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terça-feira, 15 de outubro de 2024

A NOITE DOS DEMÔNIOS (1988). Dir.: Kevin S. Tenney.

 

NOTA: 8.5


A NOITE DOS DEMÔNIOS é um dos filmes de terror mais cultuados de todos os tempos.

 

Além disso, é um dos filmes mais arrepiantes e divertidos que eu já vi, mesmo após ter visto as continuações.

 

Na verdade, eu não sei se o filme é de fato cultuado lá fora, mas acredito que a sua vilã principal, a adolescente Angela, seja uma das figuras mais conhecidas do gênero.

 

Este é um grande filme com temáticas de Halloween e possessão demoníaca, e os aborda de maneira bem sincera, e principalmente, faz questão de ser arrepiante.

 

O longa é também parte daqueles filmes de terror dos anos 80 que possuem um roteiro bem criativo, aliado a uma técnica de direção afiada, que foca em detalhes importantes da narrativa.

 

Na trama, a adolescente Angela promove uma festa de Halloween numa casa funerária abandonada. Durante a festa, ela propõe uma brincadeira com um espelho da casa, e, após o espelho cair acidentalmente, um demônio é libertado e todos passam a ser possuídos.

 

É uma trama básica de possessão demoníaca, não? Somando isso o fato do filme se passar no Halloween, deixa-o ainda melhor e mais sinistro.

 

A Noite dos Demônios é um filme muito criativo, a começar pela técnica de direção de Kevin Tenney, que faz uso de câmeras que simulam o ponto de vista da entidade, a lá Uma Noite Alucinante, além de truques impecáveis de maquiagem, e uma trilha sonora inspirada.

 

O elenco de jovens também está afiado, principalmente a atriz Amelia Kinkade, que interpreta a icônica Angela, com seu vestido de noiva negro e brincos de cruzes. Ao lado de Amelia, Linnea Quigley também brilha, com sua divertida Suzanne, que está sempre preocupada com a maquiagem. Quem também funciona é Cathy Podewell, no papel da heroína Judy, que pode ser considerada uma final-girl.

 

Mas não se engane. A maquiagem é o grande destaque, e os efeitos funcionam muito bem. O maquiador Steve Johnson criou grandes coisas, e a aparência dos demônios é muito boa e não exagerada, o que é de bom tamanho. Eu diria que o visual de Angela é o melhor, com seus dentes afiados e voz grossa, combinado com o figurino negro. A personagem retornaria nas continuações com o mesmo visual.

 

É possível perceber que os demônios aqui têm as suas próprias regras, e elas funcionam muito bem. A possessão acontece após um contato imediato, e afeta também aqueles que morrem nas mãos dos demônios.

 

O design de produção também merece destaque, principalmente a casa funerária abandonada. O lugar é aquilo que se pode esperar de um filme de terror, com as janelas cobertas por tábuas, corredores escuros e luminosidade muito limitada. E quando os personagens tentam fugir dos demônios, a casa parece se transformar em um labirinto, o que deixa as cenas de terror ainda mais angustiantes.

 

No entanto, apesar do roteiro esperto, que dá foco a pequenos detalhes, como o fato dos brincos de Angela se inverterem após ela ser possuída, existe uma questão que, ao meu ver, não foi bem explorada: a presença de água corrente abaixo da casa, o que impede os demônios de cruzar o local. Apesar de ser mencionado no começo, esse fato não retorna no final.

 

Mas, apesar desse pequeno detalhe, a Noite dos Demônios é muito divertido. Nos anos 90, recebeu duas continuações direto para vídeo, ambos que marcam o retorno de Amelia Kinkade no papel de Angela.

 

Foi lançado em DVD no Brasil na coleção Sessão de Terror Anos 80 – Vol.4, da Obras-Primas do Cinema, em versão remasterizada, com uma entrevista de Amelia Kinkade nos extras.

 

Enfim, A Noite dos Demônios é um filme muito bom. Uma história de Halloween e possessão demoníaca contada com uma grande técnica de direção, e grandes efeitos de maquiagem. Um filme muito divertido, que consegue ser assustador em determinados momentos, graças à câmera do diretor Kevin Tenney. Um dos filmes mais divertidos dos anos 80.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.


segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

O EXORCISTA (1973). Dir.: William Friedkin.

