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terça-feira, 7 de maio de 2024

O BRAÇO DE MAR (Stephen King).

 

NOTA: 8.5


O BRAÇO DE MAR, presente na antologia Tripulação de Esqueletos, é um dos contos mais melancólicos e interessantes de Stephen King.

 

Aqui, o autor criou uma história de fantasmas dramática, sem apelar para o terror, seu gênero de costume, e mesmo assim, escreveu uma história muito boa.

 

A começar pela ambientação. A narrativa se passa em uma ilhota no Maine, e tem como protagonista, uma senhora idosa de 95 anos chamada Stella, que morou na ilha a vida inteira, e que nunca foi ao continente. No entanto, certo dia, durante o inverno mais rigoroso em 50 anos, ela decide ir ao continente, tendo como companhia o fantasma de seu marido.

 

No fundo, a história é basicamente assim, mas, na verdade, é um conto triste sobre uma mulher triste, que vive sozinha, visto que alguns de seus amigos e familiares já se foram. No entanto, ela ainda tem a companhia do filho e dos bisnetos, e passa o tempo contando histórias do passado da ilha para eles.

 

Mas logo, a solidão da protagonista é abalada pelas visões com seu marido falecido, que surge de vez em quando para ampará-la e para fazer companhia a ela, principalmente no final da história.

 

Ao contrário do que se pode imaginar, O Braço de Mar não é um conto de terror, e sim, um drama fantástico com elementos de suspense, visto que não há nenhum elemento de horror na narrativa.

 

Eu pessoalmente gostei muito desse conto, principalmente por causa da ambientação em uma ilhota do Maine. Durante a leitura, eu consegui imaginar como seria aquele lugar, principalmente aquela vila, onde a protagonista mora. Imagens de um filme canadense, baseado na história real de uma pintora folk, me vieram à mente, além de alguma ideia para um conto de minha autoria. Eu gosto muito dessa sensação quando estou lendo um livro, ou um conto, porque eu acabo, de certa forma, entrando na narrativa e na atmosfera.

 

As aparições do fantasma do marido de Stella também são um dos pontos altos da narrativa, porque, acontecem de maneira natural, com Stella primeiro interagindo com ele com medo, mas depois, acaba se acostumando com aquilo. O mesmo pode ser dito quando outros fantasmas surgem para acompanhá-la em sua jornada ao continente.

 

A sequência da jornada de Stella também merece menção porque é uma sequência tensa, que se passa no inverno mais rigoroso que a ilha está enfrentando, o que dificulta a jornada da protagonista, e a mesma acaba passando por alguns perrengues, antes de se encontrar com o marido e com os demais que já morreram no passado. A partir daí, vira uma sequência muito bonita, com os fantasmas dando apoio a ela em sua jornada.

 

E o final em si também é muito bonito e um pouco triste, com o destino de Stella sendo descrito pelo autor com sua técnica ímpar.

 

Esta, na verdade, é a minha segunda leitura do conto, mas, a primeira na edição da Suma; a primeira vez, foi na edição da Objetiva, mas eu não tive uma leitura agradável, porque a letra era bem pequena; com a edição da Suma, a leitura foi bem melhor e fluiu normalmente.

 

Enfim, O Braço de Mar é um conto muito bom. Uma história dramática com toques fantásticos, que prende o leitor e consegue encantá-lo ao mesmo tempo. Uma história triste e melancólica, cuja leitura é rápida, mas, envolvente. Uma narrativa de fantasmas contada com a maestria ímpar do Mestre Stephen King. Recomendado.


quinta-feira, 6 de julho de 2023

ÀS VEZES ELES VOLTAM (Stephen King).

 

NOTA: 8.5


Stephen King é um mestre na arte de contar histórias, seja nos livros, seja nos contos.

 

ÀS VEZES ELES VOLTAM, presente na coletânea Sombras da Noite, é mais um exemplo da genialidade do autor. Aqui temos também um tema que o autor gosta de abordar em suas obras: os adolescentes perversos; mas não é só isso.

 

Antes de chegar ao clímax, vou entrar em detalhes sobre o conto. Logo no inicio, nós temos uma noção do que aconteceu com o protagonista, o professor Jim Norman, visto que o autor deixa claro que o mesmo sofre de pesadelos com um evento ocorrido em sua infância, o assassinato de seu irmão, que foi cometido por um grupo de adolescentes.

 

E o pesadelo torna-se constante na história, visto que Norman é acometido por eles todas as noites, o que chama a atenção de sua esposa; mas o protagonista não revela a ela em momento nenhum o que aconteceu. E em determinado trecho da história, King nos conta o que aconteceu ao irmão de Norman, numa sequência assustadora e triste ao mesmo tempo – que me fez lembrar da adaptação dos anos 90.

 

E as coisas ficam piores para Norman, porque alguns de seus alunos começam a desaparecer e são substituídos por três adolescentes, que rapidamente se revelam para ele quem são de verdade. E as consequências do surgimento desses adolescentes são desastrosas.

 

Ao meu ver – e também utilizando o filme como base – , pude perceber que King faz uso aqui entidades demoníacas, ao invés de fantasmas, porque o protagonista faz uso de um livro sobre invocação de demônios e rituais para enfrentar os adolescentes; e tudo é feito de maneira brilhante, do modo como autor sempre sabe fazer.

 

Confesso que resolvi encarar a leitura do conto motivado pelo filme, que já vi algumas vezes, e acho muito bom. O conto também é muito bom, e claro, temos aqui grandes diferenças entre um e outro, principalmente no que diz respeito aos demônios. E o final do conto é mais macabro e sinistro do que o do filme – sem spoilers aqui.

 

Enfim, Às Vezes Eles Voltam é um conto muito bom. Uma historia de demônios e pesadelos escrito de maneira brilhante, do modo como Stephen King sabia fazer. A narrativa do autor é digna de pesadelos e arrepios, principalmente no que diz respeito aos vilões da historia. Uma das histórias mais populares de Stephen King, e uma de suas melhores. Altamente recomendado.


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terça-feira, 9 de agosto de 2022

O BICHO-PAPÃO (Stephen King).

 

NOTA: 8.5



Eu já disse várias vezes que Stephen King é um mestre na arte de contar histórias, seja através de livros ou contos.

 

O BICHO PAPÃO, presente na antologia Sombras da Noite, é mais um exemplo da sua genialidade. E que conto.

 

Em poucas páginas, ao autor foi capaz de escrever uma historia verdadeiramente arrepiante, capaz de nos provocar pesadelos.

 

Tudo começa na base da sugestão, narrada pelo protagonista, um homem atormentado pela morte de seus três filhos. Deitado no divã de um psiquiatra, ele vai contando tudo sobre sua vida, desde de seu casamento prematuro, passando pelo nascimento dos filhos e concluindo com suas mortes trágicas; e bem trágicas.

