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sábado, 19 de outubro de 2024

O DESPERTAR DOS MORTOS (1978). Dir.: George A. Romero.

 

NOTA: 10


O DESPERTAR DOS MORTOS é, sem dúvida, o melhor filme de George A. Romero, além de ser o melhor filme de zumbis de todos os tempos.

 

Filme do meio da trilogia dos zumbis, esse filme apresentou tudo aquilo que hoje é utilizado em mídias sobre apocalipse zumbi.

 

Algumas regras já haviam sido estabelecidas em A Noite dos Mortos-Vivos, mas, em Despertar, elas foram aumentadas, e hoje em dia, tornaram-se praticamente obrigatórias.

 

Isso sem falar que, assim como seu antecessor, é um filme repleto de comentário social, desta vez, voltado para o consumismo.

 

Essa era uma característica nos filmes de Romero, mas, acredito que ficaram ainda mais em evidência dos seus filmes de zumbi, visto que o cineasta soube fazer isso com maestria, maestria essa que até hoje é discutida por cinéfilos e cineastas.

 

Além de tudo isso, Despertar também é um marco do gore, graças aos efeitos especiais do mestre Tom Savini, mas, mais detalhes sobre isso adiante.

 

Na trama, o mundo está quase todo devastado pelos zumbis. Sabendo disso, um grupo de quatro pessoas foge em um helicóptero e acaba encontrado um shopping center, onde acaba se instalando para escapar do ataque dos mortos-vivos.

 

Assim como no anterior, é uma trama simples que também está carregada de comentários sociais, mas, ao contrário do primeiro filme, é possível perceber que o orçamento foi um pouco maior aqui.

 

A grandeza do filme está presente desde os seus bastidores.

 

Romero estava com dificuldades de produzir uma continuação para o primeiro filme, mas acabou recebendo apoio do diretor Dario Argento, que já era um grande fã do cineasta, e vice-versa. Assim, Romero viajou para a Itália, onde conseguiu desenvolver o roteiro e conseguiu financiamento para realizar o filme.

 

É legal saber que Romero teve apoio de Argento para fazer o filme, o que formou uma grande amizade entre eles, que se consolidou ainda mais quando se uniram novamente para dirigir o filme Dois Olhos Satânicos (1990), antologia baseada em dois contos de Edgar Allan Poe.

 

Ainda segundo Romero, a ideia para este filme surgiu quando ele estava em um shopping center em Pittsburg, e imaginou como seria se uma horda de zumbis invadisse o lugar.

Conforme mencionado acima, a crítica da vez está no consumismo exagerado, e não deixa de ser verdade, visto que, quando as pessoas vão ao shopping, elas passam horas no local, olhando para os itens em oferta, e além disso, quando acontece alguma promoção em alguma loja, não é incomum ver um grupo de pessoas se formando na porta do estabelecimento, prontas para agarrar os itens o quanto antes. Eu já vi uma imagem dessas na internet, mas, graças a Deus, nunca presenciei algo como esse pessoalmente.

 

Agora que já comentei um pouco a respeito do comentário social presente no filme, deixe-me falar sobre os personagens.

 

O roteiro é focado em grupo de quatro pessoas, formado por dois policias da SWAT, uma repórter de TV e um piloto da emissora. A interação entre eles é muito boa, e é possível identificá-los rapidamente, assim que aparecem no filme. Fran se encaixa a princípio no perfil da mocinha indefesa, visto que ela começa o filme toda fragilizada, mas, conforme a trama avança, ela se mostra tão forte quanto os homens. Stephen é o seu namorado, e é o piloto do grupo; no início, ele também se mostra receoso em matar as criaturas, mas muda de atitude quando percebe que não há outra saída. Peter e Roger são os agentes da SWAT, e cada um possui sua própria personalidade; Roger é valente e não tem medo do perigo; Peter, por outro lado, é mais racional, mas valente, também.

 

Juntos, os personagens formam um grupo bastante unido, e se apoiam nas decisões importantes que devem ser tomadas. Além disso, eles se unem também na hora de tomar o shopping, chegando a construir quase que uma casa dentro do prédio, no local onde escolheram para se esconder. E na hora do combate, eles se unem ainda mais, cada um dentro de suas habilidades.

 

O roteiro de Romero também é muito afiado no que quis respeito ao ritmo. Logo no começo, fomos brindados com uma confusão no estúdio de TV, passando para uma guerra no conjunto habitacional de cubanos. Depois desse início frenético, as coisas começam a andar de forma mais lenta, com os personagens tomando o shopping, procurando um lugar para se esconder, depois, começam a tomar as coisas das lojas, até que conseguem se firmar no local. Mas não é só isso. A trama também se preocupa em explorar as relações entre os quatro, principalmente entre Fran e Stephen.

 

Em determinado momento, um grupo de motoqueiros saqueadores invade o prédio e provoca uma guerra com os quatro, o que leva a trama de volta à ação, visto que eles também lutam contra os zumbis das formas mais criativas possíveis.

 

Conforme mencionado acima, o filme é também um marco do gore, graças aos excelentes efeitos especiais de Tom Savini. O visual dos zumbis é básico, até, com uma tonalidade cinza e azulada, mais os efeitos de morte são o auge. Logo na primeira sequência de ação, no conjunto habitacional dos cubanos, somos presenteados com uma cabeça explodindo em frente à câmera, além de cenas de pessoas sendo mordidas. No shopping, a coisa não é muito diferente, com os zumbis sendo derrotados com tiros na cabeça, mas com efeitos diversos. No entanto, o melhor acontece quando eles matam os motoqueiros, arrancando seus órgãos na base da unha, e devorando-os vivos. No entanto, Savini deixaria o melhor para o filme seguinte da trilogia, Dia dos Mortos (1985), mas isso é assunto para outra resenha.

