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sábado, 10 de fevereiro de 2024

OS ZUMBIS DE SUGAR HILL (1974). Dir.: Paul Maslansky.

 

NOTA: 8.5


Acredito que de todas as criaturas que supostamente não existem, o zumbi seja a única de que fato é real, visto que nas ilhas do Haiti existem relatos de pessoas que voltaram dos mortos, graças a um pó especial criado por alto-sacerdotes do vodu.

 

Desde que surgiram, foram poucos os filmes de zumbi que exploraram a origem haitiana da criatura. OS ZUMBIS DE SUGAR HILL é um dos exemplos que abordaram a origem real dos monstros.

 

Lançado em 1974, produzido pela American International Picture, este é um dos exemplares do blaxploitation são voltados para o terror. Conforme mencionei na resenha de Blácula, o blaxploitation foi um movimento cinematográfico voltado para o publico negro, com filmes produzidos e estrelados por negros, muitos deles voltados para o gênero de ação ou policial.

 

Sugar Hill vai pelo lado contrario, e foca principalmente no terror, apesar de conter alguns elementos de filmes de máfia também.

 

Eu digo que este é um dos meus filmes de zumbi favoritos, principalmente por causa da atmosfera e do visual dos zumbis. Eu me divirto com o filme a cada revisão e as cenas dos zumbis são arrepiantes.

 

Este é um filme muito bem feito, com uma ótima direção e um roteiro afiado, que aposta na temática do vodu sem nenhum medo ou tabu. As cenas que envolvem a religião haitiana são assustadoras, porque os cineastas conseguiram criar a atmosfera com realismo impressionante, algo também visto em A Maldição dos Mortos-Vivos (1988), do saudoso Wes Craven.

 

Mas no fundo, Sugar Hill é um filme de vingança, com a protagonista resolvendo se vingar dos gangsteres que mataram seu namorado; no entanto, ao invés que utilizar métodos convencionais, Sugar recorre a uma feiticeira vodu e ao Barão Samedi – figura presente nas lendas vodu – e a um exercito de zumbis para executar sua vingança, executando os capangas do vilão com requintes de crueldade.

 

O vilão é interpretado pelo ator Robert Quarry, figura conhecida nos filmes da A.I.P, famoso por seu papel nos filmes do Conde Yorga. Eu confesso que, mesmo adorando ver o ator em outros papeis, eu gosto muito mais da interpretação de Quarry como o Conde Yorga. Seu personagem é muito bom, e não se importa com ninguém a não ser consigo mesmo. E a vingança de Sugar contra ele é feita quase como uma vingança de videogame, com os zumbis matando seus capangas até chegar a ele – eu não jogo videogame, então estou usando uma metáfora que ouvi anteriormente.

 

Mas, na minha opinião, o melhor do filme são os zumbis. Não sei como estava o cinema de zumbis naquela época, mas aqui, temos um dos melhores visuais dos monstros. Eles estão cobertos de teias de aranha, com os corpos pintados de branco e olhos vidrados. E como todo zumbi que se preze, eles se levantam de seus túmulos do cemitério. O visual deles é arrepiante e provoca calafrios sempre que eles aparecem.

 

Além do visual maravilhoso dos zumbis, o filme também passa uma sensação de calor, principalmente nas cenas externas; é possível sentir o suor dos personagens e quase sentimos calor junto com eles.

 

Conforme mencionado acima, Sugar Hill invoca o Barão Samedi, uma figura conhecida na religião vodu. Ao que parece, o personagem é muito poderoso e é utilizado por alto-sacerdotes da religião. O personagem aparentemente apareceu em um filme do James Bond e deve ter servido de inspiração para o vilão da animação A Princesa e o Sapo da Disney.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Zumbis no Cinema 3, em versão restaurada com um depoimento do diretor como extra.