 

NOTA: 10



Existem filmes que são atemporais. Isso se refere a todos os filmes de todos os gêneros, inclusive aos filmes de terror.

 

O EXORCISTA, dirigido por William Friedkin, é um desses casos. Desde o seu lançamento, em Dezembro de 1973 – há 50 anos – ,o filme mantem o seu impacto até hoje como o maior filme de terror de todos os tempos.

 

Mas o que eu posso dizer a respeito desse filme, que não tenha sido dito anteriormente por outras pessoas ao longo dos anos?

 

Bom, acho que posso começar pelo obvio, não é? É um filme excelente. Mas por que é um filme excelente? Por vários motivos, principalmente no que diz respeito à técnica.

 

O filme foi dirigido por William Friedkin, um dos grandes nomes da Nova Hollywood, a partir de um roteiro de William Peter Blatty, baseado em seu livro.

 

Friedkin era um diretor milenar e soube empregar suas técnicas na direção do filme e faz isso muito bem. O cineasta fez uso de ângulos e movimentos de câmera criativos para criar as cenas, a partir de câmera na mão e mecanismos até então inéditos no cinema.

 

Além disso, ele soube criar cenas verdadeiramente tensas, aos poucos, até culminar na sequencia do exorcismo, que com certeza é a mais lembrada até hoje.

 

Minha historia com esse filme começou por causa da minha mãe, que assistiu a ele no cinema e se impressionou muito, tanto que ficou com muito medo, por anos. Acredito que a primeira vez que soube desse filme, foi no vídeo de comemoração de 75 anos da Warner Bros., onde foram exibidos diversos clipes de vários filmes do estúdio. Não me lembro o que aconteceu depois, mas eu descobri que a minha mãe havia assistido no cinema e tinha medo dele. Ao longo dos anos, a presença do filme foi proibida em casa, por vários motivos, até que em 2001, quando compramos nosso primeiro aparelho de DVD, a minha mãe alugou esse filme. Eu não consegui assistir a ele por completo, mas a sequencia do exorcismo me assustou muito. Ao longo dos anos, eu consegui assistir a ele por completo, e atualmente, faço isso todo ano, no mês de Outubro.

 

Mas antes de voltar a falar sobre o filme, devo dizer que essa resenha corresponde à chamada Versão que Você Nunca Viu, lançada no ano 2000, com cenas adicionais, que é a que estava disponível no mercado até recentemente.

 

Dado o recado, vamos continuar.

 

Conforme mencionei acima, o diretor William Friedkin constrói a tensão aos poucos, apostando mais no desenvolvimento dos personagens e das cenas, apresentando um pouco de terror, depois voltando a cenas dramáticas, e depois voltando para o terror, até chegar, como eu disse, na sequencia do exorcismo.

 

Ou seja, O Exorcista é contado na técnica slowburn, que é uma técnica que me chama muito a atenção, porque ajuda a criar a tensão com mais maestria e até naturalidade. Não que apresentar o terror nos primeiros cinco minutos não funcione, até funciona, mas depende do filme.

 

Outra coisa que chama a atenção é o elenco. Todos os atores estão muito bem, sem atuações exageradas ou caricatas. Quem merece destaque, com certeza, é a atriz Linda Blair, no papel mais famoso da sua carreira. A jovem atriz passa tudo aquilo que estava presente no roteiro, aliado à direção de Friedkin, e claro, os efeitos especiais de maquiagem. A jovem Regan é uma das personagens mais emblemáticas do cinema de horror de todos os tempos, sem duvida.

 

O roteiro de William Platty também é um ponto positivo. O roteiro possui umas três ou quatro histórias paralelas, que se entrelaçam com maestria, principalmente a trama do Padre Karras, que quase se torna a trama principal, porque, de acordo com o diretor Friedkin, o personagem de Jason Miller era o verdadeiro alvo do demônio; então, tudo que acontece na tela, é apenas um pretexto para atrair Karras e testar sua fé.

