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quarta-feira, 24 de março de 2021

AS NOIVAS DO VAMPIRO (1960). Dir.: Terence Fisher.

 

NOTA: 9



Entre 1957 e 1974, a Hammer Films produziu uma serie de filmes protagonizados pelo Conde Drácula, criado pelo escritor Bram Stoker. Ao todo, foram nove filmes, sete deles estrelados pelo grande Christopher Lee, no papel que o consagrou como astro do horror. Somente dois filmes não contaram com o astro no elenco. AS NOIVAS DO VAMPIRO (1960) é um deles.

 

Dirigido por Terence Fisher, em seu penúltimo filme no universo do Conde Drácula para o estúdio, este é um dos melhores e um dos meus favoritos, talvez o meu segundo favorito da série, depois do terceiro filme, Drácula, o Príncipe das Trevas (1966), que é sem duvida, o melhor da série, melhor até que o primeiro filme, O Vampiro da Noite (1958).

 

Mas o filme em questão desse texto é o segundo longa da série, o primeiro que, apesar de ter Drácula no título, não contou com Christopher Lee no elenco, e o vampiro não é o Conde Drácula. Talvez a única relação com o personagem seja o Dr. Van Helsing, novamente interpretado por Peter Cushing.

 

Bom, mas vamos lá. Eu gosto muito desse filme. É um filme belíssimo, cheio de cores, com ótimas atuações e cenas arrepiantes dignas de nota. Com certeza o principal fator seja a direção de Terence Fisher, considerado um dos melhores diretores do estúdio. O diretor faz um ótimo trabalho na direção, e também se mostra um ótimo diretor de atores, e as atuações não comprometem o resultado. Todos os atores estão muito bem nos papeis, principalmente Cushing, que mais uma vez prova que é o Van Helsing definitivo do cinema. O ator convence sem esforço, até mesmo quando exagera na atuação, nas cenas de luta com os vampiros. E quem também não erra é o ator David Peel, no papel do vilão. Claro, não chega aos pés de Christopher Lee, mas consegue criar um vampiro assustador. Yvonne Monlaur também não decepciona, embora em alguns momentos sua atuação deixe um pouco a desejar. Outros personagens como o padre do vilarejo, o casal dono da escola feminina, a criada da baronesa e um médico viciado em comprimidos, completam o elenco de personagens, e cada um também convence muito bem, com destaque para o médico, que serve como alivio cômico, apesar de sua pequena participação.

 

Como todos os filmes da série, este aqui aposta na atmosfera gótica, e, sem duvida, não peca nesse quesito. O castelo da Baronesa é um templo gótico, assim como o cemitério do vilarejo, com suas cruzes inclinadas; além de um velho moinho de vento. Mais um exemplo do quão competente era a direção de arte, principalmente nesses primeiros filmes da série; o tipo de filme que faz qualquer fã do terror gótico se apaixonar. Aliás, o confronto no moinho é outro ponto positivo, porque foge um pouco da questão do confronto no castelo do vampiro.

 

Além disso, o filme tem uma trilha sonora muito boa, que vai de um toque lúgubre a um toque que beira ao trágico, muito diferente da trilha sonora pesada dos outros filmes da série. Mais um ponto positivo.


E claro, não posso deixar de mencionar os vampiros. A Hammer foi um dos estúdios que mais soube trabalhar com os vampiros, e suas criaturas beiram à perfeição; e aqui não é diferente. Temos os vampiros clássicos, com a pele branca como papel e os caninos afiados. O Barão possui uma ótima caracterização, com seu ar de Conde Drácula, com sua capa e seus olhos vermelhos; no entanto, quem tem a melhor caracterização são as duas vampiras. Seu visual é clássico, com as camisolas brancas, que dão um excelente contraste com sua pele branca e os caninos afiados. O tipo de visual que eu gosto muito. A melhor cena, e também a minha favorita, é quando a primeira ressuscita de seu tumulo, sob o olhar aterrorizado do Dr. Van Helsing. Uma cena muito bem feita que consegue arrepiar sem esforço. A ressurreição da segunda vampira também é muito boa, mas a cena anterior é bem melhor.



