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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

MORTE NO NILO (2022). Dir.: Kenneth Branagh.

 

NOTA: 9.5



AVISO: Tentarei conter os spoilers.



Em 2017, eu tive o prazer de assistir Assassinato no Expresso do Oriente, primeira excursão de Kenneth Branagh ao universo de Agatha Christie, no cinema com meu irmão. Devo dizer que foi um dos melhores filmes que vi naquele ano, graças à habilidade de Branagh em contar a história, além do elenco estrelar, e é claro, sua própria performance no papel do detetive Poirot.

 

No último sábado, eu tive o prazer de assistir MORTE NO NILO no mesmo cinema, novamente com meu irmão, e digo que este já tem seu lugar na minha lista dos melhores desse ano. No entanto, vou ser sincero aqui. Eu ainda não li o livro, porque estava com outra leitura em andamento, e eu queria assistir esse filme no cinema. Então, aqui está. Dito e feito.

 

Eu me arrisco a dizer que Nilo é melhor que Expresso, principalmente nos quesitos técnicos. Novamente comandando, e estrelando, uma adaptação de Agatha Christie, Branagh se mostrou um diretor competente, arrancando ótimas atuações de seu novo elenco estelar – característica das adaptações das obras da autora – e realizando tomadas de tirar o folego.

 

Primeiro, devo salientar que este é um filme completamente diferente do anterior, principalmente por causa da paleta de cores. Se em Expresso nós tínhamos um filme gelado, com cores escuras e frias, aqui é o oposto; desde o começo, nós somos banhados com cores fortes e quentes, que combinam com o ambiente, no caso, o Egito e o Rio Nilo. E as cores funcionam muito bem e passam a impressão de calor sem o menor esforço, e quando combinadas com o cenário, foram paisagens dignas de fotos, além de algumas sequencias em plano zenital que enchem os olhos.

 

Mas não só isso. Como mencionado acima, Branagh conseguiu mais uma vez reunir um elenco de estrelas para contar sua história, e cada um dos atores desempenha seu papel com maestria, com destaque para Gal Gadot, a nossa Mulher-Maravilha. A atriz mostra tudo de si no seu papel – que não vou dizer qual é – e mostra que pode ser considerada uma das melhores do ramo atualmente – não é exagero. Sua performance mistura alegria e tristeza com perfeição, e, destaco um take em que ela aparece vestida como Cleópatra, em uma possível referência ao vindouro filme da Rainha do Nilo, que ela deve protagonizar. E digo, com toda certeza, que ela merece interpretar Cleópatra, sim!

 

O restante do elenco também surpreende, principalmente Annette Bening e Armie Hammer. Os dois também brilham em seus papeis, mas Annette entrega uma atuação inspirada, misturando ódio e raiva de maneira singular. Armie também brilha no papel do milionário Simon, mesmo com sua pouca presença – talvez um reflexo do que aconteceu com o ator na vida real. Outros astros como Rose Leslie, Jennifer Saunders, Tom Bateman, Russell Brand, Ali Fazal, Letita Wright, Sophie Okonedo e Dawn French completam o elenco de estrelas. Quem também merece destaque aqui é Emma Mackey, no papel de Jacqueline de Bellefort, ex-noiva de Simon, e uma das principais suspeitas. Ela também entrega uma excelente atuação, indo da alegria à loucura de forma impressionante.

 

Mas, deixa eu falar sobre as performances de Gal Gadot e Armie Hammer. Ambos se entregam de corpo e alma aos papeis, e atuam em cenas cheias de glamour e principalmente, química. Seus personagens transbordam química na tela desde a primeira vez que se encontram, e essa química vai percorrendo o filme até o momento chave da trama. E os atores não tem medo de entregar cenas verdadeiramente ardentes. 

 

No entanto, apesar de seu brilho, Nilo foi alvo de uma polêmica, o que pode também ter atrasado seu lançamento nos cinemas. A vítima foi Armie Hammer, que se envolveu em um escândalo envolvendo assédio e até canibalismo, o que provocou seu cancelamento do cinema. Quanto a isso, não posso dar detalhes, porque não acompanhei nada, mas deixo aqui o meu parecer: é uma pena que ele tenha se envolvido em tais escândalos e desaparecido, porque é um grande ator, e quem já viu A Rede Social sabe do que estou falando. Se ele voltará ou não para o cinema, não sei, mas espero que sim.

 

E claro, além de diretor, Branagh também voltou a interpretar Poirot, e ele dá um show. Ele dá vida ao personagem de forma ímpar, destacando suas manias e excentricidades, além de, assim como todos, transitar do sério para o engraçado; e claro, aqui conhecemos um pouco mais do passado do personagem, movido por traumas.

 

Como mencionado acima, Nilo é melhor que Expresso, e espero que não seja a última vez que veremos Kenneth Branagh dando vida ao universo de Agatha Christie no cinema.

 

Enfim, Morte no Nilo é um filme excelente. Um verdadeiro espetáculo visual que enche a tela. Excelentes atuações de um elenco estelar, aliados à direção de Kenneth Branagh, fazem deste um dos melhores filmes do ano e uma das melhores adaptações de Agatha Christie para o cinema. Um filme maravilhoso, cheio de mistério, romance e um pouco de humor. 





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sexta-feira, 7 de maio de 2021

SEXTA-FEIRA 13 - PARTE 2 (1981). Dir.: Steve Miner.

 

NOTA: 9



Segundo os produtores do primeiro Sexta-Feira 13, nunca houve a intenção de produzir uma sequência, muito menos de apresentar o personagem Jason, uma vez que no primeiro filme, quem distribui as facadas é sua mãe, Pamela Voorhees, que estava disposta a se vingar dos conselheiros pela morte de seu filho. Bom, até aí, tudo bem, mesmo porque o primeiro filme tinha uma história redondinha, com começo, meio e fim. No entanto, como sabemos, o final dá uma dica para uma possível continuação, agora focada no garoto que se afogou em Crystal Lake.

