Mostrando postagens com marcador INGLATERRA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador INGLATERRA. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de outubro de 2024

GATO NEGRO (1981). Dir.: Lucio Fulci.

 

NOTA: 8


GATO NEGRO é o encontro entre o escritor Edgar Allan Poe, e o diretor Lucio Fulci.

 

Lançado em 1981, o filme faz parte da grande fase de Fulci no horror, que começou com o clássico Zombie (1979), onde o cineasta mostrou que o seu lugar era no terror.

 

Gato Negro faz parte desse período, e pessoalmente, eu o considero um dos filmes mais bizarros dessa época. Bizarro porque, apesar de ser muito livremente baseado em O Gato Preto, o roteiro foca em uma trama com elementos paranormais, misturada com trama de serial killer, mas, nesse caso, o tal serial killer é o gato preto do título.

 

Parece estranho, mas, também é muito divertido, porque, os níveis de absurdo fazem o espectador fã de Fulci curtir o longa até o final da projeção.

 

Na trama, os habitantes de um vilarejo inglês são assassinados de maneira misteriosa, e, preocupados com o desaparecimento de um casal de jovens, recebem a visita de um inspetor da Scotland Yard, que conta com a ajuda de uma fotografa, que acredita que o responsável pelas mortes é um gato preto que pertence a um professor.

 

Parece ser uma trama um tanto simples, não? Bem, na superfície, até que é, mas, no fundo, ela é bem mais complicada.

 

É uma trama um tanto complexa em certos momentos, porque envolve um pouco de paranormalidade, principalmente por causa do Professor Miles, que possui o dom de se comunicar com os mortos.

 

Eu vou ser sincero aqui, e dizer que tais habilidades do professor não servem para praticamente nada, principalmente por causa de uma cena no cemitério, onde Miles tenta convencer um amigo morto a dizer onde está um determinado item. Infelizmente, isso nunca é explicado, e nunca mais é mencionado no roteiro.

 

Tirando esse problema, eu confesso que me diverti com Gato Negro, e digo que é um ótimo filme de animal assassino, além de ser um ótimo filme de Fulci.

 

Animais assassinos às vezes rendem bons filmes, e este aqui, felizmente, é um desses casos. E o filme não nega a que veio.

 

Logo na primeira cena, somos presenteados com um acidente causado pelo estranho felino, onde o proprietário de um veículo se choca contra o para-brisa, num espetáculo de gore. A partir daí, prepare-se para não levar o filme a sério, com o gato matando diversos personagens ao longo da projeção.

 

As cenas de morte acontecem em momentos aparentemente importantes, e de forma quase aleatória, mas, são muito criativas. Falo de pessoas sufocadas, queimadas e perfuradas por canos de metal. Além disso, não podemos deixar de presenciar cenas com o felino usando suas garras afiadas.

 

A maquiagem é muito boa, e aqui, Fulci quase dá uma pisada no freio no quesito gore, porque não temos corpos mutilados e pessoas com os olhos arrancados, mas, quando os efeitos aparecem, eles convencem muito bem. Ao meu ver, isso era algo comum no cinema de terror italiano da época; a preocupação em criar efeitos convincentes, principalmente nos filmes de Fulci.

 

Além dos efeitos, temos também a direção afiada de Fulci, principalmente nas cenas envolvendo o gato. Em determinados momentos, Fulci faz sua câmera imitar o ponto de vista do animal, ou seja, ela fica próxima ao chão, e as lentes aparentam ser distorcidas. Em relação aos atores, Fulci também consegue fazer um bom trabalho, e quase todos estão muito bem em seus papéis.

 

E por último, temos as locações inglesas. O filme foi rodado em três vilarejos no interior da Inglaterra, além dos estúdios em Roma. As tomadas do vilarejo são muito boas, e chegam até a ser nostálgicas e convidativas. Nostálgicas porque parece que estamos assistindo a algum filme britânico dos anos 70.

 

Outras locações que merecem menção, são a tumba que aparece no começo do filme, e o próprio cemitério do vilarejo. A tumba é cheia de teias de aranhas, esqueletos e ossos espalhados; e o cemitério é envolto pela névoa, e fica mais sinistro durante a noite. Dois cenários perfeitos para um filme de terror.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Edgar Allan Poe no Cinema – Vol.2, em versão restaurada com áudio em italiano. 

 

Enfim, Gato Negro é um filme muito bom. Uma história de animal assassino contada com maestria pelo Padrinho do Gore, Lucio Fulci, livremente baseado na clássica história de Edgar Allan Poe. A direção de Fulci é um dos pontos positivos, com sua câmera que simula o ponto de vista do felino; além disso, o filme conta com boas cenas de morte criativas, levemente carregadas no gore. Um filme que faz parte da melhor fase de Fulci no gênero, e um de seus trabalhos mais interessantes.


 

Créditos: Versátil Home Vídeo.


sexta-feira, 12 de julho de 2024

O SANGUE DE DRÁCULA (1970). Dir.: Peter Sasdy.

 

NOTA: 7.5


Entre 1958 e 1974, a Hammer Films produziu uma série de filmes protagonizados pelo Conde Drácula, criado pelo escritor Bram Stoker. Ao todo, foram nove filmes, sete deles estrelados pelo grande Christopher Lee, no papel que o consagrou como astro do horror. Somente dois filmes não contaram com o astro no elenco.

 

O SANGUE DE DRÁCULA, lançado em 1970, é o quinto filme da franquia, e o quarto a contar com o astro no elenco.

 

Com direção de Peter Sasdy, este é um filme que apresenta suas qualidades, e consegue ser arrepiante em alguns momentos, mas, ainda assim, começa a apresentar alguns problemas.