Antes de encerrar, quero salientar dois pontos. O primeiro é além de ser um filme de vampiro, esse filme também parece ser uma historia de amor, porque parece que Van Helsing se apaixona por Marianne quando a conhece, pelo menos essa foi a minha impressão. Outro ponto na verdade é uma pequena falha no roteiro: no começo do filme, surge um homem misterioso vestido de preto, que causa pânico nos camponeses. Porem, esse personagem desaparece rapidamente e nunca mais surge na historia. Infelizmente, é um ponto negativo para o filme.

 

E por fim, devo dizer que a temática da superstição é bem abordada aqui. Os camponeses têm muito medo dos vampiros, e deixam isso bem claro quando o nome do Barão é mencionado; ou então, na cena do funeral, quando o corpo da garota que viria a ser a primeira vampira, é coberto por folhas de alho. É o tipo de coisa que eu gosto em filmes de terror, essa questão da superstição local, onde os habitantes temem as criaturas. É muito legal.

 

O diretor Tim Burton sempre se declarou como fã dos filmes da Hammer, e prestou uma homenagem à cena final deste filme em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999); uma homenagem respeitosa, como um verdadeiro cineasta sabe fazer.

 

As Noivas do Vampiro foi lançado em DVD por aqui num Box da distribuidora Dark Side com todos os filmes do Drácula da Hammer Films, Drácula – The Ultimate Hammer Collection. Foi lançado em DVD também em uma edição individual da NBO, mas deve estar fora de catálogo.

 

Enfim, As Noivas do Vampiro é um dos melhores filmes da Hammer. Um filme arrepiante, colorido, com cores pulsantes, com ótima direção de arte e trilha sonora digna de nota. Uma historia arrepiante de vampiros do jeito que o estúdio sabia fazer, com toques de horror gótico que enchem os olhos. Um dos melhores filmes da série do Conde Drácula criada pelo estúdio. Altamente recomendado. 




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sexta-feira, 3 de abril de 2020

A HORA DO ESPANTO (1985). Dir.: Tom Holland.


NOTA: 9.5



A HORA DO ESPANTO (1985)
A HORA DO ESPANTO (1985) é, sem duvida, o filme de vampiro definitivo dos anos 80. Acredito que seja um jeito interessante de analisa-lo, uma vez que a década nos deu uma galeria de filmes definitivos de monstros clássicos. E este aqui é o representante máximo dos vampiros, ao lado de Vamp, A Noite dos Vampiros (1986) e Os Garotos Perdidos (1987).

Mas o que torna este um filme tão especial? Bom, devo dizer que o primeiro ponto é a nostalgia. Quem foi criança nos anos 90, com certeza já deve ter visto esse filme inúmeras vezes na televisão à noite; esse infelizmente, não é o meu caso, mas, guardo esse filme com muita nostalgia, porque tive a chance de assisti-lo numa época muito boa da minha vida. E foi uma das mais divertidas e assustadoras experiências que já tive. É incrível como ainda hoje, esse filme consegue ser divertido e assustador, cortesia da própria década de 80, que nos presenteou com inúmeras produções de horror trash, além de nos dar também o chamado “terrir”, produções que combinavam terror e comédia de maneira brilhante.

Não se engane. A Hora do Espanto não é uma produção trash; pelo contrario, é uma das mais bem-feitas produções de terror dos anos 80. Absolutamente nada parece falso ou mal feito. Tudo o que aparece na tela, foi criado com o orçamento disponível, e funciona muito bem. A maquiagem dos vampiros é muito boa, os animatrônicos também, assim como os efeitos visuais; tudo feito com aquele charme dos anos 80, que consegue ser muito melhor do que os efeitos especiais de hoje, e não envelhecem.

