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sábado, 12 de novembro de 2022

NA SOLIDÃO DA NOITE (1945). Dir.: Vários.

 

NOTA: 9.5



Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

Mas hoje, não estou aqui para falar das antologias da Amicus, e sim, de NA SOLIDÃO DA NOITE, precursor do gênero de antologia, lançado em 1945.

 

O que posso dizer sobre esse filme? Bem, digo o seguinte: é um dos melhores filmes de terror de todos os tempos, e um dos melhores que já vi; além de ser um daqueles casos de filmes que ficam melhores a cada revista.

 

Conforme mencionado acima, o filme é o precursor do gênero de antologia, neste caso, contando com cinco histórias de horror. Na verdade, antes de entrar nas histórias propriamente ditas, o filme até começa de maneira simples, com o protagonista indo até uma casa de fazenda no interior da Inglaterra. Quando ele chega lá, começa a falar com os outros personagens a respeito de seus sonhos e pesadelos, o que intriga a todos ali. Em seguida, eles mesmos começam a contar suas próprias histórias.

 

The Hearse Driver: Um corredor de carro sofre um acidente, e vai parar no hospital, onde é atendido por uma bela enfermeira. Durante a estadia, ele tem uma estranha visão de um carro funerário estacionado abaixo de sua janela. Ao sair do hospital, ele vê o motorista do carro funerário em um ônibus e decide não embarcar. O ônibus então sofre um acidente e todos os passageiros morrem.

 

The Christmas Party: Uma adolescente está comemorando o Natal na casa de um amigo e participa de um jogo de esconde-esconde com os convidados. Durante a brincadeira, ela encontra um quarto de criança e conhece um garotinho que tem medo da irmã. Ao reencontrar os outros convidados, ela descobre que o garotinho está morto desde o século XIX.

 

The Haunted Mirror: Uma mulher compra um espelho para seu noivo. No inicio, tudo parece bem, mas, aos poucos, o homem é atormentado por estranhas visões relacionadas ao espelho. A mulher descobre que o objeto pertenceu a um homem que matou a esposa no século XIX, e precisa correr para impedir que o noivo perca a razão.

 

The Golfer’s Story: Dois campeões de golfe conhecem e se apaixonam por uma mulher e resolvem disputa-la com uma partida. Um deles ganha a partida e o outro se suicida em um lago. Às vésperas de seu casamento, o vencedor é atormentado pelo fantasma de seu amigo, que afirma que ele trapaceou no jogo e exige que o amigo assuma o erro.


The Ventriloquist’s Dummy: Um ventríloquo americano conhece outro em Paris e se surpreende com seu ato, cuja principal atração é seu boneco Hugo. Ao reencontrá-lo em Londres, o americano descobre que o ventríloquo possui sérios problemas psicológicos, e na mesma noite, é atacado por ele, que não pretende entregar seu boneco ao rival.

 

Uma antologia básica, não? Sim, no entanto, ao contrário das que vieram depois, principalmente nos anos 70, aqui, as histórias foram dirigidas por cinco pessoas diferentes, e cada uma imprimiu seu próprio estilo. Entre os diretores, temos o brasileiro Alberto Cavalcanti, que dirigiu a segunda e última historias – a do boneco, a melhor delas.

 

Além da presença do brasileiro Cavalcanti, é possível perceber aqui a principal característica das antologias: a diversidade entre as histórias. A primeira remete primeiramente a um romance, mas logo se transforma em um terror, com a presença do carro funerário; a segunda é uma história de fantasma com toques infantis, principalmente pela presença do garotinho; a terceira foca mais um suspense sobrenatural, além de apresentar elementos de horror psicológico; a quarta também é uma história de fantasma, mas com uma veia cômica; e a última, é um suspense psicológico, onde a loucura é o principal elemento.

 

Além das histórias narradas pelos personagens, temos também os interlúdios, com o protagonista interagindo com eles, que culmina na melhor parte do filme, quando o pesadelo dele se torna realidade, e ele interage com todas as histórias de uma maneira macabra e assustadora.

