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terça-feira, 4 de junho de 2024

PRÍNCIPE DAS SOMBRAS (1987). Dir.: John Carpenter.

 

NOTA: 9


PRÍNCIPE DAS SOMBRAS é um dos meus filmes favoritos do diretor John Carpenter, porque é um dos filmes do cineasta que eu mais vejo.

 

Na teoria, o longa é um filme de terror, mas na prática, é um filme que contém muitas coisas ao mesmo tempo e muitos temas misturados.

 

O roteiro, escrito pelo próprio diretor – usando pseudônimo –, mistura física com religião e terror cósmico, além de contar com um elenco de muitos personagens.

 

Mas não se engane. Essa confusão tonal faz parte do charme do longa, que é feito com as técnicas milenares do cineasta, que faz aqui, um dos seus melhores filmes.

 

Na trama, o Padre Loomis recruta um professor de Física e seus alunos para investigar estranhos fenômenos que estão acontecendo na cidade de Los Angeles. Durante as investigações, eles descobrem que tais fenômenos estão relacionados a um estranho recipiente guardado no porão de uma velha igreja.

 

Parece uma trama simples, não é? Mas, conforme mencionei acima, o roteiro de Carpenter lida com vários assuntos diversos. O diretor lida com questões de Física e religião de uma forma que eu nunca tinha visto em um filme; ele quase junta os dois, como se fossem uma coisa só.

 

De acordo com o próprio diretor, a ideia veio por causa do interesse que ele tem nessas questões de Física, nas equações, etc., e com isso, criou um filme que merece ser visto com a mente aberta.

 

Eu acho que isso é importante. Assistir ao filme com a mente aberta, e não com o olhar de um Físico, ou Teólogo, porque Carpenter com questões um tanto quanto problemáticas, principalmente em determinado trecho, quando diz quem foi Jesus Cristo, e de onde Ele veio. Com certeza, não é todo mundo que vai engolir a explicação que o roteiro dá.

 

Conforme também mencionei acima, o roteiro contém um elenco bem grande de personagens, e acredito que Carpenter teve que fazer um malabarismo para conseguir colocá-los juntos na narrativa, visto a quantidade de atores ali presentes. Acredito que esse é um detalhe que pode deixar o espectador confuso, até mesmo porque, alguns deles não são mencionados pelo nome.

 

No entanto, apesar do elenco bem grande, temos um protagonista, o Padre Loomis, interpretado por Donald Pleasence, em sua terceira colaboração com Carpenter, que é o fio condutor da trama toda. Ao seu lado, temos outros personagens importantes, que estão presentes desde o começo. O primeiro é o professor Birack, que se mostra um conhecido do padre; temos também os alunos Brian, Catherine e Walter, um dos personagens mais divertidos do filme. Brian e Catherine são o casal de mocinhos, que acabam fazendo parte do time de físicos que são contratados para investigar o estranho cilindro com líquido verde. Eu confesso que tenho meus problemas com Brian, porque ele não me convence em alguns pontos do filme – não sei se é por causa do ator, ou por causa do próprio personagem. Walter é o aluno convencido, de quem ninguém gosta, que fala besteiras nos momentos errados.

 


Outro detalhe que merece ser mencionado é o cenário. O filme inteiro se passa dentro de uma antiga igreja em Los Angeles, e Carpenter soube aproveitar o cenário ao máximo. Sua câmera foca em diversos locais diferentes da igreja, mesmo tendo seu foco no porão, onde o recipiente misterioso está localizado. Aparentemente pequena do lado de fora, a igreja é bem grande do lado de dentro, com vários lances de escadas, e diversos quartos e uma enfermaria. É um cenário bem dinâmico.

 

Os efeitos especiais também merecem menção especial. Temos aqui efeitos de corpos se despedaçando, truques de maquiagem e insetos. A maquiagem do filme é muito boa, além de contar com alguns efeitos de body horror, principalmente quando o receptor do líquido verde é revelado. O corpo e o rosto do personagem em questão fica coberto de feridas e pústulas, dando um aspecto até que nojento, diga-se de passagem.



O efeito do líquido verde também é digno de nota. Ao longo do filme, ele aparenta estar rodando dentro do cilindro, e o efeito não se perde nem mesmo quando o recipiente é filmado em planos abertos. Temos também efeitos de gotas e rachadas do líquido caindo de baixo para cima, com truques muito bem feitos.

 

Além da maquiagem e efeitos do líquido, temos também a presença de insetos e minhocas, e são muitos deles, principalmente na cena em que um personagem se desfaz diante dos protagonistas, coberto por milhares de besouros. Temos também minhocas presas na janela e formigas se acumulando no formigueiro. Faço ideia de como esses efeitos foram criados, de tão bem feitos que são.

 

Vale aqui também uma menção ao estranho líquido verde. No primeiro momento, não sabemos exatamente qual sua origem, ou seu significado, mas fica claro que ele é capaz de se infectar diversas pessoas, sendo passado de uma para outra por meio de jatos. Ele permanece um mistério, até que o professor revela ao padre que todas as partículas do mundo possuem um reflexo, então, o padre chega à conclusão que o líquido seja um fluído do próprio Satã, mesmo que isso não fique explícito no roteiro.

 

E por fim, além das questões religiosas e físicas, temos também um pouco de viagem no tempo, visto que os personagens têm um sonho específico, com a entrada da igreja e com uma figura negra misteriosa; a voz presente no sonho informa ao espectador que a mensagem está sendo passada do ano de 1999, ou seja, do futuro. Talvez, tal sonho signifique que o mundo está acabando, e que o Apocalipse chegará no ano de 1999, conforme se acreditava.

 

E antes de encerrar, temos uma participação especial de Alice Cooper, no papel de um líder de um grupo de moradores de rua que são infectados pelo líquido de forma indireta. Mesmo com a pouca presença, o cantor rouba a cena quando aparece, e seu personagem é muito assustador.

 

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, em versão remasterizada em 4k, aprovada pelo diretor de fotografia, com muitos extras.

 

Enfim, Príncipe das Sombras é um filme excelente. Um filme bizarro, que mistura diversos assuntos ao mesmo tempo, além de contar com muitos personagens em seu elenco. Uma trama sobrenatural de mistério e terror cósmico, contada com a maestria característica do diretor John Carpenter. O diretor lida com questões religiosas e de Física de maneira brilhante, e cria uma trama bem elaborada. Um dos melhores filmes do diretor. Altamente recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.


segunda-feira, 17 de outubro de 2022

HALLOWEEN ENDS (2022). Dir.: David Gordon Green.

 

NOTA: 9



O que os fãs queriam? Acho que essa é a pergunta a se fazer após assistir HALLOWEEN ENDS, a conclusão da trilogia iniciada com o maravilhoso reboot da franquia, em 2018. Eu mesmo não sabia o que esperar, a não ser o combate final entre os protagonistas, mas fora isso, não tinha a menor ideia. Tanto que não liguei para nada do que falaram e fui ao cinema conferir por mim mesmo.

 

Pois bem, eu não sei o que os fãs queriam, mas, com certeza, irão se surpreender – para o bem ou para o mal – após assistirem ao filme, porque, é de fato, aquilo que todos nós esperávamos, mas com algumas ideias novas também.