 

Bom, dito e feito. No ano seguinte ao lançamento de Sexta-Feira 13, fomos brindados com a sequência. Mas não se engane. SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 2 é tão bom quanto o primeiro, e o melhor de tudo, seguiu os passos do primeiro e se tornou um filme ainda focado na tensão e no suspense, ao invés do banho de sangue. Mas isso não significa que o filme não tenha sangue. Mas, vamos falar sobre isso adiante.

 

O fato é que o filme é um dos melhores da franquia, e o meu favorito, talvez por ser um dos primeiros que eu vi, não me recordo bem. Mas seja como for, é um filme que eu gosto muito e me divirto toda vez que assisto.

 

Mas por que ele é tão bom? Pessoalmente, além dos detalhes mencionados acima, eu diria que é porque é bem escrito e bem dirigido, além de contar com bons atores que dão vida a personagens convincentes; mas, principalmente, eu diria que o filme é muito bom por causa de Jason, aqui em sua primeira aparição real na franquia. Mas, vamos por partes.

 

O roteiro, escrito por Ken Rutz, é redondo, com uma ótima trama focada no suspense nos primeiros atos, para depois focar nos assassinatos, assim como foi feito no primeiro filme. Como eu já disse várias vezes, é um tipo de filme de terror que eu gosto muito, uma vez que prepara o espectador para o que virá no futuro, e constrói o suspense de maneira convincente. Infelizmente, como sabemos, não é mais assim que se faz filmes de terror hoje em dia, então, é um ponto positivo. Outro é a direção de Steve Miner, aqui estreando. O diretor conseguiu fazer um ótimo trabalho, e as cenas são muito bem dirigidas, com ótimos enquadramentos e planos abertos. O elenco também não fica atrás. Assim como no primeiro filme, aqui, nós temos personagens bem escritos, que se parecem muito com pessoas que vemos no dia-a-dia. Novamente, é outra coisa que faz falta no cinema de terror atual – salvo algumas exceções. No entanto, a melhor personagem é a protagonista, Ginny, interpretada por Amy Steel. Ela é uma ótima personagem, e protagoniza as melhores cenas do filme, principalmente no final, quando fica cara a cara com Jason. Com certeza, é a melhor final girl da franquia.


No entanto, o melhor mesmo é o Jason, e já em sua primeira aparição oficial na franquia, ele está em sua melhor forma. Ao contrário do que veríamos nos filmes seguintes, principalmente após o ator Kane Hodder ter assumido o papel, aqui nós temos um Jason mais caipira, que vive no mato, numa casa improvisada, que usa um macacão e camisa xadrez. Não sei os demais fãs, mas eu gosto mais desse visual do personagem. Além disso, temos também um Jason atlético, que corre pela mata atrás de suas vítimas – assim como foi feito nos dois filmes seguintes – diferente o brucutu que anda calmamente até chegar às vítimas. E claro, não posso deixar de mencionar que, aqui, ele não está com sua clássica máscara de hóquei; ao invés disso, ele adota um saco na cabeça, com um buraco para o olho, e também não temos o clássico facão; temos aqui diversas armas, sendo as mais populares um forcado e uma picareta. E por fim, o rosto do vilão é o melhor da franquia inteira. Sem dúvida, aqui nós temos o melhor visual do personagem de toda a franquia.

 

Esses são os pontos positivos do filme. Devo também mencionar os efeitos especiais e as cenas de mortes. Infelizmente, aqui não pudemos contar com o mestre Tom Savini, mas o responsável pelos efeitos também fez um ótimo trabalho, e criou cenas de mortes memoráveis, com destaque para a cena da lança, completamente chupada do clássico Banho de Sangue (1971), do Maestro Mario Bava, além da cena da facada no rosto, também chupada do filme de Bava. Sim, o filme não tem muitas cenas de mortes, mas elas são muito boas, por causa dos efeitos especiais e da maneira como foram filmadas. No entanto, infelizmente, elas sofreram cortes da censura, talvez para evitar uma classificação indicativa maior, coisa muito comum na época. Hoje em dia, essas cenas podem ser encontradas na internet.

 

Mas apesar disso, Sexta-Feira 13 – Parte 2 é um filme muito bom, e além de contar com ótimas cenas de mortes, também conta com cenas bem tensas, principalmente no final. Assim como foi feito no primeiro filme, aqui foram utilizadas câmeras objetivas para simular o POV do assassino, e apenas suas mãos foram mostradas em cena, com uso de planos detalhes e enquadramentos estratégicos, para depois mostrar o vilão por completo nos momentos finais. Além disso, a cena em que a protagonista vê o personagem se aproximando de sua casa por uma janela é arrepiante e me dá calafrios toda vez que eu vejo. Tais técnicas foram utilizadas também nos dois filmes seguintes.

 

Assim como o anterior, foi distribuído pela Paramount, que possuía dos direitos da franquia, e foi distribuído no exterior, inclusive aqui no Brasil, pelo estúdio, ao contrário do que aconteceu com o primeiro. Foi lançado em VHS e DVD por aqui, mas atualmente está fora de catálogo. Lá fora, recentemente foi lançado em um box gigante em Blu-ray com todos os filmes da franquia; se tal box chegará aqui, talvez nunca saberemos.

 

Enfim, Sexta-Feira 13 – Parte 2 é um filme muito bom. Uma história redonda, com cenas de mortes memoráveis e momentos de pura tensão, que conta também com uma ótima direção. Um dos melhores da franquia, que fica melhor a cada revisão. A primeira aparição oficial de Jason Voorhees na franquia, em sua melhor forma. Um ótimo exemplo de uma continuação que não fica atrás do filme original e consegue ser tão boa quanto. Altamente recomendado.




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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

SEXTA-FEIRA 13 (1980). Dir.: Sean S. Cunningham.

 

NOTA: 9



Não há a menor duvida que Halloween, A Noite do Terror (1978), de John Carpenter, é o maior e melhor exemplar do gênero Slasher, até porque ele foi o primeiro a introduzir as regras que hoje são obrigatórias no gênero: Não faça sexo; não use drogas; nunca diga “Eu voltarei”, entre outras, sendo a principal, a figura do assassino mascarado que não morre.

