto gótico e interiorano, que, conforme comentei anteriormente, é algo que me chama muito a atenção. Eu gosto desse tipo de ambientação e clima num filme; faz com que eu me sinta bem, e deixa o filme ainda mais bonito. Realmente é o tipo de coisa que não vemos muito hoje em dia.

 

Outra coisa que acrescenta ao filme é sua trilha sonora. Assim como muitas da época, quase não temos aqui uma trilha pesada, comum nesse tipo de filme; pelo contrario, aqui a trilha é melancólica, mas muito bonita, o tipo de trilha que pode ser ouvida sozinha, sem precisar do filme. Outros pontos como a fotografia dessaturada, o figurino nostálgico e os efeitos especiais também contribuem para deixar o filme ainda melhor e mais bonito.

 

No entanto, conforme mencionado acima, este é um filme de vampiros. O roteiro é baseado na novela The Family of the Vourdalak, de Alekesy K. Tolstoy, escrita no século XIX. O Vurdalak é um vampiro que faz parte da tradição russa, e, segundo a lenda, tem o costume de sugar o sangue das pessoas que amou em vida. E é exatamente isso que acontece aqui. Tudo começa com uma maldição, que aos poucos, é transmitida aos membros da família, infectando um por um com sede de sangue. Mas não pense em encontrar vampiros com longas presas afiadas. Aqui não temos isso, somente a pele branca como papel e o uso da estaca de madeira no peito como arma. Não espere o uso de crucifixos, alho e morcegos, porque nada disso aparece. Além disso, eles podem andar livremente durante o dia. Mas esse é também um ponto positivo, uma vez que cada um cria vampiros do jeito que quiser, conforme disse o diretor John Landis num episodio da série History of Horror: quando se trata de criaturas de “fantasia” como vampiros e lobisomens e outros, não existem regras. E é verdade. Com isso, os autores podem ser criativos. E temos também a questão da maldição que é passada para os membros da família, aliados à superstição. Como disse em outra resenha, essa questão da superstição me atrai muito por causa do medo que os personagens sentem ao cair da noite.



E novamente, esse é um fator que faz deste um filme assustador. As cenas envolvendo os vampiros são as melhores possíveis, com o medo e tensão sendo construídos aos poucos, sem apelar para jump-scares e sangue em excesso. E aqui os vampiros são o que deveriam ser, criaturas sugadoras de sangue que matam suas vitimas com requintes de crueldade. Não estou dizendo que vampiros não podem ter remorso, do contrario, podem, sim; mas aqui nós não temos essa característica e podemos nos familiarizar com os vampiros tradicionalmente perversos. 

 

Antes de encerrar, devo dar um parecer sobre os efeitos especiais, criados pelo mestre Carlo Rambaldi. Quem está familiarizado com seu trabalho, sabe que ele não brincava em serviço, e foi responsável pelas mais extraordinárias criações do cinema fantástico. Aqui, mais uma vez, ele mostra seu talento ao criar cenas arrepiantes, com direito a corações arrancados, peitos perfurados e rostos derretendo. Um trabalho de mestre que não fica datado.

 

A Noite dos Demônios foi dirigido por Giorgio Ferroni, em sua segunda excursão no gênero. Doze anos antes, ele foi responsável pelo também excelente O Moinho das Mulheres de Pedra, um clássico do terror gótico italiano. Infelizmente, apesar sua considerável filmografia, o diretor só se aventurou no gênero com esses dois filmes, e A Noite dos Demônios foi seu ultimo trabalho na direção.

 

The Family of the Vourdalak foi adaptada para o cinema anteriormente em 1963, no também excelente As Três Máscaras do Terror, antologia dirigida pelo Maestro Mario Bava, no segundo segmento, estrelado por Boris Karloff, interpretando o único vampiro de sua carreira.

 

Foi lançado em DVD no Brasil na excelente coleção Vampiros no Cinema, da Versátil Home Vídeo, em versão original em italiano.