 

A princípio, parece que vamos ler uma historia sobre alguém que assassinou os filhos, conforme ele mesmo diz no começo, mas, conforme a leitura vai avançando, vamos descobrindo que se trata de muito mais. O homem é atormentado por uma criatura que seus filhos chamam de “Bicho-Papão”. E segundo ele, foi o monstro o responsável pela morte dos filhos. E o autor também faz questão de mostrar o quão desagradável é o protagonista, graças a suas opiniões controversas sobre certos assuntos; o que também não nos faz ser tão solidários com ele.

 

E a medida que vamos lendo, vamos mergulhando ainda mais nessa historia de horror, com o personagem contanto em detalhes como os filhos morreram e como ele os encontrou. Eu pessoalmente fiquei arrepiado, visto que o autor não nos poupa de cenas tensas.

 

E de fato temos cenas bem tensas aqui, principalmente que o protagonista descreve os elementos associados ao monstro: um som estranho, um odor peculiar... Tudo descrito com a maestria do Mestre Stephen King. E o melhor ele deixa para o final, mas não vou entrar em detalhes para não entregar spoilers.

 

Enfim, O Bicho-Papão é um conto muito bom. Uma pequena historia de horror com cenas dignas de pesadelos, tudo contado com a maestria que somente Stephen King possui. Uma historia rápida, mas arrepiante, que prende o leitor desde as primeiras linhas e o deixa largar até o final. Um ótimo conto de horror. Altamente recomendado.


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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

A ZONA MORTA (Stephen King).

 

NOTA: 10



Que Stephen King é um mestre na arte de contar histórias, todos sabemos disso, e, sinceramente, até agora, não li nenhum livro ou conto de sua autoria que me decepcionou.

 

E mais uma vez, eu tive um exemplo da genialidade do autor. A ZONA MORTA, lançado no final dos anos 70, é um de seus maiores clássicos.

 

Primeiramente, eu acho difícil encaixar o livro em uma única categoria, porque o autor mistura três gêneros diferentes: suspense, ficção cientifica e romance. Mas devo dizer que os três gêneros se juntam com maestria, e cada um desempenha o seu papel.

 

Eu confesso que ouvi falar dessa história pela primeira vez quando assisti à adaptação dirigida por David Cronenberg em 1983, e de cara, eu já me apaixonei, porque naquela época, eu já conhecia o autor, mesmo que pelos filmes, e então, deveria saber que algo grande estava por vir, mas, mais detalhes sobre isso na resenha do filme.

 

As inúmeras vezes que assisti ao filme foram o suficiente para querer ler o livro, e então, decidi ir atrás do mesmo. No entanto, não foi assim de imediato. A primeira vez que eu vi o livro, foi a finada biblioteca daqui da minha cidade, numa edição que era da minha mãe. Anos depois, durante uma viagem à SP, fui a um sebo com meu pai e meu irmão, e comprei o livro, em outra edição. E quando a Suma relançou, eu comprei também e foi essa a edição que eu li.

 

E que livro. A Zona Morta é um livro fantástico. Mais uma vez, King se mostrou um mestre na arte de contar histórias, e ele conseguiu contar uma história redonda, com personagens cativantes e um enredo cheio de surpresas.

Como é de seu costume, King dividiu o livro em três partes, e cada uma tem o seu mérito.

 

A primeira parte mostra a vida de Johnny antes e durante o acidente que o deixou em coma, principalmente enquanto o mundo está mudando ao seu redor. King descreve os acontecimentos com maestria, relatando tudo com detalhes impressionantes; tanto que parece que estamos lá, acompanhando tudo de perto. Vemos principalmente as mudanças nas vidas dos demais personagens, como sua ex-namorada Sarah; seus pais; e Greg Stillson. Sarah se casou com um estudante de Direito e se tornou mãe; sua mãe, Vera, afunda-se cada vez mais na loucura provocada pelo fanatismo; e Greg Stillson dá os primeiros passos em direção à carreira política.

 

O autor mostra o desenrolar desses personagens da mesma forma que mostra os acontecimentos no mundo, intercalando tudo. Dessas histórias paralelas, uma das melhores é a da mãe de Johnny. King mostra que a personagem foi se tornando vítima do fanatismo pouco a pouco, pois acredita que o filho pode acordar do coma, ao contrário de seu pai, que se mostra bem realista quanto ao futuro do filho. Eu achei que bem sensato do autor mostrar que seu pai não acredita que o filho possa voltar, e com isso, ele passa a viver a sua vida; Vera é o oposto. Ela passa a frequentar grupos de orações e a gastar dinheiro com isso, algo que acaba destruindo parcialmente a relação com o marido. Gregg Stillson, por outro lado, também começa a colocar as mangas de fora, mostrando-se um homem verdadeiramente perigoso, disposto a tudo para alcançar seu objetivo, algo mostrado já no prólogo, numa cena horrorosa.

 

Quando Johnny desperta, ele se torna uma espécie de celebridade, por causa de seus poderes, algo que ele renega, porque não acredita que os poderes podem lhe trazer benefícios. Os principais acontecimentos mostrados no filme de Cronenberg aparecem aqui: Johnny tendo a visão da casa da enfermeira pegando fogo; e a perseguição ao assassino. Essa é, na minha opinião, a melhor parte da história, porque dá um toque de suspense e tensão que prendem o leitor e o deixam arrepiado. Toda a investigação é muito bem escrita, além dos momentos anteriores, que mostram o assassino agindo em Castle Rock. Enquanto eu lia toda essa sequência da investigação, eu pude visualizar o que está no filme de Cronenberg, e isso foi muito legal, porque eu já conhecia aquela história, mas do ponto de vista do filme; agora, só precisaria conhece-la do ponto de vista do próprio autor, o mesmo vale para a revelação e a derrota do assassino. E da mesma foram que Cronenberg, King entrega uma cena sangrenta.

 

Na segunda parte do livro, King descreve a rotina de Johnny como professor, algo que ele faz após se recuperar do acidente; tal rotina é relatada com base na relação dele com um garoto rico que tem dificuldades em aprender, mais ou menos como acontece no filme de Cronenberg, mas aqui a coisa é mais extensa. A relação entre os dois é muito boa de acompanhar, e quando o rapaz consegue se destacar em suas atividades, é difícil não se ficar contente. Além da relação entre os dois, o autor também separa um tempo para dedicar a obsessão de Johnny por Stillson, principalmente após conhece-lo em um comício, e ter uma visão, assim como acontece na adaptação de Cronenberg. King separa um capitulo extenso para contar a história de vida do antagonista, destacando sua personalidade perigosa, algo já presente logo em sua primeira aparição no prólogo, naquela cena horrível.