 

Pois bem, eis que dois anos depois, outro filme se tornaria um clássico do gênero: SEXTA-FEIRA 13, dirigido por Sean S. Cunningham, e responsável por apresentar um novo ícone do terror: Jason Voorhees, o assassino de Crystal Lake. Mas, vamos com calma. Na verdade, o personagem só daria as caras de fato no filme seguinte, lançado um ano depois. Aqui, o assassino é outra pessoa. Mas, vamos por partes.

 

A ideia para o projeto partiu do diretor Sean S. Cunningham, que até então, era diretor de filmes infantis e de esporte, que não foram bem de bilheteria; além disso, Cunningham também o produtor do ultra-violento Aniversário Macabro (1972), filme de estreia do saudoso Wes Craven. Como seus trabalhos anteriores não deram retorno nas bilheterias, o diretor resolveu investir em outro gênero, então optou por fazer um filme de terror. E o filme que o inspirou foi justamente do filme de John Carpenter.

 

Na verdade, conforme o diretor conta, ele não tinha nem ideia de como fazer um filme de terror, mas mesmo assim, pediu para que a Variety publicasse um anuncio que dizia: “Friday the 13th, The Most Horrifying Film Ever Made!”, sendo que a única coisa que era de fato concreta era o título, novamente inspirado na ideia de uma data comemorativa, a exemplo de Halloween. O próximo a embarcar foi o roteirista Victor Miller, que já trabalhara com o diretor anteriormente. Miller foi ao cinema assistir ao filme de Carpenter, e de lá já descobriu as “regras” para se montar um filme do gênero Slasher.

 

As demais historias de bastidores se divergem. Uma delas diz que o diretor tinha contato com membros da Máfia de Chicago, que o ajudaram a conseguir dinheiro para o filme; outra fala que o diretor teve a ideia para o filme após assistir ao filme Banho de Sangue (1971), do Maestro Mario Bava, que foi exibido em uma sessão dupla com Aniversário Macabro, com o bizarro título de Last House on the Left II, sendo que foi lançado um ano antes do filme de Wes Craven. Na verdade, existem fãs do gênero que dizem que Sexta-Feira 13 é idêntico ao filme de Bava. Eu pessoalmente não acho. Acredito, sim, que Cunningham deva ter se inspirado no filme de Bava, mas não tinha a intenção de copiá-lo quadro a quadro.

 

Bom, seja como for, o fato é que Sexta-Feira 13 é um grande exemplar do Slasher, e também um dos melhores filmes do gênero, a começar pelo próprio roteiro. O roteirista Victor Miller admite que foi inspirado pelo filme de John Carpenter, mas a própria narrativa é bem diferente. Uma coisa que os dois filmes têm em comum é a estrutura. Ambos são mais focados na atmosfera do que nos assassinatos, apostando mais no suspense, deixando o gore para depois. Conforme já disse varias vezes, é o tipo de filme que eu gosto muito, porque investe mais na construção do ambiente e dos personagens, do que nos assassinatos; e temos um grande intervalo entre eles, algo que infelizmente não funciona hoje em dia, com as plateias mais acostumadas com o gore e a violência chocante explicita.

 

E o suspense toma conta do filme do começo ao fim. O diretor e o roteirista não poupam o espectador de cenas angustiantes, que conseguem deixar qualquer um com vontade de roer as unhas ou pular da cadeira. Eu mesmo já vi o filme várias vezes e sempre fico nervoso nessas cenas, principalmente no final, quando o assassino é revelado e começa a caçar a ultima sobrevivente pelo acampamento. Se no filme de John Carpenter isso já funcionou bem, aqui também não é diferente.

 

A direção de Cunningham é segura e experiente. O diretor e o diretor de fotografia fazem um belo trabalho, e seus ângulos e tomadas do acampamento são muito bem feitos, principalmente quando adotam a câmera como POV do assassino. São realmente cenas bem filmadas e enquadradas, e bem editadas, principalmente à noite, quando o acampamento é tomado por uma tempestade. Novamente, é um exemplo de como os filmes de terror eram mais focados nesse aspecto, o da atmosfera.

 

No entanto, apesar de ter sido influenciando por Halloween, Sexta-Feira 13 é diferente em uma coisa: os efeitos especiais. Enquanto o filme de Carpenter não tinha quase nenhuma gota de sangue, aqui a coisa foi bem diferente. Aqui nós temos assassinatos sangrentos, com o gore jorrando na tela. E cada um consegue ser mais cruel que o outro. O responsável pelos efeitos especiais foi o mestre Tom Savini, que já possuía uma carreira no cinema de terror, sendo mais conhecido por ser o colaborador do saudoso George A. Romero nos seus filmes de zumbis. Savini havia trabalhado anteriormente em O Despertar dos Mortos, lançado dois anos antes, e já mostrara seu talento; e aqui não foi diferente. Os efeitos especiais de maquiagem são espetaculares e vão dos mais simples aos mais elaborados. Difícil dizer qual o melhor, mas os meus favoritos são o da fecha e do machado. Uma aula de maquiagem, tudo feito com efeitos práticos.

 

Conforme mencionei acima, a franquia Sexta-Feira 13 foi a responsável por introduzir o personagem Jason Voorhees na cultura pop, transformando-o no maior vilão do cinema Slasher de todos os tempos. No enranto, quem dá as facadas no primeiro Sexta-Feira 13 não é o Jason, e sim, sua mãe, Pamela Voorhees, motivada pela vingança por terem deixado seu filho se afogar no lago no passado. E a Sra. Voorhees, toca o terror, eliminando os jovens um por um com requintes de sadismo e crueldade. É uma personagem excelente, uma das melhores do gênero Slasher, e tudo se deve a interpretação da atriz Betsy Palmer, que na época já não era um rosto tão conhecido no cinema, e, segundo ela mesma diz, estava precisando de dinheiro; inclusive, quando leu o roteiro, a atriz detestou o projeto, mas acabou aceitando o papel.