 

Enfim, A Noite dos Demônios é um belíssimo filme de terror. Uma historia de horror com toques interioranos e com forte aspecto gótico, mesmo sendo contemporâneo. Um filme arrepiante que prende a atenção do espectador com suas imagens poéticas e assustadoras. Um dos melhores filmes de vampiro de todos os tempos, e um clássico do terror gótico italiano. Maravilhoso. Excelente. Altamente recomendado. 



Créditos: Versátil Home Vídeo


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sábado, 20 de março de 2021

PUMPKINHEAD - A VINGANÇA DO DIABO (1988). Dir.: Stan Winston.

 

NOTA: 9



Stan Winston foi um dos grandes mestres dos efeitos especiais do cinema. Desde os anos 80, ele foi o responsável pelas maiores criaturas do cinema de fantasia. Seus trabalhos incluem o androide do Exterminador do Futuro (1984), os dinossauros de Jurassic Park (1993), o Pinguim de Batman, o Retorno (1992) e Edward Mãos-de-Tesoura (1990), entre outros. Todas essas criaturas foram criadas dentro de seu estúdio, com o auxilio de grandes profissionais.

 

Além de ser o responsável por essas e outras criaturas fantásticas, Winston também foi o diretor de um dos melhores filmes de terror dos anos 80, mas que infelizmente, não é tão conhecido assim: PUMPKINHEAD - A VINGANÇA DO DIABO, lançado em 1988.

 

Devo dizer o seguinte sobre esse filme: é, sem duvida, um dos melhores filmes do gênero, que contou com uma direção segura do mestre e claro, efeitos especiais de ponta, que deram vida a um monstro espetacular e assustador.

 

O filme é excelente. Ao contrario dos demais exemplares que surgiram na mesma década, esse é um filme de terror sério, sem nenhum espaço para alivio cômico, e com uma atmosfera de tragédia, pesadelo e conto de fadas. Sim, conto de fadas. Por quê? Porque o tempo todo parece que estamos assistindo a uma fábula, com uma criatura assustadora e uma moral no final, além do clima sombrio e assustador dos contos de fadas de antigamente, como eram contados realmente.

 

Além disso, outra coisa que torna o filme digno de nota é a sua concepção. O roteiro foi inspirado num poema de Ed Justin e numa lenda do folclore americano – que se é real ou não, não sei – e o tempo todo essa questão dessa criatura mitológica é mostrada na tela, principalmente levando em conta a ambientação interiorana americana, com as pessoas pobres, sujas, que moram em casas simples. Tudo é mostrado de forma convincente, o que aumenta ainda mais o grau de realismo. E a lenda do Cabeça de Abóbora aumenta ainda mais essa sensação, uma vez que o filme mostra que a criatura é vista como maldita pela região, e seus habitantes não querem nem ajudar quem está a sua mercê. Ou seja, é o tipo de lenda que circula com força pela região e assusta as pessoas há gerações.

 

Outro ponto positivo é a direção. Anteriormente, Winston vinha de direção de segunda equipe em O Exterminador do Futuro, mas aqui, ele estreou de fato no comando de um longa com o pé direito. Winston faz um excelente trabalho, e sua direção é segura e até madura, e ele se mostra um grande diretor de atores, uma vez que o elenco entrega atuações convincentes, fazendo a gente acreditar que aquelas pessoas são reais. E a caracterização deles também é muito boa, com destaque para o personagem Ed Harley, interpretado por Lance Henriksen, com seu ar de ingenuidade de homem do campo. Um trabalho de gênio. Além disso, a direção de fotografia também é um ponto positivo. Basicamente, o filme possui três cores, o laranja, o vermelho e o azul. O laranja é usado para as sequencias diurnas; o vermelho para as cenas a luz de velas e na casa da bruxa; e o azul para a noite. E as cores pulsam na tela de forma brilhante, principalmente o vermelho e o azul. É quase um filme do Maestro Mario Bava, quase porque ninguém é capaz de refazer o que ele fazia, que fique claro.