 

Para começar, eu devo dizer que Halloween Ends presta agora a sua homenagem à Halloween 4, ou melhor, ao que o filme deveria ter sido, quando foi concebido por John Carpenter em 1988. A ideia original de Carpenter, era fazer um filme completamente diferente do que acabou saindo, com uma historia focada em uma Haddonfield traumatizada pelos eventos dos dois primeiros filmes, então, não haveria comemoração de Halloween, mas logo, novos assassinatos aconteceriam, e um novo Michael Myers surgiria. Uma ideia muito boa, certo? De fato, mas, infelizmente, como sabemos, ela foi descartada pelo produtor Moustapha Akkad, como resultado, tivemos um Halloween 4 completamente diferente.

 

Pois bem, agora, parece que o diretor David Gordon Green e os produtores da Blumhouse decidiram ouvir Carpenter – parcialmente – e pegaram a ideia de uma Haddonfield traumatizada pelos eventos da noite de Halloween de 2018, e a transformaram em uma cidade tocada pelo mal, onde seus habitantes não esqueceram o que aconteceu e passaram a enxergar Michael como a verdadeira força do mal que ele é. Mas isso não poupou também Laurie e sua neta, que também passam a ser perseguidas, principalmente por valentões e parentes das vitimas. Quando eu vi que esse foi o rumo, logo me lembrei da ideia original de Carpenter para o quarto filme, e aqui, eles fizeram um trabalho excelente.

 

No entanto, além de Laurie e Allyson, que estão se recuperando também, surge uma nova vitima, o adolescente Corey Cunningham, que matou um garotinho por acidente no Halloween de 2019, e também ganhou uma péssima reputação, tanto dos pais, quanto da cidade, que também o marginaliza. E a coisa muda quando seu caminho se cruza com o de Michael...

 

O que acontece também, é que aqui, não temos tanto foco em Michael Myers, mas sim, nos novos crimes que acontecem em Haddonfield, o que leva Laurie a acreditar que Michael ainda está vivo, mas Allyson não acredita. E conforme mencionado acima, essa era a ideia original de Carpenter, e parece que os roteiristas resolveram escutá-lo, porque temos uma nova onda de assassinatos aqui, mas também temos o vilão original. Pode ser que muitas pessoas já saibam do que estou falando, mas o fato é que eu gostei muito dessa ideia, por motivos já mencionados.

 

Bem, aqui temos mais uma vez o diretor David Gordon Green no comando, e mais uma vez ele acerta no clima de tensão, apelando para jump-scares, verdade, mas apostando também na tensão, que sempre foi o foco do clássico de Carpenter. Mas não se enganem, aqui também temos um banho de sangue, mas tudo feito sem exagero.

 

Deixe-me agora falar sobre os personagens. Laurie e Allyson seguem com suas vidas, na medida do possível, principalmente Laurie, que ainda não se recuperou dos incidentes do passado, principalmente por ela ainda acredita que Michael possa estar vivo. Allyson trabalha no Hospital Memorial de Haddonfield e precisa lidar com uma colega de trabalho inconveniente. E Corey, como já mencionei, também tenta colocar as vidas nos trilhos... Temos aqui também aparições rápidas de Lindsey Wallace e do policial Hawkins, que também tentam se reconstruir.

 

Em resumo, Halloween Ends é um filme sobre os personagens tentando se reerguer, mas também é o fechamento da trilogia, e nesse quesito, cumpre o que promete.

 

E claro, temos o vilão. Assim como no reboot e em Halloween Kills, aqui temos um Michael Myers brutal que não poupa ninguém. E o segundo assassino também não faz feio, principalmente quando assume a identidade temporária do matador. Seu melhor momento fica na sequencia do ferro-velho, onde massacra um grupo de valentões.

 

E claro, aqui não podem faltar as homenagens. Além da já mencionada homenagem a Halloween 4, temos também uma nova homenagem à Halloween III, nos créditos de abertura; e claro, as homenagens ao clássico de Carpenter não param, com uma cena que lembra a da morte de Bob, e uma ponta de Nick Castle, o ator que interpretou o assassino em 1978.

 

Mas claro, o melhor fica para o confronto final entre Laurie e Michael, que era o que estávamos de fato esperando. A sequencia é brutal, com os dois lutando no corpo-a-corpo, com tudo que tem direito, como facas e agulhas e sangue, muito sangue.

 

Com tudo isso, devo dizer que Halloween Ends encerra com louvor a trilogia do reboot, e que eu amei o filme. Eu acredito que Jamie Lee Curtis tinha razão quando disse que muitos iriam odiar, talvez por não ser aquilo que esperavam, mas de minha parte, pode ficar em paz.

 

Enfim, Halloween Ends é um filme excelente, carregado de tensão, violência e brutalidade, além de uma trama que novamente presta homenagens ao clássico de John Carpenter e à franquia como um todo. Um filme que cumpre o que promete e entrega um encerramento digno para a trilogia e para a franquia também.



 

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sexta-feira, 14 de outubro de 2022

HALLOWEEN KILLS – O TERROR CONTINUA (2021). Dir.: David Gordon Green.

 

NOTA: 9.5



Três anos após o lançamento do maravilhoso reboot da franquia Halloween, Laurie Strode e Michael Myers estão de volta em HALLOWEEN KILLS – O TERROR CONTINUA.

 

 O que posso falar sobre esse filme? Bem, vou começar pelo mais claro. Eu adorei esse filme! É uma continuação digna para o reboot de 2018 e também para essa nova fase da franquia, porque mais uma vez, os produtores respeitaram a essência do longa de John Carpenter e da franquia como um todo, e entregaram um filme maravilhoso.

 

É o tipo de filme onde tudo coopera para obter um ótimo resultado, a começar pelo roteiro que tem a excelente sacada de homenagear Halloween II (1981), e continua a história exatamente de onde o filme anterior parou, além da subtrama no hospital, algo presente na primeira sequencia do clássico de Carpenter. Mais detalhes sobre isso adiante.

 

Na verdade, Halloween Kills não é uma espécie de remake de Halloween II, porque o filme todo é sobre a vingança dos moradores de Haddonfield contra Michael, todos liderados por Tommy Doyle, que não se recuperou dos incidentes ocorridos 40 anos atrás. Alias, esse é um dos méritos do filme, trazer os personagens do clássico de volta; além de Tommy, temos também Linsdey Wallace e a enfermeira Marion Chambers, aqui reinterpretadas por Kyle Richards e Nancy Stephens – em seu retorno à franquia – respectivamente. E além delas, temos também o ex-xerife Brackett, novamente interpretado por Charles Cyphers; e também Loonie, um dos garotos que atormentaram Tommy no clássico de Carpenter. Todos aqui desempenham seus papeis muito bem e alguns tem o seu tempo certo de tela.

 

Além da homenagem ao segundo filme da franquia, aqui temos também um filme construído com um pouco menos de tensão e mais sangue, visto que a tensão já estava presente no primeiro filme dessa nova fase. Até porque, aqui, como é o filme do meio de uma trilogia, é necessário que já um pouco de narrativa, porque é um momento de transição entre um filme e outro, algo que muitas pessoas não gostaram – e que deve ser comentado, mas vou deixar para a resenha do último filme.

 

Vou falar sobre os personagens. Conforme mencionado acima, temos o retorno dos demais personagens clássicos da franquia, e todos estão muito bem. Aqui também acontece uma mudança, porque, parece que desta vez, o protagonismo fica com Tommy, que se torna o líder da multidão que se une para caçar Michael. O personagem está ótimo, com seus traumas evidentes e também um pouco de paranoia, algo mostrado em Halloween H2O com Laurie; e as coisas mudam quando ele passa a liderar a multidão, porque ele se mostra como alguém capaz de tudo para combater o mal em Haddonfield. Lindsey e Marion, apesar da pouca presença, também estão muito bem, e também carregam o medo e o trauma dos incidentes de 1978. Aliás, temos aqui a presença de um casal figura cômica, que fizeram um pequena ponta no reboot; assim como o garotinho do reboot, eles são engraçados e rendem momentos divertidos.