 

Com certeza, o episódio mais lembrado do filme é o último, The Ventriloquist’s Dummy. Sem dúvida, é o melhor episódio, com toques de suspense psicológico, com o ventríloquo atormentado por problemas mentais, que culminam numa personalidade alternativa, que ele usa em seu boneco Hugo. Falando nele, o boneco é um dos personagens mais assustadores do cinema – algo comum em bonecos de ventríloquo – e sua aparência e voz fina são dignas de pesadelos. Algo semelhante aconteceria em Magia Negra (1978), onde o ator Anthony Hopkins interpretou um ventríloquo domado por seu boneco.

 

Os demais personagens também são bem interessantes, cada um à sua maneira, principalmente o protagonista, que se mostra visivelmente atormentado por seus sonhos recorrentes; os demais apelam à sua psiquiatra para descobrir o motivo por trás dos sonhos dele e também por trás de suas próprias histórias, algo que não fica chato conforme os relatos acabam.

 

Na Solidão da Noite possui um legado importante entre os fãs de cinema, tendo como fã o diretor Martin Scorsese, que o elegeu um dos filmes mais assustadores de todos os tempos. O último episódio inspirou diversas histórias posteriores, entre elas, um segmento da série Além da Imaginação, além de outros filmes.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Obras-Primas do Terror.

 

Enfim, Na Solidão da Noite é um filme excelente. Uma história de horror composta por cinco segmentos aterrorizantes, que prendem a atenção do espectador. Cada um dos cineastas envolvidos deixa sua marca e as histórias ficam únicas por causa disso. Um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, com um grande legado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo


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sábado, 9 de outubro de 2021

CARRIE – A ESTRANHA (1976). Dir.: Brian de Palma.

 

NOTA: 10



Carrie – A Estranha, romance de estreia de Stephen King, é um livro fascinante, assustador, chocante e atual. Já em seu primeiro livro, o autor mostrou sua capacidade para contar histórias, e lançou um de seus maiores clássicos. O sucesso do livro foi o suficiente para leva-lo para o cinema.

 

Lançado em 1976, dois anos após a publicação do livro, CARRIE – A ESTRANHA ainda hoje é a melhor adaptação da obra do autor, e o meu filme favorito do diretor Brian de Palma.  E motivos para isso não faltam.

 

O filme é um dos maiores clássicos do Cinema e do gênero Terror, e até hoje, é um dos filmes mais assustadores de todos os tempos. Produto da Nova Hollywood, além de ser um clássico, é um filme que para mim, possui uma grande importância, porque eu o vi pela primeira vez em uma época especifica da minha vida. Mais sobre isso adiante.

 

Bem, seja como for, o fato é que o filme é excelente, e fica melhor a cada revisão, e grande parte disso se deve ao diretor de Palma.

 

Até hoje, de Palma é considerado um dos maiores cineastas de todos os tempos, e aqui ele dá uma prova disso. O diretor é muito habilidoso com o que faz, e se mostra um excelente diretor de atores. Aliás, esse é um dos grandes trunfos do filme.

 

De Palma soube escolher seu elenco com perfeição e é possível enxergar os personagens nos rostos dos atores, e infelizmente, isso é o tipo de coisa que faz muita falta hoje em dia.

 

Outra coisa que chama a atenção no filme é o clima de nostalgia. Na essência, Carrie é uma história de colégio; no entanto, devo confessar que nesse sentido, eu sinto muito mais prazer assistindo o filme, porque as cenas no colégio são muito nostálgicas para mim. Como eu disse, eu assisti esse filme numa época muito especifica da minha vida, durante as férias de Julho; eu vi muito esse filme antes de retornar para a escola, então, o clima de colégio estava muito presente, e toda vez que eu assisto, essa sensação de nostalgia retorna e me deixa muito feliz.