A direção de arte e o design também não ficam para trás. Como é um filme ambientado no interior dos Estados Unidos, a gente talvez espera encontrar pequenas comunidades, de casas simples, com animais perambulando. Pois é exatamente isso que é mostrado aqui, sem pudor. Toda a simplicidade, a falta de recursos e a sujeira são mostrados com detalhes impressionantes que beiram ao realismo. A paisagem é abandonada, com aspecto gótico e assombrado; o tipo de paisagem que mete medo em qualquer um. Um dos destaques vai para a casa da bruxa; toda decorada com animais mortos, ossos e crânios e uma lareira que lança labaredas amarelas. Ou seja, a casa de bruxa clássica dos contos de fadas. O cemitério de aboboras também merece menção. Um lugar cheio de nevoa, com arvores podres e aboboras velhas. Um lugar assustador. E tem também uma pequena igreja gótica em ruínas, muito bem feita também.



E por fim, não posso deixar de mencionar os efeitos especiais, criados pelo estúdio de Winston. O Cabeça de Abobora é uma das melhores e mais assustadoras criaturas do cinema de horror: alto, esquelético, de pernas e braços longos, garras afiadas e uma cabeça em formato de abobora. Uma criatura digna de pesadelos. O monstro foi interpretado por Tom Woodruff Jr., que passou o filme inteiro dentro de uma fantasia de borracha. Pois bem, aí que está a magia. Os efeitos são tão bons que a gente esquece que aquilo é um homem numa fantasia; parece de fato um monstro de verdade. Tudo criado com efeitos práticos, que não ficam datados e fazem muita falta hoje em dia. O filme também tem boas cenas de gore, com destaque para a cena da janela; um banho de sangue. Mas quem ganha destaque mesmo é o monstro, e suas cenas são arrepiantes. O filme faz questão de escondê-lo até o ultimo instante, mostrando apenas detalhes de suas mãos e garras. E quando ele finalmente aparece, a espera é compensada. 

 

Uma ultima coisa que vale comentar é a relação entre Harley e seu filho Billy. Desde que eles aparecem, fica claro que os dois são sozinhos e mundo e dependem um do outro para sobreviver. Harley é um pai amoroso, que cuida do filho com carinho e demonstra seu amor o tempo todo. As cenas em que ambos aparecem juntos são dignas de lagrimas nos olhos, de tão bonitas. E quando a tragédia acontece, nós ficamos com pena do pai. E a cena da tragédia é toda construída de maneira brilhante, com cortes para o pai e o filho e para os jovens na motocicleta. Qualquer um que assiste é capaz de adivinhar o que vai acontecer, sem esforço.

 

Pumpkinhead foi lançado primeiramente em 1988 de maneira limitada. O que aconteceu foi que a produtora, a De Laurentiis Entertainment Group, enfrentou problemas financeiros e acabou indo à falência. Em seguida, foi lançado novamente em Janeiro de 1989 pela MGM, mas não obteve bons resultados de bilheteria. No entanto, com o passar dos anos, acabou adquirindo status de cult entre os fãs do gênero. Recebeu quatro continuações, uma direto para o vídeo, e duas para a TV, uma delas com Doug Bradley no elenco. Dessas continuações, somente a primeira, Pumpkinhead II - O Retorno (1994), vale a pena.


Stan Winston faleceu em 15/jun/2008. Até hoje, é reconhecido como um dos maiores criadores de efeitos especiais, e suas criações são reverenciadas por vários cinéfilos e cineastas. 


Foi lançado em VHS no Brasil com o título de A Vingança do Diabo, mas também é conhecido por aqui como Sangue Demoníaco. Após anos fora de catalogo, foi lançado aqui em DVD pela 1Films Entretenimento, em edição especial em DVD duplo, com um disco cheio de extras.

 

Enfim, Pumpkinhead, A Vingança do Diabo é um filme excelente. Uma historia de horror com elementos de fantasia e conto de fadas, que consegue assustar sem o menor esforço. A direção segura e madura de Stan Winston, combinados com uma fotografia colorida e efeitos especiais de ponta, fazem deste um dos melhores filmes de terror dos anos 80. O Cabeça de Abóbora é uma das melhores e mais assustadoras criaturas do cinema de horror. Um filme assustador. Altamente recomendado.



Créditos: 1Films Entretenimento.



