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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

DRAGÃO VERMELHO (Thomas Harris).

 

NOTA: 9



Não há dúvidas que o Dr. Hannibal Lecter é um dos personagens mais temidos e amados de todos os tempos; talvez, o assassino favorito de todos. Seu auge foi em O Silencio dos Inocentes, segundo livro da Trilogia do personagem criado por Thomas Harris. Porém, antes de entrar na graça do público no livro do meio da trilogia, o personagem deu as caras, ainda que de forma discreta em DRAGÃO VERMELHO, primeiro livro da trilogia. Mas, ao contrário do que muitos pensam, o livro não é sobre o Dr. Hannibal Lecter, e sim, sobre o ex-agente do FBI, Will Graham, e sua busca pelo assassino conhecido como Fada do Dente.

 

Dragão Vermelho é um livro excelente, uma história policial escrita com maestria, com uma narrativa repleta de adrenalina, que prende o leitor desde o começo, tornando impossível abandonar a leitura. E o autor faz isso muito bem.

 

As cenas descritas por ele são muito intensas, com detalhes impressionantes do processo de investigação do FBI, além das cenas dos homicídios, também descritas com riqueza impressionante. Desde a primeira cena, a ação não para, e o leitor se vê obrigado a continuar a leitura, apenas para descobrir o desfecho. E existem muitas cenas assim. Uma delas é quando eles recebem uma carta do assassino para o Dr. Lecter, escrita num papel higiênico. Todo o processo para descobrir a origem do mesmo, bem como o tipo de material, é tudo descrito nos mínimos detalhes, como se o próprio autor estivesse lá, acompanhando todo o processo. É de roer as unhas, principalmente porque, segundo está no livro, o tempo é curto.

 

Esse é o outro fator. O tempo. Conforme o autor descreve, o assassino tem um determinado tempo para agir, de acordo com o calendário lunar, então, eles precisam agir com rapidez, a fim de impedir que outras pessoas sejam assassinadas. E a medida que a leitura avança, parece que o relógio também avança.

 

Os personagens são um dos pontos positivos da história. O autor os descreve como pessoas reais, cheias de problemas, falhas e humanidade; não é difícil simpatizar com eles, principalmente com o protagonista, o ex-agente Will Graham. Harris deixa claro que o policial possui uma historia conturbada, com vários traumas do passado, principalmente se levarmos em conta sua relação com o Dr. Lecter, que ele próprio ajudou a prender no passado. A cena em que os dois se encontram na cela é angustiante; dá para sentir o medo do policial e seu desespero para sair dali. E tudo isso acaba se refletindo na vida pessoal do detetive, a ponto de quase destruir sua família.

 

E claro, não dá para falar desse livro sem mencionar o Dr. Lecter. Mesmo com pouco tempo na narrativa, ele se torna o seu ponto alto, principalmente se levarmos em conta nossas experiências anteriores com o personagem, seja nos filmes ou nos demais livros da trilogia. Lecter é excelente. Um vilão frio e calculista, cujo único passatempo é se divertir a custas do medo alheio.

 

Outro personagem de destaque é o assassino, o Sr. Francis Dolarhyde, também conhecido como Fada do Dente. Harris deixa claro que o personagem possui algum ou vários traumas de infância, e que tais traumas o consumiram por inteiro, fazendo-o chegar a completa insanidade. É um personagem muito bem escrito, e por que não dizer, assustador. Ele não demonstra pudor ao executar seus crimes, utilizando de métodos bárbaros para atingir seu objetivo, transformar-se no Grande Dragão Vermelho, personificado pela clássica pintura de William Blake.

 

Aqueles que conhecem a historia graças às adaptações para o cinema, sabem que em certo momento, surge uma personagem feminina, que se torna uma espécie de interesse romântico e por que não, humano, do assassino. Pois bem, tais momentos surgem na historia no momento certo, mostrando que o autor não tem a menor pressa em desenvolver a narrativa e os personagens, conforme já mencionado. E quando esses momentos acontecem, a gente rapidamente se lembra de tê-los visto nos filmes, o que torna a leitura ainda mais rica, na minha opinião.

 

Pois bem, Dragão Vermelho é excelente. Uma narrativa policial intrigante e arrepiante, que prende o leitor desde a primeira página. A escrita de Thomas Harris é fascinante, digna de nota. Um livro cheio de suspense, mistério e ação, que pode deixar o leitor com medo de dormir com a luz apagada. Arrepiante. Assustador. Altamente recomendado. 


Acesse também:

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quinta-feira, 19 de março de 2020

DOM CASMURRO (Machado de Assis).


NOTA: 9.5



DOM CASMURRO
Capitu traiu Bentinho?

Essa é a pergunta que todos nós, que já lemos o livro de Machado de Assis alguma vez na vida, sempre fazemos. Qual o objetivo do autor ao escrever essa obra? Bem, eu sinceramente não sei. O que eu sei é que até hoje, DOM CASMURRO é motivo de discussões.