 

Despertar dos Mortos foi financiado por Dario Argento, conforme mencionei, e com isso, acabou ganhado uma versão remontada pelo cineasta italiano para o mercado europeu, que recebeu o título de Zombie. Além da versão editada por Argento, o filme também possui uma versão estendida, com 139 minutos, considerada por muitos como a Versão do Diretor; no entanto, Romero afirmava que a sua Versão do Diretor era a versão original, com 127 minutos. A versão escolhida para esta resenha é justamente a Versão do Diretor.

 

Foi lançado em Blu-ray e DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, numa edição que apresenta as três edições, em versões restauradas, com um disco só de extras. Atualmente, tais edições estão fora de catálogo.

 

Enfim, O Despertar dos Mortos é um filme excelente. O filme que apresentou as principais regras para as mídias posteriores, além de contar com uma direção inspirada, roteiro afiado, e efeitos especiais bastante criativos. Um filme que se tornou um marco do gore, e também, o melhor filme de zumbis de todos os tempos, além de ser o melhor filme do diretor George A. Romero.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


sexta-feira, 1 de março de 2024

UM DRINK NO INFERNO (1996). Dir.: Robert Rodriguez.

 

NOTA: 9.5


O primeiro filme de terror a gente nunca esquece, não é verdade? E quanto ao segundo?

 

Qual foi o segundo filme de terror que vocês assistiram? O meu foi UM DRINK NO INFERNO, um misto de ação, terror e crime, comandado pela dupla Quentin Tarantino e Robert Rodriguez.

 

Infelizmente, serei obrigado a dar spoilers aqui nessa resenha, senão, a mesma ficaria incompreensível.

 

Recado dado, vamos lá.

 

Para quem já conhece, o filme é dividido em duas partes bem diferentes.

 

Na primeira, acompanhamos uma trama de crime digna dos filmes de Tarantino, com os irmãos, Seth e Richard Gecko, dois criminosos que espalham o terror pelo país e sequestram uma família, com o objetivo de fugir para o México. Na segunda parte, acompanhamos os personagens em um bar de strip-tease que se revela um antro de vampiros sugadores de sangue.

 

Passada essa introdução, vamos falar sobre o filme como um todo.

 

A começar pela direção de Robert Rodriguez, que é muito boa, e o diretor consegue conduzir as duas partes da trama com maestria, e ambas acertam em cheio.

 

A primeira parte, conforme mencionada acima, lembra muito os filmes de ação do diretor Tarantino, com a temática de sequestro e assalto a lojas e bancos, com ângulos de câmera e diálogos que poderiam ter saído diretamente de um filme de Tarantino, assim como as cenas violência.

 

Já a segunda parte, se transforma em um filme completamente diferente, com um ar de trasheira, com cenas de mortes exageradas e sangrentas ao extremo, com o sangue jorrando sem parar logo após a introdução dos vampiros, e os personagens lutando contra as criaturas com tudo que encontram no local, como tacos de bilhar e as pernas das mesas.

 

E o roteiro de Tarantino é muito bom em combinar essas duas partes, e faz tudo com maestria. Na primeira metade, tudo acontece aos poucos, com a dupla de irmãos se organizando para fugir do país, enquanto mantêm uma mulher como refém, mas as coisas não acabam bem, e os dois são obrigados a sequestrar uma família para ajudá-los a fugir.  No entanto, quando chegamos na segunda metade, o terror surge com tudo, com direito a corpos decepados e sangue jorrando com gosto; mas, após o massacre inicial, o roteiro novamente aposta no slow-burn, até desencadear para novos momentos de terror.

 

Os efeitos especiais foram criados pela KNB Effects Group, de Robert Kurtzman, Greg Nicotero, e Howard Berger, e eles não economizaram. Aqui tem de tudo, de membros falsos, passando por bonecos animatrônicos, e fantasias de monstros. Esqueça os vampiros clássicos. Aqui, temos vampiros monstruosos, com rostos deformados, e presas afiadas. Difícil dizer qual é o melhor, porque todos são muito bem feitos, e, convencem muito até hoje, assim como os efeitos de sangue.

 

Deixe-me falar um pouco mais sobre os vampiros. Além do visual monstruoso, eles são inspirados nos vampiros clássicos, e seguem algumas regras, como, por exemplo, são derrotados pela luz do sol; estacas de madeira no coração e cruzes também funcionam; e se transformam em morcegos. No entanto, o que os torna diferentes, é que eles podem ingerir outras bebidas, conforme mostrado quando somos apresentados ao bar Twittie-Twister – não vou usar a tradução aqui, para não criar polêmicas.

 

No início da resenha, eu mencionei que este foi o meu segundo filme de terror, porque eu o assisti quando era criança com a minha mãe. Até assisti-lo novamente, anos depois, eu me lembrava de algumas cenas, e sempre que o revejo, e as cenas aparecem, sinto um quentinho no coração. Por isso, este filme tem um lugar especial na minha vida.

 

Enfim, Um Drink no Inferno é um filme excelente. Um filme de ação e terror, contado com maestria pela dupla Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, com um roteiro bem afiado e direção inspirada. Os efeitos especiais são o grande destaque, com tudo que tem direito, e a KNB cria vampiros verdadeiramente assustadores. Altamente recomendado.



sexta-feira, 10 de março de 2023

TUBARÃO (Peter Benchley).

 

NOTA: 8



Em 1975, o diretor Steven Spielberg lançou Tubarão, que se tornou um dos maiores clássicos do cinema, e um grande sucesso, arrecadando mais de US$ 100 milhões em bilheteria.

 

Mas hoje não estou aqui para falar do filme de Spielberg, mas, sim do livro que deu origem ao mesmo: TUBARÃO, livro de estreia de Peter Benchley.