 

Os efeitos especiais também merecem destaque, criados pelo mestre Dick Smith. De acordo com o maquiador, ele fez vários testes até chegar ao resultado que vemos na tela, porque a maquiagem foi um desafio para ele. Até hoje, os resultados impressionam e assustam, e criaram uma das imagens mais icônicas do cinema de horror de todos os tempos.

 

Uma das questões mais pesadas do filme, é a historia do Padre Karras com sua mãe, sem duvida. É possível perceber que Karras não aguenta aquela situação, que se tornou um peso enorme para ele, principalmente porque a mãe está doente e mora sozinha. Toda vez que vejo essa historia no filme, com base em experiências pessoais, eu sinto que tudo aquilo é muito pesado para ele.

 

O Padre Merrin é outro personagem que merece ser mencionado, graças à interpretação afiada do ator Max von Sydow. A sequencia de apresentação do personagem, no Norte do Iraque, é muito boa, porque o que a gente precisa saber sobre ele, que ele é um padre mas também é um arqueólogo, e que está doente. Uma das melhores, é quando ele encontra a cabeça do demônio enterrada na terra e sua expressão facial muda na hora; e a cena final desse prologo, quando ele encontra a estátua do seu antigo inimigo, é muito boa e muito assustadora, principalmente por causa da imagem do demônio.

 

A atuação da atriz Ellen Burstyn também é muito boa, e a atriz passa toda a dor e angustia que estão presentes no roteiro, em conjunto com a direção de Friedkin. É possível perceber que aquela mãe está sofrendo com a situação da filha, e não sabe o que fazer. Primeiramente, ela leva Regan à vários médicos, mas eles não identificam nenhum problema, e enquanto isso, as manifestações demoníacas continuam; finalmente, após perceber que não há nada de errado fisicamente com Regan, ela decide procurar um padre para realizar um exorcismo, reapresentando assim, o Padre Merrin.

 

O Exorcista faz parte de uma leva de filmes que são considerados amaldiçoados, por causa de diversos fatores, acidentes e mortes que ocorreram no set de filmagem, como por exemplo, o incêndio que aconteceu um dia no set, onde apenas o quarto de Regan foi poupado, o que obrigou o diretor Friedkin a chamar um padre para abençoar os sets. Não vou entrar em mais detalhes porque acredito que não se deve mexer em um vespeiro como esse.

 

Para encerrar, vou mencionar a grande sequencia do exorcismo. Ela é, sem dúvida, a melhor sequencia do filme, onde tudo aquilo que foi apresentado aos poucos levou à ela. O que a torna assustadora é justamente a técnica de direção de Friedkin. O diretor optou por mantê-la dentro do quarto, com os padres fazendo o que podem para exorcizar o demônio de Regan, o que leva à tragédia que todos nós conhecemos. Mas é uma sequencia que impressiona e assusta é hoje, por causa de tudo que acabei de falar aqui. É uma das sequencias mais emblemáticas do cinema de horror de todos os tempos.

 

Foi lançado em Dezembro de 1973 e se tornou um campeão de bilheteria, tendo sido indicado a 10 Oscars®, mas no entanto, levou apenas dois, após um boicote armado pelos membros mais velhos da Academia. Além das indicações ao Oscar®, recebeu também indicações ao Globo de Ouro, tendo levado quatro, entre eles, o de Melhor Filme Drama. Até hoje, é considerado um dos maiores filmes de todos os tempos.

 

Está fora de catalogo há muitos anos, mas lá fora, foi recentemente lançado em Blu-ray 4k, numa celebração aos 100 anos dos estúdios Warner.

 

Enfim, O Exorcista é um filme excelente. Um filme muito bem feito, com a técnica milenar e criativa de William Friedkin, aliado a um roteiro afiado e um elenco inspirado. As atuações são excelentes, e nenhum dos atores está atuando de forma exagerada e caricata. Os efeitos especiais também são o grande destaque, principalmente os efeitos de maquiagem de Dick Smith, que criou uma das imagens mais icônicas do cinema de horror. Sem dúvida, o maior filme de terror de todos os tempos, e um verdadeiro clássico. 



segunda-feira, 13 de setembro de 2021

AMITYVILLE II – A POSSESSÃO (1982). Dir.: Damiano Damiani.