 

Talvez o maior problema do filme, na opinião dos fãs, seja a ausência de Laurie, que passa o filme todo no hospital, se recuperando dos ferimentos. Mas, saindo em defesa do filme, a historia não é sobre ela, e sim, sobre todo o mal de Michael na cidade e o pânico que ele provoca. Tivemos algo semelhante em Halloween II, cujo roteiro foi mais focado em Loomis e nos demais personagens do quem Laurie, e naquele filme funcionou; aqui, também. Conforme mencionado acima, Halloween Kills não é sobre o confronto entre Laurie e Michael.

 

Além do ótimo roteiro, que homenageia o segundo filme da franquia, aqui temos uma homenagem ao famigerado Halloween III, com a presença das máscaras da Silver Shamrock, que aparecerem de relance no reboot, mas aqui, aparecem com louvor. Quando eu vi pela primeira vez, eu fiquei muito feliz, porque não sabia que tais acessórios estariam no filme. Uma prova que Halloween III não é um filme esquecido pelos fãs e pelos produtores.

 

Juntamente com a presença das máscaras da Silver Shamrock, temos também uma homenagem ao clássico de Carpenter, na cena do carro, onde os personagens, inclusive Marion, são atacados por Michael, da mesma forma que aconteceu no portão do sanatório de Smith’s Grove; do mesmo jeito, mesmo, com direito ao vilão pulando em cima do carro e quebrando o vidro com a mão. No trailer, já era lindo, no filme, fica ainda melhor.

 

E claro, temos o vilão. Assim como no reboot, aqui temos um Michael Myers ameaçador e brutal, que não poupa ninguém, e se mostra uma verdadeira máquina de matar. Sua melhor cena acontece quando ele ataca o primeiro casal com requintes de crueldade, transformando a morte de ambos, principalmente do marido, em um verdadeiro espetáculo de horror, do jeito que o personagem sabe fazer. Ele é sempre o melhor personagem do filme e da franquia, com seu ar ameaçador e cruel.

 

Laurie também não fica atrás. Mesmo com sua pouca presença, ela ainda se mostra uma mulher forte e disposta a acabar com o reinado de terror de Michael, não importa as consequências. O mesmo vale para sua família, que junta-se a ela em sua busca por vingança. Sua filha Karen é ainda mais determinada, e mostra que não tem medo do vilão.

 

E claro, não posso encerrar essa resenha, sem mencionar a melhor sequência do filme: o flashback de 1978, que mostra o que aconteceu após a fuga de Michael. Tudo foi construído nos mínimos detalhes para lembrar o clima do clássico de John Carpenter. Nenhum detalhe foi deixado de lado, nem mesmo o objeto que quebrou a janela da casa dos Myers e o cachorro morto dentro da casa. As melhores caracterizações ficam com Michael e o Dr. Loomis – numa presença que me surpreendeu quando eu vi pela primeira vez. Os dois ficaram idênticos ao clássico de 1978 e surpreendem muito bem. Pelo que eu vi, todos gostaram muito dessa sequência, mesmo alguns tendo odiado o filme.

 

Mas, conforme mencionei acima, Halloween Kills é um filme de transição. Agora, só esperar pela conclusão da trilogia.

 

Enfim, Halloween Kills é um filme excelente. Um longa cheio de momentos de tensão e medo, com toques absolutos de horror e sangue. A direção e o roteiro conseguiram fazer um grande trabalho, e mais uma vez, prestaram homenagens respeitosas à franquia original e principalmente, ao clássico de John Carpenter, com seus personagens que retornam e se unem mais uma vez. Um filme excelente e maravilhoso. Altamente recomendado.




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quinta-feira, 6 de outubro de 2022

HALLOWEEN III – A NOITE DAS BRUXAS (1982). Dir.: Tommy Lee Wallace.

 

NOTA: 8



Em 1978, o diretor John Carpenter lançou Halloween – A Noite do Terror, que rapidamente se tornou um clássico do terror e o melhor exemplar do gênero Slasher. O sucesso do filme levou os estúdios a produzirem sequencias, a fim de transformá-lo em uma franquia.

 

Enfim, chegamos ao controverso HALLOWEEN III – A NOITE DAS BRUXAS, lançado em 1982, produzido por John Carpenter e Debra Hill, os criados do clássico de 1978, e escrito e dirigido por Tommy Lee Wallace.

 

Controverso porque, como sabemos, este é o único da franquia que não conta com a presença de Michael Myers e cia., por um motivo muito simples que será explicado mais tarde.

 

Mas isso não impede o filme de ser muito legal, justamente por causa de seu clima de mistério e trama diferenciada.

 

Diferenciada porque ao invés do Slasher, aqui temos uma trama mais voltada para a conspiração e a ficção cientifica, com os personagens vivendo uma espécie de jogo sinistro arquitetado pelo vilão. À primeira vista, isso pode até parecer estranho – e não vou mentir, é – mas a gente acaba entrando na onda e compra a ideia.  

 

Então, aqui temos mais uma trama de investigação, e durante todo o filme nós acompanhamos os protagonistas enquanto eles tentam desvendar o que está acontecendo na pequena comunidade de Santa Mira, pois o mistério está relacionado com a morte do pai da mocinha, e as pistas levaram os dois até a comunidade.

 

E durante o caminho, eles trombam com coisas estranhas, que vão aumentando conforme o mistério. E o que acontece é muito bizarro.

 

Bizarro porque à principio parece que a trama vai para uma direção, mas de repente, a chave vira e o rumo muda, para mais bizarro ainda, digno de um filme de ficção cientifica.

 

Mas vamos falar sobre o filme como um todo. Para começar, devo dizer que é um filme muito bem dirigido, com sequencias e planos longos, além de cenas com toques de mistério, quase com ares de teoria da conspiração.

 

No entanto, apesar da boa direção, devo dizer que o filme tem os seus problemas, muitos deles relacionados ao roteiro. Por exemplo, há um dialogo absurdo na cena do hospital proferida por um dos personagens ao protagonista. Outro problema é o fato de os assassinos misteriosos da Silver Shamrock serem quase onipresentes e saberem de tudo o que acontece à sua volta, fato esse que culmina na cena da furadeira, por exemplo; e claro, o embate final entre o protagonista e a mocinha, que até hoje continua sem resposta.

 

Tirando esses problemas, somos também brindados com cenas e personagens absurdos, todas envolvendo os personagens secundários, em especial, uma família rica que vai se hospedar na cidade, cujo pai é representante de vendas da Silver Shamrock. São cenas absurdas mesmo, dignas dos filmes da época.

 

Falando da Silver Shamrock, não posso falar do filme sem mencionar as maravilhosas máscaras do Dia das Bruxas. Desde a primeira vez que vi o filme, há alguns anos na TV, eu adorei as máscaras, principalmente as de esqueleto e abobora, porque são muito lindas. Eu tenho vontade de ter as máscaras para brincar em casa. As máscaras reapareceram na franquia no reboot de 2018, como uma homenagem.

 

Ainda sobre a Shamrock, a mesma se faz presente no filme o tempo inteiro, seja nos logos em forma de trevo, seja pela fabrica, que observa a cidade como se fosse a Mansão Marsten, do livro Salem, de Stephen King. É possível ver que a marca e o empresário Cochran controlam a cidade, com suas câmeras de segurança espalhadas pelos locais, e o modo como a população se refere a ele com respeito e admiração.