 

Mas, antes de falar sobre os problemas, deixe-me falar sobre as qualidades.

 

Como os demais filmes da franquia até então, este é um filme bem feito, que presa pelo aspecto gótico e também com uma atmosfera de terror sempre presente.

 

Na trama, um vendedor é atacado em sua carruagem e acaba se deparando com o Conde Drácula sendo destruído – com cenas do filme anterior – e coleta seu sangue, juntamente com sua capa. Após esse prólogo, três homens conhecem um lorde que compra os pertences do conde e o traz de volta à vida por meio de um ritual satânico.

 

Pois bem, aqui, temos mais uma vez o Conde Drácula percorrendo o interior em busca de vingança contra aqueles que o prejudicaram, neste caso, os três homens que mataram seu servo antes do ritual ser completado.

 

Essa formula da vingança do conde já havia sido usada no filme anterior – e voltaria a ser usada no filme seguinte –, então, não há muitas novidades aqui, para falar a verdade.

 

Mas, no entanto, temos a presença do astro Christopher Lee como o Conde Drácula, e, como sempre, é o que faz o filme valer a pena. Mesmo com a pouca presença, o ator consegue nos satisfazer com sua interpretação magistral do conde, passando todo o ar ameaçador e demoníaco que o personagem pede, além de ser uma presença muito elegante.

 

O resto do elenco também compensa, principalmente a atriz Linda Hayden, que faz a mocinha que se torna escrava do vilão.

 

Esse é a sacada do roteiro. Ao invés da mocinha totalmente indefesa, temos aqui uma mocinha que no começo, se mostra como indefesa e doce, mas, após se encontrar com o conde, transforma-se em sua escrava, e não poupa ninguém.

 

Deixe-me falar também sobre os outros personagens. O pai da mocinha, e seus dois amigos, são aqueles clássicos homens que se fingem de bons moços, mas, que na verdade, saem à noite para se divertir em clubes masculinos pela cidade. Os três amigos da mocinha também funcionam e convencem, e claro, um deles é o par romântico dela, uma coisa que também se tornou registrado nessa franquia – a presença do casal protagonista de mocinhos.

 

Quem merece menção também é o lorde satanista, interpretado por Ralph Bates, um ator bem conhecido na Hammer. Apesar da pouca presença, o personagem é bem interpretado, e passa aquela aura misteriosa que o roteiro pede. Funciona bem.

 

Eu, no entanto, tenho alguns problemas com a mistura de temática satanista com vampirismo, porque, eu acho que são dois temas que não tem muita relação entre si, e isso seria explorado no penúltimo filme da franquia. Pode ser que eu esteja errado, mas, acredito que as coisas devem ser separadas. No entanto, admito que é um bom recurso para trazer o conde de volta, apenas para dar uma variada.

 

Outro problema presente no roteiro, é a falta de utilização de alguns personagens secundários. Um deles é o policial que resolve investigar as mortes dos três homens, mas, ele acaba sendo mal aproveitado, e sua participação não é muito desenvolvida.

 

O mesmo pode ser dito do namorado da amiga da mocinha, que não faz nada o filme inteiro, é atacado por um vampiro, e desaparece sem nenhuma cerimônia. Ele poderia ao menos ter voltado como vampiro, assim, o mocinho poderia matá-lo.

 

O cenário que serve de esconderijo para o conde é muito bom, uma velha igreja abandonada, que rende momentos arrepiantes, além de proporcionar um bom combate final, que culmina na derrota do vilão.

 

Enfim, O Sangue de Drácula é um bom filme. Uma continuação decente da franquia, que segue exatamente onde o filme anterior parou, além de proporcionar momentos de suspense e terror na medida certa, e de arrepiar com eficiência. O grande destaque é o astro Christopher Lee, novamente entregando uma brilhante performance como Drácula. Um filme recomendado.




sábado, 22 de junho de 2024

INVERNO DE SANGUE EM VENEZA (1973). Dir.: Nicolas Roeg.

 

EM MEMÓRIA DE DONALD SUTHERLAND.


NOTA: 9


INVERNO DE SANGUE EM VENEZA é um dos maiores filmes de terror de todos os tempos.

 

Lançado em 1973, com direção de Nicolas Roeg, baseado em um conto de Daphne du Marier, é considerado o maior filme britânico de todos os tempos, além de ser um dos filmes mais assustadores da história.

 

Motivos para isso não faltam, visto que o longa é mergulhado em uma atmosfera de suspense e terror que enche o espectador de tensão, auxiliado às maravilhosas locações em Veneza, na Itália.

 

Temos a direção segura e inspirada de Roeg, que contribui para deixar o filme ainda melhor e mais assustador a cada conferida.

 

Mas, antes de falar mais, deixo um aviso. À princípio, para quem vai conferir o longa pela primeira vez, o roteiro pode parecer um tanto confuso, visto que deixa algumas questões abertas à interpretação, mas, conforme assistimos mais vezes, as coisas começam a fazer sentido. Foi assim que aconteceu comigo.

 

Na trama, o casal John e Laura Baxter perde a filha de maneira trágica, e, traumatizados, eles viajam para Veneza, onde John trabalha como restaurador de uma igreja. Durante um almoço num restaurante, Laura conhece duas irmãs, e, uma delas, que é cega e médium, avisa que John corre perigo na cidade, que é aterrorizada por um maníaco.

 

Parece ser uma trama simples, não é? Até é, mas, como eu disse, existem algumas coisas no filme que podem ser abertas à interpretação, então, numa visão mais ampla, a trama é mais profunda do que isso. Envolve questões como mediunidade, e comunicação com o mundo dos espíritos, além de conter alguns elementos de Giallo.