 

NOTA: 9



Não há duvidas que Amityville é uma das maiores – talvez a maior – franquia de terror do cinema. Ao todo, foram mais de dez filmes, entre as “continuações oficiais” e produções da Asylium. No entanto, a franquia tem apenas quatro filmes, lançados entre 1979 e 2017. Eu pessoalmente não considero os filmes que vieram depois de 1983, porque são todos horríveis e não tem nada a ver com a franquia original; o único que retomou a franquia foi Amityville – O Despertar, que traz a casa de volta.

 

Mas não vou falar sobre eles. Vou falar sobre o segundo filme da trilogia original, AMITYVILLE II – A POSSESSÃO, lançado em 1982 e produzido por Dino de Laurentiis.

 

Esse foi meu primeiro contato oficial com a franquia, porque foi o primeiro filme que assisti, numa edição lastimável de banca que vinha junto com o terceiro filme. Eu aluguei muitas vezes na locadora, antes de comprar quando estavam vendendo. E devo dizer que foi uma das experiências mais assustadoras da minha vida, não porque o filme é ruim, mas porque ele é muito assustador.

 

O filme tem tantas cenas assustadoras que é difícil dizer qual é a mais. Eu pessoalmente tenho muito medo da cena em que a entidade percorre a casa à noite, fazendo barulhos sinistros. Eu já assisti várias vezes, mas quando chega nessa cena, eu sinto arrepios na espinha. E devo citar também o confronto entre o Padre Adamsky e o garoto possuído.

 

O que torna essas cenas ainda mais assustadoras, além da direção, é a ausência de trilha sonora. Eu já comentei algumas vezes que é um fator determinante para criar um momento de tensão em um filme de terror, e aqui, isso é aproveitado com habilidade.

 

Apesar de ter sido lançado três anos depois do primeiro filme, Amityville II é considerado uma prequel, porque conta para nós o que aconteceu na casa antes dos Lutz se mudarem para lá. De fato, existem certos elementos que constatam tal afirmação, principalmente a questão da possessão demoníaca e os assassinatos numa noite de chuva. No entanto, há uma cena no início do filme onde as janelas da casa estão seladas com pregos, algo que acontece no primeiro filme. Eu honestamente não sei como interpretar isso, porque aconteceu anteriormente, então... Fica a critério de cada um. Dizem também que o walkman do filho mais velho é outro ponto contra a constatação de que é uma prequel, então...  Novamente, é difícil chegar a uma conclusão.

 

No entanto, o que podemos dizer com certeza a respeito de Amityville II, é que se trata de um filme sobre possessão demoníaca, pegando carona no sucesso do Clássico Absoluto O Exorcista (1973), ainda que tardiamente. É sério, eu acho que é o último filme que tentou entrar na onda do filme de William Friedkin, mas devo dizer que é um dos melhores. As cenas de possessão são realmente muito boas, graças à maquiagem, principalmente. Eu devo dizer que quando vi tais cenas pela primeira vez, principalmente a cena dos assassinatos, eu fiquei com muito medo, porque a maquiagem é muito boa, com tudo que tem direito, até mesmo voz alterada. É tudo muito bem feito.

 

Outro ponto que quero destacar são as atuações. Alguns atores até que entregam boas performances, mas, também existem momentos em que as atuações são sofríveis, principalmente na cena dos assassinatos.

 

Agora, além da questão da possessão demoníaca, existem questões um tanto quanto controversas, todas envolvendo a família. O pai é alcoólatra e dominador; a mãe é submissa e existe um clima de incesto entre os irmãos mais velhos. Além da família, devo destacar também o padre. Sinceramente, eu não o considero um padre honesto, sem pensamentos pecaminosos; pelo contrário, é evidente a atração sexual que ele sente pela filha mais velha, e isso fica claro na cena de exorcismo. Não sei se aqueles que assistiram ao filme tiveram a mesma impressão que eu, mas vou deixa-la aqui.