 

Sexta-Feira 13 foi lançado em 1980, e tornou-se um sucesso de bilheteria. Tornou-se também o primeiro filme Slasher a ser distribuído por um grande estúdio, no caso, a Paramount Pictures, que foi a responsável pela distribuição nos Estados Unidos, enquanto que no exterior, inclusive no Brasil, o filme foi distribuído pela Warner Bros. O sucesso do filme foi o responsável pelo surgimento das sequencias, cujo primeiro filme saiu no ano seguinte. Atualmente, a franquia conta com mais de dez filmes, incluindo o crossover com Freddy Krueger em Freddy X Jason (2003). Há muito tempo, surgiram rumores de um novo filme, mas, devido a uma batalha de direitos, isso não foi possível, uma vez que não se sabe qual estúdio detêm os direitos da franquia, uma vez que em determinado momento, a Paramount largou a franquia. Se haverá um novo filme ou não, acredito que nunca saberemos.

 

Foi lançado em VHS e DVD no Brasil, mas atualmente está fora de catalogo.

 

Enfim, Sexta-Feira 13 é um filme assustador. Uma historia redonda, com uma trama de verdade, simples, mas que consegue assustar. Os efeitos especiais de Tom Savini são um dos destaques do filme. Um dos maiores Slashers de todos os tempos. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Um Clássico dos Slashers. 







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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

UMA LAGARTIXA NUM CORPO DE MULHER (1971). Dir.: Lucio Fulci.

 

NOTA: 9



Como já mencionei em outras resenhas, o diretor Lucio Fulci era o Padrinho do Gore. Desde que se aventurou no gênero terror, no final dos 70, Fulci mostrou que entendia da arte de assustar o publico com cenas repletas de sangue. Porém, antes de se tornar um dos mestres do terror da Itália, Fulci resolveu se aventurar no Giallo, que na época, estava em alta no país. O diretor iniciou a carreira no gênero com Uma Sobre a Outra (1969), passando pelo polêmico O Segredo do Bosque dos Sonhos (1972), Premonição (1977), e este aqui, UMA LAGARTIXA NUM CORPO DE MULHER, lançado em 1971.

 

O filme, que marca sua primeira parceria com a atriz brasileira Florinda Bolkan, é um dos melhores exemplares do gênero. Com uma trama cheia de mistérios e reviravoltas, o filme consegue prender a atenção do espectador, e deixa-lo intrigado para resolver o mistério.

 

Como já disse outra vezes, o Giallo foi um subgênero que, da mesma forma que o terror, por exemplo, teve suas variações, e esse filme é uma delas. Sim, porque ele não apresenta o tradicional assassino de luvas pretas que sai matando mulheres com requintes de crueldade. Aqui, a trama é bem diferente; o roteiro apresenta uma ideia até original para o gênero, a ideia de que, às vezes, nosso subconsciente nos prega peças. Não digo que esse tema específico não foi abordado outras vezes em outras mídias, até acredito que sim; estou dizendo que, no gênero Giallo, eu vi poucos filmes que tocaram nesse assunto. Claro, a ideia da testemunha ocular que viu algo, mas não tem certeza, é algo recorrente, mas não chegou a ser explorada por um viés cientifico. Então, aqui, temos, sim, a protagonista que não sabe o que viu, mas abordado de outra forma. Segundo o roteiro, tudo acontece no subconsciente da personagem, que sofre de insônia e parece apresentar transtornos psicológicos.

 

Tal argumento é muito bem abordado pelo filme, principalmente nas cenas de investigação, quando os policiais decidem entrevistar o terapeuta. Admito que às vezes, as explicações dele parecem um tanto confusas, mas, se fizermos um esforço, podemos entender o que está sendo dito para nós, e até compreender a chave do mistério. Um mistério, que, como é comum no gênero, só é revelado no final do filme.

 

O roteiro faz uso de algo que já vi em outros exemplares. Em certo ponto da trama, as evidencias coletadas pela policia apontam para um determinado personagem, apesar do mesmo negar sua participação no caso. Pois bem, o filme utiliza desse argumento, e ao mesmo tempo, apresenta outros personagens que podem também ser culpados pelo crime, o que obriga o espectador a pensar um pouco mais. É uma tática muito boa, que funciona.

 

Eu confesso que na primeira vez que assisti ao filme, tive minhas dúvidas, principalmente a respeito do crime e do titulo; mas, conforme fui assistindo outras vezes, comecei a “pescar” as dicas apresentadas no roteiro e passei a compreender o que estava sendo apresentado. É uma coisa que acontece em muitos Gialli, porque as peças do quebra-cabeça nos são entregues aos poucos, então, temos que raciocinar antes de começar a montá-lo. Fulci faz uso desses enigmas com maestria, e consegue, sem esforço, deixar o espectador em dúvida. Ouso até dizer que essa dúvida fica conosco até mesmo depois do mistério ser resolvido, obrigando-nos a rever o filme.

 

Como mencionado acima, o filme marca a primeira parceria entre o diretor e a atriz brasileira Florinda Bolkan. A performance da atriz é excelente. Sua personagem parece tomada pela paranóia constante, provavelmente ocasionada por seus problemas psicológicos. Florinda passa, com total veracidade, tudo aquilo que a personagem está sentindo, seja medo, duvida, ódio... uma atuação excelente. Seus colegas de elenco não ficam atrás. O ator Jean Sorel, que já trabalhou com o diretor em Uma Sobre a Outra, também entrega uma ótima performance como o marido da protagonista; mas, quem rouba a cena, de fato, é o ator Stanley Baker, no papel do inspetor encarregado do caso; parece mesmo que ele é um policial, que não mede esforços para resolver o enigma e prender o culpado. Os outros atores também entregam boas atuações, e seus personagens também tornam-se criveis. Porem, o filme tem um defeito. A vizinha da protagonista é interpretada pela atriz Anita Strindberg, não-creditada. Eu sei que ela é uma das musas do Giallo, mas, como disse na resenha de No Quarto Escuro de Satã, eu não gosto dela, não acho que seja uma boa atriz. Sua participação no filme é pouca, mas, mesmo assim, não me agrada.