EXTRA:

O poema de Ed Justin, que serviu que serviu inspiração para o filme:

“Keep away from Pumpkinhead,
Unless you’re tired of living,
His enemies are mostly dead,
He’s mean and unforgiving,
Laugh at him and you’re undone,
But in some dreadful fashion,
Vengeance, he considers fun,
And plans it with a passion,
Time will not erase or blot,
A plot that he has brewing,
It’s when you think that he’s forgot,
He’ll conjure your undoing,
Bolted doors and windows barred,
Guard dogs prowling in the yard,
Won’t protect you in your bed,
Nothing will, from Pumpkinhead!”

Agradecimentos: https://www.horrorgeeklife.com/2017/03/02/pumpkinhead-poem/

 

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sábado, 21 de novembro de 2020

HÄXAN, A FEITIÇARIA ATRAVÉS DOS TEMPOS (1922). Dir.: Benjamin Christensen.

 

NOTA: 10



Filmes sobre a Caça às Bruxas não são fáceis de assistir, e o principal motivo são as cenas de tortura e execução. Pois bem, não sei qual o primeiro filme a retratar esse período vergonhoso da historia da Humanidade, mas, sem dúvida, HÄXAN, A FEITIÇARIA ATRAVÉS DOS TEMPOS (1922) é um dos melhores e mais assustadores, mesmo quase cem anos após seu lançamento.

 

Não se engane. Mesmo depois de tanto tempo, o filme continua relevante e atual, e principalmente, muito assustador. Häxan é um filme profano até a medula, com suas imagens perturbadoras e chocantes, até para os padrões atuais.

 

O diretor Benjamin Christensen teve como base o polêmico O Martelo das Feiticeiras (Malleus Maleficarum), o mais famoso livro sobre Caça às Bruxas da História, publicado no século XV, que se tornou uma espécie de guia para a Inquisição durante a época. Pois bem, segundo informações, o diretor mostrou interesse em fazer um filme sobre o livro, ainda em 1919, e pelos dois anos seguintes, estudou o tema a fundo. A pós-produção levou um ano para ser concluída, enquanto a fotografia principal levou cerca de oito meses. Como resultado, o filme tornou-se o longa europeu mais caro do cinema mudo.

 

Como mostrado já nos letreiros de abertura, o filme é divido em sete capítulos. No primeiro capitulo, somos apresentados a uma espécie de documentário, mostrando a representação do Demônio e das bruxas durante a Idade Média, usando como imagens, as clássicas ilustrações da época. Nos capítulos seguintes, o filme apresenta uma espécie de recriação da época medieval, como se fosse uma espécie de antologia. O mais pesado fica para os capítulos 4 até o capitulo 6, onde o diretor relata como foi a época da Inqusição, mostrando sem pudores o julgamento e tortura de uma velha senhora, acusada de bruxaria. E no ultimo capitulo, o filme nos leva até a Era Moderna, no caso, o começo da década de 20, onde o avanço da Ciência tenta nos dar uma explicação racional para o que na Idade Média era considerado como manifestações do Demônio, como por exemplo, doenças mentais e deformidades.

 

Do começo ao fim, Häxan é uma obra importante para os fãs de cinema. No quesito técnico, apresenta grandes cenas com efeitos especiais, como por exemplo, projeções, animação stop-motion e maquiagem. São cenas muito boas, e até hoje não deixam de ser impressionantes, pelo menos para mim. Difícil destacar uma cena especifica, porque são todas muito bem feitas, principalmente a maquiagem das criaturas, mais detalhes adiante.

 

Além de fazer uso de efeitos especiais dignos de nota, o diretor também não mostra pudor ao retratar a realidade, principalmente nas cenas históricas. Não espere pessoas com maquiagem para simular a sujeira e a velhice; não, aqui é tudo mostrado na cara dura: imperfeições, dentes faltando, sujeira, tudo que tem direito. E além disso, o diretor também faz questão de mostrar até mesmo cenas de nudez, mesmo que maneira quase imperceptível, e também, sacrifícios humanos e rituais satânicos com realismo impressionante.