 

Bom, já vou começar pelo obvio. O livro é muito diferente do filme, principalmente no que diz respeito a algumas cenas e alguns personagens. Claro, a cena de abertura é praticamente a mesma do filme, mas ainda assim tem suas diferenças. A principal delas é que o autor já resolveu mostrar o animal logo de cara, numa cena carregada de tensão e violência.

 

A partir do primeiro ataque, a história segue mais ou menos igual ao filme, como já disse, com suas diferenças. No primeiro momento, temos mais destaque para os coadjuvantes da trama, para depois focarmos no Chefe Brody e em sua família.

 

O livro é dividido em três partes.

 

Na primeira, temos o foco nos ataques do tubarão, que até acontecem na mesma ordem do filme, mas, com destaque para a presença do animal. Temos também o impacto que isso gera na comunidade de Amity, com Brody fazendo o possível para impedir que novos ataques aconteçam, sugerindo para as autoridades a interdição das praias, mas elas não aceitam, chegando a ameaçá-lo. Assim como no filme, a segunda pessoa a morrer é o garotinho na boia, e logo após, temos o confronto entre Brody e a mãe do garoto, na minha opinião, um dos momentos mais interessantes do livro, pelo modo como foi escrito – mais detalhes sobre isso adiante. Ainda na primeira parte, somos apresentados ao oceanógrafo Matt Hooper, que rapidamente cria uma divergência com Brody.

 

Na segunda parte, somos apresentados à vida na comunidade de Amity, com destaque para a relação entre Hooper e Ellen Brody. Esse é um dos pontos mais estranhos do livro, na minha opinião, porque parece surgir do nada, por causa de um relacionamento que Ellen teve com o irmão mais velho de Hooper. Bom, a segunda parte apresenta uma melhora quando chega ao ultimo capitulo, pois temos o foco no tubarão novamente.

 

Já a última parte é focada na caça ao peixe gigante. Ao contrário do que acontece no filme, nós somos apresentados à rotina diária de Brody, Hooper e Quint a bordo do Orca, enquanto eles esperam pelo peixe. No primeiro dia, acompanhamos os três enquanto discutem sobre a vida de pescador de Quint, enquanto o mesmo mostra a eles suas habilidades. No segundo dia, temos um breve encontro com o tubarão, mas antes disso, somos novamente apresentados à rotina dos três personagens a bordo do barco. Os dois últimos dias envolvem os confrontos finais com o peixe.

 

Pois bem, agora vamos falar sobre o livro em si. Como deu para ver, o livro é diferente do filme – algo muito comum – e apresenta momentos que foram aproveitados no longa de Spielberg, mas, a partir da segunda parte, temos uma história um pouco mais dramática, onde a rotina de Brody e dos demais personagens é apresentada, quase nos mínimos detalhes.

 

No entanto, um dos maiores problemas do livro, para mim, é a caracterização dos personagens. Se na primeira parte é possível ter simpatia por eles, o mesmo não pode ser dito da segunda parte, porque somos apresentados a Hooper, o oceanógrafo que chega à cidade para ajudar as autoridades. Ao contrario do filme, Hooper é mostrado como um personagem arrogante, que acha que sabe mais do que os outros por causa de sua profissão, apesar de às vezes se mostrar prestativo.

 

Os demais personagens também possuem caracterizações bizarras. Ellen, por exemplo, é descrita como uma dondoca que se arrepende de ter abandonado a vida de luxo que tinha após se casar com Brody; e o prefeito Vaughn, apesar de estar mais preocupado com a situação financeira da comunidade, em certos momentos, se mostra como um homem covarde e beberrão, que se envolve com membros da máfia de Nova York. Claro, não vejo nenhum problema com a visão pessoal do autor, mas em certos momentos, eu não consegui engolir as caracterizações dos personagens.

 

A escrita de Benchley é muito boa, porque em sua estreia, o autor conseguiu descrever o que queria mostrar com habilidade, principalmente as cenas envolvendo a cidade. No entanto, em certos momentos, ele apresenta algumas falhas, como descrever situações que parecem deslocadas ou extensas demais. O principal problema é que no final de alguns capítulos, o autor resolveu colocar cenas que não condizem com a narrativa, apenas para preencher espaço – na minha visão. As cenas de ataques são descritas muito bem e o suspense é construído aos poucos e consegue prender a atenção.

 

No entanto, o maior problema do livro é a relação entre Brody e Hooper. Desde o primeiro encontro, o autor faz questão de colocar um atrito entre eles, e tal atrito vai aumentando ao longo da historia, beirando ao exagero. E a coisa piora principalmente por causa do envolvimento de Hooper com Ellen, que, conforme mencionei acima, parece ter saído do nada, por causa de uma relação que ela tinha com o irmão dele.

 

A personalidade de Brody também apresenta um grave defeito na segunda parte, na sequencia do jantar. Durante toda a sequência, Brody é descrito como alguém extremamente desagradável, que não está nem um pouco à vontade com a situação, mas não se esforça para mudar. Na verdade, eu não gosto muito dessa sequência, porque ela parece sair do nada, a fim de mostrar como as personalidades dos envolvidos são fúteis.

 

E para finalizar os problemas, eu achei o final do livro muito apressado, com a solução acontecendo de uma vez, de forma quase impossível de acompanhar na leitura.

 

E o principal problema, não se refere ao livro como um todo, mas sim à tradução da editora DarkSide, que apresentou erros na escrita, principalmente nos diálogos. Para uma melhor leitura, eu recomendo a edição clássica da Círculo do Livro.

 

Mas, deixando esses problemas de lado, eu digo que Tubarão é um ótimo livro e serve como um bom pontapé inicial para quem não conhece a história, e para quem conhece apenas o filme.

 

Enfim, Tubarão é um livro muito bom. Uma história de horror e aventura escrita com grande habilidade, com momentos de tensão e suspense que prendem o leitor. Recomendado. 


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sexta-feira, 26 de agosto de 2022

TUBARÃO 3 (1983). Dir.: Joe Alves.