 

Outra coisa que torna esse filme – o livro também – muito especial, é a própria protagonista. Carrie é uma excluída, vitima de bullying dos colegas e professores da escola. Eu me identificava muito com ela, principalmente com essa solidão e fragilidade que ela mostra na tela. De verdade, era como se eu me visse na personagem toda vez que vejo o filme. É o tipo de coisa que poucos filmes conseguem fazer comigo.

 

Além de tocar no tema do bullying, a historia também possui momentos chocantes, principalmente envolvendo violência. No livro, isso é muito forte, e o diretor de Palma soube passar isso para a tela. A começar pelo inicio, no vestiário; a cena da menstruação é uma das mais fortes do cinema, principalmente pela performance das atrizes. Sem exceção, todas dão um show de atuação na cena, transmitindo exatamente aquilo que a cena pede. No entanto, os momentos mais pesados ficam nas cenas entre Carrie e sua mãe. Todos os méritos, novamente, vão para as atrizes. Ambas conseguem passar a loucura, a tortura psicológica e o sofrimento descritos nas cenas e com isso, as mesmas ficam muito perturbadoras.

 

Falando nisso, devo destacar o elenco. De Palma soube escolher seu elenco com perfeição, e até hoje, sempre que assisto, eu consigo visualizar os personagens nos atores, sem o menor esforço. No entanto, quem rouba a atenção são Sissy Spacek e Piper Laurie, como Carrie e sua mãe, respectivamente. Conforme mencionei acima, as atrizes dão um show de atuação, e entregam atuações inspiradas, tanto que ambas receberam indicações ao Oscar®. O restante do elenco também não decepciona, e o melhor, eles não parecem forçados, caricatos ou inadequados.

 

No quesito técnico, o filme também não decepciona, principalmente a câmera. A câmera de De Palma realiza grandes feitos, principalmente quando se move pelo cenário, com destaque para o Baile de Formatura, em especial a cena da dança e quando as cartelas dos votos são recolhidas. Hoje em dia, talvez tais cenas seriam feitas de outro modo, mas na época, foram necessárias gambiarras para alcançar o resultado que vemos. A trilha sonora, composta pelo cantor italiano Pino Donaggio – colaborador frequente do diretor – é belíssima, principalmente o tema de Carrie e na sequência do incêndio no Baile. E devo destacar também a montagem. Para quem conhece o estilo de De Palma, sabe que ele utiliza técnicas malucas para contar suas historias, com direito a tela dividida e imagens juntas em distancias diferentes no mesmo plano. O mais legal é que na pós-produção, tais cenas são combinadas para criar o efeito, o funciona maravilhosamente. Toda a sequência da vingança de Carrie no Baile foi filmada com tela dividida, e até hoje, eu me pergunto como foi feita e principalmente, como cenas assim são escritas no roteiro. Aliás, devo destacar o take em que o Baile começa a pegar fogo, com Carrie em pé diante do palco contra a luz. É um take lindo!

 

Sendo um filme de terror, temos muitas cenas assustadoras. Sem duvida, a mais assustadora é a sequência do incêndio do Baile, porque é muito bem feita, com direito a takes chocantes de personagens morrendo – devo destacar aqui a cena em que as portas da quadra se abrem para Carrie sair, enquanto o lugar é tomado pelas chamas. A cena em que Carrie volta para a casa também é assustadora, principalmente por causa da trilha sonora.

 

Outra coisa que devo dizer é que Carrie é uma história sobre o sangue. Desde o começo, o sangue está presente na tela, mas o ápice é na sequência do Baile, quando a personagem é banhada pelo sangue. Eu digo que é uma das cenas mais tensas e assustadoras do cinema.

 

Antes de encerrar, devo dizer que o próprio Stephen King ficou muito feliz com o resultado, principalmente com o final, que conseguiu assustá-lo quando ele viu no cinema. Até hoje, ele diz que o filme não envelheceu, e razão ele tem. Até hoje, o filme é um dos maiores clássicos do Terror.

 

Enfim, Carrie – A Estranha é um clássico do cinema. Um filme verdadeiramente assustador, com atmosfera de nostalgia muito bem feita, e momentos de violência chocante.  Primeira adaptação de Stephen King para o cinema. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Excelente. 