 

Como mencionado acima, a maquiagem é um dos destaques. Os demônios e as criaturas são retratados de maneira quase que realista, principalmente o próprio Satã, interpretado pelo próprio diretor. Não me lembro de ter visto uma caracterização tão profana quanto a mostrada aqui, nem mesmo em outros filmes que falam sobre o assunto. A maquiagem é tão perfeita que faz pensar que aquelas criaturas são reais, o que aumenta o grau de realismo.

 

E a melhor sequência do filme, sem dúvida, é a sequência da Missa Negra dentro da floresta. Tem de tudo: profanação, sacrifícios, nudez, adoração à Satã... Tudo feito de uma maneira impressionante, que, novamente, beira ao realismo. É de fato uma sequência perturbadora e quase desconfortável, principalmente por conta das imagens de profanação e adoração à Satã, mas também não deixa de ser impactante e digna de nota, por conta da maneira como foi dirigida e montada. Uma sequência arrepiante e digna de pesadelos.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, em versão restaurada, com três opções de áudio e muitos extras. Lá fora, recebeu uma nova restauração em 4k em Blu-Ray pela Criterion; anteriormente, foi lançado em DVD no Brasil pela Magnus Opus; e além disso, como está em domínio publico, pode ser encontrado no YouTube sem dificuldades.

 

Enfim, Häxan, A Feitiçaria Através dos Tempos é um filme excelente. Uma obra verdadeiramente assustadora, com imagens e cenas dignas de pesadelos. Um filme muito bem feito, e que até hoje, impressiona, por conta de seus efeitos especiais e cenas antológicas. O diretor Benjamin Christensen faz um relato histórico detalhado e impressionante da época medieval, passando pela Inquisição, e mostrando, sem pudor, cenas de tortura, violência, nudez e profanação. Sem dúvida, uma obra profana até a medula, mas não menos impressionante e atual. Um dos filmes de terror mais assustadores de todos os tempos. Perturbador. Arrepiante. Macabro. Excelente. Altamente recomendado.

 


Créditos: Obras-Primas do Cinema



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quarta-feira, 29 de maio de 2019

O HOMEM DE PALHA (1973). Dir.: Robin Hardy.


NOTA: 9


O HOMEM DE PALHA (1973)
Lançado em 1973, O HOMEM DE PALHA é um filme maravilhoso. Uma obra de horror com toques musicais, eróticos e de fantasia. Erroneamente considerado um filme da produtora Hammer, contou com dois astros do estúdio em seu elenco: Christopher Lee e Ingrid Pitt. Em diversas entrevistas, o astro considerava este o seu melhor filme. E não é pra menos.

Porém, antes de ser considerado um dos melhores filmes britânicos de todos os tempos, e o “Cidadão Kane dos filmes de horror”, esse filme teve uma historia conturbada, durante e após sua produção.

Tudo começou quando o roteirista Anthony Shaffer tinha interesse em contar uma historia envolvendo uma seita pagã, em especial os antigos druidas. Seu roteiro foi enviado à produtora British Lion, que demonstrou interesse em realiza-lo. No entanto, após o inicio das filmagens, os problemas começaram, na locação na Escócia. O filme foi rodado no inverno, então o elenco teve que se esforçar para se adaptar ao clima, principalmente quando envolvia cenas de nudez. O ator Edward Woodward enfrentou problemas na sequencia em que seu personagem é trancafiado no interior do Homem de Palha do título, sendo o maior deles ter sido “banhado” em urina de uma cabra que estava acima de sua cabeça. O baixo orçamento também foi um problema, tanto que o astro Christopher Lee não recebeu nenhum salario, fato esse que comentou sem pudores. E por fim, na distribuição, os problemas aumentaram, uma vez que a British Lion não demonstrou interesse em distribui-lo, após uma recepção negativa nas exibições-teste. O medo dos produtores foi tanto, que chegaram a pedir ao produtor Roger Corman para distribuir o filme nos Estados Unidos, o que também causou problemas, uma vez que não houve publicidade. E por fim, anos mais tarde, quando houve interesse por parte de Christopher Lee em recuperar as inúmeras cenas que foram cortadas, os negativos foram despachados e sumiram misteriosamente, o que deixou os envolvidos muito abalados.