 

Sobre as novas previsões de Johnny, ambas acontecem em momentos chaves. A primeira, com Stillson, acontece durante o comício do político, e assim como no filme, Johnny prevê o fim do mundo. E a segunda, envolvendo o garoto, acontece em sua festa de formatura, e o professor prevê um inferno literal, o que provoca pânico nos presentes, e rende uma auto-homenagem metalinguística bem legal, que me pegou de surpresa.

 

E o capítulo sobre a vida de Stillson também merece nota, porque é tudo escrito com riqueza de detalhes impressionante, que não fica muito maçante.

 

Além de contar como o mundo mudou ao redor de Johnny, King também faz uso de figuras reais, como jornalistas e políticos, relatando, inclusive, o encontro do protagonista com um candidato real que acabou vencendo as eleições da época.

 

Ainda sobre a previsão de Johnny a respeito do garoto. Durante a leitura, eu pude notar semelhanças – terríveis semelhanças – com o famoso incidente da boate que ardeu em chamas em 2013, que ganhou a atenção não apenas do Brasil, mas do mundo inteiro. Não sei se quem já leu o livro teve a mesma impressão, mas vou deixa-la aqui, fique à vontade para concordar ou não.

 

E conforme mencionei, Johnny também dedica seu tempo a descobrir informações a respeito de Greg Stillson, algo que ele faz de maneira obsessiva. E no final, quando Johnny decide fazer alguma coisa a respeito – quem já leu o livro ou viu o filme sabe do que estou falando – King nos presenteia com momentos de tensão extrema, que nos provocam arrepios, pelo menos para mim foi assim.


E na última parte do livro, King relata o que aconteceu com os personagens após o comício de Stillson em Phoenix, por meio de relatos, inquéritos e cartas.

 

Antes de encerrar, um pouco mais sobre o antagonista. King praticamente transforma Stillson em um super-homem, que anda por aí acompanhado de capangas armados até os dentes, a maioria, membros de gangues de motociclistas, talvez inspirado naquela notícia que os Rolling Stones – ou outra banda de rock – iam contratar os Hell’s Angels para serem seus seguranças. Existe também o rumor que King de certa previu a candidatura de Donald Trump para presidência dos EUA, o que de fato ocorreu, visto que os feitos de Stillson se assemelham ao que Trump propagou durante seu mandato. Se isso é verdade ou não, talvez nem o próprio autor saiba. Já eu consegui ver paralelos assustadores com a atual situação política do Brasil – não vou entrar em detalhes, porque isso aqui não é sobre esse assunto.

 

E claro, durante a leitura, eu não tive a menor dificuldade de visualizar Johnny e os outros personagens interpretados pelos atores do filme de Cronenberg, Johnny principalmente, mais durante o início do filme, antes do acidente.

 

Este é um dos primeiros livros do Mestre ambientados na cidadezinha de Castle Rock, cenário recorrente em suas histórias e romances.

 

Em 1983, conforme mencionado, recebeu uma excelente adaptação para o cinema dirigida por David Cronenberg, e estrelada por Christopher Walken, Herbert Lom, Brooke Adams, Tom Skerrit e Martin Sheen.

 

Enfim, A Zona Morta é um excelente livro de Stephen King. Mais uma vez, o autor se mostrou um excelente contador de histórias, com sua habilidade ímpar. O autor conseguiu criar cenas verdadeiramente tensas e trágicas, misturando os temas com maestria, além de contar a história do Estado Unidos com detalhes dignos de nota. Um verdadeiro clássico de sua bibliografia.


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sexta-feira, 23 de julho de 2021

O MACACO (Stephen King).

 

NOTA: 8.5



Que Stephen King é um mestre na arte de contar histórias, todos sabemos disso, e, sinceramente, até agora, não li nenhum livro ou conto de sua autoria que me decepcionou.

 

O MACACO, presente na antologia Tripulação de Esqueletos, é um desses exemplos. É um dos contos mais arrepiantes do Mestre que eu já li. Na verdade, reli.

 

A primeira vez que li essa historia foi na edição da Objetiva, mas foi há muito tempo; e quando peguei o livro para reler algum conto, tive muita dificuldade porque as letras eram muito pequenas, então, comprei a edição da Suma, e essa semana, sentei para ler esse conto.

 

E que leitura. O Macaco é um conto verdadeiramente arrepiante, sobre os nossos pesadelos mais profundos, que sempre voltam para nos assombrar, cedo ou tarde.

 

O autor constrói uma história simples sobre um objeto aparentemente inocente, mas que fundo é um instrumento do terror, que carrega algo de ruim dentro de ruim. Eu já tinha visto a capacidade do Mestre em criar uma história assim em Christine e A Máquina de Lavar Roupa, e aqui, ele se mostra mais uma vez sua habilidade.

 

Mas mais do que uma história de um objeto maldito, O Macaco também é uma história de loucura, e ambiguidade, uma vez que em certos momentos, ficamos na dúvida se o macaco é mesmo um objeto maldito, ou se tudo não passa de imaginação do protagonista, que é assombrado por ele desde criança.

 

E francamente, não vejo objeto melhor para assombrar alguém do que um macaco de corda. Eu sinceramente, morro de medo desses brinquedos, principalmente por causa do seu sorriso sinistro e seus olhos penetrantes. Basta procurar na internet qualquer imagem de um macaco de brinquedo com címbalos, que vão ver o que quero dizer. Essas coisas são assustadoras, e quem já viu Toy Story 3 deve ter ideia do que estou falando...

E em se tratando de uma história de Stephen King, não pode deixar de ter aquele toque especial do autor, e nesse caso, ele não faz questão de esconder que o perigo está nos címbalos do macaco, que a cada toque, algo terrível acontece com alguém relacionado ao protagonista, coisas horríveis mesmo, uma mais assustadora que a outra.

 

E claro, temos também um pequeno toque de loucura, uma vez que, após reencontrar o macaco, o protagonista muda completamente sua personalidade, indo de um pai e marido amorosos, para um pai que agride seu filho mais velho com crueldade. E tal comportamento ameaça a instabilidade de sua família, mas o pior de tudo, é que eles não sabem o motivo de tal mudança.

 

E outra coisa que autor faz bem é o uso de flashbacks para explicar a relação do protagonista com o macaco, além de demonstrar as habilidades malditas com mesmo com as pessoas envolvidas com o protagonista, além de envolve-lo em um jogo de terror psicológico de arrepiar.