 

Agora, vamos falar sobre a parte de horror do filme. Conforme mencionado acima, Halloween III não pode ser considerado um Slasher, porque não temos cenas de morte de adolescentes carregadas no gore; ao contrario, temos apenas três, todas sem uma gota de sangue. Além do paciente misterioso, temos a cena da furadeira, que me lembra – e muito – a cena da furadeira do excelente Giallo Sete Orquídeas Manchadas de Sangue (1971), dirigido por Umberto Lenzi. No entanto, a melhor delas é a demonstração do poder das máscaras de Shamrock, cujas cobaias são os membros da família rica. É a famosa cena onde a máscara derrete na cabeça do garoto e logo saem um monte de insetos e cobras da sua boca. Uma cena muito boa.

 

Quero também mencionar a respeito do vilão, o Sr. Cochran. Ele é o típico vilão que se revela aos poucos, a principio, mostrado nas sombras, depois aparecendo de relance, e por fim, quando surge por completo, mostra seus traços de maldade aos poucos. Seu momento mais absurdo é quando ele revela ao protagonista os seus planos, que possuem relação com a pratica pagã do Samhain, conforme apresentada no segundo filme, e que seria levada para frente nessa primeira parte da franquia. De acordo com o roteiro, o vilão gosta de criar brincadeiras e pegadinhas, e conforme o mesmo admite, tudo não passa de uma brincadeira de Dia das Bruxas.

 

E o mais absurdo de tudo, a fonte de seus poderes malignos vem de uma das pedras do Stonehenge que ele roubou... Não faz o menor sentido, mas é muito divertido por causa disso.

 

Antes de encerrar, deixe-me esclarecer por que Halloween III é o único da franquia que não conta com a presença de Michael Myers. Segundo informações da internet, o diretor John Carpenter tinha a intenção de transformar a franquia em uma antologia, com um filme diferente ambientado no Dia das Bruxas. No entanto, seus planos foram abortados por causa de Halloween II, que contou com os personagens originais; mas, após o fim do segundo filme, Carpenter resolveu colocar suas ideias em pratica, e o primeiro foi este filme. Infelizmente, o plano não deu certo, e o filme foi odiado pelo publico e pela critica após sua estreia.

 

Apesar do ódio inicial, aos poucos, Halloween III foi ganhando respeito dos fãs da franquia, tendo recebido status de cult. Eu pessoalmente me encaixo nesse globo, porque, após essa ultima revisão, o filme ficou bem melhor do que eu me lembrava.

 

Estreou em 22/out/1982 e conseguiu obter bons números de bilheteria, apesar das criticas negativas, conforme explicado acima. Foi lançado em VHS e DVD no Brasil, mas atualmente está fora de catalogo. Lá fora, recebeu um lançado em Blu-ray em 4k pela Shout Factory, juntamente com os demais da franquia.

 

Enfim, Halloween III é um filme muito bom. Um longa divertido, com uma trama absurda, carregada de momentos ridículos e memoráveis, que o deixam ainda melhor a cada revisão. A direção e o clima são os grandes atrativos do filme, pois remetem a um filme do diretor John Carpenter, que aqui volta como produtor. Um filme que ganhou status de cult com o passar dos anos, que agrada aos fãs da franquia. Muito bom. Divertido. Recomendado.

 

FELIZ DIA DAS BRUXAS!



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sábado, 30 de outubro de 2021

HALLOWEEN II – O PESADELO CONTINUA (1981). Dir.: Rick Rosenthal.

 

NOTA: 9.5



Não há dúvidas que Halloween – A Noite do Terror (1978) é um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, e um clássico absoluto do gênero Slasher. Motivados pelo sucesso do primeiro filme, e inspirados pelo sucesso de outros exemplares do gênero, os produtores logo se animaram para lançar uma sequência. HALLOWEEN II – O PESADELO CONTINUA foi a primeira delas, distribuída pela Universal e produzida por Dino de Laurentiis.

 

Lançado em 1981, o filme é uma continuação direta do Clássico de John Carpenter, pois começa exatamente onde o primeiro filme parou, algo raro de ser nas continuações, mesmo hoje em dia. Aliás, esse é o primeiro ponto positivo do filme, porque geralmente, sequencias tendem a começar de forma independente, muitas vezes com passagens de tempo entre um filme e outro, mas aqui foi diferente.

 

Halloween II é um exemplo de sequência que não ofende o filme original, pelo contrário, chega a ser tão bom quanto, mesmo sem o brilhantismo do antecessor. Inclusive, conforme mencionado em diversos sites, os dois filmes juntos formam um longa único com 3 horas de duração. Outra coisa que é sempre mencionada, é que este é conhecido pelos fãs da franquia como o “Filme do Hospital”, uma vez que a historia se passa dentro do Hospital Memorial de Haddonfield, o que, para muitos, é motivo de algumas criticas, mas, mais detalhes sobre isso adiante. E outra coisa que chama atenção no filme, é o fato de haver mais sangue, ação e violência e cenas icônicas, mas não entrarei em detalhes ainda.

 

O fato é que Halloween II é um dos melhores da franquia, justamente por ser um filme que de certa forma, tentou seguir a tradição do primeiro filme, mantendo um clima de suspense e mistério, apesar de também apresentar cenas de violência e nudez, algo que não estava presente no filme anterior. O principal motivo para tais mudanças foi o fato de que naquela época, o gênero Slasher já apresentava tais características, principalmente nos primeiros filmes da franquia Sexta-Feira 13, cuja primeira sequência foi lançada no mesmo ano. Então, o jeito foi seguir a formula. E deu muito certo.

 

Eu sou um grande fã de Halloween II, e considero um dos meus favoritos da franquia. Eu assisti ao filme pela primeira vez em 2002 e gostei imediatamente, principalmente porque naquela época, eu estava descobrindo a franquia, então, quando surgiu a oportunidade, eu agarrei. Até hoje, eu gosto muito do filme e fica melhor a cada revisão. Aliás, conforme mencionei outra vezes, eu sou um fã assumido da franquia – menos dos filmes que vieram depois de Halloween H2O no inicio dos anos 2000 – até mesmo dos mais problemáticos, principalmente Halloween 5 e Halloween 6 (somente a Versão do Produtor). Felizmente, a franquia voltou com tudo em 2018, com o maravilhoso reboot de David Gordon Green, e suas duas continuações.

 

Halloween II foi novamente produzido por Moustapha Akkad e Irwin Yablans, que demonstraram interesse em realizar uma sequencia após o sucesso do gênero Slasher nos cinemas; então, para isso, chamaram novamente John Carpenter e Debra Hill; no entanto, na época, ambos estavam envolvidos na produção de A Bruma Assassina (1980), que seria lançado pela Avco Embassy. Tanto Carpenter quanto Hill na realidade não tinham muito interesse em uma sequência de Halloween, pelo menos não tão cedo, mas mesmo assim, acabaram entrando no projeto, mesmo após desavenças com Yablans, que acabou processando Carpenter após este se desvincular do projeto inicialmente e se dedicar à Bruma. Para prestar auxilio, o produtor Dino de Laurentiis também acabou se envolvendo, mesmo que por meio de sua companhia, a Dino de Laurentiis Corportation. No final, Carpenter e Hill escreveram o roteiro e assumiram o cargo de produtores, mas novos problemas surgiram. Segundo o próprio Carpenter, ele mesmo não gostou do trabalho que fez no roteiro, tendo inclusive, declarado que o escreveu enquanto bebia sua cerveja favorita, o que acabou explicando algumas decisões na trama – inclusive a principal delas. E além de escrever o roteiro e co-produzir, Carpenter também ficou novamente responsável pela trilha sonora, e contou com a ajuda de Alan Howarth; mas mesmo assim, o diretor acabou não se envolvendo tanto, porque acabou se dedicando a O Enigma de Outro Mundo, sua obra-prima, que sairia no ano seguinte. Mesmo assim, a trilha sonora ficou muito boa, principalmente o tema principal, que ganhou uma ótima variação. E para completar, Carpenter e Hill ainda estavam envolvidos com a produção de Fuga de Nova York, lançado no mesmo ano.