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sexta-feira, 23 de julho de 2021

O MACACO (Stephen King).

 

NOTA: 8.5



Que Stephen King é um mestre na arte de contar histórias, todos sabemos disso, e, sinceramente, até agora, não li nenhum livro ou conto de sua autoria que me decepcionou.

 

O MACACO, presente na antologia Tripulação de Esqueletos, é um desses exemplos. É um dos contos mais arrepiantes do Mestre que eu já li. Na verdade, reli.

 

A primeira vez que li essa historia foi na edição da Objetiva, mas foi há muito tempo; e quando peguei o livro para reler algum conto, tive muita dificuldade porque as letras eram muito pequenas, então, comprei a edição da Suma, e essa semana, sentei para ler esse conto.

 

E que leitura. O Macaco é um conto verdadeiramente arrepiante, sobre os nossos pesadelos mais profundos, que sempre voltam para nos assombrar, cedo ou tarde.

 

O autor constrói uma história simples sobre um objeto aparentemente inocente, mas que fundo é um instrumento do terror, que carrega algo de ruim dentro de ruim. Eu já tinha visto a capacidade do Mestre em criar uma história assim em Christine e A Máquina de Lavar Roupa, e aqui, ele se mostra mais uma vez sua habilidade.

 

Mas mais do que uma história de um objeto maldito, O Macaco também é uma história de loucura, e ambiguidade, uma vez que em certos momentos, ficamos na dúvida se o macaco é mesmo um objeto maldito, ou se tudo não passa de imaginação do protagonista, que é assombrado por ele desde criança.

 

E francamente, não vejo objeto melhor para assombrar alguém do que um macaco de corda. Eu sinceramente, morro de medo desses brinquedos, principalmente por causa do seu sorriso sinistro e seus olhos penetrantes. Basta procurar na internet qualquer imagem de um macaco de brinquedo com címbalos, que vão ver o que quero dizer. Essas coisas são assustadoras, e quem já viu Toy Story 3 deve ter ideia do que estou falando...

E em se tratando de uma história de Stephen King, não pode deixar de ter aquele toque especial do autor, e nesse caso, ele não faz questão de esconder que o perigo está nos címbalos do macaco, que a cada toque, algo terrível acontece com alguém relacionado ao protagonista, coisas horríveis mesmo, uma mais assustadora que a outra.

 

E claro, temos também um pequeno toque de loucura, uma vez que, após reencontrar o macaco, o protagonista muda completamente sua personalidade, indo de um pai e marido amorosos, para um pai que agride seu filho mais velho com crueldade. E tal comportamento ameaça a instabilidade de sua família, mas o pior de tudo, é que eles não sabem o motivo de tal mudança.

 

E outra coisa que autor faz bem é o uso de flashbacks para explicar a relação do protagonista com o macaco, além de demonstrar as habilidades malditas com mesmo com as pessoas envolvidas com o protagonista, além de envolve-lo em um jogo de terror psicológico de arrepiar.

 

Enfim, O Macaco é um ótimo conto. Uma história simples, mas assustadora, sobre pesadelos de infância, que sempre conseguem voltar. A escrita de Stephen King é o grande destaque, e o autor consegue contar a história com sua habilidade de sempre, levando ao leitor para dentro da narrativa. Um conto arrepiante, digno de pesadelos. Muito bem recomendado. 



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segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

A INOCENTE FACE DO TERROR (1972). Dir.: Robert Mulligan.

 

NOTA: 9



Filmes com crianças perversas são extremamente chocantes, principalmente porque a difícil imaginar uma criança fazendo mal para qualquer ser vivo. Mas existem, sim, filmes que abordam essa temática polemica, e A INOCENTE FACE DO TERROR (1972) é um deles, e um dos melhores.