 

Para os fãs de Giallo, Inverno de Sangue pode ser encarado como uma variação curiosa do gênero, visto que é ambientado na Itália, e a cidade de Veneza é aterrorizada por um maníaco. Existe, de fato, um maníaco na cidade, e há algumas cenas envolvendo a descoberta de corpos, então, é uma parte importante da narrativa.

 

A trama principal, ao meu ver, é sobre a relação entre John e Laura, que tentam se recuperar da morte da filha. A amizade de Laura com as duas irmãs também é fundamental, porque, Heather, a irmã cega, diz a ela que a filha está tentando alertar John sobre o perigo que ele está correndo na cidade, e essa pergunta é respondida apenas no final do filme.

 

Não vou entrar em detalhes para não dar spoilers, mas, digo que, apesar de sabermos o tempo todo que John corre perigo, quando acontece, é muito chocante.

Mas, vamos ao filme. Como eu disse, ele é muito bem feito, graças à direção de Roeg. O cineasta faz belo uso da locação em Veneza, focando os prédios e os canais da cidade com maestria impressionante, de fato, dignas de um filme Giallo. Durante toda a projeção, eu senti como se estivesse assistindo a um exemplar do gênero ambientado na cidade, como Quem a Viu Morrer? (1971), do diretor Aldo Lado, por exemplo.

 

As tomadas de Veneza são maravilhosas, principalmente naquela época do ano, o inverno. É um daqueles filmes que dá vontade de assistir em um dia de inverno chuvoso, visto a qualidade das tomadas com a câmera de Roeg, e a aparência do filme como um todo.

 

O elenco também é um grande destaque, principalmente os astros Donald Sutherland e Julie Christie, no papel do casal Baxter. Os dois atores se mostram muito eficazes em suas performances, e se mostram grandes veteranos do ofício, visto que nenhum deles atua de maneira exagerada. Sutherland e Christie passam de maneira ímpar a sensação de um casal que perdeu um filho, por exemplo, oscilando entre a tristeza e o amor.

 

As cenas de suspense e terror também merecem ser mencionadas. O diretor Roeg faz uso de várias tomadas noturnas, além de utilizar o som de passos noturnos em alguns momentos, o que aumenta a tensão e o medo no espectador. O filme não tem muitas cenas de mortes, mas, mesmo assim, as cenas assustadoras metem medo de fato, principalmente a sequência em que o casal se perde os becos e pontes noturnos da cidade.

 

A revelação do assassino também é um ponto positivo para o filme. Ela é aquele tipo de revelação que acontece aos poucos, assim como toda a trama, mas é bem preparada, principalmente no começo do filme, com a filha dos Baxter usando um casaco vermelho vibrante, que chama a atenção de John. Esse é um grande visual de assassino, e a cor do casaco é forte o suficiente para servir de chamariz da morte.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, em versão restaurada, com muitos extras.

 

Enfim, Inverno de Sangue em Veneza é um filme excelente. Um filme de terror e suspense que prende o espectador desde o começo, e o convida a embarcar em sua trama repleta de mistérios. A direção de Nicolas Roeg é um dos destaques, com sua câmera acompanhando as locações em Veneza de maneira brilhante. Quem merece menção também é o elenco, principalmente Donald Sutherland e Julie Christie, que entregam grandes atuações. Um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. Altamente recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


segunda-feira, 27 de maio de 2024

MADHOUSE – A CASA DO TERROR (1974). Dir.: Jim Clark.

 

NOTA: 8.5


Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

Mas hoje, não estou aqui para falar sobre as antologias do estúdio, e sim, sobre MADHOUSE – A CASA DO TERROR, produzido em parceria com a American International Pictures.

 

Este é um dos filmes mais divertidos e criativos do estúdio, apesar de contar com alguns problemas, mas, mais detalhes adiante.

 

Com toda certeza, seu maior atrativo é contar com a presença dos grandes Vincent Price e Peter Cushing no elenco, além do também grande Robert Quarry.

 

Se fosse somente pela presença dos dois astros, o filme já valeria a pena, mas, o longa tem mais atrativos. A começar pela própria trama, que é repleta de criatividade e metalinguagem, além de apostar no suspense digno de Giallo, e situações sinistras.

 

No entanto, apesar da criatividade, a produção deste filme foi bem problemática.

 

Os executivos da American Internation Pictures, aliados com a Amicus Productions, adquiriram os direitos do livro Devilday, do autor Angus Hall, para adaptação. Mas, no decorrer do caminho, alterações foram feitas no roteiro, além de surgirem problemas nas gravações. O resultado foi um fracasso de bilheteria, que culminou no fim das produções de terror da AIP.

 

Na trama, Price interpreta o ator Paul Toombes, famoso no gênero terror pela sua interpretação do Dr. Morte, um sádico assassino. Numa noite de Ano Novo, Paul testemunha a morte de sua noiva e vai parar em uma instituição psiquiátrica, pois acredita que ele mesmo é o culpado. Anos depois, ele viaja a Londres, a fim de estrelar uma série de TV do personagem Dr. Morte; mas, com a sua chegada, mortes misteriosas começam a acontecer.

 

Pela sinopse, é um típico filme de suspense e terror psicológico, onde o protagonista é perturbado por um trauma do passado e coisas misteriosas começam a acontecer ao seu redor, obrigando-o a pensar se ele é o culpado ou não.

