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quinta-feira, 6 de outubro de 2022

HALLOWEEN III – A NOITE DAS BRUXAS (1982). Dir.: Tommy Lee Wallace.

 

NOTA: 8



Em 1978, o diretor John Carpenter lançou Halloween – A Noite do Terror, que rapidamente se tornou um clássico do terror e o melhor exemplar do gênero Slasher. O sucesso do filme levou os estúdios a produzirem sequencias, a fim de transformá-lo em uma franquia.

 

Enfim, chegamos ao controverso HALLOWEEN III – A NOITE DAS BRUXAS, lançado em 1982, produzido por John Carpenter e Debra Hill, os criados do clássico de 1978, e escrito e dirigido por Tommy Lee Wallace.

 

Controverso porque, como sabemos, este é o único da franquia que não conta com a presença de Michael Myers e cia., por um motivo muito simples que será explicado mais tarde.

 

Mas isso não impede o filme de ser muito legal, justamente por causa de seu clima de mistério e trama diferenciada.

 

Diferenciada porque ao invés do Slasher, aqui temos uma trama mais voltada para a conspiração e a ficção cientifica, com os personagens vivendo uma espécie de jogo sinistro arquitetado pelo vilão. À primeira vista, isso pode até parecer estranho – e não vou mentir, é – mas a gente acaba entrando na onda e compra a ideia.  

 

Então, aqui temos mais uma trama de investigação, e durante todo o filme nós acompanhamos os protagonistas enquanto eles tentam desvendar o que está acontecendo na pequena comunidade de Santa Mira, pois o mistério está relacionado com a morte do pai da mocinha, e as pistas levaram os dois até a comunidade.

 

E durante o caminho, eles trombam com coisas estranhas, que vão aumentando conforme o mistério. E o que acontece é muito bizarro.

 

Bizarro porque à principio parece que a trama vai para uma direção, mas de repente, a chave vira e o rumo muda, para mais bizarro ainda, digno de um filme de ficção cientifica.

 

Mas vamos falar sobre o filme como um todo. Para começar, devo dizer que é um filme muito bem dirigido, com sequencias e planos longos, além de cenas com toques de mistério, quase com ares de teoria da conspiração.

 

No entanto, apesar da boa direção, devo dizer que o filme tem os seus problemas, muitos deles relacionados ao roteiro. Por exemplo, há um dialogo absurdo na cena do hospital proferida por um dos personagens ao protagonista. Outro problema é o fato de os assassinos misteriosos da Silver Shamrock serem quase onipresentes e saberem de tudo o que acontece à sua volta, fato esse que culmina na cena da furadeira, por exemplo; e claro, o embate final entre o protagonista e a mocinha, que até hoje continua sem resposta.

 

Tirando esses problemas, somos também brindados com cenas e personagens absurdos, todas envolvendo os personagens secundários, em especial, uma família rica que vai se hospedar na cidade, cujo pai é representante de vendas da Silver Shamrock. São cenas absurdas mesmo, dignas dos filmes da época.

 

Falando da Silver Shamrock, não posso falar do filme sem mencionar as maravilhosas máscaras do Dia das Bruxas. Desde a primeira vez que vi o filme, há alguns anos na TV, eu adorei as máscaras, principalmente as de esqueleto e abobora, porque são muito lindas. Eu tenho vontade de ter as máscaras para brincar em casa. As máscaras reapareceram na franquia no reboot de 2018, como uma homenagem.

 

Ainda sobre a Shamrock, a mesma se faz presente no filme o tempo inteiro, seja nos logos em forma de trevo, seja pela fabrica, que observa a cidade como se fosse a Mansão Marsten, do livro Salem, de Stephen King. É possível ver que a marca e o empresário Cochran controlam a cidade, com suas câmeras de segurança espalhadas pelos locais, e o modo como a população se refere a ele com respeito e admiração.

