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sexta-feira, 20 de outubro de 2023

O LOBISOMEM (1941). Dir.: George Waggner.

 

NOTA: 9


O Ciclo dos Monstros Clássicos da Universal foi um dos mais importantes de todos os tempos, não apenas para o cinema de horror, mas para o próprio estúdio também, pois, foi graças aos clássicos Drácula (1931) e Frankenstein (1931), que os lucros aumentaram durante a famigerada época da Grande Depressão.

 

Nos anos 40, o estúdio estava passando por mudanças em sua administração, resultantes da perda dos Laemmle, no final da década anterior. Mas isso não impediu o estúdio de produzir novos filmes, principalmente filmes de terror, e O LOBISOMEM, lançado em 1941, com direção de George Waggner, é um deles.

 

Mesmo não tendo sido o primeiro longa a abordar o tema, esse foi o que apresentou as normas que seriam aproveitadas por cineastas posteriores.

 

Tais características foram introduzidas pelo roteirista Curt Siodmak, que reutilizou a ideia de um roteiro escrito por Robert Florey, para um projeto destinado ao ator Boris Karloff, que estava em voga na época, graças ao sucesso de Frankenstein. No entanto, devido às ideias de Florey, o roteiro foi descartado.

 

No roteiro de Siodmak, Larry Talbot, um mecânico americano, retorna à casa de sua família na Inglaterra para instalar um telescópio, e se torna vitima da maldição do lobisomem. Parece simples, não? Pois na verdade, o roteiro é um pouco mais enxuto do que isso, pois também aposta no drama e até no romance, além de focar no tema dos lobisomens de uma forma até então diferente.

 

De acordo com historiadores de cinema, Siodmak utilizou ideias originais, além de estudar um pouco do folclore do lobisomem para dar vida à sua criatura, e com isso, apresentou conceitos que até hoje são utilizados, como o uso da prata e da mata-lobos para derrotar a criatura.

 

Além disso, o filme também apresentou um visual diferente para a criatura, criado pelo mestre Jack Pierce, que não chegou a transformar o ator Lon Chaney Jr. em um monstro propriamente dito, mas em alguém com rosto peludo e dentes afiados, que se tornaria quase que uma tradição em filmes posteriores, até isso ser quebrado nos anos 80.

 

E o trabalho de Pierce é excelente porque ele criou algo que até hoje é reverenciado por profissionais de cinema, principalmente profissionais de maquiagem, como Rick Baker, um admirador declarado do trabalho de Pierce. O conceito é até bem simples, mas consegue assustar e impressionar até hoje.

 

O restante do filme também merece menção, porque, assim como o restante dos longas produzidos pelo estúdio naquela época, faz um excelente trabalho de ambientação, misturando cenários e costumes contemporâneos com cenários e costumes de épocas passadas, dando a impressão que o mundo onde o filme se passa não é real; é algo que é de fato convidativo, que fica melhor a cada vez que assistimos aos filmes.

 

O Lobisomem foi dirigido por George Waggner, e o diretor fez um grande trabalho aqui, seja em termos técnicos, seja com seu elenco. O grande destaque, com certeza, é Lon Chaney Jr., filho do grande astro do cinema mudo de horror. Chaney passa toda a sensação de agonia que o roteiro pede, e com isso, deixa evidente, que, no cinema, o lobisomem é sempre uma vítima de uma maldição, apesar de tal característica ter sido apresentada em O Homem-Lobo (1935), o primeiro longa a tratar do tema, também produzido pela Universal.

 

O restante do elenco também não faz feio, e não temos atuações forçadas, e o roteiro de Siodmak ajuda a passar credibilidade dos mesmos.

 

Assim como os seus antecessores, O Lobisomem aposta no clima gótico para contar sua história, e temos provas disso principalmente nas cenas noturnas, quando os cenários são cobertos por neblina. O aspecto também está presente no Castelo Talbot, em especial nas cenas externas.

 

Em 2010, recebeu um remake dirigido por Joe Johnston, e estrelado por Benicio Del Toro, Anthony Hopkins, Emily Blunt e Hugo Weaving, que não ofende a este aqui em momento nenhum, e merece ser visto, principalmente pelo respeito e homenagens que presta a este aqui.

 

Enfim, O Lobisomem é um filme excelente. Um longa assustador, que prende o espectador até hoje. O roteiro de Curt Siodmak é afiado, e o roteirista aproveitou apenas o titulo do projeto anterior, e fez uso de coisas novas para contar sua história, que são utilizadas por cineastas posteriores até hoje. Lon Chaney Jr. é o grande destaque, e passa todas as emoções que estão presentes no roteiro, além de ter dado vida a um dos maiores monstros do cinema de todos os tempos. Um verdadeiro clássico.  



sábado, 12 de novembro de 2022

NA SOLIDÃO DA NOITE (1945). Dir.: Vários.

 

NOTA: 9.5



Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

Mas hoje, não estou aqui para falar das antologias da Amicus, e sim, de NA SOLIDÃO DA NOITE, precursor do gênero de antologia, lançado em 1945.

 

O que posso dizer sobre esse filme? Bem, digo o seguinte: é um dos melhores filmes de terror de todos os tempos, e um dos melhores que já vi; além de ser um daqueles casos de filmes que ficam melhores a cada revista.