 

Antes de encerrar, devo mencionar também a trilha sonora, novamente composta por Lalo Schifrin. Sinceramente, eu prefiro muito mais a trilha sonora deste filme; é mais assustadora do que a do filme anterior – na verdade, há uma certa diferença entre as duas, até mesmo o uso do coro infantil – e isso fica mais evidente em cenas especificas, principalmente no final do filme, quando há o uso de instrumentos de corda.

E como sempre, temos excelentes tomadas da casa, principalmente de suas famosas janelas, dignas de arrepios, a marca registrada da trilogia.

 

Foi lançado em VHS e DVD – em edição de banca – no Brasil, mas estava fora de catálogo até que foi relançado em DVD pela Obras-Primas do Cinema no box Trilogia Terror em Amityville, em versão remasterizada.

 

Enfim, Amityville II – A Possessão é um filme assustador, com uma atmosfera de pesadelo que provoca arrepios no espectador. Um clima de medo enche o longa desde o começo e deixa o espectador apavorado. As cenas de possessão são muito boas e assustadoras, principalmente a cena de exorcismo, e a trilha sonora provoca arrepios sem o menor esforço. Um filme excelente.


Créditos: Obras-Primas do Cinema

 

Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/


terça-feira, 23 de julho de 2019

A MÁQUINA DE PASSAR ROUPA (Stephen King).


NOTA: 8



A MÁQUINA DE PASSAR ROUPA
A MÁQUINA DE PASSAR ROUPA, presente na coletânea Sombras da Noite, é um dos contos mais bizarros de Stephen King, sem duvida.

Mas, não deixa de ser divertido. Em poucas páginas, King cria uma historia de investigação policial com elementos de slasher e possessão demoníaca. Não sei de onde ele tirou essa ideia, mas o fato é que é bem legal, absurda mesmo. Mas eu gostei.

A leitura foi bem rápida, aterrorizante e principalmente, divertida. King também não nega fogo, e apresenta cenas repletas de violência e sangue, muito sangue. A Máquina faz um enorme estrago nos funcionários da lavanderia, despedaçando-os como se fossem animais no matadouro, e provocando medo nos sobreviventes. Talvez, se fosse com outro autor, a premissa seria diferente, algo como inteligência artificial ou até mesmo extraterrestre, mas King faz uso do método mais absurdo – até porque não há outro modo de descrever – para justificar o motivo de sua máquina ter se tornado faminta por carne humana: possessão demoníaca.

Não me lembro de ter lido alguma historia desse tipo antes, e, talvez para o leitor mais exigente, talvez fosse o cumulo do absurdo. Mas não para mim. Como já disse, eu me diverti muito nessa leitura.

Adorei os métodos que King utiliza para fazer seus dois personagens lutarem contra a máquina, bem como o resultado do confronto. Os dois homens fazem uso dos métodos mais comuns em casos como esses, e não parece ridículo, não. Acho que é o tipo de coisa que qualquer um faria se soubesse que tal objeto está possuído por um espirito maligno. E como King revela, a máquina não é o único objeto inanimado que se alimenta de pessoas. Não...

O fato é que A Máquina de Passar Roupa é bem legal. É uma leitura rápida, de alguns minutos, apenas – minutos esses que passam rápido; mal começou, já acabou. Simples. Vale a pena.

E antes que pensem que essa premissa de objetos possuídos é absurda, vale lembrar que na adaptação de Christine, também de King, John Carpenter utilizou o pretexto de que ela estava possuída por um espirito demoníaco, e funcionou muito bem. E aqui, também.

Não sei em qual momento da vida King encontrava-se quando escreveu a historia, e francamente não importa. Também não sei se ele tentou contar uma historia realmente seria, ou não, e também não importa. Tenho certeza que sua intenção era a melhor possível, e apesar do famoso ditado, ele entrega uma historia assustadora e violenta.

Os personagens da historia são bem simples, pessoas comuns, que encontramos no nosso dia-a-dia. O Guarda Hutton é o típico policial do bem, sempre disposto a ajudar os outros e desvendar o mistério. Cético no inicio, conforme as suas investigações vão avançando, ele começa a se convencer, principalmente quando ouve relatos de sobreviventes, e de seu amigo Jackson, que é um tipo de especialista no assunto. Enfim, personagens bacanas.