 

Agora, vamos falar sobre a parte de horror do filme. Conforme mencionado acima, Halloween III não pode ser considerado um Slasher, porque não temos cenas de morte de adolescentes carregadas no gore; ao contrario, temos apenas três, todas sem uma gota de sangue. Além do paciente misterioso, temos a cena da furadeira, que me lembra – e muito – a cena da furadeira do excelente Giallo Sete Orquídeas Manchadas de Sangue (1971), dirigido por Umberto Lenzi. No entanto, a melhor delas é a demonstração do poder das máscaras de Shamrock, cujas cobaias são os membros da família rica. É a famosa cena onde a máscara derrete na cabeça do garoto e logo saem um monte de insetos e cobras da sua boca. Uma cena muito boa.

 

Quero também mencionar a respeito do vilão, o Sr. Cochran. Ele é o típico vilão que se revela aos poucos, a principio, mostrado nas sombras, depois aparecendo de relance, e por fim, quando surge por completo, mostra seus traços de maldade aos poucos. Seu momento mais absurdo é quando ele revela ao protagonista os seus planos, que possuem relação com a pratica pagã do Samhain, conforme apresentada no segundo filme, e que seria levada para frente nessa primeira parte da franquia. De acordo com o roteiro, o vilão gosta de criar brincadeiras e pegadinhas, e conforme o mesmo admite, tudo não passa de uma brincadeira de Dia das Bruxas.

 

E o mais absurdo de tudo, a fonte de seus poderes malignos vem de uma das pedras do Stonehenge que ele roubou... Não faz o menor sentido, mas é muito divertido por causa disso.

 

Antes de encerrar, deixe-me esclarecer por que Halloween III é o único da franquia que não conta com a presença de Michael Myers. Segundo informações da internet, o diretor John Carpenter tinha a intenção de transformar a franquia em uma antologia, com um filme diferente ambientado no Dia das Bruxas. No entanto, seus planos foram abortados por causa de Halloween II, que contou com os personagens originais; mas, após o fim do segundo filme, Carpenter resolveu colocar suas ideias em pratica, e o primeiro foi este filme. Infelizmente, o plano não deu certo, e o filme foi odiado pelo publico e pela critica após sua estreia.

 

Apesar do ódio inicial, aos poucos, Halloween III foi ganhando respeito dos fãs da franquia, tendo recebido status de cult. Eu pessoalmente me encaixo nesse globo, porque, após essa ultima revisão, o filme ficou bem melhor do que eu me lembrava.

 

Estreou em 22/out/1982 e conseguiu obter bons números de bilheteria, apesar das criticas negativas, conforme explicado acima. Foi lançado em VHS e DVD no Brasil, mas atualmente está fora de catalogo. Lá fora, recebeu um lançado em Blu-ray em 4k pela Shout Factory, juntamente com os demais da franquia.

 

Enfim, Halloween III é um filme muito bom. Um longa divertido, com uma trama absurda, carregada de momentos ridículos e memoráveis, que o deixam ainda melhor a cada revisão. A direção e o clima são os grandes atrativos do filme, pois remetem a um filme do diretor John Carpenter, que aqui volta como produtor. Um filme que ganhou status de cult com o passar dos anos, que agrada aos fãs da franquia. Muito bom. Divertido. Recomendado.

 

FELIZ DIA DAS BRUXAS!



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segunda-feira, 13 de setembro de 2021

AMITYVILLE II – A POSSESSÃO (1982). Dir.: Damiano Damiani.

 

NOTA: 9



Não há duvidas que Amityville é uma das maiores – talvez a maior – franquia de terror do cinema. Ao todo, foram mais de dez filmes, entre as “continuações oficiais” e produções da Asylium. No entanto, a franquia tem apenas quatro filmes, lançados entre 1979 e 2017. Eu pessoalmente não considero os filmes que vieram depois de 1983, porque são todos horríveis e não tem nada a ver com a franquia original; o único que retomou a franquia foi Amityville – O Despertar, que traz a casa de volta.

 

Mas não vou falar sobre eles. Vou falar sobre o segundo filme da trilogia original, AMITYVILLE II – A POSSESSÃO, lançado em 1982 e produzido por Dino de Laurentiis.

 

Esse foi meu primeiro contato oficial com a franquia, porque foi o primeiro filme que assisti, numa edição lastimável de banca que vinha junto com o terceiro filme. Eu aluguei muitas vezes na locadora, antes de comprar quando estavam vendendo. E devo dizer que foi uma das experiências mais assustadoras da minha vida, não porque o filme é ruim, mas porque ele é muito assustador.