Mas, muito mais do que um filme de efeitos especiais, A Hora do Espanto é um filme que deu nova vida ao subgênero dos vampiros. O filme foi lançado no meio da década de 80, na febre dos filmes Slasher, que haviam recebido um novo personagem em sua galeria, o vilão Freddy Krueger, que estreou no cinema no anterior. Pois bem, da mesma forma que Freddy serviu como um sopro de originalidade ao Slasher, este aqui deu sopro de vida aos vampiros, que estavam muito ligados ao terror gótico dos anos 50, 60 e 70. O diretor Holland deu nova roupagem aos vampiros, transportando-os para os subúrbios americanos, onde, aparentemente, nada de horrível acontecia. E não foi só isso. Em seu roteiro, Holland fez uso dos utensílios clássicos usados para matar vampiros, como cruzes, alho e estacas no coração; porém aqui, a cruz tem um detalhe extra: ela só funciona se a pessoa tiver fé, caso contrario, é inútil. Muito bom. E há também a presença do lacaio humano.

Além disso, a maquiagem dos vampiros também sofreu mudanças: ao invés da pele pálida, das unhas longas, e caninos afiados, aqui, eles se transformam em verdadeiros monstros, passando por diferentes estágios até atingirem a forma final.  A primeira vez que eu vi o vampiro Jerry Dandrige na sua forma final, eu fiquei muito assustado porque é muito bem feita. O mesmo vale para os outros vampiros. O melhor deles é o amigo de Charley, que possui um visual muito legal.  

Os efeitos especiais e visuais também não ficam atrás. Como todo filme de terror dos anos 80, este aqui contou com efeitos práticos para criar as proezas que o roteiro pedia, e todas são muito bem feitas. Talvez para os mais exigentes, os efeitos pareçam ultrapassados, mas não para mim. Eu sou um grande admirador de efeitos práticos e é sempre um prazer vê-los na tela. O diretor tinha um belo time de profissionais a sua disposição e o trabalho é excelente. Lobos e morcegos animatrônicos, maquiagem e próteses, tudo muito bom e convincente.

Outro fator que o torna um filme excelente é a trilha sonora. Desde o tema musical, às canções que rolam durante a cena da discoteca, tudo é contagiante e deixa com vontade de dançar, principalmente a cena da discoteca. Toda iluminada com luz neon carregada, é o cenário perfeito de um filme dos anos 80. Todos ali se vestem de modo extravagante e brega, e dançam de forma exagerada. Com certeza, quem viveu essa época, sente a nostalgia batendo quando assiste.

Os personagens também são um trunfo. Charley, sua namorada Amy e seu amigo Evil Ed, são os típicos adolescentes americanos, que andam sempre juntos, e, apesar de ocasionais discussões, pode-se ver que serão sempre amigos. Mas os melhores são o vilão Jerry Dandrige, e o “Great Vampire Killer!”, Peter Vincent.  Dandrige é bonito, charmoso e sedutor, do tipo que atrai a atenção de todos. Interpretado de maneira brilhante pelo ator Chris Sarandon, ele é, com toda certeza, um dos melhores vampiros do cinema. Já Peter Vincent... Conhecido como “The Great Vampire Killer!”, o personagem é  uma grande piada. Ao invés de ser valente como aparenta no seu programa de TV, ele é um medroso sem tamanho, que foge ao primeiro sinal de ameaça. Mas mesmo assim, ele também se mostra um grande amigo para Charley, ajudando-o a caçar e exterminar os vampiros. Muito do carisma do personagem vem da atuação do ator Roddy McDowall, que nos anos 60, estrelou o Clássico O Planeta dos Macacos.

A Hora do Espanto foi lançado em Agosto de 1985, e tornou-se um sucesso de bilheteria, além de receber criticas e avaliações positivas. Atualmente, é considerado um clássico dos anos 80 e um dos melhores filmes de vampiros de todos os tempos. Três anos depois, uma continuação foi lançada, desta vez, dirigida por Tommy Lee Wallace, novamente com Roddy McDowall e William Ragsdale no elenco.

Em 2016, um documentário sobre a produção do filme – e da sequencia – foi lançado em plataforma digital, com entrevistas com membros do elenco e equipe.

Enfim, A Hora do Espanto é um dos melhores filmes de terror dos anos 80. Contem tudo aquilo que o gênero pôde oferecer no período, torna-se melhor a cada revisão. É divertido, assustador, sangrento, sexy e apaixonante. Um dos Filmes Mais Assustadores de todos os tempos. Um dos maiores filmes de vampiro. Maravilhoso. 