 

Eu mesmo já vi alguns filmes com uma trama semelhante, e, falando francamente, se for um filme bem-feito, eu gosto muito. Aqui, felizmente, é um desses casos, porque desde o começo, fica claro que a morte da noiva de Paul foi um gatilho para prejudicar sua mente. Aproveitando-se dessa situação, alguém começa a matar as pessoas próximas a ele, a fim de incriminá-lo. E a identidade do responsável é mantida em segredo até o final, e digo aqui, que é uma surpresa.

 

Eu não sei vocês, mas, sempre que eu vejo esse filme, eu penso que o assassino é outra pessoa, mesmo com as dicas falsas que o roteiro apresenta ao espectador.

 

Além de apostar no clima de mistério digno de Giallo – principalmente por causa dos closes das luvas pretas do assassino –, o roteiro também aposta na metalinguagem, visto que Paul viaja a Londres para participar de uma série de TV. Então, temos aqui, cenas que passam nos estúdios de gravação, além de contar com a presença do diretor e produtores da série. Este é outro tipo de filme que eu gosto de ver, porque me dá uma ideia de como é uma gravação, com o trabalho do diretor e dos produtores.

 

No entanto, apesar de ser bastante criativo, o filme apresenta alguns problemas. O maior deles é a presença dos pais de uma das vítimas do assassino, que passam boa parte do filme chantageando Paul, a fim de extorquir seu dinheiro. Eu não vejo problemas com personagens assim, pelo contrário; o problema é que os dois não são muito bem escritos e não são bem interpretados.

 

Outro problema, acontece na sequência do programa de entrevistas, porque, o assassino está na plateia, mas, a câmera foca em outro personagem deixando e entrando no estúdio após uma pessoa morrer. Eu acho essas duas sequências bem problemáticas, principalmente quando o assassino é revelado.

 

Como é um filme co-produzido pela AIP, Madhouse tem de fato, cara de ser uma produção do estúdio, principalmente por causa das presenças de Vincent Price e Robert Quarry, que atuaram em produções da AIP anteriormente. Aliás, o filme faz uso de imagens de arquivo dos filmes de Price no Ciclo Edgar Allan Poe, de Roger Corman, que se passam por filmes do Dr. Morte, um belo exemplo da picaretagem do estúdio.

 

Antes de encerrar, uma curiosidade bem bacana. Na sequência da festa à fantasia, tanto Robert Quarry, quanto Peter Cushing aparecem vestidos de vampiros; só que Cushing está vestido de Drácula, e Quarry está vestido de Conde Yorga, seu personagem mais famoso na AIP.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, na caixa Amicus Productions, em versão remasterizada, com um documentário como extra.

 

Enfim, Madhouse – A Casa do Terror é um filme muito bom. Uma trama arrepiante, cheia de mistério com uma direção competente. A presença dos astros Vincent Price e Peter Cushing é o grande destaque, e os astros dão um show de atuação, especialmente Price, que transita entre a sanidade e a loucura de maneira ímpar. O roteiro é bem redondo, mas apresenta alguns problemas que chegam a atrapalhar a experiência. Mesmo assim, este é uma das melhores produções da American International Pictures, aqui em parceria com a Amicus. Muito bem recomendado. 


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

UM GRITO DE PAVOR (1961). Dir.: Seth Holt.

 

NOTA: 9


A Hammer Films foi uma das maiores referencias quando o assunto era filmes de terror. Durante duas décadas, o estúdio se especializou em filmes de terror góticos, muitos deles sendo adaptações de grandes obras da literatura, como Drácula e Frankenstein. Mas havia também um outro lado do estúdio.

 

UM GRITO DE PAVOR, lançado em 1961, com direção de Seth Holt, é um exemplo do outro lado do estúdio, visto que o longa é contemporâneo e foi filmado em preto e branco; uma contrapartida às produções tradicionais do estúdio, que eram sempre voltadas para o gótico, e eram coloridas.

 

Mas não se engane. Apesar de estar fora dos padrões, este é um dos melhores e mais criativos filmes do estúdio. E motivos para isso não faltam. É um filme muito bem feito, com ótima direção, um roteiro afiado e um elenco espetacular.

 

Um aviso. Este é um filme em que acontece uma reviravolta chocante, por tanto, tentarei ao máximo conter os spoilers.

 

Aviso dado, vamos lá.

 

Grito de Pavor é um filme muito criativo, porque ao invés de apostar no terror sobrenatural, aposta mais no suspense e no terror psicológico, e isso funciona muito bem, porque mexe com a cabeça do espectador, fazendo-o pensar se tudo o que está acontecendo com a protagonista é real ou não.

 

Na trama, a jovem Penny retorna à propriedade da família, nove anos após sofrer um acidente que a deixou paralitica. No entanto, após sua chegada, coisas estranhas começam a acontecer, e ela acredita que o pai, que pensava estar viajando, está escondido em algum lugar da casa, e que uma trama foi armada para fazê-la parecer louca.

 

É uma trama básica, não é? De fato, até que sim, mas, conforme assistimos ao filme, descobrimos que o buraco é muito mais embaixo, e que as coisas não são o que aparentam. E próximo ao final do filme, acontece uma reviravolta, onde descobrimos que Penny não é quem diz ser.

 

Isso é o máximo que irei contar aqui, porque, acredite, você vai querer assistir a esse filme para descobrir qual é a reviravolta. Eu confesso que sempre me surpreendo quando assisto ao filme, porque, de fato, é uma reviravolta surpreendente. Ao mesmo tempo, este é aquele tipo de filme, que, após saber da reviravolta, quando assistimos a uma segunda, ou terceira, ou quarta vez, somos capazes de pegar um detalhe que estava ali o tempo inteiro.