 

O filme tem tantas cenas assustadoras que é difícil dizer qual é a mais. Eu pessoalmente tenho muito medo da cena em que a entidade percorre a casa à noite, fazendo barulhos sinistros. Eu já assisti várias vezes, mas quando chega nessa cena, eu sinto arrepios na espinha. E devo citar também o confronto entre o Padre Adamsky e o garoto possuído.

 

O que torna essas cenas ainda mais assustadoras, além da direção, é a ausência de trilha sonora. Eu já comentei algumas vezes que é um fator determinante para criar um momento de tensão em um filme de terror, e aqui, isso é aproveitado com habilidade.

 

Apesar de ter sido lançado três anos depois do primeiro filme, Amityville II é considerado uma prequel, porque conta para nós o que aconteceu na casa antes dos Lutz se mudarem para lá. De fato, existem certos elementos que constatam tal afirmação, principalmente a questão da possessão demoníaca e os assassinatos numa noite de chuva. No entanto, há uma cena no início do filme onde as janelas da casa estão seladas com pregos, algo que acontece no primeiro filme. Eu honestamente não sei como interpretar isso, porque aconteceu anteriormente, então... Fica a critério de cada um. Dizem também que o walkman do filho mais velho é outro ponto contra a constatação de que é uma prequel, então...  Novamente, é difícil chegar a uma conclusão.

 

No entanto, o que podemos dizer com certeza a respeito de Amityville II, é que se trata de um filme sobre possessão demoníaca, pegando carona no sucesso do Clássico Absoluto O Exorcista (1973), ainda que tardiamente. É sério, eu acho que é o último filme que tentou entrar na onda do filme de William Friedkin, mas devo dizer que é um dos melhores. As cenas de possessão são realmente muito boas, graças à maquiagem, principalmente. Eu devo dizer que quando vi tais cenas pela primeira vez, principalmente a cena dos assassinatos, eu fiquei com muito medo, porque a maquiagem é muito boa, com tudo que tem direito, até mesmo voz alterada. É tudo muito bem feito.

 

Outro ponto que quero destacar são as atuações. Alguns atores até que entregam boas performances, mas, também existem momentos em que as atuações são sofríveis, principalmente na cena dos assassinatos.

 

Agora, além da questão da possessão demoníaca, existem questões um tanto quanto controversas, todas envolvendo a família. O pai é alcoólatra e dominador; a mãe é submissa e existe um clima de incesto entre os irmãos mais velhos. Além da família, devo destacar também o padre. Sinceramente, eu não o considero um padre honesto, sem pensamentos pecaminosos; pelo contrário, é evidente a atração sexual que ele sente pela filha mais velha, e isso fica claro na cena de exorcismo. Não sei se aqueles que assistiram ao filme tiveram a mesma impressão que eu, mas vou deixa-la aqui.

 

Antes de encerrar, devo mencionar também a trilha sonora, novamente composta por Lalo Schifrin. Sinceramente, eu prefiro muito mais a trilha sonora deste filme; é mais assustadora do que a do filme anterior – na verdade, há uma certa diferença entre as duas, até mesmo o uso do coro infantil – e isso fica mais evidente em cenas especificas, principalmente no final do filme, quando há o uso de instrumentos de corda.

E como sempre, temos excelentes tomadas da casa, principalmente de suas famosas janelas, dignas de arrepios, a marca registrada da trilogia.

 

Foi lançado em VHS e DVD – em edição de banca – no Brasil, mas estava fora de catálogo até que foi relançado em DVD pela Obras-Primas do Cinema no box Trilogia Terror em Amityville, em versão remasterizada.

 

Enfim, Amityville II – A Possessão é um filme assustador, com uma atmosfera de pesadelo que provoca arrepios no espectador. Um clima de medo enche o longa desde o começo e deixa o espectador apavorado. As cenas de possessão são muito boas e assustadoras, principalmente a cena de exorcismo, e a trilha sonora provoca arrepios sem o menor esforço. Um filme excelente.


Créditos: Obras-Primas do Cinema

 

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