Altamente recomendado.








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sexta-feira, 21 de junho de 2019

VOO NOTURNO (1997). Dir.: Mark Pavia.


NOTA: 10


VOO NOTURNO (1997)
Para mim, VOO NOTURNO (1997), baseado no conto O Piloto da Noite, tem uma grande importância, porque foi meu primeiro contato como escritor Stephen King, que se deu por meio da capa do VHS, quando minha mãe mostrou para mim na locadora.

Naquela ocasião, não aluguei o filme; somente alguns anos depois, como sempre fazia nos fins de semana. Quando pus a fita no videocassete, o resultado foi uma das experiências mais aterrorizantes da minha vida! Eu quase não consegui ver o filme direito; passei a maior parte do tempo escondido atrás da parede do corredor. Numa outra oportunidade, até consegui assistir, mas quando chegou ao clímax, fiquei a noite sem dormir, porque era muito assustador – e ainda é, mas hoje, consigo assistir sem problemas. Eu só consegui assistir ao filme, sem medo, depois de outras tentativas, conforme fui ficando mais velho, e me acostumando com ele.

Não se engane. Mesmo sendo uma das adaptações mais assustadoras – talvez a mais assustadora – de Stephen King, Voo Noturno é excelente! Com sua simplicidade impar, consegue assustar e provocar pesadelos, sem o menor esforço, e tudo contribui pra isso.

O primeiro fator talvez seja o clima. Desde o começo, o filme tem um clima de mistério, com sua fotografia escura e trilha sonora de piano – aliás, brilhante trilha sonora. E desde a abertura, o filme não nega fogo, mostrando logo de cara uma cena sangrenta e silhueta do vampiro. E o mesmo acontece até o final. O diretor Mark Pavia conduz a trama de maneira brilhante, e com certeza, fez uma excelente adaptação do conto original. Posso dizer que o filme, de certa forma, completa a experiência de ler o conto, e vice-versa. Durante certos momentos da leitura, eu me lembrei das cenas descritas no texto original – o mesmo aconteceu enquanto lia a história.

O que mais contribui é a própria ambientação. O filme foi inteiramente rodado na Carolina do Norte, e isso também causa uma sensação de medo, não pelas locações, mas pela sensação que elas passam. Durante todo o filme, parece que os lugares que o protagonista visita não são reais – e obviamente não são – e não parecem passar uma sensação de segurança, mesmo durante o dia. Parece até outra dimensão.

A trilha sonora, composta por Brian Keane, também é mais um fator. Praticamente toda tocada no piano, ela parece entrar na mente do espectador, e no momento em que ouvimos a melodia na nossa cabeça, na hora, lembramos do filme. Existem momentos em que a trilha é mais pesada, de acordo com a cena, mas, nada é melhor do que o tema do filme.

E por fim, os efeitos especiais e a própria sensação de pavor. Impossível falar de um, sem falar do outro. Os efeitos de maquiagem, cortesia da KNB Effects Group, são a melhor coisa do filme. Como o diretor faz questão de esconder seu vampiro durante boa parte do filme, ele compensa a curiosidade com a maquiagem. E olha, que excelente trabalho. Eu falo de perfurações nos corpos das vitimas, membros espalhados e sangue manchado nas paredes – muito sangue. E claro, a maquiagem do vampiro. Devo dizer que a expectativa em ver seu rosto é compensada, porque, é um dos melhores visuais de vampiro e todos os tempos, talvez um dos mais aterrorizantes. E a sensação de pavor, como já disse, está presente no filme inteiro, mas com certeza, ela aumenta no clímax no terminal, naquela que é a cena mais assustadora do filme inteiro. E olha, coisas assim são difíceis de fazer hoje em dia.

Sobre os personagens, o seguinte. O protagonista, Richard Dees, é um verdadeiro cretino. Sempre de cara fechada, arrogante e presunçoso, ele não passa em nenhum momento a imagem do herói que está lutando contra o vilão, pelo contrario; não dá pra torcer por ele. Katherine Blair, a jovem estagiaria do tabloide, apesar de sua pouca presença, é o oposto. Ela já se mostra prestativa, disposta a provar que é capaz de escrever sobre os crimes e ganhar primeira pagina. Os demais personagens surgem apenas por pouco tempo, mas é possível ver que são pessoas comuns, que tiveram uma relação verdadeira com as vitimas, e que estão com medo do assassino.