 

O roteiro de Jimmy Sangster – que depois viria a dirigir alguns filmes para o estúdio – é muito sagaz e as pistas estão lá, basta apenas uma pitada de esforço do espectador.

 

O elenco também é um ponto positivo, com destaque para a atriz Susan Strasberg, que interpreta a protagonista Penny. Sua performance é excelente, e ela passa todos os sentimentos necessários para tornar a personagem convincente e interessante. Os outros atores também estão muito bem, e passam do amigável ao ameaçador com naturalidade. No entanto, quem rouba a cena é o grande Christopher Lee, num papel coadjuvante, mas que entrega tudo que precisa para tornar seu personagem misterioso e cativante ao mesmo tempo.

 

Grito de Pavor é um filme de terror psicológico, então, não espere encontrar cenas envolvendo litros de sangue, ou monstros sobrenaturais. Pelo contrário, temos aqui uma trama focada na realidade, com elementos que mexem com as emoções do espectador, e que vão aumentando à medida que o filme avança.

 

Este é também um daqueles filmes em que nada é o que parece, onde os personagens fazem um jogo contra a protagonista, a fim de obter algum lucro com isso, no caso aqui, é a fortuna da personagem – algo até que comum em tramas como esta. Mas não se engane. Este é um dos melhores exemplos de como é construído o suspense, pois vai construindo tudo aos poucos, sem pressa de fazer o espectador pensar.

 

Por causa de todos os esses motivos citados aqui, Grito de Pavor é um filme brilhante.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na caixa Obras-Primas do Terror 7, em versão restaurada.

 

Enfim, Um Grito de Pavor é um filme excelente. Um filme de terror psicológico, contado de maneira inteligente, aliado a uma direção inspirada e um elenco afiado. Uma trama cheia de surpresas e reviravoltas, que mexe com a cabeça do espectador a cada revisão. Um dos melhores filmes da lendária Hammer. Altamente recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


sábado, 17 de fevereiro de 2024

A FILHA DE SATÃ (1962). Dir.: Sidney Hayers.

 

NOTA: 8.5


Eu não assisti a muitos filmes de bruxaria, mas digo que A FILHA DE SATÃ é um dos melhores, e um dos meus filmes de terror favoritos.

 

Lançado em 1962, e distribuído nos Estados Unidos pela lendária American International Pictures, este é um filme com uma atmosfera sinistra que se predomina desde o começo e vai até o final, construída com uma grande maestria.

 

Desde a primeira vez que assisti a esse filme, fui tomado por uma sensação de nostalgia – mesmo não tendo vivido naquela época – e uma conexão com os filmes de horror produzidos na Inglaterra naquela época, principalmente aqueles produzidos pela lendária Hammer.

 

Em vários momentos, o filme lembra as produções contemporâneas da Hammer, principalmente por causa da atmosfera e da ambientação britânica.

 

Mas não é apenas a ambientação que torna esse um dos meus filmes de terror favoritos; o roteiro, escrito por Richard Matheson e Charles Beaumont, a partir de um conto de Fritz Leiber, é muito bom e aposta pouco a pouco na questão da bruxaria, deixando no inicio, um clima de mistério, principalmente a respeito da relação entre o casal de protagonistas e os personagens secundários, que os tratam de maneira diferente. No entanto, após descobrirmos que Tansy, esposa do professor Norman Taylor, é uma bruxa, o roteiro aposta a fundo no tema da bruxaria, com direito a feitiços e objetos sagrados.

 

Após revelar que Tansy é uma bruxa, o roteiro nos mostra o quão perigosa a vida do casal se torna, principalmente a vida de Norman, a começar pela falsa acusação de assedio por uma garota que o admirava nas salas de aula; em seguida, o namorado da garota o ameaça com um revolver. Eu gosto muito dessa primeira ameaça à vida de Norman porque remete a um filme de suspense passional.

 

Outra coisa muito boa que o roteiro faz é deixar em aberto até perto do final se o que está acontecendo ao casal é fruto de bruxaria ou não, e faz isso muito bem, porque deixa essa duvida no ar, até chegar ao final, quando a verdadeira vilã é revelada – não direi quem é para não dar spoilers.

 

Além do roteiro, a direção de Sidney Hayers é muito boa, e o cineasta arranca ótimas performances de seus atores, mesmo aqueles que interpretam papeis secundários. De todos os atores, o casal protagonista está muito bem aqui, principalmente o ator Peter Wyngarde, que interpreta o cético professor Norman. O ator convence muito bem, passando o ceticismo com naturalidade. Este é um dos melhores personagens do cinema de horror na minha opinião.

 

No seu país da origem, foi lançado com o título Night of the Eagle, que remete ao final do filme, quando a vilã faz uma bruxaria para atacar o protagonista e faz uma estatua de uma águia ganhar vida. Alias, as estatuas de águias são elementos importantes na narrativa, presentes desde a primeira cena, dando uma espécie de pressagio do que vai acontecer ao longo do filme.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Obras-Primas do Terror 4, em versão restaurada.

 

Enfim, A Filha de Satã é um filme muito bom. Uma historia de bruxaria contada com maestria, aliada a um elenco inspirado. A ambientação inglesa também contribui para deixar o filme ainda melhor a cada revisão, além de deixar o longa mais nostálgico. Um dos melhores filmes de bruxaria de todos os tempos.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


segunda-feira, 18 de setembro de 2023

A NOITE DAS BRUXAS (2023). Dir.: Kenneth Branagh.

 

NOTA: 9.5


Desde que se aventurou a adaptar as obras de Agatha Christie, com o excelente Assassinato no Expresso do Oriente, lançado em 2017, o ator e cineasta Kenneth Branagh tem acertado na mosca. Os filmes são muito bem feitos, principalmente os roteiros, que deixam o espectador envolvido e ansioso para desvendar o mistério.