 

O responsável pelos efeitos especiais foi o mestre Carlo Rambaldi, famoso por criar o monstro de Alien, o 8º Passageiro e o E.T. de E.T., o Extraterrestre. Com vasto currículo, Rambaldi já trabalhou com alguns mestres do cinema, e no terror, seus truques merecem ser mencionados. Como já sabemos, Fulci tornou-se conhecido por ser o Padrinho do Gore, algo que desempenhou com maestria. Pois bem, mesmo não sendo um filme de terror, aqui temos alguns efeitos de gore, principalmente nos sonhos da protagonista. E Fulci já deu uma amostra do que faria no futuro, porque o gore é caprichado, com direito a tripas expostas e sangue escorrendo. Porem, a cena mais famosa do filme é a tal “cena dos cachorros”, que causou um grande alvoroço na época, devido a sua veracidade. O caso foi tanto que Rambaldi teve de levar os bonecos para o tribunal, a fim de provar que não eram verdadeiros. A cena é, de fato, chocante e impressionante. Um verdadeiro tapa na cara.

 

Além dos efeitos especiais de Carlo Rambaldi, o filme também contou com a trilha sonora do grande Maestro Ennio Morricone. A trilha do Maestro é excelente, com aspecto de fantasia, principalmente nas sequencias de sonho da protagonista. Nas cenas de suspense, a trilha muda de foco, tornando-se até um pouco sombria. Um belo exemplo do trabalho promissor do saudoso Maestro Ennio Morricone.

 

Para finalizar, vou destacar a sequencia em que a protagonista é perseguida por um dos suspeitos do crime dentro do Alexander Palace. Mesmo não sendo um filme de terror, esse é o momento mais assustador do filme, porque é impossível saber o que vai acontecer. A tensão está presente em todos os momentos, e parece que vai aumentando a medida que o homem se aproxima dela. Uma sequencia impressionante, digna de pesadelos.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Giallo Vol.2, em excelente versão restaurada.

 

Enfim, Uma Lagartixa Num Corpo de Mulher é um filme excelente. Uma historia enigmática de investigação policial, com elementos de erotismo e terror. Um roteiro muito bem escrito, que não entrega de cara a solução para o espectador, obrigando-o a raciocinar conforme vai acompanhando o filme. Uma direção madura de Lucio Fulci contribui para deixar o filme ainda melhor, combinado com a excelente atuação da atriz brasileira Florinda Bolkan. Um excelente exemplar do gênero Giallo.



Créditos: Versátil Home Vídeo





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segunda-feira, 24 de agosto de 2020

NO QUARTO ESCURO DE SATÃ (1972). Dir.: Sergio Martino.


 NOTA: 8


O diretor Sergio Martino resolveu ingressar no gênero Giallo em 1971, com o ótimo O Estranho Vício da Senhora Wardh, onde iniciou uma caprichada parceria com os atores Edwige Fenech e George Hilton, que formaram um dos casais mais famosos do gênero. E aqui, ele repete a parceria com a atriz, agora interpretando uma vilã. 

NO QUARTO ESCURO DE SATÃ é a terceira excursão de Martino no gênero, e um dos melhores. Mesmo não contanto com a trama clássica de assassinatos misteriosos, Martino fez um ótimo trabalho novamente, dando ao filme um aspecto interiorano e convidativo.

Como mencionei na resenha de Torso, essa é uma das melhores características de alguns dos Gialli do diretor, e ajudam a torna-los ainda mais atraentes. De verdade, são filmes que podem ser assistidos no final de semana a tarde, e a sensação que fica é muito boa, parece que combina. É o tipo de coisa que torna o Giallo um gênero tão agradável.

Ao contrario de seus compatriotas, Martino não optou pelas características clássicas do gênero – somente em O Estranho Vício e Torso – , deixando a figura do assassino mais de lado, e aqui não é diferente. E isso faz total sentido, uma vez que mudanças na estrutura dos filmes do gênero eram muito bem-vindas, e vários cineastas optaram por usá-las, o que deu uma certa variada. Eu pessoalmente sou fã do Giallo Clássico, com o assassino de luvas pretas, mas não vejo problema em assistir a um exemplar diferente. 

Bem, aqui, existe, sim a figura do assassino misterioso, mas, ele mesmo não faz parte da trama central. A trama central envolve o estranho triangulo sexual – não dá pra chama-lo de “triangulo amoroso” de jeito nenhum – formado pelos personagens principais, um triangulo repleto de submissão, sexo e violência. No fundo, essa é a essência do filme, uma historia de violência e tortura psicológica, e o diretor não poupa o espectador. Se você acha filmes com essa temática muito pesados, então, não recomendo este aqui. Grande parte da violência é desencadeada pelo personagem Oliviero, escritor decadente e alcóolatra. O personagem é terrível; humilha e tortura psicologicamente a esposa, seja em particular, seja em público, tem um caso com uma ex-aluna e com a empregada da casa e trata todos ao seu redor com desprezo. A única criatura que não sofre em suas mãos é o seu gato preto, Satã. Irina, sua esposa, é típico exemplo de personagem submisso. Vive sempre triste e com medo das agressões do marido; e Floriana é a mulher sedutora da cidade grande. Outros personagens como a empregada da mansão; uma senhora catadora de lixo; os policiais que investigam os homicídios; uma jovem prostituta e sua tia cafetina; e o dono da livraria, completam o elenco da trama, e todos eles são estranhos, cada um a sua maneira, o que é comum, ao meu ver.

Como mencionado, o diretor Martino repete aqui a parceria com a atriz Edwige Fenech, um dos grandes símbolos sexuais da época. Ao contrario do filme anterior, aqui ela interpreta uma personagem sem escrúpulos, que seduz tanto o casal principal, quanto um dos moradores da cidade, e sua atuação é fantástica. Acredito que não haveria atriz melhor para interpretar o papel, visto que é uma personagem cheia de sensualidade, e, francamente, a atriz era muito sensual. Da mesma forma que no filme anterior – e nos demais onde trabalharam juntos – , o diretor não faz pudor ao mostra-la nua.