Em 1995, foi adaptado para o cinema por Tobe Hooper, em Mangler – O Grito de Terror, estrelado por Robert Englund e Ted Levine, no papel do Guarda Hutton. Eu só vi esse filme uma vez, há muitos anos, no extinto Cine Mistério, da Band; e não foi o filme todo, foi apenas o final, um final bem sangrento, diga-se. Porém, apesar de ter Robert Englund no elenco, e Tobe Hooper na direção, críticos e fãs de Stephen King dizem que é uma das piores adaptações do autor. Não sei dizer.

Enfim, A Máquina de Passar Roupa é bem legal. Um conto aterrorizante, violento e divertido. Uma historia rápida e macabra, que diverte e chega a prender a atenção.

Recomendado.



sábado, 6 de abril de 2019

O CASTELO ASSOMBRADO (1963). Dir.: Roger Corman.


NOTA: 8.5


O CASTELO ASSOMBRADO (1963)
O CASTELO ASSOMBRADO, dirigido por Roger Corman – que fez aniversário ontem – é a primeira excursão de H.P. Lovecraft no cinema. Aqui, no caso, a historia adaptada é O Caso de Charles Dexter Ward, uma das mais conhecidas historias do autor. Porém, O Castelo Assombrado não é considerado como uma adaptação de Lovecraft, mas, sim, um filme do ciclo Edgar Allan Poe, na qual Corman estava envolvido naquela época.

A razão para Corman escolher Dexter Ward foi a de que, até então, ele achava que havia trabalho em muitos filmes baseados em contos de Poe, então, resolveu escolher outro material. Então, com o aval da AIP (American International Pictures), escolheu a historia de Lovecraft. Mas, como mencionado acima, a AIP deu aval para Corman, mas, ao invés de utilizar o título da historia de Lovecraft, acabaram adotando – talvez por razoes de Marketing ou picaretagem – o título de um poema de Edgar Allan Poe, The Haunted Palace, inclusive utilizando o nome de Poe acima do título. Picaretagem ou Marketing? Vai saber.

Bem, mesmo com essa diferença, o fato é que o filme é muito bom. Realizado na década de 60, possui todos aqueles elementos dos filmes daquela época: a neblina, o cemitério retorcido, o castelo cheio de teias de aranha... Enfim, todos os elementos do Terror Gótico dos anos 60. Além desses elementos, merece destaque também a direção de arte, a cargo de Daniel Haller, que trabalhou com Corman nos filmes de Poe, e que, mais tarde, dirigiria duas adaptações da obra de Lovecraft: Morte Para um Monstro (1965) e O Altar do Diabo (1970), respectivamente, baseados em A Cor que Caiu do Espaço e O Horror de Dunwich. O trabalho de Haller é espetacular. Sua recriação da cidade Arkham é extraordinária, praticamente perfeita. Não sei como ela foi retratada em outras adaptações, mas aqui, a cidade fictícia criada pelo autor parece ter saído do papel, literalmente. Quando ela aparece, passa uma sensação de medo e claustrofobia, sensações que devem ter sido imaginadas por Lovecraft em seus textos. O castelo de Curwen também é um espetáculo, com seus corredores empoeirados, paredes cheias de teias de aranhas, e o quadro de seu proprietário acima da lareira; aliás, esse quadro já serve como garantia de muitos arrepios.

Como todos os filmes de Corman dessa época, O Castelo Assombrado é estrelado por Vincent Price, no papel principal; aliás, papeis, uma vez que ele interpreta tanto Charles Dexter Ward quanto seu ancestral, Joseph Curwen, e sua atuação é incrível. Price não tem medo de parecer exagerado, principalmente quando interpreta o vilão, após seu espirito possuir o corpo e a alma de Charles Ward. O resto do elenco também merece destaque, principalmente os atores que interpretam os habitantes de Arkham, tanto no passado como no presente; é possível ver que aqueles homens são vitimas da maldição de Curwen e o medo que sentem de seu descendente é real. Debra Paget também entrega uma ótima atuação como a esposa de Charles Ward; durante todo o filme, ela mostra-se uma mulher apaixonada pelo marido, e que teme por ele quando o terror começa a surgir. Corman sempre soube escolher mulheres bonitas para seus filmes do Poe, e aqui não foi diferente, mesmo não sendo um filme do Ciclo Edgar Allan Poe. E por fim, Lon Chaney Jr., o eterno Lobisomem da Universal, também não faz feio em sua interpretação do servo de Curwen.