 

NOTA: 8.5



Em 1975, Steven Spielberg lançou Tubarão, que rapidamente, tornou-se o primeiro blockbuster da historia, arrecadando mais de US$ 100 milhões em bilheteria. O sucesso do filme inspirou a Universal a produzir uma sequência, lançada quatro anos depois, que também foi bem-sucedida. E quatro anos depois, o estúdio lançou uma nova sequência.

 

Podem me julgar, mas eu adoro TUBARÃO 3! Para mim, é o meu favorito da franquia Tubarão, porque foi o filme que eu mais vi quando era criança.

 

Talvez o motivo seja porque eu não me assustei tanto com ele como me assustei com o primeiro filme, até porque, este aqui tem um clima diferente. Ao contrario dos anteriores, que se passam em Amity Island, aqui a ação é transferida para a Flórida, para um parque aquático, uma espécie de Sea World.

 

Além disso, ao meu ver, o filme não tinha tantas cenas assustadoras assim, e o tubarão-fêmea não metia tanto medo assim também.

 

Bom, então, como puderam ver, eu gosto desse filme e me divirto toda vez que o vejo, principalmente com as cenas envolvendo o tubarão-fêmea, mais detalhes sobre isso adiante.

 

Conforme mencionado acima, Tubarão 3 estava em desenvolvimento pela Universal, inclusive, por Richard D. Zanuck e David Brown, os produtores dos dois primeiros filmes. Segundo Brown, a ideia original era fazer uma parodia do gênero, mais focada na comédia; eles tinham inclusive um título – Jaws 3 X People 0 - ; um roteiro – escrito por John Hughes, que pode ser encontrado na internet – e um diretor em mente – o diretor Joe Dante, que fez Piranha em 1978.

 

No entanto, as ideias de ambos foram descartadas e o filme foi mandado para o Limbo. Coube então ao roteirista Carl Gottlieb – que escreveu os dois primeiros – a tarefa de reescrever o filme, com ajuda do mestre Richard Matheson – autor de Eu Sou a Lenda. Entretanto, conforme mencionou em uma entrevista, Matheson declarou que suas ideias para o filme não foram aproveitadas, mas seu nome foi mantido. Por qual motivo, jamais saberemos...

 

O fato é que aqui temos um filme completamente diferente do que havia sido apresentado na franquia – tanto que existem teorias que dizem que o filme nem deveria ter se chamado Tubarão 3, por causa do distanciamento do Clássico de Spielberg.

 

Se isso é verdade ou não, não sei. O que eu sei é que este é um ótimo filme; tem seus problemas, tem, mas nada que impeça a gente de se divertir com ele, e não leva-lo tão a sério, como muitas pessoas devem fazer.

 

Vamos aos problemas. Em certo momento do filme, dois ladrões entram no parque para roubar corais e vender no mercado ilegal, mas acabam sendo mortos pelo tubarão. Certo. No entanto, tal evento nunca mais é mencionado, nem o veículo dos homens é apreendido ou encontrado... Então, não havia motivo para essa sequência toda estar no filme. Esse problema já foi apresentado em outros lugares, e eu concordo com quem o considera um furo de roteiro. Outro problema é o 3D, muito comum na época para filmes de terror que entravam em sua segunda sequência, conforme mencionei antes. Aqui temos o velho artificio de jogar coisas na lente, como gotas d´água e pedaços das presas do monstro. E quando um filme em 3D é convertido para 2D, em lançamentos em mídia física, o efeito na imagem fica muito estranho... No entanto, na minha opinião, os piores problemas são os golfinhos – Cindy e Sandy – e algumas cenas entre Brody e Kay, sua namorada. Os golfinhos se tornam quase onipresentes, chegando ao ponto de ajudar os protagonistas no final do filme... Além disso, Kay é muito apegada a eles. Eu entendo isso, mas acho que aqui ficou muito exagerado. E as cenas entre ela e Mike às vezes ficam muito forçadas também, tanto que eles não funcionam como casal.

 

Mas, deixando os problemas de lado, vou me concentrar no tubarão-fêmea agora. O monstro é a melhor coisa do filme, com seus 10m de comprimentos e fome por carne humana. Desde o seu surgimento – que demora um pouco – ela se mostra como uma máquina de matar, que não poupará ninguém que estiver em seu caminho. O design do animal também é muito legal, não lembrando nada o design de Bruce e seu colega Scarface. Eu particularmente gosto muito do tubarão-fêmea, e as cenas dela são as melhores, principalmente o pandemônio que ela causa no parque diante do público apavorado; o ataque a FitzRoyce também me agrada muito; e o final quase épico nas instalações do parque. Além da fêmea, também temos o seu filhote, que desencadeia toda a trama antes do surgimento da ameaça principal. Ele protagoniza um dos melhores momentos do filme, quando os personagens decidem leva-lo para o parque para estuda-lo, numa sequência de mergulho noturno arrepiante.

 

Mas o melhor fica após que a fêmea aparece, e provoca pânico e destruição no parque, começando pelos esquiadores diante do público e terminando nos tuneis. Eu adoro essa sequência, principalmente por causa dos gritos das pessoas ali presentes, algo que me agrada muito nos filmes – o medo do público impotente diante de uma situação de terror. A sequência nos tuneis também é muito legal, novamente com o pânico das pessoas.

 

Antes de encerrar, deixe-me comentar sobre os polêmicos efeitos dos tubarões. Eu pessoalmente não vejo nenhum problema com eles, visto que eram os efeitos comuns da época, principalmente por causa do orçamento limitado. E os efeitos no final do filme, considerados os piores da história, também são bem legais, com direito até a stop-motion. Hoje em dia temos efeitos especiais muito piores, em filmes muito piores.