 

Dirigido por Robert Mulligan, de O Sol é Para Todos (1960), e baseado no livro de Thomas Tryon, que também escreveu o roteiro, este é um pequeno clássico do terror que aborda o tema de crianças perversas, no caso, os gêmeos Niles e Holland Perry. E mais que um filme de crianças malvadas, este é também um filme de terror e suspense psicológico de primeira, que requer certo raciocínio do espectador, principalmente na primeira vez.

 

Na minha primeira conferida, eu confesso que fiquei surpreso com o resultado, uma vez que o diretor nunca faz questão de mostrar os dois irmãos no mesmo frame; ao invés disso, ele faz isso que cortes rápidos e movimentos de câmera, que conseguem enganar o espectador, sem o menor esforço. E as surpresas não param por aí.

 

Além dessa trama cheia de mistério e reviravoltas, outra coisa que torna o filme atraente é a sua ambientação. A trama se passa durante os anos 30, no interior dos Estados Unidos. E a sensação que o longa passa é muito boa; parece que estamos vivendo aquela época, com recriações fieis à época, além de um clima de interior que enche os olhos. É o tipo de coisa que eu gosto em um filme, conforme mencionei em outras resenhas.

 

Além do clima de interior, outro detalhe que prende o espectador é a trilha sonora, composta por Jerry Goldsmith. Desde os créditos de abertura, ouvimos uma trilha belíssima, com ar de fantasia, ou de filme familiar, sem aqueles toques pesados de filme de terror. Não há dúvidas que Goldsmith era um grande compositor, com uma grande contribuição para o cinema, e a trilha sonora deste filme é uma delas. Uma trilha muito linda, mesmo.


Além da trilha sonora, outro ponto positivo é a fotografia. O filme é completamente colorido, com a fotografia destacando o calor do verão, e passando a sensação de calor; nas cenas noturnas, a coisa não é diferente; são cenas bem filmadas, que também passam uma sensação de realidade. Além da sensação de calor, o filme tem uma cena filmada do ponto de vista de um corvo, que sobrevoa a fazenda. Uma cena muito linda, com a câmera área percorrendo as locações, combinada com a trilha de Goldsmith.

 

E por fim, as atuações. Não existem atuações exageradas e caricatas; ao contrário, todos os atores entregam ótimas performances, e passam a sensação de serem pessoas reais. O melhor fica com os gêmeos Chris e Martin Udvarnoky, que interpretam os irmãos Perry. Por se tratar de um filme de gêmeos, temos aqui o clássico exemplo de gêmeo bom e gêmeo mal, e os atores mirins atuam muito bem, passando veracidade, chegando, inclusive, a confundir o espectador, principalmente porque eles usam as mesmas roupas, coisa comum nos gêmeos. Diana Muldaur também entrega uma atuação digna de nota, no papel da mãe dos gêmeos. Sua personagem carrega um trauma nas costas, e por conta disso, vive adoentada. Pois bem, a atriz passa essa sensação de personagem amargurada por algo terrível do passado e mais tarde, quando sua saúde piora, e sensação permanece. E por fim, a atriz Uta Hagen também não faz feio, no papel da avó dos irmãos, chegando até a ser melhor que eles.

 

A Inocente Face do Terror é um filme de terror psicológico, no melhor estilo do gênero. É uma história sobre loucura, principalmente, e um dos gêmeos é atormentado por ela. É evidente a loucura do personagem, principalmente quando acontece uma reviravolta chocante na trama, e o garoto não consegue se libertar dela, o que gera uma das melhores e mais assustadoras cenas do filme.

 

Por conta da história, é um filme que não dá para falar muito sem entregar spoilers; o máximo que pode ser dito é que acontece uma reviravolta chocante, e só isso. O resto fica por conta do espectador. O máximo que posso dizer é que o final é muito pesado, e me impressiona toda vez que assisto. E só isso.

 

Foi lançado por aqui em DVD pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror Vol.3. Anteriormente, chegou a ser lançado em VHS no Brasil, mas esteve fora de catálogo por muitos anos; além disso, também foi lançado em DVD pela Classicine.