E claro, o Vampiro Dwight Renfield. Como mencionado acima, o diretor Paiva e o diretor de fotografia fazem questão de esconder seu rosto, mas, para mim, isso não importa, porque ele consegue ser assustador; o tipo de personagem que mete medo quando aparece na tela. Alto, magro, cabeludo, e com sua enorme capa preta, quando ele surge, pode ter certeza que coisa boa não vai acontecer. O vampiro é um verdadeiro monstro, sempre desmembrando, decapitando e mutilando suas vitimas, com uma selvageria impar e implacável. Realmente, dá a sensação de que nada nem ninguém, conseguirá impedi-lo. Nada! E claro, quando seu rosto finalmente aparece, é um espetáculo. Seu avião é a mesma coisa. Um belíssimo Cessna Skymaster negro, que percorre os céus como uma criatura sobrenatural, e quando o vemos, no solo, já sentimos um calafrio.

Claramente, o filme foi rodado com baixo orçamento, mas, tudo foi compensado na criatividade. Por exemplo, as cenas em que Dees está voando com seu avião, foram rodadas em estúdio, mas o filme não passa essa sensação; parece mesmo que o diretor filmou o ator Miguel Ferrer num avião no ar. Muito bem feito. Quase não há efeitos digitais – apenas uma cena, que eu consegui identificar – e muitos, muitos efeitos práticos, principalmente de maquiagem. A ambientação no jornal é convincente, parece mesmo que aqueles personagens são jornalistas, e que aquele tabloide existe – talvez, pudesse ser encontrado até nas nossas bancas, vai saber. A direção de arte fez um ótimo trabalho nesse quesito; a gente quase consegue tocar no jornal, de tão realista que ele é. Sem duvida, um trabalho incrível.

E qual a melhor cena do filme? Sem duvida, a mais assustadora, o clímax no terminal. A cena é construída de maneira brilhante, sem trilha sonora, apenas com som ambiente, com excelentes efeitos de maquiagem, e em preto e branco. Não sei se houve intenção do diretor de filmá-la em cores, mas o fato é que a fotografia em preto e branco, consegue deixa-la muito mais aterrorizante, digna de provocar calafrios e causar pesadelos. E toda vez que eu vejo, eu sinto um leve arrepio, porque é uma cena brilhante, de verdade. Vale muito a pena.

Voo Noturno teve um lançamento limitado nos Estados Unidos, e infelizmente, foi um fracasso de critica e bilheteria. No entanto, hoje em dia, possui status de cult, tanto entre os fãs de filmes de vampiro, quanto entre os fãs da obra de Stephen King.

Enfim, Voo Noturno é um filme excelente. Um dos filmes mais assustadores que já vi. Um excelente filme de vampiros. Uma das melhores adaptações de Stephen King.

Altamente recomendado.






segunda-feira, 27 de maio de 2019

O VAMPIRO DA NOITE (1958). Dir.: Terence Fisher.


NOTA: 9.5



DRÁCULA,
O VAMPIRO DA NOITE (1958)
DRÁCULA, O VAMPIRO DA NOITE é mais uma adaptação do Clássico de Bram Stoker. Lançado em 1958, é a primeira produção colorida sobre o Conde Vampiro, produzida pela Hammer Films um ano após o lançamento de A Maldição de Frankenstein, estrela por Peter Cushing e Christopher Lee. Aqui, os atores voltam a atuar juntos, nos papeis do Prof. Van Helsing, e do Conde Drácula, respectivamente. 

Além de ser um clássico do terror, essa produção da Hammer Films é uma das melhores adaptações do livro de Bram Stoker, que fez de Christopher Lee um astro, e fixou seu lugar no hall dos Mestres do Terror, ao lado do amigo Peter Cushing, Vincent Price, Bela Lugosi, Boris Karloff e outros. E também, ao lado de Lugosi, Lee tornou-se o interprete definitivo de Drácula, com seu ar elegante, aristocrático, sedutor e principalmente, ameaçador, exibindo suas presas afiadas, banhadas em sangue – apresentadas pela primeira vez neste filme.