Mas, apesar de ser um filme muito bom, ele também tem seus defeitos. Na minha opinião, o maior deles é a atriz Anita Strinberg, que interpreta Irina, a esposa de Oliviero. Eu sei que, assim como o Slasher, o Giallo também teve suas musas, e a atriz é considerada uma delas, mas eu pessoalmente não gosto dela. Eu não acho que ela entrega uma boa atuação, e aqui, a sua personagem passa o filme todo chorando e gritando, e mesmo quando acontece a reviravolta, a atuação dela não melhora. O ator Ivan Rassimov, outro colaborador frequente do diretor, também está nesse filme, no papel de um personagem misterioso, que infelizmente, quase não possui relevância para a historia, mesmo na hora da reviravolta. Sinceramente, acho que ele nem precisava estar no filme. E a sequencia dos créditos de abertura é muito lenta, tanto que eu pulo sempre que vejo o filme. E os miados do gato são muito irritantes.

Mesmo com esses problemas, No Quarto Escuro de Satã é um filme muito bom. Como eu disse, possui uma atmosfera de interior, que o torna ainda mais charmoso. Parte disso vem da própria ambientação. As locações são belíssimas, típicas do interior da Itália. A mansão do escritor também, com seus corredores vazios, janelas enormes, exterior todo deteriorado... O tipo de casa onde alguma coisa desagradável pode acontecer, e também, convidativa.

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, em versão restaurada, na coleção Giallo Vol.3.

Enfim, No Quarto Escuro de Satã é um ótimo exemplar do gênero Giallo. Tem um clima interiorano que o torna mais charmoso. Além disso, sua trama é repleta de situações rocambolescas, onde nada e ninguém é o que aparenta ser. Uma historia de violência e tortura muito bem contada, que chama a atenção. Uma direção segura e criativa, e uma trilha sonora calma e tensa ao mesmo tempo. Um dos melhores filmes do diretor Sergio Martino. Recomendado.

 

Créditos: Versátil Home Vídeo




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sexta-feira, 26 de abril de 2019

TORSO (1973). Dir.: Sergio Martino.


NOTA: 9.5


TORSO (1973)
TORSO é o meu Giallo favorito do diretor Sergio Martino. Lançado em 1973, este é o último dos 5 Gialli dirigidos por ele, que começou a se aventurar no gênero em 1971, com o ótimo O Estranho Vício da Senhora Wardh.

Considerado pelo próprio diretor como sua obra-prima, este é também um dos maiores exemplares do gênero, com todos os toques que o tornaram popular nos anos 70 na Itália: a misoginia, a trama enrolada, o assassino motivado por traumas do passado, etc. Porém, além de ser um dos melhores Gialli de todos os tempos, Torso também é considerado como um precursor dos Slashers americanos, uma vez que também apresenta as características que os cineastas americanos adotaram.

O filme apresenta uma trama muito simples, mas que, ao mesmo tempo, é enigmática, uma vez que os suspeitos de serem o assassino vão mudando a cada momento – característica também comum – , o que contribui para o clima de suspense e mistério; e, sinceramente, na primeira vez que assisti ao filme, fiquei em duvidas sobre quem seria o assassino, e quando ele é revelado, só descobri quem era na segunda ou terceira vez que assisti.

E falando no assassino, como em todos os Gialli, aqui ele é o destaque, com seu visual icônico: mascara de esqui cobrindo o rosto, vestes azuis e o lenço vermelho em volta do pescoço, sem contar, claro, as já famosas luvas pretas. E sem duvida, é um dos assassinos mais perversos do gênero, principalmente nos momentos finais, quando utiliza um serrote para acabar com suas vitimas – uma imagem também icônica, e impossível de não associar ao filme.

A sexualidade é outro fator muito presente no filme, o que contribui também para a fúria do assassino. Desde os créditos de abertura, o espectador é brindado com cenas de nudez, e elas percorrem o filme todo, praticamente o tempo inteiro, principalmente quando envolvem as protagonistas. Porém, essa sexualidade não se resume apenas às cenas de nudez, mas também na questão do desejo sexual, muito bem impresso na cena em que as protagonistas chegam ao vilarejo e são “devoradas” pelos homens. Conforme explica o diretor Eli Roth – fã confesso do filme – num depoimento, qualquer um daqueles personagens pode ser um maníaco sexual, e isso é verdade! Tudo isso também foi discutido por Fernando Britto, curador da Versátil Home Vídeo, que lançou o filme em DVD, com o critico Marcelo Miranda.

Como mencionado acima, Torso é o meu Giallo favorito do diretor Martino. Não apenas pela trama, mas também pelo aspecto que o filme passa – um aspecto nostálgico, quase de final de semana, um aspecto que me atrai muito em certos filmes.

Ao longo dos anos, o filme tornou-se objeto de cult nos Estados Unidos, tendo como fãs principais os diretores Quentin Tarantino e Eli Roth, que, conforme também declara em seu depoimento, prestou uma homenagem ao filme em O Albergue 2, ao escalar o ator Luc Merenda, que aqui interpreta um medico, para um pequeno papel.

Em relação ao elenco, as atrizes principais merecem destaque, principalmente Suzy Kendall, que interpreta a protagonista; anteriormente, ela havia estrelado o excelente O Pássaro das Plumas de Cristal (1970), filme de estreia de Dario Argento. Ela entrega uma atuação honesta, principalmente nos momentos finais – os mais assustadores – quando expressa o medo por encontrar-se presa em um ambiente com o assassino. Suas companheiras de elenco também não fazem feio, principalmente a atriz Tina Aumont, com uma atuação autentica.