 

Enfim, A Inocente Face do Terror é um filme excelente. Uma fascinante historia de terror e suspense psicológicos, com reviravoltas e conclusões chocantes. Um filme que pode enganar o espectador desavisado, principalmente na primeira vez, e por isso, deve ser visto novamente. A direção de Robert Mulligan, misturada com o roteiro de Thomas Tryon, além da trilha sonora de Jerry Goldsmith, e as atuações convincentes, formam o conjunto perfeito, e deixam o filme ainda melhor a cada revisão. Um filme perturbador em todos os sentidos. Excelente. Altamente recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo



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domingo, 17 de março de 2019

TERRORES URBANOS (2018).


NOTAS DOS EPISÓDIOS:

A LOIRA DO BANHEIRO: 9 | A GANGUE DOS PALHAÇOS: 8 | O QUADRO DO MENINO QUE CHORA: 7.5 | BONECO AMIGÃO: 8 | O HOMEM DO SACO: 8


TERRORES URBANOS (2018)
Lançada no inicio de Janeiro, Terrores Urbanos é mais uma das inúmeras produções nacionais voltadas para o gênero de terror. Ao contrario das demais, “Terrores” é uma produção de TV, realizada pela Record.

Eu admito que não sou consumidor da Record, simplesmente porque não sou fã da programação da emissora; mas, admito que a série me chamou a atenção, por causa do tema: Lendas Urbanas brasileiras. Porém, antes de começar a falar sobre os 5 episódios, vou admitir: não conheço nada sobre as lendas urbanas abordadas na série.

O primeiro episódio aborda a lenda da Loira do Banheiro, uma menina que morreu no banheiro da escola enquanto matava aula. Na história, uma adolescente, que recebeu a tarefa de ser oradora da turma no final do ano, passa a ser assombrada pelo fantasma de outra garota no banheiro da escola. Intrigada, ela decide descobrir quem é a garota. As consequências são desastrosas e assustadoras – comum em todos os episódios.

O segundo episódio apresenta a história da Gangue dos Palhaços, que, segundo dizem, sequestra crianças no portão da escola. Aqui, porém, as coisas são diferentes. A moradora de um bairro rico de SP – que mantém a casa sobre vigilância constante, com câmeras de segurança – é ameaçada em sua casa pela tal gangue, que possui alguma relação com a prisão de seu marido, devido a um escândalo. O resultado é uma noite de terror e medo.

No terceiro episódio, um médico recebe um Quadro com a figura de um Menino Chorando, que, segundo um funcionário da clínica, traz desgraças para quem seu dono. No inicio, o doutor não acredita nas historias; porém, conforme o tempo vai passando, coisas estranhas começam a acontecer: ele passa a ter visões de um garotinho, e seus pacientes começam a morrer de formas horríveis. Com o tempo, ele próprio passa a ser afetado pelo tal quadro.

O penúltimo episódio conta a história de um boneco amaldiçoado. Um menino ganha de sua avó um Boneco Amigão, que fez muito sucesso nos anos 90. À primeira vista, sua mãe – que acabou de dar a luz – não acha nada de estranho. Mas, as coisas começam a mudar na vida de seu filho. Intrigada, ela decide investigar a historia do boneco e descobre coisas assustadoras sobre ele. Com medo pela vida dos seus filhos, ela tenta, de todas as formas, livrar-se do brinquedo, mas descobre que não é nada fácil afastá-lo de seu filho, uma vez que ele próprio parece afetado pelo boneco.

O último episódio apresenta a historia do Homem do Saco, que segundo dizem, sequestrava crianças malvadas. Uma vendedora de cosméticos recebe de sua irmã a tarefa de cuidar de sua sobrinha. Inicialmente relutante, devido a uma traumática experiência anterior, ela acaba aceitando. Porém, coisas estranhas começam a acontecer, como o desaparecimento de uma criança do bairro, e seus clientes passam a ter reações alérgicas aos seus produtos; ao mesmo tempo, sua sobrinha começa a comportar-se mal, e passa a atormentá-la com a lenda do Homem do Saco.