 

Enfim, O Macaco é um ótimo conto. Uma história simples, mas assustadora, sobre pesadelos de infância, que sempre conseguem voltar. A escrita de Stephen King é o grande destaque, e o autor consegue contar a história com sua habilidade de sempre, levando ao leitor para dentro da narrativa. Um conto arrepiante, digno de pesadelos. Muito bem recomendado. 



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quarta-feira, 1 de julho de 2020

CARRIE, A ESTRANHA (Stephen King).


NOTA: 10



CARRIE, A ESTRANHA
CARRIE, A ESTRANHA é um Clássico de Stephen King. Seu romance de estreia, até hoje, é uma de suas melhores obras, e um livro relevante e atual.

Primeiro, é importante dizer que, muito mais que um livro de terror, Carrie é um livro sobre bullying. É um assunto muito presente na narrativa, e que sempre é alvo de discussões, principalmente quando acontece alguma tragédia em nossa sociedade. Sempre que vemos alguma noticia sobre um massacre escolar, acabamos descobrindo que o responsável cometeu o crime motivado por uma coisa: raiva acumulada por anos de bullying no ambiente escolar; raiva que explodiu de forma implacável. E é por isso que a questão do bullying deve ser trazida a tona, para talvez evitar que tais tragédias aconteçam. Então, no fundo, é justo dizer que Stephen King escreveu um livro sobre bullying nas escolas, e as consequências que ele traz. Acredito que seja a melhor maneira de definir o livro.

Pois bem, mudando o foco para a escrita do livro, digo o seguinte: já em seu livro de estreia, Stephen King soube criar uma historia excelente, perturbadora e apavorante. Seu texto é brilhante, escrito de uma forma simples, mas que prende o leitor até o final. Já comentei em outras resenhas que esse é o brilhantismo do autor, sua capacidade de criar enredos e personagens cativantes, que pegam o leitor pela mão e atiçam sua imaginação. Não é difícil imaginar como são aqueles personagens e aqueles cenários, porque eles são, realmente, criveis. É o tipo de coisa que somente grandes contadores de historias conseguem fazer, e sempre irei tratar disso quando fizer resenha de algum livro de Stephen King.

Outra coisa que torna a narrativa interessante é a forma como o autor a compôs. Ao invés de optar por algo linear, o autor resolveu conta-la em tempos diferentes, oscilando entre o passado e o presente, utilizando trechos de documentos sobre o fenômeno da telecinesia – a capacidade de mover objetos com a força do pensamento – e entrevistas sobre a tal Noite do Baile, evento que abalou a cidade onde a história se passa. Esses trechos de documentos científicos e entrevistas são muito interessantes e bem realistas; em certos momentos, eu imaginava se tudo aquilo existia mesmo. Um trabalho magistral.

Carrie é também uma historia brutal. As cenas da menina com sua mãe são arrepiantes, e a tortura psicológica ao qual a protagonista é submetida é muito pesada, e chega a ser triste ler essas passagens; é quase como se estivéssemos lá, vendo tudo aquilo, mas incapazes de agir. Eu já tive essa impressão na primeira vez que li o livro, e nessa releitura, a coisa não foi diferente. São cenas dignas de pesadelos.

Conforme mencionado acima, o principal evento da historia é a Noite do Baile, um evento muito comentado na narrativa, seja pelos alunos, seja pelos cientistas que estudaram o caso de Carrie depois. Muito bem, quando o autor finalmente o apresenta, a gente já tem uma vaga ideia do que vai acontecer, porque é citado nos trechos de estudos científicos e entrevistas, e o que aconteceu não foi nada bom; e quando é revelado o ocorrido, é o momento em que a historia se transforma numa verdadeira historia de horror, graças à Carrie e seus poderes. Ela é terrivelmente humilhada por uma das alunas, e decide se vingar. E sua vingança é terrível, atingindo seus colegas na Noite do Baile, metade da cidade, e sua mãe. Ela não poupa ninguém, e destrói tudo em seu caminho. Também não foi difícil imaginar toda a destruição, muito menos nos efeitos que isso causou na população. Para resumir, as pessoas nunca mais foram as mesmas depois disso tudo. Impressionante.

Outra coisa que podemos dizer sobre Carrie, é que é uma historia sobre o sangue. Ele está presente na narrativa do começo ao fim, e King não economiza, principalmente na sequencia da vingança de Carrie. O autor literalmente dá a ela um banho de sangue, e não a poupa disso. É sério, é arrepiante o que o autor faz com ela, com direito a facada, partes do corpo em carne viva, e sangue de porco. Um verdadeiro banho de sangue.

Com certeza o maior impacto da narrativa é a cena do vestiário, quando Carrie tem sua primeira menstruação. É uma cena que já surge com os dois pés na porta, uma cena forte e muito pesada, com a protagonista sofrendo humilhações das colegas, porque não sabia o que estava acontecendo com seu corpo, porque a mãe nunca lhe contou sobre isso. Tal selvageria foi muito bem retratada na excelente adaptação dirigida por Brian de Palma.

Devido ao seu conteúdo referente ao bullying, Carrie é, sim, um livro atual e relevante para discussões.

Em 1976, dois anos após sua publicação, recebeu uma excelente adaptação para o cinema dirigida por Brian de Palma, e estrelada por Sissy Spacek e Piper Laurie, nos papeis de Carrie e sua mãe, respectivamente.

Para finalizar, talvez não seja novidade que o livro quase não viu a luz do dia, porque Stephen King não se empolgou com o que estava escrevendo, e jogou as primeiras paginas no lixo. Felizmente, sua esposa recolheu as mesmas, deu uma lida e o incentivou a continuar, porque havia gostado. O resto é historia.

Enfim, Carrie, a Estranha é um clássico absoluto de Stephen King. Uma historia brutal de violência, tortura e sangue, contada com maestria. O autor consegue prender a atenção do leitor desde a primeira pagina, e não o poupa de situações pesadas e chocantes. Um livro construído de forma brilhante, cuja simplicidade é sua maior característica, e que cona com cenas verdadeiramente assustadoras e dignas de pesadelos. Uma historia de tirar o folego. Um livro excelente, e um dos maiores de Stephen King. Brilhante. Assustador. Maravilhoso. Altamente recomendado.



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terça-feira, 2 de junho de 2020

´SALEM (Stephen King).


NOTA: 10



'SALEM
Acredito que a primeira vez que ouvi falar em Salem’s Lot, segundo livro do autor Stephen King, foi em um documentário sobre a vida do autor, onde o livro foi mencionado pelo título que recebeu por aqui anteriormente, A Hora do Vampiro. A segunda vez foi com a adaptação para TV dirigida por Tobe Hooper.