 

Tubarão 3 estreou em 22/jul/1983, e foi bem de bilheteria, arrecadando US$ 88 milhões. Em compensação, as criticas foram – e continuam sendo – negativas, e o filme recebeu cinco indicações ao Framboesa de Ouro, incluindo a de Pior Filme. Chegou a ser lançado em VHS e DVD no Brasil, mas atualmente está fora de catálogo.

 

Enfim, Tubarão 3 é um filme muito divertido. Uma história de suspense com toques de claustrofobia, que diverte o espectador, apesar de seus defeitos.  Os efeitos especiais do tubarão são a melhor coisa do filme e rendem cenas muito legais e memoráveis. O meu filme de tubarão favorito. Muito divertido. Recomendado.



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sexta-feira, 5 de novembro de 2021

TUBARÃO 2 (1978). Dir.: Jeannot Szwarc.

 

NOTA: 9.5



Tubarão, o Clássico de Steven Spielberg, lançado em 1975, tornou-se o primeiro filme blockbuster da história, arrecadando mais de US$ 100 milhões em bilheteria.  Motivados pelo sucesso do filme, os executivos da Universal logo se animaram para lançar uma sequência.

 

Lançado em 1978, TUBARÃO 2 foi dirigido por Jeannot Szwarc, e contou novamente com alguns membros da equipe e elenco do primeiro filme. Até hoje, é considerado a melhor sequência do filme de Spielberg, talvez por ainda contar com elementos de tensão e suspense. E realmente, é uma excelente continuação.

 

Devo dizer que esse foi um dos últimos filmes da franquia Tubarão que eu assisti, porque o meu contato com a franquia se deu da seguinte maneira: o primeiro eu assisti o Clássico; depois, veio o terceiro filme (1983); em seguida, este aqui; e por último, o quarto filme (1987). E confesso que fui pego de surpresa.

 

Sinceramente, como já estava acostumado com os filmes de tubarão, eu esperava que Tubarão 2 fosse um filme completamente diferente, com maior presença do vilão e maior número de mortes. E o que vi foi exatamente o oposto, principalmente no número de mortes, mas, mais detalhes sobre isso adiante.

 

Realmente, Tubarão 2 é um ótimo filme, e o principal motivo para isso seja o próprio desenvolvimento do longa. Os produtores Richard Zanuck e David Brown – que também produziram o original – tinham várias ideias em mente para o filme, chegando inclusive, a contar com sugestões do autor Peter Benchley, e até mesmo do próprio Spielberg, que acabaram abandonando o projeto. Após algumas sugestões, eles perceberam que o publico iria gostar de rever os personagens e o cenário do filme anterior, então, eles foram trazidos de volta.

 

O filme se passa quatro anos após os incidentes do primeiro filme, então, fomos levados de volta à Amity Island, com o Chefe Brody e os demais personagens, com adições de outros, principalmente os jovens. De fato, além dos filhos de Brody, aqui temos um elenco de jovens personagens, cuja principal atividade é sair para velejar. Além dos jovens, temos também outros adultos, entre eles, o dono do grupo imobiliário de Amity, que agora assume o posto de autoridade incrédula.

 

Sim, aqui temos isso novamente. Na verdade, talvez para os mais exigentes, Tubarão 2 pode parecer uma refilmagem malfeita do primeiro filme, uma vez que temos os mesmos elementos da trama anterior. Na verdade, não é bem assim. Mesmo contando com o elemento das autoridades incrédulas, o filme é bem diferente do original, principalmente em se tratando da trama. Aqui, nós temos um pouco mais de oportunidade de acompanhar a vida na cidade, e como o Chefe Brody exerce sua função perante todos. No primeiro filme, nós até já tivemos essa oportunidade, mas aqui, podemos desfrutar um pouco mais. E é muito bom retornar à Amity Island.

 

Conforme mencionado acima, aqui nós temos o retorno do Chefe Brody, novamente interpretado por Roy Scheider; e além dele, Lorraine Gary e Murray Hamilton retornam nos seus respectivos papéis, e também é muito bom vê-los novamente em cena. E além do elenco, e dos produtores Zanuck e Brown, o roteirista Carl Cottlieb e o design de produção Joe Alves também retornaram.

 

O elenco jovem também é um destaque. Muitos dos jovens atores eram inexperientes e logo no primeiro filme, apresentaram boas performances. O melhor é que aqueles atores realmente parecem jovens locais, que gostam de passar o tempo juntos, bebendo cerveja e se divertindo em grupos. E como em todos os grupos de jovens, nós temos aqui a famosa hierarquia, onde os perdedores são separados dos demais. No entanto, quando a situação se agrava, todos se unem para sobreviver à ameaça. Muito legal.


Outra coisa que deve ser mencionada é a direção de Szwarc. O diretor é muito bom no que faz, principalmente com seus ângulos elaborados atrás do tubarão; além disso, ele se mostra um ótimo diretor de atores, visto que seu elenco arranca ótimas performances, conforme mencionado. 


Tubarão 2 voltou a contar com John Williams na trilha sonora, e, ao contrário do que muitos devem pensar, o compositor não reaproveitou a trilha do filme de Spielberg; ao contrário, aqui temos uma trilha sonora diferente, com mais tensão e momentos líricos, com direito a harpa. Mas, não se enganem, a trilha sonora do primeiro filme ainda é a melhor de todas. 

 

E claro que não posso encerrar esse texto sem mencionar o tubarão. Segundo o designer de produção, Joe Alves, a equipe de efeitos especiais utilizou os mesmos moldes usados em Bruce para construir o peixe, com algumas diferenças. Claro, temos, por exemplo, a barbatana dorsal com o mesmo design, mas a face do tubarão é diferente, principalmente porque não tem aqueles dois detalhes na mandíbula. E assim como seu antecessor, o animatrônico apresentou problemas ao ser colocado na água, o que causou atrasos na produção. Mas a melhor parte, é a característica marcante do vilão: sua face queimada, cheia de cicatrizes, resultado do seu segundo ataque. Sem duvida, é o visual mais marcante do filme. E também temos tomadas de tubarões reais, novamente cortesia de Ron e Valerie Taylor.