 

Enfim, Os Zumbis de Sugar Hill é um filme muito bom. Um filme de zumbis muito criativo e assustador, com uma direção inspirada e um roteiro muito bem construído, aliado a um elenco afiado. Os zumbis são a melhor coisa do filme, com seu visual arrepiante que provoca calafrios. Um exemplar do gênero terror do movimento blaxploitation. Um dos meus filmes de zumbis favoritos. Altamente recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.


domingo, 17 de março de 2019

BLÁCULA, O VAMPIRO NEGRO (1972). Dir.: William Crain.


NOTA: 8.5


BLÁCULA, O VAMPIRO NEGRO (1972)
Por motivos desconhecidos, eu sempre subestimei BLÁCULA, O VAMPIRO NEGRO, talvez por acha-lo trash ou bizarro. Bom, após assistir ao filme, eu vi que estava certo. Blácula é um filme bizarro, mas muito divertido.

Realizado no ciclo do Blaxploitation – filmes feitos por negros para o público negro – este é um dos filmes de vampiro mais memoráveis dos anos 70, super simples e engraçado ao estremo.

A trama é super simples: um príncipe africano é mordido pelo Conde Drácula, enterrado em um caixão e acaba despertando na Los Angeles dos anos 70, causando pânico e transformando todos em vampiros. Mesmo com essa simplicidade, o roteiro consegue divertir e assustar, principalmente nas cenas envolvendo os vampiros. A caracterização das criaturas é super exagerada, com maquiagem carregada e sangue falso. Porém, no quesito de exagero, o Drácula, presente no prologo é bizarro: usa roupas coloridas, barba e bigode! Eu nunca vi um Drácula mais estranho do que esse. Em compensação, o personagem-título é muito bem feito. Interpretado de forma memorável por William Marshall, Blácula é um dos personagens mais icônicos do cinema fantástico dos anos 70: elegante, todo de preto, com uma capa característica e os enormes caninos. Fascinante. Impossível não sentir simpatia por ele.

Outra coisa que chama a atenção é o fato de ser uma produção de baixo orçamento, daquelas muito comuns naquela época. E a falta de orçamento não prejudica o filme em momento nenhum, e fica muito evidente nas cenas em que o protagonista utiliza seus poderes: não há cenas elaboradas, cheias de efeitos especiais; os efeitos limitam-se apenas à transformação em morcego, no melhor estilo de antigamente. As limitações orçamentárias também surgem nas cenas em que os vampiros são destruídos pelos “caçadores”.

Aliás, como em todos os filmes de vampiros, aqui os “heróis” adquirem o conhecimento necessário sobre vampiros muito rápido, após ler vários livros em um único dia! Vale lembrar que isso é muito comum, e aparece em qualquer filme de vampiro. Ou seja, todo boca aberta se considera um Van Helsing após ler um ou mais livros sobre vampiros. Vale lembrar que o Professor adquiriu seus conhecimentos após anos de estudo. Mas isso não deixa de ser divertido.

Como mencionado acima, Blácula foi realizado na época do Blaxploitation. Como não vi muitos filmes dessa época, não posso dar um parecer completo sobre o assunto, mas, algumas características ficam claras: o uso da trilha sonora, a pouca presença de atores brancos e o clima exagerado. Não que esse exagero seja um defeito; pelo contrario, ele diverte ainda mais.

O filme surgiu de forma curiosa, porque seus realizadores tentavam procurar novas formas de expandir o ciclo, que limitava-se aos filmes policiais. Talvez Blácula foi o primeiro, ou então um dos primeiros filmes de terror do ciclo, que também apresentou obras baseadas em O Médico e o Monstro, O Exorcista e o excelente Os Zumbis de Sugar Hill. Um ano depois, o filme ganhou uma sequencia, Scream Blacula Scream, novamente estrelada por William Marshall. Segundo o especialista no gênero, Kim Newman, foi uma tentativa da American Internation Pictures de criar uma franquia, como fizera anteriormente com Dr. Phibes e Conde Yorga.


Seja como for, este é um dos melhores Filmes de Vampiro dos anos 70. Divertido, sangrento e arrepiante. 



AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.