A existência da adaptação me motivou a querer ler o livro, mas, na época, já não estava mais disponível. Foi só recentemente que adquiri a minha edição, agora lançada pela Editora Suma com o título ‘SALEM, e esse ano, resolvi sentar para ler. Dito e feito.

‘Salem é excelente. É uma das melhores historias de vampiro que já li, e um dos melhores livros de Stephen King, e já é um dos meus favoritos.

Quem conhece Stephen King, sabe que vários de seus livros são dignos de nota, pelo simples fato de serem muito bem escritos. Não há duvidas que o autor é um mestre na arte da escrita, e um excelente contador de historias, e ‘Salem é mais uma prova disso. É um livro maravilhoso, com narrativa envolvente e muito bem amarrada, que prende o leitor desde a primeira página. E, além disso, é muito assustador.

Em minha opinião, a cena mais assustadora é a cena do cemitério, onde um dos personagens é atacado por um dos primeiros vampiros. A cena mais arrepiante é a segunda cena da janela, que acontece com o personagem do garoto. Melhor não dizer mais nada, para não entregar spoilers.

Seja como for, o fato é que todos os personagens do livro são críveis, como se fossem pessoas de verdade. Esse é um dos grandes trunfos do autor, a capacidade de criar personagens que se parecem com as pessoas que vemos no nosso dia-a-dia. E não apenas os personagens, o cenário também.

Meus momentos favoritos são quando o autor descreve para nós a cidade de Jerusalem’s Lot e seus habitantes. Durante a leitura, eu pude me ver dentro daquela cidade, interagindo com as pessoas, de tão realista que é a descrição. É o tipo de coisa que o autor faz com brilhantismo e perfeição.

Como já havia assistido à adaptação de Tobe Hooper, não foi difícil visualizar os personagens conforme apresentados na minissérie, nem algumas cenas do livro que entraram na mesma, duas em especial.

Conforme comentou em um programa de TV, o autor é fã do vampiro clássico, e aqui ele pôde prestar as homenagens; os vampiros aqui presentes dormem em caixões, têm medo de crucifixos, não saem durante o dia, são monstruosos, e devem ser convidados para entrar em um recinto. Mais clássico impossível. Também não foi difícil visualizá-los como foram retratados na minissérie.

Mas o melhor de todos, é o Mr. Barlow, o vilão da historia. Ao contrario da versão apresentada na minissérie de Tobe Hooper, aqui, Barlow é um aristocrata europeu, charmoso, elegante, articulado. Quase um Drácula do século XX. Aliás, não lembro onde foi, mas eu li que o autor Stephen King fez de ‘Salem sua própria versão do livro de Bram Stoker. E funcionou, e muito bem.

Além da excelente adaptação de Tobe Hooper, lançada em 1979, ‘Salem também recebeu outra adaptação, também para TV, em 2004. Na época em que vi pela primeira vez, confesso que achei um ótimo filme, principalmente por causa dos vampiros; mas, hoje em dia, considero um filme bem fraco. Recentemente, foi anunciado que uma nova adaptação, desta vez para o cinema, está em desenvolvimento, com James Wan envolvido. Vamos aguardar.

Enfim, ‘Salem é um livro excelente. Uma historia de horror muito bem contada, e bem amarrada, onde tudo se encaixa. A escrita de Stephen King é magistral, e prende a atenção e envolve o leitor, do começo ao fim. Uma clássica historia de vampiro, com todas as características e homenagens à literatura do gênero. Uma trama arrepiante e sangrenta, com cenas dignas de causar pesadelos. Um dos melhores livros de Stephen King, com certeza. Maravilhoso. Altamente recomendado.




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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

IT, A COISA (Stephen King).


NOTA: 10




IT, A COISA
IT, A COISA é um clássico absoluto de Stephen King, o Mestre do Terror.

Um livro perfeito, escrito de maneira brilhante, rico em detalhes, digno de apavorar qualquer um, sem fazer esforço, repleto de cenas memoráveis.

Escrito pelo autor durante os anos 80, o livro tornou-se um de seus maiores sucessos e continua assim até hoje. Mas o que o torna um livro tão perfeito?

A começar pela narrativa. Não há duvidas de que Stephen King é um mestre na arte de escrever, e até agora, não encontrei nenhum livro – ou conto – que me decepcionasse. E It é um deles. Durante a leitura, King mostrou que estava em sua melhor forma, ao contar uma historia tão detalhada e assustadora.

Como já devo ter mencionado, existem casos em que um livro pequeno, de poucas paginas, como A Metamorfose, por exemplo, contém muito mais historia do que um calhamaço de quase 2.000 páginas. Mas, existem exceções, e It é uma delas. Sinceramente, não consigo imaginar esse livro com menos de 600 paginas, porque não faria sentido nenhum. King precisou, sim, estender a narrativa até o total de 1.100 páginas, porque ele tinha muita, mas muita historia para contar.

Conforme ele mesmo revela em um dos extras do primeiro capítulo da nova adaptação, sua fonte de inspiração para criar a pequena cidade de Derry foi o próprio estado do Maine, seu lar. Ele contou que buscou inspiração nas historias que leu sobre a cidade de Bangor, os relatos de brigas de gangues, por exemplo, que acabaram entrando no livro. Ele também pesquisou sobre seu próprio passado, como quando ele e seu irmão brincavam no rio que havia na cidade, e como isso também influenciou na criação do Barrens, e claro, inventou suas próprias historias, juntou tudo e criou e cenário da historia.

E ele faz tudo com perfeição. Seu relato sobre Derry é fantástico, bem como suas descrições da cidade. Em inúmeros momentos, eu consegui visualizar aquela cidade, como seriam os prédios, as casas, as praças, a estatua do lenhador, o cinema, enfim, tudo. É o tipo de coisa que costumo fazer quando estou lendo um livro e me envolvo com a historia, independente do autor e do gênero, e aqui, não foi diferente. E quando acontece uma coisa assim, é porque eu adoro o que estou lendo. Inclusive, pessoalmente, eu acho muito mais fácil criar uma cidade, seja ela de que tamanho for, do que utilizar um cenário real. O autor tem mais liberdade para imaginar a estrutura do lugar, onde cada prédio ficaria, como seria a rotina dos habitantes, enfim, tudo, sem se ater a costumes antigos. Eu pessoalmente, gosto de imaginar assim; claro, não tenho nada contra usar um cenário real numa historia, cada um é cada um.

E claro, It é um livro de horror, e como tal, não faltam cenas de horror. Mas, qual a melhor delas? Olhe, difícil dizer. Na primeira leitura, já tive impressão; agora, com a releitura, a impressão continuou. Difícil escolher a melhor, porque são muitas. E com certeza, essas cenas de horror já se tornaram antológicas.