E como mencionado acima, o filme apresentou alguns problemas nas filmagens, que também envolveram as câmeras utilizadas, principalmente devido às condições do tempo. Os barcos a vela também trouxeram problemas, principalmente quando começam a tombar durante o ataque do tubarão. Outras dificuldades técnicas incluem o uso das câmeras submarinas, na cena do jet-ski. A ilha artificial também trouxe problemas, visto que acabou se soltando de seu ponto de apoio e se deslocou em direção à Cuba. E o tubarão também apresentou dificuldades para funcionar em determinadas cenas. 

 

Tubarão 2 foi novamente rodado em Martha’s Vineyard, em Massachusetts. No entanto, a equipe permaneceu na locação durante 3 ou 4 semanas, e foram para a Flórida para filmar as cenas no mar. E além disso, algumas cenas debaixo d’água foram rodadas na Califórnia e nos tanques da MGM, e o realismo mais uma vez ficou evidente.

 

Para finalizar, Tubarão 2 teve sua contagem de cadáveres reduzida, visto que, segundo Zanuck e Brown, eles iriam perder seu público-alvo, os adolescentes, que iriam ao cinema para se divertir. E, após o sucesso do filme, os dois produtores logo se entusiasmaram para produzir uma nova sequência, o famigerado Tubarão 3 X People 0, que nunca foi produzido, mas chegou a ter um roteiro escrito por John Hughes e chegou a escalar o diretor Joe Dante para comandá-lo, mas, como sabemos, o projeto foi abortado.

 

Tubarão 2 foi lançado em 16/jun/1978, e tornou-se um sucesso de bilheteria, arrecadando US$ 208 milhões de dólares, apesar das críticas mistas. Foi lançado no Brasil em DVD, mas atualmente, está fora de catálogo.

 

O sucesso do filme inspirou a produção das próximas sequências, Tubarão 3, lançado em 1983 e dirigido por Joe Alves; e Tubarão – A Vingança, lançado em 1987 e dirigido por Joseph Sargent. No entanto, apesar do sucesso deste filme, as duas ultimas sequências são consideradas as piores, principalmente o último filme, que sepultou a franquia, mas não as imitações de quinta categoria...

 

Enfim, Tubarão 2 é um filme excelente. Uma sequência digna do primeiro filme, mesmo não contando com o brilhantismo de seu antecessor, mas mesmo assim, querido por muitos. O retorno do elenco original, aliados a um roteiro inspirado e uma direção afiada, fazem desta a melhor sequência do Clássico de Steven Spielberg. Um filme cheio de tensão e medo. Maravilhoso. 




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sexta-feira, 2 de julho de 2021

CANINOS BRANCOS (Jack London).

 

NOTA: 9.5



Eu adoro lobos-cinzentos. São algumas das minhas criaturas favoritas, principalmente por causa de sua beleza. E eu já comentei sobre eles. A primeira vez foi sobre o meu primeiro livro, O Vale dos Lobos, publicado em 2014, pelo Grupo Editorial Scortecci; e a segunda vez foi sobre o filme Lobos (1981), filme de terror que me inspirou a escrever o livro.

 

E aqui estou, mais uma vez, para falar sobre lobos. Mas desta vez, não será uma história de horror. Pelo contrário, é uma história linda: CANINOS BRANCOS, do autor Jack London.

 

Na verdade, este texto é sobre uma releitura, uma vez que eu já havia lido o livro antes, numa edição da Editora Martin Claret. No entanto, aquela não foi uma leitura muito prazerosa, porque eu resolvi ler cada uma das partes do livro num dia diferente – o livro é dividido em cinco partes. E nessa leitura, eu não me agarrei com firmeza na história.

 

Bom, agora com essa releitura, a coisa foi diferente. Eu pude me prender à leitura no tempo certo, lendo um pouco de cada vez, principalmente porque o livro é composto basicamente por texto, e não contem muitos diálogos.

 

Aliás, preciso dizer que esse é um detalhe que torna a leitura desse livro complicada, uma vez que London faz uso de muito texto para descrever as aventuras de seu personagem-título. Mas ao mesmo tempo que é uma leitura complicada, é também prazerosa e impressionante porque eu quase não leio livros com poucos diálogos e poucos personagens humanos.

 

Isso mesmo, quase não temos personagens humanos nessa história, e faz sentido, porque não é uma história sobre pessoas, mas sim, sobre um lobo.

 

London faz deste livro quase uma biografia do personagem, contando para nós como e onde ele nasceu, passando por sua juventude, até chegar a vida adulta. Se isso não é uma biografia, não sei o que deve ser. E o autor não poupa Caninos Brancos de perrengues, e que perrengues. Existem passagens violentas no livro, que cortam o coração do leitor, e é difícil escolher a pior. Eu confesso que enquanto estava lendo, eu senti um aperto no coração.

 

E as coisas pioram quando ele se torna propriedade de um homem branco que o compra de um cacique. Não vou dizer o que acontece, para não dar spoilers, mas é tão terrível quanto os perrengues que ele enfrenta na floresta e na aldeia dos índios.

 

Mas apesar disso, Caninos Brancos é um grande livro. London se mostrou um excelente autor, e soube contar sua história com total maestria. E o livro contém grandes cenas, todas protagonizadas pelo personagem-título; as melhores, na minha opinião, acontecem no final da história.

 

Antes de encerrar, devo dizer que o motivo que me levou a ler – ou nesse caso, reler – o livro foi a adaptação lançada em 1993 e produzida pela Disney. É um filme excelente, e durante a leitura, eu pude visualizar o ator animal que interpretou o lobo, o cão Jed.