 

Foi assim com Expresso, foi assim com Morte no Nilo, lançado no ano passado, e é assim também com A NOITE DAS BRUXAS, terceira incursão do cineasta no chamado “Agathaverso”, novamente dirigindo e interpretando o clássico detetive Hercule Poirot.

 

E que filme!

 

Um aviso. Acabei de sair do cinema, então, tentarei conter os spoilers. Então vamos lá.

 

Temos aqui mais um acerto na mosca do cineasta, que soube adaptar a obra da escritora com maestria, desta vez, segundo consta, tomando liberdades criativas. Como ainda não li o livro, não posso dizer que liberdades criativas foram essas, mas digo que ambientar a historia em Veneza foi um grande acerto, porque criou um clima de mistério – e por que não, terror – ainda maior para a trama, além de acender minha memoria – mais detalhes adiante.

 

Mais uma vez, eu saí muito satisfeito do cinema, e desde já, peço por mais filmes ambientados nesse universo!

 

A Noite das Bruxas é excelente. É muito bem feito, bem dirigido, com ótimo design de produção, e como de praxe, um elenco estelar. O diretor Branagh fez mais uma vez um grande trabalho aqui, tanto atuando, quanto dirigindo. Mesmo não tendo assistido a todos os seus filmes, eu sei o grande cineasta que ele é, principalmente quando resolve se aventurar no universo de Shakespeare, por exemplo. Mas devo dizer que ele também encontrou seu lugar no “Agathaverso”, e espero que continue assim.

 

Como de costume, temos aqui uma história de mistério, contada com a maestria que a autora sabia empregar em suas obras – só digo isso com base na leitura do livro que originou o primeiro filme desse universo, que vai ganhar releitura e resenha aqui. No entanto, ao contrario das demais, aqui temos também uma leve história de terror, com fantasmas e lugares amaldiçoados. Novamente, não sei como é no livro original, mas devo dizer que achei a ideia de um palazzo assombrado genial, quase igual aos filmes de terror gótico realizados na Itália nos anos 60.

 

Eu gostei bastante da ambientação e do cenário. Parecia mesmo uma casa assombrada há séculos, do tipo que ganham fama com o boca-a-boca. E claro, o fato de ambientar a historia no Dia das Bruxas foi outro acerto, porque deu voz àquela velha regra, a de que as assombrações são mais fortes na Noite das Bruxas.

 

E como é um filme de Dia das Bruxas – sim, é um filme de Dia das Bruxas! – temos tudo que se espera de um filme como esse. Isso porque a história começa com uma festa de Dia das Bruxas, dada pela dona do palazzo, a Srta. Rowena Drake. No entanto, a festa é apenas um disfarce para uma sessão espirita, que terá como convidada, a médium Joyce Reynolds, que está ali com o pretexto de entrar em contato com a filha da Srta. Drake, que morreu misteriosamente anos antes. Mas pode esperar por mais, principalmente um mistério de assassinato – obviamente, não direi quem morreu e quem matou – que obriga Poirot a sair da aposentadoria.

 

E vou parar por aqui, pois não vou entregar detalhes da trama. O filme acabou de estrear no cinema, então, corra para a sala mais próxima e confira por si mesmo.

 

Como já mencionei, o filme possui alguns elementos de terror, e isso se deve principalmente à ideia de um lugar assombrado por fantasmas, o que culmina em algumas aparições durante a projeção, e jump-scares espertos. Sim, temos jump-scares, mas eles são muito diferentes dos usados no cinema atualmente. E a presença de figuras vestidas de preto, usando as famosas máscaras também contribui para deixar o filme mais assustador.

 

Além disso, é um filme que se passa todo durante a noite, uma noite chuvosa, que obriga os personagens a ficarem trancados no palazzo, reaproveitando uma técnica narrativa utilizada no primeiro filme – os personagens ficam presos por causa de um evento natural, no caso, uma tempestade. E tal fato contribui para deixar a trama ainda mais claustrofóbica, com Poirot interrogando os suspeitos, um por um, de diferentes métodos, até que um ou mais acabem agindo de forma suspeita e quase revelando demais. E claro, a lista de suspeitos é enorme.

 

O elenco também é um grande destaque, novamente composto por grandes astros do cinema, como de costume. Todos os atores estão muito bem aqui, e não passam a sensação de atuação forçada ou caricata; eles realmente passam tudo o que os personagens devem passar, conforme está escrito, tanto no livro, quanto no roteiro. E é sempre bom ver atores de outros gêneros em papéis fora de sua zona de conforto.

 

E antes de encerrar, conforme mencionei acima, o filme despertou minha memoria por causa de sua ambientação em Veneza. Durante toda a projeção, eu tive a impressão de estar assistindo a um Giallo, principalmente Quem a Viu Morrer? (1971), do diretor Aldo Lado; ou então, ao filme Inverno de Sangue em Veneza (1973). Tal sensação foi muito boa, e despertou em mim a vontade de assistir a esses filmes novamente.

 

E que venham mais filmes do “Agathaverso”!

 

Enfim, A Noite das Bruxas é um filme excelente. Uma historia de mistério e horror contada com a maestria do cineasta Kenneth Branagh, que brilha novamente no papel do detetive Poirot. A ambientação em Veneza também é um atrativo, em especial o cenário principal, que passa uma sensação de medo, misturada com desconforto e claustrofobia. E o elenco também não faz feio, com seus nomes de peso, como é costume nas adaptações da autora Agatha Christie. Um filme excelente e assustador. Altamente recomendado.



segunda-feira, 7 de agosto de 2023

A CRIPTA DOS SONHOS (1973). Dir.: Roy Ward Baker.