O Clube dos Otários é sem duvida, uma das melhores coisas do livro. É possível perceber, durante a leitura, que o livro é sobre eles. King descreve cada um deles maravilhosamente, expondo suas vidas, seus medos, tristezas, alegrias, dificuldades, enfim, tudo sobre eles. Difícil dizer qual é o melhor deles, porque são todos adoráveis. Cada um tem a sua característica, o seu modo de pensar, de agir, de ver o mundo, e principalmente, cada um tem o seu próprio mundo. Eles têm problemas, sim, como todos nós; passam por dificuldades tanto na juventude quanto na fase adulta; em algum ponto da vida, eles fracassaram em seus objetivos, enfim, são seres humanos completos. E de verdade, é impossível não vê-los juntos e não se apaixonar. De fato parece que a dinâmica entre eles é bem real, com cada um agindo do seu jeito, mas sempre pensando naquela temática do “Um por todos e todos por um”. Eles nunca estão sempre sozinhos, quase sempre estão juntos os sete; eles têm o seu ponto de encontro no Barrens, uma sede do clube embaixo da terra... O tipo de coisa que todos nós gostaríamos de ter em algum momento da vida, pelo menos eu. E claro, eles passam por perrengues, seja em casa, seja na escola. Ou seja, repetindo, são pessoas de verdade. Na leitura, é possível perceber uma certa troca de papéis. Se na infância, o grupo era liderado por Bill, na fase adulta, Mike, o único que ficou em Derry, assume esse posto de liderança, mesmo que temporária. Interessante essa troca.

Como os sete são os personagens principais, não é muito fácil distinguir quem, de fato, é o protagonista da historia, porque é daquele tipo onde todos os personagens conduzem, cada um do seu jeito. Não tem essa de “um tem mais espaço que o outro”; todos eles têm o seu momento, e brilham nesse momento, seja na juventude, seja na vida adulta.

Os outros personagens também são maravilhosos. Assim como os sete membros do Clube, cada um ali descrito tem sua própria vida, cheia de fracassos, alegrias, tristezas, enfim... Porém, é possível perceber que King dá mais espaço para o valentão da escola, o adolescente Henry Bowers, e seu grupo. King os descreve com a mesma paixão que descreve o Clube dos Otários, principalmente Henry. Ele, sem duvida, o típico adolescente que mete medo em todo mundo. O típico valentão da escola, que adora provocar os mais fracos e meter medo neles. No entanto, existe algo a mais. Henry é sádico. Sempre armado com seu canivete gigante, é evidente que ele não quer apenas machucar os Otários; ele odeia a todos. Os outros membros do grupo de Henry também são valentões, mas, nem todos são perversos; a única exceção é Patrick Hockstetter, que consegue ser tão sádico, ou até, pior do que Henry. Eu acho que ele é pior. King dedica um capitulo só para ele, e o que está escrito não é brincadeira. Patrick é terrível, cruel, sem escrúpulos ou remorso. Esse foi um dos capítulos mais arrepiantes do livro. E o destino dele também não fica atrás.

No entanto, na opinião de muitos, o que faz de It um livro assustador, não é o vilão, ou as cenas de horror. O que assusta de verdade, são os assuntos que King aborda. Falo de racismo, violência domestica, violência psicológica, abuso sexual, assedio, enfim, essas coisas que existem na nossa sociedade e nos assustam todos os dias. Infelizmente, é possível perceber que, mesmo tendo sido lançado há mais de 30 anos, o livro continua atual nesse aspecto, porque a nossa sociedade não mudou nada em relação a esses assuntos; pelo contrario, às vezes, nem sempre, são varridos para debaixo do tapete. Não é sempre que isso acontece, mas acaba acontecendo. Eu, pessoalmente, não gosto de noticias envolvendo esses assuntos, na verdade, nem gosto de discutir nem de saber sobre eles porque são muito tristes.

Outra coisa que King faz com maestria, é mostrar que, apesar da ameaça da Coisa, a cidade de Derry também é envolta em sangue. Muito sangue. Nos trechos batizados de “Interlúdios”, Mike conta em seu diário como foi a historia da cidade, na tentativa de descobrir o motivo pelo qual a Coisa retorna a cada 27 anos. E olha, que historia. Derry tem o sangue nas veias. Ao longo dos séculos, a cidade testemunhou o pior de seus habitantes, com direito a massacres em bares, crianças mortas em explosões, pais espancando filhos... Acho que um dos mais violentos episódios foi o incêndio no clube Black Spot, um clube para negros, ocorrido nos anos 30. Durante a leitura, eu consegui visualizar aquela noite horrível, onde muitos homens perderam a vida. King não faz cerimonia, e descreve a destruição nos mínimos detalhes. Sem duvida, um episodio trágico, mesmo sendo fictício. O mesmo vale para outros episódios trágicos descritos nos Interlúdios, mas, na minha opinião, o mais triste foi esse.

E como mencionado acima, seria impossível descartar esse lado negro da cidade, porque deixa a descrição mais rica, e também ajuda a entender por que a Coisa se sente atraída pela cidade e seus habitantes.

E o que dizer a respeito de Pennywise, o Palhaço Dançarino? Pennywise. É sem dúvida, o melhor personagem do livro. Com certeza, foi o responsável – ou um dos responsáveis – por causar coulrophobia em muitas pessoas. Coulrophobia é o termo dado para quem tem medo de palhaços. Não é difícil entender o motivo. Apesar da fama de serem engraçados, palhaços são, em primeiro lugar, assustadores. Quem consegue achar graça num ser humano com a cara branca, sorriso enorme e um enorme nariz vermelho, com sapatos gigantes? Eu não. Na verdade, eu não sofro de coulrophobia, mas não gosto de palhaços, nunca gostei. Mas, Pennywise... Meu Deus. Ele consegue meter medo em todo mundo, sem esforço nenhum. Desde que surge, no começo do livro, ele mostra que não é um palhaço bonzinho, e isso segue até o final da historia. Na verdade, ao longo do livro, King revela que o palhaço Pennywise é apenas uma das formas que a Coisa assume para atrair as crianças, conforme explica em um trecho do livro. O monstro assume inúmeras formas para assustar suas vitimas, incorporando seus piores medos, mas é o Palhaço Pennywise que fica na nossa memória, tanto que é impossível não associar o livro à figura do palhaço. Além de ser um dos maiores vilões do universo de Stephen King, é também o mais complexo. A Coisa é uma entidade mais antiga que o Universo, que veio à Terra para se alimentar de crianças, a fim de obter força. E King descreve sua criatura de forma impressionante, tão impressionante, que requer esforço da parte do leitor para entender como ela funciona. Sério. Acho que nem as criaturas de H.P. Lovecraft são tão complexas. Mas, pessoalmente, eu não encontrei dificuldade em assimilar e entender a historia da Coisa. Na primeira leitura, eu consegui entender como ela funciona e como ela assume e forma física na Terra e também como faz uso de várias formas para assustar suas vitimas e atraí-las. No fundo, é possível resumir a Coisa da seguinte maneira: é uma entidade cósmica que se alimenta de crianças e assume várias formas com o intuito de assustá-las; a forma do palhaço Pennywise é a forma que ela usa para atrair as crianças. Não deve ser tão difícil, não é? E o método que King encontrou para torna-la uma predadora perfeita é brilhante: somente as crianças conseguem vê-la, os adultos, não. E por quê? Porque quando nós crescemos, deixamos de acreditar em certas coisas, como fantasmas, monstros, fadas, essas coisas. Portanto, fica mais fácil para a Coisa caçar e matar as crianças de Derry, porque elas são muito mais vulneráveis.