Uma curiosidade: no seu depoimento sobre o filme, Martino declarou que o título americano (Torso) não tem nenhum significado na Itália, uma vez que os distribuidores não devem ter compreendido o título italiano: I Corpi Presentano Tracce di Violenza Carnale (Os Corpos Apresentaram Traços de Violência Carnal) e optaram por lançá-lo como Torso. Aliás, o filme recebeu outro título fora da Itália: Carnal Violence – uma tradução literal de “Violência Carnal”, talvez inspirado no título italiano.

Enfim, Torso é um Giallo excelente. Um dos melhores de todos os tempos. Um Clássico do gênero.

Permaneceu raro no Brasil, até ser lançado em DVD pela Versátil Home Vídeo, na maravilhosa coleção Giallo Vol.2.

Altamente recomendado. 



Créditos: Versátil Home Vídeo


sábado, 6 de abril de 2019

ASSASSINATOS NA FRATERNIDADE SECRETA (1983). Dir.: Mark Rosman.


NOTA: 8


ASSASSINATOS NA 
FRATERNIDADE SECRETA (1983)
ASSASSINATOS NA FRATERNIDADE SECRETA é um Slasher clássico. Como todos os filmes desse gênero produzidos nessa época, apresenta todos os elementos que estiveram presentes no gênero desde o Clássico Halloween (1978), de John Carpenter. E uma das características era que os produtores e roteiristas sempre inventavam historias que se passavam em fraternidades ou acampamentos. Esse filme segue o primeiro exemplo.

Porém, o que o torna um Slasher singular é a forma como a trama é contada. No inicio do filme, temos a clássica situação em que algo ruim aconteceu a um personagem, o que mais adiante, irá desencadear a onda de assassinatos que o público tanto espera. E de fato, aqui isso acontece, e o diretor não revela de cara o que é, mas é possível perceber que foi muito ruim. Porém, a partir daí, quando a historia de fato começa, tudo parece encaminhar para algo diferente, uma vez que não há praticamente nenhum indicio de que algo ruim aconteceu, a não ser o comportamento da Sra. Slater, dona da casa de fraternidade onde se passa a historia. O tal evento ruim só acontece momentos depois do começo do filme.

Normalmente, é o oposto. O evento ruim acontece no começo do filme, e torna-se o gatilho para os eventos sangrentos que o roteiro apresenta. Aqui, ao que parece, o diretor resolveu colocar dois eventos ruins na trama, sendo que de inicio, não dá pra perceber a ligação entre eles, como aconteceu comigo na primeira vez que assisti ao filme.

Aliás, é bem assim mesmo que o filme funciona. Para quem o assiste pela primeira vez, pode achar estranha a presença de buracos no roteiro, mas, sinceramente, se o espectador fizer um esforço, é possível preencher esses buracos; e foi o que aconteceu comigo. Para mim, isso é que é legal em situações assim – eu mesmo preencho os buracos (se é que eles existem) no roteiro, e tirar minhas próprias conclusões. No entanto, o diretor acabou respondendo uma das minhas duvidas em relação à historia – a presença do assassino na casa.

Bom, vamos então ao que importa nesse tipo de filme, a carnificina. Como em boa parte dos filmes dessa época, ela acontece aos poucos, às vezes de forma aleatória e sem motivo, mas, conforme a historia avança, as mortes começam de fato a fazer sentido. E aqui, é exatamente isso. Durante a festa promovida pelas garotas, o assassino primeiro mata um convidado aleatório – talvez para dar inicio aos homicídios em si, ou então para ele exercitar, não sei. Esse é, na minha opinião, o ponto fraco do roteiro; não havia necessidade de uma morte aleatória, uma vez que o cadáver desaparece e nem é mencionado novamente. Mas, a partir daí, a verdadeira carnificina começa, e de fato, vale a pena esperar. No gênero Slasher, o assassino é sempre criativo na hora de matar suas vitimas, utilizando o que estiver à mão para isso, e nesse filme, não é diferente. E como sempre, depois da primeira, a próxima consegue ser mais legal, e assim por diante. O problema, é que a sanguinolência é implícita – talvez por pretensão do diretor ou porque as cenas foram cortadas e nunca recuperadas – o que pode torna-lo um Slasher “light” em comparação aos seus “irmãos”. Mas isso não o deixa menos interessante e assustador em certos momentos.

Essa também é outra característica: a tensão construída aos poucos, e, dependendo do roteiro e da direção, funciona muito bem. Em certos momentos, principalmente na primeira vez que assisti ao filme, eu senti um arrepio na espinha, e cheguei a pular de susto. E nas outras vezes que assisti ao filme, não foi diferente.

Falando sobre as personagens principais, elas seguem aquela regra estabelecida no gênero: a heroína é a inocente do grupo, que faz o bem; as outras são as rebeldes, algumas vão além, não se preocupando com os outros e nem com o grupo. E em Fraternidade, a coisa não é diferente. A protagonista é boazinha, e não concorda com a brincadeira proposta pela líder do grupo, principalmente quando as coisas saem do controle. A antagonista é o oposto dela, perversa, egoísta, promiscua... e as outras garotas têm personalidades divididas: algumas pensam igual à líder do grupo; outras se preocupam com que pode acontecer, mas procuram não pensar nisso. Infelizmente, dependendo do filme, eu não consigo gostar da protagonista, e nesse filme isso acontece às vezes, principalmente no começo da historia.

Agora, falarei sobre o principal personagem da historia: o Assassino. O assassino é o ponto mais interessante dos Slashers, seja pela sua motivação, seja pela sua revelação no final, ou seja pelos métodos que usa para executar as vitimas. Nesse filme, o diretor faz questão de escondê-lo o tempo todo, às vezes, mostrando apenas sua arma trespassando as personagens. Como de costume, a revelação de quem ele é acontece no final, mas, ao contrario dos demais, aqui, a identidade é revelada por meio de um personagem secundário, ao contrario do que acontece nos demais filmes, onde um dos personagens adolescentes se revela como o assassino. Mas, aqui não é assim. O assassino é alguém alheio às personagens, alguém que elas não conhecem e nunca viram. Mas isso não faz dele menos interessante; pelo contrario. E a clássica fantasia que ele usa, é uma das melhores: UM PALHAÇO MISTURADO COM BOBO DA CORTE! Genial e assustador ao mesmo tempo! O engraçado é que, quando eu e meu irmão vimos essa fantasia no ótimo documentário Going to Pieces – The Rise and Fall of the Slasher Film, ele achou essa fantasia ridícula. Eu adorei; acho que é uma das melhores do gênero.