 

Halloween II, inicialmente, seria dirigido por Tommy Lee Wallace, que trabalhou no original como designer de produção e co-editor. No entanto, após o ler o roteiro, Wallace detestou e acabou abandonando o projeto, que acabou sendo dirigido por Rick Rosenthal, um conhecido de Carpenter, aqui em sua estreia na função. O diretor fez um ótimo trabalho e se mostrou muito competente, principalmente como diretor de atores, e conseguiu arrancar ótimas performances de seu elenco.

 

O filme marcou o retorno de Jamie Lee Curtis e Donald Pleasence à franquia, nos respectivos papeis de Laurie Strode e Dr. Loomis. Além deles, os atores Charles Cyphers e Nancy Stephens também retornaram, reprisando seus papeis. Cyphers não tem muita presença em tela, realmente, mas sua participação é memorável. Outros como a enfermeira-chefe Sra. Alves; os motoristas de ambulância, Jimmy e Budd; as enfermeiras Janet e Jill; e o vigia Sr. Garret; além do policial Hunt, completam o elenco de novos personagens do longa, e todos são muito bons, assim como os atores que os interpretam. Além do elenco, o diretor de fotografia Dean Cundey também retornou, e seu trabalho é excelente, principalmente nas cenas dos corredores escuros do hospital, que ganharam um clima soturno e macabro.

 

Alias, como mencionado acima, Halloween II é conhecido como o “Filme do Hospital”, e devo dizer que funcionou muito bem, porque eu acho que se o roteiro tivesse optado por uma trama parecida com o primeiro filme, talvez o resultado não fosse tão bom assim. No entanto, apesar da inovação na trama, para os mais exigentes, ela apresenta um grande problema: não tem absolutamente ninguém naquele hospital! Não sei realmente como os hospitais são retratados nos filmes americanos, mas, devo dizer que não me importo tanto assim para esse detalhe; claro, ver um hospital vazio e escuro num filme é estranho, mas isso não faz muita diferença para mim. Eu gosto desse clima.

 

Além de ser considerado o “Filme do Hospital Vazio”, Halloween II é o filme da franquia com as cenas de morte mais memoráveis para os fãs, e são muitas. Carpenter e Hill capricharam na violência aqui, com direito a mortes verdadeiramente sangrentas e pesadas, principalmente dentro do hospital. Temos também algumas cenas ótimas fora do hospital, sendo a melhor delas, a cena do atropelamento seguido da explosão de uma van. No entanto, as cenas mais famosas ficam mesmo dentro do hospital, com destaque para a enfermeira que tem seu rosto mergulhado em uma piscina de água quente, além da outra enfermeira que é levantada no ar após ser esfaqueada por um bisturi; além, é claro, da destruição de Michael, no final.

 

Não posso concluir este texto sobre Halloween II sem mencionar Michael Myers. Se no primeiro filme, nós tínhamos um Michael Myers mais misterioso, com ares de stalker, aqui a coisa é diferente. Michael assume uma personalidade mais mortal, que mata suas vítimas com requintes de crueldade, e ele praticamente não poupa ninguém. O vilão percorre os corredores do Hospital de Haddonfield como um predador a procura de sua presa, e não mede esforços para encontrá-la e matá-la. Em relação ao seu visual, temos aqui o que talvez o “Michael Myers de Halloween II”, com a mascara um pouco deformada e a gola do macacão rente ao pescoço, e o bisturi ao invés da faca. Além disso, temos o famoso visual no final do filme, com sangue escorrendo pelos olhos da máscara. Mesmo assim, ele continua o mesmo, e tais mudanças são quase imperceptíveis.

 

Outra coisa que ronda pela internet, é o fato de Halloween II ser o filme que “definiu” a franquia, ou seja, ele estabeleceu os rumos que a franquia tomaria nos anos seguintes, e muito disso provavelmente se deve ao fato de Carpenter ter escrito o roteiro enquanto bebia sua cerveja favorita – sem julgamentos, pelo amor de Deus! Quer dizer, talvez não seja exatamente o caso, mas o fato é que o filme apresenta situações que foram seguidas nas continuações, como por exemplo, a cena da escola, onde a palavra “Samhain” está escrita com sangue na lousa. Essa cena serviu para estabelecer a ligação de Michael Myers com a cultura druida e a celebração do Festival de Samhain, além de estabelecer ligação com a famigerada “Maldição de Thorn”, o que transformou o personagem numa entidade sobrenatural ligada a rituais de sacrifícios e seitas, conforme estabelecido em Halloween 5 e principalmente em Halloween 6. Outra coisa que Carpenter acrescentou aqui foi o fato de Laurie Strode – ALERTA DE SPOILER!ser irmã de Michael Myers, o que explica a obsessão do maníaco por ela. Segundo Carpenter, ele estava sem ideias para o filme e resolveu acrescentar esse detalhe na historia, talvez para explicar por que Michael persegue Laurie. Tal fato foi estabelecido nas sequencias, principalmente em Halloween H2O, onde Laurie e Michael se reencontram e se enfrentam como irmão e irmã. Nas demais continuações, os laços familiares aparecem na perseguição de Michael a sua sobrinha, mas, mais detalhes sobre isso nas resenhas de Halloween 4, Halloween 5 e Halloween 6 – Versão do Produtor.

 

Halloween II foi lançado nos cinemas em 30/out/1981 – há 40 anos – e tornou-se um sucesso de bilheteria, apesar das críticas negativas. O sucesso do filme inspirou John Carpenter e Debra Hill a produzir mais uma sequência, Halloween III – A Noite das Bruxas, lançado no ano seguinte, mas que tomou um caminho diferente, conforme veremos no futuro.

 

Foi lançado em DVD no Brasil, mas permaneceu fora de catálogo por anos, até ser lançado em Blu-Ray pela Obras-Primas do Cinema, numa edição caprichada, em versão restaurada, juntamente com o Clássico de John Carpenter, que também foi lançado em versão restaurada em 4k, além das versões estendidas para TV. Lá fora, os cinco primeiros filmes da franquia receberam um lançamento recente em novas versões restauradas em 4k, com artes de capa muito bonitas. Não sei se chegarão aqui no Brasil, principalmente os dois primeiros, mas, não custa sonhar, não é mesmo?

 

Enfim, Halloween II – O Pesadelo Continua é excelente. Um filme cheio de ação, violência, e cenas que são lembradas com muito carinho pelos fãs da franquia. Um exemplo de sequência que não ofende o filme original, pelo contrário, merece lugar ao seu lado, mesmo não contendo o brilhantismo do antecessor. O retorno de Michael Myers e outros personagens clássicos, aliados a um roteiro bem amarrado, uma direção afiada e trilha sonora inspirada, fazem deste um dos melhores filmes da franquia Halloween. Excelente. Sangrento. Arrepiante.