Sem duvida, um dos atrativos da produção é o fato de ter sido rodado em Technicolor, o que ajudou a criar um clima belo e assustador, principalmente quando envolve o vermelho vivo do sangue, que enche a tela.

O diretor Terence Fisher criou um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, um marco do terro gótico, com todas as características que se tornariam clássicas no gênero, o cemitério envolto em nevoas, florestas abandonadas, o castelo cheio de teias de aranha e pó, entre outros. E tudo funciona muito bem. Desde o primeiro momento, o filme não decepciona, e conforme a historia avança, a beleza aumenta, bem como o clima de mistério e horror, digno de provocar arrepios.

Talvez, hoje em dia, para o publico mais exigente, o filme não seja tão assustador, uma vez que os tempos mudaram, e o gosto do publico mudou. Mas, para mim, assistir a esse filme, é uma experiência maravilhosa, tanto pelos motivos mencionados acima, como pelas atuações de Peter Cushing e Christopher Lee. Há quem diga que Cushing se transformou na personificação definitiva do arqui-inimigo de Drácula, e, devo dizer que é verdade. Que me perdoem Edward Van Sloan (Drácula de 1931), Anthony Hopkins (Drácula de Bram Stoker) e até mesmo Laurence Olivier (Drácula de 1979), mas o Van Helsing de Cushing é excelente. Determinado a sua causa, ele não poupa esforços para destruir o Vampiro-Mor, mas também mostra-se um homem racional, devotado tanto à fé quanto à ciência. Já o Drácula de Christopher Lee é a personificação do Mal. Alto e elegante, seu Drácula consegue tomar conta do filme, mesmo com sua pouca presença em tela; desde que surge pela primeira vez, envolto em sombras, é capaz de meter medo no espectador sem nenhum esforço, com seu olhar frio e expressão neutra; o mesmo acontece quando se transforma numa criatura sanguinária.

O restante do elenco também convence em suas performances, principalmente o ator Michael Gough, no papel de Arthur Holmwood, irmão de Lucy, noiva de Harker. O ator entrega uma atuação notável, sem caricaturas ou exageros. Melissa Stribling, no papel de Mina, esposa de Arthur, também merece destaque, com uma atuação convincente.

Como em todas as adaptações cinematográficas, esta teve mudanças em sua estrutura e narrativa. Talvez a mais notável seja a ocorrida nos personagens. Enquanto que no livro de Bram Stoker, Jonathan Harker e Mina Murray são noivos, aqui ela torna-se esposa de Arthur Holmwood, que tornou-se irmão de Lucy, ao invés de seu pretendente; os demais personagens não são mencionados – apenas o Dr. Seward, aqui reduzido a uma ponta. A atração de Lucy por crianças, após ser vampirizada, permaneceu, quando ela toma a filha da governanta como sua vitima. A cena em que Van Helsing a enfrenta no cemitério é a melhor do filme, um trabalho maravilhoso de direção e fotografia e direção de arte.

Mas, talvez, o melhor mesmo fique para o ultimo ato, quando Drácula e Van Helsing finalmente se enfrentam no castelo: uma cena de combate imbatível, com os dois rivais lutando igualmente, até o momento em que Van Helsing derrota o vilão, numa cena antológica, que sofreu cortes da censura. Porém, apesar de ser uma cena memorável, não supera o embate entre Van Helsing e Drácula no filme 1931.

Drácula fez um grande sucesso na época do seu lançamento, o que possibilitou a Hammer a lançar uma série de filmes sobre o vilão, com Christopher Lee reprisando o papel em 6 deles. No entanto, mesmo com o sucesso financeiro, o filme não obteve boas criticas. Hoje em dia, é reconhecido como um clássico do terror.

Enfim, Drácula, O Vampiro da Noite é um filme excelente. Uma das melhores adaptações do livro de Bram Stoker. Um belíssimo filme de terror.



AVISO.

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