Agora, sobre a minha sequencia favorita, vou dizer qual é. É um capitulo que é narrado principalmente como se fossem noticiais de um jornal. Claro que o que está sendo documentado não é bonito, mas, o que me atrai nesse capitulo é o modo como é escrito. As noticiais ali descritas parecem reais, e posso apostar que o jornal onde elas estão veiculadas, pode ser encontrado com facilidade nas bancas.

Meu outro momento favorito é quando King traz uma convidada de seu universo para a história, quando Henry já é adulto, e decide ir atrás dos Otários. A cena é fantástica, assustadora e bem feita. Eu adorei na primeira vez que li, e na releitura, adorei mais ainda. E o modo como ela entra na historia faz tanto sentido, que, francamente, não poderia ser de outro jeito.

Mas não é apenas um membro de seu universo que o autor traz nesse livro. Outro personagem, de um de seus livros mais famosos, também aparece em determinado momento da historia, no trágico episodio do incêndio do Black Spot. Tem gente que acha que é uma forma que o autor encontrou pra dizer que suas historias estão conectadas. Eu pessoalmente, não vejo assim; eu acho que é apenas uma brincadeira.

O livro é alucinante, não há duvida quanto a isso. Em certos momentos, a leitura é frenética, como se fosse um filme de ação; acho que é porque tem muitas cenas de ação. Mas são cenas muito bem escritas, e parece que conseguimos visualizá-las conforme lemos o livro; pelo menos pra mim foi assim. E esse ritmo frenético contribui para o andamento da historia, e não a deixa chata em momento nenhum, pelo contrário, ela fica ainda mais emocionante. Mas com certeza, os momentos mais frenéticos ficam para o final, quando os Otários vão enfrentar a Coisa novamente.

Esse é o momento em que a história dá uma guinada de cair o queixo. Porque, acredito que até aquele momento, a impressão que se tem a respeito do palhaço Pennywise, é que talvez ele seja um tipo de fantasma ou demônio do inferno, não sei. Mas, quando King finalmente conta quem e o que ele é de fato, a coisa muda de figura. Como já mencionei, eu acho, sem duvida, essa ideia de fazer do palhaço uma entidade cósmica, genial. Fora as criaturas de H.P. Lovecraft, não me lembro de ler nenhum outro livro de terror sobre entidades cósmicas. No entanto, apesar do brilhantismo de King, Lovecraft ainda carrega a coroa de rei do terror cósmico. Eu acredito que King transformou seu monstro em entidade cósmica, como uma homenagem à Lovecraft, de quem é admirador confesso. E, se parar pra pensar, existem alguns elementos lovecraftianos na concepção de Pennywise e da Tartaruga, sua rival cósmica.

Claro, como toda historia de monstro, não poderia deixar de existir o lado do Bem, e a Tartaruga é esse lado. Apesar de aparecer pouco, ela tem uma presença forte na historia, e é bem legal o modo como King a desenvolveu. Não fica difícil imaginar uma tartaruga velhinha, toda enrugada, de bengala até, falando com Bill no vácuo, quando eles vão enfrentar a Coisa pela primeira vez. Parece mesmo que a Tartaruga está velha, com o peso do universo sobre o casco. Bem legal.

Os confrontos dos Otários com a Coisa são de cair o queixo. Assim como as cenas de ação, também são momentos frenéticos, mas nem por isso, menos brilhantes. São cenas assustadoras, onde a Coisa mostra todo o seu poder, assumindo diversas formas, arrastando os Otários para o vácuo, com o objetivo de enfraquece-los, e não poupando nenhum deles. Mas o melhor fica para o final do livro, quando eles enfrentam a Coisa pela última vez. Ali, King mostra quem de fato é a Coisa e qual a forma que ela assuma na Terra. São momentos delirantes. King descreve tudo com maestria, e novamente, não fica difícil visualizar tudo aquilo, principalmente a Coisa em sua forma final.

Talvez um dos aspectos mais conhecidos do livro, é o fato de que, quando estava escrevendo, King estava sob efeito de cocaína, infelizmente. Infelizmente, porque, nessa época, o autor era viciado em drogas e em álcool, o que tornou-se um dos piores momentos de sua vida. Com certeza, esse fato gerou a cena mais comentada do livro, a famosa “cena da orgia” entre os Otários no esgoto. Muita gente, mas muita gente, não entendeu o motivo dessa cena estar no livro, nem a sua relevância para a historia, mas, do meu ponto de vista, existe uma explicação. Momentos antes da tal cena, as crianças estão presas no esgoto, que assim como a cidade, estava sofrendo os efeitos de uma tempestade. Estavam desesperados, achando que nunca mais iriam sair de lá, o que levou Beverly a sugerir que os meninos fizessem sexo com ela; como ela mesma explica no diálogo, foi uma forma deles se unirem para sempre, pois acharam que nunca sairiam do esgoto com vida. Viram como é fácil? Só olhar nas entrelinhas.

Eu poderia falar mais sobre o livro, mas, não quero entregar spoilers.

O fato é que It, A Coisa é um Clássico de Stephen King.

Como a maioria de suas obras, acabou sendo adaptado. No caso, foi adaptado duas vezes. A primeira foi a clássica e inesquecível – e ainda insuperável – minissérie de 1990, dirigida por Tommy Lee Wallace, com Tim Curry no papel de Pennywise, em atuação insuperável. A segunda é a maravilhosa adaptação em duas partes dirigida por Andy Muschietti, cujo primeiro capitulo foi lançado em 2017. O segundo capítulo está em exibição nos cinemas, e com certeza, vou assistir.

Enfim, It, A Coisa é um livro excelente. Uma historia rica em detalhes, contada com maestria, cheia de momentos assustadores e inesquecíveis. Uma trama redonda, com toques de fantasia, drama e terror cósmico. Um livro brilhante. Maravilhoso. Um Clássico de Stephen King.