 

FELIZ DIA DAS BRUXAS!


Créditos: Obras-Primas do Cinema



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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

HALLOWEEN (2018). Dir.: David Gordon Green.


NOTA: 9.5



HALLOWEEN (2018)
Michael Myers está de volta. 40 anos depois de sua primeira aparição no cinema, e 20 anos desde a última – porque eu desconsidero completamente tudo que veio depois de Halloween H2O: Vinte Anos Depois, de 1998 – , ele está de volta.

E que retorno! HALLOWEEN é maravilhoso! É muito melhor do que esperava que fosse; é tudo aquilo que os fãs da franquia esperavam, e muito mais. Já na minha primeira conferida, pude ver que o filme cumpriu tudo que prometeu. É assustador, é sangrento, é tenso... Tudo que o filme original era. É um filme feito para os fãs da franquia; e feito com amor.

Tudo nesse filme funciona de maneira brilhante, desde o roteiro, passando pela direção, até as atuações, os efeitos especiais; tudo se encaixa perfeitamente, numa historia magistral, sem nenhum defeito e nenhuma ponta solta.

Devo confessar que, quando soube que um novo filme seria feito, fiquei empolgado, porque, como mencionei acima, desde 1998, Michael Myers e cia. não tiveram o tratamento que mereciam nas telas; pelo contrario, o personagem foi detonado e humilhado por cineastas que nada sabiam de sua mitologia. E isso é tudo que vou dizer a respeito das experiências lamentáveis pelo qual ele passou; não só ele, toda sua turma.

Mas, felizmente, isso foi consertado. O novo filme dá uma repaginada no personagem, mas sem tirar sua essência e sem alterar sua mitologia. Aqui, Michael continua o mesmo, a pura encarnação do Mal, sanguinário, selvagem, implacável. Não apenas o vilão que foi repaginado. Laurie Strode, a sobrevivente do primeiro filme, também foi reescrita. Agora, ao invés da adolescente inocente, virgem, do primeiro filme, aqui, ela se transformou em uma eremita, que vive sozinha em sua casa, afastada da cidade, cercada por armas e armadilhas, que ela mesma construiu, pois sabia que Michael retornaria um dia. Dito e feito. Michael escapou mais uma vez, e está pronto para recomeçar seu reinado de terror.

E da mesma forma que no Original, aqui ele executa sua arte com maestria. Desde o primeiro assassinato, Michael mostra que não está “enferrujado” pelo tempo; pelo contrario, continua uma maquina de matar, sem medo ou remorso. E como sempre, ele se mostra especialista na arte de matar, executando suas vitimas com selvageria e requintes de crueldade, tudo sem o menor remorso. Porém, aqui existe uma diferença. Se, no Clássico de John Carpenter não havia sangue, aqui a coisa é diferente. O sangue corre solto, mas não no estilo “torture-porn”, que infelizmente, tomou o gênero de terror. Pelo contrario, o sangue corre do jeito certo, sem exageros, sem muita sujeira, sem artifícios. E os métodos de Michael? Mais sobre isso adiante.

Esse é aquele tipo de filme que dá gosto de assistir, porque foi feito para os fãs. Não sei os outros, mas eu adoro o Michael Myers de antigamente, uma força da Natureza, o Mal encarnado, o assassino sanguinário; e aqui ele é tudo isso. Mas não é apenas isso que faz desse um filme feito com carinho. Todo o suspense e a tensão, presentes no primeiro filme, também aparecem aqui, desde o começo. Quando eu vi aquela cena de abertura, antes dos créditos iniciais, eu fiquei arrepiado porque é muito bem feita; gostei tanto que voltei umas duas vezes. Não se fazem cenas assim hoje em dia; e quando alguém consegue, é porque tem habilidade, e o diretor David Gordon Green tem.

Mesmo sem nenhuma experiência no gênero, ele se mostrou um excelente diretor de horror, e executou tudo com brilhantismo. Ele não apelou para câmeras tremidas, movimentos rápidos e bruscos; foi tudo feito com a câmera nas posições certas, com os movimentos certos, nos ângulos certos. A fotografia também fez bonito, principalmente nas cenas noturnas. As paletas de cores são ótimas, e combinam com as cenas, e o melhor, dão uma impressão de veracidade. E as cenas noturnas são belíssimas; ao invés da horrível paleta “verde musgo”, muito usada pelo diretor David Fincher, aqui nós temos paletas escuras, pretas, mas que fazem um belo contraste com as luzes das casas e das aboboras nas ruas.

Sobre os créditos iniciais, eu acho que são os melhores da franquia desde o quinto filme. Não apenas pela forma como eles surgem, mas também o que eles representam. Representam o ressurgimento da franquia. Eu vi em algum lugar que a regeneração da abobora na abertura, representa a regeneração da franquia. E é verdade, tanto que a tipologia é a mesma – que não é utilizada desde H2O – e o modo de apresentação do elenco também é o mesmo, além da abobora ser a mesma do primeiro filme e se modificar do mesmo jeito. Se isso também não é uma homenagem, eu não sei o que é.

Aliás, o filme presta várias homenagens, não apenas ao primeiro filme, mas também à própria franquia. Por exemplo, a cena dos assassinatos no banheiro, lembra muito a cena do banheiro em H2O; um personagem diz um nome que remete ao segundo filme; a cena da sala de aula é idêntica à cena da sala de aula do primeiro filme; a própria menção do termo “boogey-man”, etc., mas talvez, um dos maiores easter eggs tenha aparecido já no trailer, um easter egg de Halloween III (1983), que não apresenta os personagens do universo criado por Carpenter e Debra Hill. Novamente, é uma prova do quão importante a Franquia Halloween se tornou.

Além de contar com momentos – muitos momentos – de terror, Halloween também tem momentos divertidos. Ou melhor, um momento divertido. Acontece na cena em que uma das amigas da neta de Laurie está cuidando de um garoto enquanto seus pais estão fora. O menino é muito engraçado. Eu dei algumas risadas nessa sequencia, porque é muito boa mesmo. Talvez, tenha servido para quebrar a tensão, porque momentos antes, tivemos algumas cenas de assassinatos.

Agora, sobre Laurie Strode. Conforme mencionado acima, aqui, ela deixou de ser a adolescente tímida do filme original, e se transformou numa eremita. Ela vive isolada em sua casa afastada da cidade, lugar que ela transformou em uma fortaleza, com armas e armadilhas por todos os lados. Não apenas isso; ela também se tornou uma espécie de pária, sendo rejeitada pela filha, de quem perdeu a guarda no passado, teve dois casamentos fracassados, e tornou-se alcóolatra. Além disso, algumas pessoas também a consideram uma louca por acreditar que Michael Myers pode retornar um dia, o que contribuiu para a destruição de sua família. A única pessoa que tenta se aproximar dela é sua neta, a quem ela também tenta proteger. Mas todo esse declínio ajuda na reconstrução da personagem. Não acho que a coisa tivesse o mesmo impacto se Laurie tivesse se tornado uma pessoa que apagou tudo de sua memoria, e vive uma vida normal. Esse declínio é o tipo de coisa que tem que acontecer com alguém como ela. Excelente reconstrução.