 

Essas são as qualidades que fazem de Caninos Brancos um livro excelente e um grande romance do escritor Jack London.

 

Enfim, esse é um excelente livro. Uma linda história de aventura, ação, drama e amor contada com uma maestria ímpar. O autor Jack London se mostrou um grande contador de histórias e criou um dos maiores romances dos Estados Unidos. Um livro maravilhoso. Altamente recomendado.



JACK LONDON


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segunda-feira, 31 de maio de 2021

CRUELLA (2021). Dir.: Craig Gillespie.


NOTA: 10



Devo dizer que desde o seu surgimento, no começo da década passada, os novos live-actions da Disney tem dado o que falar. Até o presente momento, fomos presenteados com novas versões das animações clássicas do estúdio, algumas boas e outras ruins. No entanto, uma coisa é justa: todos foram sucesso de bilheteria.

 

Pois bem, hoje vou falar sobre um deles, de cara, um dos melhores: CRUELLA (2021), filme de origem de uma das maiores vilãs do estúdio.

 

O que posso dizer sobre ele? Bem, vou ser direto. É um filme espetacular! Sem duvida, um filme onde tudo contribui a seu favor, e consegue deixar qualquer um de queixo caído.

 

Cruella é magnifico, um verdadeiro show de extravagância, cores, luzes, e, principalmente, estilo. É sério. Quem conhece a personagem sabe que ela tem estilo sobrando para dar e vender, mas, ter a oportunidade de ver de onde tudo surgiu e como começou é uma experiência única. Ou seja, Cruella é um filme de origem.

 

Todos nós sabemos que são filmes de origem, e, francamente, alguns são até dispensáveis. Mas, esse não é o caso. Confesso que Cruella é aquela personagem que não precisa ter seu passado mostrado, mas, aqui, eles conseguiram fazer isso de uma forma brilhante, sem apelar para o óbvio. E o melhor, não transforma a personagem em uma vítima, ou sugere que ela no fundo é incompreendida. Não. Aqui, temos a verdadeira Cruella De Vil, a Rainha da Maldade, esbanjando glamour e... crueldade.

 

Eu confesso que desde o primeiro trailer, a minha empolgação estava lá em cima, e após assistir ao filme, eu pude ver que eu estava certo. O filme é tudo aquilo que prometeu e um pouco mais. É divertido, tenso, dramático, engraçado e cheio de ação. E não passa pano nas maldades de sua protagonista, conforme mencionado. E no fundo, está certo. Se uma personagem é má, deve-se mostra-la como tal, e não tentar apresentar um argumento fajuto de que ela foi mal interpretada.

 

O que temos aqui é o nascimento daquela Cruella que nós conhecemos e amamos, sempre esbanjando glamour e estilo com toda a pompa. E que estilo. Os figurinos são espetaculares, cada um melhor que o anterior. Um verdadeiro desfile na tela, literalmente.


A direção de arte e o design de produção também merecem pontos. A Londres da década de 70 é muito bem retratada, toda colorida e exuberante.


E a própria direção é fantástica. O diretor Gillespie fez um excelente trabalho e arrancou performances inspiradas de seu elenco, principalmente de Emma Stone e Emma Thompson, nos papeis de Cruella e da Barones, respectivamente. Ambas as atrizes brilham nos papéis, assim como o restante do elenco.

 

Devo dizer que o filme respeita, e muito, os materiais de origem, no caso, a animação de 1961, e o livro de Dodie Smith, sem apelar para easter eggs forçados. Aqui, temos, sim, easter eggs, mas são aqueles easter eggs respeitosos, que aparecem porque devem aparecer, e não para lucrar em cima do material original. Além disso, o roteiro não dá quase nenhuma dica explicita a respeito da historia original, apenas apresenta seus personagens principais, mas não dá tanto destaque; então, sim, aqui temos Roger e Anita, mas eles são reduzidos a coadjuvantes, uma decisão mais do que acertada. E quem conhece a história, seja da animação, seja do live-action de 1996, sabe que Cruella e Anita têm uma relação de longa data, algo mostrado aqui de maneira rápida, mas também acertada.

 

E o que é de Cruella sem os dálmatas? Bom, não espere os 101 dálmatas da história original. Aqui, nós temos apenas três, e já é o suficiente para estabelecer a relação da vilã com eles. Aliás, relação essa que vem desde o passado, conforme mostrado no prólogo.

 

Aliás, o prólogo é outro acerto do roteiro, mostrando o passado conturbado da protagonista, sua relação com as pintas e como conheceu seus capangas, Horácio e Gaspar. Inclusive, o roteiro adota uma sacada que, acredito eu, nunca havia sido abordada antes: Cruella, Horacio e Gaspar se conhecem há muito tempo e são velhos parceiros no crime.

 

Aliás, crimes é o que não faltam, principalmente roubos. Então, além de ser um filme origem, é um filme sobre roubos, no melhor estilo do gênero, e do tipo que empolga.

 

Eu confesso que fiquei empolgado nas cenas de ação, justamente porque elas são muito bem feitas. E o que seria de Cruella sem um pouco de ação, não é? Vimos isso na animação e também nos dois live-actions. E mais uma coisa: não espere cenas para crianças, porque temos algumas que realmente não são apropriadas para menores – mas sem nada muito pesado.

 

Para finalizar, vou repetir: o filme cumpriu as minhas expectativas e as superou desde a primeira cena.

 

Enfim, Cruella é um filme excelente. Divertido, empolgante, engraçado, dramático e cheio de ação. Figurinos espetaculares, combinados com uma direção de arte maravilhosa, uma direção firme e um elenco afiado, formam uma excelente combinação e criam um filme que enche os olhos. Maravilhoso e cheio de surpresas e diversão. Excelente. 





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sexta-feira, 26 de março de 2021

EVANGELHO DE SANGUE (Clive Barker).