 

Conforme mencionado acima, o filme é o precursor do gênero de antologia, neste caso, contando com cinco histórias de horror. Na verdade, antes de entrar nas histórias propriamente ditas, o filme até começa de maneira simples, com o protagonista indo até uma casa de fazenda no interior da Inglaterra. Quando ele chega lá, começa a falar com os outros personagens a respeito de seus sonhos e pesadelos, o que intriga a todos ali. Em seguida, eles mesmos começam a contar suas próprias histórias.

 

The Hearse Driver: Um corredor de carro sofre um acidente, e vai parar no hospital, onde é atendido por uma bela enfermeira. Durante a estadia, ele tem uma estranha visão de um carro funerário estacionado abaixo de sua janela. Ao sair do hospital, ele vê o motorista do carro funerário em um ônibus e decide não embarcar. O ônibus então sofre um acidente e todos os passageiros morrem.

 

The Christmas Party: Uma adolescente está comemorando o Natal na casa de um amigo e participa de um jogo de esconde-esconde com os convidados. Durante a brincadeira, ela encontra um quarto de criança e conhece um garotinho que tem medo da irmã. Ao reencontrar os outros convidados, ela descobre que o garotinho está morto desde o século XIX.

 

The Haunted Mirror: Uma mulher compra um espelho para seu noivo. No inicio, tudo parece bem, mas, aos poucos, o homem é atormentado por estranhas visões relacionadas ao espelho. A mulher descobre que o objeto pertenceu a um homem que matou a esposa no século XIX, e precisa correr para impedir que o noivo perca a razão.

 

The Golfer’s Story: Dois campeões de golfe conhecem e se apaixonam por uma mulher e resolvem disputa-la com uma partida. Um deles ganha a partida e o outro se suicida em um lago. Às vésperas de seu casamento, o vencedor é atormentado pelo fantasma de seu amigo, que afirma que ele trapaceou no jogo e exige que o amigo assuma o erro.


The Ventriloquist’s Dummy: Um ventríloquo americano conhece outro em Paris e se surpreende com seu ato, cuja principal atração é seu boneco Hugo. Ao reencontrá-lo em Londres, o americano descobre que o ventríloquo possui sérios problemas psicológicos, e na mesma noite, é atacado por ele, que não pretende entregar seu boneco ao rival.

 

Uma antologia básica, não? Sim, no entanto, ao contrário das que vieram depois, principalmente nos anos 70, aqui, as histórias foram dirigidas por cinco pessoas diferentes, e cada uma imprimiu seu próprio estilo. Entre os diretores, temos o brasileiro Alberto Cavalcanti, que dirigiu a segunda e última historias – a do boneco, a melhor delas.

 

Além da presença do brasileiro Cavalcanti, é possível perceber aqui a principal característica das antologias: a diversidade entre as histórias. A primeira remete primeiramente a um romance, mas logo se transforma em um terror, com a presença do carro funerário; a segunda é uma história de fantasma com toques infantis, principalmente pela presença do garotinho; a terceira foca mais um suspense sobrenatural, além de apresentar elementos de horror psicológico; a quarta também é uma história de fantasma, mas com uma veia cômica; e a última, é um suspense psicológico, onde a loucura é o principal elemento.

 

Além das histórias narradas pelos personagens, temos também os interlúdios, com o protagonista interagindo com eles, que culmina na melhor parte do filme, quando o pesadelo dele se torna realidade, e ele interage com todas as histórias de uma maneira macabra e assustadora.

 

Com certeza, o episódio mais lembrado do filme é o último, The Ventriloquist’s Dummy. Sem dúvida, é o melhor episódio, com toques de suspense psicológico, com o ventríloquo atormentado por problemas mentais, que culminam numa personalidade alternativa, que ele usa em seu boneco Hugo. Falando nele, o boneco é um dos personagens mais assustadores do cinema – algo comum em bonecos de ventríloquo – e sua aparência e voz fina são dignas de pesadelos. Algo semelhante aconteceria em Magia Negra (1978), onde o ator Anthony Hopkins interpretou um ventríloquo domado por seu boneco.

 

Os demais personagens também são bem interessantes, cada um à sua maneira, principalmente o protagonista, que se mostra visivelmente atormentado por seus sonhos recorrentes; os demais apelam à sua psiquiatra para descobrir o motivo por trás dos sonhos dele e também por trás de suas próprias histórias, algo que não fica chato conforme os relatos acabam.

 

Na Solidão da Noite possui um legado importante entre os fãs de cinema, tendo como fã o diretor Martin Scorsese, que o elegeu um dos filmes mais assustadores de todos os tempos. O último episódio inspirou diversas histórias posteriores, entre elas, um segmento da série Além da Imaginação, além de outros filmes.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Obras-Primas do Terror.

 

Enfim, Na Solidão da Noite é um filme excelente. Uma história de horror composta por cinco segmentos aterrorizantes, que prendem a atenção do espectador. Cada um dos cineastas envolvidos deixa sua marca e as histórias ficam únicas por causa disso. Um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, com um grande legado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo


Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/

AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.