Esteticamente falando, a série foi muito bem feita. A iluminação, edição, direção, elenco e efeitos especiais são muito bons, em especial o elenco, que não se deixa cair no exagero, coisa comum nas produções de entretenimento da emissora. Os atores expressaram o medo de forma autentica, o que ajudou a aumentar a tensão dos episódios. Os roteiros também foram muito bem escritos, redondos, com começo, meio e fim. Seguindo o formato de pequenas historias, no primeiro momento, tudo parece bem, até que, rapidamente, o terror toma conta, de forma discreta no inicio, mas, conforme a historia avança, ele vai crescendo, da melhor forma. Talvez tomando emprestado as técnicas do cinema americano, a série contava muito com jump-scares, mas ao contrario dos filmes de terror atuais, a técnica funcionou. E bem.

Agora, sobre os efeitos especiais, digo o seguinte. Foram outro dos trunfos da serie, principalmente os truques de maquiagem, com destaque para o primeiro episodio – a maquiagem de fantasma da garota morta era de arrepiar!

Agora, como copiar o trabalho dos outros não é novidade, os realizadores da série fizeram isso com certeza. Sério. Principalmente nos dois últimos episódios. O tal “Boneco Amigão” foi claramente inspirado no Chucky, tanto no nome quanto na aparência – o sorriso é praticamente idêntico! A própria estrutura do episodio também parece ter sido xerocada, principalmente do primeiro filme da série Brinquedo Assassino: em certo momento, a silhueta do menino correndo pelo corredor lembra, e muito, a cena do primeiro assassinato no filme de 1988. Agora, a piada foi deixada para o último episodio. O tal “Homem do Saco” é cópia escarrada do assassino de Seis Mulheres para o Assassino (1964), do Maestro Mario Bava! Sério! Enquanto assistia ao episodio, eu só pensava que estava assistindo a um Giallo!!!! Tive vontade de rir!!! Em tempo: o segundo episódio me fez lembrar – e muito – Os Estranhos ou a série Uma Noite de Crimes, uma vez que a trama se passa praticamente na casa.

Em compensação, o medo tomou conta de mim o tempo inteiro. Desde o primeiro episodio. Acho que desde Trilogia do Terror (1968), nunca tive tanto medo numa produção de horror brasileira!

Outra coisa que me chamou a atenção foi o fato de todos os personagens da série terem problemas. A começar pela protagonista do primeiro episodio: dominada por uma mãe exigente e perfeccionista. A protagonista do primeiro episódio tem problemas psicológicos, sofre nas mãos do filho rebelde – e assustador – e do marido corrupto, pra completar, sofre de Clourofobia (medo de palhaços)! O medico do terceiro episódio perdeu um garotinho para o câncer e ao que parece, passou a perna no antigo sócio. A protagonista do penúltimo episódio tenta, a todo custo, ser a esposa e mãe perfeitas, sofre com a rejeição da sogra, e, tem problemas de amamentação. E por fim, a mocinha do último episodio, perdeu o garotinho de quem tomava conta e vive atormentada pelo peso da culpa. Em suma, todos são vítimas fáceis para o sobrenatural – não que o sobrenatural também não escolha as “pessoas perfeitas”.

Os coadjuvantes também não ficam atrás. O filho da protagonista do Episódio 2 é assustador, mesmo, e consegue ser pior que os palhaços. O Homem do Saco também não fica atrás.

E por fim, os episódios são cheios de surpresas, mas, não vou entregar, pra não dar spoilers.


Enfim, Terrores Urbanos foi uma das melhores séries que assisti nesse começo de ano. Muito boa. Super bem feita. Assustadora.


sábado, 16 de março de 2019

JOGO PERIGOSO (Stephen King).


NOTA: 10


JOGO PERIGOSO
Vou confessar.