 

NOTA: 8



Não há duvidas que o universo de Hellraiser, criado pelo escritor Clive Barker, é um dos mais ricos do terror. Em Hellraiser, o autor deu uma pequena amostra de como esse universo funciona, apresentando aquele que seria o personagem principal desse universo: o Cenobita Pinhead. Além disso, Barker mostrou que não estava para brincadeira, e criou uma historia banhada em sangue e sexo.

 

EVANGELHO DE SANGUE é mais uma historia do autor ambientada nesse universo, e também serve como uma espécie de prequel dos eventos narrados em Hellraiser. Aqui, o autor apresenta os dois principais elementos do universo de Hellraiser: a caixa de Lemarchand e o próprio Pinhead, descrevendo ambos nos mínimos detalhes, ao contrario do que fizera no livro anterior. Mas não é só isso.

 

Em Evangelho de Sangue, Barker mostra mais uma vez que é um escritor afiado, com uma escrita que penetra na mente do leitor com uma força impressionante. As descrições que ele faz dos cenários é muito bem feita, e não fica difícil para o leitor imaginá-los em sua mente; o mesmo vale para as cenas ambientadas no Inferno, quando Harry e seus amigos vão resgatar Norma. Não sei como foi para os outros leitores, mas eu consegui visualizar aquele Inferno como um lugar de fantasia, com um tom branco ou cinza, ou invés do tradicional vermelho. Barker o descreve quase como uma espécie de jardim morto, com tudo que tem direito. O mesmo vale para os demônios. Eles são descritos como criaturas humanoides, mas sem os chifres e asas de morcego. Sem duvida, uma visão diferente e original.

 

E da mesma forma que fizera no livro anterior, Barker começa a historia com os dois pés no peito, apresentando cenas grotescas de violência e sexo já no prologo. E o restante da historia vai pelo mesmo caminho. Durante toda a leitura, o leitor não é poupado de cenas dignas de pesadelos, com toques grotescos de violência, e principalmente, sexo. Isso mesmo. Barker mistura sangue e sexo em todos os momentos, de uma forma assustadoramente natural, e cada vez que isso acontece, é chocante, e o autor não mostra pudor nenhum, principalmente quando descreve o que as criaturas estão fazendo com seus “membros” – para usar um termo “leve”. É praticamente um terror pornográfico.

 

E falando em terror, novamente, esqueça os torture porn da vida: as cenas de horror descritas por Barker são dignas de pesadelo, com o sangue escorrendo aos montes; claro, não chegam aos pés do livro anterior, mas conseguem ser quase tão grotescas quanto – não há outra palavra para descrever. Com certeza, não é tipo de leitura recomendada para leitores de coração fraco.

 

Os personagens humanos são muito bons e quase parecem pessoas reais, com a diferença que todos têm ligação com o sobrenatural, principalmente o protagonista, o detetive Harry D’Amour. Desde que ele surgiu na historia, eu o visualizei como um detetive particular de filme noir, com o casaco e o chapéu. Aliás, as cenas de investigação do personagem quase parecem com cenas de um filme noir, daqueles clássicos, estrelados por Humphery Bogart. Os outros personagens também são bem descritos, cada um com sua característica própria.

 

No entanto, apesar de contar uma historia muito boa, Barker cometeu alguns erros. O primeiro deles acontece no prologo, quando ele apresenta um demônio-fêmea que nasceu em uma cena grotesca. Eu achei que aquela personagem seria relevante para a historia, mas ela simplesmente desaparece. Eu pelo menos não consegui reencontrá-la. Outro ponto negativo acontece no Inferno, quando Pinhead comete um ato de violência contra Norma, ato esse que não faz parte de seu repertorio. E eu também achei a historia de Lúcifer incompleta.

 

Aliás, esse é outro ponto. Barker criou um universo tão original para os Cenobitas, com um deus próprio, o Leviatã e também o Engenheiro, e aqui, ele apresenta justamente Lúcifer como líder do Inferno. Apesar de descrever uma batalha épica entre ele e Pinhead, eu achei que o autor poderia ter utilizado outra criatura para comandar o Inferno, até porque, como eu disse, a descrição do Inferno não combina com a imagem clássica que temos dele.

 

No entanto, devo dizer que o autor criou, sem duvida, uma batalha épica. Ele mostra que Pinhead está disposto a tudo para tomar o poder e não tem medo de derrubar Lúcifer, mesmo que para isso, tenha que derrubar o próprio Inferno. Toda essa sequencia da luta entre eles é espetacular, com direito a armadura e sangue, muito sangue. E quando Lúcifer ressurge, a atmosfera épica continua. E no final, temos quase um Pinhead arrependido do que fez. Muito bom.

 

E aqui também temos a Caixa de Lemarchand, que abre o portal para o Inferno dos Cenobitas. Como mencionado acima, quando Barker a introduz, faz questão de descrevê-la nos mínimos detalhes, descrevendo até a musiquinha que ela produz ao ser aberta. Por um momento, eu até havia me esquecido dela, mas quando ela retorna, é uma surpresa. E ainda falando do universo de Hellraiser, aqui temos também as clássicas correntes com ganchos; e elas fazem um estrago. Sério.

 

Bem, seja como for, o fato é que Evangelho de Sangue é um livro muito bom; não chega aos pés de Hellraiser, mas, se me perguntassem se merecia uma adaptação para o cinema, eu diria que sim, dependendo de quem assumisse as rédeas.

 

Enfim, Evangelho de Sangue é um livro muito bom. Uma historia épica de terror com toques grotescos de sangue e sexo. A escrita de Clive Barker prende o leitor com suas cenas dignas de pesadelo. Uma viagem literal ao Inferno, onde poucos saem com vida. O reencontro com Pinhead, o principal personagem do universo de Hellraiser. Um livro sangrento e arrepiante. Recomendado.



 

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