Mesmo apostando mais no terror psicológico, O Castelo Assombrado possui momentos que são de fato assustadores. O melhor deles, sem duvida, é quando Charles e sua esposa são encurralados pelos habitantes amaldiçoados de Arkham nas ruas do vilarejo. É uma cena muito bem feita, onde o terror é construído aos poucos, e o resultado dificilmente sai da mente do espectador, e a maquiagem com certeza contribui para isso. Outro é o enterro de um dos habitantes da cidade, vitima da vingança de Curwen. Uma sequencia envolta em neblina, sem trilha sonora, com a figura de Curwen à distancia, observando tudo com seu olhar maligno.

Enfim, O Castelo Assombrado é um filme belíssimo, do jeito que Roger Corman sabia fazer naquela época, antes de se envolver com as produções atuais da Asylium.

Um filme muito bem feito, com toques de Terror Gótico, que enchem a tela de beleza. Bizarramente, nos créditos, o nome de Poe está grifado de maneira errada (Allen Poe ao invés de Allan Poe!). Permaneceu inédito no Brasil, até ser lançado em DVD pela Versátil Home Vídeo, na coleção Lovecraft no Cinema Vol.2.

Um ótimo inicio para a carreira cinematográfica de Lovecraft, que ganhou vida de fato, apenas nos anos 80, com o lançamento de Re-Animator: A Hora dos Mortos Vivos (1985), dirigido por Stuart Gordon, baseado no excelente conto Herbert West Reanimator.


Muito bem recomendado. 




Créditos: Versátil Home Vídeo



domingo, 17 de março de 2019

EVIL DEAD - UMA NOITE ALUCINANTE I - A MORTE DO DEMÔNIO (1981). Dir.: Sam Raimi.


NOTA: 10


EVIL DEAD - UMA NOITE ALUCINANTE I -
A MORTE DO DEMÔNIO (1981)
EVIL DEAD é um Clássico! Não apenas um Clássico do Terror, mas um Clássico do Cinema. Um marco do gore, é um filmes mais assustadores que eu já vi na vida.

Tudo começou em 2002, quando fui à locadora com meu irmão e minha mãe, como era costume nas noites de sexta-feira. Como sempre, fui à seção de filmes de terror e comecei a vasculhar as fitas. Acabei encontrando o VHS e resolvi alugar. Naquela mesma noite, botei no videocassete. O resultado foi uma noite de horror, tão grande que devolvi a fita no dia seguinte. Um tempo depois, aluguei a fita novamente e consegui assistir ao filme, com exceção da cena em que um dos monstros decepa a própria mão com os dentes – cena essa que me assustou da primeira vez. Mais tarde naquele mesmo ano, acabei comprando o DVD, que veio junto com o VHS do segundo filme, numa banca de revista. A experiência foi praticamente a mesma. Hoje em dia, reconheço o valor e a importância desse pequeno filme de horror.

Lançado em 1981, escrito e dirigido por Sam Raimi, não há duvidas de que é um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, contando com legiões de fãs no mundo todo.
Com certeza, o que torna Evil Dead tão assustador é a sua simplicidade. Rodado com um orçamento mínimo, praticamente por estudantes de cinema, é a prova de que não se precisa de um orçamento gigantesco para se contar uma boa historia, independente do gênero. Raimi conseguiu grandes feitos, principalmente técnicos, com destaque para a maquiagem dos monstros e truques de câmera, que seriam aprimorados no segundo filme, lançado seis anos depois.

Um detalhe curioso é que na época em que o filme foi lançado, o que estava em vigor no cinema de horror eram os slashers, então, Raimi e sua equipe queriam fazer uma coisa diferente, fora de realidade, como explicou o astro Bruce Campbell, anos mais tarde. E de fato, conseguiram. Filmes sobre possessões demoníacas não eram novidade no cinema na época, porém, eram sempre voltados para o cunho religioso. Até onde eu sei, antes de Evil Dead, não houve nenhum filme sobre possessão demoníaca abordada dessa maneira. E com certeza, nunca houve depois.