 

NOTA: 8.5


Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

Em 1973, o estúdio lançou A CRIPTA DOS SONHOS, dirigida por Roy Ward Baker, com roteiro baseado em histórias publicadas nos quadrinhos da EC Comics.

 

Eu vou dizer logo de cara que esta é uma das que eu mais gosto, e sempre divirto com ela toda vez que assisto, e isso se deve principalmente aos segmentos apresentados aqui. Ao todo, são cinco histórias curtas, contadas por cada um dos personagens que entraram em um elevador e se depararam com uma espécie de clube no subsolo do prédio.

 

Midnight Mess: Um homem contrata um investigador para encontrar sua irmã, e após saber de seu paradeiro, mata o detetive e pega seu dinheiro. Ao chegar no vilarejo onde a irmã está morando, ele acaba descobrindo algo terrível sobre o lugar quando a noite cai.

 

The Neat Job: Um homem com mania de limpeza e organização se casa e tenta fazer sua esposa se adaptar à nova vida e às suas regras. No entanto, um dia, enquanto o marido está fora, a mulher acaba provocando uma confusão na casa e é surpreendida por ele.

 

This Trick’ll Kill You: Um casal de mágicos está de viagem na Índia e se depara com os truques de um faquir. Rapidamente, o homem revela os segredos por trás dos truques do faquir, humilhando-o. Dias depois, o mesmo homem se depara com um novo truque e decide mostra-lo a sua esposa, não imaginando as consequências.

 

Bargain in Death: Um homem decide se fingir de morto para obter o dinheiro do seguro, e para isso, pede ajuda a um amigo. O mesmo homem é enterrado no cemitério e aguarda o amigo, mas não imagina que dois estudantes de Medicina decidem utilizar seu corpo a fim de passar nas provas.

 

Drawn and Quartered: Um artista descobre que foi enganado por críticos e decide se vingar utilizando os poderes do vodu. Ao retornar à Londres, ele começa a pôr seu plano em pratica, mas não dá conta das consequências que o vodu trará para si mesmo.

 

E temos aqui mais uma antologia básica, com começo, meio e fim, e interlúdios.

 

O filme foi dirigido por Roy Ward Baker, um nome conhecido no horror inglês, tendo participado de produções voltadas ao gênero tanto na Amicus quanto na Hammer, “rival” desta primeira.

 

Devo dizer que Baker fez um bom trabalho aqui, principalmente em se tratando dos segmentos. Cada um é diferente à sua maneira, e parece que o diretor empregou diferentes estilos ao dirigi-las, algo que se tornaria comum nas antologias posteriores, principalmente aqueles dirigidas por mais de uma pessoa.

 

A Cripta é mais uma das sete antologias produzidas pela Amicus, entre os anos de 1965 e 1974, e meio que se tornaram a marca registrada do estúdio, além do fato de produzirem filmes principalmente contemporâneos – poucos são os filmes produzidos por eles que não são. O que todas essas antologias têm em comum é o fato de possuírem de quatro a cinco segmentos, serem dirigidos pela mesma pessoa, e possuírem um elenco em sua maioria estelar.

 

Aqui temos a presença de alguns nomes reconhecíveis, sem apelar para grandes astros, como Peter Cushing, Joan Collins, Christopher Lee, ou Ingrid Pitt, que trabalharam em produções anteriores do estúdio. No time de coadjuvantes, temos o ator Denholm Elliott, que participou de A Casa que Pingava Sangue (1971), e da trilogia Indiana Jones. E temos também um ou dois nomes reconhecíveis do cinema inglês fazendo pequenas participações.

 

Além de contar com nomes reconhecidos no elenco, boa parte dessas antologias contavam com histórias inspiradas nos quadrinhos da EC Comics, as séries Tales from the Crypt e Vault of Horror. Sempre que eu assisto à esta ou à outra antologia cujas bases são essas series, eu sempre penso como elas deviam ser contadas nos quadrinhos, visto que é uma mídia diferente, com suas próprias regras e limitações.

 

Vale lembrar também que este é um filme que era produto de sua época, e isso pode ser exemplificado pelo terceiro segmento, cujo cenário é a Índia e, com exceção do ator que interpretou o faquir, não temos quase nenhum ator indiano no elenco, algo que não seria visto com bons olhos hoje em dia.

 

Como toda antologia, temos aqui também aquelas histórias que não são tão boas, algo comum no gênero. Eu pessoalmente não gosto muito do segundo segmento, porque, mesmo apresentando um caso sério de um personagem com manias, eu sempre acho que a conclusão acaba levando para o exagero, visto que a esposa do protagonista destrói toda a casa porque tem medo do que ele pode fazer quando descobrir que ela sujou uma cômoda. Não sei se isso de fato acontece na vida real, mas eu tenho a impressão que é um pouco de exagero. O quarto segmento também é um pouco fraquinho, visto que puxa mais para o humor negro do que para o terror. O meu favorito é o primeiro segmento; e gosto também dos demais.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema na coleção Amicus Productions, em versão remasterizada sem cortes.

 

Enfim, A Cripta dos Sonhos é uma das melhores antologias da Amicus Productions. Um filme arrepiante, com clima de nostalgia. Cada uma das histórias é macabra por si mesma, o que o torna ainda melhor a cada revisão. Os mais diversos assuntos relacionados ao terror, abordados de forma simples, mas eficiente, aliados a atuações convincentes e uma direção e roteiro experientes. Sem dúvida, um dos melhores exemplos do cinema britânico de horror, e uma das melhores antologias do cinema. Macabro. Divertido. Arrepiante.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

terça-feira, 1 de agosto de 2023

A MALDIÇÃO DE FRANKENSTEIN (1957). Dir.: Terence Fisher.