Tenho uma coleção grande de livros de Stephen King, mas, li somente alguns. Desses alguns, um deles foi Jogo Perigoso. Sobre esse livro, posso dizer o seguinte: é um livro tenso, pesado, violento, cruel e... ASSUSTADOR! Nunca pensei que uma historia simples, centrada em uma única pessoa pudesse dar tantos arrepios...

O livro é sobre Jessie Burlingame, esposa de Gerald, um renomado advogado da Nova Inglaterra. Com dificuldades no casamento, eles decidem passar o fim de semana em sua cabana no interior do Maine e praticar jogos sadomasoquistas para apimentar a relação. No inicio, tudo parece bem, até que Jessie se cansa de brincar, mas Gerald, não. Durante uma investida do marido, Jessie o ataca e algo terrível acontece: ele sofre um ataque cardíaco e morre, ao seu lado, deixando-a algemada à cama. A partir daí, Jessie trava uma luta desesperada para se libertar das algemas e sair da casa. Porém, a noite e sua mente têm algo especial para ela.
Pronto. Já contei o essencial da história. Poderia gastar mais tempo, mas, iria entregar um baú de spoilers...

O básico que se precisa saber sobre o livro é que se trata de um cabin in the woods book. Grande parte da ação acontece na cabana dos Burlingame, mais precisamente, na cama de Jessie.
E acredite, o que vem por aí NÃO É BRINCADEIRA. Já pensou no filme mais cruel de todos os tempos? A lista é grande. Bem, em relação à lista dos livros mais cruéis de todos os tempos, imagino que seja grande também, e Jogo perigoso merece lugar entre os 10 primeiros. Sério.

Conhecido pelo seu estilo sobrenatural e fantástico, aqui, King cria uma história comum, até, se pararmos para pensar. Praticamente, o Mestre não apela para monstros, fantasmas, vampiros, etc... Aqui, ele faz uso da pior ferramenta humana: nosso subconsciente. Ao invés de ser um livro sobre um monstro, Jogo é um autentico livro de terror psicológico, no melhor sentido da expressão: enquanto está presa à cama, a protagonista é vítima dos truques de sua própria mente – os fantasmas de seu passado. E olhe, que passado.

Em um dos vários flashbacks de Jessie, King revela que a personagem teve uma vida de merda. Mesmo. E pior não é isso. Durante seu período na “prisão”, Jessie recebe algumas visitas: vozes de suas amigas e um cachorro em estado deplorável (se Cujo era malvado, o cão desse livro foi seu aluno), que faz algo inimaginável.

Mas, para ser honesto, durante toda a leitura, pude perceber que o verdadeiro inimigo de Jessie era, de, fato, seu subconsciente. As cenas que Jessie é obrigada a lembrar são as mais horríveis possível. King lida, nesse livro, com temas que talvez ninguém pudesse imaginar: incesto, estupro, abuso sexual de menor, sexo selvagem, assassinato, e... necrofilia. E olhem, é difícil decidir qual o pior. Todos são mostrados envoltos em terror e medo, o que me provocou arrepios na espinha.

Ao todo, Jessie passa quase três dias presa à cama, sendo atormentada pelas vozes, pelos fantasmas e por um visitante misterioso, que se revela um ser mais perturbador que qualquer fantasma.

Os momentos finais do livro resumem-se à uma carta que Jessie escreve para sua amiga Ruth, após conseguir se soltar da cama, e sofrer um acidente de carro na fuga.
Para quem pensa que King tortura sua protagonista apenas psicologicamente, engana-se. A tortura é também física, principalmente nos momentos em que Jessie luta para sair de sua prisão. Eu falo de sangue, sangue e mais sangue. É sério!

Enfim, Jogo Perigoso pode não ser um romance sobrenatural, mas, sem dúvida, é um dos melhores, e mais assustadores do Mestre.

Recentemente, o livro ganhou uma excelente adaptação lançada pela Netflix, que consegue ser tão assustadora e chocante quanto o livro.

Curiosidade:

  • King planejava fundar a trama de Jogo perigoso com a de Eclipse Total, em razão das semelhanças entre ambas.



AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.