Além dos protagonistas, o filme também apresenta um personagem chamado Dr. Sartain, que se torna uma espécie de Dr. Loomis, uma vez que, após o falecimento do medico, ele tomou o caso de Michael para si, pois está determinado a descobrir por que ele se tornou um assassino. Mas, ao contrario de Loomis, Sartain não se mostra tão bonzinho assim, e está disposto a cometer loucuras para provar seu caso. Além dele, temos também um casal de jornalistas que tem quase o mesmo objetivo. Primeiro, eles visitam Michael em Smith’s Grove e tentam motivá-lo, mostrando-lhe sua mascara. Mas, com o fracasso da expedição, eles vão à casa de Laurie, com o objetivo de desvendar o mistério por trás daquela noite de Halloween, há 40 anos. Mas, eles também falham.

O filme tem muitos efeitos práticos, e eles funcionam muito bem. Eu falo de sangue, muito sangue. Michael é implacável nas cenas de assassinato, utilizando o que estiver ao seu alcance para matar, e o faz com requintes de crueldade e selvageria. Pescoços quebrados, queixos deslocados, rostos contra portas, gargantas perfuradas... Tudo que tem direito; e muito bem feito.

E novamente, Michael está perfeito. Um monstro implacável, movido por puro instinto assassino, sem medo ou remorso. Uma maquina de matar indestrutível, com desejo por sangue e carnificina. Seu figurino é praticamente o mesmo do filme original, com detalhe para sua icônica máscara; toda cheia de marcas do tempo, mas intacta, livre de furos ou rasgos. E quando eles finalmente se reencontram, é o melhor momento do filme, sem dúvida! Michael Myers ressurge em toda sua gloria, pronto para retornar a Haddonfield, e reiniciar seu reinado de terror.

Com certeza, Halloween é o retorno digno da franquia aos cinemas, após anos. É uma pena que Michael tenha passado por três experiências lastimáveis, antes de retornar do jeito que deveria. Mas tudo bem, o que importa é que ele está de volta, maior, melhor e mais assustador do que nunca. Recentemente, começaram a sair noticiais sobre duas continuações para o filme, que prometem encerrar definitivamente a historia de Laurie Strode e Michael Myers. A primeira, Halloween Kills, título esse que eu não consigo engolir, será lançada em 2020; a última parte, Halloween Ends, tem lançamento agendado para 2021. Vamos aguardar.

Enfim, Halloween é um filme excelente, que presta varias homenagens ao Clássico de John Carpenter, e à franquia. Maravilhoso. Assustador, sangrento, tenso. Um filme excelente.

Altamente recomendado.









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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

HALLOWEEN, A NOITE DO TERROR (1978). Dir.: John Carpenter.


NOTA: 10


HALLOWEEN, A NOITE DO TERROR
(1978)
HALLOWEEN, A NOITE DO TERROR, é, sem duvida, a obra máxima de John Carpenter. Lançado há 40 anos – completa 41 anos de lançamento em 25/out – , ainda é o maior exemplar do gênero Slasher. Além disso, é um dos maiores filmes de terror de todos os tempos.

O que o torna um filme excepcional é a própria historia. Vale lembrar que quando o filme foi lançado, o gênero ainda engatinhava no cinema; o único exemplar lançado até então era o excelente Noite de Terror (1974), do diretor Bob Clark, considerado o primeiro Slasher da historia. Nessa época, o Slasher tinha algo de especial, simplesmente porque os responsáveis sabiam como contar uma historia. Ou seja, não havia necessidade de mostrar sangue o tempo todo na tela; antes disso tudo, havia um enredo, com personagens estabelecidos, enfim. Coisas que fazem muita falta hoje em dia.

Halloween é perfeito até hoje, não apenas pela historia redonda, mas também pela maneira como foi produzido. Claramente um filme de baixo orçamento, rodado em pouco tempo, com atores novatos, quase sem nenhum efeito especial... A fórmula para se contar uma boa historia, conforme já mencionei varias vezes.

Carpenter soube fazer grandes coisas com o orçamento que dispunha. Como exemplo, Jamie Lee Curtis e suas colegas não tinham dinheiro para o figurino, então, usaram suas próprias roupas; a icônica máscara do assassino Michael Myers foi confeccionada a partir de uma máscara do Capitão Kirk de Star Trek, e outras coisas mais. Viram como é possível fazer um grande filme com o mínimo possível de recursos?

O roteiro, escrito por Carpenter e sua colega Debra Hill, é excelente. Não tem nenhuma ponta solta, e durante boa parte da historia, não mostra nada de assustador, apostando mais no suspense. Além disso, não acontece uma carnificina, coisa esperada em filmes do gênero; ao contrário, Michael mata apenas cinco pessoas, e não há sangue em nenhuma das cenas, uma delas acontece off-screen. O único momento em que o filme mostra uma certa quantidade de sangue, é no inicio, quando Michael esfaqueia sua irmã.

Aliás, essa é outra grande tirada do roteiro. Ao contrario dos filmes de hoje, onde é preciso haver uma explicação para determinados eventos assustadores, Carpenter não diz absolutamente nada sobre o passado de Michael Myers. Em menos de 10 minutos, ele já mostra o garoto esfaqueando a irmã e depois sendo descoberto pelos pais, que removem sua mascara e revelam sua expressão neutra. E já é suficiente. Não há necessidade nenhuma de contar quem era o garoto antes do assassinato da irmã, nem de contar por que ele se tornou um assassino. Existem coisas que é melhor não explicar, e ponto.

Outro mérito do filme é a sua trilha sonora, composta por Carpenter. É uma das trilhas mais memoráveis do cinema de horror, ao lado da trilha de Psicose (1960), com certeza. É aquele tipo de trilha que quando escutamos, já sabemos de qual filme se trata; e o melhor, não fica chata de ouvir. Eu gosto muito dessa trilha, é uma das melhores, talvez a melhor, composta pelo diretor. E também se tornou uma das marcas do filme, ao lado do vilão Michael Myers.

O elenco também se destaca. Jamie Lee Curtis, em seu primeiro filme, está perfeita como Laurie Strode, a final girl. Inclusive, acho que ela se tornou o modelo para as futuras final girls do gênero: ingênua, tímida, virgem, inteligente... O tipo de mocinha perfeita, que vencerá o mal e sobreviverá no final. Suas colegas de elenco também não fazem feio. Nancy Loomis e P.J. Soles também estão ótimas nos papeis de Annie e Lynda, respectivamente; os outros coadjuvantes também estão muito bem. Mas, ninguém está melhor do que o astro Donald Pleasence, no papel do Dr. Sam Loomis. Ao lado de Blofeld, de Com 007 Só se Vive duas Vezes (1967), esse o papel mais memorável do ator. Loomis é implacável, e não mede esforços para encontrar Michael. Mesmo com pouca presença, Pleasence rouba a cena, e faz de Loomis um personagem memorável. Em certo momento do filme, Loomis proclama um dos mais famosos monólogos do cinema de horror, em uma cena muito bem feita:

“Eu o conheci há 15 anos; disseram-me que não havia nada.
Nem razão, nem consciência, nem compreensão, 
ou a mais remota noção de vida ou morte; bem ou mal; certo ou errado.
Eu conheci esse menino de 6 anos com esse rosto vazio, 
pálido, sem emoção, e... olhos negros. Os olhos do Mal. 
Eu passei 8 anos tentando alcança-lo, e depois mais 7 tentando 
mantê-lo preso, porque eu sabia que o que existia por
trás dos olhos daquele menino era pura e simplesmente... o Mal.”

Sem duvida, uma das melhores falas do filme, e Pleasence o faz de maneira brilhante, sem apelar para caras e bocas e gestos exagerados. O tipo de cena que merece ser estudada, não apenas pela atuação de Pleasence, mas também pelo roteiro. Uma cena brilhante.