Enfim, Assassinatos na Fraternidade Secreta é um Slasher bem divertido, com um roteiro bem escrito, ótima direção e edição e clima de suspense de qualidade.

Permaneceu inédito no Brasil por muitos anos, até ser lançado em DVD pela Versátil Home Vídeo, na excelente coleção Slashers Vol.1.


Recomendável. 




Créditos da imagem: Versátil Home Vídeo


domingo, 17 de março de 2019

O PILOTO DA NOITE (Stephen King).


NOTA: 9.5


O PILOTO DA NOITE
Vou começar essa resenha dizendo o seguinte: eu descobri a existência desse conto, por causa da adaptação de 1997 – Voo Noturno - o primeiro filme de Stephen King que eu vi na vida, e que me assustou pra caramba.

Bom, em relação ao conto, tive pouco conhecimento sobre ele, apenas o fato de que era centrado apenas no personagem de Richard Dees, o protagonista antipático. Ou seja, os demais personagens presentes no filme praticamente não existem; o mesmo pode ser dito sobre algumas cenas.

Também não sabia bem onde o conto poderia ser encontrado – descobri que estava no livro “Pesadelos e Paisagens Noturnas – Vol.01” durante uma visita à Bienal do Livro. O processo para encontra-lo foi parecido com A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça. Passei a procura-lo em todo lugar, fosse em português ou em inglês, mas não encontrei. Até que encontrei os dois livros – “Pesadelos e Paisagens Noturnas “Vol.1” e “Vol.2” e comprei. E nesse feriado, resolvi ler o conto.

E que leitura!

De uma simplicidade impar, O Piloto da Noite é assustador. Focado apenas em Dees, o repórter de um jornal sensacionalista, cuja missão é identificar quem é o tal Piloto da Noite, um homem que vai de aeroporto em aeroporto, matando pessoas com requintes de violência. A pedido de seu editor, Dees começa sua caçada num aeroporto no Maine, onde o mecânico local relata que seu amigo e colega de trabalho foi morto pelo tal piloto misterioso. A partir daí, King leva seu personagem aos outros locais do crime, ouvindo relatos dos amigos das vitimas, sempre pensando no produto final: a Edição Especial dedicada ao Piloto da Noite, que sem duvida, será um campeão de vendas. Durante as 40 páginas da historia, Dees passa praticamente o tempo todo no cangote do tal Piloto, que parece estar sempre um passo a sua frente. Basicamente, o repórter chega aos locais pouco tempo após os homicídios, questão de semanas. O encontro final entre Dees e o Piloto da Noite é o melhor momento da historia. Uma cena apavorante, repleta de sugestão e, claro, sangue, muito sangue.

Confesso que durante toda a leitura – que levou três dias – eu me peguei lembrando das cenas do filme do qual esse conto é baseado, principalmente a primeira entrevista de Dees com o mecânico e o final sangrento. Também comecei a citar os diálogos entre Dees e o Piloto no seu encontro.

Para finalizar, O Piloto da Noite é um conto assustador, uma pequena mistura de historia de policial com terror.

Um pequeno texto simples, rápido, mas cheio de tensão, suspense e sangue. Um dos melhores textos do Mestre Stephen King. 




O QUE VOCÊS FIZERAM COM SOLANGE? (1972). Dir.: Massimo Dallamano.


NOTA: 10


O QUE VOCÊS FIZERAM 
COM SOLANGE? (1972)
Dentre os Gialli que já vi até agora, O QUE VOCÊS FIZERAM COM SOLANGE? (1972) é um dos melhores e um dos meus favoritos.

Uma história violenta de sexo, romance e suspense, como todos os filmes do gênero.

Basicamente, o que o torna diferente dos demais é a temática: boa parte da história acontece em uma escola feminina católica de Londres. Boa parte dos Gialli acontece em grandes cidades, principalmente na Europa.

Solange é um Giallo Clássico, com todos os elementos do gênero: o clima de mistério, a trama cheia de reviravoltas, a misoginia, a incapacidade da polícia em resolver os crimes, e principalmente, o assassino com as luvas de couro pretas.

A trama fala sobre uma série de assassinatos ocorridos em uma escola feminina católica em Londres. A polícia tenta solucionar o caso, mas não consegue. Resta então a um casal de professores tentar desvendar os crimes e descobrir a identidade do assassino.

Apesar de sua simplicidade, o filme consegue ser arrepiante em alguns momentos, principalmente aqueles envolvendo o assassino. Como em todos os filmes do gênero, vemos somente suas mãos enluvadas durante boa parte da trama. Porém, o que difere aqui é a maneira com que as cenas são filmadas. Os enquadramentos - praticamente em close - deixam as cenas de homicídio ainda mais assustadoras do que as de outros Gialli.

O filme marca a estreia de Camille Keaton no cinema, no papel da Solange do título, uma menina marcada por um trauma que a incapacitou psicologicamente. Anos mais tarde, a atriz protagonizaria A Vingança de Jennifer (1978), talvez o seu filme mais famoso, que recentemente, ganhou um péssimo remake, batizado de Doce Vingança. Camille dá um show de interpretação, assim como boa parte do elenco.

Outro destaque do filme é a trilha sonora, composta pelo mestre Ennio Morricone. Sem dúvida, é uma das melhores do compositor, e dá um toque dramático ao filme, com a presença de um coro feminino.

Como já mencionado, o Giallo é famoso por apresentar uma polícia ineficiente em praticamente todos os filmes, e aqui, isso é levado ao extremo, principalmente após a cena do parque de diversões.


O Que Vocês Fizeram com Solange? é um dos melhores Gialli de todos os tempos. Um filme arrepiante e maravilhoso. Um dos meus Gialli favoritos.


AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.