Altamente recomendado.


terça-feira, 23 de julho de 2019

A MÁQUINA DE PASSAR ROUPA (Stephen King).


NOTA: 8



A MÁQUINA DE PASSAR ROUPA
A MÁQUINA DE PASSAR ROUPA, presente na coletânea Sombras da Noite, é um dos contos mais bizarros de Stephen King, sem duvida.

Mas, não deixa de ser divertido. Em poucas páginas, King cria uma historia de investigação policial com elementos de slasher e possessão demoníaca. Não sei de onde ele tirou essa ideia, mas o fato é que é bem legal, absurda mesmo. Mas eu gostei.

A leitura foi bem rápida, aterrorizante e principalmente, divertida. King também não nega fogo, e apresenta cenas repletas de violência e sangue, muito sangue. A Máquina faz um enorme estrago nos funcionários da lavanderia, despedaçando-os como se fossem animais no matadouro, e provocando medo nos sobreviventes. Talvez, se fosse com outro autor, a premissa seria diferente, algo como inteligência artificial ou até mesmo extraterrestre, mas King faz uso do método mais absurdo – até porque não há outro modo de descrever – para justificar o motivo de sua máquina ter se tornado faminta por carne humana: possessão demoníaca.

Não me lembro de ter lido alguma historia desse tipo antes, e, talvez para o leitor mais exigente, talvez fosse o cumulo do absurdo. Mas não para mim. Como já disse, eu me diverti muito nessa leitura.

Adorei os métodos que King utiliza para fazer seus dois personagens lutarem contra a máquina, bem como o resultado do confronto. Os dois homens fazem uso dos métodos mais comuns em casos como esses, e não parece ridículo, não. Acho que é o tipo de coisa que qualquer um faria se soubesse que tal objeto está possuído por um espirito maligno. E como King revela, a máquina não é o único objeto inanimado que se alimenta de pessoas. Não...

O fato é que A Máquina de Passar Roupa é bem legal. É uma leitura rápida, de alguns minutos, apenas – minutos esses que passam rápido; mal começou, já acabou. Simples. Vale a pena.

E antes que pensem que essa premissa de objetos possuídos é absurda, vale lembrar que na adaptação de Christine, também de King, John Carpenter utilizou o pretexto de que ela estava possuída por um espirito demoníaco, e funcionou muito bem. E aqui, também.

Não sei em qual momento da vida King encontrava-se quando escreveu a historia, e francamente não importa. Também não sei se ele tentou contar uma historia realmente seria, ou não, e também não importa. Tenho certeza que sua intenção era a melhor possível, e apesar do famoso ditado, ele entrega uma historia assustadora e violenta.

Os personagens da historia são bem simples, pessoas comuns, que encontramos no nosso dia-a-dia. O Guarda Hutton é o típico policial do bem, sempre disposto a ajudar os outros e desvendar o mistério. Cético no inicio, conforme as suas investigações vão avançando, ele começa a se convencer, principalmente quando ouve relatos de sobreviventes, e de seu amigo Jackson, que é um tipo de especialista no assunto. Enfim, personagens bacanas.

Em 1995, foi adaptado para o cinema por Tobe Hooper, em Mangler – O Grito de Terror, estrelado por Robert Englund e Ted Levine, no papel do Guarda Hutton. Eu só vi esse filme uma vez, há muitos anos, no extinto Cine Mistério, da Band; e não foi o filme todo, foi apenas o final, um final bem sangrento, diga-se. Porém, apesar de ter Robert Englund no elenco, e Tobe Hooper na direção, críticos e fãs de Stephen King dizem que é uma das piores adaptações do autor. Não sei dizer.

Enfim, A Máquina de Passar Roupa é bem legal. Um conto aterrorizante, violento e divertido. Uma historia rápida e macabra, que diverte e chega a prender a atenção.

Recomendado.



domingo, 17 de março de 2019

O PILOTO DA NOITE (Stephen King).


NOTA: 9.5


O PILOTO DA NOITE
Vou começar essa resenha dizendo o seguinte: eu descobri a existência desse conto, por causa da adaptação de 1997 – Voo Noturno - o primeiro filme de Stephen King que eu vi na vida, e que me assustou pra caramba.

Bom, em relação ao conto, tive pouco conhecimento sobre ele, apenas o fato de que era centrado apenas no personagem de Richard Dees, o protagonista antipático. Ou seja, os demais personagens presentes no filme praticamente não existem; o mesmo pode ser dito sobre algumas cenas.

Também não sabia bem onde o conto poderia ser encontrado – descobri que estava no livro “Pesadelos e Paisagens Noturnas – Vol.01” durante uma visita à Bienal do Livro. O processo para encontra-lo foi parecido com A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça. Passei a procura-lo em todo lugar, fosse em português ou em inglês, mas não encontrei. Até que encontrei os dois livros – “Pesadelos e Paisagens Noturnas “Vol.1” e “Vol.2” e comprei. E nesse feriado, resolvi ler o conto.

E que leitura!

De uma simplicidade impar, O Piloto da Noite é assustador. Focado apenas em Dees, o repórter de um jornal sensacionalista, cuja missão é identificar quem é o tal Piloto da Noite, um homem que vai de aeroporto em aeroporto, matando pessoas com requintes de violência. A pedido de seu editor, Dees começa sua caçada num aeroporto no Maine, onde o mecânico local relata que seu amigo e colega de trabalho foi morto pelo tal piloto misterioso. A partir daí, King leva seu personagem aos outros locais do crime, ouvindo relatos dos amigos das vitimas, sempre pensando no produto final: a Edição Especial dedicada ao Piloto da Noite, que sem duvida, será um campeão de vendas. Durante as 40 páginas da historia, Dees passa praticamente o tempo todo no cangote do tal Piloto, que parece estar sempre um passo a sua frente. Basicamente, o repórter chega aos locais pouco tempo após os homicídios, questão de semanas. O encontro final entre Dees e o Piloto da Noite é o melhor momento da historia. Uma cena apavorante, repleta de sugestão e, claro, sangue, muito sangue.

Confesso que durante toda a leitura – que levou três dias – eu me peguei lembrando das cenas do filme do qual esse conto é baseado, principalmente a primeira entrevista de Dees com o mecânico e o final sangrento. Também comecei a citar os diálogos entre Dees e o Piloto no seu encontro.

Para finalizar, O Piloto da Noite é um conto assustador, uma pequena mistura de historia de policial com terror.

Um pequeno texto simples, rápido, mas cheio de tensão, suspense e sangue. Um dos melhores textos do Mestre Stephen King. 




AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.