Ainda sobre Loomis, é possível ver que ao longo do filme, ele se transforma num personagem obcecado. Como mencionado acima, ele não mede esforços para encontrar Michael, mas tem um porém aí. Ele não está disposto a sacrificar alguém; pelo contrario, está disposto a se sacrificar para capturar o vilão. Na minha opinião, é um dos melhores anti-heróis do gênero. Sim, porque o Dr. Loomis não é um herói, que salva a cidade da ameaça do vilão. É mais um anti-herói.

Halloween é um Slasher. É fato. E como tal, apresentou uma fórmula que se repetiria a exaustão pela década seguinte:

1) É preciso ter acontecido algo ruim no passado;
2) Você precisa apresentar um grupo de adolescentes sozinhos em um ambiente em que não podem contar com a ajuda de adultos;
3) Se você fizer sexo, você vai morrer;
4) Deve ter a cena do “don’t go in there!”;
5) You can’t kill the Boogeyman.

Essas eram as “regras” estabelecidas pelo gênero naquela época, além das demais apresentadas pela franquia Pânico, nos anos 90. As principais eram, talvez, a dos adolescentes cheios de libido que transam loucamente e são mortos pelo assassino; e a final girl, que é a garota tímida e virgem, que sempre derrota o assassino. No quesito anterior, Halloween tem outra coisa: os adolescentes libidinosos são extremamente folgados. Meu Deus, como são folgados! Isso vale tanto para a Annie, quanto para a Lynda, e o namorado dela, o Bob. Eles não têm vergonha nenhuma na cara, e transam sem pudor na casa dos outros. Não sei como uma coisa dessas é permitida, mas, funciona. Vou ser honesto, não gosto muito das amigas da Laurie por causa disso, mas, ao contrario do que viria depois nos outros filmes do gênero, elas são personagens simpáticas, bacanas, até, o tipo de amigos que todos nós tivemos no colégio.

Esse é também outro ponto. A nostalgia. Quando eu assisti esse filme pela primeira vez, eu ainda estava na escola, então, eu me identificava muito com aqueles estudantes na sala de aula, escrevendo em seus fichários. Eu adoro essa sensação que o filme me passa, ainda hoje. Dá vontade de voltar àqueles tempos de colégio. Os outros filmes da minha coleção que passam a mesma sensação são Carrie, A Estranha (1976) e Christine, O Carro Assassino (1983); no entanto, desses três, Carrie possui impacto maior – mas esse é assunto para outra resenha.

Como mencionado acima, o roteiro de John Carpenter e Debra Hill foca muito mais no clima de suspense do que no terror. Como já mencionei em outras resenhas, é o tipo de filme que faz muita falta hoje em dia, porque existe uma historia sendo contada. Hoje em dia, o filme pode parecer arrastado para os mais exigentes, mas, para mim, isso ainda funciona; tanto que, até a metade do filme, nada de assustador acontece – assustador no sentido “horror” da palavra, porque a tensão está presente em todos os momentos. Nós quase não vemos Michael durante o filme, ele está sempre na penumbra, observando as adolescentes, antes de mata-las; e quando a primeira delas morre, já se passaram mais de 40 minutos de filme. Hoje em dia, é muito difícil se ver um filme construído dessa maneira. E as outras mortes também demoram um pouco para acontecer, e acontecem do mesmo jeito: na base do suspense e da lentidão da cena. E como mencionado também, aqui morrem somente cinco pessoas. E, apesar de ser um Slasher, não há uma gota de sangue. É perfeito.

Não posso encerrar esse texto sem falar sobre Michael Myers. O que dizer sobre ele? Michael é, sem duvida, um dos maiores vilões do cinema de horror. Uma figura que vive nas sombras, um stalker, um voyeur, implacável, selvagem... Tudo isso e um pouco mais. Michael é uma força da natureza, o Mal encarnado, conforme Carpenter definiu. É um vilão que não precisa de origem, nem de explicação para seus atos; uma figura que mete medo só de olhar para ele; nada consegue impedi-lo. É o vilão perfeito. E já aqui, Carpenter apresentou a ideia de que o assassino não pode morrer, algo estabelecido também nos filmes seguintes. E outra coisa que o torna assustador, é o fato de não conseguirmos vê-lo direito. Carpenter e o diretor de fotografia Dean Cundey foram muito espertos nesse sentido; Michael passa boa parte do filme escondido nas sombras, e só conseguimos vê-lo ao longe, sem mostrar seu rosto. Ele só aparece mesmo nos momentos finais, por poucos segundos. Sua icônica máscara rendeu uma das historias mais famosas de bastidores. Um dos problemas estabelecidos no roteiro é justamente a máscara do assassino. Em certo ponto, Carpenter cogitou utilizar uma máscara de palhaço, mas não agradou. Então, eles alteraram o roteiro, e substituíram a mascara. Então, o diretor de arte, Tommy Lee Wallace, foi a uma loja de fantasias e comprou uma máscara do ator William Shatner, famoso pelo seriado Star Trek, onde interpretava o Capitão Kirk. Eles então cortaram mais os olhos, pintaram-na de branco e pintaram o cabelo de preto. O resto é historia. Michael Myers fixou seu lugar no hall dos vilões do cinema de horror.

Halloween tornou-se um sucesso de bilheteria, arrecadando mais de 70 milhões de dólares, em comparação ao orçamento de US$ 300 mil. Por anos, tornou-se o filme independente de maior bilheteria de todos os tempos, perdendo o posto para As Tartarugas-Ninja (1990).

O sucesso do filme motivou o lançamento de uma sequência, Halloween II, de 1981, considerado tão bom quanto o primeiro. O filme seguinte, Halloween III (1983), dirigido por Tommy Lee Wallace, foi um fracasso de bilheteria, por não apresentar os personagens dos filmes anteriores. A franquia retornou em 1988 com Halloween 4, O Dia das Bruxas, com Michael Myers e o Dr. Loomis de volta. Halloween 5, A Vingança de Michael Myers, foi lançado em 1989, e na opinião de muitos, começou a apresentar a queda de qualidade da franquia. A verdadeira “queda de qualidade” só viria mesmo em Halloween 6, A Última Vingança, lançado em 1995, e ultimo filme de Donald Pleasence, que faleceu antes do termino das filmagens. Halloween 6 teve inúmeros problemas de bastidores, sendo esquartejado pelo estúdio, e lançado duas vezes: a primeira, lançado nos cinemas, mostrou-se uma verdadeira bomba; já a segunda versão, batizada de Producer’s Cut, é considerada a mais próxima da versão final, além de apresentar diferenças na narrativa. Em 1998, a série foi retomada com Halloween H2O: Vinte Anos Depois, novamente com Jamie Lee Curtis no papel principal e Steve Miner na direção. H2O tornou-se o primeiro reboot da franquia, porque ignorou tudo o que foi feito depois do segundo filme, além de terminar de maneira a saga de Michael Myers de forma definitiva. Infelizmente, não foi bem assim. Eu pessoalmente adoro todos os filmes da franquia – que para mim, acaba em H2O – até mesmo “os ruins” Halloween 5 Halloween 6 – Producer’s Cut.

Enfim, Halloween, A Noite do Terror é um Clássico absoluto. Um dos maiores filmes de terror de todos os tempos. Mesmo depois de 40 anos, ainda se mantém imbatível. Uma história muito bem contada, redonda e sem pontas soltas. Um clássico dos Slashers, e sem dúvida, o maior filme do gênero. Brilhante. Assustador. Tenso. Um filme excelente.  

Altamente recomendado.







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