Mas, apesar de seus inúmeros problemas, O Homem de Palha é um filme maravilhoso, com um clima de horror quase inexistente, fotografia inspirada e direção de arte também inspirada. Como já comentei antes, o filme é construído em slowburn, uma técnica que aprecio muito, e que faz falta hoje em dia.

O fato é que o filme consegue assustar sem fazer esforço, seja pela ambientação interiorana, a fotografia ou a direção de arte ou até mesmo pelas atuações, muitas delas a cargo de figurantes reais. São muitos os momentos que causam arrepios, sendo que os principais ficam no ultimo ato, quando ocorre o ritual de sacrifícios humanos que faz parte da religião dos habitantes da ilha.

Esse também é um ponto que merece destaque, porque, se por um lado, temos o oficial Howie, um religioso fervoroso, que procura sempre seguir os ensinamentos cristãos, do outro, temos os residentes daquela comunidade, com seus métodos nada ortodoxos, como por exemplo, a pratica de amor ao ar livre, ou ensinamentos sobre sexo para crianças ou então, o ritual das jovens de dançarem nuas ao ar livre. Tudo isso é visto com desaprovação pelo Sargento, que não tem pudores de expor suas crenças para aquelas pessoas, mesmo quando sua vida está em perigo. Esse é um dos pontos altos do filme, a religião cristã contra a religião pagã, e, conforme assisti ao filme, ficou claro qual lado iria vencer.

Olhando por esse lado, pode-se dizer que o Sargento Howie é o típico mocinho idealista, que enfrenta até a autoridade máxima para provar seu ponto de vista. Sinceramente, acho esse tipo de personagem desinteressante, por causa da forma como são desenvolvidos; mas aqui, não foi difícil torcer pelo Sargento, porque ele se mostrou determinado a cumprir suas duas missões.

Como mencionado acima, o filme possui de fato, momentos que assustam, sendo um deles, a sequencia em que o Sargento percorre a ilha de ponta a ponta para encontrar a menina desaparecida, em especial uma cena em que uma criança sai de dentro de um armário, e outra, ocorrida logo depois, quando ele encontra uma peça de ritual em sua cama. Cenas de causar calafrios. Além desses toques assustadores, o filme também é repleto de erotismo, como na já mencionada cena que um grupo de garotas dança em volta de uma fogueira – todas aparecem nuas – , ou então, quando Willow, a filha do dono da pousada onde Howie se hospeda, dança nua pelo quarto, numa tentativa de seduzir o policial. Willow foi interpretada pela atriz Britt Ekland, talvez mais conhecida por ter sido casada com o ator Peter Sellers – na época, eles já estavam divorciados. No ano seguinte, a atriz participou de The Man With the Golden Gun, no papel de Bond Girl, que também contou com a presença de Christopher Lee, no papel do vilão.

E além de seus momentos de horror, o filme também tem contornos musicais, seja numa rápida cena quando o sargento vai até a escola, descobrir se a menina desaparecida estudava lá, seja no ultimo ato, o do sacrifício, quando todos os habitantes da ilha dançam e cantam fantasiados, conforme a tradição. Essa é talvez, a sequencia mais bonita do filme, seja pela canção, seja pelo trabalho dos atores.

E claro, não poderia deixar de mencionar o astro Christopher Lee, aqui, conforme ele mesmo declarava, em seu melhor filme. Seu personagem, Lorde Summerisle, é o grande líder da comunidade. Todos ali seguem suas ordens com obediência quase cega, sem questionar suas decisões e autoridade. Não sei se o personagem pode ser considerado um vilão, coisa que o ator sabia interpretar muito bem, principalmente o Conde Drácula nos filmes da Hammer. Summerisle mostra-se prestativo na investigação do policial, um homem elegante, gentil e educado. E quando está junto dos residentes da ilha, nada disso desaparece, o que talvez, torne-o mais ameaçador. Este é sem, duvida, um dos melhores personagens do saudoso ator, que deixou sua marca no cinema de horror para sempre.

Enfim, O Homem de Palha é um filme maravilhoso. Uma produção envolta em mistério, fantasia, erotismo e terror. Um dos melhores filmes de horror de todos os tempos.



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