Como mencionado acima, o filme, além de ser um marco do horror, é um marco do gore, ou talvez, um dos mais importantes filmes gore do cinema. E falo sério. Desde o momento que o primeiro personagem é possuído pelos demônios, Raimi não nega fogo, e mostra sangue de todas as formas, saindo de todos os lugares, principalmente nos momentos finais. Antes dele, talvez o maior filme gore do cinema tenha sido O Despertar dos Mortos (1978), do saudoso George A. Romero, que logo na abertura, contava com sequencias verdadeiramente sangrentas, criadas pelo mestre Tom Savini. Mas aqui, parece que Raimi foi mais fundo, com o exagero ao máximo, o que contribui para o clima assustador da historia.

Porém, não só de horror vive Evil Dead. Em certos momentos, principalmente no inicio, o diretor pega leve com o espectador, às vezes criando um clima de filme leve, até engraçado. E mesmo depois que a coisa pega fogo, ele apresenta momentos em que nada acontece, o que também ajuda a aumentar o medo e a tensão. E não é sempre que isso dá certo.

Outra coisa que o filme ajudou a fazer, foi popularizar, e por que não, criar o subgênero Cabin in the Woods, onde os personagens vão para uma cabana nas montanhas. Talvez o exemplo mais conhecido depois de Evil Dead seja Cabana do Inferno (2003), primeiro filme dirigido por Eli Roth.

Não sei o que outros cineastas que exploraram esse subgênero fizeram em seus filmes, mas, aqui, Raimi praticamente transforma a cabana em um personagem da historia, talvez um dos personagens mais importantes da historia, uma vez que os outros não podem sair, porque os espíritos demoníacos tomaram todo o ambiente. E o pior é que, de fato, não há lugar para onde eles podem ir, conforme o protagonista Ash e sua irmã descobriram quando tentaram escapar após a polêmica sequencia das árvores – que até hoje, rende discussões. E como eles, de certa forma, também nós nos sentimos presos àquele lugar, ainda mais quando as esperanças de fugir com vida vão diminuindo à medida que todos são possuídos.

Por falar nos personagens, dois merecem destaque. O primeiro com certeza é Ash, interpretado por Bruce Campbell. Para quem conhece o personagem hoje, com seu ar de bad boy, com uma motosserra na mão, caçando e despedaçando demônios, vai se surpreender. Aqui ele é apresentado quase como um medroso, sempre gritando e hesitando na hora de matar os monstros. Isso é claramente uma forma de construir o personagem, uma vez que no segundo filme, ele se torna-se aquele Ash J. Williams que todos nós conhecemos e adoramos hoje – e que com certeza, gostaríamos de ser ou então ter ao nosso lado numa briga com os demônios da franquia. Outro que merece destaque é sua irmã, Cheryl. Se no inicio da historia, ela mostra-se uma pessoa insegura com aquela aventura, após ser possuída pelos demônios, torna-se um monstro implacável. Alias, essa sempre foi uma característica da trilogia: mesmo com os outros personagens sendo possuídos, sempre um acaba se tornando o vilão principal. E logo no primeiro filme, a coisa fica feia. A criatura não poupa o personagem principal em momento nenhum, principalmente depois que foge do porão, onde estava presa.

Para finalizar, Evil Dead é um filme cheio de fãs. Desde o seu modesto lançamento, tornou-se um dos mais importantes filmes de todos os tempos, figurando na lista dos “1001 Filmes que Você Precisa Ver Antes de Morrer”, além de receber altas avaliações em sites especializados no gênero e outros. E o reconhecimento passou para suas continuações, que também contam com altas avaliações do publico.

Em 2013, recebeu um remake, que contou com Raimi e Campbell como produtores. Como todo produto do cinema de horror atual, o remake aposta mais no clima pesado e na falta de sustos. Pelo menos, contou com efeitos práticos que conseguem ser convincentes, mas, não superam o original em nada.

Enfim, Evil Dead é um grande filme. Um verdadeiro Clássico do Terror. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Excelente.






AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.