 

NOTA: 9.5


Desde sua publicação, no século XIX, Frankenstein, de Mary Shelley, tornou-se um clássico da literatura e um dos maiores expoentes da literatura de horror e ficção cientifica. E como todo sucesso literário, ganhou diversas adaptações para diversas mídias, principalmente para o cinema.

 

E hoje, eu vou falar sobre uma delas: A MALDIÇÃO DE FRANKENSTEIN, lançado em 1957, dirigido por Terence Fisher, e produzido pela lendária Hammer Filmes.

 

Bom, eu vou começar dizendo que este é um dos mais importantes filmes de horror de todos os tempos, porque inaugurou a nova fase do lendário estúdio britânico, que na época, estava mal das pernas e investia em produções em preto e branco. Frankenstein quebrou essa regra porque foi o primeiro filme do estúdio totalmente produzido em cores, além de transportar a historia de Mary Shelley para outra época, diferente do havia sido feito até então em Hollywood.

 

Além de ser um dos filmes de terror mais importantes de todos os tempos, este é também um dos melhores filmes do estúdio, e isso se deve à sua técnica. É um filme muito bem feito, bem escrito, bem dirigido, bem atuado e com uma técnica exemplar.

 

O longa foi dirigido por Terence Fisher, um dos grandes nomes do estúdio, e responsável pelos maiores clássicos do mesmo. O cineasta fez um excelente trabalho aqui e conseguiu arrancar grandes performances de seus atores e equipe, e criou momentos memoráveis. O cineasta soube aproveitar muito bem tudo o que tinha, assim como faria nos filmes posteriores do estúdio.

 

Sem duvida, um dos grandes atrativos de A Maldição de Frankenstein é o seu elenco. No papel principal, temos o lorde Peter Cushing, na época, um nome bem reconhecido no estúdio, graças às suas contribuições anteriores. O astro criou um Frankenstein digno de ódio, um personagem vilanesco, que não se importa com ninguém além de si próprio e seus experimentos. Em alguns momentos, é possível sentir raiva do personagem, visto o modo como ele trata os demais. Mas isso não o impede de ser uma das grandes performances do astro.

 

Além de Cushing, temos também os atores Robert Urquhart, como o professor de Frankenstein, Paul Krempe; Hazel Court como Elizabeth; e Valerie Gaunt como a empregada Justine. Assim como Cushing, todos estão muito bem em seus papeis, principalmente Urguhart, que faz um professor Krempe que se mostra oposto à Frankenstein, principalmente quando o mesmo passa a envolver Elizabeth em seus experimentos. Krempe é o verdadeiro herói do filme, e está disposto a combater Frankenstein com todas suas forças, a fim de impedir seu reinado de horror. Hazel Court também não faz feio e entrega uma Elizabeth doce e amável, além de apaixonada por Frankenstein. Quem também não está ruim é Valerie Gaunt, cuja personagem é um mero brinquedo para o Barão, mas que não tem medo dele quando é colocada de lado.


Mas não tem jeito. Quem sem duvida rouba a cena, é o também lorde Christopher Lee, em seu primeiro filme de terror e sua primeira colaboração com o estúdio. O astro interpreta a Criatura de Frankenstein, e tem a melhor atuação do longa, fazendo de sua Criatura um ser perverso, cruel, que não tem escrúpulos em matar. Mesmo sem dizer uma palavra, Lee tem uma das maiores atuações de sua carreira, sem dúvida.

 

Ainda sobre a Criatura, ela tem um dos visuais mais originais do cinema, indo totalmente contra o que foi feito pelo lendário Jack Pierce no clássico de James Whale. A Criatura de Christopher Lee tem um rosto envolto em cicatrizes, além de um figurino que lembra o Nosferatu de Murnau. É um dos melhores visuais para a Criatura de todos os tempos.

 

A Maldição de Frankenstein também marca o inicio, não apenas da parceria, mas também da amizade entre Peter Cushing e Christopher Lee, que rapidamente se tornaram sinônimo de sucesso de produções do estúdio, e também grandes amigos fora dele, e assim ficaram até o fim de suas vidas. Seus nomes estão para sempre cravados no hall dos grandes astros do cinema de horror de todos os tempos.

 

A Maldição de Frankenstein foi o primeiro filme em cores da Hammer, e posso dizer que é um dos melhores. As cores pulsam na tela, principalmente o vermelho, enchem o filme, e o deixam ainda mais bonito, principalmente com as novas versões restauradas.

 

O filme foi lançado nos cinemas em Maio de 1957, e se tornou um sucesso de bilheteria, o que motivou o estúdio a lançar uma sequencia já no ano seguinte, e criar uma franquia, assim como fizeram com Drácula, também do ano seguinte.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Frankenstein no Cinema, em inédita versão restaurada, com muitos extras.

 

Enfim, A Maldição de Frankenstein é um filme excelente. Um verdadeiro espetáculo visual, que se tornou um dos filmes de horror mais importantes de todos os tempos para a Hammer Filmes. A presença dos lordes Peter Cushing e Christopher Lee no elenco é o grande atrativo do filme, e é maravilhoso vê-los juntos pela primeira vez. A direção e a fotografia também contribuem para deixar o filme ainda melhor. Um verdadeiro clássico do terror e uma das melhores adaptações da obra de Mary Shelley. Altamente recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.

Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/

AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.