Mas é só isso que faz deste um livro fascinante? Não. Na minha segunda excursão à ele, pude perceber que é muito mais do que um livro aberto a sugestões. É um dos melhores e mais divertidos livros que já li. A primeira vez que tive contato com ele foi durante a época da escola, quando resolvi encarar alguns clássicos da nossa literatura para o Vestibular. Dos poucos livros que li, a única experiência negativa foi com A Cidade e as Serras, do autor Eça de Queirós. O resto foi muito bem, e este aqui é um deles. Eu gostei da experiência, e ao contrario do que possa parecer, não achei um livro chato e ultrapassado; pelo contrario, foi uma leitura prazerosa.

E a sensação se repetiu nessa releitura, feita mais de dez anos depois, inspirada, curiosamente, pela novela Bom Sucesso, da Rede Globo. Curioso, não? Na verdade, eu já tentei reler o livro em outra ocasião, mas, provavelmente por causa da edição, não consegui concluir, então deixei de lado. Somente depois de ver o livro sendo mencionado na novela, é que resolvi dar outra chance a ele, desta vez em outra edição. E não deu outra.

Eu me diverti muito durante a leitura, principalmente quando Bentinho relata sua infância ao lado da família. O modo como ele os descreve é muito engraçado, como se todos fossem personagens de alguma comédia, principalmente o agregado José Dias, que vive com eles. O sujeito é um verdadeiro cara de pau em todas as suas ações, e parece não ter vergonha nenhuma. É o tipo de personagem que a gente se pega rindo quando lê o que ele faz, e foi justamente assim que me senti; tive vontade de rir sempre que lia alguma linha de diálogo. A mãe de Bentinho também não fica atrás. Sem duvida, a melhor característica dela é o fato de não desistir da promessa que fizera quando o filho nasceu: ele iria para o seminário. É o tipo de insistência que chega a ser engraçada de certa forma, porque, conforme Bentinho narra, isso o coloca em diversas confusões, principalmente por causa da sua vizinha, Capitu, que também se torna seu primeiro e único amor. Não sei as outras pessoas que já leram o livro, mas, para mim, essa historia não me parece um romance e sim uma comédia romântica dramática.

A respeito da escrita do autor, digo o seguinte. É um livro muito bem escrito. Não tive muitos problemas durante a leitura, e consegui visualizar as cenas sem problemas, principalmente as cenas da infância do protagonista. Ainda não tive acesso aos outros textos de Machado de Assis, mas imagino que sejam tão bem escritos quanto este. A leitura do livro também foi rápida.

Bom, vamos à principal questão da obra. Capitu traiu Bentinho, ou tudo não passou de imaginação dele? Eu sinceramente, não sei responder. Não me lembro a que conclusão cheguei após a leitura que fiz no passado, mas após essa releitura, tudo que posso dizer é: não sei a resposta. E olha que, em certo trecho, há certa “pista” de uma possível traição; mas, mesmo após esse trecho – e antes dele até – , fica difícil confiar na palavra do Bentinho, porque Capitu sempre se mostrou muito apaixonada por ele, desde a infância. Fica a dúvida.

Esse também foi o melhor momento da leitura em minha opinião, o namoro de Capitu e Bentinho. É o típico amor de juventude, onde tudo é maravilhoso e divertido e novo. Em vários momentos, pareceu que eu tinha voltado à minha própria juventude e estava vivendo o mesmo tipo de amor – sensação essa que já havia sentido em Memórias de um Sargento de Milícias, outro clássico da literatura brasileira, e um dos meus livros favoritos.

Alias, como mencionado acima, a tal promessa da mãe do Bentinho leva o protagonista a uma serie de confusões, principalmente por causa do romance dele com Capitu. Em um dos capítulos mais engraçados, ela arma um “plano” para ajudar Bentinho a fugir da promessa, mas dá tudo errado. E essas confusões vão aumentado ao longo do livro, o que torna a leitura muito mais prazerosa.

Existem também outras cenas cômicas no livro, como por exemplo, um sonho onde Bentinho se imagina matando Capitu; ou então, quando ele pondera se deveria ou não acabar com a própria vida, em virtude de suas desconfianças... Mas existem também momentos dramáticos, principalmente no final, quando o personagem conclui sua narrativa, completamente sozinho. Não chegam a ser momentos dignos de nó na garganta, mas, servem quase como um castigo para Bentinho, por duvidar da fidelidade da esposa. Talvez.

Mas, a pergunta que fica é: Machado de Assis deixou a resposta escondida em algum lugar do livro, ou seu objetivo era mesmo fazer o leitor tirar suas próprias conclusões? Acredito que jamais saberemos.

Enfim, o fato é que Dom Casmurro é um dos maiores clássicos da literatura brasileira; um livro que até hoje gera discussões e é motivo de estudos, tanto no Brasil, como no exterior.

Um livro muito bem escrito. Uma historia romântica e divertida, com personagens memoráveis. Um clássico da literatura brasileira. Divertido. Excelente.

Altamente recomendado.

E para concluir, uma ultima pergunta. Capitu traiu Bentinho?




AVISO.

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